Tão fora da terra
20 Capítulo 20- Adeus Hefesto
Notas iniciais
Aioria esperou um pouco. Shaka resolveu chamá-lo para descerem juntos.
O virginiano chegou, como sempre de olhos fechados.
–Aioria.
–Shaka. Tudo bem?
–Tudo. E você?
–Bem também. Alguma notícia?
–Que você não saiba, nenhuma.
O virginiano riu.
–Por que acha que eu sei tudo que acontece por aqui?
Aioria que sorriu dessa vez.
–Pra não te chamar de bisbilhoteiro, por que você é... bem informado.
Os dois sorriram.
Shaka se mexeu desconfortável.
–Preciso te dizer uma coisa.
–Hum? Sobre o que?
Shaka não parecia confortável.
–Vamos Shaka, pode falar.
Shaka suspirou, se aproximou de Aioria e o beijou. O leonino foi pego de surpresa, mas acabou correspondendo. Shaka tinha um cheiro... diferente... se entregaram aquilo, e ficariam ali, se não sentissem o cosmo dos outros se movimentando. Ao se soltarem, Aioria estava roçando o nariz na testa de Shaka.
–Você não ia me dizer alguma coisa?
–Acho que não preciso mais, certo?
E sem esperar resposta, Shaka foi descendo. Aioria fitou os longos cabelos loiros do outro se afastando, e então outros cabelos loiros surgiram em sua vista.
Mu.
Aioria suspirou. Beijar Shaka daquela forma, e pensar em Mu... sabia que tinha que tomar uma decisão também, mas isso não era bem o que queria fazer...
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Milo Estava saindo quando sentiu o cosmo de Camus se aproximando.
–Pensei que você não iria.
–Por que?
–Achei que seria melhor, para evitar toda a lembrança, sabe...
Milo se calou. Camus encostou uma mão no ombro dele.
–Milo, obrigado pela preocupação. Eu acho que devo, pelo menos a memória de Liko, tentar combater esse infeliz que o usou. Por culpa dele Liko está morto. Talvez eu me sinta pelo menos diferente se conseguir enfiar um soco na cara dele.
Milo sorriu.
–Podem ser dois socos?
–Com certeza.
Foram descendo em direção a saída do santuário.
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Antes que os outros chegassem, Mu sentiu Shaka chamá-lo pelo cosmo. Pediu que o Ariano o encontrasse nos fundos da mansão.
Mu estranhou o pedido, mas foi até lá. Depois da visão de Shaka, e bem... depois de tudo que aconteceu... Mu mal conversara efetivamente com ele. Trocar olhares era difícil, já que o virginiano não abria os olhos, mas sempre que sentiam a presença um do outro, Mu se lembrava do que vira, e das fantasias que o acompanhavam desde então.
Desde que...
Shaka estava com a mesma túnica branca de sempre. Ao sentir que Mu se aproximava, ele se virou de frente.
–Posso ajudá-lo Shaka?
Shaka suspirou.
–Mu, por favor...
–Sim?
–Não resista.
Antes de conseguir entender o que acontecia, Mu se viu sendo abraçado pelo loiro, e sentiu sua boca ser tomada. O choque não foi tão grande, apenas pela hora em que acontecia, mas Mu esperava apor aquilo já á algum tempo. Correspondendo ao beijo, os dois se deixaram levar até faltar ar.
Shaka se afastou, e foi embora sem falar nada.
Mu sentiu o gosto da boca de Aioria na boca de Shaka. Eles com certeza haviam se beijado há pouco. Somente Aioria gostava de mascar folhas de menta. E Shaka com esse gosto na boca também?
Mu entendeu o recado. Logo os três estariam juntos, e teriam que resolver essa questão.
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Os dourados se encontraram na frente da mansão de Áries. Camus e Milo, Aioria e Mu sorriram ao ver Saga chegar com Aioros. Os outros estavam preocupados com a batalha.
–Por que nós todos temos que ir?
–Como assim Aioria?
–Quem realmente é necessário nessa situação são Saga, Shaka, Mu, Afrodite e MM. Nós Vamos fazer o que?
–Agora nós vamos realmente enfrentar Hefesto cara a cara. Todo mundo é necessário, pode ser que ele não esteja sozinho.
Aioria concordou com o irmão.
–Certo... e como faremos?
Afrodite puxou uma rosa dos cabelos.
–Ela se aproxima pessoal.
A rosa soltou suas pétalas e formou mais uma vez um arco no ar. A deusa da paixão reapareceu.
