Tão Simples como Amar
8 e tentar fugir dela....
— Nós íamos. Mas como eu sei que vocês se encontram muito pouco, eu vou deixar o casal a sós. — interrompeu Julia num tom totalmente frio.
— Gostei de você. — comentou André sorrindo.
— Lilian... Bom, eu vou indo.
— Não Julia eu...
— Tudo bem, eu entendo. Sei que vocês se veem pouco, aproveitem o momento de vocês aí.
— Mas...
— Boa noite pra vocês. — disse Julia e tentou sorrir.
Julia se despediu de André formalmente, e de Lilian com um beijo rápido e frio na bochecha da mulher mais jovem. Foi até a mesa, pegou as chaves do carro enquanto Lilian abria a porta, Julia passou sem nem olhar na cara de Lilian, mas foi impedida de seguir pelo corredor, pois Lilian lhe segurava o braço:
— Me desculpa. — pediu baixinho.
Julia deu meio sorriso e disse:
— Que é isso, nem me importo...Seu namorado, tem mesmo que aproveitar.
— Me desculpa mesmo.
— Não se preocupe comigo...Vou ligar pra Mari agora, e ver se ela tá afim de sair. Agora deixa eu ir lá. Tchau, tchau Lilian.
— Tchau.
Julia foi até o elevador e por sorte ele não demorou muito. Lilian esperou Julia entrar no elevador em silêncio, pouco antes de Julia entrar, acenou para Lilian e entrou. Lilian fechou a porta e logo foi atras do namorado, deu um beijo no rapaz que logo que se afastaram perguntou:
— Então essa é a tããão famosa Julia?
— É Dé.
— Huum... — sentando no sofá — Ela parece que não gostou muito de mim, não.
— Por que cê acha isso?
— Ela foi muito fria. Não gostei disso não. Me admira você gostar tanto de uma pessoa assim, tão fria.
— É o jeito dela, Dé. E ela não é fria, ela simplesmente...
— Julia Almeida. — imitando o jeito de Julia. — Amor, se isso não é ser é o que?
— André, é a forma dela tratar as pessoas que ela não tem intimidade.
André imitou novamente o modo como Julia o cumprimentara, achando graça. Lilian, completamente incomodada com a situação, pediu:
— André, para.
— Tá bom amor, parei, parei.
Julia dirigia apertando o volante fortemente, tentava controlar a raiva que sentia e a vontade de chorar. Sentiu uma flecha lhe acertar o peito quando vira André beijar Lilian daquela forma...”Quem ele pensa que é? Quem ele pensa que é?”
— Quem ele pensa que é? — disse entre dentes tentando conter a raiva.
Deu um soco no volante e pegou o celular “ Mari...”. Naquela mera distração, por um pouco bateu o carro...Após xingar o motorista freneticamente disse para si mesma:
— Agora não é o melhor momento pra bater carro, Julia.
Ligou para a amiga que após um longo tempo atendeu...
— Fala Julia...
— Vai fazer o que agora?
— Ver filme até o sono me vencer.
— Nada disso, vai sair comigo agora.
— Vou pra onde?
— Resolvi seguir seu conselho.
— Ué, cê num ia sair com ela...Que que aconteceu?
— Nada excepcional, e aí, vai sair comigo ou não?
— Não até você me dizer o que tá acontecendo.
— Mari, o negocio é o seguinte, vem ou não.
— Não posso te ajudar sem saber o que aconteceu.
— Vai me ajudar se vier!
— Olha Julia, vai pra casa, tomar um ducha...Ou então vem pra cá, vamo conversar...
— Tchau Mari. — e desligou.
Julia jogou o celular no banco do carona e continuou a dirigir. Minutos depois estacionava o carro numa ruazinha sem movimento algum, próxima a praia. Sentou num dos bancos vagos que tinha, e ficou por ali um tempo indeterminado...Tentava manter a calma e colocar os pensamentos em ordem. Controlava a vontade de voltar lá meter um murro no rapaz, que agarrou Lilian daquela forma tão intima...Respirou fundo e disse para si mesma:
— Devia ter se preparado pra isso, uma hora ou outra ia acontecer. Burra.
Lilian estava sentada no sofá e não conseguia prestar a minima atenção no filme. Roía as unhas olhando fixamente para o aparelho televisor sem o minimo interesse, a vontade que tinha era de pegar o telefone e ligar a Julia para, pelo menos, ouvir sua voz e ficar mais tranquila. Não contava com a visita do namorado aquela noite, não contava que os dois fossem se conhecer. Em seu íntimo, não queria que os dois se conhecessem...Explicação? Não tinha uma exata, somente não queria juntar o seu mais recente porto-seguro com seu namorado...Egoismo? Não necessariamente...
