Edward não se surpreendeu ao encontrar uma carranca esperando-o na sala de jantar.

Há dois dias Bella tratava-o como um pária, e tinha motivos para isso. Edward ordenara que se preparasse para acompanhá-lo em um evento promovido pelos Volturi, mesmo com a recusa da garota.

O mal fadado dia havia chegado. E, talvez por esse motivo, Bella estava ainda mais fechada e azeda do que de costume.

Edward suspirou enquanto sentava-se no lugar de sempre, sem se dar ao trabalho de ordenar a Swan para sentar na cadeira mais próxima a ele. Estava deveras exausto com toda aquela atitude irritadiça, assim como Bella provavelmente estava cansada da vida que levava ao lado dele. O rapaz queria um pouco mais de tranqüilidade, mas não sabia como estabelecer tal coisa, uma vez que não conseguia mudar a sua postura fria e, por vazes, agressiva. Já estava tão enraizado em seu interior ser alguém que mantinha as pessoas afastadas!

-Alexandrina contratou os serviços de uma profissional para deixá-la impecável hoje. Ela chegará por volta das duas da tarde e fará cabelo, maquiagem... Coisas de mulher. Fica ao seu critério escolher o que deseja.

-Desejo não ir a esse evento! –Esbravejou, olhando para o Cullen com raiva. A explosão da menina, no entanto, não afetou o Cullen como era esperado.

-Você vai. –Disse Edward com uma expressão impassível no rosto. A obstinação da Swan em se livrar daquela obrigação o cansava. Em contrapartida, vendo que Edward não mudaria de ideia, Isabella foi se desesperando.

-Por que está fazendo isso comigo? Sabe que eu odeio Aro Volturi! Por que você...

-Eu também o odeio, se isso serve de consolo. Por mim eu não iria a lugar algum em que ele estivesse. –Retorquiu Edward com azedume, ganhando assim a atenção de Bella.

-Então por que ir? –Bella não entendia aquela estranha criatura. Edward parecia, ao confessar tais coisas, ser um tipo masoquista que gostava de fazer o que odiava.

-Eu tenho obrigações para com ele, assim como você tem obrigações comigo. Devo ir, mas quero uma companhia.

-E por que a minha? Deve haver companhias melhores por ai. Além disso, você vai estar cercado de conhecidos. –Tentou argumentar a fim de dissuadi-lo. O olhar que o Cullen lançou a menina conseguiu, de algum modo, calá-la. Não era hostil ou indiferente, marcas características de Edward, e sim quase... Gentil.

-Não consigo pensar em uma companhia melhor do que a sua. –Bella não conseguiu pensar em nada após aquelas palavras. E Edward não demorou a assumir a postura irônica de sempre. –Você me odeia e demonstra isso. Ao menos é sincera se comparado às pessoas com quem eu ei de me encontrar.

Antes que mais uma palavra fosse trocada entre os dois, o celular do Cullen toca e ele prontamente retirou-se da mesa para atender a ligação.

-Cullen falando.

-E ai boiola? Saindo para o trabalho? –Emmett, do outro lado da linha, rugiu.

-Emmett ligando a essa hora da manhã? Por um acaso está do outro lado do mundo? –Ironizou o Cullen, lembrando-se que o primo trocava o dia pela noite, acordando às duas da tarde quase todos os dias.

-Eu já disse que virei um homem de bem, porra! Estou trabalhando com o meu sogro.

-Então está na casa dos pais da Rose... E está trabalhando... Quem é você e o que fez ao meu primo? –Brincou Edward, reprimindo uma gargalhada.

-Sai fora! Eu disse que faria tudo pela minha branquinha e o meu campeão e estou cumprindo!

-Então já sabe o sexo. É mesmo um menino?

-Sim! Você precisa ver a ultrassonografia cara! O moleque é mesmo o meu filho, tem um membro maior que as duas perninhas! Meu orgulho cara! –E Edward riu a valer. Era difícil manter a seriedade com um tipo como Emmett em sua vida.

-Não vá se meter em confusão. Procure se dedicar a esse trabalho e, assim, dar orgulho a sua mulher e filho. –Aconselhou.

-É, to sabendo! Preciso desligar. O patrão já está me olhando torto. Um beijo na sua boquinha carnuda gato! –Brincou Emmett. –Ah, e como está a garota que você comprou? Dando muito prazer como só uma puta vietnamita sabe fazer? –Perguntou maldoso ao Cullen. Edward suspirou.

-Ela está bem e eu tenho mais o que fazer. –Desligou, voltando a sala de jantar.

Bella o olhava com curiosidade, desejando saber o que causara a gargalhada ouvida, instantes atrás. Ela sequer sabia que o rapaz tinha a capacidade de fazer algo assim. E Edward estranhou a expressão no rosto da Swan, não mais agressiva; ela parecia estudá-lo.

-Preciso ir trabalhar. Esteja pronta quando eu chegar, pois não costumo demorar a me arrumar. –Muito embora tivesse total liberdade para fazer o que quisesse com a menina, e muitas vezes se aproveitou deste fato, foi com muita cautela e certa timidez que o rapaz se aproximou de Isabella. Com uma mão, ergueu o rosto da pequena e depositou nos lábios róseos um cálido beijo.

Saiu do apartamento sem olhar para a Swan, encabulada, ou para os empregados que acompanharam a cena, abismados.

...

-O vestido é maravilhoso! –Angela elogiou ao olhar o vestido cor prata que Isabella depositava em cima da cama. A menina olhou aborrecida para aquele monte de tecido. –O senhor Cullen tem muito bom gosto! –Completou a empregada, postando-se ao lado de Isabella.

-Ele tem sim. –Disse, contemplando a bela peça de vestuário. Angela notou subitamente o desanimo da Swan.

-A senhorita não parece muito feliz com a possibilidade de sair com o senhor Cullen. Eu garanto a senhorita que, por mais motivado que esteja, ele não perderá a compostura para com a senhorita diante de conhecidos.

-Não me preocupo com isso. Minha maior preocupação é estar diante de Aro Volturi. –Confessou a Swan, precisando desabafar com alguém e vendo em Angela sua única opção.

