Série Pacto - Conspiração
9 O elo perdido (...)
Notas iniciais
Eu vi luz branca. Depois ela sumiu. Havia vozes gritando comigo, mas então elas se foram. Tudo estava longe, como se eu estivesse presa numa bolha anti-ruído. Mas eu me sentia tão leve, era estranho, como se eu estivesse desprendida do meu corpo.
O escuro estava me chamando, eu queria segui-lo, porque eu não tinha mais forças pra lutar contra ele. Ás vezes é necessário baixar as armas e se render.
Meus pais, meu irmão, e meus amigos ficariam tão tristes...
Então uma voz, só uma, penetrou o escuro e a quietude.
“Vamos, Lis, sei que me detesta no momento, mas não abandone sua família!”
Sim, eu detestava o dono da voz e como ele conseguia me trazer de volta pros meus pesadelos quando eu só queria ficar no escuro. Pra sempre.
Tentei dar uma resposta mau-educada, mas descobri que não podia. Eu não sentia mais meus lábios.
“Jacques, por favor, pare, ela...”, um fungar sentido, tão cortante que senti vontade de levantar e consolar quem derrubava lágrimas por mim.
“Ela não vai morrer! Eu não vou permitir!!”
Nesse momento senti um choque percorrer meu peito, doeu, assim como todos os lugares onde eu havia sido mordida e rompida.
A dor fez o escuro confortável ser tomado pela luz.
Bem, então eu não ia morrer. Não dessa vez, pelo menos.
Teria que pegar senha e esperar na fila. De novo.
Um bip irritante se infiltrou no meu campo auditivo.
“Ah, Meu Deus... Graças à Deus...”, a vozinha chorosa agradeceu.
“Dê graças a nós, não a uma entidade que não existe, Amelie”, resmungou uma voz rouca e sexy. Ah. A “adorável” Alienor.
“Se vocês vão ter uma discussão teológica agora, eu vou pedir pra que vocês se retirem. Ela está viva, mas fraca”, ordenou a voz que eu odiava e amava.
Vampiro idiota.
Era melhor ter morrido do que continuar viva sabendo que ele só lutara por mim por causa de minha magia.
Minha cabeça então ficou embaralhada de repente. Vozes se misturavam com cores e finalmente a inconsciência me venceu.
Acordei e não precisei abrir os olhos pra saber onde eu estava. Eles bem que podiam me jogar em meu próprio quarto, mas provavelmente levantaria suspeitas se meus pais me vissem cheias de bandagens e pálida como uma morta.
Me ergui e quase tombei de volta ao ver Jacques me encarando aos pés da cama.
É um pesadelo – reclamei – Vou deitar de novo e esperar pra acordar.
Eu salvei sua vida, deveria ser mais agradecida – ele retorquiu sem se abalar.
Você sabe atirar? Porque foi um tiro que me salvou – tornei, lembrando nitidamente o motivo de estar acamada. Parece que isso se transformou em rotina.
Ele se mexeu, parecendo desconfortável.
Bem, quem te encontrou primeiro foi Átila, ele disparou nos vampiros que te atacaram – esclareceu à contragosto, me dando uma olhada chateada.
Então ele me salvou – falei, observando minha atadura no meio do braço. Era simplesmente gigante. Teria que usar só blusa comprida até aquilo ali desaparecer. Nem a pau meus pais cairiam em outra conversa de assaltante. Pra minha sorte ainda era Inverno.
Ele ajudou num ponto crítico. Mas Átila não é médico. Eu também te salvei.
Suspirei e não o encarei, passei a mão no meu pescoço. Mais curativo.
Por que não me deixou morrer? — indaguei, depois de um momento de silêncio incômodo.
Jacques fez uma careta e me olhou pasmo. Como se eu tivesse sugerido algo absurdo.
Eu não podia deixar você morrer, pour Dieu!
Ah, é, tenho que ajudar sua família. Acho que daí poderei morrer, mas vou ter que esperar um tempão, porque então vocês serão humanos e não vão poder me matar.