–Guerreiros, espero que estejam prontos. Irei teletransportá-los até a Ilha da rainha da morte. Já concederei também uma parcela do meu poder a vocês, o que irá amplificar seus poderes quase a nível divino, porém a natureza do meu poder não é de batalha totalmente, por isso será de curta duração. Vocês tem duas horas para encontrar Hefesto. Guerreiro de Peixes, eu lhe entregarei uma rosa com sangue, o meu, com doze pétalas, uma para cada um de vocês e uma para que usem em Hefesto quando o paralisarem, ela servirá como guia do cosmo dele, irá levá-lo direto ao Olimpo. E essa pétala com meu sangue deve ser colocada no coração da armadura de vocês, quando ela estiver alojada meu poder começara a operar. Usem com cuidado e prudência.
Uma rosa que brilhava em três cores saiu de dentro do arco e foi voando em direção a Afrodite. Ele a tomou, e separou as pétalas, as entregando a Mu, que colocou uma de cada nas joias das armaduras. Os cavaleiros sentiram a potência do poder da deusa, e seus cosmos começaram a oscilar cada vez mais forte. A última pétala foi guardada dentro da armadura de peixes.
–Basta darem as mãos. Hora de batalhar.
Quando começaram a ser levados, uma voz potente ribombou nos ouvidos dos dourados:
–E se escaparem com vida, verão que o pai do Olimpo pode ser muito generoso.
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Shion estava preocupado, mas vira em Star Hill que, segundo as estrelas, os cavaleiros ainda não morreriam. Não era hora. Então o sucesso estava garantido. Mas havia uma previsão que o incomodava.
Uma traição iria ocorrer em breve.
As estrelas de Gêmeos, Pólux e Castor brilhavam em lilás. Significava que havia uma batalha entre o bem e o mal acontecendo naquele lugar.
A questão era com quem?
Seus palpites levavam ao detentor do signo de Gêmeos.
Pensava, queria acreditar que o destino dos nascidos sobre a estrela de Gêmeos seria diferente dessa vez.
Infelizmente não seria assim. Ainda não.
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O poder divino era algo surpreendente. Saga estava saboreando a sensação que fluía por seu corpo, através de seu cosmo. Ele merecia aquilo, ele que deveria controlar algo daquela proporção. Ele que deveria ser um olimpiano.
Estavam sendo levados como que por um túnel, e nesse caminho uma voz falava com Saga.
Era Ares quem falava.
A sede de batalha de sangue do alter ego de Saga era tão absurda que Kanon a batizara de Ares, o deus da guerra, com quem Afrodite tinha um caso, e de certa forma, era um dos responsáveis por toda aquela situação.
Aioros estudava a expressão de Saga. Estava em oscilação, mas quando se encaravam, só havia Saga. Nem traços de Ares. O que acalmava um pouco o sagitariano. Haviam acabado de se reconciliar. Ele merecia um voto de confiança, realmente.
Os cavaleiros de ouro sentiram o ar mudar, e de repente estavam sentindo cheiro de enxofre, o ambiente era seco e úmido ao mesmo tempo.
Cheiro de sangue.
Chegaram a ilha maldita. O lugar onde poucos humanos sobreviviam. Lugar de exílio de assassinos e cavaleiros renegados.
Saga pensou que poderia um dia ser seu lar.
Se se deixasse levar por Ares.
E por Kanon.
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Começaram a vasculhar a ilha. Por hora vazia, apesar de sentirem o movimento de cosmos agressivos por perto. Estavam se escondendo. Eram espertos, se um cavaleiro de ouro aparecesse já seria um problema, imagine onze?
Shaka estava atrás de todos. Com o cosmo, enxergava os movimentos dos outros, mas se fixava especialmente em dois deles.
Mu e Aioria.
Sua mente começou a viajar no tempo. Apenas alguns dias atrás talvez...
Mu e Aioria partilhavam da mesma lembrança.
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Mu foi até a casa de Virgem ver se estava tudo bem com Shaka, a pedido do mestre. Aioros e Aioria, e Saga e Aldebaram saíram em missão, então as coisas estavam meio vazias por lá. Milo continuava perto de Camus, e MM e Afrodite patrulhavam o santuário. Shura estava descansando.
Ao entrar na mansão de Virgem, Mu sentiu um cheiro de incenso. Shaka deveria estar em uma de suas meditações, portanto foi se aproximando devagar. Percebeu a presença do indiano em um local próximo, o jardim da casa de Virgem.
Era chamado o Jardim das Gêmeas, pois ali estavam as árvores gêmeas que levavam o nome de “Twin Sal”. Segundo lendas, ali embaixo daquelas árvores era onde Buda morrera. Shaka era, segundo crenças budistas, a encarnação atual de Buda. Talvez por isso tivesse recebido o título de homem mais próximo de uma divindade entre os cavaleiros.
