As mudanças, elas são inevitáveis, há um fluxo invisível que nos impede de seguir sempre o mesmo caminho. Algumas pessoas são destinadas a sofrer, sabe? São levadas a acreditar que tem um certo destino, e do nada, isso se quebra. Mas nós..., nós temos que nos manter vivos, pois precisamos ver como a história termina.
Os rostos se confundiam com as sombras naquele círculo, o pingente em formato de flor de lis girava nos dedos de Lyss, estranhamente ela não sentia nada. Estava oca – vazia. Nem os pedaços de si mesma fazia sentido, como um quebra cabeça de peças trocadas. Fazia sentido morrer assim. Morrer deve ser bem melhor do que perder pessoas, a dor é para quem fica e não para quem vai.
A clareira estava lotada, ela não se deu o trabalho de tentar reconhecer os rostos ali, a maioria nem a encarava, Winfrey estava no meio – com ela – e contava ao povo seu crime: Apaixonar-se. Exatamente como Cassandra. Os mais velhos devem ter percebido a ironia do momento. Lyss fechou os olhos, pensou em Lucy e depois nos pais. Pensou em Chris e na equipe de líderes de torcida que devem ter se virado bem sem ela, pensou nas meninas do Grupo de Ciências e nos amigos de Chris da Equipe de Xadrez, depois percebeu como era idiotice pensar nisso antes da morte, então optou por manter Lucy, Chris, Brad, Alice e Evan bem nítidos em sua mente. Não pensou em Philip de propósito, ele ficaria bem bravo quando percebesse que ela tinha morrido, Lyss bloqueou-o de propósito também, não queria que ele aparecesse e acabasse sendo morto antes de conseguir explicar que era seu Mentor. Lyss puxou o ar devagar, talvez sua dormência se devesse ao fato de ter sido apagada pelo Bruxo Mal de Winfrey. Eles – os Bruxos – deveriam ter um código secreto de nunca machucar outro Bruxo, ela teria ficado livre da péssima sensação de ser desmaiada.
– Nós conhecemos as regras! – Winfrey ainda falava – e eu tenho boas notícias, eu trago para vocês a verdadeira Elementar da Água, a Natureza já sabia o que a irresponsável Lyss faria e organizou para que ainda assim fosse impedido o Grande Mal. – Lauren se mexeu inquieta no círculo, um minuto se passou para que ela pedisse para sair dali – Alyssa está aqui para ser julgada por todos nós.
– Eu não acho que a menina deva morrer. – alguém falou
– Eu também não.
– Também não acho!
Muitas outras vozes se sobrepuseram á seguinte e assim foi até pouca gente entender alguma coisa. A unanimidade era o Não, mas, Lyss fingiu não ouvir isso e quando abriu os olhos baixou a cabeça. Olhou os próprios pés e para a roupa, pelo menos estava bem vestida; um vento balançou seus cabelos – estava cheirosa também.
– Eu proponho cárcere. – alguém ergueu a mão – Por que se essa menina nova, a Elementar, não der conta, pelo menos temos Alyssa para ser usada no feitiço.
Lyss ergueu a cabeça e franziu o cenho. Peraê, já tinha todo discurso preparado para sua Morte, aquilo não estava nos planos.
– É um bom raciocínio.
– Eu posso fazer um feitiço para mantê-la segura dentro do Castelo. – Lyss reconheceu o Bruxo que a tinha apagado e segurou-se para não mostrar a língua para ele.
– Evan está impedido de voltar na ilha. – Clovis falou – Ele não vai se aproximar daqui.
Winfrey deu um suspiro desolado e entediado.
– Quem concorda com a sentença?
Lyss só viu que muita gente ergueu a mão, depois disso mergulhou em si mesma.
Lucy trancou a casa e entrou em seu carro, depois de pintar a fachada e trocar os vidros da frente ela estava bem melhor, com a constante dor de cabeça ela simplesmente decidira deixar aquela casa de lado por um tempo e dedicar-se ao trabalho, pensar no irmão de forma tão obsessiva não estava lhe fazendo bem. Ela arrancou com o carro e Fred puxou o cigarro entre os lábios observando, da calçada, o carro partir.
