Notas iniciais
Hey, ai está mais um cap e ouso dizer que as coisas ficaram um pouco tensas ahuaha Bem espero que gostem, bjuss

Primeiro dia
13: 20 pm


Charles e eu nos sentamos nas ultimas cadeiras como sempre, Marlee desenrolou um enorme banner com uma tabela periódica desenhada, sem dúvidas estava preparada.
Abri a mochila para pegar o caderno, não é como se eu fosse usa-lo, mas pelo menos eu tentava passar uma imagem decente, não que chegar atrasado tenha ajudado muito nisso.
Quando estava retirando o caderno, percebi meu celular vibrar, o peguei rapidamente, imaginando ser algo importante.
Era uma mensagem de um numero desconhecido.
— Luc Romany. – A voz de Marlee quase me causou um enorme infarto, mas apenas sorri normalmente.
— Sim?
— Chamada.
— Ah! Sim, estou aqui. – Respondi sem jeito, ouvindo a risada abafada de Charles ao meu lado.
— Seu corpo certamente está entre nós, já a mente.
— Ah...
— Ok, vamos em frente, Maria?
Ignorado com sucesso.
Um pedaço de papel foi empurrado até minha mesa, analisei-o melhor, a letra torta e deformada de Charles era inconfundível: “É impressão minha ou ela cismou com você?”
Peguei a caneta e rabisquei da forma mais legível possível: “Calado, ela é a mulher de quem lhe falei, que você intitulou de salvadora sexy”.
Quando acabou de ler pude ver a cara de espanto e choque dele, sem perder tempo fez questão de me encarar e sussurrar algo como: “Está muito ferrado!” Decidindo ignorá-lo me voltei a mensagem do celular, mas logo fui interrompido, de novo.
— Com licença.
Nós nos voltamos ao homem jovem de sobretudo marrom e óculos quadrados que entrou na sala, ele tinha um olhar determinado e não me era estranho, se não me engano já esteve na escola vez ou outra. Ele se aproximou da mesa de Marlee e nos encarou.
— Sou o Detetive Jones, estou investigando o caso dos desaparecimentos recentes e gostaria de conversar com alguns alunos próximos a Jessica, então se não se importam gostaria de conversar em particular com os seguintes: Anna, Luc, Charles e Clarisse. Poderiam me acompanhar?
Ainda receosas as alunas foram se levantando, Charles e eu nos encaramos por um instante e, sem opções, fizemos o mesmo.
Antes que pudéssemos sair Marlee segurou o braço do detetive.
— O que espera com isso? – Ela perguntou de forma séria, lançando um olhar repreensivo ao homem. — Conheço sua fama. O que acha que vai conseguir com essas crianças?
—Não posso descartar opções. – Foi tudo o que Jones disse, retirando o braço da professora e nos guiando para fora. — Tudo bem, vocês dois por aqui, meninas aguardem, por favor.
Ele nos levou a uma sala de aula vazia e nos mandou sentar nas primeiras cadeiras, o que rapidamente fizemos sem questionar.
— Soube que eram os mais próximos de Jessica, amigos de infância, certo?
—Sim. – Respondi e ele sorriu, passando a mão pelo meu cabelo, imediatamente me afastei.
—Talvez algo a mais, certo? Namorados talvez? — A pergunta dele soou acusatória, comprimi os lábios e me forcei a responder:
—Sim.
—Entendo, você e ela brigaram recentemente? Algum tipo de desentendimento que te fez ficar com raiva ou ter alguma... Reação desagradável?
—O que está insinuando? — Minha voz saiu um pouco ríspida, me controlei para não cerrar os punhos e socar a cara dele.
—Nada, afinal não há nada a esconder, certo?
—E o que acha que ele teria a esconder? – Charles se levantou e encarou o homem.
—Seu passado é bem interessante sabia? – O detetive exibiu um sorriso vitorioso e se sentou em cima da mesa, de onde nos encarou melhor, meu amigo tornou a se sentar no mesmo instante. — Será que posso lhe perguntar como vai sua mãe? – Pelo canto do olho vi as mãos de Charles se fecharem e seus olhos ganharem um brilho assassino, discretamente segurei seu braço, fazendo com que olhasse para mim e sussurrei para que tentasse se acalmar. — Eu soube que tinham uma relação conturbada, você e sua família tiveram um péssimo passado, e, cá entre nós, considerando que é esse o tipo de amigos que Jessica possui, não é de se surpreender que tenha sumido.
— Pare de insinuar coisas assim. – Implorei, ainda olhando para meu amigo, que a cada segundo se aproximava de fazer uma loucura.
