Sweet battle
3 Dennys
Notas iniciais
Primeiro passamos na base pra tomar banho, se arrumar e também se livrar das armas e dos litros de sangue mágicos e azuis de fada. Encontrei meu pai, e resolvi dar um oi, afinal não falei com ele hoje.
— Betah. — ele disse sorridente ao me ver, com alguma coisa na mente. — Como está minha garota de ouro?
— Estou bem, pai. — o encarei séria. — E o senhor?
— Nunca estive melhor. Mas como não estaria tendo uma novidade tão boa.
— Novidade? — demonstrei certo entusiasmo na voz. — Que novidade?
— Vamos conversar lá dentro. — ele abriu a porta do seu escritório e nós entramos no cômodo mais inovador de todo o prédio, mas que ainda tinha o cheiro do perfume da minha mãe. Me joguei no sofá, recebendo seu olhar de reprovação, logo me ajeitei. — Betah Campbell de Warbler. — ele caminhou em direção a janela, me olhando. — Acho que ontem a noite, você conheceu Luke, o capitão do esquadrão 558Z. — afirmei com a cabeça. — E me diga, o que achou dele?
— Achei ele gato. — ele me olhou desdenhoso. — Kammyile também achou.
— Kammyile acha qualquer um... — ele procurou a palavra. — Como é mesmo?
— Gato?! — perguntei em dúvida.
— Isto. Gato. — ele disse com certo nojo. — Mas não era isso que eu esperava que achasse dele, querida filha. — ele me olhou fixamente com aqueles olhos verdes.
— Pai, vamos ser diretos. — o olhei séria. — Kammy quer ir comer um hambúrguer, e ela está de TPM. Se quer que eu continue viva, me conta logo.
— Quero lhe contar, Betah, que treinará os novos agentes com Luke no novo centro de treinamento. — como eu havia esquecido isso? Luke havia me dito na festa, enquanto dançávamos... deve ter sido na hora que ele apertou mais a minha cintura e eu perdi um pouco os sentidos.
— Ah. — fingi estar surpresa. — Acho ótimo. — arrumei a mecha teimosa do meu cabelo.
— Sério? — meu pai sorriu animado.
— Sério. Acho bom eles terem um treinamento de peso. Comigo. E com Luke. — percebi que estava falando muito pausadamente, e respirei fundo para não deixar transparecer qualquer emoção de desejo, raiva, angustia ou medo de ser morta durante o tempo que teria que passar com ele.
— Que ótimo minha filha! — ele saiu de perto da janela vindo até mim. — Finalmente apoiou uma das minhas idéias, me sinto tão orgulhoso. — e me abraçou, o que eu simplesmente, achei uma das coisas mais estranhas que eu poderia viver. Retribui o abraço, e sai da sala com um sorriso fraco no canto da boca.
...
— Quem deixou Kammy dirigir? — Otto disse angustiado do banco de trás do carro, olhando as ruas escuras.
— O carro é meu. — ela disse com certa raiva. — Quem dirige sou eu. — e virou em mais uma esquina escura, em um lugar que não tínhamos a menor ideia de onde era.
— Estamos perdidos á horas, Kammyile. — suspirei. — Vou ligar pra base e mando eles virem nos buscar. É simples. — tomei a iniciativa de pegar o rádio do carro, mas ela me deu um tapa na mão.
— Ali! Um Shot. — ela disse animada, com um sorriso largo no rosto. Otto parecia desesperado para sair desse bairro.
— Não sei não, Kammy. — ele disse apreensivo. — Estamos em uma área de alta índice de brigas de lobisomens e vampiros. E as vezes as fadas se metem também, em proteção dos zumbis que ficam variando por aí. — ela estacionava o carro na frente da lancheria, que parecia cheia.
— Está cheia de gente. — ela olhou bem. — Humanos talvez. — abriu a porta do carro, eu e Otto a acompanhamos caminhando em direção a lancheria.
— Aqui também é território do esquadrão 558Z. Eles que mandam. Costumam fazer muitos ataques surpresa pra matá-los.
