Notas iniciais
Oiee sei que demorei, não me matem o próximo vai sair na velocidade da luz juro.. Enquanto isso aproveitem esse!

Primeiro dia

13: 40 pm

Quando voltamos para a sala Marlee nos fez parar na porta e nos encheu de perguntas sobre o interrogatório e o detetive, só conseguimos passar depois de alegarmos mil vezes estarmos bem.

— Ah... Alunos. – Ela começou depois que as meninas entraram. — Sei que ainda temos alguns minutos de aula, mas hoje vou liberar vocês mais cedo, nos vemos na terça e no próximo sábado. – Uma onda de comemoração tomou a sala, todos saíram como foguetes. — Senhor Romany? Será que podemos conversar um instante? – O pedido dela me pegou de surpresa, mas concordei mesmo assim.

— Estou ali fora. – Charles sussurrou ao passar por mim e cainhou até a porta sem muita pressa. — Até mais professora!

— Até mais querido! – Quando ele saiu, Marlee diminuiu um pouco o sorriso e se voltou a mim. — Como está o ferimento? – Perguntou, enquanto se aproximava devagar.

— Melhor... Obrigado por me ajudar ontem.

— Sem problemas... Tem certeza que estão bem? Depois desse interrogatório seu amigo parecia meio abalado.

— Não se preocupe, logo passa, não foi nada demais, sério. – Tentei tranquiliza-la com um sorriso, meu celular vibrou novamente, eu gelei, não estava preparado para outro contato com aquele maníaco.

—Bem então acho que vou acreditar!

Tentei conter minha curiosidade, mas acabei espiando o nome da pessoa que me ligava, era meu pai e pela primeira vez em anos agradeci por ser ele

— Com licença, professora, é o meu pai vou ter que atender.

— Claro, não quero mais tomar seu tempo... E diga a ele que mandei um beijo. – Ela piscou e começou a se afastar tranquilamente, não pude deixar de rir baixo.

— Alô! – Atendi desanimado enquanto juntava minhas coisas na mochila.

“Será que não consegue passar o dia sem se enfiar em problemas? Ontem a escola, hoje um detetive, por que um detetive? Sou um advogado ocupado, preciso de tempo para trabalhar e você me enche de problemas, você e Charles vão para o estacionamento agora, diga a ele que o Scott me ligou e deve aparecer por aqui, estou indo busca-los!”

— Chamada encerrada.

O tom sério dele me deu medo, alguma coisa aconteceu e não foi boa, e ainda tinha Scott... Alguma coisa certamente aconteceu.

Peguei a mochila e sai da sala.

Charles me esperava sentado e se levantou quando me viu, sem muito explicar o puxei para que começasse a andar mais rápido.

Corremos para o estacionamento, graças a Deus meu pai ainda não tinha chegado, ele odeia atrasos.

— Ei... Pode... Me... Dizer... – Charles estava ofegante, se concentrava em falar, respirar e balançar a cabeça, depois de um longo suspiro ele conseguiu se concentrar apenas em falar. —O que foi isso?

— Desculpa sair te puxando. – Pedi, tentando não rir da cara de revoltado que ele fazia. — Meu pai ligou e disse que viria nos buscar e ele parecia nervoso, bem nervoso. – Expliquei e ele fez bico, era uma mania dele, sempre dava um jeito de retroceder à mentalidade infantil.

— Seu pai nervoso nunca é bom sinal. Mas o que eu tenho com isso? – Delicado como sempre.

— Scott ligou. – Comentei um pouco receoso, ele apenas permaneceu me encarando por um tempo. — Não sei o que era, mas não deve ser algo ruim.

— Por que outro motivo meu irmão ligaria para o seu pai? É claro que é algo ruim.

— Ah! Não fique assim, não pode ser tão ruim. – Tentei acalmá-lo, mas ele desviou os olhos para o chão, um claro sinal de que não queria falar mais nada.

Olhando ao redor vi o carro do meu pai se aproximar, o que me desanimou profundamente.

Quando o carro parou, nós dois entramos e sentamos no banco de trás sem dizer uma única palavra, ainda estava preocupado com Charles, eu o conhecia o suficiente para saber que estava à beira do desespero, mas tentava disfarçar.

— O que houve pai? — Perguntei, tentando diminuir a ansiedade que sentia, ele suspirou e olhou para meu amigo pelo espelho do retrovisor.

— Em casa vemos isso. – Foi tudo o que respondeu, a coisa era mesmo séria.

