TAN-World - Fic Interativa
3 Invasores
Notas iniciais
Semanas se passaram deste a visão de Camila com estranha menina. A mãe dela vinha economizando para um momento nas férias e isso as permitiu finalmente tirar férias em algum local fora da cidade. O lugar escolhido foram as praias do Rio de Janeiro. Muitos da capital baiana não costumavam falar bem do local: diziam ser violento e que mal poderia andar pelas ruas sem ser assaltado, mas a viagem corria bem. Enquanto mãe e filha estavam fazendo turismo pela cidade, suas TANs permaneciam em Salvador: a mãe de Camila não poderia arcar o preço da viagem levando as máquinas. As TANs eram recentes e nem tudo ainda estava pronto para a repentina chegada deles, inclusive alguns hotéis e agências de voo, que não tinham a exata infraestrutura para levar as TANs com comodidade e segurança. Sem as TANs para se comunicar com seus amigos, Alice só havia recebido o aviso que ela iria viajar e esperava por notícias da amiga. Seus dois TANs Nano e Mio eram suas poucas companhias no dia-a-dia. Viver quase presos em prédios e geralmente com medo de sair nas ruas, não dá a melhor vida para os adolescentes, se não fossem pelos seus TANs.
– Eu já imagino as caretas que faço quando jogo esses mini games do Pokémon... – Alice dizia enquanto jogava com Nano.
– Ah, não exagera. Não são feias como o pessoal descreve nos quadrinhos...
Ele tentava ser um pouco otimista: afinal, ele viu os quadrinhos que descreviam a cena. Nano é um Nintendo 3DS, dono de uma personalidade alegre e um tanto infantil. Branco como Alice, ele tinha um cabelo branco e olhos heterocromáticos (sendo o direito verde e o esquerdo azul), possuindo ao lado direito de seu rosto, dois pequenos círculos brilhantes com uma pequena linha os interligando. Usava um casaco negro um tanto largo, com mangas que cobrem quase sempre as suas mãos, seguido de uma calça azul com dois cintos laterais negros, acompanhando o cachecol que é uma mistura das cores já citadas em seu rosto. Em seus pés, usava um par de coturnos negros. Já no quarto de Alice, encontrava-se Mio, sua PC-TAN, como máquinas do seu tipo eram chamadas. Exemplo de boa educação, ela vive uma relação de amor e ódio com seu parceiro Nano, tendo de dividir o tempo e a atenção com o mesmo. Possui pele clara, cabelos longos e azuis e olhos prateados. Usa um vestido branco com um laço vermelho em suas costas, com meias 7/8 pretas e sapatos ao estilo boneca, também vermelhos, possuindo em suas mãos um par de luvas brancas sem dedos.
A mesma permanecia tranquila no local, ouvindo os sons dos jogos de Nano: máquinas como ela poderiam também ser programados para rodar jogos de alta performance, mas Mio tinha um limite de definição e memória e foi criada também para objetivos casuais como trabalhos ou conversas online. De olhos fechados, o som que era para ser de uma batalha acabou saindo de seu foco. Vagamente, Mio notou um som peculiar e incomum: aparentemente, algo pesado parecia estar pelas paredes. Ela abriu um olho, fixado na janela, de onde aparentava vir o som: ele também parecia se aproximar vagamente. Mio ainda levantou-se e foi até lá, olhando com cuidado pela varanda do terceiro andar aquele pequeno prédio. Virando-se para os lados, ela viu logo perto da janela debaixo um ser negro de forma antropomórfica com longas garras verdes, escalando as paredes do prédio. “Como ninguém notou esse bicho!?” Ela pensou, mas ao ver que ele aproximava-se com um sorriso para ela, Mio logo fechou a janela e apressou-se até Alice; antes mesmo dela falar, alguém bateu na porta. Os três estavam sozinhos em casa naquele momento e Alice ficou ociosa em abrir a porta. Ambos ficaram parados: Nano pelo olhar de Mio, a mesma pelo estranho ser que escalava o prédio (e que parecia aproximar-se vagarosamente dali), e a dona dos dois pela pessoa que batia na porta, que agora parecia impaciente com as fortes e constantes batidas. O tempo pareceu andar mais devagar, com eles trocando olhares, até que Nano disse:
– Quem vai atender a porta, afinal?
Mio tomou fôlego por um instante, encarou Nano por mais um instante, agora com um olhar cerrado e finalmente foi abrir a porta, às pressas. Ela olhou a grosso modo pela pressa, através do olho mágico, mas logo seus pensamentos (se assim é que devem ser chamados) voltaram-se ao estranho ser que escalava o prédio. A TAN voltou-se rapidamente, recostada na porta e disse apressada:
– Tem um monstro subindo o prédio!
