Tão fora da terra

18 Capítulo 18- Decepção.


Notas iniciais
Nhem... lembro que me emocionei escrevendo esse capitulo...

–O que foi, mestre?

Shion estava paralisado. Não conseguia se mover. Um cosmo gigante emanava pela sala do mestre. Os dourados estavam paralisados. Parecia que até o ar havia congelado, assim como o tempo.

Camus era o único que conseguia se mover. Foi caminhando em direção ao mestre.

–Mestre? Mestre?

Uma voz soou pela sala. Camus sentiu um arrepio pelo corpo. Liko continuava agarrado a sua mão.

–Tão tolos, tão previsíveis... e a partir de agora, divididos... tsc...

Uma lufada de um ar estranhamente quente invadiu a sala. Quando recuperaram os movimentos, Shion se apressou em direção a Camus e Liko. Saga estava com os cabelos escuros, mas fora Aioros, ninguém reparou nisso.

–Você! Como pode...

Shion sacou alguns amuletos de Atena, e os disparou em direção a Liko. Camus ia desviá-los, quando sentiu seu corpo se ajoelhar contra sua vontade. Só pode ver Liko sendo envolvido pelos amuletos e começar a levitar.

–Mestre, o que?

Sentiu que não conseguia controlar seu corpo. Sua boca falou, mas não era ele quem comandava agora.

Afrodite havia possuído seu corpo.

–Rápido, cavaleiros. Eu vou segurar esse aqui, façam o que tem que fazer, ou então...

Camus conseguiu controle o suficiente apenas pra gritar.

–NÃO!!!!!!!!!!!!

Shion deu a ordem.

–Avancem cavaleiros. Pelo bem de Atena, e da paz na terra, executem o plano que Afrodite os ensinou! Eu, o mestre do santuário, assim os ordeno.

Contrariados, os dourados esperavam. Liko gritava de dentro da esfera de energia criada pelo selo de Atena, batia em paredes invisíveis e chamava por Camus. Camus não conseguia se mover, pois Afrodite possuíra seu corpo, apenas tentou falar com os olhos para Liko não fazer nada, mas era tarde: o menino sacara o canivete, e invocara os cavalos que havia feito, mas dessa vez eles foram crescendo até romper a barreira cósmica. Um baque rouco, algum piso quebrado, e Liko pulou na carruagem. Saga soltou uma risada.

–Eu avisei, se houvessem me ouvido... agora, vamos batalhar com um olimpiano. Ou morrer tentando. Eis a prova!

Saga elevou seu cosmo. A carruagem começou a andar, em direção a Camus.

Afrodite estava pensando, e Camus conseguia ouvir isso. Ela estava tentando entender por que Hefesto simplesmente não eliminava os cavaleiros, e fugia. Mas aquilo era estranho, parecia realmente que o garoto estava apenas querendo fugir dali com Camus. O que poderia significar aquilo tudo? Se sua presença havia se manifesto há pouco...

Antes que conseguisse se aproximar, porém, Saga disparou alguns golpes que destruíram a carroça. Liko caiu, com um machucado na testa. Saga elevou ainda mais seu cosmo, e com um rugido chamou os outros:

–Se vocês não conseguirem fazer isso, não merecem suas armaduras. Vou ter que fazer tudo sozinho?

MM se aproximou devagar. Shaka e Mu se moveram como se fossem forçados. Afrodite se aproximou do garoto, meio hesitante.

–Durma bem, garoto!

Milo, Aioros, Aldebaram, Shura e Aioria estavam paralisados por Shion. Milo conseguiu gritar, mas era tarde.

–Gente, não, esperem.

Afrodite se virou com um olhar triste para o escorpiano.

–Desculpa, Milo...é nosso dever...

Um ramo de rosa vermelhas foi disparada. Os olhos antes aterrorizados de Liko começaram a se fechar devagar, a medida que ele ia sendo envolvido pelo turbilhão de pétalas.

–Agora ele está adormecido. Vamos.

Shion atirou a bainha da espada da última guerra santa no meio do turbilhão. MM disparou seu “Mergulho dos espíritos”, e logo em seguida Shaka liberou o “Ciclo das seis existências”. Saga sorriu.

–Agora ele está adormecido pelas rosa do Afrodite, e preso em um sonho graças ao golpe de Shaka. O caminho para o Olimpo foi aberto pelo golpe de MM. Mu, agora nós devemos enviá-lo para lá. Vamos.

O “Extinção estelar” e o ”Outra dimensão” foram disparados juntos. Um facho de luz foi consumindo o corpo de Liko até que restasse apenas fumaça.

Camus ouviu a voz de Afrodite através de sua boca.