Já passavam das 12:00 da noite, Lyss estava ali deitada por horas a fio. Ela abriu os olhos e fitou o teto sem realmente olhá-lo, ela sabia que ainda estava viva, a dor era a única coisa que dava absoluta certeza daquilo, o tremor de seu corpo a deixava ciente de que ela ainda era capaz de movê-lo, mesmo que involuntariamente, por um momento ela não ficou contente com aquilo, se estivesse morta e imóvel a dor não existiria, mas, se tal coisa acontecesse apagaria de sua cabeça todas as lembranças e certezas de que ele existia, ela suportaria a dor se as lembranças continuassem claras em sua cabeça. Ela suportaria porque aquilo era tudo o que tinha. Agora a lembrança de nosso amor era uma mancha colorida na tela borrada e sem cor que minha vida se tornou depois de sua partida.
Junho
Enquanto – de olhos fechados – ela concentrava-se em nada além de sua respiração, Lyss pensava se, talvez aquele fosse o preço a pagar, ela referia-se a dor, que era ás vezes insuportável. Talvez experimentar um pouco do inferno fosse o preço a pagar por ter estado tão perto do paraíso. Evan era o que ela entendia por paraíso, sua ausência era o inferno. Nós aprendemos a fugir do que nos dá medo, mas, e quando se teme fugir? Ela temia fugir, saí do caminho que acreditava que ele passaria, mais cedo ou mais tarde, temia fugir e perder a trilha, fugir e perder a direção. Durante todo aquele tempo era ele que a guiava, então, o que fazer? Como agir? Como lembrar sem sentir dor? Aquilo era realmente possível? Ela não sabia.
Lyss queria deixar de existir naquele momento, mas, seu coração idiota estava ali batendo, insistindo em manter a circulação em suas veias numa tentativa patética de mantê-la aquecida.
Todo o castelo havia sido enfeitiçado, o feitiço tão bem selado que Philip perdeu totalmente o acesso á Lyss, mas, ele olhava de longe os treinamentos cada vez mais intensos das Elementares e dos Bruxos, não podia fazer nada além de observar.
Julho
Ela estava sozinha no quarto, apenas Cassie e Louis atreveram-se a entrar ali nas últimas semanas, Esqueça-o – todos diziam, era bem fácil falar o que fazer quando não eram eles a ter conhecimento da profundidade e da dor da ferida.
Ela queria morrer, ou entrar em um estado de dormência, queria abrir o zíper, sair daquele corpo e entrar em um objeto inanimado, queria ficar ali á espera de Evan.
Mais uma vez haviam tirado dela o que a mantinha viva, primeiro seus pais, depois Lucy e Chris, agora Evan. A tristeza no exato sentido da palavra sempre a apavorou, porque era como um alerta para a dor próxima e a dor era o que precedia a morte. Mas, por mais que a dor continuasse grande a cada martelar de seu coração, por mais que ela crescesse a cada segundo, Lyss estava mais distante da morte, não sabia se isso era algo voluntário, mas, no fundo não era a vida que ela queria acabar, era com a dor.
Ela estava escolhendo continuar vivendo e, por mais errada que a decisão a parecesse no momento, por mais dolorosa que parecesse, Lyss nunca havia sentido tanto orgulho de si mesma por fazê-la. Ela iria continuar viva e lutando, esperando pela volta de Evan, esta era a única finalidade.
Agosto
Estava com os olhos fechados ouvindo o som da chuva contra a janela, o relógio lá embaixo marcou mais uma hora deixando bem claro que o mundo continuava girando alheio á sua dor. Lyss moveu o corpo desconfortavelmente e ouviu um ou dois ossos estalarem, ela suspirou só pra ter certeza de que ainda conseguia fazê-lo. Nos últimos dias Demetree entrava e saía do quarto á todo o tempo, ás vezes media sua temperatura e checava os batimentos cardíacos, talvez só pra ter certeza de que ela ainda estava viva, naquele momento Ross, Tisha, Cassie, Louis, Félix, Victória e Clovis conversavam na biblioteca, eles sussurravam, mas, ela podia ouvi-los.
– Temos que fazer alguma coisa, ela está morrendo, pode entender o que será se ela morrer? – Félix sussurrou
– Acho que devemos acatar á minha ideia. – Victória disse depois de um grunhido
– Concordo. – Félix disse rispidamente
Houve alguns segundos de silêncio e Clovis falou:
– Vou atrás do garoto Adam.
Os passos que seguiram para fora do Instituto foram de Clovis.
Ela esperava realmente que a ideia de Victória fosse trazer Evan de volta. Era o que ela esperava!
