Com os cabelos ainda molhados devido ao banho após o treino, Finn Hudson jogou sua mochila sobre o ombro e perambulou pelos corredores vazios, procurando por Kurt. Ele se inclinou diante do bebedouro em frente ao auditório. Um pedaço de chiclete cor-de-rosa flutuava no ralo, mas ele o ignorou. Assim que o esguicho de água gelada tocou seus lábios, alguém começou a cantar. E a voz era linda. Ele se esqueceu de manter a boca aberta e a água espirrou no seu rosto.

Finn se levantou e secou o rosto, então andou em direção à porta aberta do auditório. Um garoto cantava uma musica antiga, que soava incrivelmente bonita.

Finn não falava sobre isso nunca, mas adorava cantar, no chuveiro, em casa (ate mesmo no vestiário, se não houvesse um monte de garotos ao redor) ele estava sempre cantando. Tendia a cantar as musicas do inicio da carreira do Springsteen enquanto passava xampu, e canções do Air Supply enquanto se enxaguava. Quando cantava, esquecia as dores musculares e as cãibras que sentia por causa das pancadas que recebia, como se fosse um para-choque de um carro, no campo de futebol. Ele se sentia como outra pessoa.

Quem estava cantando daquele jeito? Parecia uma gravação (A voz tão confiante e profissional). Finn se dirigiu à porta, silenciosamente, e entrou no auditório sem ser percebido.

No centro do palco, sozinho, estava Kurt Hummel.

Hã. Kurt sentava na primeira fileira nas aulas de história e sempre respondia às perguntas do Sr. Tucker com uma voz de sabe-tudo, como se estivesse surpresa por ele ainda se preocupar em perguntar. Os garotos do time de futebol americano, que se sentava perto de Finn na aula, normalmente jogavam pequenas bolinhas de papel em Kurt, tentando fazer com que ficassem presas em seus cabelos brilhantes. Kurt usava calças apertadas, cardigãs e gravatas borboletas, como se estivesse num desfile de moda e todos ao redor houvessem se esquecido de estarem bem vestidos.

No palco, ele parecia completamente diferente. Sim, Finn já o ouvira cantando no vestiário quando este achava que estava sozinho e cantava, naquele momento Finn não dera muita atenção, mas agora, Finn estava completamente enfeitiçado, Observando os movimentos de Kurt pelo palco, cantando com todo o coração como se o auditório estivesse cheio de milhares de fãs admirados. Ele cantava como se o mundo inteiro o assistisse, e parecia ser o melhor momento da sua vida. Finn passou rápido os olhos pelo auditório para ver se ele realmente cantava para alguém, mas o auditório estava vazio.

Kurt Hummel estava bem atraente.

What you are, what you do, what you say...–Cantava Kurt, estendendo sua mão. Parte de Finn queria alcança-la e segurá-la. Ele não sabia bem o que estava acontecendo, mas tremia por dentro enquanto ouvia Kurt cantar; como se ele estivesse, absurdamente, se apaixonando... Por Kurt?

Kurt parou de cantar, mas a música pairava no ar como um eco. Ele murmurava algo para si mesmo, talvez fazendo comentários sobre sua performance. Finn saiu de seu transe. Era apenas Kurt Hummel novamente, o garoto das aulas de história. Mas, tendo ouvido ele cantar, era difícil imaginá-lo com aquele voz de sabe-tudo outra vez.

Kurt cantarolou um pouco para si mesmo enquanto olhava para o auditório vazio. Ele tinha cantando perfeitamente, o que não era uma surpresa, levando-se em consideração que cantava desde que usava fraldas. Quando fechava seus olhos e cantava, Kurt não estava no auditório do colégio McKinley. Ele estava no palco da Broadway, cantando para milhares de homens e mulheres hipnotizados e com lágrimas nos olhos (Até os homens!), e seu nome era o maior nos cartazes da entrada.

