T9

3 Base Norte (Pesquisa Avançadas de Distúrbio do Crescimento e Diferenciação Celular)


Notas iniciais
Mais uma base sendo explorada, espero que curtam.

Samuel olhava pela janela. Na escuridão apenas conseguia ver os faróis dos carros passando pela estrada. Seu acompanhante dormia no outro canto do carro. Ele dormiu muito na juventude, agora não podia se dar o luxo de desperdiçar seu tempo. A viagem havia sido longa principalmente para um homem em sua idade. O ultimo trabalho antes de voltar para central. Pegar o pacote. O carro começou a desacelerar e parou na portaria. O seu motorista abaixou a janela e mostrou seu crachá. O segurança olhou para trás e o viu, logo depois pegou um comunicador. Falou algo e o grande portão começou a abrir.

—Sejam bem vindos! – Falou o segurança antes de voltar para sua cabine ao lado do portão.

O carro começou a se movimentar. O complexo possuía quatro prédios de seis andares, cada um nas extremidades do local, os isolando naquele lugar, mas ele sabia que se conectavam no subsolo. Seu carro foi estacionado na frente do prédio com um lindo chafariz na sua entrada. Seu motorista saiu do carro e abriu a porta para ele. Ele saiu do carro devagar. Ficou ereto e arrumou a gravata e desamassou um pouco o terno. E, devagar, ele caminhou até o prédio, subindo com um pouco de dificuldade a pequena escadaria. Uma mulher o esperava. Ela era morena, cabelos pretos e lisos, olhos cor de chocolate e usava uma roupa social com um jaleco branco. Ela sorriu para ele.

—Viagem muito longa?- falou estendendo a mão para ele.

—Paradas muito longas. –apertou a mão dela. – Doutora Lambert, sou Samuel.

—Prazer em conhecê-lo em pessoa.

—Digo o mesmo. –Falou com um sorriso gentil para ela.

—Gostaria de alguma coisa antes?

—Não obrigado. Quero terminar logo com isso.

—Venha comigo.

Ele a seguiu. O local era harmonioso, as cores da parede eram claras e sua decoração era bem feita. As plantas aumentava a sensação de paz. Eles pararam na frente do elevador. Plim. Eles entraram. A porta se fechou e um cheiro forte inundou o local, mas logo desapareceu. “Descontaminação completa. Sem agentes biológicos.” Eles começaram a descer até o terceiro andar do subsolo. A porta se abriu e o branco banhou sua visão.

—Não podia ser azul celeste! –Ele falou com desgosto.

—Você acostuma com a cor. O pior são os primeiros meses aqui embaixo. — Começou a caminhar e ele a seguiu.

—Imagino. –Ele sorriu. –Foi nesse andar o acidente?

— Não, foi um acima de nós. O chefe do departamento de câncer trabalhava com sua equipe na evolução do vírus. Ele conseguiu, mas foi exposto ao agente biológico. Desde então, o vírus fica aqui em baixo. –Ela olhou para ele enquanto viravam em outro corredor. – Quando ele falava sobre o vírus sempre o descrevia como um coco, algo difícil de quebrar e se não conhecido sem potencial nenhum, mas se aberto é fonte de uma água deliciosa. Ele adorava essa água. –Ela sorriu lembrando-se de seu colega. Ele respeitou esse momento dela. –O que sabe sobre T9?

—Apenas do seu incrível potencial.

—Um potencial que me custou três pessoas.

—Pessoas morrem todos os dias. –Ele falou serio. –Não foi me enviado nenhum um relatório e não me relataram o motivo.

—Os papeis se perderam quando queimamos a sala. Ele tinha uma mania de fazer primeiro manuscrito antes de salvar no computador. Os dados salvos estão comigo, mas são tão básicos que fui obrigada a iniciar uma nova pesquisa para fazer um novo relatório. -Eles viraram em outro corredor e duas portas depois pararam. “Sala de incubação.” Estava escrito na placa. A porta se abriu. –Espero que não seja fumante, mantemos essa sala com o nível de oxigênio baixo.

—Já fui, parei há muito tempo. –Eles entraram na sala.

