Tão fora da terra
14 Capítulo 14- Experimenta....
Notas iniciais
Aioria olhou para a cachoeira de Rozan. A vista era bonita. Procurou em volta, mas nada de achar o velho mestre.
Andou um pouco pela floresta. Bebeu um pouco de água de um riacho, quando uma grande pedra caiu em sua direção. Um golpe e ela virou pó.
–Ainda bem que anda atento, meu rapaz.
–Nem poderia ser diferente, não mestre ancião?
O velho se aproximou devagar. Sorriu para Aioria.
–Como andam as coisas na Grécia, meu rapaz?
–Em alerta, mestre!- Aioria se ajoelhou.
–Levante-se, meu jovem. Seu mestre te disse o por que de mandá-lo aqui?
–Na verdade, não.
–Hum... Desconfiamos que o minério maldito que Hefesto deseja está ali- apontou para a torre de Hades.
–Naquela torre?
–Isso. Diga, o que sente ali,meu rapaz?
Aioria se concentrou. Quando seu cosmo alcançou o local, ele deu um passo para trás.
–É um cosmo maligno, mestre. Sinto raiva, desejo de vingança, medo... e também...
–Morte.
Aioria encarou o ancião.
–Ali, escondido por todo esse ambiente sombrio, está escondido o minério capaz de dar fim aos deuses do Olimpo.
–E o que faremos, mestre?
–Tiraremos aquilo de lá...se conseguirmos...
–E então...?
–Devolveremos ao Olimpo.
–E aceitarão?
–Se não, esconderemos novamente, e o defenderemos com nossas vidas, até que a troca de turno seja feita.
–Como entraremos lá, mestre? Sinto uma barreira cósmica muito forte.
–Por isso você está aqui, rapaz.
Aioria fez cara de confuso.
–A única coisa que dissipa trevas...
–É luz... o que eu tenho a ver com isso?
O velho riu, elevou o cosmo, e liberou um golpe na cabeça de Aioria, que se defendeu com seu “Cápsula do poder”. A energia liberada foi tão intensa, que iluminou toda a área em volta. O velho aumentou a intensidade, fazendo Aioria se esforçar mais, o que acabou por queimar algumas árvores. Então, tudo acabou.
–Olhe em volta, Aioria.
O rastro de energia deixado pelos golpes havia deixado como que fagulhas douradas por todo o lado.
–Entende? Seu irmão domina as técnicas de luz, mas você não. O mestre achou que seria por bem testar seus poderes em uma missão de vida ou morte, em que o único jeito será liberar todo o seu cosmo, em um golpe novo, que inunde tudo, que invada tudo, que brilhe. E vai ser ali, nas trevas do inimigo, que você irá mostrar tudo que o Leão dourado é capaz.
Aioria sorriu.
–É uma chance?
–A única. Ou você consegue, ou morremos. Só temos uma chance.
Aioria sentiu um frio na barriga. Não gostou de como aquilo soou.
–O que faremos exatamente?
–Teremos que entrar lá, você vai iluminar o local, e se, apenas se, conseguirmos isso, iremos achar o limbinus. Uma vez isso feito, o tiraremos de lá. O mestre do santuário está em Jamiel, aguardando que consigamos o limbinus, e o enviemos através de um dos selos com o sangue de Atena, que ficaram da última guerra santa. Então, ele irá convocar um dos deuses do Olimpo, se não me engano Zeus ou Hera, e entregar o que houvermos conseguido em suas mãos. Caso eles não aceitem, iremos nós mesmos escondê-lo no santuário, e guardar isso da mesma forma que guardaríamos a vida de Atena.
–E por que acha que não conseguiríamos fazer isso?
O ancião soltou um suspiro.
–Por que a mulher que desde tempos mitológicos acompanha Hades acabou de reencarnar para preparar caminho para seu mestre. Ela pode ser apenas um bebê, mas seu cosmo maligno já despertou algum espectro para fazer sua vigilância. Iremos encontrar inimigos, que terão sobre você a vantagem numérica, e a de lutar em seu próprio território.
