Série Elementares - Escolhas (LivroUm)
21 Sentença.
– Philip veio me procurar. – Aiida pegou o copo sobre a mesa branca da pequena lanchonete
– Detalhes. – Fred falou bebericando seu conhaque, apesar de ainda estar amanhecendo.
– Ele queria ver o Acervo da família, ele queria descobrir outros tipos de Seres, a garota dele... a Elementar – ela sussurrou olhando ao redor – está envolvida com um cara. Alguém de Lisarb. Você sabe que provavelmente vão matá-la e vocês não terão o que querem. O feitiço não pode ser feito sem a menina de Philip.
– Então é preciso que eles descubram que ela não é Elementar coisa nenhuma. Estávamos segurando essa informação até a tia fazer seu papel, mas, aquela humana não está servindo de nada. – revirou os olhos e deu um grande gole.
– Como vocês souberam antes de todos... – ela perguntou meio que pra si mesma
– Nathaniel consegue tudo o que ele quer se for de seu interesse. Além do mais a mãe da menina fez uma grande burrada envolvendo a gente em sua vida, mas, isso não importa agora, ela está morte. – sorriu – Quero que você me diga se ele te procurar outra vez.
– Então a menina não é uma Elementar. O que ela é?
Os olhos de Fred se desviaram, inquietos.
– Ainda precisamos dessa informação. Talvez você possa fazer algo a respeito.
– Meu Acervo não é tão grande. – ela baixou os olhos
– Certo. – ele disse antes de terminar de beber o conhaque – Acho que está na hora de Weverston e Lisarb saber que Alyssa não é quem diz ser. O resto é com ela.
– Eles vão matá-la.
– Não se estivermos certo. Afinal, não se pode matar um imortal. – ele levantou-se
Ainda arregalou os olhos
– Ela é um ser proveniente do Mal?
Fred piscou e saiu.
– É o que esperamos. – ele disse antes de entrar no carro branco estacionado no meio-fio.
Lyss bateu á porta de Marcus.
– O que é? – ele resmungou abrindo, seus cabelos estavam revoltos e olhos apertados – Sabe que horas são? Pois é, eu também não já que nem há sol no céu.
– Você ainda tem alguma gota daquela bebida?
Ele olhou para um lado e depois o outro do corredor e puxou-a para dentro do quarto. Só então Lyss percebeu que ele estava sem camisa, Marcus tinha um corpo incrível, ela tentou não corar.
– Pra quê você quer a bebida? Ou essa foi só uma desculpa pra ver se eu durmo com ou sem roupa? Tenho que te dizer que a segunda alternativa é a certa. Vesti a calça depressa para o caso de não ser uma mulher á porta.
Ela revirou os olhos tentando não rir
– Eu só quero a bebida, ok? Hoje vai ser um dia cheio e eu não quero estar totalmente sóbria.
Ele riu e sumiu pela porta do banheiro, voltou trazendo uma garrafa com menos da metade cheia.
– Beber faz mal á saúde e todas essas coisas, não deveria fazer isso.
Mas, Lyss já havia virado a garrafa na boca e dado dois grandes goles.
– Obrigada. – e saiu
– Apareça ou entre sem bater. Eu juro que durmo nu. – falou enquanto ela sumia
Depois de um banho frio ela arrumou os cabelos e colocou uma das roupas que comprou na viagem, um pouco de maquiagem, perfume, uma pulseira e o colar que já fazia parte dela. Olhou o resultado e sorriu para si mesma, abriu bem as janelas e afastou as cortinas deixando o brilho do dia e a brisa entrar em seu quarto, olhou o mar ao longe e respirou fundo. Se ia morrer queria que as pessoas se lembrassem dela bonita e de bem com a vida.
– Eu não vou para a faculdade, não vou montar escritório de coisa alguma no centro da cidade, não vou aparecer na TV, não vou me casar ou ter filhos, não vou ter uma casa própria, não vou dançar na chuva, não vou conhecer mais países do que o número de meus dedos da mão. – falou para a paisagem lá fora – Mas, quando fiz minhas escolhas devia saber onde eu estava me metendo. – sorriu sem vontade e dirigiu-se para a porta, Lyss abriu a porta e ia sair quando alguém irrompeu para dentro do quarto.
– Mas, o q... – Lyss disse com o susto. Aquilo estava ficando complicado.