–Muito bem guerreiros de Atena. Vou ao Olimpo resolver essa questão e em breve retornarei para lhes oferecer meus agradecimentos.

Camus tombou no chão, parecia que quando Afrodite saiu do seu corpo, ele houvesse sido jogado de um carro em alta velocidade. Todos foram liberados. Ainda tonto, Camus foi rastejando até onde Liko desaparecera. Seu canivete ainda estava ali. Antes que conseguisse tocá-lo, Milo o levantou. Saga pegou o canivete, e o colocou em suas mãos.

–Me desculpe Camus. Mas era meu dever. Nosso dever.

Seus cabelos estavam claros mais uma vez.

Camus nunca se sentira com tanta raiva. A temperatura na sala baixou drasticamente. Tudo congelou. Lágrimas corriam pelo rosto de Camus, que estava ainda mais enfezado por deixá-las aparecer assim, na frente dos outros.

–Camus, acalme-se- Shion tentou se aproximar, mas círculos de gelo o impediam. Os outros estavam paralisados também.

–Eu nem tive a chance de falar... vocês não quiseram me escutar.

Saga o encarava. Seu olhar era estranhamente bondoso.

–Se tiver que culpar alguém, culpe a mim Camus. Mas não queira tentar lutar, você pode...

–Entrar em uma guerra de mil dias?

Um cristal de gelo foi formado no punho de Camus.

–Camus, não ouse me...

Um “Pó de diamante” triplamente intensificado foi disparado em Saga. Mas não foi um golpe. Foram sete. Nenhum dos outros conseguia se mover, Camus havia aprisionado todos com seus círculos de gelo.

–Não vou entrar em uma guerra de mil dias com você. Vou matar você. E se alguém tentar me impedir, morre junto.

Milo nunca pensou em ver Camus daquela forma.

–Camus...

–Milo, você acha que eu não sei que vocês serão obrigados a tentar me impedir? Que eu não sei que posso morrer batalhando com vocês? Não importa. Antes morrer batalhando, do que viver ao lado de um bando de pessoas injustas, que se diziam meus irmãos de guerra. Irmãos... vocês nunca saberão o que é isso. Claro. Agora eu, perder isso por duas vezes...

Aioros perguntou:

–Perder o que duas vezes?

–Não importa mais. Nada mais importa. Eu sou um traidor, não sou? Eu não fugi com o Hefesto que vocês mataram, e enviaram para o Olimpo? Então, pela lei do santuário, não sou mais um cavaleiro. Portanto, tudo acaba aqui. Mas eu levo alguém comigo, e sim, Saga, você ainda pode me ouvir, mesmo estando congelado. Aceito sua proposta. Eu culpo você. E você vai morrer pra pagar a vida de Liko.

Todos estavam desconfortáveis com as palavras e a atitude de Camus. O frio começou a aumentar ainda mais. Um brilho dourado relampejou no ambiente. Aioros se soltara da prisão, e foi caminhando até ficar na frente de Saga.

–Camus... eu não entendo muito bem o por que de você estar agindo assim, mas... se você me falar, eu posso te entender... meu irmão está aqui, lembra? Eu sei como é estar preocupado com ele o tempo todo. E só de imaginar em perdê-lo, eu... prefiro morrer antes dele, do que presenciar isso. Nós erramos, talvez, e com você, e nada vai justificar isso, mas tínhamos um dever a cumprir...

Camus chorava mais. As lágrimas que caiam iam congelando e se desfazendo em cristais minúsculos no chão.

Shion se sentou.

–Camus, olhe para mim.

Camus se recusava a se virar. Seu cosmo estava perigosamente alto, e concentrado. Algumas lanças de gelo começaram a crescer no chão.

–Camus!-Shion disse mais uma vez.

–Nada que você diga vai me fazer mudar de ideia mestre. Nada. Eu vou matar Saga.

Aioros se postou em frente a rocha que abrigava o corpo do geminiano -que, incrivelmente, não conseguiu fazer nada-, e abriu os braços.

–Odeio dizer isso, mas antes de matá-lo, vai ter que me matar. Camus, esse não é você, por favor...

–Por que você o defende, Aioros?

Aioros deixou uma lágrima escorrer, e fechou os olhos.

–Eu o amo. Não queria, mas amo. Não posso perder Saga. Não posso perder ninguém aqui. Não quero te perder Camus, você é um irmão sim, seja de guerra ou não. Por favor, pare com isso.

–E eu posso perder? Eu sempre tenho que perder quem amo?

–Do que você está falando? Camus, por favor, conte...

Shion liberou um golpe em Camus. Conseguiu atrair sua atenção.

–Camus, entendo sua dor. Mas acho que você deve mostrar aos outros também antes de atacá-los, não?