–Mulher? O senhor está falando da...
–Sim. A mulher que liberou os males da humanidade ao abrir uma caixa que os deuses ofertaram: Pandora!
– — -
Um outro esforço. Um salto. Shaka estava a sua frente. Quando ia rasgar a própria garganta, Saga conseguiu segurar sua mão.
–Chega disso. Estamos aqui.
Shaka o olhou confuso.
–Saga? Você? Mas você...
–Isso tudo é uma ilusão Shaka, você precisa acordar, e voltar comigo.
–Ilusão? Como?
–Shaka, você tentou prender Hefesto, lembra disso?
–Mu? Mu, é mesmo você?
Mu se aproximou. Olhou nos olhos de Shaka. Uma mistura de alívio, angústia e dúvida se misturava naqueles olhos azuis.
–Shaka, você tem que acordar. Precisamos de você. Atena precisa de você.
–Mu... você sofreu tanto por minha culpa...o Aioria...
Mu colocou um dedo nos lábios de Shaka. Sorriu.
–Agora é hora de acordar meu amigo!
Elevou seu cosmo. Conseguiu conectar sua energia com a de Shaka. O espaço em volta ficou cinza. Um som de vidro quebrado foi ouvido. Shaka estava em seu normal mais uma vez.
–Onde estamos?
O virginiano olhava em volta assustado.
–Até que enfim...
Saga desmaiou. Mu o amparou. Encarou Shaka.
–Não temos tempo para explicar. Precisamos sair daqui. Saga está sem energia, estamos em outra dimensão. Rápido, use seu cosmo para voltarmos a terra.
Shaka se concentrou. Com suas energias cósmicas conectadas, estavam prestes a sair, quando Shaka disse:
–Se Saga não acordar, não poderemos sair daqui. Quer dizer, eu e você sim, mas ele fica.
Saga estava esgotado. Mesmo com o chamado dos dois dourados, ele não reagia.
Um garotinho apareceu. Tinha um estranho olhar, curioso e amargo.
–Quem são vocês?
Mu se assustou. Shaka deu um passo pra trás. Estavam em frente ao ferreiro divino.
–Maldito.
Shaka ia atacar, quando Mu segurou sua mão. Disse através do cosmo:
–Não, não faça nada. Converse com ele, tente distraí-lo. Afrodite disse que não devemos acordá-lo, ou morreríamos aqui, e os outros estariam com problemas sérios.
Shaka deu um suspiro. Sua vontade era atacar aquele maldito deus de segunda classe, arrogante, desprezado. Se fosse muita coisa, não era feio, aleijado e corno. Mas achou melhor obedecer Mu.
Sentou-se em posição de meditação. Fechou os olhos. Uma brisa suave invadiu o espaço em que se encontravam. Um clarão surgiu acima deles.
–O que é isso?
O clarão foi aumentando, até que iluminou tudo de tal forma que todos tiveram que fechar os olhos. Estavam então na beira de uma praia.
–Onde estamos?
Shaka respondeu ao garotinho:
–Na Grécia, menino. Moramos aqui perto. Onde estão seus pais?
–Meus pais...?
O menino parecia confuso.
–Que... quem são vocês?
–Nós? Somos viajantes, viemos de muito longe, e nosso amigo se machucou, escorregou em uma pedra. Você conhece alguém que possa nos ajudar?
Shaka deu um sorriso tão inocente que Mu achou que ele havia enlouquecido, ou estava preso em outra ilusão novamente. O menino sorriu, desconfiado.
–Hum... acho que posso achar alguém... vocês vão embora?
–Não podemos sair daqui e deixar nosso amigo, precisamos mesmo de ajuda.
–Mas ele é muito mau. Vocês não deviam ajudar ele.
–Mas ele é nosso amigo...
–Então vocês são maus também!
–Não, não somos. Mas nosso amigo tem um lado mau, que só some se ele está com a gente. Por isso não podemos deixá-lo sozinho, entende?