– Obrigada por destruir meu sono Sinclair. – Victoria disse colocando-a contra a parede ao lado da porta
– O que há Victoria? – ela perguntou, depois de focar os olhos da moça foi que viu o quanto a expressão dela representava dor – O que aconteceu? – ela perguntou mais suavemente
– Você está namorando o seu Mentor. Só isso.
Lyss empalideceu
– O q-quê?!
– Não adianta. – ela foi falando enquanto a soltava e fechava a porta – Eu tive mais uma maldita visão sua outra morte. Acho que você é quem eu mais vejo morrer. – falou com exasperação – E eu vi você com o Evan, eu entendo, ele é um gato, mas... – ela suspirou parecendo mais triste com a notícia da morte de Lyss do que a própria Lyss.
Lyss ia falar algo, mas, Victoria interrompeu:
– Não é uma boa ideia continuar com mentiras, mas, não tenho certeza de querer ouvir a verdade – ela sentou-se na cama que Lyss arrumara meticulosamente – Só me escuta: Alguém está vindo e vai contar aos Mentores, á Winfrey e até ao demo se tiver oportunidade, sobre você e Evan. – ela fez uma pausa olhando para Lyss
– Foi essa a visão que você teve? – Lyss tentou mostrar calma
– É.
– E... o que eu faço?
– Essa é a parte da visão que você é julgada e morta. – Victoria disse olhando fixamente para Lyss. Para surpresa de ambas, Lyss apenas assentiu – Félix está atrás da pessoa... ele ainda não sabe quem é e eu também não.
– Félix sabe?
– É. Ele vê as visões que eu vejo.
– Entendo. Qual é a acusação? Você viu?
– Você vai ser morta por se relacionar com seu Mentor.
– E quando é?
– Logo.
Ela apoiou-se na parede tentando fazer as pernas pararem de bambear.
– Félix foi atrás de Evan, para contar pra ele. Acho que vocês deveriam se despedir... ou sei lá. – Vick balançou a cabeça e saiu pela porta. Por segundos a fio os passos atrás da porta foi a única coisa que Lyss ouviu.
Mais tarde Cassie e Louis conversavam alheias ao comportamento de Lyss, ela ficou feliz com isso, não realmente feliz, mas, satisfeita, Cassie planejava uma festa do pijama para as meninas nessa noite. Ficou feliz quando viu Félix aparecer segurando a mão de Victória lá embaixo.
– Meninas, preciso ir lá embaixo.
– Certo! – Louis falou
Correu escada abaixo e por pouco não caiu tropeçando nos próprios pés. Félix e Victória já estavam na porta.
– E então?
Foi Félix quem respondeu:
– Não achamos, mas, Demetree tem certeza de que era um homem e pior... não era um de nós.
– Como assim?
– Ele não é um Wateaire, talvez estejamos lidando com alguém do Instituto Weverston. Ou pior... uma raça nova.
– Raça nova? Que história é essa agora?
– Não temos certeza, são só possibilidades. Ele foi embora de Lisarb, Evan e Demetree estão vistoriando os limites daqui.
Demetree sabia.
Lyss suspirou um pouco mais aliviada.
– É uma quase boa notícia.
– Quase... – Victória repetiu
– Lyss, não gosto muito de Evan, mas, não quero vê-lo morto, começo a acreditar que a imortalidade dele é mesmo anulável, porém, não pretendo pôr isso á prova, tomem cuidado, agora mais do que nunca, por mim vocês nunca mais se veriam, só que sei que não é possível, então mantenham-se vigilante.
– Obrigada, Félix, realmente agradeço.
– Não é necessário, é bom fazer uma boa ação pra variar.
Ele saiu em direção á cozinha e Victória acompanhou-o.
Lyss correu para o quarto, não tinha nenhuma intenção de fazer festa de pijama nesta noite, aliás, só havia uma pessoa que ela queria ver neste momento, Lyss suspirou aliviada quando ouviu seu batimento cardíaco, ele entrou pela janela e sem dizer uma palavra a envolveu em seus braços. Ficaram assim por algum tempo, absorvendo a presença um do outro. As lágrimas até então reprimidas vieram á tona com força, ele gemeu e ela soluçou, Lyss entranhou suas unhas na camisa mantendo-o tão próximo quanto fosse possível.