Ao entrar no jardim, percebeu que Shaka estava sentando em uma pedra próxima a entrada. Usava apenas uma calça clara, os cabelos estavam soltos, sentado em posição de Lótus, meditando como previra. O incensário estava se apagando.
Mu se aproximou devagar. Shaka foi logo falando.
–Saudações, meu amigo. Posso ajudar?
–O mestre me enviou.
–Algum problema?
–Não, na verdade. Ele quer saber como você está depois da batalha. Depois de ter ficado preso por Hefesto...
–... No meu próprio golpe. Digamos que eu posso parar de tentar aperfeiçoar meus ciclos. Se não fossem você e Saga, eu estaria morto a essa hora.
Mu sorriu sem jeito.
–Não foi nada além da obrigação.
–Foi muito além disso. E aproveitando o assunto, há algo que eu queria lhe perguntar... você se incomoda de me acompanhar em uma refeição?
–Agora?
–Por que não? Acabei de meditar, preciso me alimentar. Assim podemos conversar com calma, se não for inconveniente, claro.
–Não... sem problemas.
Shaka se levantou e entrou na mansão de Virgem, fazendo sinal para que Mu o acompanhasse. Mu não conseguia desviar o olhar do corpo do loiro a sua frente. Sua pele branca, seu cabelo dourado, seu corpo forte, porém esguio. As costas de Shaka formavam um “V”, e sua calça estava bem ajustada na bunda, deixando tudo bem marcado atrás.
Mu sentiu seu rosto esquentar. Havia uma pontada de desejo ali. A curiosidade de ver o virginiano nu vinha aumentando cada dia mais, ainda mais depois do ocorrido nos pesadelos de Shaka. E não era apenas o desejo de ver, mas de tocar, de acariciar, de... tudo!
Ao entrar no quarto do virginiano, Mu reparou que havia algumas esteiras espalhadas pelo chão, e a cama era forrada com um lençol simples. Nada muito luxuoso, mas havia bastante almofadas espalhadas por todo o quarto.
–Mu, por favor fique a vontade. Estou um tanto sujo, vou me lavar e conversaremos em paz. Se quiser, peça a um dos criados para fazer algo que lhe agrade.
E sem esperar resposta, Shaka desafivelou um cordão da sua cintura, e suas calças foram para o chão. A nudez do virginiano pegou o ariano de surpresa. Mu segurou o ar e se esqueceu de respirar por algum tempo. Shaka era tão perfeito, céus...
Shaka se afastou para se banhar, consciente da reação que causava em Mu. Ele precisava provocar, o ariano era muito contido com ele... Mas ele sabia que não era assim com Aioria... Portanto...
Uma vez banhado, Shaka se enrolou em uma toalha, pegou um vidro de óleo aromatizado e voltou para o quarto. Mu estava na janela, olhando em direção ao jardim. Shaka sentia que ele estava nervoso, sua respiração estava mais profunda.
–Mu?
O ariano não se mexeu.
–Sim?
–Pode me ajudar com isso?
Shaka jogou o vidro na direção da voz de Mu, que pegou sem muita dificuldade.
–O que é isso?
–Um óleo da minha terra. Ajuda a evitar queimaduras, e como fiquei muito tempo no sol... pode espalhá-lo nas minhas costas?
Mu respirou fundo.
–Mu?
–Sim, sem problema.
Shaka deixou a tolha cair e se sentou em uma esteira. Mu ainda estava tentando não perder o controle, mas era cada vez mais difícil. Pingou algumas gotas do óleo nas mãos, e algumas nas costas de Shaka, e começou a esfregar timidamente.
Shaka soltou um gemido longo quando Mu começou a tocá-lo.
–Cheiro bom.
–Hum hum... mais pra baixo Mu, por favor...
Mu massageava lentamente as costas de Shaka. Com o ritmo lento, o toque forte e gentil do ariano, e todo a situação, Shaka percebeu que a ereção se aproximava. Não era hora... ainda... de Mu ver aquilo. Shaka se mexeu.
–Senão for pedir muito, pode ir um pouco mais para baixo Mu?
–Como?
Shaka se deitou de bruços. Esticou os braços a frente do corpo.
–Minhas pernas estão meio dormentes ainda, devido a posição de meditação... pode massageá-las também?
Mu corou. Shaka deitado ali, com a bunda arrebitada pra cima, era muita tentação. Aquelas coxas, aquelas pernas... Shaka parecia ter sido talhado em mármore, era tão branco. E que bunda era aquela, Mu ficou um tempo só admirando.
–Mu?
–Desculpe. Só as pernas?
–Não, tudo aí atrás. Pode ser?
