Tão fora da terra

12 Capítulo 12- Confusão


Notas iniciais
Desculpem o atraso, e boa leitura.

Aioros estava pasmo. O que a deusa do amor fazia ali, conversando com eles?

–Não nego que tenha sido difícil, mas se é só isso que você pode fazer, então a fama dos deuses não é lá muito verdadeira.

–Saga.

–Você é muito presunçoso, mortal! Usei apenas um truque. Mas se continuar com a falta de respeito, talvez eu perca a vontade de ajudar vocês.

Saga se levantou, Concentrava cosmo para preparar um ataque.

–Se eu entendi bem, você que deve estar precisando de ajuda, deusa das putas!

–Humph...

O velho deu outro trago, e soltou uma fumaça arroxeada em cima do cavaleiro de gêmeos. Mais uma vez Saga foi paralisado.

–Saga!!!

–Não se preocupe muito, por enquanto guerreiro. Você é mais racional, ouça o que tenho a dizer.

Aioros pensou que era melhor ficar sem agir impulsivamente. Estava diante de uma deusa, e mesmo que fosse a deusa do amor, ela ainda representava perigo. Se ajoelhou.

–Hum, vi que tem alguém aqui com bom senso. Muito bem, vamos ao que importa.

Saga olhava com os olhos arregalados. Por mais que tentasse, não conseguia mover um músculo. A fumaça roxa dançava em círculos a sua volta. Aioros estava ajoelhado a sua frente, em frente ao velho.

–Ouça o que eu tenho a dizer guerreiro de Atena. Vocês foram enganados. Hefesto pode ser feio, bruto e desagradável, mas se há algo que ele não é, é burro. Ele teve muito tempo para bolar seu plano, e agora está faltando muito pouco para completá-lo. Ele já está encarnado, como o mestre de vocês previu, mas não está por nenhum dos lados que vocês foram procurar. Ele está no santuário.

–No santuário? Como assim, deusa?

–Hefesto achou melhor encarnar dentro dos territórios de Atena, para conhecer o lugar onde a deusa que guardaria o limbinus habitaria, assim ele poderia distraí-la, e a sua guarda por dentro. Seu mestre acertou sim, quanto aos planos de Hefesto. Ele quer se vingar de alguns deuses do Olimpo, mas Atena não o interessa, apenas se quiser atrapalhar seus planos.

–Mas além de Atena, o que mais ele iria querer por lá? Ela ainda nem veio a terra...

–Oras, ele quer o material para fazer suas armas guerreiro.

–Mas não há limbinus no santuário. Mu e o mestre são reparadores de armadura, eles saberiam se houvesse algo tão perigoso por lá, ou nos arredores.

–Mas há uma pessoa ligada ao santuário que sabe onde está guardado esse minério maldito.

–Quem?

–O antigo cavaleiro de libra!

–Mestre ancião? Mas ele está na China...

–Sim. E sabe por que?

–Não,na verdade não consigo imaginar...

–Humph-Afrodite deu outro trago- O ancião guerreiro está vigiando uma torre, onde foram seladas as almas dos espectros do deus Hades.

–O deus dos mortos?

–Do mundo inferior.

–Por que?

–Atena e Hades devem travar mais uma batalha pela terra em breve, em termos de tempo divino, claro.Para vocês deve levar algo em torno de quinze a vinte anos, não sei ao certo. Seu velho capataz está de vigia para soar o alarme. De onde está, ele vigia essa torre. E é lá, escondida pelo cosmo maligno dos servos de Hades, que está guardado o limbinus.

–Mas então...

–Seu mestre e o ancião desconfiam disso, e querem retirar o limbinus de lá.

–Retirar? E guardar aonde?

–Devolver aos deuses. Se eles não quiserem aceitar, o que é muito provável, tentar destruí-lo. O que também é difícil. Mas o que importa é: Hefesto está no santuário, ainda não despertou completamente, mas já começou a forjar armas, treinando o corpo do garoto para sua missão. Ele logo saberá onde achar o limbinus, e aí teremos problemas.

–E como podemos impedir isso?