Eles entraram e um homem estava sentado em uma mesa olhando um holograma de um animal. Ao perceber a entrada deles, ele se desconectou e levantou. Ele era loiro, extremamente branco e com olhos azuis muito claros. Ele caminhou até eles.

—Samuel, esse é o nosso zoólogo chefe doutor Schultz. –Os dois apertaram a mão.

—Me chame de Chef, sem formalidades aqui em baixo. – Ele olhou para o moço com um olhar curioso.

—Ele está trabalhando comigo em relação ao vírus.

—Posso saber o motivo?

—Quando o vírus foi lapidado, seu comportamento mudou. Como você disse há um grande potencial nele, mas acabamos transformando em uma arma mais viral do que era. — Ele olhou com um olhar questionador e ela se adiantou a sua pergunta. –Os testes a mais de dois meses utilizou o vírus na sua forma bruta. Ele está muito diferente agora.

—De que forma diferente?-Antes que ela respondesse, Chef falou primeiro.

—Os sintomas do primeiro e segundo estágios continuam similares até agora, o problema é as duas próximas. Imaginei um animal atacando sua presa. Varias áreas especificas do cérebro estão mandando impulsos. Agora imagine isso em um nós só que em tempo quase integram. Esse é o novo sintoma.

—Eles caçam o que?

—Qualquer coisa. –falou a doutora. –Eles precisam de grandes níveis de energia no organismo. Não tem mais noção de quem foram só sabem que precisam de alimento e qualquer coisa serve. Um pedaço de bacon a um pedaço de um braço humano. –Ela respirou fundo. – Nossa única cobaia ficou com uma força incrível e emagreceu rapidamente também, mas o vírus é esperto e achou uma forma de fornecer energia para o hospedeiro.

—O que houve com a cobaia?

—Destruímos. Não queríamos nenhuma transmissão indesejada. –Ela virou para chef. –Pegue o pacote. – Chef assentiu e caminhou para uma sala de vidro pequena.

—Ainda não compreendi porque um zoólogo está aqui? – Ele não era tão fácil enganado.

— Precisava dele para colocar uma especificidade no vírus. –Um sorriso cansado estampou o rosto dela.

—Especificidade?

—Se um dia, esse vírus vir a se espalhar pelo mundo que ele destrua a espécie certa.

—Você realmente é paranoica. -Ele deu um sorriso divertido.

—Sou demais. –Ela sorriu para ele. –Se um maldito vírus sair daqui, a culpa será minha.

—Entendo agora porque foi nomeada como chefe desse lugar. – Chef voltou com uma maleta e entregou a ele. –Alguma cura?

—Apenas em quanto estiver na fase 1 e 2. –Disse chef. –Honestamente, na fase 2 tem uma grande chance do vacina não fazer efeito, mas conseguimos uma vacina para evitar sua transmissão pelo ar nas primeiras fases. –Seu olhar era preocupado. -Mas, se uma pessoa for contaminada no estágio 3 e 4 se torna muito mais forte 1 e 2 mais difícil de ser curada.

—Entendo. –Olhou para o homem e viu um pequeno tremor na mão direita. –Foi um prazer conhecê-lo, doutor Schultz.

—O prazer foi meu. –Sorriu para o idoso a sua frente.

—Chef, me espere na minha sala. – Ele assentiu e ela virou para Samuel. –Acho que podemos ir para acima.

—Maravilha! –Ele sorriu e começou a caminhar para fora levando o pacote. Ela o seguiu e logo começou a guia-lo pelos corredores.

Eles fizeram o mesmo caminho. Ele sempre ficou impressionado com a solidão daquele lugar. O salto dela ecoava por todo o corredor. Eles chagaram no elevador. Plim. Eles entraram e novamente o cheiro estranho. “Descontaminação completa. Sem agentes biológicos.” O elevador começou a subir. Ele fechou os olhos por um minuto. A porta se abriu e eles saíram. Eles pararam a onde eles se conheceram. Ainda faltava muito para amanhecer.

—Foi um prazer, doutora. – falou com um sorriso quase verdadeiro.