– Ahn? – Alice balbuciou sem entender ao certo aquela repentina resposta.
Ela já ia falar de novo, quando ouviu algo caindo no chão de madeira, no quarto de sua dona. Mio paralisou, ouvindo os sons metálicos pelo chão, mas sentiu uma série de batidas em suas costas: quem estava na porta, batia com força e chegou a dizer “Abra a porta! Eu vim ajudar!”. Ela já não conseguia ver outra opção: fechando os olhos, ela abriu a porta, quase sendo jogada para longe com a força que o rapaz botou na porta, quase como se ele quisesse arrombá-la. O rapaz era de estatura média, pele clara, olhos e cabelos negros (estes espalhados). Em seguida dele, vinha uma Console-TAN; especificamente, uma Xbox. Ela tinha cabelos curtos e castanhos (muito escuros); seus olhos eram verdes e muito bonitos; tinha a pele clara, e um corpo desenvolvido debaixo da roupa padrão de uma máquina da Microsoft: saia curta e casaco preto (da mesma cor da saia), com sapatos fechados, também da mesma cor; mas no caso dela havia um “X” verde estampado nas costas de seu casaco, símbolo de seu videogame. Imediatamente, o rapaz virou-se para o quarto de Alice, de onde vinham os sons metálicos. Cerrando o olhar, ele falou para sua suposta TAN:
– Vamos, Eliza!
A mesma primeiramente estava ajudando Mio a levantar-se após o tombo. Depois disso, ela deu o aviso aos três antes de seguir as ordens de seu dono:
– Fiquem aqui: isso pode ser perigoso!
A TAN o seguiu e logo ouviram o que parecia ser um silvo, seguido de um impacto e uma queda. Nano tentou ir até o quarto, enquanto ouvia a briga lá dentro, mas Mio ainda tentou pará-lo:
– Nada disso! Eles nos disseram que--
– “podia ser perigoso”? Você viu a forma que aquele cara entrou!? Mais bruto que o Exterminador do Futuro! – O console-TAN continuou, no mesmo tom de Mio (quase em sussurros). – Não vou deixar isso passar em branco, seja ele bom ou não!
Nano seguiu até o quarto. Ele ainda pode ver a criatura pulando pela janela: os outros dois estranhos iam junto, quando ele os interrompeu bem a tempo:
– Ei cara! O que você que está fazendo?
O mesmo só fez virar a cabeça para o TAN, sério, quase um olhar enraivecido. Nano continuou:
– Você simplesmente invade nossa casa assim? E em uma coincidência com esse... Bicho que entrou pela janela! Quem é você? O que é aquela coisa? Eu quero explicações!
O rapaz ainda o encarou por um instante e logo o respondeu:
– Eu não devo explicações a ninguém!
– James, por favor. – A TAN disse discretamente.
– O que importa é que esses três estão seguros: vamos atrás daquele vírus antes que ele infecte outros TANs!
O rapaz, logo em seguida, equilibrou-se e se jogou pela janela, sem medo algum, seguido de sua TAN. A janela escancaradamente aberta deixava bater um forte vento, que levava as cortinas e batia no rosto de Nano, agora sem uma reação pela sua frustração de não ter obtido respostas, quando Mio chegou:
– Tá tudo bem?
– Conseguiu alguma resposta desse cara? – Alice chegou logo ao lado dela.
–... Eu estou bem, mas não obtive resposta nenhuma. O maluco ainda jogou-se pela janela...
–... Ele é ninja? – Alice falou consigo mesma, por um instante.
– Do jeito que se jogou... – Nano falou indiretamente, achando que tivesse falado com ela. – Mas ainda quero respostas!
– Mas a grande questão é: como achá-las? – Mio continuou.
–... Ele citou alguma coisa sobre “vírus”... Mio, você é a PC-TAN nessa história! Faça umas pesquisas básicas aí no Google! – Nano riu.
– Ahn, como assim? Um: todo mundo sabe o que é um vírus; você é quem deve ter entendido o que ele disse errado! Dois: quem é você para me mandar fazer alguma coisa?
– Eu sou a testemunha de um ocorrido! Poderia fazer este pequeno favor? – Ele continuou.
– Todos nós testemunhamos o ocorrido, por favor!
– Não tão bem quanto eu! Eu vi as cenas finais! O cara me ignorando, a TAN dele pedindo um pouco mais de educação e ele finalmente reclamando sobre algo relacionado a vírus e se jogou pela janela seguido da TAN!
Mas enquanto os dois discutiam, Alice chegou até o parapeito da janela, observando de bruços: não havia um sinal de buracos, sangue ou rachaduras no local, sequer algum objeto quebrado. Foi uma ação rápida e silenciosa, de ambos quem fossem. “Quem era aquele cara?” Alice pensava.
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