— Pelo que vejo anda passando muito tempo dentro dos livros, Otton. — Kammy disse sorrindo divertida. — Só vamos comer e vamos embora. — ela abriu a porta e deu pra sentir de longe o cheiro de pelos molhados, gente morta, dos pós mágicos das fadas e etc. Otto e eu somente nos encaramos, com medo do que pudesse acontecer hoje. Nos sentamos em uma mesa nos fundos, com todos nos olhando. Pareciam assustados ou talvez com fome. E pra sorte deles, não estávamos armados, nem com roupas próprias pra qualquer tipo de combate.
Otto pediu um sanduíche com suco de laranja, eu pedi pizza e Kammy pediu o cardápio inteiro. Demorou um infinito tempo até chegar.
— Eu tenho uma novidade assim, bombástica pra vocês. — disse com a boca entupida das batatas fritas que roubei da Kammyile.
— O que foi? — Otto perguntou soltando seu copo de suco já vazio na mesa.
— Eu vou treinar as crianças no centro de treinamento novo. — os dois fizeram uma cara de surpresa. — Com Luke. — Otto demonstrou desanimo e nojo, enquanto Kammy sorriu por todos os lugares possíveis, é.
— Eu vou junto com você! — ela berrou extasiada. — Vou até treinar fadas teimosas se for pra ver esse homem lutando suado. — ela disse entre as gargalhadas de felicidade infinita que dava.
— Eu não gosto da ideia. — Otto disse com certo repugno na voz.
— Porque? — perguntei nervosa.
— Ele é o capitão inimigo. Líder do 558Z. Estamos tentando derrubá-los a anos, e eles á nós e agora queremos que os dois capitães sejam amiguinhos. — nos encarou sério. — É ridículo acreditarem que por nem um momento ele vai tentar te botar dentro do saco.
— Ai, credo Otto. — Kammy disse com desgosto na voz. — Nós estaremos lá. Ninguém botará Betah no saco, comigo por perto. — sorri pra ela que sorriu de volta.
Então ouvimos o barulho de algo caindo do teto e se quebrando. Opa, era o teto do lugar. E então começaram a cair várias partes dele, amassando e matando vários que corriam pelas partes erradas. Então começaram os tiros, bombardeando as janelas, nós três conseguimos nos abaixar, mas muitos não, sendo mortos ali mesmo, na frente de todos. Metade já estava morta quando começaram a tocar granadas lá dentro. Elas explodiam com rapidez, mas longe da gente, fazendo com que víssemos os corpos serem dilacerados. Logo vi fogo. Ótimo. Iríamos morrer. Otto estava lutando para conseguir respirar na fumaça, enquanto Kammy perdia os sentidos. Me senti aterrorizada e precisei de mais ar, o que no caso não tinha. Me levantei do lugar aonde estávamos e comecei a caminhar procurando uma saída, quando ouvi um tiro pegar em alguém. Me virei e vi. Otto. Estirado no chão, com uma bala que pegou na sua perna. Mas de raspão. Suspirei um pouco aliviada voltando em direção a eles, quando senti algo me bater na cabeça. Antes de perder totalmente a sanidade senti algo cortar pelo meu braço, e também ouvi uma voz conhecida falar desesperada ao meu lado.
— Betah. — olhei pros olhos azuis de Luke e desmaiei.
...
Acordei com uma dor no corpo todo, e a visão um pouco embaçada. Olhei ao redor, adaptando meus olhos a luz e vi aonde estava. No hospital. Da base. A mobília branca e um quadro dizendo "hospital da base" entregaram o jogo. Percebi que estava ligada a alguns aparelhos e que um líquido entrava pela minha veia. Olhei pro lado e vi um homem dormindo na cadeira. Um homem com cabelos pretos, e a pele um tanto branca. Suas roupas eram pretas também, camiseta e calça.
— Moço. — falei mas minha voz saiu um tanto mais baixa do que eu esperava. Ele logo levantou o rosto e eu percebi quem era. — Luke.
— Oh graças a Ícaro, você acordou. — o olhei com certa arrogância por agradecer a Ícaro pela minha saúde. — Ou a Galileu. Tanto faz. — me olhava com certa preocupação, o que eu achei estranho. — Está se sentindo bem?
