Só Eu Quem Quis...
7 Capítulo 7: O Eco da Espera
Minha vida se tornou um calendário de ausências. Eu aprendi a medir o tempo não por dias ou meses, mas pela poeira que se acumulava na capa que Sasuke deixou para trás. Eu me tornei uma especialista em vultos; qualquer sombra que cruzava o jardim fazia meu coração disparar, apenas para cair em um abismo de decepção logo em seguida.
I’m so sick of this fake love (Estou tão cansada deste amor falso).
Eu estava cansada de ser a "mulher que espera". Meus amigos saíam, viajavam, construíam memórias reais, enquanto eu construía castelos de areia feitos de suposições. "Ele deve estar bem", "Ele está fazendo isso por nós", "Ele voltará quando terminar". Quantas vezes eu repeti essas mentiras para o espelho até que elas soassem como verdades?
You say I'm unfamiliar, changed into the one you used to love (Você diz que sou estranha, transformada naquela que você costumava amar).
Às vezes, quando ele voltava, ele me olhava como se eu fosse uma estranha. E ele estava certo. Eu não era mais a Sakura que ele conheceu. Eu era uma versão diluída, uma mulher que tinha podado todos os seus próprios galhos para não ocupar espaço demais na vida dele. Eu mudei tanto para não ser um incômodo que acabei me tornando invisível.
Try to erase myself and make me your doll (Tentei me apagar e me tornar sua boneca).
Eu me sentia como um objeto deixado em uma estante. Sasuke sabia que, não importa quanto tempo passasse, eu estaria exatamente ali, no mesmo lugar, com o mesmo sorriso ensaiado e o jantar pronto. Eu tirei de mim qualquer rastro de rebeldia ou desejo próprio. Eu me apaguei para que a luz dele — ou a escuridão dele — pudesse brilhar sem obstáculos.
Love you so bad, love you so bad (Te amo tanto, te amo tanto).
O amor se tornou uma tarefa exaustiva. Eu estava exausta de amar por dois. Exausta de procurar sinais de afeto em uma cutucada na testa ou em um "estou de volta" murmurado sem emoção. Eu estava vivendo o eco de um sentimento.
Naquela noite, deitada sozinha novamente, eu percebi que a Sakura que ele "amava" — se é que amava — era uma criatura que eu inventei. Uma boneca de porcelana que nunca reclamava da solidão. E o pior de tudo? Só eu quem quis continuar sentada naquela estante, esperando por mãos que nunca me seguravam de verdade.
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