Só Que Não

20 O Baile Funk - Part. 2


Notas iniciais
Hey, galera! ~leva pedrada~ Eu sei! Demorei 6 séculos! Desculpa! Já tá virando rotina eu demorar, né?! Muitas coisas na cabeça, graças que estou de férias e estou tendo realmente muito tempo de sobra. Sobre o capítulo... tá... legal. Hoje não vai ter o romance Leandro/Branca, mas vocês irão conhecer um pouquinho da vida da Kioko!!!!!!!!!!! Ok, muito obrigada pelos comentários do capítulo anterior! Fico contente que mesmo com minha demora vocês continuem comigo! Vocês sabem que eu os amo, né? Sem mais enrolação, vamos ao capítulo! Boa Leitura.

Cambaleei um pouco no lugar que eu estava e caí sentada numa cadeira. Era como se eu fosse desmaiar. Minha visão estava embaçada, mas eu conseguia enxergar tão claramente aquela cena lastimável. Kioko virou-se para mim e ouvi sua voz ao longe gritar:

– Branca!

Minha cabeça rodava. Eu estava tão confusa. Kioko estava com os olhos arregalados. Ela agarrou meus ombros, me chacoalhando.

– Branca! Fala comigo!

Meus olhos focaram nela e consegui enxergar seu rosto. Ela estava em pânico.

– Preciso sair d-daqui. – gaguejei.

Ela pegou minha mão e me levantou, passando pelas pessoas e me conduzindo rapidamente para a saída. A música ecoava ao longe, bem longe. Meus olhos estavam embaçados pelas lágrimas. Um buraco fundo havia sido aberto no meu peito.

Quem era aquele Leandro?

Comecei a soluçar e a tremer, as lágrimas caindo sem parar. Minha cabeça doía e tudo continuava a rodar. Fechei os olhos, ainda chorando, e deixei Kioko me guiar. Ouvi um barulho de porta sendo aberta e abri os olhos. Eu estava no meu quarto.

Ela fechou a porta e corria e andava ao mesmo tempo.

– Que aconteceu? – perguntou ela ajoelhada a minha frente.

Balancei a cabeça em negativo e deitei na minha cama, ainda chorando.

Kioko arrancou meus saltos e deitou-se do meu lado. Ficamos em silêncio por um tempo e tudo o que se ouvia eram meus soluços.

– Não se deve chorar por garotos. – disse Kioko por fim, encarando o teto.

Dei uma risada tremida e murmurei:

– Pra você é fácil falar. Você nem sabe por que eu estou chorando.

– Ah, sei sim, todas as vezes que eu vi você chorar era por causa dele.

Enxuguei minha bochecha e olhei para ela.

– Você não sabe de nada, Kioko. Você não sabe como é horrível ver a pessoa que você ama beijar outra pessoa. Você não sabe. Você não sabe como dói. Você não sabe nada de nada. Não sabe.

– Eu, porém, sei mais do que você sabe. – Abri a boca para interrompê-la, mas ela ergueu o dedo. – Sim, eu já gostei de um garoto. Ele nem sabia quem eu era. Não sabia do meu nome. Não sabia da minha existência. Mas eu não mudei por causa dele. Não, não mudei. Não tentei chamar sua atenção das piores maneiras. Não dancei nua no palco da escola, não arranjei brigas, não fiz strip-tease. Eu queria que ele me notasse do jeito que eu era. Não queria que ele pensasse que eu era uma farsa. E quer saber? Eu não me arrependo. Eu já chorei muitas vezes por causa dele. Mas nunca enfraqueci. Claro, sempre doeu quando eu o via com outras garotas. Mas ele sempre foi o meu oposto. Nunca ligou de verdade. Sempre o primeiro a zombar de mim. Por isso, perdi a esperança. Nunca mais chorei por garoto algum, eu jurei. Mas, como você pode notar, não me tornei amarga. Não afasto os garotos de mim. Não sou um monstro com eles. O garoto que eu gostei já ficou no passado. Por isso, Branca – ela se virou para me olhar – não chore mais.

– E-eu não consigo... – sussurrei baixinho.

Kioko respirou fundo e acariciou os meus cabelos.

– Sa-sabe, nem se-sempre eu chorei p-por garotos. Em ge-geral, eu os fazia chorar.

Kioko deu risada.

Contamos várias histórias engraçadas sobre nós mesmas. Eu até esqueci o Leandro por um momento.

Decidi que não choraria mais por ele.

...

Acordei bem cedo, eram 4 da manhã. Sorri. Leandro não me afetaria mais.

Eu estava de bom-humor.

Peguei meu celular da bancada, meus fones de ouvido e pus uma música para tocar, enquanto não dava a hora de me arrumar.

A hora passou e eu continuava de bom-humor, e já que estava na hora de me arrumar, tratei de fazer isso. Meu banho não demorou muito, e quando saí do banheiro, já arrumada – o cabelo num coque apertado e os lábios num tom vermelho-vivo –, as meninas já estavam de pé. Lancei um sorriso cheio de dentes para Kioko e ela balançou a cabeça, sussurrando “é assim que se faz” e sorrindo, tendo seus olhos reduzidos a fendas.

