Notas iniciais
A criatura observou o objetivo em sua frente. Uma fumaça negra e púrpura pairava em sua frente com simples e diretas palavras: Tragam as Almas para mim.

A criatura observou o objetivo em sua frente. Uma fumaça negra e púrpura pairava em sua frente com simples e diretas palavras: Tragam as Almas para mim. Ele respirou fundo, o som metálico e morto de sua respiração pairou pelo Elmo. Sem nem perceber, ele já estava a caminho de seu objetivo. Ou melhor, destino.

Montreal.

Ele chegou. Não muito tempo demorava para chegar a qualquer lugar através das sombras. Elas estavam em todo lugar e funcionavam como portas para a morte. Ou qualquer criatura que vivesse nas sombras. E haviam muitas. Mas nem todas sabiam como atravessar as sombras.

Ele precisava de um corpo. Um corpo habitável, puro, imaculado. Não propriamente virgem, mas puro de coração. Sua raça não habitava corruptos. Ele vagou pelas sombras no véu etereal pela noite, o dia não o afetava, mas o enfraquecia. Os humanos não podiam ve-lo, nem toca-lo, muito menos enquanto era puro éter.

Pensou ser por volta de três horas da manhã quando avistou um jovem. Ruivo. Olhos esmeralda, pele clara, porte físico forte e atlético, bom, devia ser forte. Resistente. A bebida em sua mão, uma garrafa de Whisky quase terminada, e o fato de não estar cambaleando bêbado, provava isso.

Seria ele.

Aproximando-se lentamente do Humano, ignorante a tudo a sua volta, ele encostou os dedos ossudos e sem vida na nuca do garoto. Então começou a trabalhar. A Névoa o envolveu, e o Lich entrou na cabeça do garoto. O pobre menino se contorceu de dor e gritou, mas estavam em uma ponte, ninguém o ouviria, e se ouvisse, pensaria que era apenas um adolescente bêbado esbravejando na ponte.

Ele começou a trabalhar. Entrou na mente do garoto e apagou todo seu passado. Descobriu o que podia, reconfigurou seu cérebro como se fosse um computador para poder habita-lo. Os olhos do garoto reviraram e ele caiu no chão da ponte. O Lich aproximou-se e possuiu o corpo morto do garoto, reconfigurado, todo seu passado apagado, sua mente moldada e seu corpo aberto, sua alma já no plano astral para onde iam os puros.

-Pronto-Disse em voz alta, testando a voz do seu novo corpo, era boa, sensual até. Ele remangou a jaqueta de couro negro e lá estavam, as tatuagens e marcas que os Lichs deixavam em seus corpos novos. Marcas de imortalidade, Marcas de Transcendência e Marcas de Poder.

Seu trabalho por hora estava feito, agora, precisava se adaptar as necessidades humanas. Como, dormir. Precisava achar um lugar para dormir. Respirou fundo e tirou a carteira do bolso esquerdo da calça jeans escura, checou dentro quantos Dólares tinha. Não muito, porém, o suficiente. Haviam também cartões e sua identidade. Com seu nome.

-Trevor.-Murmurou-Trevor Mackenzie.-Era um bom nome, de efeito. Semicerrou os olhos, o cansaço mortal o estava atingindo. Respirou fundo, o ar gélido do Canadá entrando em seus pulmões. Era bom estar Vivo. Bem... Relativamente Vivo.

Então ele partiu noite a dentro, em busca de um lugar para pernoitar.