Notas iniciais
De novo minha net me tras problemas meninas, mas pra isso existe lan house! se eu demorar a responder reviews é culpa da internet! vamo ver se resolvo isso hj mesmo!
Doisa caps hj pra ninguém ficar mto triste!

Elisabete não tinha sono agitado, dormia tranquilamente, como uma criança. Era bom sentir sua respiração no meu rosto, e seus cabelos nos meus dedos. Eu não pegava no sono a noite, era meu dia. Ela se mexeu, sua mão escorregando pelo meu peito e um suspiro quente e profundo. Nunca tinha pensado que ela fosse tão incrível. Ela se escondia muito bem naquelas roupas discretas. Já vira relances dela, geralmente causados pela minha imprudência e temperamento ruim, mas relances não são verdade completa. E Elisabete era uma jóia. Seu corpo era todo curvas e linhas suaves, sensuais. Contornei seu rosto com os dedos, suavemente. Não queria acordá-la. Não queria acordar. Eu podia ficar ali pra sempre e ignorar todo o resto lá fora. A maldição, a magia, as complicações. Mas como um despertador minha audição entorpecida captou os sons externos. A música alta e eletrizante. Mesmo que ali ela fosse mais fraca, era um lembrete. Havia vida fora do quarto, realidade. Suspirei, frustrado. Como se isso também fosse uma espécie de alarme, Elisabete se remexeu mais uma vez.

- Você está bem? — sussurrou, no meu ouvido. A envolvi com os braços, sentindo aquela pele tão ardente contra a minha fria. Me ergui um pouco sobre o braço e fitei seu rosto. Estava sonolento, e tinha uma marca de travesseiro na bochecha, mas estava calmo.

- Nada importante. Só não gostaria mais de sair daqui – eu sorri, tocando seus lábios com os dedos. Ela beijou as pontas e sorriu também, brilhantemente.

- Eu também queria. Mas infelizmente estamos em um clube, e não podemos morar num quarto de ressaca – ela respondeu, enquanto eu ria da piada.

- Tem razão – concordei, a puxando pra cima de mim e observando nossa posição. Nossos corpos eram compatíveis, e nós ficávamos bonitos juntos, disso eu tinha certeza. Ela pegou meu olhar e riu.

- Sim, formamos um casal e tanto – ela acariciou meu rosto com uma mão e em seguida se curvou beijou o canto dos meus lábios, lançando uma corrente de eletricidade pelo meu corpo. Apertei os meus braços ao redor dela, que deitou a cabeça embaixo do meu queixo

– Preciso que me conte uma coisa, Jacques.

- O que você quiser – respondi, enrolando minha mão em seus cabelos de novo. Ela fez uma pausa, como se estivesse medindo sua pergunta.

- Por quê foram amaldiçoados por Anne e Claire? Sei que foi alguma coisa relacionada ao senhor feudal, e se me lembro bem o Hugo está nessa também. Eu só não consigo deduzir nada com essas informações – suas mãos percorriam a linha da minha mandíbula lentamente.

Pesei o questionamento. Talvez fosse mesmo a hora dela saber de tudo, não havia um motivo pra esconder, de qualquer forma. Melhor esclarecer as coisas de uma vez.

- Hugo se apaixonou pela filha mais nova dele, Genevieve – eu lembrava como se tivesse sido hoje. Meu irmão nunca tinha sido tão feliz, ou tão infeliz. Era triste quando não se podia ter a mulher que amava do seu lado, por uma convenção social – Eles se viram pela primeira vez na igreja, e acho que foi um desses sentimentos inexplicáveis. Ela também o amava. Eles se encontravam escondido, sei disso porque fui cúmplice deles. Genevieve estava ciente de que se o pai descobrisse o castigo recairia sobre os dois, já que ela estava noiva de um outro rapaz, um nobre.

- Mas nem isso os impediu, não é? — suspirou Elisabete, o tom de voz sonhador.

- Não. Mas as coisas ficaram ruins, muito ruins – lembrei daquela noite, Hugo chegara em casa desesperado, em pânico.

- O que houve?

- Ela engravidou. De repente Elisabete estava com a cabeça erguida, me fitando com olhos muito abertos, atentos.

- Nossa, pelo que sei da sua época essa não poderia ser uma notícia muito boa. Pra nenhum deles.