—Samuel, destrua esse vírus. –Sua voz saiu baixa muito diferente da normal entonação dela. –Não vale o risco.

—Isso está acima de mim. –Falou com um olhar bondoso falso.

—Eu posso ter te conhecido hoje, mas ele te conhecia muito bem. Ele sempre me dizia que você era um exímio observador e um cruel manipulador. –Ela falou olhando para seus olhos. –Eu sei que você leu o relatório preliminar do vírus. Ele pode estar certo, mas é perigoso demais. Eu vi o que ele faz, ele sentiu. Todos nós vamos morrer daqui a um ano ou cem. Nele pode estar o segredo do rejuvenescimento celular, mas nenhuma fonte da juventude vale mais do que uma espécie.

—Nós lidamos com os diferentes tipos de vírus e nenhum saiu do nosso controle, nenhum matou metade do planeta. Nós tomaremos cuidado com ele. –Falou com rispidez. –E em 56 anos de vida ainda não percebeu que é o egoísmo que movimenta o mundo. E eu digo que vale.

—Você se acha um deus, mas não se esqueça. Um dia todos caem. –Ela voltou a sua entonação.

—Mas, se eu cair eu vou levar muita gente comigo. –Ele sorriu para ela amigavelmente. Ele começou a gostar dela. –Foi um prazer, Erica.

—O prazer foi todo meu, Samuel. –Suas palavras saíram com tom de nojo e seu sorriso venenoso.

Ele caminhou para o carro que o esperava já ligado. Ele entrou no carro.

—Gostou da visita? –Perguntou seu companheiro.

—Foi interessante. Conheci alguém realmente interessante. –Ele coçou a sua barba branca e deu um sorriso quase amigável para seu companheiro inútil.

Ela olhou o carro partir sem demonstrar qualquer emoção. Ele demorou demais aqui. Ela caminhou para um elevador rumo sua sala. Parou nele e esperou ele descer. Plim. Ela entrou e apertou o botão do ultimo andar.Esse elevador era muito diferente do outro, esse era muito menor. A porta se abriu e ela caminhou até encontrar uma porta com a placa do seu nome. Ela entrou e olhou um pouco para a visão do complexo onde vivia. Chef estava sentado em uma poltrona. Ele sorriu para ela, ela não conseguiu retribuir.

—A conversa não foi boa?

—Imagina. Tivemos uma conversa intelectualmente produtiva. –Falou com sarcasmo.

—Ou seja, você em poucas palavras desejou a ele uma morta lenta e dolorosa.

—Alguma coisa nesse sentido. –Ele riu. –Só você para rir com isso. — Ela caminhou até sua mesa.

—Você acaba de bater de frente com um dos chefões e eu não vou rir da sua insanidade. Isso não pode ver todos os dias! –Ele riu mais um pouco e limpou uma lágrima imaginaria do seu rosto. –Sabe que ele pode te destruir com a mesma rapidez?-Pela primeira vez ele pareceu preocupado. Ela olhou para uma das fotos onde uma linda menininha sorria.

—Eles não vão me destruir. Eu já vi demais e fiz demais. Pessoas jovens não tem o mesmo currículo que eu. –Sua voz saiu quase convencida. Ele notou o olhar dela para a foto.

—Sua filha?-Ela sorriu para foto. Bons tempos aqueles.

—Minha neta. –Ela olhou para ele. –Você tem família?-Olhou para ele.

—Uma menina, mas não vive comigo. A custódia é da mãe. –Seu olhar ficou um pouco triste. –Ela precisa da mãe e eu, bem, estou preso aqui.

—Separação sempre é difícil. Meu filho nunca entendeu quando eu resolvi deixar o pai dele.

—Você saiu de casa? Fico admirado. Você tem cara que arranca tudo do ex por vingança.

—Pensa tão mal de mim! Eu não fiz isso, eu achava a amante dele uma pessoa legal. -Ele riu.

—Então esse é o grande motivo para a separação?