— Estou. — disse olhando para aqueles olhos azuis que pareciam demonstrar exaustidão. — Mas o que você está fazendo aqui? E a quanto tempo estou dormindo?
— Está dormindo a três dias. — ele disse cruzando os braços, e encarando a minha expressão de surpresa. — E estou aqui porque seu pai teve que ir viajar. — virei incrédula. — Se não perderia a reunião do conselho.
— Isso não explica porque você — dei ênfase no você. — está aqui.
— Ora, ora... — ele se sentou de novo na cadeira. — Bem que disseram que Galileu era o irmão nervoso. Deve ter herdado o gene do nosso... — ele pensou. — Bom, ele é alguma coisa nossa. — sorriu divertido.
— O mais nervoso? Foi ele quem matou o próprio irmão á facadas? Opa, acho que não.
— Não, foi Ícaro. E talvez eu tenha herdado esse gene dele de matar pessoas da família hein, cuidado. — senti o divertimento que estava tendo com essa conversa.
— Ainda não respondeu a minha pergunta. — disse demonstrando raiva no tom de voz.
— Qual? — ele largou o celular.
— O de porque está aqui.
— Ah, sim. — disse se lembrando. — Estou aqui porque meu irmão caçula, nov membro do esquadrão te acertou na cabeça com um pedaço de ferro e te cortou com uma faca enorme. — o olhei assutada. — Isso explica o porque de você ficar desacordada por tanto tempo, e o porque de eu estar aqui.
— Porque ele fez isso? — o olhei séria. — Você mandou não foi?!
— Claro que não. — ele disse como se fosse óbvio. — Acha que eu mandaria alguém bater em uma pobre moça inocente, para depois eu ter que ficar no hospital vendo ela dormir serenamente?
— Sim. Para ganhar confiança do meu pai.
— Seu pai nem está aqui. Nem sabe se eu não te matei. — disse irônico.
— Pois não matou.
— Posso matar.
— Não faria isso.
— Não duvide.
— Eu duvido.
— Robertah, Robertah... — ele murmurou. — Como teremos muito tempo juntos, não te matarei. Pois odeio me sentir sozinho. — ele se levantou da cadeira.
— Ainda não respondeu a minha outra pergunta.
— Qual?
— A de porque seu irmão fez isso. — apontei pra mim mesma.
— Ah, sim. — acho que ele tinha amnésia. — Meus pais e avós, não gostam muito de você. — o olhei com um olhar sarcástico. — Não. Eles não gostam mesmo de você. De jeito nenhum. Tipo, no way. Te querem morta. E acabaram colocando isso na cabeça do Drew.
— Porque me querem morta? Nunca nem os vi.
— Você é mulher e está comandando nossa força inimiga. Acham isso incorreto e injusto e por isso pararam de atacar você, e então te querem morta para que possamos continuar a infinita batalha entre os descendentes dos irmãos já mortos a muito muito tempo e blábláblá... — revirou os olhos.
— Isso é machismo. — disse brava, enquanto via ele ir em direção a porta. — Aonde vai?
— Comer. Estou com fome. Passei horas aí sentado. E também chamarei o médico. — ele ia indo, quando eu o interrompi.
— Luke, — ele voltou. — Como estão Kammy e Otto?
— Dizem que ela já está em casa. E Otto, que acho que é um menino alto, cabelo castanho claro, olhos castanhos, tem vindo aqui, brigamos pela cadeira ao seu lado diversas vezes. Em uma até derrubei ele no chão. — o olhei espantada. — Beijos de luz, docinho. — ele saiu dali.
Porque diabos, eu estou confraternizando com o inimigo? Garota estúpida. E meu pai não pode ficar. Ele simplesmente não pode perder mais uma das ridículas reuniões do conselho que decide o que vai ser feito pra matar uns aos outros. E blábláblá. Desse jeito, de nada teria efeito o abraço de hoje de manhã. Fiquei olhando o nascer do sol, até Luke voltar com o médico.
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