Mu não respondeu, se limitou a trabalhar, mas estava difícil se concentrar. Ainda estava nas costas quando perguntou:
–O que você queria me perguntar Shaka?
–Bem... você e Saga me tiraram do meu golpe. O que vocês viram exatamente?
Mu hesitou. Não queria falar tudo, mas mentir não era seu forte.
–Vimos você viajando entre os seus mundos, e no fim, quando conseguimos despertá-lo, você estava quase para se matar.
Shaka guardou silencio.
–Havia algum motivo? Para que eu fizesse isso?
Mu hesitou novamente.
–Shaka, eu...
–Por favor Mu, fale.
Nessa hora Shaka ergueu um pouco o corpo e as mãos de Mu escorregaram da sua cintura para sua bunda. Macia, firme, sedosa, e quente... Mu sentiu de vez sua ereção, e não conseguiu se controlar mais. Apenas afastou um pouco o corpo para que Shaka não sentisse. Mas não era o que desejava fazer.
Não mesmo.
–Shaka, eu...
–O que você viu? Eu preciso saber...
–Você gosta de mim?
Shaka ficou quieto.
–Gosta?
–Sim... muito... eu...
–E de Aioria? Gosta também?
–Você viu então...
–Sim, e tenho que ser sincero Shaka, isso mexeu comigo.
–Por que você se sente da mesma forma.
Mu se sentiu envergonhado.
–Eu também gosto dele.
–Acho que nós três nos gostamos.
Mu se levantou, caminhou até a janela.
–Isso não pode dar certo Shaka. Eu posso ficar com ciúmes de vocês, ou vocês de mim, ou sei lá... enfim...
–Tem tudo pra dar errado...
–Sim!
–Mas pode dar certo também.
–Como?
–Que tal tentar primeiro? Depois ver no que vai dar...
–Shaka eu...
Shaka se aproximou de Mu. Abriu os olhos. Eles cintilavam em mil tons de azul. Mu encarou o virginiano.
–Vai gastar cosmo?
–Não. Não abro os olhos apenas para liberar cosmo armazenado. Abro os olhos para ver as coisas que gosto.
–Eu...
–E por que quero gravar cada minuto que passar com você na memória.
–Disse isso pra Aioria já?
–Mu, olha pra mim. Estou aqui com você. Já confessei que gosto de você. Você também sente o mesmo por mim. Para de arrumar desculpa pra nós dois?
Mu ao se mexer percebeu que estava tão duro que até doía. A proximidade com Shaka, vê-lo assim, tão pronto, tão...
Shaka se aproximou e encostou os lábios nos lábios de Mu. Os dois não fecharam os olhos. Mu não queria reagir, mas não queria ficar parado. Abriu um pouco os lábios, e Shaka suspirou ali. Que boca maravilhosa. Mu entendeu que Shaka queria que ele mostrasse que o queria. Então, com muita vergonha, esticou a língua, que logo e sem dificuldade encontrou a de Shaka.
Recado dado. Shaka o abraçou, estranhamente gentil. Shaka nu, e Mu vestido, sentiram seu desejo mútuo. O virginiano começou a despir Mu, que já desistira de resistir. Ao sentirem o contato da pele com a pele, Mu se aninhou na curva do pescoço de Shaka.
–Posso não ter muita experiência prática nisso.
Shaka sorriu.
–E teórica?
–Tudo na memória.
–Bem, o que você quer fazer comigo?
Mu corou.
–Não me fala.
–Hum?
–Não fala, não quero que perca a graça.
–Então...
Shaka respirou fundo.
–Só faça.
–E se você não gostar?
–Mu, com você, eu quero qualquer coisa. Só me beija...
E sem esperar resposta, Shaka tomou a boca do ariano. Depois de alguns minutos se beijando, e se apalpando, cada um mapeando o corpo do outro, Shaka disse:
–...e deixa acontecer.
Os olhos de Mu brilharam, um beijo mais intenso foi trocado, e logo estavam no chão, em meio as almofadas que a pouco eram usadas pra apoiar Shaka durante a massagem.
Mu estava adorando rolar com Shaka pelo chão, o loiro estava escorregadio graças ao óleo, e isso o provocava ainda mais. Mu o beijava, passava as mãos por seu cabelo ainda úmido do banho recém tomado, por seu rosto, pela nuca, descia pelo peito, fez círculos em sua barriga... e logo tocou em seu pênis.
–Mu- Shaka suspirava.
O ariano sorriu. Era bom provocar. Muito lentamente mesmo, masturbou o virginiano. Pra cima, um beijo na testa, pra baixo, um beijo na bochecha, pra cima, um beijo na boca, pra baixo, um beijo na nuca... e assim foi indo, até Shaka ficar por cima dele.
–Minha vez.