No instante seguinte eu tinha um vampiro com olhos reluzentes de fúria do meu lado na cama, agarrando meus ombros com força.
Escute uma coisa, Elisabete. Eu não te deixei morrer porque gosto de você! Eu mesmo já poderia ter te matado, antes mesmo de saber da sua origem, mas eu resisti ao seu sangue, não foi??? Pare de agir como se eu não me importasse!!! — ele me atirou no colchão com violência, meu corpo gritando em protesto nos pontos feridos. Gemi, voando a mão pro meu pulso e pescoço. Meus lábios ardiam.
Eu voltei a me sentar, me sentindo uma criança repreendida por alguma travessura. Tirei os cabelos do rosto, ouvindo a respiração alterada da Jacques. Ele estava de costas pra mim. Sentado na beirada esquerda da cama.
Comecei a tremer. Não era de frio, nem de raiva. Era de tristeza.
Eu preferia ter morrido – chorei, baixinho – Pelo menos a dor iria embora...
Posso te dar mais remédio, se quiser – ele ofereceu, ainda sem se voltar pra mim. Era como se não quisesse olhar pra mim e minhas lágrimas.
Essa dor não se cura com remédios – respondi, engolindo a água salgada e um soluço inoportuno – Me deixe ir pra casa.
Não.
Eu irei sozinha, quer queria ou não.
Já disse que não irá.
Me levantei da cama, jogando os pés pra fora. Ele não iria me impedir de ir pra casa. Meu lar seguro, onde eu poderia descarregar meu pesar sem o causador dele no mesmo ambiente.
Antes que eu desse dois passos, como tornos, braços me seguraram.
Me solta – rusguei entredentes – Ou se não for fazer isso, me mate de uma vez, você é bom em assassinar gente da minha família! — minha cabeça começou a dar voltas, e minha visão se encher de estrelinhas.
Despenquei, lentamente, pra baixo.
Mérde! — Jacques xingou – Sei que ninguém aprovaria, mas eu vou ter de fazer isso!
Do q...lando? – consegui engrolar.
Você precisa se recuperar rápido, Elisabete. Então pode me odiar quanto quiser. E me amar na mesma proporção.
O calor de humilhação queimou minha pele. Ele sabia.
As lágrimas quentes voltaram a escorrer.
Seu vampiro estúpido, eu te odeio! — consegui gritar, antes de ser nocauteada por mais uma vertigem de amolecer as pernas.
Senti que ele me colocou na cama de novo. Mesmo fraca tentei me erguer, mas com apenas uma mão ele conseguiu me manter no lugar.
Pssiu, fique quieta! — ouvi um silvo, que me fez pular de medo a princípio, mas veio um grunhido logo em seguida, que era obviamente de dor. Tentei enxergar através da minha visão borrada.
Mas eu não vi nada. Só senti o cheiro.
Primeiro de queimado, depois algo que parecia resina de vela, até se transformar em algo doce e inidentificável. Lembrava um pouco do cheiro de lavanda que Jacques sempre tinha e com morangos.
Ouvi um som metálico e líquido escorrendo.
O cheiro veio parar bem debaixo do meu nariz.
Beba.
O que...é...isso? — perguntei, como um toca fitas com defeito. Sabe, quando a voz fica arrastada e grossa.
Vinho. Vai te deixar bem melhor.
Ergui um pouco a cabeça. Ele levantou meus ombros com cuidado.
Dei um gole, mas achei esquisito. Não parecia vinho. Era bem mais denso. Como o brigadeiro na fase derretida na panela.
Não vai vomitar, vai? — Jacques perguntou, em tom preocupado, como se não tivesse certeza de que estava fazendo bem em me dar o vinho pra beber. Ou temendo por seus lençóis de algodão egípcio, como eu podia saber?
Não, está bom.
Está??? — agora ele pareceu chocado, como se essa fosse a última coisa que ele esperava escutar.
