Sweet battle
2 Normal day
Notas iniciais
Eu acho que se os olhos dele tivessem laser, eu já estaria em cinzas. Desde que ele entrou naquele prédio acompanhado de mais três homens, ele não tirou o olhar de mim. Ele no caso Luke. Eu com medo de que ele estivesse planejando me matar, fiquei o mais próxima possível de Kammyile e Otto. E também do meu pai.
— Este champanhe está magnífico. — meu pai exclamava para o fundador do centro de treinamento.
— É feito de rosas. — o homem adorava a taça, com os olhos. — Cheira como sua filha. — ele sorriu para mim, devolvi um sorriso sem graça.
— Lembre-se. Sou general. — os dois riram e eu tive a certeza de que minha hora ali já tinha dado. Achei Kammy, e fui até ela.
— Comendo, Kammyile? — ela deu um pulo quando ouviu minha voz, ela estava com a boca cheia de doces.
— Fique quieta. — ela falou com dificuldade e eu ri, chamando novamente a atenção de Luke, a qual eu já havia perdido, me calei. — Estão maravilhosos. Minha mãe não me deixa chegar perto de uma mesa de doces assim, nem louca. Diz que vai estragar meu metabolismo.
— Se você estragar este corpinho, querida. — a encarei. — Eu mesma te mato. — ela sorriu sem graça e observou o salão, até que seu olhar achou Luke, me observando como se fosse me devorar. — Ora, ora... — eu me senti ficando vermelha. — Um capitão gato, está te comendo com os olhos.
— Kammyile. — a repreendi.
— Desculpa, mas... — ela o observou de cima a baixo. — Ele é muito gostoso! — ela suspirou. — Se eu fosse capitã, chegaria chegando.
— Ele é do 558Z.
— Dane-se. — a olhei incrédula. — Acha mesmo que uma briga antiga de dois irmãos, já mortos, me impediria de transar loucamente com um capitão gostoso? E rico? Porque pelo que eu sei, seu pai é podre de rico.
— Somos ricas também. — destaquei o fato.
— Nossos pais tem dinheiro. Nós temos mesadas. — ela pegou outro doce, e senti o olhar da mãe dela a fuzilar do outro lado do salão, enquanto ela vinha até nós. — Se eu não voltar, estou morta. — ela saiu correndo, sem nem ousar tropeçar nenhuma vez em cima do seu salto enorme.
Sorri pensando em quando a minha mãe estava viva e me incentivava a comer para ter mais força e poder matar lobisomens corpo a corpo, sem o auxílio de armas. Fiquei tão perdida em memórias que quando voltei a mim, Otto estava ao meu lado.
— Olá. — ele disse pegando um doce.
— Olá. — disse.
— Quer dançar? — ele estendeu a mão, e eu o olhei chocada. — Claro, se eu for apto a isso. — ele puxou o braço de volta.
— É apto. — sorri. — Vamos. — o puxei pela mão, ele soltou um sorriso bobo.
Caminhamos até o meio do salão, onde futuramente será o hall, com secretárias e meninos e meninas adolescentes correndo de um lado pro outro, mas que hoje era um lindo salão decorado com gerberas. Me posicionei e ele botou sua mão em minha cintura. A música era lenta então apenas dançamos como todos. Se Kammyile estivesse vendo, ela diria que tinha tensão sexual ali no meio, ri lembrando disso.
— O que houve? — ele pareceu espantado. — Sou tão ruim assim. — parou de dançar.
— Não. — disse em meio a gargalhadas. — Não é ruim. Lembrei da Kammyile.
— Kammy está viva ainda, não precisa ficar lembrando.
— Eu sei. — disse como se fosse óbvio. — Só lembrei de uma coisa que ela disse hoje de manhã.
— E o que seria? Algo envolvendo drogas? Sexo?
— Sobre tensão sexual. — ele riu.
— Afinal é a Kammyile De Belcourt, de que falamos. — rimos os dois, lembrando da doida. Até sermos interrompidos.
— Com toda licença, — Luke. — poderia roubar ela de você? — o que o maldito queria?
— Roubar é um termo pesado, cara. — Otto sabia tanto quanto eu quem ele era, e não pareceu simpatizar.
— Pegá-la por alguns minutos. — o tom de rispidez de Luke, também não mostrava muita amizade.
— Não serei pega, nem roubada. — me desvencilhei de Otto. — Dançarei com você. — sorri, e olhei pra Otto que me encarava sério. — Pode ir.
— Eu não mordo. — Luke disse. — Só se pedirem. — eu tenho uns lugares pra você morder, pensei pra mim mesma. Otto saiu e eu deixei que ele botasse sua mão em minha cintura.
— Capitã.
— Capitão.
— Isso é irônico. Poderíamos chamar de destino.
— O fato de eu estar dançando com você, é destino? Em uma festa? — o olhei incrédula.
