Tão Simples como Amar

7 Um pouco de realidade.


Algumas semanas depois...

Julia corria na praia como de costume, mantinha-se completamente absorta em seus pensamentos...Semanas se passaram e estavam cada vez mais próximas, viam-se praticamente todos os dias, e quando não se encontravam passavam um tempo generoso no telefone pouco antes de irem dormir. Saiam para conversar quase sempre...As vezes somente as duas, ou então com Mari e Augusto. Os quatro vinham se encontrando frequentemente, e Augusto e Mari ainda mantinham-se somente na amizade...Uma bela e forte amizade. Julia estava estranhando esse comportamento em Mari, estava claro que mantinha um interesse pelo rapaz, e até então não tinha tomado nenhuma iniciativa, coisa que não lhe era comum...
— Talvez ela esteja apaixonada... — disse para si mesma uns dias atras.

Apaixonada...Quem realmente estava apaixonada era Julia. Por mais que negasse a Mari, a ponto de chegarem a discutir por isso, sabia que estava numa situação “complicada”. Afinal de contas, ela namorava e pelo o que se ouvia o relacionamento dos dois estava muito bem “ Também, quase cinco anos de namoro! Um casamento praticamente” pensava Julia...”É melhor eu parar de pensar nisso, senão num vai dar muito certo.”

Passava pelo lugar em que vira Lilian pela primeira vez, ali passou a se tornar um lugar especial, fazia questão de passar por ali sempre que pode, olhou para o prédio de Lilian e sorriu, parou um pouco ali e decidiu alongar...Pouco tempo depois, avistou mais a frente um perfil conhecido. Apurou a visão somente para confirmar, esqueceu o alongamento e foi em direção a amiga. Amiga...Não era exatamente assim que gostaria de chamar Lilian, mas se contentava com aquilo. Se aproximou sorrateiramente e disse:
— Ora, ora...O que temos aqui. — se abaixou olhando nos olhos de Lilian — E ainda não tá chorando dessa vez. Ainda bem, odeio ver os outros chorar.
— Só queria te ver. — e lançou um sorriso doce a Julia.

Toda vez que Lilian fazia algum comentário assim, Julia sentia-se nas nuvens...Sentou ao lado da mulher mais nova e sorriu. O sol estava começando a nascer deixando o ambiente ainda mais agradável. Fitaram-se por alguns minutos e Julia perguntou:
— Mas, vamos nos ver essa noite, não vamos?
— Claro...Mas sei lá, me deu vontade de te ver, eu tava acordada e lembrei que você passa aqui todo dia. — “Não pergunta mais nada, quando eu tô do seu lado evito pensar.”
— Huum...Vai fazer o que de útil hoje?
— Trabalho, trabalho e trabalho...Depois vô sair com uma amiga, pra variar um pouco, sabe?
— Aaah entendo, entendo. Espero que você se divirta, né.
— Muito difícil...Ela é muito séria, sabe? — disse fingindo seriedade.
— É?
— É...Vou mais por caridade mesmo, ela parece ser muito só. — continuou na sua brincadeira.
— Huum... — arqueando uma sobrancelha.
— Mas é uma boa pessoa.
— Seei, sei. — fingindo desgosto.

Lilian gargalhou e abraçou Julia fortemente, adorava perturbar Julia com esses tipos de brincadeira. No começo, Julia odiava, mas um tempo depois passou a se divertir com a situação:
— Brincadeira Julia, brincadeira...

Julia sorriu e acariciou o braço de Lilian, após se separarem Julia deu uma olhadela no relógio e viu o adianto da hora...
— É melhor eu me apressar, senão vo ficar segurando você aqui e quem vai se atrasar depois pra ir trabalhar é você.
— Fica tranquila...Toma café comigo?
— Certeza que não te atrasa?
— Absoluta...Por favor. — e fez aquela carinha de decepção
— Ok, ok...Vamos.

Julia levantou agilmente e Lilian continuou a olha-la com aquela carinha. Julia logo entendeu o recado e estendeu as mãos para Lilian, que as pegou com um largo sorriso. Tiraram um pouco de areia do corpo e seguiram para o apartamento de Lilian numa conversa animada.