– Eu pensei que havia perdido você. – a voz saiu entrecortada
– Não fala nada, só me abraça bem forte.
Seu corpo forte estremeceu junto ao dela, ele tirou seus pés do chão e ela envolveu sua cintura com as pernas. Lyss mal sentiu quando ele saiu do lugar, só se deu conta de que o fazia quando foi colocada delicadamente contra os lençóis frios da cama, ela entranhou os dedos na maciez de seus cabelos anulando a distância entre os lábios, a boca fria movia-se hesitante em sincronia com dele, seu rosto ainda estava banhado em lágrimas, ele parou de beijá-la e gemeu de olhos fechados.
– Se algo acontecer com você por minha causa...
– Não claro que não vai, — as palavras já não tinham tanta convicção – vamos ficar juntos, Evan.
– Sei que vamos, independente do que acontecer. Mas, eu sinto que vai acontecer algo, entende?
– Victória vê o futuro, posso pedir a ela que...
– Não, — interrompeu-a — me escuta.
Ele se afastou e as pernas dela caíram contra o colchão, ele sentou-se aos pés da cama mantendo os olhos nas mãos.
– Eu sinto que vai acontecer alguma coisa e se isso for ruim pra você... eu nunca mais vou poder... – ele suspirou – Você é toda a essência de minha vida, Lyss, e se alguma coisa acontecer por minha causa...
– Algo já aconteceu por sua causa. Eu estou perdidamente apaixonada por você e a culpa é sua, o que vai fazer quanto a isso?
Aquilo era uma despedida, ela sentia. Evan queria se afastar dela para protegê-la.
Ele gemeu e cobriu o rosto com as mãos.
– Forte o suficiente pra vencer qualquer coisa, Evan. Você mesmo disse isso.
– Eu sei... mas, quem disse que estou certo o tempo todo?
Lyss arfou.
– Você está terminando comigo? – as barreiras se ergueram de novo, ela sentia. Mais fraca e quase inútil, mas, estava ali separando-a do resto do mundo.
– Lyss eu amo você – ele começou
– Ao diabo com seu amor! – ela gritou querendo que ele sumisse – Por que todas as pessoas que me amam vão embora! – as lágrimas estavam se acumulando em seus olhos – Sai daqui Evan. – ela pediu
– Lyss eu...
– Sai! – pediu baixinho – Por favor.
Evan bateu a porta atrás de si, ele podia sentir as mãos quentes, sempre era assim quando se irritava. Respirou fundo tentando clarear a mente. Sua vida era uma sucessão de erros. Ele seguiu para as escadas, estava indo para a Ala Azul, estava se esforçando para entender o porquê de conseguir controlar todos os Elementos.
Ele descia as escadas enquanto Nadine subia.
– Evan. – ela sorriu para ele – Cassie me chamou para a festa dos pijamas.
Evan assentiu e tentou sorrir para ela. Estava quebrado demais para fingimentos.
– Preciso ir. Na verdade não sabia que Winfrey ficaria aqui por tanto tempo. – ele desviou-se dela para seguir escada a baixo.
Foi quando Nadine simplesmente segurou a mão dele.
– Tudo bem. –ela falou e em seguida seus olhos perderam o foco por alguns segundos.
Evan conseguiu sentir a quase imperceptível linha de magia que fluiu dela para ele e de volta para ela. Nadine empalideceu de leve deu um sorriso amarelo e subiu os outros degraus correndo.
Evan franziu o cenho, mas, seguiu seu caminho, Clovis saía do escritório com uma pasta na mão.
– Clovis – Evan chamou – Você sabe qual o dom daquela menina. A Nadine.
Clovis deu de ombros, a porta se abriu um pouco mais e Winfrey vinha logo depois de Clovis.
– Qual o interesse em minha pupila? – ele sorriu
Evan deu de ombros
– Nada. Curiosidade. – e deu as costas para ambos enquanto seguia para sua Ala.
Philip abriu o livro sobre a cama enquanto Lyss trancava a porta.
– Eu gostaria muito de ficar sozinha. – ela falou mesmo sabendo que seria inútil – Você bem que podia usar seu teletransporte e me levar para ver Lucy.
– Ou você quer ficar sozinha ou quer ver Lucy. Eu roubei esse livro de uma Bruxa chamada Aiida, a família dela tem um Acervo considerável.
