Sweet and Painless Death.
2 O Novato
Notas iniciais
Tediosa. Essa é a descrição que ela dá a sua vida. Uma vida comum, sem graça, sem ação, sem adrenalina, ela gostaria muito disso. As vezes até pensavam em praticar esportes radicais, ou fazer alguma luta. Mas ai lembra que é mais desengonçada que uma foca retardada, e ai desiste. Bom, pelo menos se sai bem nos esportes normais, principalmente em vôlei.
E, apesar de tudo, esse era seu último ano na escola. E já estava na metade dele. Era bom, muito bom, estava quase acabando e ela não podia estar mais animada e excitada para o fim disso, para chegar logo na faculdade que tanto sonhava: Yale, para cursar moda. Era tudo que mais sonhava. Então, para isso, se dedicava dia e noite para passar de ano sem que precisasse de recuperação ou algo assim. E sua dedicação a levou a ser uma das alunas com as notas mais altas na escola.
Ela, como todos os dias de sua vida metódica e chata, ela levantou, fez a higiene matinal, olhou-se no espelho e deu de ombros. Penteou os cabelos longos e densos, da cor castanho-avermelhado e se aprumou para a escola, vestindo uma blusa de manga loga com gola larga listrada em branco e preto, uma saia negra, uma sapatilha branca e sua mochila que parecia um gato enorme. Era engraçado, apesar de ter quase dezessete, ainda usava isso.
Ao sair de casa, pegou o ônibus e colocou os fones logo ao entrar, deixando tocar neles Photograph, do seu cantor favorito, Ed Sheeran. Infelizmente, para sua timidez, o único lugar disponível no ônibus era ao lado de um garoto alto, talvez um metro e oitenta e cinco, cabelos cor de ferrugem e olhos cor de grama. Ela respirou fundo e sentou ao seu lado.
-Bom dia- Disse ele, apesar da música, ela conseguiu ouvir. Ele não olhava para ela, mas para fora, os óculos refletiam levemente a luz vinda da janela. Ele estava mordendo a ponta do dedão da mão esquerda.
-Bom dia...-Disse, tímida. Ele não a olhou.-Como vai?-Pediu, observando ele e notando que entre suas pernas, havia uma mochila preta. Possivelmente, estava indo para a mesma escola que ela.
-Sonolento. Entediado. Ser humano não é fácil-Afirmou, isso a fez rir. Estranho, pensou. Voltou seu olhar para o ônibus e então ele a olhou, sua expressão era indescritível, mas se fosse para chutar, seria algo entre Muito Sono e Tédio Extremo.-E você?-Questionou.
-Na mesma.- Respondeu, curta e parecendo mais desinteressada do que quis. Ela sorriu sem jeito para o garoto, que lhe retribuiu com um sorriso curto e suave. E o resto da viagem eles seguiram em silêncio. Acho que acabou espantando o garoto.
Respirou fundo, decepcionada consigo mesma.
Quando chegaram na escola, desceram juntos, porém, em silêncio. Seguindo cada um para uma direção, ele, desejando boa aula a ela, e ela, a ele. Então se separaram. Ela seguiu até encontrar sua amiga, Marry, na portaria. Elas se olharam, ja sorrindo uma para outra.
-Oooi, Sam- Disse Marry- Tudo bem?- Questionou, animada até, para uma segunda de manhã.
-Oi, Mah. Eu to num tédio desgramado. Temos mesmo que ter aula na segunda? Não podia ser na terça?- Questionou, manhosa. Marry riu e passou o braço dela, enganchando com o de Sam.
-Ai a terça seria a mesma coisa-Riu-Vem cá, quem era aquele gato que saiu do ônibus contigo?- Questionou, dando-lhe um sorriso felino e erguendo a sobrancelhas.
-Não faço a minima idéia, talvez seja novo-Especulou- Não pedi o nome dele, na verdade.-Riu. De fato, o garoto era lindo, e chamara sua atenção. Mas, ela era tímida demais para chegar nele, não era Marry, que era extremamente oposta a Sam. Elas seguiram para a aula, juntas. Sentando lado a lado na parede do lado das janelas, as carteiras eram colocadas em pares, mas alguém sempre ficava sozinho.
E dessa vez, foi o próprio novato. Ele entrou na sala, o olhar sombrio, a jaqueta de couro remangada revelando tatuagens que cobriam seus antebraços. Eram arabescos que circulavam crucifixos e outros silbolos que ela não conhecia. Ele sentou-se atrás dela, olhando tediosamente para fora, os óculos de grau ainda cobriam seus olhos. Sua expressão era sombria.