— Bom dia Lili... — Augusto todo sonolento.
— Bom dia Guh. — respondeu simpática.
— Bom dia...Julia? — sentando a mesa meio confuso.
— Oi Augusto! Vim me agregar no café de vocês, se importa?
— Não, não...Desculpa a cara amassada. — pediu meio envergonhado.
— Tudo bem, tudo bem...Quem ia adorar ver essa cara amassada seria a Mari. — brincou.

Augusto corou de imediato e sorriu tentando disfarçar...
— Eu não sei porque eles ficam nesse chove não molha...Maior dificuldade.
— Somos amigos...Só.
— Tá tentando convencer quem, maninho? — perguntou Lilian.
— É sério gente.
— Tá bom, tá bom... — concordou Julia rindo. — Quando ela arrumar um namorado bonitão você vai ver a amizade fluir.
— Por que, ela te falou de alguém? — perguntou rapidamente.

Julia nem respondeu, olhou para Lilian tentando conter o riso...Coisa que Lilian não fez, passou a gargalhar fazendo o irmão mais novo corar:
— Como vocês são engraçadas...Se merecem as duas. — disse irritado.

Mari e Julia conversavam distraidamente na casa da morena. Mari estava deitada no sofá zapeando os canais e Julia usava seu note book no outro sofá. A loirinha olhou para a amiga e comentou...
— Espero que você não esteja trabalhando, né?
— Não, tô procurando algo interessante pela internet.
— Julia Almeida procurando uma distração na internet?! Ouvi bem?
— Como é idiota...Meu Deus. — bufou jogando uma almofada em Mari.
— Sério Julia! — pegou a almofada rindo — Você odeia essas coisas.
— Não é odiar, só não sou nenhuma viciada igual a você.

Mari deu uma risada sarcástica enquanto Julia sorria cinicamente:
— Ah! Encontrei com a Lilian hoje de manhã.
— Ué, cê num ia encontrar com ela hoje a noite?
— Vou...Mas aí eu encontrei com ela na praia.
— O que ela tava fazendo na praia?
— Me esperando. — respondeu tentando conter o sorriso.
— Mas...
— Ela disse que tava com vontade de me ver! E chega desse interrogatório.
— Julia...Você já penso na possibilidade de...
— De?
— Dela tá afim de ti.
— Essa possibilidade não existe. — disse fria.
— Você tem certeza?
— Tenho Lilian, tenho! A menina namora a cinco anos... — já irritada.
— Mas isso não quer dizer nada...
— Quer dizer que tá na hora de mudar de assunto. — manteve o tom frio.
— Julia, isso é só uma possibilidade, que por sinal você devia considerar.
— Não sou considerar, não existe possibilidade nenhuma.
— Julia você não sabe.
— PORRA MARI PARA! Você com essa sua mania de ver coisas que não existem.
— Coisas que não existem? O que eu vejo que não existe? Que você é apaixonada por ela...Tá querendo enganar quem, Julia Almeida? — Mari perdeu a calma também.
— Tá, sou apaixonada por ela sim, e daí? — Julia aumentou um pouco o tom de voz.

Mari suspirou e olhou para a amiga com as duas sobrancelhas arqueadas numa expressão de surpresa e...Pena.
— Esquece. — e se afundou no sofá.

Julia volta sua atenção ao note book e Mari a televisão...Ficaram assim por um bom tempo, Julia já estava irritada com aquilo, era sempre assim Mari ficava no mais absoluto e irritante silêncio...
— Será que dá pra você manter num canal só, ou tá difícil?
— Porra, você num tá procurando algo de interessante ai? Eu tô procurando aqui.
— Só que irrita, você com essa mudança de canal infernal.
— É só você manter a atenção no note book que fica tudo certo. — Mari ainda estava claramente irritada.
Um tempo depois....
— Olha, desculpa ok? Fui uma idiota, desculpa mesmo. — admitiu num misto de irritação e arrependimento.
— Tudo bem...

Julia deixou o note book em cima do sofá e foi até a amiga, deu um beijo estalado em Mari:
— Desculpa mesmo...Você sabe que eu sou esse poço de delicadeza sempre.
— É que eu não tô acostumada com ele, sabe como é...
— Desculpa.
— Bom, pelo menos assim você assumiu que gostava dela, né.

