Sweetheart
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Essa fic eu dedico totalmente à minha prima Martina, que sonhou com isso e me deixou transformar em história.
Aproveitem!
Eu acordei com o som irritante do despertador. Apertei o botão com força, mas a minha real vontade era de jogá-lo na parede.
Odeio acordar cedo.
Como não posso escapar desse método de tortura medieval, conhecido também como aula, obriguei meu corpo cansado da cama. Preciso parar de ficar virando a madrugada trocando mensagens com a Emma.
Ouço meu celular apitar. Que novidade: Emma.
Bom diaaa minha gata!! Sou só eu, ou você também tá acabada? – E.
Ri. Emma me manda mensagens o tempo todo. Ela é meio louca, mas é minha melhor amiga, então...
Bom dia, Em. A gente precisa parar de virar a noite se falando. Vamos acabar virando zumbis. Pronta pro nosso inferninho particular? – C.
Tenho mesmo que ir? Por favor, Catherine Hale! Eu não mereço esse sofrimento! – E.
Ainda rindo do drama de Em, bloqueei o celular e fui me arrumar. Desci as escadas e encontrei meus pais na cozinha, tomando café.
— Bom dia, família! – Disse e me sentei de frente para minha mãe, já me servindo.
- Bom dia, meu amor. Vai querer carona hoje? Vou ao centro. – Minha mãe perguntou, me fazendo desviar o olhar do bolo que eu comia.
Neguei com a cabeça. Afinal, falar de boca cheia é feio. Meu pai estava tão concentrado no próprio celular que nem estava ciente do papo. Mas ele é assim, viciado em trabalho. Já acostumei.
Dei um beijo na minha mãe e apenas murmurei um tchau pro meu pai, que não desviou os olhos do aparelho na sua mão.
Saí e logo de cara avistei Emma na rua, me esperando. Ela sorriu e se aproximou.
— Oi, minha linda. Pronta pra mais um dia de sofrimento rumo a um futuro milionário? – Ela me cutucou, me fazendo rir. Sou sensível a cócegas, e ela sabe disso. Vaca.
- Para, Em. Vamos de uma vez ou vamos nos atrasar.
***
Minha escola é um zoológico. Temos os gorilas do time de luta, as galinhas lideres de torcida e os asnos do time de basquete. Eles acham que são os reis da escola só porque conseguem acertar uma bola numa cesta. Eu também consigo fazer isso, mas não fico me gabando por aí.
— Eu odeio elas. – Emma falou, desviando o olhar de seu armário para o grupinho de líderes que gargalhavam alto. – Ficam por aí, jogando aqueles cabelos por cima do ombro e falando “ai, amiga! Comprei um esmalte novo, olha!”. – E fez uma imitação ridícula de uma delas.
Gargalhei alto, e várias pessoas à nossa volta me encararam. Senti minhas bochechas queimarem.
- Você só odeia elas porque a Georgia namora seu irmão. – Pontuei, pegando meu livro de inglês do armário.
Emma soltou um suspiro alto.
- Nem me fale! Andrew tem um péssimo gosto. – Ela fingiu vomitar. Emma é uma figura.
Seguimos para a aula de inglês, quando eu esbarro com alguém. O impacto quase me leva ao chão, mas o rapaz em que esbarrei me segura antes de eu cair e pagar o maior mico da minha vida.
— Cuidado, princesa. – Ele me ergueu e eu finalmente o olhei.
Senti minhas pernas ficarem bambas. Quem é esse menino? Nunca vi alguém mais perfeito que ele, com seus cabelos castanhos arrepiados e com cachos leves e olhos castanho-esverdeados que pareciam ler minha alma. Ele sorriu, mostrando uma covinha defeituosa na bochecha esquerda.
- Te vejo depois. – O rapaz virou as costas e seguiu caminho pelo corredor lotado.
Fiquei encarando o ponto onde ele estava por um tempo, até ser acordada do transe por uma Emma boquiaberta.
- Quem é esse Apolo? Por Deus! – Em se abanou, me fazendo rir.
Virei o corpo para encará-la e vi um sorriso maroto brotar em seus lábios. Droga, ela percebeu.