A moça refletiu acerca das palavras da jovem Isabella. Não havia duvidas de que Bella tinha uma ligação com o contratante de Edward Cullen, Aro Volturi. Lembrara-se de Jessica, que também partilhava de uma ligação, mas não parecia ver o Volturi como um mal feitor, como Bella fazia agora.

-O evento acontecerá em um local amplo o bastante para a senhorita evitá-lo o quanto puder. –Tentou encorajar a Swan, mas nada parecia demovê-la daquela tristeza.

-Posso evitar Aro Volturi, mas não poderei evitar estar cercada de pessoas com um caráter duvidoso como o dele. Estou indo para uma toca de lobos.

E contra tais palavras, Angela nada pôde dizer que pudesse confortá-la.

A porta do aposento foi aberta com brusquidão e uma entediada Lauren entrou.

-A personal stylist, junto com a sua trupe, chegaram para tornar a gata borralheira na cinderela do gueto. –Ironizou a serviçal, jogando-se em uma poltrona vermelha próxima a cama de Isabella. Angela olhou com desaprovação para aquela atitude.

-Diga a eles que venham ao aposento da senhorita Swan. –Ordenou a menina a Lauren, que a ignorou.

-Faça isso você! Já fiz demais vindo até aqui! –Esbravejou a loira, levantando-se e encarando o vestido estendido com os lábios crispados.

Angela olhou sugestivamente para Isabella, esperando por seu consentimento para sair e Bella assim o fez, acenando com a cabeça. Após a saída da Weber, Lauren se pronunciou.

-Ora o que temos aqui... Uma peça exclusiva, imagino. –Abaixou-se, tocando o fino tecido. Bella acompanhou cada movimento das brancas mãos com desconfiança. –Bonito, mas não tão bonito quanto os vestidos que Edward dava para Jess.

Jess? Ouvira o nome algumas vezes, mas aquela colocação da empregada chamou a sua atenção. O seu olhar curioso chamou a atenção de Lauren, que sorriu afetadamente.

-O brinquedinho antes de você. Primeiro e único eu diria. O assunto é tabu nesta casa, não sei por que. Acho que, como substituta de uma morta, você deveria saber qual destino poderá ter ao ser a escrava sexual de Edward Cullen.

-Não tenho ideia do que está falando, mas pouco me importa. É melhor sair daqui. –Ordenou a Swan com uma firmeza pouco característica dela. Lauren não se deixou afetar pela postura hostil da jovem.

-Não me olhe como se eu fosse a sua inimiga. O fato de eu querer contar o que todos querem esconder de você deveria ser prova suficiente de que sou mais confiável do que eles.

-Confiável? Você? Eu ainda prefiro os que supostamente estão me enganando.

A conversa foi interrompida por Angela que, ao abrir a porta, permitiu a passagem de quatro pessoas vestidas formalmente, cada uma trajando um blazer preto com a camisa branca. Uma morena de altura desproporcional para os padrões norte-americanos tomou a dianteira do grupo.

-Olá querida. Meu nome é Mikaela e estas são Margaret, Ellen e Kristen. –Apontou para duas ruivas idênticas e uma loira anoréxica. –Cuidaremos de você e a transformaremos na próxima sensação americana! –Cantarolou a morena, olhando com empolgação para a Swan.

E Isabella, polida apesar de tudo o que acontecera em sua vida, apenas esboçou um sorriso educado.

-É um prazer conhecê-las também.

...

Havia se programado para sair mais cedo e conseguiu com a ajuda da sempre eficiente Alexandrina. Olhando para as horas no relógio em seu pulso, constatou que teria tempo de sobra para se arrumar. Não seguiu diretamente para a sua casa, preferindo parar em uma das lojas franqueadas da Tiffani’s. Lembrou-se que a Swan, até agora, não havia ganhado nenhum adorno dele e muito provavelmente precisaria de alguma jóia para se enfeitar.

Como o homem belo de elegante porte, ganhou rapidamente a atenção das atendentes. O gerente, deslumbrado com o carro estacionado diante de sua loja, deixou a preguiça de lado e pessoalmente atendeu ao cliente. Edward olhou o mostruário com olhos clínicos, ignorando displicentemente os abusivos preços de cada jóia.

O Cullen acabou escolhendo um par de brincos de ouro branco compridos, de design simétrico tal qual o vestido, combinando com o padrão do vestido. Junto à peça, adquiriu uma pulseira que fazia conjunto com o par de brincos, de ouro branco com detalhes em ouro.

Saiu da loja pouco depois. Estava ansioso para ver a menina arrumada com tudo o que comprara para ela. Isabella era bonita, mas tinha potencial para ser uma mulher deslumbrante e Edward queria ser o primeiro, e único, a explorar esse potencial.

Ao chegar a casa, encontrou Betha na sala, instruindo Erick e Benjamin para algum afazer doméstico. Após receber os cumprimentos pelo seu retorno, ele perguntou:

-Onde está Isabella?

-Está no quarto com Angela, terminando de se arrumar. –Respondeu a mais velha.

Edward passou pelo aposento da menina, mas não se incomodou em entrar. Foi direto para o seu quarto e, bem como dissera, não demorou nada a ficar pronto, vestindo um smoking para a ocasião. Postou-se em frente à porta do quarto da Swan às nove horas, entrando no local sem se incomodar em bater. Deparou-se com Angela que olhava deslumbrada para o interior do closet, sentada na beirada da cama.

-Ah, boa noite senhor Cullen! –Cumprimentou a empregada ao voltar seus olhos para a porta. Edward olhou ao entorno, não encontrando de imediato a quem procurava.

-Onde ela está? –Mal perguntou e vislumbrou a Swan saindo do closet, pronta para o evento. Usava o vestido prateado com cortes simétricos que ele comprara, deixando cada curva do seu corpo deliciosamente evidente. Estava mais alta, graças aos sapatos de salto fino dourados que estava usando, minimamente vistos devido ao comprimento do vestido. A maquiagem era pesada nos olhos e leve nos lábios, dando a Swan uma aparência exótica, completada pelos cabelos escovados e penteados para trás.