–Boa pergunta, cavaleiro. Juntem suas forças, e tentem impedir Hefesto de chegar ao limbinus. Caso isso aconteça, então não tentem derrotá-lo, apenas impeçam que ele consiga o sangue necessário para banhar e forjar suas armas.

–Desculpe, deusa, mas como você sabe onde está guardado o limbinus?

–Todos nós sabemos, os olimpianos...caso alguém tenha vontade de quebrar uma promessa antiga como essa, deve ser duramente castigado. O problema é Hera, ela faz de tudo para evitar confusão, se bem que ela mesmo não para de brigar com Zeus...é um paradoxo, cavaleiro. Os imortais são como as suas vidas: não tente entendê-los, apenas viva com eles.

–Então Hefesto será castigado...caso consiga o que está querendo...

–Sim! Mas isso não quer dizer que caso ele não consiga, vocês não terão muita dor de cabeça. Por isso eu vim disposta a ajudá-los. Hefesto os afastou do Santuário, e provavelmente vocês não poderão voltar para lá, pois ele entenderá que isso é por que descobriram seus planos. Não são todos os deuses que possuem guerreiros pessoais, como Atena, Hades e Poseidon. Por isso, irei ajudá-los. Talvez Ares acabe me dando uma ajuda também, mas para isso preciso, digamos, persuadi-lo.

Aioros deu um suspiro. Então aqui começavam suas batalhas verdadeiras, reais ameaças para Atena. Todos deveriam se preparar, para viver e para morrer.

–Por favor, deusa do amor e da paixão, conceda-nos a sua ajuda para impedirmos a vingança de Hefesto.

Afrodite deu outro trago.

–Cavaleiro de Atena, você é humilde, e astucioso. Por isso, quando isso tudo acabar, se acabar bem, pode contar com um favor meu. Preciso ir. Por hora, reúna-se com seus companheiros. Vocês serão desviados do caminho do santuário por causa do cosmo de Hefesto, por isso quando estiverem juntos, os oito, me chamem, e eu darei um jeito de colocá-los no solo de Atena. Uma vez lá, tentem não despertar o cosmo dele. Ele está como se estivesse acordando, pode cair de volta em um sono suave por mais algum tempo...ou acordar, e então...seria desagradável...

–Como poderemos chamá-la, senhora?

–Diga ao guerreiro de peixes que me ofereça uma de suas rosas.

–Apenas isso?

–Isso. Ele tem que apenas me dar uma rosa cor de rosa. Lembre-se bem disso. Uma oferenda a mim, e pelo cosmo dele, eu irei até vocês.

Aioros estava pensando ainda, quando Saga caiu com um baque surdo no chão.

–Saga, você está bem?-Aioros o amparava em seu colo.

–Sim, acho que aquela vadia só me paralisou.

–Saga, cuidado...ela é uma deusa...e se resolve implicar com você?

–Hum? O que está havendo aqui? Quem são vocês?

A mulher e o velho despertaram. Aioros ia tentar se explicar quando Saga desferiu um golpe rápido e os dois dormiram.

–SAGA! O que você fez?

–Como assim Aioros? Coloquei eles pra dormir, foi só uma ilusão.

Aioros olhava para Saga desconfiado. Apesar de ainda estar em seu colo, seu cabelo claro, ele tinha suas dúvidas se o lado negro de Saga não iria despertar a qualquer hora. Mas não era o que parecia, ele estava com aquela expressão de quando se conheceram.

Aquele sorriso bondoso. Aquele olhar acolhedor. Aquele jeito de ser que só ele tinha.

Se olhavam. Por algum tempo, ficaram assim.

–Aioros, já posso me levantar. Melhor irmos avisar os outros. O santuário está vulnerável, não podemos perder um minuto sequer.

–Sim, você está certo. Vamos.

Saíram do casebre. A noite estava fria.

– — — -

–Mu!

Mu estava sonolento. Achou que estava sonhando. Era a voz de Shion.

–Mu! Vamos, desperte!

–Mestre?

Mu se levantou. Olhou em volta. Ninguém. A fogueira estava apenas em brasas. Shaka estava deitado, com as mãos ao lado do corpo. Parecia ressonar tranquilo.

