Série Pacto - Conspiração

8 O elo perdido (Jacques D'Crécy)


Notas iniciais
E 2011 chegou, e com ele mais Conspiração...;) Pra minha amiga Stepnhanie, que é apaixonada plo Jean Dupré, e claro, pra Bruna, que adora o Jacques, ;)

Você sabe quem eram eles? — me perguntou Átila do banco de trás, num tom agudo. Ele podia muito bem fingir estar calmo, mas eu sabia quando uma pessoa estava nervosa. Especialmente quando uma de suas melhores amigas se esvaia em sangue e não se mexia desde que a tiramos das garras dos vampiros na rua.

Não, eu não faço ideia, mas é bem óbvio que eles não vão acatar acordos com caçadores, Átila, creio que devia avisar a seus familiares da mesma profissão, que uma visita seria boa – eu não tinha tirado o pé do acelerador, desde que encontrei o caçador com Elisabete nos braços, enquanto duas figuras brancas desapareciam nas sombras da noite, uma delas trôpega, mas ainda sim muito veloz. Ele bem que teria ido atrás, estava realmente zangado. E quando digo zangado eu quero dizer que ele seria capaz de fazer alguém em pedaços com as próprias mãos. Ele quase atirou em mim quando me aproximei, só baixou a arma quando me identificou. Bom, não dava pra negar que ele tinha uma ótima mira.

Eu vou fazer isso, esta cidade precisa de mais proteção, devo concordar com você que eles não são dados a pacificidade. Não se pode confiar no que não se conhece – ele verificou o pulso de Elisabete e seu rosto ficou quase tão pálido quanto o dela – Oh, Deus, dá pra ir mais depressa???

Estou no limite de velocidade da avenida, Átila, eu não quero causar nenhum acidente, além do quê, ela está viva, posso ouvir o coração dela – respondi, tentando manter a cabeça fria, se eu entrasse em pânico podia colocar tudo a perder. Porque o cheiro do sangue invadia meu nariz de um jeito enlouquecedor, se eu olhasse muito pro ferimento não sei se teria controle sobre mim mesmo – Ela vai viver – acrescentei.

Ela tinha que ficar viva, pensei.

Virei bruscamente o volante, dando uma guinada que fez os pneus guincharem. Se Elisabete morresse, minha família estaria perdida. Eu estaria perdido.

***

Não sabia pra onde Elisabete tinha ido, pois não respondera nenhuma de minhas mensagens, mas o seu cheiro mesmo misturado aos demais pelos corredores era fácil de identificar, era quente, denso e picante, e o gosto que sentia em minha língua fazia meus poros borbulharem de desejo. Seu rastro permaneceu até o estacionamento, onde desaparecia, os outros cheiros eram mais fortes, como o de gasolina ou cigarro.

Quando dei partida no carro, pensando em alguma outra estratégia de aproximação com Elisabete, eu ouvi. A princípio pensei ser um ruído qualquer vindo de fora, mas depois que movi o volante e o carro se mexeu, o som se tornou um grito dentro dos meus ouvidos, como se tivesse alguém do meu lado berrando num megafone.

ME SALVE, JACQUES! ME SALVE! EU VOU MORRER!!!

O automóvel parou num solavanco tão forte que fui pra frente e pra trás no banco. E acredite, dar sustos em vampiros é realmente difícil.

A voz era de Elisabete, uma voz tão apavorada que arrepiou os pêlos da minha nuca. Recuperando meu auto-controle, tirei o carro do ambiente acadêmico e quando finalmente alcancei a rua, acelerei.

Mas como eu iria achá-la? Onde ela estava?

Abri os vidros, eu não sinto frio mesmo, que diferença faria?

Várias fragrâncias, cheiros, sons e gostos se misturaram em meus sentidos.

Tentei o celular dela, e quem atendeu foi Átila.

- O que você quer? Estou ocupado agora! Preciso encontrar Elisabete!

Por quê? Eu ouvi ela me chamar! Tenho certeza que era ela! — sua voz falhou, e engasgou um pouco. Onde você está? Na rua, estava no Rock's! — ele estava ofegante, como se estivesse correndo. Procure-a! — desliguei e virei pra rua da esquerda. Se Átila estava com seu celular, era mais que provável que Elisa tivesse estado com ele.