-Está linda. –Deixou escapar, com os olhos percorrendo cada porção de pele da menina. Isabella, atordoada por um olhar tão predatório, preferiu fitar o chão.

-Irei me recolher. Desejam alguma coisa? Senhor Cullen? Senhorita Swan? –Angela olhou de um para outro.

-Pode ir. –Dispensou Edward. Após a saída da empregada, notando que a Swan se preparava para sair do quarto, Edward capturou a pequena mão, retendo-a. Isabella olhou alarmada para o rapaz. Desde a duas noites, quando foi estrangulada pelo Cullen, a menina assumiu uma postura defensiva, temendo ser novamente machucada por ele.

Edward, perceptivo como era, captou o estado de espírito de Isabella rapidamente. Seu ato transloucado havia causado mais mal do que previra.

-Precisamos ir. Chegaremos atrasados desse jeito. –Alertou a Swan, olhando para a mão do Edward que migrava para o seu braço, segurando-o com demasiada força. O Cullen afrouxou o aperto a fim de conter a tensão que parecia sair de cada um dos poros da menor.

-Você parece estar muito interessada em ir o quanto antes para lá. Estranho... Uma vez que esperneou por um pouco mais de dois dias, tentando me dissuadir de levá-la. –Provocou, esperando pela tão desejada expressão de contrariedade que dava um ar ainda mais gracioso as feições miúdas. Não se decepcionou. Isabella o encarou com azedume.

-Quanto mais cedo chegarmos ao tal evento, mas rapidamente sairemos dele. Estou certa?

-Sim, está. Mas antes de irmos... –Caminhou até a frente do closet ainda aberto, chamando a Swan com o indicador. Ela o seguiu com cautela, adentrando o espaço. O Cullen sacou um estojo aveludado e o entregou a Swan.

-Coloque isso. –Recostou-se em uma pequena porção de parede no pequeno espaço, olhando para a menina. Os olhos castanhos arregalaram-se ao ler o nome Tiffany’s na caixa aveludada preta.

-Não posso aceitar. Isso aqui deve ter sido caro!

-Caso não tenha percebido, pequena, eu não o estou dando de presente a você com a possibilidade de recusar. Agora o coloque. –Exigiu, parecendo que iria perder a compostura a qualquer momento. E Isabella, temendo uma explosão, tratou de abrir a caixinha e retirar o seu conteúdo, colocando o par de brincos e a pulseira. Quanto ao último objeto, Edward a ajudou, colocando ele mesmo a peça.

Terminada a produção, foi naquele momento em que Isabella contemplou a sua formosura, aperfeiçoada com o melhor que havia no mundo dos cosméticos, vestuário e acessórios. Não conseguiu suprimir a surpresa quando se viu daquele jeito, parecendo às atrizes internacionais na festa do Oscar que poucas vezes assistiu.

-Admita: não é tão ruim estar produzida. –Brincou o Cullen, enlaçando a fina cintura com um braço, aproximando assim os corpos. Parecia deliciado com a visão de Isabella. –Eu sempre soube que tinha potencial para ficar mais bonita do que é, mas eu me enganei. Está magnífica, algo que supera o meramente bonito. –O rosto do Cullen migrou para a curvatura do pescoço feminino, inalando o perfume que cobria aquela superfície macia.

Diante de uma postura tão sexual como aquela Bella estremeceu. Sentia a excitação do rapaz comprimida em suas nádegas, ameaçando tomá-la ali mesmo. O corpo feminino enrijeceu diante da situação, um mecanismo de defesa há algum tempo executado pela Swan.

Em contrapartida, Edward queria esquecer o evento, aproveitando-se da menina até o amanhecer. Bella estava bonita demais para qualquer um olhá-la, a não ser ele. Reivindicá-la ali parecia ser a melhor escolha, mas as obrigações sociais não poderiam ser ignoradas, pelo menos não quando Aro Volturi estava envolvido. E mesmo com o corpo quente demais, exigindo satisfação, ele foi capaz de afastar-se.

-Devemos ir. –Pegou a mão de Isabella sem aviso, segurando-a gentilmente, e os dois seguiram até a garagem do prédio, para logo mais irem ao Hilton Hotel.

Enquanto Edward sentia a tensão aumentar à medida que chegavam ao local do evento, Bella sentia-se incomodada. Não, o incômodo não era pelo fato de que teria de lidar com o Volturi que a prejudicara, mas sim com o calor sentido na mão esquerda que fora segurada por Edward até então.

...

Pessoas em todos os lugares. Vestiam-se com esmero, como se estivessem em uma festa promovida pela própria rainha da Inglaterra. Mesmo Bella estando mais exuberante que boa parte das mulheres dali, sentiu-se pequena, despreparada para encarar aquela gente de elevada estirpe.

Edward sentia-se ansioso desde que entregara o carro ao manobrista do hotel. Procurou mascarar a sua apreensão o máximo que pôde, colocando nas feições do rosto uma expressão distante e despreocupada. Mal adentrou o salão de festas do Hilton e logo se deparou com um grupo de cinco convidados, todos do circulo de confiança do anfitrião da festa. Cumprimentou a todos, inclusive as pessoas desconhecidas que o cumprimentaram, sabedoras da posição privilegiada que o Cullen gozava.

Edward recebeu olhares cobiçosos de mulheres, e até homens, enquanto seguia para o caminho onde muito provavelmente encontraria Aro. Não se importou. O mesmo não poderia ser dito de Isabella. A menina não gostou nada dos olhares maliciosos e lascivos lançados a ela. Experimentou a sensação de ser um cordeiro diante de uma matilha de lobos, ávidos por carne fresca e suculenta.

Enquanto o Cullen cumprimentava meio mundo, tentando ser cortês o quanto pôde, Isabella pouco falou, ficando a alguns passos atrás do rapaz, murmurando alguma coisa sempre que algum dos convidados, conhecidos de Edward, notavam sua presença. Não queria contato algum com aquela gente e notou o coração bater mais acelerado a cada cumprimento e a respiração ficar mais e mais pesada.