Setembro
Lyss, de pé diante da janela fechada mantinha seus olhos fechados, não queria acordar, não queria manter o coração batendo, teria parado de respirar se lembrasse de fazê-lo, que sentido tem abrir os olhos se não veria seu rosto perfeito diante de mim? Mas, eles não entendiam isso, ou simplesmente não aceitavam. Sendo como fosse ela queria permanecer assim, de olhos fechados, talvez quando resolvesse abri-los desse conta de que havia sido apenas um pesadelo, muito real, mas, apenas um pesadelo. Estava em dúvidas se ainda estava acordada, o corpo estava em total dormência, o coração ainda batia, em um compasso insistente, levando sangue ás veias, tentando em vão aquecer seu corpo frio, ela podia escutá-lo, ainda estava viva, Lyss puxou ar para dentro dos pulmões só pra certificar-se de que ainda podia fazê-lo. Lyss estava tentando fugir da realidade, habitar em sua cabeça era menos doloroso, ela permaneceu lá, habitando nas lembranças dos seus momentos juntos com Evan, permaneceu lá pra lembrar-se a razão de sua luta com a morte... que parecia cada vez mais perto...
Outubro
Dentro de sua cabeça... era lá que Lyss estava vivendo porque o fim parecia próximo e ela não queria estar lá para presenciá-lo. Corria da dor da ausência. Como podia doer tanto? O coração insistente ainda batia, seu corpo havia adquirido vontade própria, tremores faziam com que ele se contorcesse ás vezes. O relógio lá embaixo moveu mais um minuto. Não havia o quê viver. Não havia por que viver. Não havia nada, só um caminho estreito, frio e escuro que ela tinha que passar. Ele estaria lá quando ela acordasse não é? Então não caminharia agora. Não era a hora de morrer, nem de continuar vivendo, todo, e cada batimento cardíaco dela dava mais um pouco de tempo, Lyss sabia que estariam juntos outra vez. Quando e como era um mistério. Ela esperava estar viva quando acontecesse. – pensou enquanto outro batimento cardíaco se esforçava.
Novembro
Fazia muito sol lá fora, ela estava cansada de continuar lutando. Cansada de esperar por algo que demorava a chegar. Clovis partira há dias, desde então ninguém mais se atrevia a entrar no quarto, nem Demetree que ,aliás, estava vindo em direção ao Instituto com seus passos curtos e apressados, Victória começou a subir as escadas e parou diante do quarto de Lyss, parecia hesitar se entrava ou não, por fim ela abriu a porta e parou aos pés da cama.
– Sei que está acordada, mas, não precisa responder se não quiser.
– Quem contou, Victória? Como eles souberam da gente? – sussurrou.
Ouvi-a suspirar e sentar-se aos pés da cama.
– Nadine tocou em Evan.
– O que estão planejando pra mim agora?
Ela abriu os olhos fitando o teto.
– Acho que uma última tentativa de te manter de pé.
– Demetree está vindo pra cá. – Lyss murmurou ouvindo os passos do mago sobre as folhas secas.
– O que será que ele quer? Talvez ver se você está viva.
Lyss deu de ombros, Victória ficou de pé.
– Você está presa aqui no castelo, mas, não quer dizer que precise ficar no quarto. Eu sei que era para eu ter te dito isso antes, mas...
– Eu sei. Sempre soube, mas, prefiro ficar aqui. Lauren tem se saído bem? – perguntar qualquer coisa sobre Lisarb era estranho depois de tanto tempo.
– Sim. Está no mesmo nível que nós. Ela se saiu bem.
Ela assentiu. Aparentemente ela não tinha mais serventia.
– Talvez você queira saber que Clovis e Demetree insistiram para que o feitiço seja tirado do castelo e ampliado á Ilha.
– Isso não deve servir de muita coisa. Perda de tempo.
– Talvez você mude de ideia logo. Estarei lá embaixo.
Ela não esperou resposta, de repente Lyss ouviu várias pessoas falando ao mesmo tempo lá embaixo, os passos confundiam-se até o gramado lá fora.
Ela reconheceu as vozes lá fora: Adam, Lucy e... Chris?
O que Chris estaria fazendo em Lisarb? O que Lucy estaria fazendo em Lisarb?
Ela franziu o cenho e com esforço sentou-se na cama. Quanto tempo ela não fazia isso?
– Excelente que vocês chegaram? – Ross falou
– Onde está aquela garota? – Lucy perguntou
– No quarto, por aqui, eu te levo. – Cassie se ofereceu
Os passos das duas vieram apressados até o interior do Instituto, os de Chris vieram logo atrás. Cassie foi quem abriu a porta pra Lucy entrar no quarto de Lyss.
– Lyss... – Lucy correu até a sobrinha envolvendo-a em um abraço desajeitado.