Julia deu um suspiro triste e sentou no sofá colocando as pernas de Mari em cima de suas coxas:
— Pois é...Demais. Tô ferrada.
— Julia, sabe o que eu acho? Acho que você devia sair...E fazer o que a gente tinha programado aquela vez, lembra? Você encontrar uma mulher e...Sabe como é, tentar esquecer isso.
— Não vai me adiantar muita coisa, você sabe...
— Julia, você só tem convivido com ela também, isso também num adianta em nada...
— Tá, tá...Eu vou pensar, ok?
— Se precisar de companhia, estou aqui. — e sorriu docemente.
— Brigadão Mah...Te amo.

Lilian tinha acabado de se arrumar. Estava estonteante, iria com Julia a uma boate naquela noite, então tratou de caprichar. Passou uma maquiagem e quando ia dar arrumada nos cabelos ouviu a campainha tocar, sorriu ao ver a pontualidade de Julia, completamente o oposto de Lilian... Foi até a porta e abriu sorridente:
— Quanto tempo! — brincou Julia toda sorridente.
— Adoro essa sua pontualidade.
— E eu adorei a forma como você se vestiu, você tá linda Lilian. — e depois arregalou os olhos em surpresa pelo próprio comentário.

Lilian sorriu meio envergonhada e abaixou a cabeça. Olhou para Julia e viu que também estava maravilhosa, deu passagem para a amiga...
— E você tá maravilhosa. — comentou enquanto Julia passava.

Julia foi até a sala e logo atras vinha Lilian...
— Deixa eu só dar uma ultima arrumadinha no cabelo, é coisa rápida.
— Cadê o Guh? — perguntou curiosa.
— Foi trabalhar hoje. Senta aí, já volto.
— Sem pressa.
— Quer tomar algo? Uma cervejinha...Sei lá.
— Não, vou dirigir.
— Ué, se você quiser beber não tem problema, eu dirijo. Não tô afim de beber hoje mesmo.
— Ai eu quero...Uma cerveja, pode ser?

Lilian foi até a cozinha em passos largos e segundos depois voltou com a latinha e um copo. Entregou a morena que agradeceu, pouco antes de voltar pro quarto, Lilian disse:
— Se quiser pegar mais, pode ir lá na geladeira e pegar, ok?
— Iiih, pelo jeito vai demorar, né? — perguntou enquanto se servia.
— Um pouquinho. — admitiu meio sem graça.
— Tudo bem, sem pressa. — e sorriu docemente.
— Já volto. — e ligou a televisão. — Pode mudar se quiser.

Lilian seguiu para o quarto enquanto Julia se distraia com a televisão...Passado um tempo, Julia já estava prestes a terminar sua cerveja quando ouve o som da campainha...Levantou enquanto Lilian vinha correndo de seu quarto:
— Tô pronta... — disse olhando para Julia rapidamente e em seguida voltando sua atenção a porta. — Deve ser algum vizinho, o porteiro não avisou nada.

Lilian abriu a porta com um largo sorriso que se desfez aos poucos, olhou meio confusa para o rapaz que lhe sorria todo feliz a sua frente:
— André...

Julia ao ouvir aquele nome sentiu o coração gelar. Nunca tinha encontrado com o rapaz e, sinceramente, nem queria. Sabia que Lilian não esperava o rapaz ali, só pela forma como o recebeu já deixava bem claro...
— Oi meu amor! Que saudade...

Lilian deu passagem para o rapaz, meio sem graça, que ainda lhe sorria. André abraçou Lilian e lhe deu um beijo deveras quente e saudoso. Lilian até pensou em se afastar, mas seria desagradável para André se fizesse aquilo. Terminado o beijo, os dois se afastaram e só assim André percebeu que tinha mais alguém na sala...
— Oi! Nossa, desculpa...Que gafe a minha. — se aproximou de Julia, que tinha um olhar indecifrável. — André, prazer.
— Meu...
— Namorado da Lilian. — acrescentou sorridente.
— Julia Almeida. — tentando manter um tom suave, mas não deu muito certo.

André estendeu a mão a Julia que a apertou firmemente. André voltou sua atenção a Lilian e perguntou:
— Essa é a Julia que você tanto fala, amor?
— É...
— Nossa Lili, só agora que eu percebi...Meu amor, você tá linda. — disse admirado.
— André, você não avisou que viria. — disse num fio de voz.
— Eu quis fazer uma surpresa, amor. — justificou meio sem entender o porque da reação da namorada — Por que? Vocês vão sair?
— Bom...