—Claro que não, adoro compartilhar meu marido. –Ela falou com um tom de falsidade e no final revirou os olhos. Ela não aguentou e riu com ele por um tempo. –Eu o deixei por causa de uma pesquisa. –Ela falou séria matando a descontração presente na sala. –Eu sempre quis deixar minha marca no mundo. –Seu olhar caiu na foto novamente e voltou para ele. Ele também tinha um olhar triste. –Deixe esse lugar. Você é jovem e se for por dinheiro porque está aqui pode ganhar em outro lugar. –Ele fez uma careta de desgostoso. –Acredite em mim. Se ficar aqui não só vai perder sua família. E, com o passar do tempo a única maneira de sair daqui será dentro de um caixão. –Ele ficou quieto pela primeira vez. – Você terminou o que eu pedi?

—Claro! O vírus aceitou com perfeição. –Ele sorriu pelo seu bom trabalho. –Eu vou ficar aqui, quem mais poderia fazer aquela obra prima além de mim. –Ela podia ver mão dele direita dar espasmos. Seu sorriso era muito convencido.

—Ou seja, vai continuar quebrando o coração de muitas mulheres aqui. Ainda bem que há psicólogos aqui. –Ele sorriu orgulhoso.

—Eu faço um trabalho social. Se você quiser estou livre sexta?-Ela olhou para ele sem emoção. –Que foi. Você tá velha, mas tá inteira até demais.

—Obrigado por aumentar meu ego... Espera, inteira até demais? Desculpa por superar sua perspectiva. –Ela jogou o cabelo para trás e ele riu. -Eu já passei da idade de entrar nas listas das pegadas. –Seu celular vibrou no bolso do seu jaleco. Ela pegou e olhou. –Diferente de você tenho uma paciente que preciso ver. –Ele deu de ombros e depois ficou sério.

—O que você perdeu? – Ele perguntou para ela com uma voz sombria. Ela temia essa questão. Ela olhou para as fotos de todos que ela amava e olhou para ele.

—Seu departamento precisa de você e eu ainda preciso do relatório detalhado do vírus. Quero enviar o quanto antes e com a amostra das primeiras vacinas imunizantes junto. –Ela saiu da sala fechando a porta.

Ela parou no corredor e respirou fundo. As cores das paredes daquele lugar eram harmoniosas. Ela começou a caminhar sentido o elevador, mas não o qual veio. Ela foi para o extremo do prédio para encontra-lo. Ele se camuflava com a parede. No local onde havia uma seta para baixo ele encostou sua mão e o leitor digital fez seu trabalho, e sem nenhum barulho a porta se abriu. Ela entrou e as portas se fecharam. O ar ficou estranho, mas logo voltou ao normal. “Descontaminação completa. Sem agentes biológicos.” Ela tocou para primeiro andar do subsolo. Só havia um elevador que conectava o ultimo andar do subsolo para o ultimo do solo e eram poucos que tinham acesso. Parecia estar parada, mas quando a porta se abriu o branco retornou a sua vida.

Ela saiu e começou a caminhar pelo corredor. Ela podia ouvir passos. Se fosse de dia, haveria muitos. As paredes dali tinham quadros fazendo lembrar um hospital. Ela virou em um corredor, andou um pouco, virou de novo, andou um pouco mais até chegar a uma porta com uma listra vermelha a cortando. “Sala de tratamento.” Ela chegou perto e a porta a reconheceu, e abriu. Ela adentrou na sala. O local tinha cor de pastel misturado com branco, havia cinco mesas sem seus respectivos naquele ambiente retangular tinha. Na parede a sua frente havia uma abertura, um corredor longo que acabava em outra sala similar a essa. Ela caminhou até ele.

Duas macas podiam ser colocadas paralelamente ali. Suas paredes eram de cor de pastel e eram de vidro. No lado direito havia duas portar e no lado esquerdo três. Ela caminhou até a última do lado direito. A porta era transparente para quem estava no corredor e possuía uma placa. “Paciente XVI” Ela empurrou a porta e entrou na sala. Algumas paredes eram brancas e outras eram azuis. Uma menina extremamente branca estava deitada na maca uns poucos metros a sua frente. Um homem de jaleco brincava com ela com uma boneca Barbie.

—Você precisa se alimentar, menina linda! Como vai ficar linda que nem eu. –A voz dele saia fina. A menina sorria para ele e depois sorriu para ela.