Cassie fechou a porta deixando as duas a sós. Lucy estava estonteante como sempre, havia muito tempo que não a via, parecia uma eternidade.
– Meu Deus, o que fizeram com você? – ela sentou-se aos pés de Lyss.
– Estou bem, Lucy. – mentiu
– Claro que não está, olhe pra você. Há quanto tempo não come?
Calculei mentalmente.
– Não sei.
Ela ficou em silêncio inspecionando Lyss com os olhos.
– Porque está se entregando desse jeito?
– Tiraram minha vida, Lucy. Estou aqui como suporte se a menina falhar.
– Nunca te vi assim. – ela comentou pra si mesma
– O que Chris veio fazer aqui? Ele já sabe?
– Sabe, ouviu minha conversa com Clovis, tive que contar tudo á ele. – ela moveu os ombros
– Excelente! – Lyss ironizou
– Mas, isso não é importante agora, vou levá-la de volta, Lyss.
– Não posso sair daqui.
– Já falei com Winfrey e com os outros. Está decidido!
Lyss suspirou exasperada.
– Não quero ir. – ela não sabia onde estava Evan e tinha sérias dúvidas sobre voltar para a Califórnia
– Quer o quê então? Morrer? Porque é isso que vai acontecer se você continuar a ‘não viver’.
Uma batida leve na porta interrompeu-as. Chris enfiou a cabeça pelo vão da porta.
– Lucy, deixe-me falar com Lyss?
Lyss sentiu vontade de chorar ao rever seu melhor amigo, Chris estava mais forte do que a última vez que Lyss o vira. Seus olhos verdes escuros brilhavam na pele morena, queimada do sol, os cabelos chocolate estavam penteados rebeldemente para cima, os ombros eram fortes, ele devia ser só um pouco mais baixo que Evan, vestia uma camisa branca por baixo de um suéter preto. Chris abriu um sorriso ao ver Lyss, o sorriso esplendoroso, como sempre, capaz de derreter o coração de qualquer mulher – menos dela.
Chris era incrivelmente lindo, poderia ter pra si quase todas as garotas que quisesse, mas, ele costumava dizer que preferia estudar, porque, até ler no escuro dava menos dor de cabeça do que manter um relacionamento.
Lucy e ele trocaram um olhar cheio de significados e ela ficou de pé. Lyss escondeu o rosto com as mãos até ouvir a porta se fechar, Chris sentou-se lado dela e segurou seus pulsos, sem dificuldades afastou as mãos dela do rosto.
– Você está horrível!
– Obrigada!
Ela dobrou as pernas diante do peito e abraçou-as.
– Quando pretendia me contar?
– Nunca. – disse sinceramente – É uma das regras, os humanos não podem saber de nossa existência.
Ele fez uma careta
– Parece coisas de televisão.
Ele suspirou
– Na verdade você não quer sair daqui por causa do tal... garoto, não é?
Mesmo depois de tanto tempo Chris sentiu um nó na garganta.
– Ele foi tirado de mim, Chris.
– Por bons motivos.
– Você fala como eles. – sibilou com desprezo
– Porque é o certo, só você se recusa a ver isso. Vai ficar aí esperando o nada que te leva á lugar nenhum?
Lyss suspirou outra vez apoiando minha cabeça nos joelhos.
– Não quero falar disso com você. Fale-me de sua vida.
– Não está realmente interessada nisso.
– Você não se importa. – afirmou
Ele riu, o som delicioso pareceu mover as fibras até então imóveis do corpo de Lyss. Há quanto tempo ela não ouvia alguém rir? Há quanto tempo ela não ouvia Chris rir?
– Não, não me importo. – ele ficou em silêncio por alguns segundos – Não há muito a ser dito, no mundo dos humanos está tudo muito... normal. Se é que se lembra do significado da palavra.
Ela grunhiu contendo um sorriso, talvez não se lembrasse de como fazê-lo.
– Está se divertindo com isso não é?
– Muito.
Ela não precisou olhar para seu rosto pra saber que ele estava sorrindo.
– Vou entrar na faculdade. – disse de repente
Ela ergueu a cabeça fitando-o
– Isso é bom.
– Vou morar em Chicago.
Chris era um excelente músico, embora não fizesse isso pra viver, ele nunca havia tido dinheiro pra comprar um piano, improvisara um teclado e costumava tocar todas as noites, geralmente ela dormia escutando-o.
– Isso é excelente, espero que seja muito feliz lá.
– Já sabe que faculdade entrar?
Ela riu com a ironia do momento e meneou a cabeça negativamente.
– Não, não penso nisso.