~ # ~

O resto da viajem ocorreu de forma silenciosa, o clima estava meio tenso e eu não me atrevi a abrir a boca.

Paramos em frente a minha casa, uma moto vermelha estava estacionada em frente ao muro, meu pai saiu e pediu para que ficássemos no carro.

— Scott está aqui. – Charles murmurou enquanto desenhava algo imaginário no vidro, encostei a cabeça no banco da frente e o encarei. — Por que está aqui? Quer dizer seu pai é advogado, eu sei, e Scott se mete em muitas confusões, mas por que dessa vez eu estou evolvido? Não entendo, o único motivo que me vem a cabeça é ele ter cumprido a ameaça.

— Não brinca com isso. – Reclamei e ele se encolheu.

— Não é brincadeira, eu acho que ele cumpriu a promessa sim.

— Nem vem. – Murmurei preocupado, ouvi o som de motor ligando e vi meu pai falando algo com Scott, um jovem de vinte e três anos, cabelo loiro curtíssimo e uma cara de pouco amigos horrorosa. Hoje ele parecia estressado, o que explicava meu pai não ter deixado a gente sair.

Depois de alguns minutos o carrancudo deu partida na moto e se foi, para minha alegria e para o alívio de Charles.

Saímos do carro na mesma hora e aceleramos o passo para entrar o mais rápido possível em casa.

Minha mãe nos recebeu com um abraço, claro que dando preferencia a Charles, ela sempre é extremamente gentil com ele e o dobro com Jessie, já comigo é o normal.

— Olá querido. Como vai sua mãe?

— Vai indo. No de sempre, vou visita-la amanhã. – Charles respondeu sorrindo e ela concordou animadamente.

— Então o que Scott queria? — Perguntei e minha mãe quase me fuzilou com o olhar.

— Vou deixar que seu pai converse com o Charles sobre isso. – Ela sorriu para meu amigo novamente. —E acho chegou algo mais cedo, Luc. Está em seu quarto. Charles querido pode vir comigo? – Ela pediu docemente e ele concordou.

— Obrigado por me dispensar. – Reclamei e comecei a subir as escadas.

Entrei em meu quarto a procura da ‘coisa’ que chegou, depois daquelas fotos nunca mais vi uma encomenda do mesmo jeito, ainda mais uma que eu não estou esperando.

Tinha uma caixa embalada em cima do meu quarto, corri e rapidamente a peguei, mesmo com medo eu não conseguia evitar o impulso de abrir o mais rápido possível, precisava saber o que era.

Dentro tinha uma caixinha rosa e um bilhete.

Destravei a caixinha, subindo a tampa, uma musica de ninar começou a tocar e uma pequena bailarina de porcelana grudada no interior da caixa começou a rodar devagar.

Era uma caixa de musica, mas não era qualquer uma, pelo menos não para mim.

Quando Jessie e eu começamos a namorar oficialmente meus pais não estavam no estado mais crítico do casamento, o que significa que eles ainda se suportavam por mais de meia hora no mesmo ambiente, eles compraram juntos essa caixa de presente para ela, a ideia foi da minha mãe, meu pai apenas entrou na onda.

Eu havia colado um adesivo na caixinha, bem no meio da tampa e lá estava ele, exatamente o mesmo.

Olhei bem para a caixa, saber que um criminoso tem acesso a esse tipo de coisa...

Depois de respirar fundo quase três vezes, lancei um olhar ao bilhete, ele só seria mais uma confirmação de que estou em perigo, mas eu tinha que saber o que estava lá.

Peguei rapidamente aquele pedaço de papel e comecei a ler.

“Olha que lindo que achei, eu não sabia que ela gostava desse tipo de coisa...

Novamente sou obrigado a dizer que ela é uma bela Joia rara. Oh! Luc... Cada vez mais imagino quantas coisas posso descobrir sobre você também...

Certamente já sei bastante sobre você, mas tenho a ânsia de saber mais, entende? É claro que não!

Só precisa entender que é necessário para o meu futuro e eu o terei. Logo, bem logo.

Isso só está começando... Lembre-se de mim, não tente descobrir que eu sou, estou te observando...

Esse é apenas o primeiro dia, com amor... (E talvez um pouco de obsessão)

Seu doce Max!

(Suponha que esse seja o meu nome e seja feliz)

P.s: Jessie fica linda enquanto chora!”

Notas finais
Espero que tenha ficado bom..