- Exatamente. Mas apesar do desespero do Hugo e dela, eles decidiram fazer o que achavam certo. Foram falar com o pai dela. A maior insanidade, na minha opinião e de meu pai, que éramos os únicos da família que sabíamos do segredo todo – respirei profundamente, vendo diante de mim, o rosto consternado do meu irmão, quando a conversa rendera na pior das conclusões – Não adiantou, como seria óbvio. Hugo foi expulso do feudo, e só não foi levado a pena de morte porque Genevieve implorou e prometeu fazer o que o pai desejasse, desde que deixasse Hugo vivo. Sinceramente, nunca vi alguém mais infeliz e arrasado do que meu irmão naquela noite. Foi terrível, ele não conseguia nem falar. Apenas se sentou em silêncio na varanda, e teria ficado lá se eu não o tivesse arrastado pra dentro – o rosto dele voltou a minha mente, a expressão vazia, como um fantasma, e meu peito doendo de vê-lo daquele jeito, o meu irmãozinho. Assim como Louis, ele era parte de mim, o nosso sangue era o mesmo. Era terrível presenciar as coisas darem tão errado na vida de alguém que se amava – Ele me disse que tinha duas semanas pra deixar o lugar. Eu fiquei revoltado, claro. Apesar de saber que Hugo tinha arrumado seus problemas sozinho, eu não podia conceber que ele deixasse nossa família e vagasse sem rumo pra um lugar desconhecido.

- O que aconteceu com Genevieve? — Elisabete indagou, os olhos muito escuros na pouca claridade do quarto. Hesitei. Não era um detalhe agradável de relatar. Lis como uma boa garota dos tempos avançados iria achar o restante da história desumano. Mas sua expressão era curiosa e atenta, como se tivesse mergulhado em algum romance de cavalaria interessante, apesar de todos os fatos deploráveis.

- Ela foi mandada à um convento, e apenas um dia depois, houve a notícia de que teria morrido. Todos diziam que fora de uma doença grave, o que a fez perder a criança, claro, mas...

- Pela sua falta de ponto final na sentença imagino que essa não foi a verdade – deduziu Lis, tirando uma mecha de cabelos do rosto, e depois colocando as mãos em meu peito. Suas palmas estavam suadas. Ela estava mais nervosa do que aparentava. Como sempre, Elisabete tinha o dom de me enganar nas emoções.

- Ela deixou uma carta pro Hugo, foi entregue por uma das suas criadas no castelo, Marjorie. Nela estava escrita a verdadeira versão. Genevieve não morreu de doença alguma, ela se matou, envenenando-se – concluí, os dedos de Elisabete tremendo em minha pele. Ela piscou os olhos, tentando disfarçar as lágrimas.

- O que Hugo fez, quando recebeu a carta? — indagou, sua voz tão baixa que era quase inaudível, sua cabeça inclinada para baixo. Eu pensei naquela noite, ao encontrá-lo no quarto, com a taça nas mãos, trêmulo e despedaçado, olhos de morte. Se eu não tivesse chegado naquele instante, teria perdido meu irmão.

- Ele tentou o suicídio também. Mas cheguei em tempo de tirar a taça de bela dona das mãos dele.

- O quê? Ele tentou mesmo fazer isso? — agora as unhas de Lis estavam afundadas em mim, seu corpo tenso, e suas lágrimas escorrendo sem pudores. Eu as limpei com os dedos. Essa era a parte mais encantadora de Elisabete, ela sentir pesar pelo desfecho triste de destinos que poderiam ter dado certo, se não fosse a época de seu acontecimento.

- Não chore – eu a puxei pra cima de mim, afagando suas costas – Ele está vivo, de qualquer maneira. O pai de Genevieve o culpou pela perda da filha, então... você sabe do resto. Quatro dias depois, nós já não éramos mais humanos. Hugo se sente culpado, de tudo, da morte dela, da maldição de nossa família, ele, mais do que todos nós, talvez, só Amelie sendo uma exceção, sofre a maior das dores. Ele finge que não, tenta sempre deixar tudo bem, fazer o melhor que pode. Mas ele é sensível, nós podemos ouvir sua tristeza em cada música que ele compõe, cada suspiro melancólico, cada olhar distante que se nota quando ele pensa não estar sendo observado. Esse é Hugo, a dor latente, personificada.

Elisabete ainda chorava, em silêncio, uma quietude tomada de respirações lentas. Eu beijei sua testa, depois suas têmporas, até seu rosto molhado ficar seco, e sentir sua boca contra a minha, sua língua passando devagar pelo meu lábio inferior, enquanto suas mãos acariciavam meus cabelos. Resistindo ao impulso selvagem de esmagar aquela boca rosada em um beijo de tirar o fôlego, eu tirei seus dedos da minha nuca e a afastei com delicadeza:

- Nós temos que descer. Ela me olhou como se acabasse de topar com um OVNI.

- Está maluco? Eu não vou descer agora... — seu sorriso era lânguido e divertido, enquanto pressionava as mãos contra o colchão, dos lados da minha cabeça. Fiquei perdido, admirando seu sorriso por um segundos, antes de sorrir em retribuição.