-Ah, mas que mocinha adorável! –Ouviu uma voz masculina anasalada dizer, chamando a sua atenção. O homem que tecia elogios a Isabella era baixo, calvo, excessivamente branco e com feições miúdas como as de um rato. Sues grandes olhos negros examinavam minuciosamente a Swan, perturbando-a. –É a sua namorada, Edward?

Silêncio. O que Edward Cullen diria, Isabella pensou. Falaria a quem quisesse saber o que ela era de fato, um objeto? O sangue subiu para a face da menina enquanto ela esperava pela resposta que a colocaria em uma difícil situação. O Cullen, provocador como era, provavelmente contaria a todos os presentes que Isabella era seu brinquedinho particular, pois ele a comprara. Edward era baixo o suficiente para humilhá-la sem dó, uma vez que...

-É a minha namorada. Isabella, este cavalheiro chama-se Hank Müller. –O homem prontamente estendeu a mão para um cumprimento. Bella, apesar de atordoada pelas palavras que acabara de ouvir, conseguiu estender a mão, que foi subitamente capturada pelo senhor. Hank Müller beijou com sofreguidão aquela mão, aproveitando-se do contato com a linda senhorita.

-É um homem sortudo meu rapaz. Que adorável menina! Sem dúvida a mais bela da festa! –Hank proferiu um rosário de elogios, fazendo o desconforto da Swan aumentar exponencialmente. Edward, já cansado de toda aquela atenção direcionada à sua garota, tratou de inventar uma desculpa qualquer, pegando a mão da Swan e levando-a consigo.

Bella procurou ignorar a mão grande e quente que segurava com firmeza a sua e perguntou:

-Por que mentiu para ele?

-Do que está falando? –Edward voltou seus orbes esmeraldinos para a menina.

-Por que disse que eu sou a sua namorada? –Isabella o estudava com curiosidade.

-O que você queria? Quer que eu diga a todos os presentes o que de fato é? Minha propriedade? –Edward a olhou com descrença e sarcasmo.

-Não! Claro que não, mas... Você sabe, pouquíssimas pessoas acreditarão nisso. Até por que eu não duvido que boa parte delas tenha ido ao leilão. –Drogada como estava, Bella não seria capaz de identificar um rosto sequer naquele dia. Olhou envolta, como se quisesse reavivar a memória.

-Isabella, olhe. –Ordenou. Bella olhou o que o Cullen discretamente apontava. Mulheres estavam reunidas em um canto do evento. Usavam roupas curtas e espalhafatosas demais, rindo quase que histericamente enquanto conversavam entre si. Definitivamente estavam deslocadas, não parecendo sequer convidadas do evento. Sentiu quando o rapaz postou-se atrás de si, enlaçando a delgada cintura com um braço e mantendo o diminuto corpo em contato com o seu.

-Elas têm muitas coisas em comum então é fácil identificá-las a olho nu. Excessivamente magras, usando bijuterias e roupas de péssima qualidade. Maquiagem em demasia na tentativa vã de esconder os muitos machucados em seus corpos. Dificilmente estão sóbrias, ou estão bêbadas ou drogadas demais. –Dizia o Cullen ao pé do ouvido de Bella. A menina se viu incapaz de desviar o olhar, apreendendo cada característica citada por Edward.

-O que elas são? –Perguntou desnecessariamente. Em seu intimo, Bella sabia.

-São o mesmo que você, mas são bem diferentes. Entenda que quando digo à sorte que teve por eu ser o seu comprador, eu não minto. Todas elas são esse farrapo de gente que você observa, mas você é diferente. Por isso qualquer idiota com meio cérebro nesta festa acreditará em minhas palavras. Eu não a induzo a ser uma viciada, não a agrido com freqüência e tampouco cubro você com porcarias. A sua vida, por mais que não acredite, é a de uma rainha se comparada a essas mulheres. –Finalizou o seu discurso dando um pequeno beijo abaixo da orelha da Swan, deixando-a embasbacada. Isabella afastou-se rapidamente daquele contato, olhando em volta e notando que alguns convidados observavam com curiosidade para a cena.

Ficou evidente o aborrecimento de Edward diante daquela atitude, mas como Angela advertiu, ele nada fez. O Cullen era, afinal, civilizado demais para dar explosões de temperamento em frente aos convidados. É claro que o fato de não poder gritar com Isabella não significava não poder dizer alguma coisa.

-Lembre-se Swan: é a minha namorada aos olhos de todos os que não a conhecem intimamente, como Aro e eu. Deve agir como tal, ou prefere ser tachada como uma daquelas patéticas mulheres que eu apontei?

Isabella ficou em duvida. Ser tachada de brinquedinho sexual de Edward parecia quase agradável se comparado a alcunha de namorada. Fosse o que fosse, a menina se calou, deixando nas mãos de Edward a decisão. O Cullen captou a mensagem e sorriu vitorioso, capturando novamente a mão da menor.

-Boa menina. –Disse o rapaz, indo finalmente em direção ao local onde o anfitrião da festa, Aro Volturi, estava.

O evento acontecia uma vez por ano, marcando nada mais nada menos que a visita ilustre de Marcus Volturi, o mais velho dos irmãos e responsável pelas atividades ilícitas da máfia Volturiana em alguns países europeus, tendo como sede a Itália. Marcus parecia avesso a grandes espetáculos e até a companhia dos demais irmãos, preferindo dedicar-se unicamente ao trabalho.

A passos quase hesitante, Edward seguiu em direção aos Volturi, tendo que praticamente arrastar a pequena Isabella. Não estava satisfeito em vê-los, tampouco Bella estava, mas era algo que precisava ser feito.

Aro conversava animadamente com o seu irmão, cercado de bajuladores. Ao avistar Edward, porém, deixou a conversa de lado.

-Ah, fico feliz em vê-lo meu rapaz! –Com um movimento de mãos, afastou o grupo que o cercava a fim de dar espaço ao casal. Quando seus olhos pousaram em Isabella, surpresa o tingiu. –E esta deusa ao seu lado é Isabella? Como está magnífica! Bem diferente da menina em roupas esfarrapadas que eu conheci.