O garotinho coçou a cabeça.
–Ele pode machucar alguém se ficar sozinho, ou até mesmo se machucar... precisamos ajudá-lo, e logo.
Shaka se ajoelhou, e pegou na mão do garotinho, que ficou assustado.
–Por favor... nos ajude... não encontramos mais ninguém...
O menino abriu um sorriso grande.
–Tá, eu vou procurar ajuda.
E saiu correndo pela praia. Mu estava ficando fraco.
–Mu, está tudo bem?
–Estou ficando sem forças, Shaka. Temos que sair daqui logo.
–Eu estou com pouco cosmo, e estou tentando manter essa ilusão. Saga precisa despertar logo... senão...
–Só tem um jeito...
Mu se concentrou. Era preciso se esforçar mais uma vez.
Saga se mexeu. Abriu os olhos devagar. Mu e Shaka estavam a sua frente.
–O que você fez Mu?
–Disse que o Aioros estava precisando dele.
Shaka suspirou. Saga disse, meio fraco:
–O que...?
–Queime seu cosmo, rápido.
Os três deram as mãos. Já estavam nos limites de suas forças. Um estampido, um baque surdo e os três não viram mais nada.
– — — -
A flecha dourada doía mais quando completava-se cada ciclo de uma hora. Cada hora, uma casa, uma batalha, uma provável perda.
Saori estava semiconsciente. Tinha que acreditar e confiar em seus cavaleiros de bronze, eles iriam provar sua verdadeira identidade como Atena. Tudo que tinha a fazer era esperar.
No Japão, Mino apagou as luzes do orfanato. Havia terminado as tarefas do dia. Olhou no relógio. Seiya e os outros deveriam estar batalhando já há algum tempo. Seu coração ficou apertado. Será que todos estavam bem? Será que ela estava bem?
Mino havia tido uma conversa com Seiya pouco tempo atrás, dizendo para que ele parasse, levasse uma vida normal, como um garoto da sua idade. Ser cavaleiro era tão duro, sempre machucado, cheio de cicatrizes, tudo defendendo ela...
Olhou pela janela do escritório. O mar estava a sua frente. Suspirou. Desde pequena sempre amara Seiya... ou achava que amava. Quando viu que o cavaleiro de Pégaso estava apaixonado pelo chinês, e não por Saori, como ela pensava, ela não quis aceitar. Mas com o passar do tempo, ela percebeu que não havia dúvidas que Seiya amava Shiryu. Foi um dia, quando Saori passou pelo orfanato, que tudo aconteceu.
Quanta confusão...
Saori chegou de surpresa no orfanato. Mino havia chegado de uma reunião com assistentes sociais, para ver se conseguia colocar o orfanato em uma lista que desse prioridade aquelas crianças. Estava trabalhando muito, e a senhorita Kido havia lhe dado a oportunidade de estudar, e permanecer no orfanato, se preparando para um dia dirigi-lo. Era ainda muito novinha, mas era determinada, e já tinha a promessa da maior benfeitora do local. Ao entrar em sua sala, percebeu os cabelos castanhos da jovem milionária. Estava de costas, olhando a janela, com um tailleur vermelho.
–Senhorita Kido.
–Mino. Olá.
Saori sorria de uma forma gentil.
–Posso ajudar em alguma coisa senhorita?
–Se começar me chamando só de Saori, já fico satisfeita.
–Desculpe... por favor, sente-se.
–Obrigada.
As duas se acomodaram, uma em frente a outra.
–Então, o que a trás aqui?
–Vim falar com Seiya há pouco, precisava esclarecer algumas coisas, então achei por bem vir falar com você.
–Comigo? Por quê?
–Mino, vou ser direta. Seiya está apaixonado. E não é por você.
Mino prendeu a respiração. Então estava tão claro assim o que ela sentia? E era sua rival que vinha despejar isso em sua cara, assim?
–Eu sei disso. E espero que ele seja feliz, e seja correspondido.