Mu esperava algo do tipo, provocação, mas qual não foi sua surpresa quando Shaka apenas sorriu, olhou pra sua ereção e simplesmente o engoliu. Uma onda percorreu a espinha de Mu, e sentiu seu rosto esquentar, junto com sua ereção.
–SHAKA!!!!!
Mu respirava rápido, e Shaka não tirou seu membro da boca, ao contrário, o sugava com força. Mu sentiu um arrepio apenas e gozou na boca do outro, que o encarou com um olhar divertido depois de cuspir a semente do amante.
–Desculpa, eu...- Mu ofegava.
–Não se desculpe. Eu sabia que você precisava disso. Agora que está mais relaxado, em termos, podemos aproveitar o momento com mais calma.
–Isso foi estranho...
–O que? Não gostou?
–Gostei, claro... é só que... sabe...
–O que foi?
–Você quase que, sabe, engoliu minha...
–Haha. Não, apesar de ficar com vontade, ainda não engoli...mais pra frente, quem sabe...
–Shaka...
Voltaram a se beijar. Mu, deitado em cima de Shaka, estava meio ereto apenas, por causa do orgasmo recente- que o deixara menos travado, diga-se de passagem- mas ao sentir Shaka tão duro, novamente estava pronto.
–Nossa, tão rápido...
–Você que me deixou assim...
–E vai fazer o que agora?
Mu sorriu, dessa vez com uma expressão que Shaka nunca vira antes: safada, uma cara que provocava.
Mu encaixou os lábios na nuca de Shaka afastando sua cabeleira loura. Lambeu até chegar ao lóbulo da orelha, depois foi descendo pela nuca. Shaka suspirou. Queria sentir como era Mu, por dentro.
Mas não seria hoje que faria isso. Mu foi beijando sua barriga, e quando Shaka se preparava para ser engolido, Mu sorriu, parou, e virou o virginiano.
Shaka sorriu, e antes que conseguisse soltar uma palavra, a língua de Mu o invadiu. Shaka sentiu-se contrair, e Mu afastar mais sua bunda, e apertar os lados com força. Quando relaxou, a língua do ariano entrou fundo, e depois começou a descrever círculos em volta do seu... orifício.
Shaka gemia alto, e isso deixava Mu cada vez mais excitado. Lambeu, deu alguns tapas leves na bunda do virginiano, e então lambeu seu saco. Shaka se abriu mais, e o espaço permitiu que Mu sugasse o pênis do outro dessa vez.
Mu atingiu outro nível de excitação. Estava meio receoso em colocar... aquilo... tudo... na boca, nem saberia o que ou como fazer. Mas estava com tanto tesão que fechou os olhos, engoliu em seco e experimentou lamber no começo. Não era ruim, na verdade...tinha um gosto... diferente... agridoce... Shaka estava melado, e cada vez mais saia algo do seu pênis. Era grosso, e latejava em sua boca. A cabeça era macia, e tinha um cheiro... Mu começou o vai e vem, e a medida que Shaka gemia mais alto, ele entendeu que estava indo bem.
Babou no membro do outro, até o ponto de escorrer um pouco. Com o que escorria, melou a ponta dos dedos, e começou a circular o ânus do loiro, que gemeu mais alto. Então, muito lentamente, colocou um dedo.
Sentiu a pressão da musculatura do outro. Parou, voltou devagar, cuspiu um pouco, e tornou a enfiar o dedo.
Shaka não queria admitir que estava maluco. Era algo bom, da forma que Mu fazia, devagar... tinha receio em ser passivo, mas ele mesmo dissera a Mu que faria o que o ariano quisesse... então...
Pensando que Mu iria colocar mais um dedo, ou fazer um vai-e-vem, Shaka se surpreendeu quando Mu pediu que ele se virasse e ficasse de frente para ele.
Shaka se deitou, e Mu, mais uma vez por cima o beijou. Levantou suas pernas, e começou a “pincelar” seu pênis, extremamente melado, abaixo do saco de Shaka.
Olho com olho, boca com boca, os dois se deliciavam um no outro. O som da respiração, os sussurros, os gemidos, as mãos passeando pelo corpo, ao mesmo tempo que firmes, gentis, leves... Os cabelos loiros se emaranhando, o cheiro de suor misturado ao óleo de massagem, o rolar o corpo pelas almofadas e esteiras...
Quando perceberam, estavam na cama. Mu puxou Shaka para a beirada da cama, mordeu de leve o lábio do indiano, e sem aviso, devagar, forçou a entrada no amante.
Seu pênis não era tão grosso comparado ao de Shaka, mas era grande, e teso, estava duro feito rocha. Shaka sentiu a cabeça latejando a medida que Mu se enfiava nele.