–Mestre Shion, mas como...?

–Mu, eleve seu cosmo. Pouco, mas rápido.

Mu começou a entender. Seu mestre estava chamando através do cosmo. Algo deveria estar acontecendo.

–Mestre, está tudo bem?

–Não. Acabei de receber uma visita, digamos, inesperada. Veio avisar que Hefesto está aqui no santuário, e quer arrancar uma informação que segundo consta, está aqui, nas terras de Atena.

–Visita? Hefesto? Mestre, eu...

–Mu, apenas procure os outros cavaleiros e voltem para cá o mais rápido possível. Se entendi, Aioros e Saga já devem saber a história toda, eles irão explicar tudo com detalhes. Por hora, apenas quero que saiba que sairei do santuário.

–O que mestre? Mas por que?

–Irei para Jamiel! Lá tem algo que devo fazer. Voltarei em breve, mas quero que saiba onde estou. E não conte a ninguém, está entendendo? Ninguém!

–Sim... quanto tempo...

–Talvez uma semana. Protejam o santuário. Conto com você Mu.

O cosmo de Shion foi se afastando. Mu ficou preocupado. O mestre raramente saia do santuário, o que será que havia para fazer em Jamiel?

Resolveu chamar Shaka.

–Shaka! Shaka, acorde!

O virginiano não se mexia.

–Shaka!

Mu estranhou. Shaka não movia um músculo.

Foi se aproximando. Ele continuava respirando devagar. Os cabelos loiros espalhados , o corpo esguio.

–Shaka?

Nem um sinal de despertar. Mu encostou no ombro do cavaleiro. Mexeu. Sua cabeça balançou levemente, mas ele não acordou.

–O que será...?

Pegou na mão de Shaka e tomou um susto. Estava fria. Colocou a mão em seu rosto. Gelado. Deitou a cabeça em seu peito, e se assustou. Suas batidas do coração estavam lentas. Demais.

–Por Atena, Shaka, o que está acontecendo?

Mu estava começando a se desesperar. Shaka não reagia a seu chamado, a seus tapas, seu corpo estava mole, e ele parecia cada vez mais próximo da morte. Elevou seu cosmo e tentou entrar em contato com o cosmo de Shaka, mas sua energia cósmica também estava fraca.

–Meus deuses, o que está havendo?

–A culpa é de Hefesto.

Uma voz de mulher ecoou pela caverna. Mu sentiu seu corpo se arrepiar.

–Quem está aí?

–Aqui nas brasas, cavaleiro.

Mu foi caminhando em direção a fogueira. Desenhado nas brasas, estava fumegando um rosto de mulher, belo, sedutor, quase mortal.

–Quem é...?

–Sem tempo para muitas explicações, cavaleiro. Shaka, em sua meditação, descobriu o verdadeiro paradeiro de Hefesto. Ele ainda não despertou, mas está quase consciente de sua divindade, o suficiente para prender um cavaleiro em outra dimensão, principalmente se ele for arrogante o suficiente para tentar manter um dos doze olimpianos em uma ilusão, sem ele estar em sua forma humana.

–Mas...

–Sim, Shaka tentou colocar Hefesto em uma ilusão em um dos seis mundos das crenças budistas, mas esqueceu que Hefesto é uma divindade grega, e não iria cair tão fácil num plano desses. Agora quem está preso é ele, e se você não ajudá-lo, ele vai morrer.

–E o que posso fazer?

–Encontre-se com o cavaleiro de gêmeos o mais rápido possível. Ele talvez consiga guiá-lo de volta, com a sua ajuda, através de sua psicocinese. Somente vocês dois juntos podem tentar salvá-lo, mas correm o risco de ficarem presos também, caso encontrem com Hefesto. Se isso acontecer, não tentem batalhar. Apenas tentem livrar o cavaleiro de sua ilusão, e ele talvez volte a seu corpo.

–Como poderei encontrar Saga? Ele está longe daqui...

–Use sua telecinese. Eu guiarei vocês até os arredores do santuário. Lá você terá explicações. Mas preciso que você use seu cosmo ao máximo, pois irei transportar mais seis pessoas. Acha que consegue?