Sim, por quê? Não deveria? — minha vista voltou a clarear, e pude notar a incredulidade em seu rosto enquanto me observava beber da taça. Uau, era de prata, de verdade.
Non, está tudo bem – ele deu um aceno rápido de cabeça.
Mesmo desconfiada, bebi da taça até acabar e a devolvi pra ele.
Minha boca tinha parado completamente de arder. Na verdade... a toquei com os dedos.
Não tinha sinal de dilaceração e mordida. Estava intacta.
O que me deu pra beber? Sei que não era vinho – exigi saber, ainda apoiada nele.
Acho que vou esperar uns dias pra contar. Ou talvez descubra sozinha, não me espantaria se isso acontecesse – ele me observava cauteloso, seus olhos castanhos e adoráveis nos meus.
Deus, como ele era bonito. Como eu odiava saber que ele tinha matado alguém da minha família, e que nunca teria segurança ao lado dele, e como amava aquela criatura morta e amaldiçoada. Por que não nasci na Idade Média? Eu poderia tê-lo conhecido. E quem sabe, ele teria sido meu em vez de Anne.
Me conte de uma vez, não pode ser pior que os vampiros que me atacaram – dei de ombros, não dando muita importância, só estava curiosa, o líquido parecia curar depressa.
Ele franziu um pouco a testa, relutante.
Você bebeu meu sangue – respondeu, como se dissesse que iria comprar pão e que voltaria logo.
Não posso dizer que entendi a resposta. Meu cérebro congelou por alguns momentos. Estava entorpecido demais pra processar a informação.
Mas então, quando finalmente ele voltou a trabalhar, eu captei o sentido.
Bizarro. Mas não me assustei. Tinha uma cota de seriados e filmes que tinha visto pra não perder a cabeça diante de tal fato.
Seu sangue, bom, pode curar um ser humano?
Em pequena escala, como é seu caso. Mas por quê você não está me amaldiçoando ou me transformando num sapo? Deveria te deixar furiosa, não deveria? — ele ergueu uma sobrancelha loura, como se estivesse achando a coisa tão engraçada quanto surpreendente.
Ainda vou fazer isso, quando tiver uma chance. Quando você for humano e não puder correr, quem sabe – respondi, em tom de pilhéria.
Jacques continuou olhando pro meu rosto, curioso.
Elisabete, sei que meu passado está manchado, mas entenda que me arrependo do que fiz, e muito, assim como Hugo. Nós não queríamos matar as Bottuli.
Então por que fizeram? — fui enfática, mesmo amando-o eu sabia da parte perigosa, que eu não podia confiar.
Nós temos natureza violenta, Lis, e às vezes lamentavelmente, essa parte nos domina de modo que a racionalidade fica completamente subjugada. Eu jamais deixei de lamentar o que aconteceu.
Eu acredito nisso, Jacques, mas como vou ter certeza de que se o feitiço não conseguir ser revertido de novo, você não irá quebrar meu pescoço e o de minha avó?
Ele me deu um olhar estranho, que não consegui identificar.
É justo que você questione, e também é justo que saiba a verdade. Eu não sei como eu reagiria. Mas eu sei que dessa vez irá dar certo.
Como tem tanta certeza?
Nós concluímos qual foi o nosso erro, as Bottulli não eram Fogo e Ar, eram Ar e Água. Infelizmente deduzimos isso tarde demais. Você é Ar e sua avó Fogo.
Como sabem disso? Nem eu sabia!
Ah, uma vez ela queimou a própria casa pra fugir de nós. E como estávamos muito próximos temos certeza que foi magia, ela tinha que fugir depressa.
Arregalei os olhos, imaginando minha avó tacando fogo em uma casa. Era meio assustador.
O ar era bem volátil, não podemos vê-lo, só sabemos que está ali, a não ser quando ele se torna algo violento, como um vendaval ou um furacão. Mas no todo ele não causa muito pânico, porque ninguém pode enxergá-lo.
