Só Que Não
5 Briga com o matador de aulas
Notas iniciais
Depois da aula mais que chata, nós fomos para o refeitório, lanchar. O menino matador de aulas estava numa mesa perto da minha que eu dividia com Larissa, e dava pra ouvir o que ele comentava com os seres que ele provavelmente chamava de “amigos".
– Eu já conheci essa Branca. Nada de mais.
Meu sangue ferveu.
– Mas ela é bonita — disse outro garoto. — Pegável.
Ergui a sobrancelha, ofendida.
– Ah, Pedro, por favor. É só mais uma Lourinha rica e desmiolada, fácil pra caramba. — disse o matador de aulas.
Ergui-me. Aquilo ali já era demais. Larissa também ouviu tudo e agarrou na minha mão com força.
– Não vale a pena! — sussurrou ela desesperada.
A ignorei. Me dirigi até a mesa vizinha (a do matador) e exclamei:
– Então eu só sou uma Lourinha rica e desmiolada, não é, idiota!
Apontei pro seu peito com força.
– Eu não disse isso! — surpreendeu-se ele.
Mas que mentiroso!
– Mentiroso filha-da-mãe! — exclamei.
– Você é uma xereta que tá ouvindo nossa conversa! — disse o garoto chamado Pedro, se levantando. Era alto, tinha cabelos castanhos escuros e olhos pretos.
– Não é nossa culpa se vocês falam pra meio mundo ouvir! — disse Larissa, levantando-se também.
– Ei, ei, vamos acalmar os ânimos, quê isso, jovens, que violência desnecessária é essa? — disse uma mulher chegando até onde estávamos.
Eu não tinha percebido até ali, mas vários alunos estavam filmando, dando sorrisos de expectativa (claramente clamando por briga) e outros de semblante preocupado.
– Agora, reparem bem, vocês vão levar uma advertência por mal comportamento no refeitório. Bem, isso não vai prejudicar, mas se vocês levarem mais de cinco podem repetir por isso. — disse ela anotando tudo em quatro folhas de um bloquinho e entregando a mim, a Larissa, ao matador e ao tal Pedro. Depois ela deu tchau e se foi.
– Tá vendo o que dá vir fazer um show aqui! — sussurrou o matador.
– A culpa não é minha se o glorioso matador de aulas decidi falar absurdos de mim! — eu disse.
– Matador de aulas? — perguntou ele confuso.
– Bem, eu não sei seu nome, e conheci você enquanto estava matando aulas, que melhor apelido para se dar? — eu disse corada.
– Tudo bem, riquinha, vamos lá. Eu disse mesmo que você era uma loura rica e desmiolada, mas não foi exatamente isso que eu quis dizer, okay?
– O que foi então, matador?
Ele se enrolou. Engasgou. Tossiu. Riu. Não conseguiu sair daquela.
– Você vai se fe... — eu ia dizendo, mas o sino infernal tocou.
Ele se despediu, debochando.
– EU AINDA PEGO VOCÊ! VOCÊ VAI SE FERRAR! — eu gritei.
– Uhh, tô morrendo de medo. — ouvir ele dizer, seguido de risos dos amigos, incluindo Pedro.
– É bom mesmo. — sussurrei para mim mesma.
– Vamos, Branca. — me puxou Larissa.
Era incrível como o matador conseguiu arruinar meu primeiro dia de aula.
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