— Nós dois juntos. Descendentes de Galileu e Ícaro. — ele riu.
— Gostaria que não lembrasse isso.
— Quer que nossa relação seja mais profissional e não tão família?
— Família? — indaguei.
— Somos um tipo de primos. — ele me girou.
— Oh, é. — lembrei que nosso sangue era metade igual.
— O bom de não sermos como Galileu e Ícaro, significa que não brigaremos no tempo que passaremos juntos. — balançávamos pelo salão.
— Que tempo? Juntos? — perguntei não entendendo nada.
— Seu pai não te contou? — ele disse como se houvesse feito, uma grande merda. — Treinaremos alguns dos novos aqui.
— Treinaremos?
— Sim. — ele voou longe. — Serão longas horas de suor, briga, armas, sangue e tensão. — a palavra sexual me veio a mente rapidamente, e também uma imagem desse homem sem camisa suando, com esses olhos azuis focados e... ai.
— Espero que não quebre nenhum novato, sr. Garroway. — as fofocas que corriam era que ele quebrava lobisomens somente com chutes.
— Nenhum novato, ou você? — sorriu diabólico.
— Acha que não acabo com você? — disse sorrateira. — Se não estivesse de vestido, e salto, chutaria suas bolas e te derrubaria com um soco na cabeça.
— Não se eu te derrubasse por baixo. — o olhei desafiadora. Eu ia continuar mas senti alguém tocar em meu ombro.
— Betah, seu pai quer ir. E o meu também. E a mãe do Otto. — Kammyile disse, observando Luke.
— Luke, Kammyile, minha co-capitã. — a apresentei já que senti uma tensão sexual.
— Luke Garroway. — ele estendeu sua mão, e ela a pegou. — Kammyile De Belcourt. — ela respondeu.
— Nos vemos por aqui, Luke. — sorri para ele, e já ia me distanciando quando ele me puxou pela cintura, fiquei tão próxima da sua boca e dos seus olhos, que se eu fosse Kammy, berraria "tensão sexual".
— Só uma pergunta. — sentia seu bafo de menta. — Otto, é seu namorado?
— Não, só um amigo. — respondi o olhando de forma estranha, pensando em quais seriam suas intenções com isso. — Mas porque quer saber?
— Coisa de homem. — ele me soltou, e por dentro eu reclamei. — Até mais, srta. Wabler. — sorri e me distanciei até Kammy e meu pai, que me olhava com um sorriso. Acho que fiz alguma coisa certa.
...
Acordei com a baba da Kammyile na minha cara. A maldita insistiu que não conseguiria chegar até sua casa, que é no andar de baixo, e se deitou na minha cama dormindo. Limpei a baba e me levantei, vendo que um número desconhecido havia me ligado. Deve ser um assistente do meu pai, pensei. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo antes que ele se rebelasse mais ainda. Depois do banho, coloquei uma regata e uma calça larga de moletom, afinal tinha uma manha inteira de academia pela frente. Acordei Kammy que foi pro banho, e enchi uma garrafa de água. Peguei o elevador e cheguei na base.
Todos pareciam muito aflitos, inclusive meu pai. Nem parei para perguntar o porque, se não perderia minha manhã inteira ouvindo ele se gabar do grande homem que ele é. Caminhei direto a academia, dando bom dia a todos e passando pela situação desconfortável com Mary, de todos os dias.
— Robertah. — ela disse ríspida.
— Mary. — apertei o botão da porta e entrei na academia. Alguns membros do exército malhavam ali.
— Capitã. — Gale disse enquanto corria na esteira.
— Aumente isso ai, garoto. Nenhum lobisomem vai te deixar correr assim quando estiver sendo caçado. — sorri, e ele aumentou a velocidade.
— Capitã. — Helen disse enquanto também corria na esteira.
— Diminui isso. — olhei abismada a velocidade das pernas dela, e o tamanho das suas canelas. — Vai treinar as canelas. Se quiser usar leggings. — ela sorriu sem graça e correu para algum exercício diferente. Peguei seu lugar na esteira.
— Hei, hei, hei. — Otto apareceu rindo. — "No pain, no gain?" — ele aumentou a velocidade da esteira.
— Cala a boca. — disse ofegante. — Se eu tropeçar, te puxo.
— Baby, não te deixarei cair. — ele entrou na do lado. — Meus reflexos são os melhores daqui.
— Espero. Porque se não alguém perderá suas bolas. — Pablo, outro membro do exército passou por mim, me olhando aterrorizado. — E não é você Pablo.
Ele suspirou e continuou sua rota. Logo vi o "brilho da manhã" entrar pela porta, no caso Kammyile e suas roupas de ginástica, anos 90, 80.
— Essa menina ainda vai estrelar um show de ginástica. Aqueles de DVD, bem velhos. — Otto disse se referindo a Kammy, que parou na nossa frente pra praticar boxe.
— No primeiro programa, socarei sua cara. — ela disse ríspida.
