Notas iniciais
Demorou um pouco para sair eu sei, mas é que tive uns probleminhas.. Mas ai está ele hehe

Eu apenas corri...
Não podia mais controlar minha pernas, então corri para fora da sala, sem sequer dizer nada, eu apenas corri até o pátio exterior que estava vazio, então pude lembrar-me de como se respira.
— Luc? Luc! – Charles me chamava de longe, pude ouvir seus passos se aproximando, ele corria e acelerou no momento em que cai de joelhos e as primeiras lágrimas surgiram. Suas mãos tocaram meu ombro e ele se ajoelhou a minha frente. — Luc? O que houve? Saiu correndo desse jeito por quê?
— Ela... – Tentei falar, mas minha respiração começou a falhar, e meu coração acelerar.
— Ela o que? Fala meu filho, já está me deixando nervoso.
— Eu... Minha culpa... – Transbordando em lágrimas, minha mente não parecia querer funcionar, minha visão começou a ficar turva e comecei a tremer.
— Ai cara se acalma, por favor. – Charles pediu desesperado e se levantou, ouvi outros passos, e vozes. — Diretor ele está apavorado.
— Tudo bem eu cuido disso. – O homem garantiu e me ajudou a levantar.
— Mas... – Meu amigo protestou e foi puxado para longe pelo professor. — Me solta, me solta. – Foi tudo o que ouvi antes de finalmente apagar.
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Quando abri os olhos à luz quase me cegou.
— Ai. – Resmunguei pondo o braço em frente ao rosto.
Com bastante esforço consegui me levantar e abri os olhos, estava enfermaria da escola, olhei para o lado, Charles estava jogado numa cadeira, com a cabeça apoiada na cama, dormindo. Dei um peteleco na cabeça dele, que apenas abriu um olho.
— Que? – Perguntou sonolento.
— Acorda.
— Não. – E dizendo isso ele voltou a seu sono da beleza, suspirei e comecei a empurra-lo.
— Charles! Anda logo acorda! Anda!
Ele se levantou com um salto e ergueu as mãos como um bandido que se rendeu.
— Ah! Não fui eu! Ué... – Não pude deixar de sorrir e ele me encarou confuso e depois sorriu. — Você parece melhor. – Comentou se sentando na cama.
— Dependendo da sua definição de melhor...
— O professor me falou sobre o que aconteceu, é trágico eu sei, mas bem, não esperava aquela reação da sua parte, nem sabia que você gostava tanto assim da Jessie.
— Mas é claro que eu gosto. Só que... – Respirei fundo e lancei um olhar à porta, o professor conversava com um homem alto, forte e bem vestido, cabelo meio grisalho e sério, eu engoli seco. — Por que meu pai está aqui?
Charles coçou a cabeça e sorriu sem jeito.
— O professor o chamou... Ele ficou preocupado com você, eu disse que era melhor ligar pra sua mãe, ele até tentou, mas ela não atendia, então, teve que ser seu pai mesmo.
— Ótimo, perfeito, nada que piorasse ainda mais meu dia. – Reclamei, começando a me levantar. — Cadê minha mochila?
— Ali, mas aonde vai?
— Fugir é claro. Não quero saber de falação hoje, minha cabeça já está a mil. – Resmunguei pegando minhas coisas e indo na direção da janela.
— Ah, mas sozinho você não vai.
— Que seja, tenho muita coisa pra te contar mesmo.

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— Perai, explica isso direito. – Ele pediu pela milésima vez enquanto mordiscava o sanduíche, foi ideia dele virmos ao restaurante, e como não estava a fim de contestar nada acabei aceitando.
— Caramba Charles você é lerdo, eu já disse, um dia estávamos na sala da detenção por termos chegado atrasados, eu, Jessie, Ariel, Yuri, Vincy, aquele pequeno, Lincy e Lauren, eu até estranhei, porque alguns ali não eram do tipo que se atrasavam, eu só sei que o zelador apareceu e entregou a todos uma encomenda, todos a abrimos na hora, nesse dia recebemos esse livro, um dia depois Lincy sumiu.
— Espera, mas por que todos chegaram atrasados? Por que receberam o mesmo livro? Eu não entendo.
— Não sei. – Uma mulher apareceu com um carrinho de bebe e uma menininha pequena e se sentou a mesa ao lado, perto de mais na minha opinião, Então decidi falar mais baixo.
— Depois os outros também foram sumindo, um a cada semana, e cada vez que um sumia chegava um bilhete com o nome e alguns recortes de jornal, ou de algum caderno.
— Estranho...
— Sim, mas não levamos a sério. Até que recebemos aquele que você viu. Jessie ficou assustada e pediu para contarmos a alguém inúmeras vezes, mas eu fui contra. Isso gerou muitas brigas entre nós e agora ela também sumiu e não posso negar que acabei ficando um pouco assustado também.
— Um pouco?
— Ah! Qual foi... De qualquer modo é isso o que aconteceu. – Conclui sentindo um grande alívio, Jessie tinha razão, contar a alguém deixava todo o peso do problema mais leve, Charles terminou de comer e me olhou aflito.
— O que vai fazer agora?
— Eu não sei! Tudo está confuso... – Admiti sem animo.
— Tudo bem, eu vou te ajudar, só não faça nenhuma loucura... Ei, aquele não é o carro do seu pai? Ou... Aquele é o seu pai. – Imediatamente eu olhei para trás, pensei em fugir, tarde demais, ele havia me visto e agora andava na minha direção. — Acho bom eu ir. Até mais, me liga.
— Tudo bem, até. – Nos despedimos e ele saiu correndo.
Meu pai parou na minha frente e me segurou pelo braço, me forçando a levantar. — Está me machucando.
A mulher ao nosso lado nos encarava com um misto de raiva e indignação.
— Mais cuidado ai. – Ela resmungou. — Não vai querer que o menino perca o braço por sua causa vai?
Meu pai apenas a encarou e saiu me puxando para fora.