No começo se arrependeu, aquilo doía e ardia. Só continuou por causa da expressão de Mu, de delírio, totalmente entregue ao momento. Quando o ariano estava finalmente encaixado dentro dele, Shaka pediu:
–Fica um pouco parado.
Mu olhava para Shaka em êxtase. Era quente, era apertado, era booooooooooommm... Olhar o indiano deitado, aberto, recebendo-o ali... a sensação era nova, incrível.
Alguns minutos apenas se encarando...
–Tá tudo bem?
–Tudo -Shaka passava a mão em seu rosto- Me beija?
Bocas coladas, Shaka começou a remexer devagar. Estava mais acostumado com o amante dentro de si.
–Mexe... devagar...
Mu começou, mas era difícil... lutou contra o desejo de ir com tudo, com pressa, com força, mas percebeu que o indiano precisava de carinho. Pensava em como era bom prolongar o prazer indo devagar, voltando... ouvir Shaka gemendo... o peito subindo e descendo, arfando, a barriga se contraindo... e aqueles olhos azuis, em mil tons de céu, de mar...
–Mu... eu não aguento mais, eu vou...
Mu olhou para Shaka, e sua mão agarrou seu pênis. Uma, duas, três vezes que sua mão subiu e desceu, e Shaka gozou, gritando em alto e bom som. Quando gozou, contraiu o ânus, o que acabou por fazer com que Mu não se segurasse e explodisse dentro do virginiano.
Mu caiu exausto em cima de Shaka. O segundo orgasmo com certeza fora muito mais gostoso que o primeiro. Shaka passava as mãos por suas costas. Ficaram naquele estado em que se está quase adormecendo.
–Shaka...
–Shhhhhiiiii...
–Shaka, eu preciso falar.
–Poxa... preferia você mais quieto...
–Só queria dizer que isso está sendo maravilhoso.
Mu afagou o rosto de Shaka, que sorriu com aquele toque.
–Não sabe o quanto esperei por isso.
–Mesmo.
–Olha pra mim, Mu.
O ariano encarou o virginiano.
Shaka engoliu em seco.
–Te amo.
Mu sorriu.
–Eu também.
Continuaram se beijando por mais algum tempo. Passaram a noite juntos. Fizeram amor mais algumas vezes ao longo da madrugada.
E não sentiram a presença de Aioria, que os observava do lado de fora da janela. Com ciúmes, e com tesão, cansado pelas vezes em que se masturbara vendo os dois, se imaginado ora no lugar de um, ora no de outro.
Quando sentiu que os dois cosmos estavam unidos, Aioria estranhou. Havia algo diferente. Quando chegou a mansão de Virgem para averiguar, encontrou as portas trancadas. Uma volta na área externa, e conseguiu ver, pela janela, os dois rolando pelo chão, nus. E ficou observando-os por algum tempo. Quando a raiva iria fazer seu cosmo camuflado oscilar, correu para sua casa, e enfim caiu na cama.
Chorando de raiva. Com tesão. Se sentindo traído pelos dois dourados.
Por que eles ficaram juntos? Não podiam ter pelo menos perguntado antes se podiam? Se ele concordava?
Afinal ele já tinha ficado com os dois.
Que ele amava.
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Agora Aioria não sentia mais raiva. Mu ainda se sentia encabulado na presença dos dois, mas estava mais tranquilo.
Um cosmo estranho oscilou próximo a eles. Uma montanha expelia bolas de fogo, e era dali que o cosmo vinha.
Chega de boas lembranças, ora de batalhar.
Era mais forte que os cosmos que haviam sentido até então. Era familiar.
Era Hefesto.
Camus sentiu o queixo enrijecer. Ódio. Tinha que se vingar daquele maldito.
E seria hoje.
Disparam em corrida. Ao longo do caminho, enxergaram uma quantidade estranha de corpos, que crescia cada vez mais a medida que se aproximavam da montanha.
Ao subirem, e darem de cara com a boca do vulcão, um corpo foi jogado em direção a eles. Era de um ex-cavaleiro, pois trajava algo parecido com uma armadura. Era grande, maior que Aldebaram, e fora jogado em direção a eles como um trapo.
MM observou atentamente aquele corpo, e pisou em sua face.
–Ei, que tal dividir um pouco da diversão conosco, seu egoísta?
Um menino sorriu. Vestia uma túnica preta. O rosto e as mãos estavam manchados de sangue. Segurava em sua mão um punhal dourado.
Os cabelos pretos esvoaçaram. Um cosmo quente e opressivo envolveu os dourados como se os fosse engolir. Foram forçados a cair de joelhos.
