Sweetest Nightmare
9 S01E09 - Execution
Notas iniciais

Gritei, não pude evitar. Eu nunca tinha visto alguém morto assim, na sua testa havia um buraco feito por uma arma de fogo e seu sangue tornava a água da banheira na qual ele estava totalmente vermelha.
— Ah, meu Deus! – não havia saída, a única janela do banheiro era pequena demais e até alta demais, e se encontrava atrás da banheira onde estava o corpo de Matt.
E então o silencio.
Trevor parara de tentar arrombar a porta, apesar de achar que ele estava muito perto de conseguir. Que diabos eu iria fazer?
Minha mente trabalhava rápido de frente ao pânico, mas tudo parecia ao mesmo tempo confuso. Então ouvi os passos de Trevor se aproximarem novamente. Merda.
O barulho do tiro me atordoou por um momento e deixou um zumbido no meu ouvido. A fechadura havia sido estourada, e um segundo depois Trevor abria a porta. Gritei mais alto do que achei que fosse possível ao ver seu rosto, não vestia raiva, apenas impaciência, como se tivesse que estar lidando com uma criança mal educada pela décima vez.
— Ah, Pat, Pat... Pra que tornar as coisas mais difíceis? – ele perguntou ao entrar no pequeno banheiro e fechar a porta atrás de si.
— Me deixa em paz, seu psicopata maldito! – gritei para ele, por algum motivo eu não estava mais com medo, talvez por causa da esperança de que a polícia fosse chegar e me salvar, mesmo sem saber onde eu estava...
— Hum, vejo que já viu minha obra de arte. – ele me ignorou, apontando com a arma para o corpo de Matt na banheira.
— Porque o Matt, Trevor? Ele não te fez merda nenhuma, seu animal! – eu continuava gritando com todo ódio que eu tinha, e isso parecia divertir Trevor, já que ele abriu um pequeno sorriso irônico antes de me responder.
— Eu precisava de uma casa para fazer tudo isso, a dele servia. – ele explicou como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Eu olhava em minha volta, tentando achar qualquer coisa que pudesse me ajudar a me livrar de Trevor, ele pareceu perceber minha tentativa e riu alto.
— Que foi? Vai tentar me matar com o desentupidor de pia? – e continuou rindo. Eu o encarei com a maior raiva que você possa imaginar, Trevor começou a andar em minha direção em passos curtos e lentos.
— Saia de perto de mim! – exclamei, ainda assim recuando, sem ter muito lugar para ir, já que só havia a banheira com Matt atrás.
Trevor ficou a menos de um passo de mim e colocou a arma na frente da minha boca.
— Abre a boca. – ele ordenou.
As lágrimas voltavam a escorrer no meu rosto, mas ignorei o pedido dele.
— Abre. A. Boca. – ele repetiu lentamente.
Balancei a cabeça devagar tentando ao máximo controlar o choro.
Aí Trevor perdeu a paciência, ele puxou meus cabelos para trás com força, e quando eu gritei ele meteu quase todo o cano da arma na minha boca.
— Agora chupa como você chupa meu pau.
Continuei com a boca aberta, sem fazer nada, então Trevor puxou meu cabelo para trás realmente forte e eu fiz o que ele mandou, sentindo o gosto do metal na minha boca, tive mais vontade de vomitar do que nunca.
— Viu, não é mais fácil fazer o que o mestre manda? – disse ele sarcasticamente depois de alguns segundos tirando a arma da minha boca. – Agora senta que eu vou te contar uma coisa que eu nunca contei pra ninguém. – e com a arma apontou o vaso sanitário para mim, de repente ficando muito sério.
Eu quase havia esquecido que estava nú, então puxei uma toalha que estava num gancho perto da banheira e amarrei em minha cintura, Trevor achou graça, mas logo seu sorriso desapareceu o deixando sério novamente, abaixei a tampa do vaso e me sentei.
