Só Que Não
8 Ato Nojento
Notas iniciais
Como eu prevera, 4hrs da manhã batiam na minha porta. Eu havia vestido uma blusa velha xadrez, uma calça e um tênis. Eu estava pegando a prática do tênis de novo. Droga.
Atendi a porta e dei de cara com Eros.
– E aí?
Estreitei meus olhos.
– Eu não pretendo ser educada com o glorioso Eros.
Ele bufou.
– Odeio quando me chamam de Eros. Meu nome é Leandro!
Arregalei os olhos.
– Leandro? Então por que a diretora te chama de Eros?
Bem... — ele comecou a andar. — Meu nome tem Eros. Na realidade, meu nome é Eros Leandro Jacks. — pensei que não tinha mais nada de francês naquele nome, mas deixemos o matador continuar. — Mas as pessoas me chamam de Leandro, e eu odeio quando me chamam de Eros, e a diretora sabe disso, mas me chama assim. Mas só ela pode. — acrescentou ele diante da minha expressão.
– Ela e eu. — eu ri.
– Claro que não, menina, tá doida.
Fechei a cara.
– Foi só uma brincadeira, idiota.
Ficamos em um silêncio incômodo. Ele falou enquanto eu estava pegando os materiais de limpeza:
– Olha, desculpa se eu sou grosso às vezes, mas eu acho que assim é melhor.
– Melhor pra quem? Escuta, eu nem te conheço, nunca fiz nada pra ti e você vem com essa?
– Desculpa. — disse ele baixinho.
Dei de ombros.
Faxinamos muitos quartos, e chegamos num quarto de número 314. Pensei ter ouvido ele suspirar.
– É aí que minha namorada dorme.
Tive vontade de arrancar sua língua fora.
– E quem disse que eu me importo? — indaguei, jogando água suja na porta.
– Não faz isso! — disse ele, segurando meu pulso com força.
– Tá. — joguei a água em sua cara.
Ele fechou os olhos com força.
– Você é doida?
– Sou. Se tiver algum problema me processe.
Entrei no quarto fazendo um barulhão, mas as ocupantes nem emitiram um sonzinho, aquelas pedras. Vi o matador ir até uma cama onde uma menina dormia de pernas abertas. Revirei os olhos.
– Ei... Clara...
A menina deu um ronco em sua cara. Ri baixinho.
– Clara...
– Leandro? — perguntou uma voz feminina sonolenta. — O que você tá fazendo aqui?
– Estou cumprindo um castigo.
– Ah, que novidade. — resmungou ela.
Fiz um barulho enquanto colocava o espanador dentro do balde para molhá-lo. Ela me olhou.
– Quem é aquela ali?
Ah, mas eu tive vontade de dar uma voadora naquela filha-da-mãe, mas, eu me contive.
– Boa noite! — quase berrei.
Ela se levantou de um salto e num movimento brusco agarrou literalmente o matador. O beijava tão furiosamente que pareciam duas cobras se engolindo. Ela estava com um short que mal cobria seu bumbum, e ele estava com as mãos direto ali. Assanhado.
Fiz um barulho irritante com o espanador, mas nada.
– Vocês dois! — falei bem alto.
Eles se separaram, arfantes. Ela deu mais um selinho nele e se deitou.
– Boa noite. — disse ela.
O matador me olhava com uma cara mortal. Dei de ombros.
– Eu vim para cumprir meu castigo, não para ver dois jovens se engolindo como duas cobras.
Ele corou.
Limpamos todos aqueles quartos. Não estavam assim tão sujos. Nos das meninas, Leandro ficava reparando nas que tinham o bumbum descoberto que eu sei. Revirei os olhos, irritada.
Dei o troco quando chegamos nos dos homens. Mas tinha cada menino lindo ali. Ouvi Leandro bufar e gargalhei que nem uma louca internamente. Finalmente terminamos e quando ele estava guardando o material de volta, eu comentei:
– Além de não respeitar uma namorada, pondo as mãos em seu traseiro, ainda fica olhando das outras meninas. Parabéns, matador.
Bati palmas fracas. Sua cabeça apareceu.
– Ciúmes? — perguntou ele.
Tive um pequeno — gigante — acesso de tosse.
– Do que? De você? Deus me livre.
Sua cabeça apareceu e ele calmamente me prendeu contra a parede.
– O que pensa que está fazendo?
Você não ideia do quão perto a gente estava. Os narizes estavam quase roçando um no outro. Ele chegou mais perto, quase colando seus lábios nos meus, e eu por instinto fechei os olhos. Ele riu.
– Achou mesmo que eu ia te beijar?
Só me mantive com os olhos fechados por conta da fúria que sentia. O meu sangue fervia. Não me controle e deu um chute NAQUELE lugar.
– Ou! — gemeu ele, enquanto se afastava bem depressinha de mim.
– Isso que dá fazer brincadeiras idiotas com quem não deve.
Fui triunfante pro meu quarto. Pensei que podia dar uma cochiladinha. Mas quando entrei Larissa estava arrumada.
– Onde foi que tu se meteu?
– “Tu”? — perguntei.
– Desculpa. — ela deu uma risadinha baixa. — Costumo falar meio assim quando estou preocupada e irritada. Mas me responde.
– Cumprindo um castigo aí.
Ela esbugalhou seus orbes.
– O quê? No seu terceiro dia já está cumprindo castigos? — berrou ela.
– Huhum. — me joguei na cama.
– Você é doida. Agora vai tomar um banho e se arruma na velocidade da luz, estamos quase atrasadas.
Me arrumei num tempo recorde, só podia. Fomos aos armários e lá tinha um bilhete pra mim.
Senhorita Forbes,
Seu castigo durará uma semana. E quero lhe informar que se isso acontecer novamente seu pai será chamado e você será punida severamente. Fique sabendo que não toleramos namoricos no meio da madrugada.
Atenciosamente,
Diretora.
Bufei. Uma semana com aquele desgraçado era realmente tudo o que eu queria.
Eu vou ferrar com a vida dele nem que seja a última coisa que eu faça.
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