— Só quero descobrir o que aconteceu e se esse caso tem alguma ligação com os outros.
— Não é o que parece. – Charles sussurrou, suas mãos tremiam, Jones apenas suspirou e se levantou.
— Vou direto ao ponto, algum de vocês fez algo contra Jessica? – A pergunta dele me acertou em cheio, soquei a mesa tão forte que o som ecoou por toda a sala vazia, me levantei e apontei o dedo para o detetive.
— Pode dizer qualquer coisa de mim. – Comecei, tentando permanecer calmo, mas senti minha respiração acelerar e meus olhos encherem marejarem, ainda assim me mantive firme. — Mas se tem algo que não faria JAMAIS, é machucar Jessie. Eu nunca faria isso! E se quer saber... SE EU PEGAR ESSE MALDITO QUE A LEVOU... EU JURO QUE O MATO!
— Calma! – Charles me segurou e me afastou de Jones, que apenas me encarava sem reação. — Nunca mais insinue isso. Você não sabe o que ele sente e nem o que eu sinto.
— Eu só estou aqui para cumprir meu dever como-
— Vai se ferrar. – O interrompi, começando a caminhar na direção da saída, não queria mais ouvir aquela conversa fiada, quando sai da sala corri em direção ao banheiro e me tranquei por lá deixando as lágrimas caírem, minha mão estava vermelha, o soco havia sido forte de mais, mas isso não era nem metade da dor que sentia no momento.
— Luc? Luc? Sou eu Charles, cadê você? – Pude ouvir pelo tom de sua voz que estava se contendo para não chorar, então sai do meu esconderijo enxugando as lagrimas com a manga da jaqueta. — Ele foi um idiota. – Não tive como definir o que era mais impressionante, sua voz confiante ou o sorriso sincero e triste que ele conseguiu abrir.
— Sim. – concordei retribuindo o sorriso.
— Jessie nos ama, e nós a amamos, porque somos amigos, sempre fomos e sempre vamos ser.
— Sempre. Ela aceitou e entendeu nossos problemas.
— E nós os dela. – Ele concordou sorrindo. — Obrigado por me apoiar lá. Eu estava pronto para soca-lo.
— Eu sei. É isso que amigos fazem não é?
— Sim. – Os olhos dele se encheram de lágrimas e eu o abracei sorrindo. — É bom ter você por perto.
— Digo o mesmo. – Admiti e ele se afastou lentamente, eu respirei fundo um pouco e encarei meu celular, a mensagem ainda estava ali, na realidade eram duas mensagens, Charles abriu a torneira para lavar o rosto.
— De quem é? – Perguntou, me encarando pelo reflexo do espelho.
— Não sei. Tenho um mau pressentimento sobre isso, mas vamos lá.
Sem muito pensar abri a mensagem, afinal não podia ser algo tão ruim, meu amigo se aproximou curioso como sempre. Olhei ao redor para ver se estávamos sozinhos e quando tive certeza comecei a ler em voz alta:
“Olá Luc.
O que acha de uma comunicação mais direta? Devo admitir que ficou fácil achar o seu número, meninas e suas manias de deixar claro qual dos números é o de seu namorado.”
— Luc, será que é ele?
— Não sei, vamos continuar lendo a próxima.
"Jessie, é assim que a chama não é mesmo? Uau, ela é mesmo linda, me pergunto como pode ser tão egoísta ao ponto de querer essa joia só para si. Assim como penso em como você é uma bela joia, mas ainda o verei muito pequeno Luc. Terei tempo de aprecia-lo. Espero que leia meu livrinho."
— Sem dúvidas é ele... Luc, devemos mostrar isso a alguém. Esse cara é louco, um perseguidor. – A voz dele ganhou um tom mais urgente e desesperado.
— Eu sei. – Murmurei sem animo e ele segurou em meu ombro.
— Se ele tem seu número pode ser que esteja perto.
— Eu sei.
— Luc, ele pode te levar a qualquer momento, assim como levou Jessie. Por favor, não posso perder meus dois melhores amigos. Meus dois únicos amigos.
— Calma. Olha pra mim. – Pedi e ele me soltou ainda nervoso. — Confia em mim?
— Sim.
— Eu também confio em você. Mas só em você. Esse é o problema.
— Não entendo.
— Eu não sei quem é essa pessoa. Não sei como me conhece, não posso confiar em qualquer um.
— Agora que diz... Faz sentido. Droga, isso é um baita problema.
— Sim, mas para todos os efeitos não sabemos da existência dessa pessoa ok?
Ele me encarou aflito e, por fim, suspirou cansado. — Ok! Vamos para aula antes que desconfiem, e pelo amor que tem a Deus, lava esse rosto e arruma esse cabelo, está pior do que eu quando acordo de manhã.
— Digo o mesmo.

Notas finais
E ai, o que acharam?