— Good morning, sunshine. — disse sarcástica. — Dormiu bem? Na cama maravilhosa da sua amiga?
— Dormi perfeitamente bem. — ela bufou. — Minha mãe. Disse que meu soco é fraco, e lobisomens me comerão viva. Quase soquei a cara dela pra ela dizer isso de novo.
— Kammyile. — a repreendi pela voz.
— Ela merecia. Mas não o fiz. Relaxa. — ela socou aquilo com uma força sobrenatural.
— Enfim, ladies... — Otto disse aliviando o stress. — O que temos pra hoje?
Peguei meu celular e vi o que tínhamos. Suspirei quando vi.
— Ah, nossas amadas fadas. — olhei os dois que riam. — Vocês não as amam?
— Sim, porque eu amo criaturas orelhudas que voam soltando seus pozinhos mágicos em cima de nós, e mordidas que te matam em dois dias. — ele pensou um pouco. — E também tem os berros.
— Eu estou louca para decapitar algumas. — Kammy chutou o saco. — Aonde estão?
— Zona Sul, escola de freiras. — li mais do e-mail que havia recebido. — Disseram para sermos rápidos, porque parece que elas estão matando as freiras e usando seu sangue em... rituais. — falei desacreditando.
— Tem certeza que são fadas? — Otto disse incerto. — Podem ser vampiros.
— Vampiros tomariam seu sangue. Sabe como eles são. — Kammy disse pegando sua garrafa de água.
— São fadas. Disseram que tem cheiro de flores e sangue.
— Quem te mandou esse e-mail? — Otto perguntou curioso.
— Minha assistente. Ela distribui os casos.
— Ui ui, ela tem assistente. — Otto disse parando a esteira. Fiz o mesmo.
— Eu preciso. Comandar todos vocês, dá um pouco de trabalho. — disse caminhando ao lado deles no corredor em direção ao elevador.
— Okay, okay. — Kammyile suspirou. — Nos encontramos aqui em uma hora, nada mais, nada menos. Se não aparecerem corto as bolas do Otto.
— O que vocês tem com as minhas bolas? — ele perguntou se retirando. Entrei no elevador e fui pra casa tomar um banho e colocar minhas velhas roupas de caça, botas pretas, regata e jaqueta, calças jeans e o velho cheiro de morte, sangue, fadas, pelos e etc.
...
— OTTO, É SIMPLES, ENFIA ISSO NA SUA VEIA. — berrava com ele dentro da escola de freiras. O idiota insistia que não achava seguro enfiarmos nós mesmo em nossas veias, e que deveríamos andar com enfermeiros.
— Okay. — ele enfiou, e conseguiu mexer suas pernas. Isso porque uma fada passou por ele lá fora, e o paralisou. — Vamos arrancar algumas cabeças. — Kammy disse começando a andar pelo corredor.
Eu estava na frente, então matei a primeira. Com uma bala de metal coberto do sangue delas mesmas. Acertei sua cabeça fazendo com que ela caísse ao mesmo tempo, e que suas asas parassem de bater.
— Eu gostava da Tinker Bell. — Otto disse, no fim do corredor. — Acreditam?
— Ela era legal. — Kammy observou a fada que vinha, e mirou sua arma. — Até.. agora. — e atirou, mas a maldita desviou, e sangue começou a escorrer de seus olhos. — Fada da morte? ODEIO ESSAS. — ela deu outro tiro, que passou de raspão pelo seu braço, fazendo sangue jorrar.
Ouvimos o barulho da arma de Otto disparar, e a fada cair, ele havia acertado suas asas.
— De nada. — ele disse correndo até ela, junto de nós.
— Hei, little bitch. — Kammy dizia retirando seu sangue e colocando em um grande recipiente. — É hora de morrer.
— Nós fadas, ressuscitamos as vezes. — ela soltou uma gargalhada diabólica. — Nunca se livrarão de nós.
— Estarei aqui pra te matar. — Kammy enfiou uma lança em seu pescoço, cortando sua cabeça, coisa que ela insistia em carregar e roubou seu pó mágico que parecia fazer as pessoas sentirem infernais dores de cabeça.
Corremos até uma sala de onde vieram alguns berros e a matança geral começou. Elas nos feriram com pedaços de madeira que tiravam dos pés das camas, mas nada grave. Matamos duas e seguimos, encontrando seis dentro de um quarto. Otto atirava em suas asas, eu as decapitava e Kammy recolhia o sangue. Matamos as seis e continuamos, encontrando dez em uma grande sala que possuía um altar e algo similar a um ritual vampiro.
— Ferrou.
— Estamos fodidos. — disse começando a atirar, Otto fez o mesmo. Kammy pegou sua arma, e matou duas de uma vez só. Em quinze minutos, só sobrou pó e sangue de fada.
— Eu preciso de um hambúrguer. Grande. — Kammy disse enquanto saíamos.
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