Mas o fogo... é diferente. É algo que pode causar medo instantâneo, as chamas altas, que podem te devorar... Estremeci.
As mão geladas – com as quais eu, lamentavelmente, já estava acostumada – apertaram meus ombros.
Está sentindo alguma dor?
Não, só estava pensando no fogo. É algo... poderoso.
Não subestime seu elemento. Ele é extremamente perigoso.
Mas ainda não sei lidar muito bem com ele, não alcancei meu máximo. Como... Anne.
Ela soube a vida toda que era bruxa, você não, sua magia foi bloqueada. A partir do momento em que algo ligado a magia, no caso eu e minha família amaldiçoada, encontrou você seu poder despertou, essa é minha teoria, pelo menos.
É a coisa mais sensata pra pensar – respondi. E então caiu o silêncio, só quebrado por uma voz encantadora cantando algo do Evanescence em alguma parte da casa.
Sem pensar, toquei a mão dele em meu ombro, e arquejei em seguida.
Não estava mais em mim, eu não era mais eu. Era um rapaz alto, louro, e grande, eu estava caído no chão de um quarto escuro, e chorava, sentia meu corpo queimando, e uma sede abrasadora que rasgava minha garganta e estômago. Mas não podia me mexer. Meus membros estavam duros e incapazes, e havia uma dor desconhecida em toda a parte, uma dor dilacerante. Meu único movimento era a respiração entrecortada e difícil.
Uma moça se aproximou de mim, apenas iluminada pela luz de uma vela próxima, ela tinha lágrimas escorrendo pelos olhos claros.
Perdão, Jacques, por favor, me perdoe, eu tive que fazer isso! — seu cabelo louro-cinza era quase prateado, e me lembrei das vezes em que tinha passado horas alisando aqueles fios sedosos.
Tentei falar, minha cabeça queimando de raiva. Fora ela, como ela podia ter feito isso comigo?
Amanhã estará bem, poderá se mover e sentirá fome, muita fome. Não hesite em procurar alimento... mesmo que a partir de agora ele seja um pouco diferente. E seja misericordioso, não torture sua presa, dê a ela uma morte descente e rápida.
Eu queria perguntar à ela do que estava falando, mas minha língua era como uma rocha, pesada, não se movia.
Senti seus lábios nos meus, num beijo rápido, as lágrimas pingando em meu rosto.
Adeus, por mais que não vá acreditar, eu amo você, Jacques, tenho certeza de que teríamos sido felizes... — ela sumiu do meu campo de visão, mas sua voz continuava dançando pelo ar – Amo você...
Então ela se foi, depois de me deixar ali, transformado em alguma coisa que não parecia boa. Eu não podia entender, por que ela fizera isso comigo? Eu a amava! O que tinha feito de errado???
Ouvi uma voz distante, chamando meu nome, até que se tornou próxima, muito próxima. Meus olhos voltaram a enxergar o quarto de Jacques, que me balançava de leve, me encarando com alarme.
O que foi? Você ficou rígida e parecia estranha, como se não estivesse aqui...
Não foi nada – eu me esquivei, não iria revelar que eu tinha sido ele no pior momento de sua existência, quando ele estava se tornando um vampiro, e nem que Anne tivera a cara de pau de dizer que o amava depois de amaldiçoá-lo. Francamente. – Só estava imersa em pensamentos.
Uma imersão bem profunda, pelo visto – ele agora tinha uma faísca de desconfiança nos olhos castanhos.
Sim, muito profunda – retorqui, ausente. Não tinha tempo pra conversa – Eu vou pra casa.
Ainda não. Seus ferimentos... — ele contestou, tocando com cuidado, meu curativo no pescoço.
Me dê mais sangue, tenho certeza que ficarei bem em minutos.
Ele ergueu uma sobrancelha, surpreso.
Isso foi estranho de ouvir. Afinal, tem gosto de quê, o meu sangue?
