Quinn estava encostada na parede do almoxarifado do zelador, no escuro, esperando por Rachel. Abriu o celular para checar a hora. Parte dela achava que Rachel não apareceria. E se ela tivesse dito que viria apenas para que a punk a deixasse em paz e agora estivesse assistindo à sua aula idiota de inglês, rindo com Santana e Brittany e provavelmente conversando sobre como Quinn era uma farsa, que fingia ser uma conquistadora, mas era supercarinhosa com uma garota como Rachel? Ali estava ela, esperando pela Cheerio em um almoxarifado escuro que só sabia que existia por que, certa vez, ela e The Mack trancaram um calouro qualquer ali. O Rosto de Quinn queimou.

Então, algo mágico aconteceu. A Porta se abriu, e Rachel Berry entrou rapidamente.

–Por que a luz esta apagada? – Rachel tateou ao redor, procurando por um interruptor perto da porta.

Imediatamente, a confiança de Quinn retornou. Se Rachel Berry, fundadora e presidente do clube de celibato, concordara em encontrá-la em um almoxarifado escuro, Quinn com certeza estava fazendo algo direito.

–você não quer que alguém nos veja, quer? – Ela procurou a mão de Rachel e a segurou.

Rachel se manteve quieta enquanto seus olhos se ajustavam a escuridão. Aquilo já começara errado. Sua igreja fizera uma excursão a fazenda Old Miller, onde havia uma casa assombrada que consistia em um longo túnel cujas paredes eram feitas de um plástico preto que se movia com o vento. Cada pessoa precisava atravessar o túnel sozinha, na escuridão completa, enquanto uma música assustadora, era tocada. Ocasionalmente, alguém coberto com um lençol pulava em você. Havia sido a sensação mais assustadora do mundo – não ser capaz de ver qualquer coisa à sua frente mesmo quando você sabia que havia alguma coisa lá. Rachel quase fizera xixi nas calças na primeira vez que alguém pulou em cima dela.

Aquela situação, de alguma forma, era mais assustadora. Ela sacudiu sua mão, para separá-la da de Quinn. O Almoxarifado cheirava a Lysol e a Quinn. Ao contrário de Finn, A Punk não usava perfume, o que tornava seu cheiro uma mistura de seu sabonete e um aroma almiscarado que só podia ser dela.

–Eu sabia que você apareceria – Disse Quinn, desdenhosa, aproximando-se de Rachel. A Judia deu alguns passos para trás, até suas costas tocarem a porta do almoxarifado. A Morena mal podia ver o rosto da punk na escuridão, mas sentia que estava a poucos centímetros. Ah, droga. Todos os seus planos foram por água abaixo quando seu coração começou a bater forte contra suas costelas.

– e como você sabia? – Rachel perguntou, mas, antes que pudesse terminar, os lábios de Quinn tocaram os seus; Suavemente no inicio, depois com mais intensidade. Ela não conseguiu evitar beijá-la também. Sua boca tinha sabor de chocolate. Rachel se lembrou dos brownies de chocolate que costumava comprar no auntie amy’s no shopping, mornos e deliciosos, eles derretem na boca, mas são péssimos para você. Era como Quinn, dentro de uma casca de noz.

–você tem um gosto tão bom – disse Quinn enquanto sua boca se movia em direção ao pescoço de Rachel – como uma fruta cítrica realmente deliciosa.

–É meu gloss – Rachel fechou os olhos ao sentir os lábios da punk em seu pescoço – É de manga.

–Manga – repetiu Quinn, movendo seus lábios contra sua pele. Rachel estremeceu.

Do lado de fora, o sinal tocou, quebrando o feitiço que envolvia Rachel. Rapidamente, enquanto ainda conseguia raciocinar, ela passou as mãos pela parede e encontrou o interruptor, inundando o lugar de luz.

–por que você fez isso? – Quinn colocou a mão sobre os olhos para protegê-los da claridade súbita. Rachel parecia totalmente deslocada naquele almoxarifado sujo, em seu uniforme das cheerios.

–eu vim pra conversar – Rachel cruzou os braços, piscando para se acostumar à luz. No que ela estava pensando, indo até ali para se agarrar com Quinn? Ela não estava pensando, esse era o problema. Ao menos, não com o cérebro. Iluminado, o lugar era muito menos exótico e emocionante. Um estante modular enorme ocupava uma das paredes, cheia de desinfetantes, limpa-vidros e outros materiais de limpeza de várias formas e tamanhos. No canto, havia um grande balde de metal com rodinhas e um esfregão que parecia limpas sujeiras há cinquenta anos. – você disse que queria conversar.

Quinn abaixou a cabeça.

–eu sei, mas quando você entrou por aquela porta... – Ela se calou, olhando para Rachel como um cachorrinho e, de alguma forma, parecendo ainda mais perdida – não consegui resistir.

Rachel ajeitou o cabelo.

–E, então? O que você queria falar comigo? – seus olhos pararam em um grande balde branco, com um rótulo que dizia “Pó desinfetante e absorvente para vômitos”. Parecia haver suprimento para um ano daquele pó cor-de-rosa alaranjado que o zelador jogava no chão sempre que um pobre adolescente vomitava. Nada romântico.

Quinn se sentiu tímida de súbito.

–Achei que, como obviamente existia alguma coisa entre nós, talvez você gostasse de ir ao baile de boas vindas comigo.