Pisei fundo no acelerador quando me vi na rua principal. Dei todos os ziguezagues do caminho que levava ao bar, e quando finalmente me aproximei em alta velocidade de sua fachada brilhante e de seu interior lotado e fumarento, um cheiro chamou minha atenção. Era dela.

Ficava mais forte a cada lufada de vento e então ao manobrar ao redor da praça de São Miguel, meus olhos, captaram uma cena a distância. Dois homens seguravam Elisabete entre eles. Vampiros. Meu nariz começou a captar o já conhecido cheiro pesado, úmido e com um toque de mofo.

Quando finalmente parei ao lado do meio-fio fazendo estardalhaço e subindo por cima da calçada com meu Range Rover escuro, ouvi o disparo final das balas de prata da arma de Átila, que parecia mais que nunca um caçador de vampiros. Seus olhos lampejavam de ódio, e quando notou que não estava sozinho virou a calibre 48 direto pro meu rosto.

— Ei! — protestei, dando um passo cauteloso pra trás – É o Jacques, Átila!

Ele piscou e pareceu sair de seu momento de loucura.

- Nunca mais apareça do nada desse jeito, talvez eu atire antes que você possa me lembrar quem é da próxima vez.

Eu ignorei o comentário mordaz. Peguei Elisabete nos braços. Ela estava dilacerada, no pescoço, nos lábios, no pulso, na dobra do braço, o sangue vertia como água numa mangueira. Seu rosto estava pálido, com um matiz nada agradável de cinza-azulado.

— Vá pro banco de trás, Átila, temos que levá-la pra minha casa – comentei, meu ouvido zumbindo desagradavelmente, com a possibilidade dela estar perto da morte. E estava, seu coração batia, mas eram batidas irregulares, e seus intervalos ficavam cada vez maiores.

- Nós temos que levar ela para um hospital, sugador de sangue! — protestou Átila, me dando um olhar venenoso.

Aquilo me irritou. Não era hora de continuar uma briga de anos.

Vai dizer o quê ao médico que atendê-la? — ergui a sobrancelha –Além do mais, minha audição é melhor que a sua, portanto te aviso por antecipação, se continuarmos aqui nessa conversa inútil, ela vai morrer, seu coração está no limite.

Isso foi o suficiente para abatê-lo. Nunca o vi se mover tão rápido. Só talvez, na hora de atirar.

E agora corríamos contra os segundos, contra o trânsito e da morte, que parecia avançar mais e mais.

Tum... tum... tum...

Silêncio.

Não.

Meu pé estava prestes a quebrar o pedal de velocidade.

Tum... tum...

- Até que enfim! — suspirou Átila, a testa suada e enrugada de desespero contido, os cabelos escuros grudando.

Os portões da minha casa abriram ao sinal do controle que eu tinha na mão e sem ao menos esperar que abrisse completamente, entrei com tudo, não me importando com o estrago que ia fazer no meu carro.

Não me dei ao trabalho de colocá-lo na garagem.

O coração dela batia quase no ritmo do meu, uma batida por segundo.Ligue pros pais dela, e dê uma desculpa!

- Procure alguém em casa e mande um deles subir pra sala médica! — mandei em tom urgente a Átila

- Está bem! — ele correu pra dentro, passando pela porta do hall.

Eu corri. Foi tão rápido, que em menos de dois segundos estava dentro da sala.

Coloquei Elisabete na cama de hospital que sua amiga estivera ainda na madrugada daquele mesmo dia.

Você vai ficar bem – murmurei, mais pra mim mesmo que pra ela. Sua pele estava cada vez mais gelada, próxima da temperatura da minha. E não era bom, porque se Elisabete alcançasse minha temperatura, significaria sua morte. Coloquei a máscara de oxigênio nela num átimo.

Um minuto depois, quando eu estava pronto pra transfusão e com o desfibrilador ligado, minha mãe entrou com seu uniforme de enfermeira. E na sua cola, Hugo e Alienor.

- Diga-nos o que fazer – ela disse, automaticamente. Tanto ela e mamãe eram realmente formadas em Enfermagem, e Hugo era médico anestesista. Às vezes viver tanto tempo pode trazer algumas vantagens.

- Você sabe o que fazer – assenti com a cabeça pra ela.

Hugo sorriu pra mim.

- Você vai salvá-la, não entre em pânico.

Não respondi.

O coração de Elisabete tinha parado de bater.

Notas finais
Será que a Lisa morre?????????