–Com certeza, ele já é. Mas e você, como vai lidar com isso?
As lágrimas turvaram sua visão. Mas ela não ia chorar, não na frente da sua rival.
–Eu? Eu vou ter que esquecê-lo. Se ele não me ama, bom, que pelo menos...
Saori sorria. Olhava para as mãos.
–Também não sou eu, Mino, se é o que você está pensando.
–Como?
–Seiya não me ama. Somos amigos, mas ele ama outra pessoa...
–Outra pessoa...? Mas... quem?
–Acho que isso ele mesmo deve te dizer. Se é que você não percebeu ainda.
Mino ficou um tempo parada. Será possível que...?
–Eu... eu não...
Saori se levantou.
–Mino, vamos jantar?
–Bom, é, sim, vamos...eu vou... avisar alguém e...
–Na minha casa é melhor.
Mino estava meio fora de si com todo o momento, seguiu Saori, entraram na limusine, e foram, em silêncio, até a mansão Kido. Tatsumi as recebeu na porta.
–Boa noite, senhorita. O jantar está na mesa.
–Obrigada, Tatsumi.
–Boa noite, senhorita Mino.
–Boa noite...
Foram caminhando até a sala de jantar. Mino ainda estava tão confusa, que mal entendia o porquê havia aceitado aquele convite de Saori.
–Senhorita...
–Saori...
–Desculpa, eu... eu não entendo... eu nem sei... o que... o por que estou aqui...
Saori sorriu.
–Mino, nós temos a mesma idade. Sempre fizemos parte uma da vida da outra, mas nunca estreitamos nossos laços. Não nos conhecemos bem. E eu acho que seria bom fazermos isso.
–Por que? Por que isso agora?
–Hora, nós somos garotas, somos jovens, temos que ter amigas, não?
–Amigas...?
–Sim. Eu vejo você trabalhando o tempo todo, sempre para lá e para cá... nunca vi nem ouvi falar que você saísse com suas amigas, fosse fazer algo além da rotina do orfanato.
Mino suspirou.
–Na verdade, eu não tenho muitas amigas mesmo. Mas imagino que a...
Saori olhou com uma cara zangada
–...imagino que você...
Um sorriso.
–... tenha muitas amigas, do seu nível...
–Na verdade não. São, em sua maioria, garotas fúteis, vazias, um bando de bonecas ocas. Eu sou muito sozinha, Mino.
–E os rapazes?
–São rapazes. São cavaleiros, guerreiros, meus amigos, sim, meus defensores. Mas não entendem muita coisa, principalmente de uma...
–Deusa?
Saori abaixou a cabeça.
–Não sabe como é difícil Mino.
–Na verdade, não entendo bem tudo isso Saori.
–O que você não entende?
–Quer dizer, você é mesma uma deusa lendária?
–Sim.
–E corre perigo?
–Sim.
–E seu poder? Dizem que é tão grande...
–Talvez seja... mas ainda preciso aprender a usá-lo. Estou crescendo com ele...
–Pode me mostrar?
Saori a encarou. Mino sentiu uma mudança no ambiente. Estava tudo mais aconchegante. Sentia-se tranquila, segura. Em seu íntimo, sentia uma certeza de que tudo, em qualquer hora, dia, momento, iria se resolver, dar certo, ficar bem.
–Esse sentimento...
–É o que dizem que eu proporciono. Sente-se bem?
–Sim, me sinto... com espernaça.
Saori sorriu. Sentaram-se e começaram a comer. Mino se sentiu um pouco acanhada com a mesa.
–O que foi, Mino?
–Eu... desculpe se...
Saori fez beicinho. Mino riu.
–Desculpe Saori, é que não estou acostumada com essas coisas de rico, entende? Por onde devo começar, qual colher uso?
Saori sorriu.
–A que você quiser, sinta-se a vontade, não ligue pra formalidades, certo?
–Bem, se você diz...