—Erica! –A voz da menina era doce e fraca. Seus olhos eram verdes bem claros, sua cabeça não possuía nenhum cabelo e seu rosto nenhum pelo. Ela tinha dez anos. –Você demorou. –Ela não pode de deixar de sorrir para a menininha.

—Demorei, mas estou aqui! Mas, vejo que tem um companheiro melhor!

—Ele não sabe contar histórias como você!

—Claro que não, Sam. –O doutor entregou o tablet para ela junto com a boneca. –E qual história você quer ouvir, hoje?

—De super heróis! –Sam sorriu animada.

—Super heróis? Eu não sei muitas histórias boas deles. -Falou olhando para o tablet. Os exames não foram bons. Ela olhou para o homem e ele balouçou a cabeça em negação.

—Só quero uma história que ninguém morre! –Os olhos verdes da menina brilharam.

—Você não vai morrer! –O homem falou para ela sem pensar.

—Você promete? –A menina olhou para os dois com olhos cheio de esperança.

—Eu prometo. Você ainda vai dar muito problemas para seus pais. –Ela falou para a menina e deu um sorriso meigo para ela. Sam sorriu também, mas a tristeza não saiu do seu olhar. –Você quer ouvir uma história?Vamos fazer algo de diferente. –O homem caminhou até o extremo da sala e começou a misturar uma substância. A menina a ouvia. –Por que você não me conta o que vai fazer quando sair?

—Eu vou... –Sam fechou os olhos e sorriu. – Acho que vou a escola e brincar com meus amigos. –O homem voltou e entregou a substância pronta na seringa. –Vou andar de bicicleta e vou brincar com Tod, meu cachorro. –Ela guiou a seringa até o braço da menina. Ela podia ver a sua veia. –Eu vou correr muito. –Sam fez uma careta quando a agulha entrou na sua pele. –E vou convidar você para meu aniversário. Vai ter que me trazer um belo presente. –Ela tirou a agulha.

—Sim, eu vou. –Os batimentos da menina começaram a diminuir drasticamente e seus olhos começaram a fechar.

—Boa Noite! –Conseguiu sussurrar.

—Bons sonhos, Sam! –Ela olhou para o homem, ele tinha um olhar triste. –Quanto tempo para os pais dela chegarem? –Ele não respondeu. – Você os comunicou, certo? –Seu tom saiu forte. Ele saiu do seu transe.

—Sim, claro! Eles devem estar aqui as cinco os seis horas da manhã. –Ele olhou para a menina. – Eu queria ter salvado ela.

—Se acostume! –Ela começou a digitar no tablet. –Vou comunicar a base oeste, eles precisam de uma pessoa com essas características. Você sabe o que fazer, mantenha ela assim e quando seus pais chegarem a faça parecer morta. E não se esqueça de dizer sobre o caixão. E fale para as enfermeiras arrumarem a menina e levarem a para a superfície. –Ele assentiu. Ela terminou e enviou a mensagem. –Você está bem?-Ela olhou para ele. Ele tinha cabelos negros e olhos da mesma cor, era branco abrasileirado, alto e forte, com pelo menos 43 anos.

—O que vou dizer a eles? –Sua voz saiu um pouco em pânico.

—Você tem memória boa?

—Claro!

—Então, ousa com atenção o que vou dizer e depois é sou manter seu sorriso meigo e sua cara de tristeza como a que está agora. –Ela falou calma e sem emoção.

[05h43]

A mãe olhou para sua menininha pálida em cima da cama. Eles haviam colocado roupas de frio nela. Ela subiu o zíper da blusa da sua menina até o fim enquanto longas lágrimas desciam pelo seu rosto. Ela beijou a cabeça e podia ouvir a voz dela. “Não chora mamãe!” Seu marido ficou olhando de longe, as lágrimas rolavam pela sua face. Ele caminhou até onde ela estava e beijou a cabeça pálida de sua filha e recuou com medo de não conseguir largar ela depois.

—Eu sinto muito. – O doutor falou. –Nós tentamos de tudo.

—Doutor?