–Do que você está falando?

–Mu?

O ariano se colocou ao lado de Shion. Um “Muro de cristal” surgiu no ar. Liko estava ali, vestido como se fosse em outra época, com roupas típicas da França. Estava ao lado de um Camus, também garoto.

Camus estacou diante da imagem.

–Como vocês...?

Milo encarava a cena, confuso.

–Hum? O que é isso?

–Cavaleiros, conheçam Camus e seu irmão mais velho.

–Irmão? –Todos olhavam para Camus, confusos.

–Mas esse é Liko, mestre. Quer dizer, a reencarnação de Hefesto- Milo disse totalmente assustado.

–Não. Esse é Anum, irmão mais velho de Camus. Nessa época eles deveriam ter oito e cinco anos, não é isso, Camus?

–Como conseguiu...?

–Anum morreu assassinado, provavelmente por um dos incendiários que queimara sua casa. Camus e Anum perderam a família toda de uma hora para outra. Anum foi buscar ajuda, e deixou Camus em frente a casa queimada. Nunca mais voltou. Camus foi adotado por algumas pessoas de um vilarejo próximo, que descobriram o corpo do seu irmão morto algum tempo depois.

Milo olhou para Camus.

–Você nunca me disse que tinha tido uma família.

Camus rugiu para Shion:

–Então você sabia disso o tempo todo?

–-Eu soube há poucos dias, mas as coisas aqui aconteceram muito depressa...

Milo ainda estava intrigado.

–Por que você não me contou?

Camus soltou um grito.

–Por que dói lembrar que eu tive uma família. Por que dói saber que eu não pude fazer nada pra salvar ao menos Anum. Por que todo dia eu penso como seria viver a vida que nos foi roubada.

Afrodite suspirou:

–Por isso você se apegou tanto ao menino... por que ele era igual a seu irmão...

Camus deu um soco no chão.

–E, mesmo como cavaleiro, com toda essa droga de poder, eu mais uma vez perdi Anum. Perdi Liko, sempre perco quem amo, e nunca consigo fazer nada. Mas agora é diferente, por que agora quem me tirou um pedaço meu não foram estranhos, foram pessoas que eu confiava. Mas pelo menos eu posso me vingar de alguém dessa vez.

Todos ficaram pasmos com aquilo. Então era isso.

Milo sentiu uma pontada no peito. Foi se aproximando de Camus.

–Sai daqui Milo.

–Camus, não!

–Milo, eu vou te matar também.

Milo abraçou Camus. Forte. Sussurrou em seu ouvido.

–Acha que eu ia conseguir ver você morrer? Você acha que eu sou você pra aguentar perder alguém que amo? Camus, eu... eu amo você. Se você fizer alguma besteira, eu morro junto. Mas se você parar com isso, eu vou fazer de tudo pra te ajudar, te ouvir, ou fazer seja lá o que você quiser. Mas para. Por favor.

Camus encarou os olhos azuis de Milo. Aquilo o pegou desprevenido. Uma declaração de amor no meio daquele turbilhão? Sussurrou de volta.

–E como você vai fazer isso? Eu não suporto mais tanta dor, Milo.

–Eu vou estar aqui. Nós vamos estar aqui. Todos.

Aioria, Mu, Aioros, Afrodite e Aldebaram se juntaram em volta dos dois guerreiros. Um abraço em grupo. Camus se desfez no meio daquilo tudo. Deixou o peso do corpo cair, mas Milo o amparou. A temperatura começou a voltar ao normal. Camus ainda chorava. Shura se aproximou do bloco de gelo onde Saga estava aprisionado, e lançou alguns cortes da “Excalibur”.

–Camus- Shura disse- Preciso de uma ajuda aqui. Se possível...

Camus liberou seu cosmo. A prisão se desfez, o gelo começou a se quebrar, e Saga foi solto. Aioros foi em sua direção,e o amparou.

–Camus, por favor se aproxime.

Milo foi guiando Camus até estarem diante de Shion. Quando todos pensaram que ele iria se levantar, como estava sentado, qual não foi a surpresa geral quando se ele se ajoelhou.

–Por favor, perdoe-nos aqui e agora. Nós não imaginávamos o que estava em jogo. Não tínhamos nenhuma solução além dessa. Você deve reparar que como o garoto foi levado, ele realmente era a encarnação de Hefesto. Por mais que isso seja duro, é real, e é nossa missão. Mas ainda assim, eu peço, em nome de todos aqui, o seu perdão.

Camus se ajoelhou na frente do mestre.

–Não há o que perdoar mestre. Tinha que ser feito...

Shion e Camus se levantaram.

–Perdoe-nos por machucar você assim. Nunca seria nossa intenção.