Bella tremia e somente Edward percebeu esse fato, uma vez que segurava uma das pequenas mãos. Olhou de esguelha para a Swan, notando que ela aprendera a mascarar seu nervosismo muito bem, pois tinha uma expressão plácida no rosto. Talvez tivesse adquirido essa habilidade com o próprio Edward, observando-o. Ele a compreendia como ninguém e, a fim de dar algum conforto, apertou a mão que segurava, desviando a atenção de Isabella para ele.

-Aro... –Cumprimentou com um leve aceno de cabeça. Voltou-se para Marcus, calado ao lado do irmão. –Marcus, é bom revê-lo após tanto tempo.

-Pequeno Edward, seu trabalho como administrador é louvável. Aro não pára de tecer elogios a sua pessoa quando nos falamos. Articulei a possibilidade de você me ajudar com os negócios na Itália. O que acha? –E antes que Edward pudesse responder ao questionamento perturbador do mais velho, Aro se manifestou.

-Lamento meu irmão. Tenho muito apresso pela sua pessoa, como bem sabe, mas não cederei alguém como Edward. Até por que temos um acordo, não é verdade? –Sorridente, Aro olhou com a intensidade de um gavião diante de uma presa. Edward estremeceu diante daqueles olhos castanhos, quase rubros, que pareciam se divertir em vê-lo desamparado.

-Sim. Temos um acordo. –Murmurou. Isabella olhou de um para o outro, sem compreender que acordo poderia atar tão fortemente os dois ao ponto de Edward se submeter aos caprichos de alguém tão desprezível.

Lembrou-se então de certa noite, quando Edward alegou que Isabella não era a única que havia se sacrificado a alguém amado. Até aquele momento, a Swan não parou e refletiu sobre o assunto. Agora, algo a invadiu, uma intuição que fazia sua mente trabalhar depressa e ligar os pontos, colocar os pintos nos “i”s.

-Deixarei que conversem a vontade. Preciso circular e cumprimentar os demais convidados. –Edward sorriu, mas este sorriso não chegava aos seus olhos. Quando fez menção de se afastar, levando Bella consigo, Aro o impediu, colocando o braço na frente deles.

-Não tão depressa meu caro. Gostaria de conversar um pouco mais com a senhorita Swan. –E todo o poder daquele olhar de ave de rápida recaiu sobre a menina. –Como está, pequena Isabella?

-Bem. –Procurou olhar para qualquer lugar, até para o homem alto, taciturno e anormalmente branco que era Marcus.

-Está realmente bela. Edward, ao que tudo indica, está cuidando muito bem de você. Viu como eu cumpri minhas promessas? Arranjei um dono gentil. –E aquela atitude serena misturada a palavras constrangedoras foi demais para Isabella. Fechando a cara, ela olhou diretamente para Aro.

-Realmente tenho que agradecer a você pela merda de vida que eu tenho! –Sua voz subiu algumas oitavas, chamando a atenção até de Marcus. Edward apertou com excessiva força a mão de Isabella, alertando-a. Aro podia ser o mais cortês dos irmãos, mas aquela altura da vida Edward sabia que tudo era apenas fachada.

-Ah, minha querida, como pode me culpar pelos recentes eventos ocorridos em sua vida? Assim você me deixa triste. Você sabe, mais do que ninguém, quem é o culpado. O ex-policial Charlie Swan é realmente um homem fraco, não é? –A piedade fingida do Volturi não incomodou a Swan, absolutamente. Suas palavras, contudo, foram devastadoras. Ao invés de replicar as palavras atrevidas, Bella ficou calada. Como poderia dizer algo em favor do pai, se Aro estava certo? O inferno que vivia tinha um culpado e Bella preferiu, durante todo este tempo, culpar Aro ou Edward; até ela mesma foi incluída na lista negra. Pelo bem de sua sanidade, ela nunca culpou o pai por tudo isso. Ele só tinha a ela e se Isabella o culpasse, Charlie estaria realmente só. Bella era altruísta demais para abandonar o único ente querido que lhe restava. Ela continuaria a viver pelo bem de seu pai, mesmo que Charlie continuasse a não retribuir o seu amor e dedicação.

-Preciso ir ao toalete. –Murmurou Isabella, desfazendo-se do aperto em sua mão e seguindo para qualquer direção. Seus olhos eram poços profundos, sem transmitir nada. Ela estava em choque e Edward percebera isso. Por mais que não estivesse a par da vida da Swan e não soubesse por quais tormentos ela passava, ele sentia certa empatia. Edward, afinal, seguia por um caminho tão tortuoso quanto o dela, por um motivo semelhante.

Após trocar um olhar significativo com Aro, afastou-se, seguindo os passos da menina. Bella caminhava rápido, mas Edward conseguiu alcança-la e, capturando o seu braço, faze-la parar.

-Me solta! –Protestou, empurrando-o. Sua atitude enfureceu o Cullen.

-O que há? Não venha descontar em mim o que Aro disse! Agora se recomponha e venha comigo! –Ordenou num tom ameaçador, mas Isabella ignorou.

-Estou cansada de bancar a bonequinha de luxo, seguindo-o como um cachorrinho. Volte para eles e me deixe em paz! A essa altura você me conhece bem o suficiente para saber que eu não sou tão interessante para se ter como uma companhia. –Sentou-se em uma elegante cadeira em um canto. –Divirta-se e venha me chamar quanto essa palhaçada acabar.

-Por que toda essa agressividade pelas palavras de Aro? Ele pode ser um fodido, mas não cometeu nenhum crime aqui. Apenas verbalizou a verdade, coisa que você, madura como é, já deveria ter aceitado. –Ao falar a palavra “madura”, Edward despejou mais sarcasmo do que a menina poderia suportar. O seu temperamento forte explodiu e, ignorando o aviso em seu subconsciente, despejou no único próximo o suficiente para ser atingido.