- Gostou dele, não é? – Seus olhos adquiriram um ar determinado que muitas vezes me envolveu em confusão. – Até o fim do dia, vou fazer você falar com esse garoto.
Durante as três aulas seguintes, Emma ficou me incomodando por causa do que aconteceu. Até que o sinal bateu e nos separamos, pois tínhamos aulas diferentes.
Quando entrei na sala do Sr. Ferris, o terrível e velho professor de história, senti minhas pernas falharem pela segunda vez em menos de 24 horas. Sentado ali, a três carteiras de distância, estava o rapaz do corredor. Lindo, conversando e rindo com os caras do time de basquete. Ele olhou em minha direção e sorriu. Desviei o olhar e senti meu rosto corar. Segui em silêncio até meu lugar de sempre, o mais longe possível do grupinho popular. Notei que a carteira ao meu lado estava vazia. Só neste momento lembrei que Thomas, meu amigo e parceiro de aulas quando a Emma está separada, estava doente e de cama já fazia dois dias. Terei que enfrentar a aula do Ferris sozinha. Que maravilha.
No momento em que o professor entrou, todos se sentaram, exceto o garoto do corredor, que pareceu perdido. Sr. Ferris notou e se dirigiu a ele.
- Qual o problema, Sr...? – Ele parou, esperando que o rapaz completasse.
O Rapaz ajeitou a postura, demonstrando que não era um menininho assustado.
- Wilde, senhor. – A voz dele, de algum modo, era grave e doce, deixando um som agradável no ar.
O Sr. Ferris, baixinho, encarou o rapaz de baixo, tentando manter a pose de autoridade.
- Por que não se sentou ainda, Sr. Wilde? – O professor questionou, com um sorriso afetado.
- Sou aluno novo. Não sei onde posso sentar. – Ele me pareceu meio envergonhado da apresentação inusitada, porém isso logo sumiu.
Ferris passou o olhar pela classe, até pousar na mesa ao meu lado. Me encolhi, já imaginando suas próximas palavras. Não, por favor não.
- Pode sentar no lugar do Sr. Gold. Ele está doente. – Eu estava certa.
Wilde sentou ao meu lado, e me deu um sorriso. Já disse o quanto adoro essa covinha na bochecha dele?
Desviei o olhar pro meu caderno, e logo o professor começou a aula.
***
- Pra você. – Emma me entregou uma fola de papel, assim que nos encontramos no fim das aulas. – Fiz durante a última aula. Ferris, blergh.
Emma fez uma careta. Olhei a folha nas minhas mãos e fiquei boba. Era um desenho exato de mim e do Wilde, quando nos esbarramos essa manhã. Ele tinha as mãos em minha cintura, e sorria olhando pra mim. Desviei os olhos da perfeição daquele desenho, para a autora, parada ao meu lado.
— O que é isso, Emma? Ficou incrível! – Sorri pra ela, que retribuiu. Suas bochechas avermelharam.
— É só um desenho, Cath. Nada demais. – Ela começou a caminhar. Eu a acompanhei.
- É sério, Em. Eu adorei! – Sorri, encarando o rosto em grafite do Wilde. Preciso saber o nome dele.
Notei que estávamos seguindo o caminho para o estacionamento. Franzi o cenho e parei Emma.
— Onde estamos indo? Nossas casas ficam pra aquele lado. – Apontei para a porta por onde havíamos acabado de sair.
Emma deu um sorriso maroto, sua marca registrada.
- Preciso falar com o Andy. – Ela disse em um tom não muito confiável.
Não questionei. Emma já me meteu em muitas confusões com suas ideias malucas, mas faz parte de ser amiga dela. Não seria a Emma se não fosse assim.
Segui atrás dela, enquanto ela passava rápido por entre os carros. Em parou do nada, me fazendo bater em suas costas.
— Ai, sua vaca! Por que parou... – Fiquei muda.
Emma deu um sorriso vitorioso e fiquei com vontade de arrancá-lo dela com as unhas.
— Três vezes no mesmo dia. Acho que o destino quer mesmo que a gente se conheça.
Merda.
Notas finais
Bjoos, W. Addams.
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