Só Eu Quem Quis...

6 Capítulo 6: O Peso do Clã Uchiha


Às vezes, eu me pegava estudando a história do Massacre Uchiha como se fosse a minha própria linhagem. Eu decorava os nomes, as tragédias, a dor de Itachi e o ódio de Sasuke. Eu chorava por pessoas que nunca conheci, tentando desesperadamente sentir o que ele sentia, acreditando que, se eu dividisse o fardo daquela escuridão, ele finalmente me deixaria entrar.

I grew a flower that can't be bloomed in a dream that can't come true (Eu cultivei uma flor que não pode florescer em um sonho que não pode se tornar real).

Naquela noite, encontrei Sasuke olhando para as fotos antigas do clã. Eu me aproximei silenciosamente e coloquei a mão em seu ombro, tentando oferecer o conforto que treinei anos para dar.

— Eu entendo a sua dor, Sasuke-kun... — eu sussurrei.

O silêncio dele foi cortante. Ele não se afastou, mas a aura dele se tornou gelada. Aquele era o território dele, o santuário de fantasmas onde eu não tinha convite. Eu percebi que, para ele, minha empatia era quase uma ofensa. Eu era uma Haruno; eu tinha pais, eu tinha uma história comum. Como eu ousava dizer que entendia o peso daquele sangue?

Why you sad? I don't know. Smile, say 'I love you' (Por que você está triste? Eu não sei. Sorria, diga 'eu te amo').

Eu retirei a mão, sentindo o peso da minha própria insignificância. Eu forçava um sorriso e dizia que o amava, esperando que o meu amor fosse o suficiente para preencher o vazio de um clã inteiro destruído. Mas meu amor era apenas uma vela tentando iluminar o oceano à noite.

Love you so bad, love you so bad (Te amo tanto, te amo tanto).

Eu tentava ser a ponte entre o passado trágico dele e um futuro feliz comigo, mas Sasuke preferia morar nas ruínas. Eu percebi que ele não queria que eu entendesse sua dor; ele queria que eu fosse apenas o cenário de fundo enquanto ele sofria sozinho. Eu estava carregando o luto de outra pessoa, cansando meus próprios ombros por uma causa que nunca seria minha.

Tentei apagar a mim mesma para ser a pessoa que ele queria que eu fosse.

Naquele momento, ficou claro: a dor dele era um peso que ele carregava sozinho, e a minha tentativa de compartilhá-la era uma invasão. Eu estava ali, esperando, enquanto ele vivia em um passado que ele valorizava mais do que o presente. Era um luto que não me pertencia, um fardo que eu insistia em carregar em vão.