—Menezes.

—Nós sabíamos que podia ocorrer isso, mas nós precisávamos tentar. É isso que os pais fazem. –O homem era alto, um pouco acima do peso, branco, cabelos pretos e olhos azuis.

—Desculpe-me entrar nesse assunto, mas eu preciso. No contrato estava especificando, em casos como esses o caixão não deve ser aberto.

—Sim, nós nos lembramos disso. – Disse a mulher com a voz embargada. Ela era magra, branca, cabelos castanhos mel e olhos verdes iguais da menina. –Ela vai ser enterrada assim?

—Sim, senhora. –A mulher tirou seu colar e colocou em sua menininha.

—Ela o amava. –Ele olhou para a porta e Erica estava lá. Olhando a cena de longe. Eles estavam no segundo andar da superfície. Ele podia ver o complexo pela enorme janela. Alguns raios do sol tocava o rosto pálido da menina.

—Seu sorriso era o mais meigo que eu já vi. –Ele podia ouvir a voz da doutora em sua mente. –Ela ria quando eu brincava de boneca com ela e amava quando contava histórias. –Os pais estavam atentos a suas palavras. –Ela fez esse lugar ter um pouco de paz e alegria. Sua filha não sofreu nenhum momento e sorriu até o fim. Algumas vezes anjos veem a terra para ensinar, mas o tempo deles é curto. Eles precisam tocar mais corações no mundo. –Eles sorriram com essas palavras.

—Obrigado. –Disse o pai.

—Nós precisamos leva-la agora.

—Sim. –A mãe deu um beijo na bochecha da menina. – Eu te amo! –Ela sussurrou.

—Adeus minha criança! –Falou o pai beijando mais uma vez na cabeça.

O doutor fez sinal para as duas enfermeiras e juntos começaram a arrastar a maca.

—O carro com ela vai esperar vocês lá fora. –falou antes de sair.

Eles caminharam até o elevador para o subsolo. Erica já havia o chamado. Eles colocaram a maca dentro dele e as duas enfermeiras foram embora. Apenas os dois ficaram lá dentro. A porta se fechou.

—Você demorou? -“Descontaminação completa. Sem agentes biológicos.”

—Desculpe. Eles precisavam daquele tempo. – O elevador parou no último andar e dois homens de preto esperavam.

Eles tiraram a maca de lá e começaram a empurrar. E, eles o seguiram. Os homens atravessaram muitos corredores. Eles pararam quando viram uma porta enorme. “Entrada e saída de cargas” a porta se abriu quando eles mostraram o crachá. O local era um estacionamento subterrâneo. Havia um carro funerário com um caixão dentro e o outro carro era um furgão equipado para manter uma pessoa viva. Ela caminhou até a menina e injetou em seu braço uma substância.

—Isso só vai fazer os batimentos cardíacos dela voltar ao normal junto com a respiração. –Falou para os dois homens de preto.

O furgão tinha uma caixa retangular de vidro que ocupava quase todo o carro tanto em altura como de largura. Eles Passaram a menina para outra maca menos em altura. Eles a levaram até o carro e a subiram. Conectaram-na plataforma e amarram a menina maca. Eles saíram do carro e ela entrou. Conectou todos os fios na menina e desceu do carro.

—Vocês podem ir encontrar os pais dela. – Falou para os dois homens do carro da funerária. Virou para os homens de preto. – Tenham cuidado com ela. Ela será muito útil. –Eles assentiram e fecharam a porta da caixa e digitaram algo no teclado que apareceu no vidro.

Ela viu o peito da menina subir e descer. Ela virou o rosto e ouviu o som da porta traseira do furgão ser fechado.

—Será que vou olhar para essa cena como você?

—Você se acostuma. – Ela sorriu e depois começou a rir.

—Do quê ri?

—Eu disse a algumas horas que a pessoas tendem a sair daqui em caixões. A verdade, elas nunca saem. –Ela riu enquanto retornava para o corredor.

Nem os sons dos dois carros dando partida superaram a risada.

Notas finais
Revisei muito rapido esse cap, então perdoem os erros. O próximo terei mais cuidado.