Tudo o que ele precisava fazer era melhorar fazer era reerguer o patético clube glee, ignorado e rejeitado durante anos enquanto alunos procuravam atividades mais descoladas, como animar a torcida ou ser membro do clube de matemática. Quão difícil poderia ser?

Ele abriu os olhos. Imediatamente viu Finn Hudson, perto das escadas laterais que levavam ao palco, olhando para ele.

Seu coração saltou. Finn estivera olhando para ele o tempo todo? Finn Hudson, com seus ombros largos, aqueles incríveis olhos castanhos e uma pequena e linda cicatriz na sua bochecha esquerda que fazia com que Kurt quisesse beijá-la. Ele estava olhando Kurt cantar? Ele nem sequer percebera que Finn sabia da sua existência e, agora, lá estava ele, com um olhar estranho no seu rosto como se... Achasse que Kurt era especial.

–Oi, Finn – murmurou Kurt. Ele achou engraçado estar no palco enquanto Finn se mantinha em um nível abaixo. Kurt caminhou ate às escadas – o que esta fazendo aqui?

A mochila de Finn bateu contra uma bateria abandonada no deposito da orquestra.

–Eu estava, hã, perambulando... E, hã, eu o ouvi lá do corredor – Finn gesticulou em direção ao corredor.

–Ah... – Kurt alisou as laterais da sua calça preta. Finn Hudson estava realmente falando com ele! Sua pulsação se acelerou. Mesmo que, há alguns segundos, ele imaginasse milhares de pessoas assistindo à seu desempenho, Ele se sentiu nervosa diante dele. Mas, é claro, sendo a primeira vez que Finn falava com ele, certamente seria para dizer que ele estava fazendo muito barulho. Era isso, certo? – Já parei de cantar. Desculpe-me se te atrapalhei.

–Não, não foi o que eu quis dizer. – Finn ficou nervoso e o olhou, envergonhado – não pude deixar de entrar. Tipo, você tem uma voz incrível!

Ah... –Kurt pareceu aliviado – Obrigada. Já me disseram isso – ele desceu os degraus do palco e aproximou-se de Finn. Talvez não tivesse outra chance de conversar com ele, afinal, Finn estava sempre tão ocupado jogando futebol e sendo popular que, provavelmente, não tinha muito tempo para falar com pessoas de classe social de Kurt, e ele queria olhar de perto aqueles olhos. Kurt nunca soube se eram castanhos, cor de amêndoa ou algum tom entre esses dois.

Era estranho conversar com Kurt, mas Finn não conseguia evitar.

–Acho muito legal você simplesmente subir ali e, você sabe, cantar assim – ele deu de ombros – eu nunca conseguiria fazer isso.

Os olhos de Kurt se arregalaram. Ele chegara ao final das escadas, mas se manteve no ultimo degrau por que Finn era muito alto e Kurt não queria que ele pensasse que seu 1,65 m era pouco pra ele.

Kurt chegou mais perto dele. Podia sentir o cheio de sabonete Irish Spring, Ele imaginou como seria o vestiário masculino depois de um treino e como todos eles suportavam tomar banho juntos.

–este preparado para o jogo de sexta-feira? – perguntou Ele.

Finn Gemeu

– Não pode ser tão ruim – continuou Kurt.

–Não, é que... Eu me canso de falar sobre futebol – Finn meio que detestava o fato de as pessoas sempre o associarem ao futebol, como se ele fosse somente O Quarterback. Ele curtia futebol em alguns momentos, mas não significava tudo para ele. Devia existir mais coisas, certo? – Talvez fosse legal ser bom em outra coisa. Alguma coisa com significado. Como você e o canto.

Kurt deu de ombros, mas suas bochechas coraram de felicidade. Ele nunca se cansava de receber elogios e Ele não podia acreditar que sua conversa com Finn, que Ele julgou como um idiota egoísta, estivesse durando tanto. Ele já havia dito, tipo, umas cem palavras para Ele.

–Eu estava treinando para o recital de musica sexta-feira. O Clube Glee ensaiou depois das aulas, mas acho que a acústica aqui melhor.