–Nunca tentei fazer isso com tanta gente...

–Bom, então será sua primeira vez...e torça para não ser a última. Preciso de todos os cavaleiros vivos para impedir Hefesto de fazer um estrago grande na terra, e no Olimpo.

–Mas quem é você?

–Afrodite. Vamos, não temos muito tempo. Queime seu cosmo.

Mu carregou Shaka. Começou a queimar seu cosmo. Se aproximou da fogueira. Quando sentiu que estava no seu máximo, disse a Afrodite:

–Agora!

Com os olhos fechados, Mu só tinha consciência de duas coisas: estava tudo girando, e suas forças queriam vacilar. Apertou Shaka contra o corpo, respirou fundo e se concentrou. Precisava aguentar. Sentia o cosmo de seus amigos próximos. Saga, Aioros, Shura,Aldebaram,MM,Afrodite...mais um pouco apenas...

–Força cavaleiro! Seu mestre me garantiu que você era capaz- a voz de Afrodite soava em seus ouvidos.

Um pouco mais...um pouco...

Caiu sentado em um campo. Afrodite e MM estavam assustados, Shura e Aldebaram também. Saga e Aioros não pareciam alterados.

–Todos estão bem? Mu, o que houve com você e Shaka?-Saga perguntou.

Antes que Mu respondesse, Afrodite disse em seu cosmo:

–Cavaleiro, você poderia me emprestar seu corpo por alguns instantes? Assim, enquanto direciono seus colegas, você vai se recuperar muito mais rapidamente.

–Sim, sem problema.

Mu tombou em cima de Shaka. Quando Saga se aproximava, Afrodite falou através do corpo de Mu.

–Não se aproxime. Ele está bem, estou ajudando a recuperar seu corpo.

Os olhos de Mu estavam cor de rosa.

–Você de novo?

–Quem mais seria?A maior interessada em que vocês impeçam Hefesto sou eu. Não temos muito tempo, vamos encurtar o assunto.

Afrodite explicou mais uma vez o que acontecia. MM, Afrodite, Shura e Aldebaram estavam perplexos. Então Shaka tentara agir sozinho... quanta presunção...agora para salvá-lo, Mu e Saga teriam que arriscar suas vidas... e depois disso, eles teriam que agir sem acordar Hefesto...

–Que confusão estamos metidos...-Shura exclamou.

–Nosso dever é proteger a terra e Atena, isso vai se resolver...- Aldebaram disse.

–Ou morreremos tentando!- Aioros suspirava.

Afrodite então disse:

–Mu deverá estar recuperado em poucas horas. Descansem também, por pouco que seja. Vou tentar avisar os dois cavaleiros que estão no santuário da situação. Quando Mu acordar, Saga, aplique seu golpe no corpo de Shaka, e sigam vocês dois até onde o corpo dele for. Basta retirá-lo da ilusão que ele está preso. Sem alarde, o cosmo de Hefesto está mantendo ele lá. Quando voltarem, me chamem.

–Uma rosa cor de rosa...-O cavaleiro de peixes estava sério.

–Você entende, não?

–Sim... sim, entendo...

–Bom. Cavaleiros, façam seu melhor.

Mu voltou a tombar. Aioros arrumou o corpo do ariano ao lado do corpo de Shaka. Olhou para os outros. O pisciano se afastou.

–Afrodite, onde vai?

–Preciso ficar sozinho um pouco. Volto logo.

–Mas...-MM ia seguindo o pisciano.

–Me deixe, preciso ficar só!-Afrodite estava um tanto estúpido. Os outros estranharam. Continuou se afastando.

–Mas que diabos está acontecendo aqui?-MM suspirou.

Saga colocou a mão no ombro de MM.

–Deixe-o MM. Ele vai ficar bem, venha, vamos nos deitar e aguardar.

MM olhava de longe. Estava preocupado.

– — — -

No santuário, Camus e Milo se encontraram na frente da sala do mestre.

–Não sinto o cosmo dele. O que aconteceu com o mestre?