- É seu aniversário. Seus pais estão lá embaixo, seus amigos estão lá embaixo, e especialmente sua avó ameaçadora. Você sumiu de lá faz… — eu fiz a conta mentalmente — … uma hora, estou espantado de Átila não estar arrombando a porta com uma besta apontada pra mim. Elisabete rolou os olhos azuis e respirou fundo.

- Quer mesmo descer? — ela choramingou, fazendo beicinho. Ergui um pouco a cabeça, até alcançar seu rosto quente. Rocei meus lábios em seu pescoço, queixo, e então olhei sua boca, depois seus olhos, que cintilavam na penumbra, seguindo todos os meus movimentos, tal qual serpente segue a flauta do encantador.

- Nós... — mordi devagar o canto de sua boca — … podemos voltar depois... — fechei os lábios na pele de seu pescoço, aspirando o cheiro de sua pele quente — … e ficar aqui até o dia nascer. Tudo que quiser – concluí, me levantando sobre o tronco, e a abraçando firme pela cintura. Seus olhos cintilavam pra mim, e o sorriso em seu rosto era feliz.

- Então será como eu quiser – ela suspirou, e virou os olhos – Vamos levantar – ela pulou do meu colo pro chão, procurando suas roupas, e enquanto fazia isso, recolhia as minhas também. Observei-a se vestir, lentamente e concentrada, e a cada desaparição de sua pele dentro de tecido vermelho eu sentia uma vibração decepcionada no estômago e minhas mãos formigavam, na vontade de retirar todas as camadas de seda novamente. Mas me contentei em me vestir e admirá-la. Até o ponto em que ela precisou de ajuda com os laços do espartilho.

- Você fica melhor sem roupa nenhuma – sussurrei no ouvido de Elisabete, meus dedos puxando e amarrando o fio de couro próximo de sua nuca. Ela riu e virou-se. Colocou a capa sobre meus ombros.

- Digo o mesmo sobre você – ela beijou meu rosto e desceu o capuz sobre meu rosto. Um som distante e agudo nos fez olhar ao redor. Antes que eu me mexesse Elisabete seguiu o som até debaixo da cama. Surgiu com meu celular nas mãos.

- Acho que você tem uma mensagem – ela o colocou em minhas mãos e esperou eu abrir a caixa de mensagens, com a cabeça apoiada em meu braço. Fitei a tela confuso, era da minha irmã. — Amelie? — Elisabete estava de sobrancelhas unidas, um eco da minha confusão.

JACQUES, SOCORRO, POR FAVOR, ESTÃO NOS ATACANDO FORA DO CLUBE!!!!!!!!!!!!!

- Ah, Deus! Jacques! — exclamou Elisabete – Vamos, eu posso ajudar! Eu apertei suas mãos.

- Não, seus pais, sua avó e seus amigos estão aqui, você não pode correr risco nenhum – ela me deu um olhar malvado — Escute, não estou duvidando de você e do seu poder, sei do que é capaz, Lis, mas não sei o que vou encontrar, fique aqui com sua família, eu tenho que ir atrás da minha!

Lis piscou e então acenou com a cabeça rapidamente, e me passou as chaves do quarto. Abri a porta com as mãos trêmulas. Meu Deus, minha irmãzinha, minha Amelie, e mais algum dos meus irmãos, se eu havia entendido o “nos atacando” da mensagem. Mas antes de passar pela soleira, me voltei e olhei para Elisabete, linda e com expressão de alarme. Eu odiava deixá-la, mas não permitiria que viesse junto e enfrentasse fosse lá o que estivesse lá fora.

- Por favor, cuide-se, está bem? — ela pediu, seus olhos nos meus, implorando que eu voltasse pra ela.

- Eu me cuidarei, e espero que faça o mesmo. Lis assentiu, mesmo que eu tivesse certeza de que ficar esperando em vez de agir fosse duro pra alguém como ela. A corajosa e ativa Elisabete Thomas, descendente dos Saint Germain, com o poder e magia correndo no sangue. Mas teria que ser assim. Pelo menos seria algo menos com a qual teria de me preocupar. Eu fechei a porta enquanto mais mensagens apitavam. Meus irmãos. Marc e Hugo.

Jacques, onde estiver saia agora, Amelie está em apuros!

Pelo amor de Deus, onde se enfiou? Nossa irmã mais nova tá numa encrenca com alguma coisa lá fora, traga sua bunda agora mesmo pra fora deste clube!

Eu corri mais rápido, virando um borrão pra olhos humanos mais atentos, certamente. Mas havia distração demais pra se notar que isso era estranho. O vento me trouxe uma última mensagem antes que eu saísse desabalado pelas escadas das portas principais. Eu amo você, volte pra mim. Sim, eu voltaria por apenas uma razão.

Eu também a amo.

Notas finais
Sim , as coisas vão piorar!