Não sei, parece meio com morango, é bom.
Agora ele tinha as duas sobrancelhas alçadas em sua testa branca.
Bem, como queira. Só não comente nada com meus familiares, eles não iriam aprovar nada disso.
Por quê? — agora eu estava curiosa. Qual era o problema, afinal? O gosto não era nem um pouco ruim, e me recuperaria mais rápido, a intenção deles não era me manter saudável?
Dessa vez o sorriso malicioso de Jacques me pegou desprevenida. Era totalmente fora de contexto.
Quando um vampiro alimenta alguém com seu sangue surge uma espécie de ligação entre ele e quem bebeu desse sangue. Costuma- se chamar de linha de sangue. Não estranhe se por acaso souber exatamente onde estou, ou sentir uma raiva que não é sua. Provavelmente será eu – ele apontou a si mesmo – E vice-versa.
Meu queixo caiu, quase deslocando meu maxilar.
Puta merda! — foi a única coisa que pude dizer.
Ele riu.
Agora você pode entender, porque ninguém irá aprovar. Sempre estará um passo a frente, e meu pai não vai gostar. Ele gosta de pensar que temos vantagens maiores e damos as cartas.
Não creio que será uma vantagem muito grande. Já tinha feito antes?
Nunca.
Então como sabe, digamos, dos efeitos colaterais?
Porque Hugo fez uma vez, com uma jovem que ele gostava, no século XIX, só pra te localizar, só que o deles não foi uma mera linha de sangue. Foi um pacto de sangue.
Qual é a diferença?
A pessoa dá de bom grado o sangue ao vampiro. É algo forte, ele podia sentir quando ela estava sofrendo, como se a dor fosse dele. Quando ela morreu, Hugo ficou de certa forma, doente por anos.
Como se pra provar a dor da perda de Hugo, a voz de soprano começou a cantar uma canção triste e saudosa, eu a conhecia, tinha um pai que era fã número um da Enya. Aquela melodia era de partir o coração.
Porque ele não a transformou?
Esqueceu que não somos originais? Nós não temos esse poder, e mesmo se tivéssemos, Hugo não iria fazer isso.
Em falar em originais, você conhece algum?
Ele abriu e fechou os lábios vermelho-escuro por um segundo, parecendo hesitante.
Sim, conheci, há muito tempo atrás – foi sua resposta curta e rápida.
Franzi a testa. Aquilo estava parecendo meio evasivo.
Em que tempo? — insisti, sondando seus olhos claros.
França e Inglaterra em guerra por anos e anos te lembra alguma coisa? — ele perguntou em resposta, o olhar vítreo, sem deixar transparecer alguma emoção.
Me lembram da Guerra dos Cem Anos, é isso que está tentando me dizer?
Sim, foi por essa época que eu e minha família conhecemos um clã de originais. Os Stuart, eles eram ingleses – ele estava fazendo alguma coisa com o braço esquerdo que eu não conseguia ver, seu rosto se franziu no fim da frase.
Dei um risinho.
Isso é novidade, ingleses e franceses se dando bem, hem?
Somos vampiros, essas formalidades tendem a ser esquecidas – ele disse, e me ofereceu a taça de prata novamente – Tome.
Agora eu sabia porque ele estava mexendo o braço e fazendo careta.
Eu queria continuar o assunto, mas a vontade de me curar rápido venceu a curiosidade. Bebi devagar, tentando não pensar que estava tomando sangue, e sim um vinho estranho de textura grossa com gosto parecido com de morango.
Enquanto engolia, senti um calor derreter suavemente no meu estômago, se irradiando por todos os meus ossos. A mão fria de Jacques retirou com cuidado a bandagem do meu pulso. Dei uma olhada, a pele estava daquele jeito vermelho que antecede a cicatrização completa. Muito bom, agora eu podia ir pra casa, e ficar longe de Jacques.
Porque não importava quanto eu o amasse, eu ainda não confiava nele.
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