– É sobre Evan? – não queria falar sobre ele
– Sei que vocês não são mais “vocês”, agora é você e ele. Separados como tem de ser. Antes que um dos dois morra. Além do mais estou superficialmente irritado já que você, a estranha, o Mentor dela e aquele velho chato formaram uma espécie de Liga e me deixaram de fora.
– Você está falando da Visão de Victoria? Ela não é estranha. – talvez um pouco
– Eu estava pensando sobre a carta de seu pai, talvez devêssemos mesmo ir vê-la.
– Você poderia me levar escondido.
– Talvez.
Lyss suspirou e sentou-se com ele na cama. A página estava aberta na imagem de uma silhueta com quatro braços, sentada em posição de meditação. As mãos estavam com a palma virada para cima e sobre cada uma flutuava um círculo com o símbolo de cada Elemento.
– Acho que encontrei.
– Como essa tal de Aiida tem um livro como esse? Não deveria pertencer á Lisarb? Á Ala?
– Na Ala só existem informações totalmente verídicas, livros como esse pode conter informações falsas. A Natureza é bem seletiva. A família de Aiida é muito antiga, são as chamadas Primeiras Bruxas, da raiz que alguns humanos conheceram.
– Você fala de Salém e a Caça ás Bruxas?
– Isso!
– Já que pode ter informações falsas você acha que devemos confiar?
Philip deu um suspiro impaciente.
– Cala a boca Alyssa. Olha – apontou para a figura, sobre ela havia uma união do sol e da lua, num eclipse parcial – Só existiu dois alinhamentos perfeitos dos planetas, um deles aconteceu há mais de cem anos e o outro – deu de ombros – foi mais recente, mas, não dá para saber quando exatamente. Segundo esses escritos – ele apontou para o texto de símbolos – para controlar todos os Elementos seria necessário que um filho de dois Wateaires muito poderosos nascesse no exato instante que os planetas se alinhassem e a lua ou o sol tivesse com coberta exatos cinquenta por cento.
– O que é quase impossível.
– Isso! E aparentemente isso só aconteceu uma vez na história.
– Então Evan deve ter nascido nesse dia? Quantos anos você tem?
– Não importa. – ele fez muxoxo
– Mas, você nasceu antes de Evan.
– Quando Evan nasceu eu era uma criança e fui ensinado a odiá-lo. Depois me tornei a segunda pessoa do Chefe e o resto você acha que sabe.
– Não importa agora. – foi a vez dela de fazer muxoxo – O que importa é que ele não é um ser do Mal, certo?
– Aqui diz que é muito poder. – ele suspirou
Nadine esperou o momento certo para descer as escadas de novo, sentia o corpo trêmulo, ainda não acreditava no que sentiu e viu. Desceu as escadas só se preocupando em não tropeçar, felizmente o Adams não era tão movimentado quanto o Weverston, só precisou se desviar de Mathias e seguiu atrás de Winfrey. O dom de Nadine ainda estava em treinamento porque Winfrey acreditava que ela era muito mais poderosa do que agora. Nadine pensava nisso enquanto procurava por Winfrey, queria mais do que tudo que ele se orgulhasse dela e que se impressionasse – Winfrey era alguém difícil de impressionar. Ele estava no salão, de costas para a porta entreaberta, conversava com Clovis que lia a ficha de Lauren – a provável Elementar da Água.
– Muito poder quanto? – Lyss perguntou virando o livro pra si – Como você consegue ler esses símbolos?
– Estudos. E aqui diz que esse ser deve ter seu poder sob controle.
– Ou ele pode matar?
– O mundo inteiro. – Philip tinha uma expressão de cansaço no rosto
– Winfrey! – Nadine gritou e correu na direção dele
– Já pedi para não me interromper desse jeito. – ele virou-se com impaciência – Você deveria estar com as garotas, sondando.
Clovis tinha um ar de pesar.
– É importante! – ela parou diante de seu Mestre
– Nadine... – ele reclamou raivoso
Ela segurou o rosto dele entre as mãos e tentou o que havia treinado durante todo mês. Ela segurou o que havia visto em Evan e empurrou na direção de Winfrey, Clovis viu Nadine apertar os olhos e Winfrey simplesmente ficar sem foco, absorvendo as sensações e a visão.