Quando Larissa e Kioko terminaram de se arrumar, fomos tomar um bom café-da-manhã na cantina ali perto, já que estava meio cedo. Eu continuava escutando música.

Pode falar que eu não ligo
Agora, amigo
Eu tô em outra
Eu tô ficando velha
Eu tô ficando louca.

A música meio que combinava com meu estado de espírito. Eu continuava a sorrir. O dia estava chuvoso, mas não importava.

Pode avisar que eu não vou,
Oh Oh Oh
Eu tô na estrada,
Eu nunca sei da hora
Eu nunca sei de nada.

Eu vi Leandro brincando e beijando Clara, como se eles fossem namorados. Talvez até fossem. Meu sorriso vacilou um pouco, mas não desapareceu. Ele não iria me afetar. Desviei meu olhar e tomei meu suco.

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como um dom,
Em cada canto eu vejo o lado bom.

Mordi o lábio superior ao sentir um olhar pairando sobre mim, um olhar que eu tinha certeza ser dele. Mas sorri. Ele não importava mais. Eu estava ignorando tudo, eu estava decidindo ser feliz, ele não precisava estar incluído nessa conta.

Pode falar que eu nem ligo,
Agora eu sigo
O meu nariz.
Respiro fundo e canto
Mesmo que um tanto rouca.

Mordi o pão e observei Larissa e Kioko, que conversavam animadamente. Larissa, que estava feliz da vida com seu novo namorado. Kioko, que não se importava de ter ou não um namorado, porque ela esperava aquele garoto, não importando o que dissesse. Sorri.

Pode falar, não me importa
O que tenho de torta
Eu tenho de feliz;
Eu vou cambaleando
De perna bamba e solta.

Descemos do banquinho e pagamos a senhora gentil da cantina. Eu continuava sorrindo. Sorrindo como se nada ao meu redor estivesse acontecendo. Alheia a tudo.

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho.
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.

Depois de sairmos da cantina, nos encaminhamos para o local onde ficavam os armários. Pegamos o nosso material e nos encaminhamos para a sala de aula. Chegando lá, olhei para os cantos da sala e reparei que Leandro me encarava de cara fechada. Sorri largamente para ele; ele ficou ainda mais carrancudo.

Andei até minha cadeira e me sentei, convencida a prestar a maior parte da minha atenção na aula. Decorei o texto todo com canetas coloridas – ficou tudo meio carnavalesco, mas acho que combinou com meu estado de espírito.

A aula acabou e eu me encaminhei alegremente para o refeitório.

– A sua alegria está me dando náuseas. – comentou Larissa, massageando a testa.

Sorri para ela e me sentei à mesa, dizendo:

– Larissa, pessoa linda e maravilhosa, pega meu almoço para mim? Por favor?

Ela fechou a cara e me olhou carrancuda, revirando os olhos, dando-me as costas; o que estava acontecendo com essas pessoas? Por que essas caras feias?

Kioko bocejou largamente e tirou uma maçã da mochila. Franzi a testa.

– Vai comer só isso?

Ela olhou para mim e respondeu:

– Não estou com fome. Acho que comi demais no café-da-manhã.

Dei de ombros e esperei Larissa com meu almoço. Ela veio minutos depois, porém segurava apenas um prato nas mãos.

– Ah, obri...

– Não, vá pegar o seu! Não falei nada sobre trazer seu almoço. – respondeu ela, se sentando.

Bufei, me encaminhando para a fila.

Ela estava imensa. Antes que eu percebesse, postei-me atrás do último da fila, que era ninguém menos que Leandro. Ao perceber esse detalhe, bufei novamente.

Ele olhou para trás, erguendo sua sobrancelha, e ao ver quem era, seus ombros caíram visivelmente.

– Ah. É você. – disse ele, virando para frente.

– Quem você esperava? Sua namoradinha? – torci a palavra “namoradinha” de um jeito maldoso e desdenhoso.

– Ciúmes?

– Oh, não, não, claro que não. Só estou me perguntando como você pode namorar aquela garota. Leandro, você não se dá valor. Você gosta de ficar mal falado, não é mesmo? Gosta de ter essa má reputação.

Ele não respondeu, mas o vi torcer os punhos claramente.

Massageei as têmporas. Eu não gostava de falar daquele jeito com ele, mas era tudo verdade. E eu não podia deixá-lo me afetar.

Esperei pacientemente até chegar a minha vez. Coloquei tudo o que queria e voltei para minha mesa. Larissa e Kioko conversavam sobre Pedro.

– Ah, ele é um amor de pessoa. – ia dizendo Larissa.

Kioko revirou os olhos categoricamente.

– Se você diz...

– Mas é verdade! – teimava Larissa, batendo os punhos na mesa, fazendo pedaços de carne voarem.

– E eu estou discordando? – perguntou Kioko.

– Não, mas...

– Gente, vocês estão mesmo brigando? Brigando? Olhem só esse dia lindo!

Larissa e Kioko olharam o dia cinzento, chuvoso e frio pela janela e depois se entreolharam, espantadas.

– Bem, pode não estar tão bonito assim, mas, por favor, não vamos brigar, sim?

Elas assentiram, ainda espantadas. Sorri.

Alheia a tudo.

Notas finais
Gostaram? Comentem, please!! o/