— Você tinha me perguntado sobre a minha tia, né? – começou Trevor, meio distraído perto da porta. – Bom, tudo que eu falei dela era verdade, tirando coisas que eu não contei... – e dava para ver que ele realmente tinha dificuldade em falar disso, mas minha condição não permitia sentir pena. – Era muito pior do que eu te contei, ela era uma vagabunda, uma prostituta, claro que ela fazia tudo muito bem escondido para que ninguém da família nem da vizinhança descobrisse, por isso ela vivia num lugar bem isolado. – ele fez uma pausa, eu só o observava com os olhos inchados de tanto chorar, ainda esperando uma possível salvação da polícia. – Frequentemente ela levava homens lá, dos mais diversos tipos que você possa imaginar, eles só tinham uma coisa em comum, todos eram pervertidos nojentos, eu dormia com o barulho dela transando com aqueles homens e... e muitas vezes eu era abusado por eles, ela via, sabia, e não fazia nada, e ainda me cobrava como extra! – seu tom de voz se alterou, e eu não pude deixar de ficar chocado, se Trevor não tivesse sido tão cruel comigo eu gostaria de abraça-lo forte, mas só o pensamento de tocá-lo me provocava náuseas. – Então um dia eu cansei, ela estava bêbada, um “cliente” havia acabado de sair, este havia me estuprado também, eu era só uma criança, mas empurrei a maldita velha da grande escadaria. Felizmente ela morreu ali, se não tivesse morrido seria um trabalhão matá-la no hospital. – ele soltou um riso seco. – Deve ser por isso que eu tenha essa... essa doença. – ele cuspiu as palavras.
— Doença? – me apavorei, pensando em DST’s que ele certamente teria me passado.
— Ser... gay! – ele explicou, sem entender meu expanto.
— Ah... – suspirei aliviado. – Trevor, isso não é uma doença...
Ele riu sem humor.
— Mas você transa com outras garotas... – falei, sem tentar entender essa parte.
— Transo, mas não sinto a mesma coisa, na verdade eu quase não sinto prazer nenhum, já contigo, ah, aí já é diferente. – ele me explicou, é infantil como eu costumava ser as vezes, essa frase com certeza me faria sentir triunfante, mas agora eu só queria que isso não fosse verdade.
— Bom, então porque vai me matar? – perguntei, novamente tentando ganhar tempo.
— Porque eu preciso. – foi a resposta que ele me deu.
Tive uma ideia, muito estupida, mas eu teria que arriscar, meu tempo estava acabando.
— Trev. Vem aqui... – o olhei usando o maior poder de ser persuasivo, implorando com o olhar, lenta e apreensivamente Trevor se aproximou, com a arma na frente, mas sem mirar em mim, apenas um lembrete que ele estava com ela.
Quando ele se aproximou perto o suficiente, eu agi mais rápido do que nunca. Com uma mão escondida do lado de meu corpo puxei o desentupidor de pia que estava do lado do vaso – irônico, não? – e golpeei com toda minha força o pulso de Trevor, funcionou, ele gritou e a arma soltou de sua mão, caindo para trás, perto da porta e do lado do balcão da pia. Me atirei no chão tentando pegá-la, quando esta estava a poucos centímetros de meu alcance, Trevor me puxou pela toalha para trás violentamente, ele se adiantou para alcança-la, coberto de desespero, me atirei em suas costas, agarrando tudo que eu conseguisse, cravei minhas unhas em seu rosto e o vi gritar tentando me tirar de cima de si enquanto tentava alcançar a arma, Trevor desistiu de pegá-la e me derrubou, usando toda sua força, caí de costas no chão.
— Você vai morrer sendo espancando mesmo! – ele bufava enquanto estava em cima da minha barriga, mas acho que Trevor deixou passar um detalhe, ele havia me empurrado mais para trás, esticando o braço, peguei a arma e a apontei para seu rosto, por um momento involuntário ele quis me bater e tirá-la de minhas mãos, mas parou e me encarou, não havia nenhum sinal de medo em seu olhar.
— Pára com isso, Patrick, nós dois sabemos que você não vai fazer isso. – Trevor disse, com as mãos teatralmente levantadas.
— Nós não estamos em um filme. – e puxei o gatilho, a bala atingiu a cabeça de Trevor, fazendo espirrar sangue em meu rosto. Eu não senti medo, não senti pavor, muito menos culpa, apenas sentia alívio. Empurrei o corpo de Trevor para o lado antes que caísse em cima de mim e descansei a cabeça no chão frio, que nunca foi tão reconfortante.
Eu estava livre.
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