Só Que Não
6 Fugitivos
Notas iniciais
Hoje eu acordei mais cedo que Larissa, ontem eu fui pra aula horrível, precisava me produzir. Ela me disse que acordava 5h40, então eu acordei 5h10. Quase não me desperto, mas vai valer a pena, acredito. Tomei um banho longo, vesti meu uniforme, fiz um coque nos cabelos, minha maquiagem, peguei minhas coisas no armário, calcei meu tênis e acordei Larissa. Ela só abriu um olho.
– Larissa... acorda... — falei com a maior delicadeza.
Ela se levantou mais rápido do que eu esperava.
– A que horas acordou? — ela me perguntou.
– Umas cinco da manhã. — falei.
– Tô vendo que deu tempo pra se deixar bem bonita.
Eu estava mesmo. Minha maquiagem nos olhos era leve, o batom rosa nude, o cabelo bem penteado e o coque era meio elegante.
– Obrigada. — eu disse.
– Tira a sombra, o blush e o pó daquela bolsinha preta pra mim? — disse ela amarrando o cabelo.
Fiz isso e deixei em cima da cama. Ela foi tomar banho.
– Eu peguei seu tênis de novo! — gritei.
– Já é seu! — berrou ela de volta.
Fiquei feliz. Não teria que comprar um tênis tão cedo!
*
Já era noite e eu estava no quarto, esperando Larissa sair do banho. Ela demorava. Depois que saiu eu entrei pra tomar o meu, e demorei bem pouco. Nós nos deitamos e as luzes foram apagadas. Eu estava pegando no sono (Larissa já estava dormindo) quando uma voz me acordou.
– Riquinha... acorda!
Acordei de um salto e vi o matador.
– O que você quer aqui? — sussurrei, zangada.
– Preciso falar com você! — ele sussurrou.
– Então fale!
– Lá fora — disse ele movendo as mãos.
Pensei por um momento.
– Entre pro banheiro, preciso me vestir.
Eu estava sem sutiã e de pijama! Não ia sair por aí assim. Ele entrou indignado lá dentro e eu sussurrei:
– Me dê a chave.
Seu rosto apareceu.
– Vai me trancar aqui dentro?
– Claro. Prefiro morrer a te deixar me ver nua.
Ele resmungou e me entregou a chave. O tranquei e pus uma calça e uma blusa. Destranquei a porta e ele disse:
– Precisava de toda essa produção?
Dei de ombros e ele sussurrou:
– Nós vamos ter que pular a janela.
A janela era bem baixa, dava certinho pro jardim, ninguém corria o risco de se machucar, então eu concordei.
– Vou tirar os chinelos. — eu disse.
– Pra quê?
– Vai ser mais fácil correr assim.
Ele deu de ombros e tirou os chinelos também, pulando logo em seguida. Tirei os meus e pulei também. Logo corremos até uma parte do jardim e ele me encarou.
– Olha, Branca, eu...
– EI, VOCÊS DOIS! — berrou uma voz masculina.
Era o monitor. Ferrou.
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