O professor ignorou a entrada atrasada dele, e continuou a aula tranquilamente, era geometria. No entanto, se enfureceu ao ver que o garoto sequer olhava para a aula. Então, o Sr. Peter, um homem magro de pele morena e cabelos escuros, ficou vermelh e disse:
— Sr. Mackenzie, o que tem lá fora que é mais interessante que a minha aula?-O garoto não o olhou e respondeu:
-Qualquer coisa é mais interessante que geometria.- Respondeu, profundamente entediado. Sr. Peter se enfureceu mais ainda. Todos olhavam o garoto. Sr. Peter se ergueu e semicerrou os olhos e disse:
-Ah, é espertão? Então calcula, em litros, o volume de uma caixa d’água em forma de prisma reto, de aresta lateral 6m, sendo que sua base é um losango cujas diagonais medem sete e dez metros.- Alguns da sala começaram a fazer, mas, sem olhar para qualquer um da sala, o garoto respondeu:
-Duzentos e dez mil litros cúbicos- Ele não havia sequer pegado papel e caneta. Sua carteira jazia vazia. Sr. Peter franziu o cenho.
-Se um cubo tem suas arestas aumentadas em vinte por cento cada uma, então seu volume fica aumentado em quantos por cento? – Questionou, o garoto voltou o olhar para a classe e deu de ombros.
-Setenta e dois virgula oito por cento. – Respondeu, olhando nos olhos do Senhor Peter. – Acabou? Posso voltar a olhar o nada? – Sua pergunta era séria. Sr. Peter fez um movimento de dispensa com as mãos e continuou a aula. O garoto pegou um livro e começou a lê-lo. Sam e Marry se olhara, franzindo o cenho. Sam sussurrou para a amiga, sem que o garoto ouvisse:
-O gato é um gênio- Exclamou. E Marry fez que sim com a cabeça. Sam olhou para o garoto, alerta, quando ele pigarreou.
-Posso ouvir vocês- Disse, sem olhar. Aparentemente ele não olhava para nada que não fosse do seu interesse. Elas ficaram em silêncio, o resto da aula.
Quando o sinal tocou, e eles foram liberados para o almoço, ele saiu, em silêncio e sumiu de vista logo apos sair da sala. Marry e Sam seguiram para a cantina, onde almoçariam algo. No entanto, a primeira coisa que fizeram ao sair foi suspirar. Logo na entrada da cantina, um corredor longo e branco cheio de armários, estava o time de basquete da escola. Dentre eles, Ryan Crawley. Um garoto alto, de cabelos louros e olhos castanhos, que dava encima de Sam desde que ela entrou na escola, ele era bonito, mas um idiota.
E cada ano ficava mais abusado.
Elas andaram apreensivas por entre os garotos e Ryan se movimentou rápido demais para Sam desviar e apertou sua nádega. Ela gritou dando um pulinho de susto e rapidamente lhe deu uma bofetada. O salão todo ficou em silêncio com o estalo do tapa. Ele estava atônito com a mão no rosto. Seu semblante se enfureceu e ele se agigantou para cima de Sam e Marry, que se encolheram totalmente sem saber o que fazer, amedrontadas. Todos as olhavam, Sam sabia disso. No entanto, pancada alguma veio. Apenas um som de engasgo. Ambas abriram os olhos e, para sua total e gigante surpresa, Ryan estava sendo erguido pelo pescoço contra a parede pelo garoto novo.
-Não tem vergonha de ameaçar uma garota, covarde? – Sua voz era sombria e voraz. Ryan se debateu, e por mais que fosse forte, não conseguiu se desvencilhar das guilhotinas que eram as mãos do garoto. – Ouse se aproximar delas de novo e eu arrebento cada osso do teu corpo, e nem o teu time inteiro vai me impedir. Entendido, seu bosta? Rosnou.
Ryan murmurou algo engasgado e o garoto o soltou. Já andando, ignorando a existência do mundo todo e entrando no refeitório. Ryan Tossiu e olhou o garoto andar, seu destino era até Sam e Marry, falou algo com elas que responderam afirmativamente. Ryan se levantou e correu na direção dele, enraivecido. Ouviu os garotos do seu time gritando para ele não fazer nada. Mas ignorou.
Ryan acertou uma pancada forte na nuca do garoto, que cambaleou para frente. Ele ouviu um som alto de suspirar e um murmúrio na sua mente.
Você não devia ter feito isso.
O novato se movimentou tão rápido, que nem mesmo Marry e Sam, que estavam em sua frente, viram. A pancada em arco acertou Ryan no rosto, o arremessando estrondosamente contra a parede. O garoto se movimentou até Ryan pegou ele pela jaqueta, socando-o contra a parede com uma joelhada no estômago. O novato Vociferou, sua voz ecoando pelo refeitório como se fosse trovões.
— Você não é Nada! – Vociferou e arremessou Ryan contra a parede oposta, o pessoal do basquete começou a se movimentar para ajudar o Ala, mas o olhar matador do novato os fez hesitar. – Covarde de Merda. – Rosnou feroz para Ryan, que tentava se levantar, mas recebeu uma bica no estômago tão forte que o jogou de volta contra a parede novamente. – Se olhar pra mim de novo, ou pra elas, eu ARRANCO TEUS OLHOS! – A voz do novato se tornou rouca e ameaçadora. Ryan estava estatelado no chão, e foi quando o Diretor, Sr. Connor, chegou.
-Mas que baderna é essa?! – Questionou. Olhou para o garoto novo, para Ryan e para Sam e Marry. – Todos vocês, agora, pra diretoria! – E se virou, voraz e enfurecido
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