-Quem é você para falar com tanta propriedade sobre mim? Você não me conhece, não conhece meu pai! A única coisa que conhece é o tipo de depilação que fiz na virilha e isso não é o suficiente para saber nada sobre mim! Charlie estava fragilizado e aquele filho da puta se aproveitou disso! E como se não bastasse, você se aproveitou da filhinha igualmente fragilizada! –A voz alterada começou a chamar a atenção dos convidados mais próximos e isso perturbou Edward. Com uma voz mais contida, mas os olhos verdes mostrando um ódio sem precedentes, ele se manifestou.

-Aro é ocupado demais para perder tempo com um lixo como o seu pai. Acha que ele se deu ao trabalho de virar a garrafa de bebida para o Swan beber ou entregou fichas para o pôquer? Seu pai fez a merda por que quis e se pouco ligou para a filha enquanto ia para o poço, é obvio que não está nem ai para você! Então pare de negligenciar a verdade e a aceite! Quem sabe assim você não pára de fazer merdas também!

Bella riu. E essa não era a reação esperada pelo Cullen.

-Merdas? Tem razão. Eu fiz uma merda grande ao me oferecer como pagamento e acabar em suas mãos! –Suas palavras atrevidas foram como uma tapa na face masculina. Edward sentiu o sangue ferver, mas procurou controlar-se. Não perderia a compostura diante de tantos expectadores. Passou nervosamente as mãos em seus cabelos cuidadosamente penteados para trás, exalando um suspiro pesado.

-Fique ai então. Só saia quando eu assim o ordenar. Darei uma circulada por um tempo. –Virando de costas, seguiu festa adentro, deixando a Swan sozinha.

Isabella suspirou, relaxando ainda mais na cadeira. Logo notou os olhares sobre si das pessoas que perceberam a discussão. Aquele mar de rostos com olhos de abutres a incomodou o suficiente para fazê-la levantar, mesmo querendo permanecer sentada, e seguir andando até um local mais tranqüilo. Felizmente logo encontrou um bom lugar, uma sacada com uma vista incrível para as luzes da cidade. Ninguém mais estava lá e, a fim de ter mais alguma privacidade, fechou as portas duplas atrás de si.

Enquanto Edward Cullen caminhava por entre os convidados, bebericando os mais requintados drinks oferecidos pelos garçons e jogando conversa fora, Isabella continuou isolada naquele pequeno espaço, olhando um céu escuro sem estrelas cujo brilho fora ofuscado pelas luzes da cidade grande. Queria sumir, refugiando-se não em seu quarto no apartamento de Edward, ou na aconchegante biblioteca que descobrira, mas sim em sua antiga casa com ou sem a presença do pai. Pensar no pai remeteu a lembrança das palavras de Aro, aborrecendo-a mais do que já estava. Inclinou-se o suficiente para encostar a cabeça no parapeito de ferro.

-Você está bem? –Uma voz a despertou de seu devaneio. Virou-se bruscamente, encontrando um rapaz loiro atrás de si. Deveria ser um pouco mais novo que ela e seus olhos, num estranho tom castanho, quase rubro, remeteram a alguma coisa que não soube identificar.

-Estou sim. –Uma corrente de ar passou pela menina, deixando a pele completamente arrepiada. A temperatura caia mais e mais e Isabella se arrependeu por não ter trazido algo para aquecê-la.

-Parece com frio. Não recomendo ficar aqui sem um casaco. Lá dentro está mais quente. Por que não entra? –Sugeriu o rapaz, empurrando um pouco mais a porta por onde entrara num claro convite para a Swan segui-lo. A menina, porém, não se moveu.

-Sou um pouco avessa a aglomerações. Prefiro ficar aqui até a hora de ir embora. –Abraçou-se a fim de se aquecer. Ignorou o rapaz atrás de si, voltando a contemplar a triste noite. Para a sua surpresa, um paletó foi depositado no seu ombro e o rapaz desconhecido postou-se ao lado dela, olhando a noite tal como Isabella fazia.

-Hei, vai ficar aqui? –Perguntou, estranhando os modos do rapaz. Ele virou-se para encará-la e sorriu.

-Também sou avesso a multidões. Na verdade eu estava vindo para cá fazer justamente o que você fez. –Não voltou a olhá-la, parecendo mais interessado em olhar para as luzes ao longe do parque industrial. De esguelha, Isabella avaliou o rapaz. Pouco mais novo que ela, pele excessivamente branca, cabelos loiros acima do ombro. Vestia-se bem com um smoking diferente do usual, com gravata e colete vermelhos.

Ficaram em silencio por incontáveis minutos. A presença do rapaz, longe de chateá-la, causava certo conforto. Vestiu o paletó ofertado por ele, sentindo uma fragrância de tabaco e algum perfume caro. Pela visão periférica viu o desconhecido ficar de lado e, com a mão estendida, olhá-la.

-Muito prazer. Sou Caius.

Ergueu a mão cumprimentando o rapaz.

-Isabella. Seu nome é incomum.

-Isso é por que eu sou italiano. –A afirmação surpreendeu Bella, uma vez que não detectava nenhum vestígio de sotaque em Caius. Mas, ao olhar mais atentamente para ele, era evidente que possuía traços que muito o distinguiam de um jovem americano.

-Seu inglês é perfeito. Melhor do que o meu, até. –Elogiou a menina. Se comentário pareceu divertir Caius, que abriu um amplo sorriso de dentes com uma alvura perfeita.

-Estudar inglês foi uma imposição da minha família, e como moro aqui confesso que estou enferrujado no italiano; não o contrário. Hmm... Diga-me Isabella... Você veio sozinha a festa? –Perguntou o rapaz.

Bella se viu diante de um dilema. Era avessa a mentiras, mas sentiu-se tentada por não querer se associar ao braço direito de Aro Volturi, Edward Cullen. Preferiu contar meias verdades e assim apaziguar a impressão que Caius teria de sua pessoa.

-Vim com um conhecido. –Enquanto já pensava em outro tópico a ser abordado a fim de não entrar em detalhes, Caius se manifestou.