Milo encarava perplexo, a semelhança era... Hefesto era Liko, exatamente igual, como o menino deveria ser se crescesse mais um pouco. Os olhos azuis, os cabelos pretos agora na altura dos ombros.
Estava praticamente igual o irmão de Camus.
Sentiu que o aquariano estava mexido. Camus deixou uma lágrima escorrer.
Milo sentiu seu coração partir. Não podia permitir que alguém causasse tal tristeza a Camus.
Não mais uma vez.
Queimou o cosmo com toda a intensidade que pode. Os outros o imitaram.
–Então os ratinhos de Atena vem contra mim por causa da víbora da minha esposa?
–Você sabe por que estamos aqui- disse Saga- pode escolher o caminho mais fácil e se render, ou...
Antes de completar a frase, um raio vermelho explodiu por todo o corpo de Saga, que desmaiou.
–SAGA!!!
Aioros correu em direção ao geminiano desacordado.
–... ou o que? Vão fazer o que marionetes de papel? Vocês realmente acreditam que tem chance contra mim bando de insetos?
Uma enorme explosão, e todos foram atingidos pelo raio vermelho. Hefesto mal se movera, e todos foram derrubados.
–Vocês são simplesmente patéticos. Vieram aqui apenas para morrer, certo? Já fiz o que tinha que fazer. Já enganei, já matei, agora só falta completar minha vingança, lá em cima.
Hefesto tinha um olhar meio alucinado. Brincava com o punhal dourado.
Mu disse:
–Como? Você pode ser forte para nós, mas será que pode contra os outros deuses?
Hefesto virou o pescoço lentamente, e ao sair de uma espécie de transe, encarou Mu com desprezo.
–Inseto, acha mesmo que eu sou apenas forte? Presunçoso você, ferreiro de Atena. Seu povo é agraciado com os meus favores, e é assim que você se dirige a mim?
Mu foi erguido no ar, não conseguia se mover.
–Escute bem soldadinho- o corpo de Mu começou a se retorcer- Eu acabei de criar uma lamina que pode matar qualquer colega meu do Olimpo. Não só matar, quem sabe, retirar a capa de carne podre que os cobre, enviá-los a um universo em que não sejam nada...há opções. Conforme a vontade de quem usar. Conforme a minha vontade.
O pescoço de Mu estava para se quebrar. Morreria se Camus não houvesse enviado uma lança de gelo em direção a Hefesto.
A estaca de gelo derreteu bem antes de sequer se aproximar do ferreiro divino.
–Camus de Aquário. Você não gostaria de saber o que houve com seu irmão?
Um sorriso de puro sarcasmo aparecera no rosto de Hefesto. Camus não podia se desconcentrar, mas apenas a menção de Anum...
–Aposto que você se pergunta até hoje o que aconteceu, não é?
–Não brinque desse jeito, seu maldito!!! AGULHA ESCARLATE!!!!
Milo disparou cinco agulhas de uma vez. A luz incandescente das agulhas púrpuras simplesmente passou pelo lado de Hefesto, como se fossem varetas jogadas no vento, e atingiu uma parede de rocha ao fundo.
–Não estou falando com você, seu mal educado.
Um raio vermelho, e Milo ficou no ar ao lado de Mu, e começou a ter seu corpo contorcido também.
–Bom, fique quieto, estou tendo uma conversa particular.
Hefesto encarou os dois dourados acima de sua cabeça, e com um movimento de mão, prendeu os outros ao chão, onde ficaram tentando se mexer. Apenas Camus se movia livremente.
–Continuando, o que era mesmo? Há, sim, me lembrei...
Com o punhal dourado, Hefesto traçou um quadrado no ar. Enquanto contemplava seu trabalho, disse apenas:
–Revele.
A imagem de Anum e Camus em frente a casa incendiada apareceu. Anum estava dizendo a Camus que ficasse ali, pois ele iria buscar ajuda.
Liko/Anum/Hefesto. Três pessoas iguais. Nenhum igual ao outro.
Anum corria pela floresta. Ao se aproximar de um vilarejo, caiu, pois seu pé ficara preso em uma armadilha. Dois homens se aproximaram, achando que era uma caça, e ao verem o menino, se assustaram.
–Me ajudem, por favor. Minha casa pegou fogo, preciso avisar alguém, meu irmãozinho está sozinho lá...
Os homens se olharam.
–Pegou fogo? E onde estão seus pais?
–Acho que estavam em casa, eu não sei, por favor, me tirem daqui, e me ajudem, por favor, eu...
Anum começou a chorar. Um dos homens se abaixou, e disse.
–Calma, tudo vai ficar bem.
Anum sorriu, e quando ia agradecer...
Camus soltou um grito.
O homem enfiou uma faca na barriga do garoto.