Comeram mais calmas. Saori estava precisando de companhia. Mino estava tentando digerir a ideia de Seiya ser apaixonado por Shiryu. Oras, quanto tempo perdido. Admirando, torcendo, pedindo a Deus que o protegesse, ansiosa, preocupada... e ele, hum, sentindo tudo isso... por outro rapaz...
–Mino, você liga de dormir aqui essa noite?
–Hum? Nossa, é tão repentino...
Saori estava com uma expressão triste. Mino respondeu:
–Mas não tem nenhum problema, não é? Sim, eu durmo aqui sim.
–Obrigada!
Ao terminarem de jantar, subiram para o quarto de Saori. Era o maior da Mansão, parecia uma casa de bonecas. Além de um closet enorme, uma parede cheia de bonecas, e uma penteadeira cheia de maquiagens e jóias, o banheiro mostrava uma banheira enorme, de hidromassagem. E a cama, céus, era enorme. Mino se sentiu pequena naquele lugar. Saori tirou os sapatos, e convidou Mino para se sentar a seu lado enquanto retirava a maquiagem.
–Puxa... é muito bonito aqui Saori.
–Obrigada. Tem pouco tempo que parei de encher esse lugar de porcaria.
–Porcaria?
–É. Mino, pense bem, de que me serve tudo isso?
Saori aparentava uma expressão cansada, e triste.
–Como assim?
–Eu nunca vou ter uma vida normal. Por ser quem sou...
–Uma deusa?
–Exatamente. Mas por ser a deusa da guerra,da sabedoria, e dessa chatice toda eu não posso...
Ficou quieta por alguns instantes. Mino olhou para Saori. Era tão bonita, delicada...
–Não pode ser você?
–Isso. Entende quando eu disse que poucas pessoas me entendem? Por isso.
–Mas você é Atena. E Saori Kido.
–E não queria ser nenhuma das duas!
–Como?
–Atena é guerreira, defensora, justa. Saori Kido é uma herdeira de fortuna, de um império. Tem que ser uma rainha, mas até lá é uma boneca, com compromissos e responsabilidades. E eu? Eu não posso ser eu, apenas eu?
–Saori... e quem seria você? O que te impede de ser você mesma?
Ela suspirou.
–As malditas obrigações. Se eu pudesse ser eu...apenas por um instante...
–O que você faria?
Saori nem precisou pensar.
–Sairia por aí, andaria por algum tempo sem que ninguém me olhasse, me notasse. Queria ser só normal, comum. Ir a escola e aprender, ter amigos e amigas, brigar, rir a toa, comer o que eu quisesse, dormir tarde, jogar alguma coisa, me apaixonar...
–Oras, e por que não pode? Alguma coisa disso você pode.
–Sim... mas não tudo... nem o mais importante...
–Que seria...
–Mino, é bom amar alguém?
–Sim. Mas pode doer se você não for correspondida.
–Mas você pode se apaixonar.
–E você não?
Saori fechou os olhos.
–Mino, Atena é uma deusa virgem. Ela não se deitou com homem algum, nem houve notícias de que se apaixonou alguma vez. Entende? Pelo que eu pesquisei, cada vez que ela reencarnou, e se apaixonou, antes de consumar o fato, ela morria, e voltava pura para as noites dos tempos... Ou seja, eu nunca vou poder amar um homem, ser tocada, ser amada. Senão, estaria adiantando minha morte... entende agora?
Mino ficou surpresa com aquilo.
–E eu queria tanto... pelo menos uma vez... saber como é, sentir como é... mas ser quem sou me priva disso. De que vale ser uma deusa, e não provar o amor? Não viver isso?
Mino ficou quieta um pouco. Saori abaixou a cabeça. Lágrimas rolaram por seus olhos. Chorou.
Mino colocou a mão em seu ombro. Agora sentia uma certa pena de Saori... se colocando em seu lugar...
Pegou sua cabeça, e aninhou em seu peito. Saori a abraçou. Ainda chorava, mas sentia como a outra garota era macia, quente. Olhou para Mino.Ela aproximou seu rosto, deu um beijo em sua testa, e disse:
–Vai dar tudo certo.