-Edward Cullen é o seu conhecido, eu presumo. Eu os vi entrando. –O tom de voz de Caius mostrava o quanto estar ligada a Edward Cullen era algo depreciativo, deixando a menina incomodada.

A apreensão tomou conta da Swan. Ela não sabia o que poderia dizer caso fosse instigada a falar de sua relação com Edward. Admitir o que era ou mentir, sustentando o que Edward dissera sobre serem namorados? A omissão ainda era um caminho a seguir?

-Eu vim com ele. –Deu de ombros, tentando aparentar indiferença.

-É amiga dele ou algo do tipo? Não me parece ser o tipo de pessoa que se envolve demais com tipos como ele.

-Tipos como ele? –Mirou o loiro ao seu lado, curiosa. –O que você quer dizer com isso?

-Ele não tem uma boa fama, pelo o que eu soube. Braço direito de Aro Volturi e envolvido em todo o tipo de atividades ilícitas. Ouvi boatos de que estaria envolvido em assassinatos, até. –Murmurou, parecendo temeroso ao entrar nos detalhes. Ao seu lado Bella arfou, tentando apreender a nova informação. Edward? Um assassino? Não era tola, desconfiava que o Cullen fizesse coisas ilegais, mas matar alguém era tão...

-Desculpe-me. Não sei a sua relação com ele. Não deveria dizer coisas do tipo.

-Está tudo bem. Não sou... –Isabella procurou a palavra adequada. -... Tão intima dele quanto às pessoas poderiam imaginar.

-Apenas quero preveni-la. Se por um acaso está envolvida com ele de alguma forma, recomendo que se afaste. –E no rosto bonito de traços andróginos, Bella notou a mais sincera preocupação dirigida a ela. Logo um sorriso brotou dos lábios cheios de Caius. –Estranho... Não a conheço, mas sinto uma necessidade de protegê-la. Você não me parece como as pessoas de índole duvidosa desse evento.

-Você é bem perceptivo. Realmente eu não tenho nada a ver com essas pessoas. E duvido que a convivência fará com que eu mude a minha essência. –Olhando para os orbes castanhos de Caius, embalada pelo silencio que imperou entre os dois, Bella sentiu algo indescritível. Embora não soubesse explicar em palavras os sentimentos que arrebataram a sua mente ante a presença do rapaz, sabia que aquele olhar parecia devora-la, tentando sondá-la e descobrir coisas ao seu respeito sem precisar verbalizar algo.

Um constrangimento a engoliu e a Swan quis estar em qualquer lugar, menos na companhia dele. Pensou em como poderia sair da sacada sem ofendê-lo e o nome Edward parecia estar na ponta da língua.

-Acho que passei tempo demais aqui. –Retirou o paletó de Caius, devolvendo ao seu dono. –O meu... O meu acompanhante deve estar me procurando. –Duvidava que Edward estivesse a sua procura, mas não conseguiu pensar em nada melhor para dizer.

-Espera! –A mão masculina segurou o pulso da Swan, retendo-a ali com delicadeza. Bella não soube como reagir aquele contato, uma vez que não era Edward então não poderia simplesmente empurra-lo.

-Eu realmente gostei de você. Eu... –Caius pareceu constrangido, balbuciando palavras sem nexo até encontrar o que queria dizer. –Bem... Você teria um telefone para nos comunicarmos?

-Não. –Respondeu com certa rispidez, tensa com a possibilidade de aquele desconhecido descobrir o que ela era. Ao notar o quanto sua resposta abalou Caius, todavia, tratou de reparar o erro. –Quero dizer... Eu perdi o meu celular. Não tenho nenhuma outra forma de contato. Eu sinto muito. –Sorriu tristemente, infeliz por perceber que em sua condição teria que manter as pessoas, sejam boas ou ruins, longe de si. E a ideia da solidão por longos períodos realmente doía na menina.

-Não tem problema! –Caius disse alegremente. A súbita explosão do jovem deixou Isabella confusa.

Bella olhou atentamente ao rapaz a sua frente, que pegava algo em um dos bolsos da calça social preta. Ele prontamente estendeu o diminuto objeto para a Swan, que o pegou, mais por curiosidade do que movida por outra coisa. Os orbes castanhos da menina arregalaram-se quando identificou o que lhe era ofertado.

-Mas o que...! –Exclamou, sem saber como proceder. E Caius, astuto como era de sua natureza, não deu espaço a Swan.

-Assim poderei me comunicar com você. Fique com este celular. É descartável. Eu não costumo utiliza-lo, sendo assim não sentirei a falta dele. –Pegou com delicadeza a mão de Isabella, beijando-a suavemente enquanto olhava para a face abismada da menor. –Foi um prazer conhece-la Isabella. Até breve. –E saiu sem esperar por uma resposta da menina a sua atitude incomum.

Por alguns minutos Isabella segurou o aparelho celular preto, surpresa com o ato de Caius. Após o susto, pensou em segui-lo e devolver o objeto, uma vez que teria sérios problemas se o Cullen o encontrasse. A apreensão pelo perigo de ser pega durou pouco e logo a menina viu as possibilidades que teria ao ficar com o celular. Se fosse hábil, poderia mante-lo em segredo e não só manteria contato com o desconhecido gentil que lhe dera o celular, como também com as pessoas que fora obrigada a abandonar.

Como estaria o seu pai após vários dias internado em uma clinica de reabilitação? E Leah, uma das poucas amigas que ainda tinha? E o seu namorado Jacob? Billy, pai de Jacob, teria feito a cirurgia na coluna a fim de sanar com uma dor incomoda que o atormentava? Tantas perguntas e que agora eram passiveis de serem respondidas graças à generosidade de um desconhecido...

O aparelho era pequeno o suficiente para ser escondido dentro de suas roupas, constatou. Aproveitando-se do fato de estar sozinha na sacada, Bella o enterrou no decote de seu vestido, acomodando-o ao corpo de forma tal que seria imperceptível a olho nu o volume entre os seios. Após respirar profundamente duas vezes, saiu daquele local, voltando ao salão.

...