Finn virou rápido a cabeça, e a luz bateu sobre seus olhos. Eles eram, definitivamente, castanhos, com pequenas listras verdes. Kurt abriu a boca para dizer algo, mas não sabia o que. O Jeito como ele o olhava o deixava nervoso.

– O Que você esta fazendo aqui, Finn? – a voz gelada de Rachel atravessou a sala. Ela estava na porta, usando seu casaco das cheerios sobre a saia curta dos treinos. Seus olhos fuzilaram Kurt – Achei que você quisesse ir tomar um sorvete comigo depois das aulas.

–Eu queria – Disse Finn, com o rosto corando. – Quer dizer, eu quero – Ele olhou para Kurt. O Quanto Rachel teria ouvido? De repende, ele se sentiu envergonhado por estar ali.

–Vamos, então – Rachel andou em direção a Finn e colocou a mão no antebraço dele de um jeito carinhoso. Ele olhou para as suas unhas, em cor-de-rosa claro. Elas pareceram um pouco bizarras pra ele. – Não quero chegar tarde.

Ela o puxou em direção a porta exatamente quando Quinn entrou. Rachel chocou-se contra ela, e a cabeça de Rachel bateu no peito de Quinn. Elas se afastaram rapidamente, como se tivessem se queimado.

–Achei que você ia pegar carona com o merino – Falou Finn, envergonhado por Quinn também o ver ali. Ela era sua amiga, mas, se soubesse que Finn gostava de cantar, grampearia uma saia de balé na testa do quarterback.

Quinn limpou a garganta. Ela estava seguindo Rachel esperando conseguia falar com ela novamente, mas agora Finn a olhava com desconfiança, será que havia gloss espalhado em seu rosto ou algo parecido? Para disfarçar, ela logo perguntou:

–O Que esta fazendo nesse canil? Serviço comunitário?

Rachel soltou uma risada enquanto Kurt fingia olhar uma partitura em sua mochila, Rachel Berry com seus cachos morenos, cílios longos, pele bronzeada e pernas de matar faziam com que Kurt se sentisse um schnauzer.

–Serio, Finn – a voz de Rachel era superfria – O Que esta fazendo aqui?

–Nada – Respondeu Finn. Colocando as mãos nos bolsos da sua calça jeans. Ele olhou para Kurt com um sorriso meio que pedia desculpas, mas não disse nada. – Vamos embora.

Kurt observou enquanto os três desapareciam pela porta. Seu coração ficou apertado; Rachel Berry tinha tudo, inclusive Finn. Ela realmente precisava ofender a todos também? E Quinn era uma idiota. Todos sabiam disso. Ela socara o nariz de um garoto só por que ele usava uma camiseta da universidade de Michigan.

Geralmente os insultos dos garotos populares e babacas entravam por um ouvido e saiam pelo outro. Afinal, Quando fosse um cantor famoso da Broadway, talvez recebesse uma ou duas criticas negativas de algum ignorante, então precisava não se importar.

Teria revelado tudo se não houvesse sentido algo entre ele e Finn. Realmente houve alguma coisa. Ele sabia. Ele não imaginara. Algo em Finn se abriu para ele. Talvez Finn estivesse de saco cheio da sua vida perfeita, porém previsível.

Por mais magoado que se sentisse, Ele não podia culpá-lo muito por esnobá-lo quando seus amigos chegaram. Kurt Hummel podia ser uma estrela em ascensão, mas ainda estava no degrau mais baixo da pirâmide social do colégio McKinley. Não era culpa de Finn que ele se importasse um pouco demais com que seus amigos pensavam. Ele era a realeza do colégio McKinley e, mesmo que pudesse passar cinco minutos conversando com Kurt, não podia sequer imaginar como era a vista estando por baixo.


Notas finais
Como prometido, dez comentários, capitulo novo. agora espero que esse chegue aos 20, ou seja, é melhor os leitores fantasmas começarem a comentar. ^^