–Queria tanto acreditar nisso.
–Acredite. Eu acho que você pode se apaixonar.
Mino sorriu. O sorriso era muito inocente. Saori sorriu de volta. Se encararam por um minuto, e foram aproximando seus lábios. O toque era gentil, as duas eram inexperientes. Sorriram tímidas, e voltaram a se beijar. Um lábio por cima do outro. Cereja. Canela. Mino colocou uma mão no rosto de Saori, que ao sentir o toque, envolveu a outra com os braços. Se olhavam.
Saori recuou assustada.
–Não, eu não posso...
–Não pode com um homem. Alguém disse alguma coisa sobre mulheres?
As duas se encararam. Riram
–Eu nunca...
–Nem eu. Já que estamos aqui...bem...
Alguns minutos, e a timidez foi dando espaço a curiosidade. Línguas começaram a se tocar. Dentes se batiam, as duas sorriam, e voltavam a encaixar as bocas. Logo estava tudo em uma dança doce, ritmada.
Mino só via Saori. Saori só sentia Mino.
Deitaram-se. Era desconfortável se beijar de lado. Gentilmente, Mino colocou Saori por cima de si. Afastou as pernas, e ela se encaixou por cima do seu corpo. Agora o beijo parecia mais profundo, molhado. Os seios se tocavam, e emanavam um calor diferente, eram macios. Riram, era engraçado, era confuso, mas se as duas pensassem demais, parariam.
Saori abaixou uma das alças do seu vestido. Mino beijou seu ombro nu. Subiu devagar para o pescoço. Saori gemia devagar
–É bom?
–Sim.
Mais beijos. Mino afastou a outra alça. Saori se virou, e Mino desceu o zíper da sua blusa, e da sua saia. Seu sutiã branco fazia sua pele ficar mais rosa do que já era. Saori tirou a camiseta de Mino por cima da sua cabeça, e desceu também o zíper de sua saia. Estava com um sutiã preto bem marcado.
Mino tocou levemente no seio de Saori. O tecido era maravilhoso, mas ela queria saber o que encontraria ali embaixo. Pareciam maiores que os seus. Saori também tocou em seus seios. Riram envergonhadas, se abraçaram, e se beijaram apenas com suas roupas íntimas. Céus, suas peles pareciam brasas, que calor era aquele?
Mino sentiu algo diferente, estava úmida lá embaixo. Ficou um pouco assustada. Saori também sentiu que começava a se melar a medida que se beijavam. Sentiam a necessidade de se tocarem. Lá. Se olhavam, riam, e Mino afastou um pouco um pedaço do sutiã de Saori, deixando seu mamilo a mostra. Passou um polegar, sentiu que ele ficou durinho. Deu um beijo leve, que faz Saori curvar o corpo. Passou a língua, deu uma mordiscada, e Saori gemia profundamente. Tirou o sutiã de uma vez, Mino fez o mesmo. Apenas de calcinha, as duas se beijaram um pouco mais, e Mino começou a beijar os seios de Saori.
Além de macios e quentes, eram cheirosos. Saori era toda perfumada, Mino lambeu, mordeu, beliscou, beijou, enquanto Saori gemia, arfava, se perdia em novas sensações. Uma hora achou que ia morrer tamanha a adrenalina em seu ventre. Resolveu retribuir, virou Mino, ficou por baixo dela, e olhou seus seios, menores que os seus, mas tão macios quanto. Mino dava gritinhos a medida que Saori a lambia. Estava muito quente, Mino também nunca sentira algo assim. Algumas vezes imaginava que um dia Seiya faria aquilo com ela...mas naquele momento duvidava que isso acontecesse com aquele carinho todo que Saori proporcionava.