Um dos soldados disse:

–O mestre disse que iria até o monte das estrelas novamente, ficaria lá por uma semana. Disse para vocês prosseguirem o combinado de vocês normalmente, e não saírem daqui.

–Só isso?-Perguntou um Milo um tanto desconfiado.

–Apenas isso senhor!

–Bom, vamos a minha casa então, Milo?

–O que tanto você quer me mostrar lá? Por que não conversamos na biblioteca?

–Você vai ver.

Camus saiu caminhando, Milo o seguia logo atrás. Passaram pela casa de Peixes, e chegaram a mansão de Aquário.

Milo encarou a casa. Achou que havia algo diferente, mas não sabia dizer o que era.

–Camus?

O aquariano se afastava lentamente. Sorria. Milo resmungou um palavrão e entrou na casa.

Aparentemente estava tudo normal. Milo olhava para o chão, as colunas, as paredes, nada de mais, tudo sereno. Viu Camus entrar por uma porta.

–Espera, Camus.

Entrou logo atrás. Suas pernas foram congeladas imediatamente.

–Mas o que...?

Elevou seu cosmo. Quando olhou pra cima, viu que havia várias estacas de gelo no teto. Pontiagudas. Ao se soltar, as estacas caíram. Liberou alguns golpes de energia e tentou correr, mas tropeçou em um pedaço de gelo que surgiu no chão, e caiu em um cubo enorme de gelo, que ia cobrindo seu corpo a medida que aumentava. Era o caixão de gelo de Camus.

–Camus! Camus!

O frio era um verdadeiro tormento. O que diabos estava acontecendo?

–Camus!!!!!!!!!!!

Camus surgiu em cima de Milo. Quebrou o gelo com um golpe. O frio começou a se dissipar devagar. Milo tremia, Camus o amparou no chão.

–Mas que diabos...?

Camus sorria.

–O mestre nos deixou o selo de Atena para prepararmos algumas armadilhas, caso algum inimigo entre no Santuário. O que achou? Acha que alguém consegue passar fácil por aqui?

–Não. Isso são variações dos seus golpes?

–Isso. Não se levante ainda. Falta só fazer alguns selos com os seus, e espalhar pelas outras casas.

–Puxa. De matar essa missão, não?

Esqueceram por instantes de todas as diferenças. Sorriram e se encaravam. Milo estava gostando de ficar no colo de Camus, e este, por sua vez, não conseguia parar de encarar o escorpiano. Aqueles olhos azuis sempre o prendiam.

–Hum... acho que posso me levantar já...

–Há sim...

Milo se levantou.

–Está tudo bem?

–Sim, tudo. Vamos, me ensine a fazer esses tais selos, quero te deixar bobo com o que vou armar.

–Hum... certo, mas temos que preparar tudo para deixar nas outras casas.

–Quanto mais cedo formos...

–...mais cedo acabamos.

Trabalharam o dia todo. Era apenas queimar o cosmo, escolher o golpe e aplicá-lo no selo, ele iria conter o golpe, acumulando cosmo, e liberá-lo quando alguém estranho ou com um cosmo ameaçador entrasse nas doze casas. Depois disso,posicionar os selos pelas mansões, de modo que fossem quebrados quando o inimigo pisasse em determinados locais.

No final da tarde, Milo estava exausto, mas Camus parecia super tranquilo.

–Não está cansado?

–Um pouco, mas ainda aguento algum tempo.

Faltavam as casa de Leão para a frente.

–Temos que fazer isso hoje ainda?

–Seria melhor...

–Sinceramente,Camus, acho que não dou conta. Estou cansado, e morrendo de fome.

Camus não iria admitir, mas também estava com fome. Precisava repor suas energias.

–Nossos serviçais não estão por perto hoje. Vamos ter que nós mesmos comprar alguma coisa no vilarejo.

–Não podemos sair daqui. Lembra?

–Pedimos pra algum guarda, então.

Foram até a casa de Áries. Na descida, encontraram alguns vigias, explicaram a situação, e eles prontamente foram atender os dourados. Pediram que aguardassem, que logo voltariam com alguma comida, e mandariam alguém para preparar alguma coisa.

