Sweetest Nightmare

4 S01E04 - Endurance


Notas iniciais
Endurance = Resistência Como prometido... Novo capítulo, neste acontecem coisas novas e espero que vocês curtam essa pequena "mudança". :3

Eu estava deitado na minha cama, trancado em meu quarto, ouvindo músicas deprimentes.

Don’t make me sad, don’t make me cry
Sometimes love is not enough
And the road gets tough, I don’t know why
Keep making me laugh
Let’s go get high
The road is long, we carry on
Try to have fun in the meantime

A playlist era constituída principalmente de músicas como essa da Lana Del Rey, o que só me deixava mais triste, mas eu não me importava, eu queria sentir a dor, até perceber o quanto eu tinha sido idiota, não sei em que parte e nem quando meu coração inconsequente começou a achar que Trevor possuía algum tipo de sentimento amoroso comigo fora da cama – ou seja lá que outros lugar nós transássemos – É claro que pra ele era apenas sexo, e ele não sentia culpa nenhuma em transar com outra, e eu também não deveria me importar, e não vou, o problema é que se eu continuar com esses encontros casuais com ele esses sentimentos vão apenas crescer, então eu tomei minha decisão, que não era nem um pouco fácil, não transaria mais com Trevor, na verdade, eu vou tentar me afastar o máximo possível dele, aposto que ele não vai se importar.

* * *

— E aí, lindão. – Trevor me cumprimentou no outro dia no colégio quando não tinha ninguém perto. – Porque não veio ontem?

Na verdade eu tinha inventado aos meus pais que estava com dor de cabeça e fiz um drama para não ir no dia depois que descobri do caso de Trevor com Letha, mas eu não podia fugir para sempre, então fui obrigado à ir no outro dia.

— Eu não tava bem. – respondi sem ao menos olhá-lo direito.

— Hum, que pena, ainda bem que já tá melhor agora, pra gente... você sabe, brincar. – e abriu um sorriso que em qualquer outro dia eu teria achado extremamente sedutor e irresistível, porém agora eu sentia certo nojo, ele teria falado as mesmas palavras para a vagabunda da Letha. “Vamos brincar, vadia?”. Aposto que ela adoraria.

Não respondi, continuei copiando a matéria do outro dia de Taylor – não que importe, mas eu só havia pedido porque a letra dela era a única que eu entendia entre os meus amigos, tirando Trevor que nunca copiava nada por completo – este parou de sorrir e me analisou.

— Tem alguma coisa errada? – perguntou ele, tentando decifrar minhas feições, percebi.

— Não, Trevor, só estou tentando copiar. – devolvi secamente.

Ele ficou em silêncio por um tempo, abriu a boca para falar alguma coisa, mas então fechou-a de novo, talvez tivesse percebido o motivo pelo qual eu estava diferente, mas se percebeu não falou nada, virou para frente e de certo fingiu que copiava enquanto desenhava, ou escrevia alguma outra coisa.

O resto da manhã foi como um replay dessa cena, com a única “pequena” diferença de que Trevor não puxou mais assunto comigo, e eu queria, imbecilmente, que ele puxasse, queria que ele pedisse desculpa, queria... queria tanta coisa dele...

Mas nada disso aconteceu, para incitar ele a falar comigo nem passei o intervalo com eles, fui para a biblioteca e puxei assunto com um carinha gay que fiquei ano passado, ele sempre fora caidinho por mim, mas na época eu estava meio enrolado com outro cara então não aceitei o pedido de namoro dele, apesar dele ser bem bonitinho, moreno, loiro, não muito alto, tinha um estilo meio que de “surfista colorido”.

Esperei, esperei, e os períodos depois do intervalo foram bem desconfortáveis, todos os nossos amigos do grupo já haviam percebido que tinha alguma coisa errada acontecendo entre Trevor e eu mas ninguém perguntou nada à mim, provavelmente pra ele quando eu estava ausente no intervalo.

Fui para casa decepcionado, queria muito que Trevor viesse falar comigo, o que é controverso, porque o que eu queria... o que eu desejava era me afastar mesmo dele, mas isso seria impossível, se eu me afastasse do Trevor me afastaria do Kyle, Elijah e Matt, e eu não queria isso, eles eram legais, droga, o que eu fui fazer com a minha vida?

* * *

Naquele mesmo dia tive que voltar na escola de tarde, pois ligaram aqui pra casa dizendo que eu precisava renovar minha matrícula e este era o último dia, óbvio que eu havia esquecido, com tudo que tinha acontecido entre Trevor e eu, mas então fui até o colégio de tarde levando os documentos necessários, levei tudo na diretoria, tudo okay, quando estou me dirigindo à saída, uma coisa me chama atenção, um funcionário levando uns arquivos dos alunos para a secretaria, que nessa hora já se encontrava fechada – sim, já é quase noite – E no topo de cada pasta de arquivo há o sobrenome e nome do aluno, para fácil acesso nas gavetas de arquivos, eu já havia visto certa vez quando fui na secretaria, tá, mas isso não tem importância, o interessante mesmo é que o nome em um dos arquivos que o funcionário levava pra secretaria era “Schmidt, Trevor” , a curiosidade me tomou por completo, eu queria muito ver o que tinha naquela pasta, era todo histórico escolar de Trevor, não só nessa escola de Seattle, mas em todas que ele passou. Mas como eu faria isso?

Bom, fiquei meio escondido atrás de uma fileira de armários observando o funcionário, ele abriu a porta, entrou, deixou-a aberta, e saiu segundos depois, fechou a porta mas não a trancou, era meu dia de sorte (por incrível que pareça).

E mais uma sorte, ele foi pra direção fazer sabe se lá o que, quando ele sumiu de vista corri pra sala, entrei e fechei a porta atrás de mim, só o que me faltava o funcionário perceber que esqueceu de trancar a porta e me deixar ali, aí sim eu estaria ferrado, mas não me importei com isso.

– Vamos lá, vamos lá. – sussurrei nervoso, enquanto procurava a gaveta certa.

“R — T” estava escrito na frente de uma. As fichas eram ordenadas pelo sobrenome do aluno. Abri-a e procurei o sobrenome de Trevor nas várias pastas dentro da gaveta. Achei.

Abri a pasta e tentei ler tudo o mais rápido possível, e caralho, Trevor tinha muitas atas de detenção, tipo, muitas mesmo.

“Detenção por agressão à aluno.”

“Detenção por agressão à aluno.”

“Detenção por agressão à aluno.”

Isso era o que a maioria delas dizia, além de outras detenções mínimas por falta frequente as aulas, agressão verbal contra professores. E outras coisas do tipo, mas isso não era nem o pior, quase que escondido atrás de tantas fichas de detenções, uma “Ocorrência Policial”.

— Puta merda. – murmurei pra mim mesmo.

A ocorrência se devia ao fato de agressão à sua tia Mary Schmidt. Eu estava prestes a colocar a pasta no lugar e cair fora dali quando a porta abriu, não era nem aquele funcionário, e nenhum outro, o homem que se postava na minha frente era Trevor, com a testa franzida me encarando, arregalei os olhos, espantado e tentei pensar em algo para dizer, mas antes que eu conseguisse pensar em algo, Trevor tirou o olhar do meu rosto e passou para a pasta na minha mão.

— Fudeu... – pensei.

Notas finais
O trecho citado — caso alguém não saiba — é do hino "Born To Die" da Lana Del Rey. Novo capítulo chega já no dia 9/3, então vejo vocês lá... Como sempre, esperam que tenham gostado, comentem o que acharam das adições na trama e me façam feliz hahahah Beijos pessoal ♥