Voltaram a se beijar. Mino escorregou a mão para a calcinha de Saori. Sentiu certa umidade, e não se conteve, colocou a mão por dentro. Ela estava realmente excitada. Quase sem pelos, Mino sentiu que sua “campainha” estava rija. Saori afastou as pernas, e ela passava os dedos de cima para baixo, devagar. Realmente, ela estava úmida.
Saori não se aguentou e foi fazer o mesmo com Mino. Ela gemeu alto, e Saori foi mais ousada, empurrou um dedo levemente. Mino arfou, deu um gemido longo, e encarou a outra.
–Me beija...
Agora apenas Saori a tocava. Colocou um dedo, e ia e vinha devagar, dava umas voltas em círculo dentro de Mino, e como ela estava molhada, era tudo mais fácil.
Mino não aguentou, deu um gemido longo e se sentiu quebrar em mil pedaços. Estava quente, suava muito, e era tão forte. Saori a olhava com uma cara preocupada.
–Está tudo bem?- tirou o dedo devagar.
Mino parecia bêbada. Estava tonta.
–Mino?- Saori estava preocupada.
Mino a beijou. Lambeu seus seios, e dessa vez, mostrou a Saori como se sentira. Colocou um dedo também dentro da outra, mas não fez vai e vem, apenas movimentos circulares. Saori começou a gemer alto. Aumentou o ritmo, e então Saori começou a tremer, e deu um grito.
–Mino!!!!!
Caíram na cama abraçadas. Respiravam fundo. Após algum tempo, Mino perguntou:
–Está tudo bem?
Saori apenas sorriu. Encarou a outra.
–Tudo! Obrigada!
Depois desse dia, as duas ficaram amigas. Se encontravam na medida do possível, saíam juntas, comiam... e quando podiam ficar sozinhas...
A flecha doeu um pouco mais. Mino sentiu um aperto no peito. Devia faltar pouco tempo. Para as duas...
– — — -
Saga, Shaka e Mu estavam com os outros, finalmente. Saga olhou em volta.
–Ai.. Aio..
–Estou aqui.
O cavaleiro de Sagitário segurou Saga nos braços. Não conseguia parar de chorar.
–Você está bem?
–Eu achei que não ia...
–Shi... descanse agora. Depois falamos. Estamos todos aqui. Vocês conseguiram. Shaka está vivo, e vocês também.
Aldebaram e Shura amparavam Shaka, que acordava devagar. Mu estava sendo cuidado por MM. Afrodite ainda não havia voltado.
–MM, onde está...?
–Não sabemos Mu, ele ainda não voltou.
–Nós temos que ir para...
–A traidora divina disse que devemos ir todos juntos, e que vocês devem estar recuperados. Ela nos deu um plano. Afrodite tem que voltar, e chamá-la com a tal rosa cor de rosa.
–Então...
Um cheiro forte de flores.
–Então comam essas folhas, que vocês ficarão recuperados em poucas horas.
MM deu um grito:
–Amor! Onde você andava? Que porra de sumiço foi esse?
Afrodite sorriu.
–Resolvendo alguns problemas.
–Está tudo bem?
Afrodite estava pálido. Até demais.
–Sim. Vamos, não temos tempo a perder.
Carregava um maço de folhas nas mãos. Separou nove montinhos, e deu um para cada cavaleiro.
–O que é isso?-MM perguntou.
–Folhas da árvore que dá o néctar dos deuses, ou a famosa ambrosia.
–Ambrosia? Você tá falando da comida dos deuses? É isso mesmo?
–Sim. A deusa do amor me mostrou onde arrumar algumas folhas da árvore, disse que se nós comêssemos da ambrosia enlouqueceríamos, mas se comermos suas folhas, teremos nosso corpo e alma restaurados em pouco tempo. E que precisaríamos disso para enfrentar Hefesto.
–Então...
–Todos comeremos essas folhas. Em alguma horas estaremos prontos, chamamos Afrodite, entramos no santuário, e e expulsamos Hefesto de volta pro Olimpo. Então, viveremos em paz até a volta de Atena.
Todos se entreolharam. Faltava pouco.
Fale com o autor