Milo se recostou em uma pilastra. Cochilava. Camus o observava enquanto esperavam. Parecia tão inocente, os cabelos loiros espalhados ao redor do corpo, o peito se movendo devagar.

Um dos guardas quebrou a atenção de Camus:

–Senhor, com licença.

–Sim?

–Encontrei um garoto que diz conhecê-lo, traz alguns mantimentos.

Um rapazinho, de no máximo sete anos vinha carregando uma sacola de papel nas mãos. Tinha pão e queijo por cima, mas a sacola estava cheia, e o garoto parecia se esforçar muito pra carregar aquele peso todo.

–Liko!

O garoto sorriu.

–Senhor Camus.

Camus foi em direção ao garoto,e pegou a sacola. O menino pôs as mãos nos joelhos, soltou um suspiro e olhou para cima.

–Obrigado senhor!

–Já disse pra parar de me chamar assim.

O garotinho ficou vermelho. Sorriu.

–Desculpa... é costume...

Camus sorriu. Liko era um garotinho que trouxe frutas frescas e água para Camus, num dia que ele voltava de uma missão por perto do Santuário, havia ido pegar alguns bandidos, e estava comendo alguns frutos de perto de um riacho, quando o garotinho disse que não fizesse aquilo, pois eles eram venenosos. Voltou logo depois com água numa botija, e algumas frutas que Camus comeu com vontade.

–Qual seu nome, criança?

–Liko.

–O que faz sozinho por aqui?

–Vim buscar água pro meu vô.

–Mora com seu avô?

–É.

–E seus pais?

–Não sei do meu pai, mas minha mãe é costureira, fica na cidade, vem pra casa só uma vez na semana para trazer dinheiro e comida. E eu fico com meu vô, e vendo as coisas que ele faz.

–E o que ele faz?

–Esculturas de madeira e de barro.

–E elas são grandes?

–Algumas são.

–E você as carrega sozinho?

–Vovô tem uma carroça, eu ajudo a por lá, e entrego quando alguém quer comprar.

Camus sentiu algo de diferente no menino. Não sabia explicar, mas era estranho... um misto de inquietude, mas uma certa empatia.

–Posso ver alguma das coisas que seu avô faz?

O menino deu um grande sorriso.

–Claro que sim!!!

Camus seguiu o menino até um casebre, pouca coisa afastado da vila. Um lugar simples. Ao entrar, viu que havia apenas uma mesa em uma sala pequena, com três banquinhos, um quarto e um banheiro minúsculo. No fundo, havia um espaço semelhante a sala, cheio de obras de madeira.

Do teto ao chão, haviam esculturas de pessoas, animais, vasos, botijas, pratos, enfeites, espadas, escudos... tudo em madeira, e barro. Camus ficou impressionado com a riqueza de detalhes. Era tudo de uma delicadeza sem igual.

–Vô, temos visita.

Um ancião veio caminhando devagar por trás de uma porta. As mãos estavam sujas de barro. Limpou elas de modo grosso em um avental sujo que usava.

–Boa tarde, moço.

–Boa tarde.

–A que devo a honra?

–Seu neto me ajudou agora a pouco, e quis conhecer sua família. Ele me falou bastante do senhor, e do seu trabalho, mas agora que vi pessoalmente, estou espantado. É tudo muito bonito.

O velho sorriu sem graça.

–Que bom que gostou, moço. A maioria de tudo isso é obra desse rapazinho aqui.

–O que? Como assim?

–Ele que desenha a maior parte das coisas, eu passo pro barro ou pra madeira inspirado nos desenhos dele. O moço precisa ver, tem cada coisa...a pena que eu não sei fazer mais, tem umas coisas que eu acho meio estranhas... mas ele é muito talentoso.

O menino sorria tímido por trás das pernas do avô. Camus não pode deixar de sentir uma simpatia enorme por aqueles dois.

–Bom, eu gostaria de levar algumas peças, mas no momento eu estou sem dinheiro. Eu vou voltar depois.

–Bom, se o moço tem essa intenção, pode levar agora, e volta depois pra pagar.