– Minha nossa! – ele exclamou
Lyss levantou-se e olhou Philip.
– Então descobrimos o que Evan é. O que não é tão importante já que a gente terminou.
– Nada me deixa mais feliz. – ele garantiu – Acho mesmo que devemos ir á Califórnia, temos parte de nossas preocupações exterminadas agora com Evan fora do nosso caminho.
Evan jogou uma pedra no mar lá embaixo. Demetree parou atrás dele.
– Vai bancar o Mentor agora?
– Você contou á Lyss que domina todos os Elementos, o que devo afirmar: Foi uma burrice! Terminar com ela nessa altura do campeonato também não foi uma atitude das mais inteligentes.
– Demetree me deixa em paz. – ele se sentia vazio – Eu não queria tirá-la da minha vida pra início de conversa. Eu a amo!
– O amor é lindo, o amor destrói. Como um inseto sendo atraído pela luz até ser morto.
– Eu não vou me separar dela de qualquer jeito. Ainda sou seu Mentor.
– Acha mesmo? É claro que você não é Mentor dela.
Evan virou-se para ele, uma ideia se formando.
– Então talvez possamos ficar juntos. – ele sorriu dando-se conta – Se eu não for Mentor dela eu posso ficar com ela.
Demetree arregalou os olhos
– Você teria que contar que controla todos os Elementos e eles te baniriam. Não seja burro.
– Eu nasci para algum propósito da Natureza ou não teria sido poupado. Eu não sei qual é e você também não, mas, deve ser algo importante.
– Não mexa nisso! Esqueça! Você não precisa de Lyss.
– Por que fala dela desse jeito? – ele ergueu uma sobrancelha – Estamos juntos pela ligação por bastante tempo e sabemos que você não tem total acesso á mim e nem eu á você. Não mais. Além do mais você toma chá de Ocultarium todos os dias. O que há de importante em Lyss? Pra você, quero dizer.
– Nada! Mas, ela não é imortal como você. – não era só isso, mas, Demetree disfarçou bem.
Winfrey arfou depois de receber a informação. Sentia-se exultante e feliz.
– Agora entendo os planos da Natureza. – ele afagou a cabeça de Nadine – Estou orgulhoso de você!
– Não entendo. – Clovis murmurou
– Deixe-me explicar Clovis. – virou-se sorridente – Lauren é a Elementar extra que a Natureza providenciou pra gente.
– Elementar extra?
– É. Teremos que matar a que vocês tem aqui.
Clovis empalideceu visivelmente.
– Matar Lyss? Como assim?
Winfrey riu.
– Clovis meu querido, você é humano, mas, está aqui há tempo suficiente para entender que apegos sentimentais é uma falha. Lyss deve ser morta já que está namorando seu próprio Mentor. Devo afirmar que ele é imortal, então deve ser mandado para bem longe daqui, ou entregue para criaturas que vão adorar tentar matá-lo.
– O quê?
Philip fechou o livro.
– Vou deixar esse livro com você, acho que terei que me aprofundar mais nisso, descobrir como se chama esses seres capazes de dominar todos os Elementos.
– Você pode me lembrar o porquê de estar fazendo isso?
Philip levantou e limpou a poeira imaginária da roupa.
– Por que eu amo você e você ama esse imbecil imortal, estou aqui para proteger você e se pra isso eu precisar provar que ele não é seu Mentor – deu de ombros – farei.
– Está fazendo isso por que me ama? – ela cruzou os braços
– É. Eu amo você. E o amor a si mesmo justifica. – Philip piscou – Vou indo. – levantou-se e teletransportou-se
Lyss havia acabado de se jogar na cama quando batidas fortes soaram na porta.
– Cassie eu não vou para festa de pijamas. – gritou
Mais batidas e dessa vez mais fortes.
– Cassie! – ela reclamou sem se mover
Mais uma batida e um som da porta sendo arrombada. Lyss levantou-se assustada, Winfrey sorria segurando a porta quebrada.
– Olá Alyssa. Precisamos conversar.
Demetree seguiu Evan floresta a dentro.
– Seu plano é ridículo!
– Eu nunca te perguntei – ele lembrou-se de repente – Por que você deu um colar a Lyss que a protege de shadies?
– Como assim?
– As Alyssuns do colar de Lyss, é a planta que protege de ataques de shadies, nós sabemos que na Suíça eles combatiam essas criaturas, mas, elas praticamente não existem.