–O Que? – Rachel se sentiu triunfante por Quinn preferir ir ao baile com ela em vez de ir com Santana. Em vez de qualquer outra. Com ela – isso é realmente fofo, Quinn, mas sem chance.

Quinn deu um passo para trás. Rachel estava dizendo que ela não era boa o bastante? A punk ganhara quase quatro mil dólares limpando piscinas naquele verão e ainda haviam sobrado uns 200 após todas as cervejas e videogames que ela comprara. O Bastante para comprar ingressos para a festa, um corsage e algumas bebidas.

–Por que não?

–Cai na real, Quinn – ela balançou a cabeça, tristemente, e tentou não pensar como seria dançar com ela. Rachel tinha certeza que Quinn sabia dançar. Seu corpo parecia saber várias coisas – jamais apareceríamos em público como um casal. Eu tenho uma reputação a zelar.

Quinn passou a mão pelo seu cabelo rosa.

–O que isso quer dizer? Eu também tenho uma reputação a zelar.

–Exatamente – Rachel suspirou – sua reputação de dormir com qualquer garota solteira que sorrir pra você.

–Ei, não fique brava comigo por que as garotas gostam de mim.

Rachel olhou para o balde de pó de absorvente para vomito. A petulância de Quinn a irritava, mas era também incrivelmente sexy. Quinn era famosa por usar as garotas como se fossem Kleenex, deixando cada uma delas um pouco mais suja do que quando a encontrou. Rachel tentou imaginar o que seu pai diria se abrisse a porta de casa e visse Quinn, com seu cabelo rosa que dizia olhe-pra-mim e seu sorriso bobo e sexy. Leroy colocaria um cinto de castidade em Rachel.

–Além disso, estou namorando com Finn.

Quinn se inclinou contra a parede oposta. Sua calça jeans era apertada e se ajustava perfeitamente sobre sua cintura e a blusa de mangas compridas ficou colada em seu peito. Rachel tentou não pensar na outra garota tomando banho após a Ed. Física.

–você não o ama – Quinn disse – ele nem mesmo sabe a cor dos seus olhos – Completou debochada e a morena revirou os olhos.

–provavelmente nós ganharemos como rei e rainha do baile de boas vindas. Ao menos é o que todos me dizem.

Quinn balançou as mãos e fez uma breve reverência sarcástica.

–Bem, não quero ficar entre você e sua coroa se é isso que te deixa excitada.

–você é nojenta – Rachel colocou sua mochila no ombro – nem sei por que vim ate aqui.

–por que você gosta de mim – Quinn se aproximou tão perto que Rachel podia ver como seus cílios eram longos – você não consegue dizer não para mim.

–isso serve como um não? – Perguntou Rachel, fechando o zíper do seu casaco. Estava quente no almoxarifado, mas ela sentiu que precisava de mais uma camada de proteção entre ela e Quinn – seja lá o que aconteceu entre nós, acabou. De verdade.

Antes que a Punk pudesse dizer qualquer coisa, Rachel abriu a porta. O Corredor estava completamente vazio, e ela saiu ligeiro do almoxarifado, esperando que Quinn tivesse bom senso o suficiente para esperar ela ir embora. Além disso, ela realmente não queria vê-la outra vez. Não agora. Ela parou, percebendo o quanto estava atrasada para a aula de inglês, e entrou furtivamente no banheiro feminino. Ainda precisava de mais um minuto para se recompor.

Na aula de inglês, o Sr. Horn, sentado no canto da sua mesa, começava a contar sobre sua viagem ao sul da frança quatro anos atrás. Eles haviam acabado de ler ou fingido ler o romance de F. Scoot Fitzgerald, Suave é a noite, que se passa na Riviera francesa, por isso a história era ostensivamente relevante.

Santana olhou para o enorme relógio em cima do quadro de giz. O que teria acontecido com Rachel? Ela vivia desaparecendo! Outro dia chegara dez minutos atrasada para o encontro do clube do celibato, de que Santana aceitara participar apenas por insistência de Rachel.

Entediada, Santana olhou ao redor da sala. Quinn também não estava, o que era bem menos surpreendente. Ela nem sempre assistia às aulas e, quando não ia, Santana sentia sem ter o que fazer. Para quem ela olharia agora? Quinn sempre se sentava na fileira ao lado e duas carteiras à frente, o ângulo perfeito para Santana contemplar como era sexy a parte de trás das orelhas dela.

A Porta da sala de aula se abriu um pouco. Santana observou Rachel entrar sorrateiramente e deslizar na carteira atrás dela. O Sr. Horn permaneceu alheio. Ele levara Slides, que exibia no projetor emprestado da sala de audiovisual.

–Por que demorou tanto? – Sussurrou Santana, olhando para trás. Seus olhos examinaram o rosto de Rachel, que estava ruborizada de um modo esquisito.

Rachel não respondeu. Em vez disso, ela se esticou para frente e apontou para a revista de Santana.

–Ahh, essa é a nova edição? Eu vi um vestido que ficaria maravilhoso em você. Deixe-me procurar.

Santana entregou a revista. Esquecendo o olhar estranho de Rachel. E seu gloss borrado.


Notas finais
Como prometido, teve os cinco comentários e eu postei o capítulo, agora esse tem que chegar a dez e então eu postarei o próximo. u_u'