–Mas isso não vai atrapalhar? E se alguém quiser comprar o que eu for levar antes de eu voltar?

–O moço parece boa gente. Meu neto nem teria falado com o moço se não fosse gente de bem. Pode escolher, quando voltar o moço paga. Só peço que o moço fale de mim por onde mora, to precisando de cliente.

Camus sorriu. Deu uma olhada em volta. Escolheu dois jarros, um escudo de madeira, e uma caixinha com alguns detalhes em relevo.

–Só isso moço?

–Por enquanto. Isso basta pra deixar o meus, vizinhos, por assim dizer, curiosos.

–Então tá bom.

Camus passou a visitar os dois com certa frequência. Levava sempre algum dinheiro, incentivava o trabalho do velho, e conversava com o menino. Dava dicas nos desenhos deles,e encomendava muita coisa, dizendo que era de outras pessoas, apenas para ajudá-los. Guardava a maior parte na mansão, mas enviava as outras coisas pelo vilarejo, com a ideia de que os moradores gostassem das peças, e houvesse uma procura maior pelas obras do ancião. Foi assim que se conheceram.

–E o seu avô? Está bem?

–Está sim. Eu colhi algumas coisas na nossa horta, e pedi pro vô me deixar trazer de presente.

–E essa comida toda?

–Quando eu tava chegando, ouvi um guarda dizer que ia pegar comida pro senhor...

–Liko...

–...pra você! Aí lembrei que tinha umas coisas pra comprar, e como queria te ver disse pra ele que trazia, e fazia sua comida.

Milo olhou para o garotinho conversando com Camus. Ele parecia inocente, com olhos azuis grandes, o cabelo preto bagunçado, um rosto tímido. Quando o garotinho o encarou, abaixou a cabeça.

–Oi.

Liko não respondeu.

–Liko, esse é meu amigo, o nome dele é Milo.

–É seu amigo?

–É sim.

–Ele é bom?

–Bom? Sim, ele é uma pessoa boa sim.

Liko levantou timidamente o olhar. Milo sorriu.

–Tudo bem rapazinho? Prazer.

Liko corou, estendeu a mão, e Milo a sacudiu gentilmente. O menino sorriu.

–O Camus gosta de você!

–Liko!!!

–O Camus gosta de você. Ele só ia me deixar falar com você, se você fosse bom, e ele gostasse de você.

Milo sorriu.

–Eu gosto do Camus também. E gostei de você, você é muito simpático.

–Obrigado!

Camus sorriu.

–Bom, então quer dizer que o senhor Liko aqui, além de trazer comida, é quem vai cozinhar pra mim hoje?

–Sim senhor.

Camus o olhou com um olhar gélido.

–Sim, Camus...

–Melhor assim.

–Camus, que coisa feia.-Milo disse.

–O que?

–Deixar um garotinho cozinhar pra gente?

–Eu quero fazer isso, seu Milo, eu quero.

–Milo, deixe o Liko. Ele cozinha pra ele e pro avô, e a comida dele é muito gostosa. E qualquer coisa nós o ajudamos, certo?

Liko sorria.

–Isso mesmo!

–Vamos, vamos subir.

Camus, Milo e Liko subiram para a casa de Aquário. Usaram um caminho paralelo, que só os serviçais utilizavam, para não deixar o garoto assustado com as doze casas. Liko e Camus não paravam de tagarelar, e Milo ia atrás, observando os dois. Como Camus, tão fechado, tão ranzinza, podia ser tão gentil e paciente com uma criança? Milo pensava que queria conhecer mais o aquariano, mas decididamente esse não dava espaço. Era uma pena.

Chegaram a casa de escorpião. Milo falou:

–Vou ficar por aqui um pouco, vou me lavar e já encontro vocês.

–Tudo bem, Milo.

Camus seguiu caminho com o garoto. Milo ficou em sua casa.

Notas finais
O cap hoje foi mais explicativo, tá mais compridinho, mas já adianta muita coisa. No próximo, o que acontecerá? Lágrimas? Tesão? Morte? Tudo isso e mais um pouco? rs Aguardando vocês fãs maravilhosos. Bjos