Demetree sorriu sem vontade.
– Você ficaria surpreso. Você pode até ser imortal, mas, sabe que já vivi mais que você.
Lyss cruzou os braços e encarou Winfrey, ele estava acompanhado de Clovis, Nadine e mais três homens que ela não conhecia.
– Era só chamar. – falou irônica apontando a porta
– Eu bati. – ele continuou sorrindo – Estou aqui para saber o quê você é. Que diabos é seu bloqueio e como conseguiu nos enganar.
– Eu sou uma Elementar. – ela franziu o cenho – Isso é algum tipo de piada.
– Ela está falando a verdade. – Nadine suspirou – Eu disse.
– Lauren é a Elementar. – Winfrey replicou – Mas, já que Lyss também é, deve sofrer as punições.
– Punições?
– Você está se relacionando com seu Mentor? – Winfrey entrou no quarto e um dos homens começou uma cantoria agourenta. Lyss reconheceu o feitiço.
– Não. – ela disse, mas, sabia que soaria como mentira porque não pensou em Philip, mas, em Evan quando respondeu.
– É mentira. – o homem falou interrompendo a cantoria para depois retomá-la.
Winfrey meneou a cabeça.
– Vamos correr atrás do prejuízo que nos deu e treinar Lauren o máximo que puder, vamos levá-la até seu Mentor e descobrir se ele é o Mentor dela – ele deu de ombros – vamos dar um jeito.
– O que você vai fazer comigo? – ela se deu conta do que estava acontecendo quando o outro homem aproximou-se e tocou-a, ela sentiu as pernas fraquejarem e Lyss caiu de joelhos antes de apagar.
Clovis batia os dedos em sua mesa enquanto encarava Winfrey de cara feia.
– E se a garota não for a Elementar?
– E a vi fazer nevar em Miami Clovis. – Winfrey dizia pacientemente
Adam chegaria a qualquer momento com Lauren para o teste final, ela deveria ser capaz de entrar na Ala Azul, parte de Winfrey estava temeroso porque se a garota não fosse capaz de entrar, então tudo o que eles acreditavam estava errado.
– Isso não prova tudo.
– Ela vai conseguir entrar na Ala Azul e tudo ficará bem, ok?
– O que vai ser feito de Evan?
– Quero esse garoto o mais longe daqui possível. Quero que ele desapareça do mapa, talvez se cavarmos um buraco bem fundo – ele colocou o indicador no queixo, pensativo – ele demore bastante tempo para vir á superfície.
Clovis rangeu os dentes. Estava de mãos atadas.
– Ah! – Winfrey ergueu-se – Parece que Adam chegou.
Um extenso corredor levava á Ala Azul, Winfrey, Clovis e Lauren estavam diante dele agora, Lauren ainda estava assustada com tudo o que estava acontecendo, mas, se sentia bem melhor com pessoas mais parecidas com ela. Eles lhe disseram que ela deveria seguir até o fim do corredor e encostar a mão na porta. Parecia bem simples para ela. Winfrey acompanhou-a até a metade do corredor quando simplesmente não conseguiu ais dar um passo sequer para frente.
– O que está havendo? – perguntou assustado
– Não pode ir até o fim do corredor, mas, talvez ela possa.
Diante de todos, ela seguiu o corredor até parar diante da imensa porta. A porta de madeira era gigantesca, tomava quase toda a parede, entalhada nela havia desenhos do que parecia o formato de ondas. Ala Azul. Ala do elemento Água. Lauren colocou a mão na porta e ouviu um estrondo, a porta moveu-se sob sua mão, o barulho de inúmeras trancas repetiu-se por segundos a fio as marcas entalhadas na madeira emitiram uma suave luz. Outro estrondo, e a porta moveu silenciosa. Um ar frio fez com que Lauren fechasse os olhos por um. Lauren sentiu como se a sala estivesse conversando com ela, ela ouviu vozes sussurradas e frases em muitos idiomas diferentes. Lauren estava completamente esquecida das pessoas no início daquele corredor, ela deu um passo para dentro da sala e uma corrente passou seu corpo, suas células agitadas e pulsantes sob a pele.
– Eu sabia! – Winfrey murmurou e deu um suspiro de alívio – Podemos partir para o julgamento.
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