–De todos, não. Mas já foi feito. Posso ir embora?

–Somente se for para sua casa. Você é um de nós, precisamos de você aqui.

–Não estou expulso?

–De que forma? Não fez nada para tal decisão. Agiu como um verdadeiro cavaleiro, defendeu seu ponto de vista e lutou por ele até o fim. Nada que um verdadeiro cavaleiro de Atena não devesse fazer.

Camus assentiu, e Milo foi guiando o aquariano para fora. Shion apenas disse mais uma vez:

–Camus?

–Sim, mestre?

–Lembra o que eu te disse há algum tempo? Sobre os seus amigos?

Camus forçou a memória. Isso foi quando Aioros começara a brigar com Saga e Afrodite e MM estavam brigando.

–Sim.

–Agora é hora de aproveitar isso. Você apoiou muita gente aqui. Deixe eles te apoiarem.

Mais lágrimas.

–Obrigado.

Milo e Camus saíram.

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No Olimpo, Afrodite estava histérica. Zeus a encarava do trono com um olhar cúmplice, mas Hera a olhava com reprovação.

–Mais uma vez essa história... quando você vai aprender a não irritar seu marido Afrodite?

–Olha quem fala... o Olimpo todo só cochicha sobre as suas brigas com Zeus... e eu não brigaria tanto se não houvesse sido forçada a me casar com seu filho...

Um trovão ecoou.

–Cuidado com a língua, Afrodite- Zeus a olhava agora sério- Não nos coloque no meio das suas confusões.

–O problema é que a confusão é seu filho, que por acaso, deve estar armando alguma coisa pra matar você também. Acha que ele gosta de ser filho do pai do Olimpo, e viver enfurnado em vulcões? Toda vez que vem aqui ele é desprezado, rechaçado, e volta pra terra ardendo em ira. Acha que ele quer se vingar de mim só? No mínimo eu, você, Hera, Ares, Atena e Hermes estamos com o pescoço a perigo.

–Lembre-se que temos uma ordem aqui: um olimpiano não pode matar o outro.

–Mas um humano pode. Se ele manipular alguém, com a arma adequada, estamos todos caídos no esquecimento.

Hera se sentiu desconfortável.

–Por que você acha que, além de você, nós corremos perigo?

Afrodite riu.

–Uma mãe que joga o filho morro abaixo por achá-lo feio não é lá muito digna de afeição, nem um pai cúmplice disso. E isso por que é considerada a divindade da família... hum hum... Eu e Ares, bem, por causa de algumas... brincadeiras... Hermes também... e Atena por ser a guardiã do metal maldito no momento. Isso dá metade do Olimpo. Já pensaram como seria cair no esquecimento? Pois bem, eu penso nisso e não gosto da ideia.

–E o que você espera que façamos?

–O punam, ora essa. Deem um castigo. Joguem no tártaro. Qualquer coisa que o deixe distraído...

–Para você continuar com seus amassos pela terra com Ares?

Zeus espalmou as mãos no seu trono.

–Chega Hera. Afrodite está certa, precisamos agir. Mas não podemos fazer nada com Hefesto por hora.

–Como não? Ele está aqui! Eu o trouxe, com a ajuda dos soldados de Atena.

Zeus suspirou fundo.

–Afrodite, há quanto tempo você está afastada do seu marido? Não consegue nem reconhecer sua presença mais? Esse menino não é Hefesto. Ele não está aqui no Olimpo, e não conseguimos encontrá-la na terra.

Afrodite soltou um guincho nada sensual para a deusa do amor. Olhou aterrorizada para Liko.

–Mas esse menino... eu vi o cosmo emanar dele... falar em como os cavaleiros eram idiotas... eu...

O ambiente na sala mudou. Afrodite caminhou até Liko, que ainda estava desmaiado. Agora ela assumira sua presença divina. Qualquer mortal que a encarasse morreria.

–Como...?

Zeus falou primeiro.

–Esse menino foi uma distração.

Afrodite empalideceu até ficar quase translúcida.

–Então ele apenas possui a benção do Hefesto?

Hera sacudiu a cabeça, preocupada.

–Com certeza, ele deve ter usado esse menino para distrair você. Entende o que isso significa?

Afrodite suspirou, com as mãos nas têmporas.

–Estamos quase mortos.

Zeus tamborilou os dedos nas pernas.

–Acho que você ainda vai precisar da ajuda dos cavaleiros da Atena, não?

–Como? Se esse daí não é Hefesto, como podemos encontrá-lo?

–Deixe isso comigo. Eu e Hera vamos achá-lo. O resto é com você

Notas finais
Pois bem, surpresas mil ainda virão. Desculpem a demora, boa leitura e obrigado por cada review!