A vontade que tinha era de sair e passar a noite com Julia, mas sabia que a morena tinha razão...Ultimamente vinha encontrando mais Julia do que André, sabia que o namorado precisava de um pouco de atenção. Foi surpreendida pelo rapaz que a beijava no pescoço ardentemente, ela recuou meio que por instinto e o rapaz a olhou confusa...
— Amor, você ainda tá brava por eu ter dito aquilo da sua amiga?
Lilian olhou para o rapaz meio confusa. Tinha até se esquecido desse episódio e na hora que abriu a boca para responder André se adiantou:
— Desculpa meu amor, desculpa. — e beijou a namorada docente.
Julia levantou do banco decida...Iria se divertir aquela noite. Olhou no relógio e viu que tinha passado um bom tempo ali, foi até o carro e deu uma olhada no retrovisor...Maquiagem em ordem e tudo mais. Nem parecia a mesma Julia emburrada de minutos atras, sabia muito bem como disfarçar as emoções. Deu partida no carro e saiu...
Algum tempo depois, Julia caminhava com extrema dificuldade em direção ao bar...Conseguiu atravessar a pista e logo pediu uma bebida. Observava o movimento enquanto degustava sua bebida. Logo avistou uma garota, dos cabelos longos e claros...Chamava a atenção de todas ali, dançando sensualmente...A garota fisicamente, lembrava muito a uma pessoa que nos últimos dias não tem saído dos pensamentos de Julia, mas a morena não deu atenção a esse pequeno fato, continuou a observar a garota dançar sem disfarçar . A musica acabou, e a garota resolveu para um pouco...Foi até o bar suando consideravelmente e logo pediu uma bebida. Julia aproveitou para poder observar mais a garota...Sorriu maliciosamente e caminhou em direção a garota:
— Oi.
A garota se virou num ar superior, e ao dar-se da cara com Julia, abriu um sorriso...
— Finalmente alguém interessante por aqui. — disse de uma forma maliciosa.
Julia sorriu e se aproximou da desconhecida...
— Seu nome?
— Vivian.
O sorriso de Julia foi sumindo aos poucos...Olhou para a garota com uma certa surpresa mas logo se recompos “Cassete...Vivian, Lilian...Legal Julia, legal.” pensava Julia. Estendeu a mão a garota e se apresentou:
— Julia.
— Prazer Julia. — e cumprimentou a morena.
Ficaram por ali conversando discretamente, e os olhares nada inocentes eram trocados o tempo inteiro. Julia fazendo sempre questão de falar bem próxima a garota, toca-la...E esta por sinal estava adorando...
Poucas horas depois as duas trocavam um beijo quente num canto da pista, sem pudor nenhum, algo totalmente carnal...As mãos de Julia passeavam pelas costas de Vivian apressadamente. Após separarem-se Vivian falou de uma forma sensual:
— Na minha casa ou na sua? — e mordeu o lábio inferior de Julia sensualmente.
— Na sua... — respondeu baixinho e logo puxou Vivian para outro beijo.
No dia seguinte...
Julia chega em casa deveras cansada. Largou a bolsa em cima da mesa e se jogou no sofá, recaptulou os episódios da noite e chegou a uma única conclusão:
— Eu tô perdida. — disse para si mesma.
Após trocar uns beijos quentes com Vivian foi até o apartamento da garota, fisicamente falando, claro...Já que seus pensamentos estavam em outro local, em uma outra jovem dos cabelos claros. A garota era muito bonita, de fato...Sabia muito bem como usar seu charme, mas Julia não se sentiu bem naquela situação, nunca fora de procurar uma mulher para tentar de pensar em outra, nunca fora disso. Cobriu o rosto com as mãos e logo levantou, não ficou ali por muito tempo, levantou pois logo Edna estaria lá e com certeza não deixaria Julia dormir. Levantou e correu para o quarto, nem se deu ao trabalho de trocar de roupa, tirou os sapatos e deitou na cama...
Lilian acordou cedo naquele sábado, estava meio angustiada, não dormira muito bem naquela noite...Sentiu uma sensação estranha o tempo todo a atormentando. Assim que abriu os olhos seu primeiro pensamento fora Julia, saiu da cama evitando fazer barulho para não acordar o namorado, vestiu-se e foi para sala...Olhava para o telefone na esperança do mesmo tocar. Olhou no relógio e viu que estava cedo demais, mas naquele horário, Julia certamente já estaria acordada. Pegou o telefone e discou o numero do celular de Julia...Chamou por diversas vezes e caiu na caixa postal. Estranhou totalmente aquilo, até lembrar que Julia provavelmente teria chamado Mari pra sair e com certeza ainda estavam dormindo...Resolveu fazer café, pois logo o namorado acordaria...
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