– O fim do ano está perto.
Deu de ombros. Ela sequer pensava no amanhã que parecia nem existir sem Evan.
– Ele não te faz bem, nem sequer o conheço, mas, já tenho ódio desse cara.
– Não deveria, é ele que está me mantendo viva.
Ele bufou movimentando-se de um lado pra outro, pôs a perna sobre o colchão e balançou-a de um lado a outro – costumava fazer aquilo quando se aborrecia.
– É o contrário, ele está te matando, ou melhor, você está se matando por ele.
– Agradeceria se parasse de falar nesse assunto, não quero brigar com você.
Seu braço passou pelos ombros tensos de Lyss e ela circulou sua cintura com os braços.
– Você está gordo. – sussurrou encostando a cabeça em seu ombro
– Gordo? Quer dizer que estou feio?
Lyss fechou os olhos. Era muito bom estar com Chris, seu melhor amigo em todo o mundo.
– Você nunca foi bonito, Chris. — mentiu
Ele riu baixinho, o corpo movendo-se junto á risada grave.
– Você é minha melhor amiga em todo o mundo, Lyss. Não a mais arrumada, porque não menti dizendo que você está horrível, mas, a melhor sem dúvidas. Te ver assim, por causa desse cara... me sinto impotente, sabendo que nada posso fazer.
– Acho que se esqueceram de avisar á vocês que enfeitiçaram o castelo para eu não sair daqui e o máximo que vão fazer é ampliar o feitiço para a ilha para que eu possa tomar sol de vez em quando.
– Essa parte eu não sabia, mas, eles estão te punindo por causa desse cara, não é? Então a burra é você. Mas, a gente dá um jeito nisso e te tira daqui.
Ela fez um muxoxo, desgostoso.
– Obrigada, Chris.
– Por dizer que você está horrível, te chamar de burra ou por não poder fazer nada?
Lyss apertou mais os braços ao redor dele.
– Por estar aqui, isso já é muita coisa.
Ele beijou sua testa.
– Disponha! Ficarei sempre ao seu lado, Lyss. Eu amo você.
Ela não teve tempo de responder, os passos apressados de Demetree contra o piso lá embaixo prenderam sua atenção. Lyss franziu o cenho e se afastou um pouco de Chris, fitou um ponto vazio tentando escutar com atenção. Era a primeira vez que ela ouvia Demetree correr.
– Ross, Tisha, Félix, Lyss... – ele gritou dentro da sala – Eu descobri!
Apenas o eco respondeu-o, todos estavam na biblioteca, em questão de segundos os passos se misturaram acompanhando Demetree que corria escada acima.
– O que é isso agora? – Chris ficou de pé encarando a porta.
– Eu descobri! Eu sabia, dois meses de estudos e pesquisas não foram em vão. Eu sabia! – Demetree gritava eufórico
Ele irrompeu porta adentro parando diante da cama
– Lyss, eu descobri... – ele a encarava em expectativa, Lyss simplesmente franzi o cenho sem entender.
Os outros – inclusive Lucy – entraram ficando em fila atrás de Demetree, todos pareciam tão ansiosos quanto ela.
– O que descobriu, Demetree? Fale de uma vez. – Lyss falou
Ele virou-se para os Mestres.
– Não há razão para deixar Lyss e Evan separados, eles não são oficialmente Mestre e Elementar.
O coração perdeu uma batida ao constatar a veracidade daquelas palavras, mas, depois ficou em pânico ao pensar que eles podiam ter descoberto Philip.
– O que quer dizer com isso? – Ross cruzou os braços
– Eles não fizeram a ligação, não são Mestre e Elementar.
Ele virou-se pra Lyss, o lábio inferior dela tremeu, ela desviou a atenção para os Mestres que pareciam analisar a situação. Lyss sabia que quem dava as ordens finais era Winfrey, mas, eles precisavam de argumentos.
– Mas, a questão não é, eles serem Mestre e Elementar, a questão é eles serem dois seres dotados de poder. – Ross
Lyss arfou sentindo lágrimas voltarem aos olhos. Chris a abraçou, ela fechou os olhos sentindo a dor da ausência de Evan voltar com mais força, ela ficou assim por muito tempo.
Esse dia parecia mais longo do que qualquer outro, ela estava deitada, embrulhada numa colcha grossa, Chris estava fazendo carinhos em seu cabelo, sussurrando palavras doces, ela fitava a janela entreaberta, esperando Evan entrar por ela a qualquer segundo, mas, aquilo não aconteceria, talvez nunca.
Fale com o autor