Anum agonizou por alguns instantes. Suas últimas palavras foram uma prece:
“Alguém, por favor, cuide do Camus...o Camus... meu ir... Cam...”
Anum fechou os olhos. Os homens tiraram a armadilha do pé do garoto, arrastaram seu corpo para um rio e o jogaram lá.
–É melhor assim- disse o que havia matado Anum- Já não tinha ninguém, sozinho e machucado... Melhor morto, sofre menos...
Camus estava de joelhos. Chorava. Então era isso.
–Como pode ver, apenas crueldade, não? Isso é natural nos humanos, e é culpa dos meus companheiros do Olimpo. Cada um preocupado com seus caprichos egoístas, esqueceram de sua tarefa como deuses. E eu não me interessei em ser o único a fazer meu trabalho. Assim, prefiro buscar vingança contra todos. As traições da minha... esposa... o desprezo dos meus... de Zeus e Hera... e o sarcasmo dos outros... todos vão pagar...
Camus realmente não aguentava mais. A dor da alma era tão forte que parecia física. Sentiu suas forças se acabando. Estava de cara no chão, desolado, triste, sozinho.
–É melhor acabar com tudo- Hefesto falou com um brilho lunático nos olhos.
Milo queimou seu cosmo. Sua armadura vibrou. As outras armaduras começaram a ressoar. O poder de Afrodite ainda podia ajudá-los.
As dez armaduras brilharam em conjunto. A luz que emanavam era tão forte, que por um instante Hefesto teve que cobrir os olhos. Nesse meio tempo, os dourados conseguiram se reunir ao redor de Camus. Milo o virou e segurou sua cabeça entre as mãos. Afagou seu rosto, e falou baixo:
–Camus... agora é hora de se vingar... vamos...
Camus segurou a mão de Milo.
–Pra que? Ele não vai voltar. Nenhum deles vai. Vamos só deixar que ele acabe com tudo, e ninguém mais vai passar pelo que eu passei...
–Camus, Camus, não!!!! Não é hora de desistir. Agora você tem que lutar conosco, pela memória de Anum, de Liko... e de todos os outros que possam vir a perder um irmão no futuro, um ente querido. Anum pediu que você fosse cuidado, e Atena pode ajudar nisso. Você está aqui, hoje, comigo, com todos nós. Vamos, Camus.
O aquariano chorava.
–Não quero. Não posso. Não consigo...
Milo o abraçou.
–Pode. Consegue. Estamos juntos. Juntos nós podemos tudo! Vamos mudar a história, Camus.
Hefesto sorriu, e segurou a adaga no ar.
–Essa arma dourada foi forjada no sangue de várias criaturas. Ela foi feita para arrancar a vida, ou a existência das divindades egoístas do Olimpo. Mas ela só se faz mais forte com sangue humano. Hora de fortalecer ela um pouco mais com o sangue de vocês. Cansei de vocês ratinhos de Atena. Hora de dar um fim nisso.
Afrodite foi o primeiro. As rosas negras dançaram ao redor de Hefesto, mas não arranharam nem sua túnica. Quando ia repeli-las, o “Grande chifre”, a ”Cápsula do poder”, a ”Agulha escarlate”, e a ”Excalibur” se uniram em um só golpe que deixou Hefesto momentaneamente cego. Uma das rosa piranhas de Afrodite rasgou o antebraço de Hefesto.
–Malditos. Não teriam conseguido nem falar se a vaca da Afrodite não houvesse dado poder a vocês. Vão pro inferno.
Os golpes se voltaram contra os dourados, que caíram desacordados ao sentir o impacto. Foi então que o plano dos guerreiros funcionou.
Enquanto Hefesto se distraía com os outros, Camus se levantou e concentrou cosmo para criar um caixão de gelo. O golpe que foi disparado não o congelou, mas criou uma verdadeira caixa ao seu redor. Aioros invocou o brilho de seu “Trovão atômico” no gelo. Nesse exato instante, Afrodite encheu o cubo de gelo com suas rosas vermelhas, o que começou a drenar as forças de Hefesto, por causa do poder adicional da deusa do amor. Ao cambalear, MM, Saga, Mu e Shaka liberaram seus golpes. Afrodite sacou a última pétala da rosa que lhe fora entregue com sangue divino, e a jogou em direção a Hefesto.
Ao tocá-lo, com um berro ensurdecedor, Hefesto foi sendo sugado pelo espaço de energia, e com um clarão, e uma onde de energia, os dourados foram lançados longe, caindo desacordados pela ilha da rainha da morte.
Finalmente conseguiram enviar Hefesto ao Olimpo. Agora sim, haviam cumprido sua missão.
Tudo que restou foi a adaga dourada.
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