Como um falcão, Edward olhava atentamente a cada lugar do espaçoso local, tentando encontrar Isabella. Procurou disfarçar a sua apreensão o máximo que pôde, tentando manter-se dentro da temática abordada na conversa do grupo que o cercava.

Para onde a menina havia ido?

Ordenara a Isabella que permanecesse sentada em uma das mesas, mas não a encontrou quando decidiu procura-la. Na verdade Edward não conseguia encontra-la em lugar algum e, por ser muito solicitado pelos convidados, sequer poderia dedicar-se unicamente a essa busca.

Teria Isabella aproveitado o momento para fugir? Era uma possibilidade, mas Edward duvidava desta hipótese, uma vez que a menina não abandonaria o pai dessa forma. Por qual outro motivo, então, Bella desapareceria?

Caius.

O nome veio potente, causando um súbito desconforto no Cullen. Esquecera-se que o menor devia estar no evento e se visse Isabella...

-Senhores, há uma questão que necessita de minha atenção. Peço licença. –Afastou-se do grupo de empresários, caminhando apressadamente por entre os convidados enquanto os olhos esmeraldinos percorriam tudo.

Mulheres excessivamente maquiadas. Mulheres belas como modelos fotográficas. Joias reluzentes em pescoços finos. Sorrisos de gesso. Unhas grandes o suficiente para empalar criancinhas. Onde estaria...

Um vulto prateado capturou a atenção do Cullen, fazendo-o olhar em direção ao toalete. De lá saiu Isabella, parecendo absorva por algum motivo enquanto fitava os próprios pés. Ao vê-la, Edward sentiu uma raiva atingi-lo e rapidamente se dirigiu ao local onde a menina se encontrava, ignorando as vozes que o cumprimentavam.

Agarrou o braço com demasiada força, fazendo a menina acordar do torpor. Encarou o rosto delicado com fúria, bufando como um touro ensandecido.

-O que foi? –Perguntou Bella sem nenhuma força na voz, olhando o braço ficar avermelhado onde o Cullen segurava.

-Onde esteve? Mandei ficar sentada naquele maldito lugar e você saiu sem a minha autorização! –Esqueceu-se da compostura e refinamento comuns a sua pessoa, entregando-se a uma postura agressiva demais, típica de um macho alva. Uma raiva nociva saía por cada poro da acetinada pele masculina, intoxicando o ar com o puro cheiro de testosterona.

Foi impossível para a menina não se intimidar diante do Cullen, ainda mais quando a palavra “assassino” passava a cada instante em sua mente. O que Caius dissera sobre Edward seria verdade? O rapaz poderia estar envolvido em assassinatos?

“Por que não? Trabalha para Aro e é conivente a tudo o que aquele crápula faz. Estar com as mãos sujas de sangue é um percurso natural a esse tipo de gente.” –E tais pensamentos, apesar de racionais, deixavam a pobre Swan ainda mais temerosa. Abaixou a cabeça, encarando o chão encarpetado.

-Você não fez muita questão da minha permanência ao seu lado. Não vi problema em me ausentar e respirar ar puro longe da multidão. Não fiz nada demais, sendo assim não mereço ser repreendida. Agora pare de bufar como um animal! Está chamando atenção! –Bella não estava preocupada com a atenção dos convidados sobre si, absolutamente. O que a preocupava era aquele gênio explosivo do Cullen, ameaçando causar algum mal a ela, independente de quem estivesse olhando. Angela assegurara a Isabella que o rapaz não daria vazão a raiva em público, por mais que fosse provocado. No entanto, ao olhar para a figura parada diante de si e o fogo nos olhos cor de esmeralda, Bella não sabia se estava segura ou não. Ainda mais depois das declarações bombásticas do loiro que conhecera minutos atrás.

Enquanto a mente da Swan trabalhava como louca, Edward, pouco a pouco, foi percebendo o engano cometido. Por que destratar a menina por algo tão banal? Isabella sumira apenas por alguns minutos, fazendo o que o Cullen queria fazer: escapar para algum lugar e evitar as pessoas presentes. Olhou ao redor, notando os olhares dos curiosos que perceberam a discussão. Largou o braço de Isabella, respirando fundo. Precisava controlar-se e parar de agir como um Neandertal ou seus atos seriam compreendidos de forma negativa, comprometendo a sua imagem.

-Não faça mais isso. Não desapareça da minha vista. Não tem ideia do tipo de pessoa que freqüenta esse evento. Por detrás dos sorrisos e palavras doces, são chacais ávidos por diversão a custa do sofrimento alheio. –Confessou, olhando envolta e notando naquele instante que Caius estava presente no evento, agindo como um ser civilizado. Talvez o loiro nem tivesse notado Edward e Isabella no evento, o que o rapaz agradeceu.

-Não muito diferente de você. Se eu estou acostumada com a sua presença, posso tolerar a deles. –Falou a Swan com descaso, olhando para a multidão diante de si. Edward arfou com a declaração atrevida e olhou para a menina ao seu lado. Sentiu um desconforto sem precedentes ao ser comparado com os demais convidados da festa de Aro Volturi.

Edward Cullen estava cansado. Cansado dos ataques constantes e temperamento vacilante de Isabella. Cansado de todos os hipócritas ao seu redor, sorrindo e desejando sucesso quando o que mais queriam era ver o Cullen no fundo do poço. Cansado de estar preso a Aro Volturi por uma promessa e ameaças.

-Estou cansado. –Suspirou, bagunçando os cabelos acobreados com uma mão. –Já ficamos tempo demais. Vamos para a minha casa. –O Cullen encarou Aro, cercado de empresários e Caius, ao lado do irmão. Deveria seguir até lá e cumprimentar todos os Volturi, mas algo dentro dele gritava para manter afastado dos olhos do Volturi mais novo a menina Isabella. Como sempre confiou na sua intuição, que por muitas vezes salvou o seu pescoço, e optou pela falta de Educação, puxando Isabella pela mão em direção a saída mais próxima.

A menina a principio estava tensa com a possibilidade de Edward puni-la sem a presença de tantas pessoas, por isso a urgência em sair do Hilton Hotel. A tensão foi diminuindo com o passar dos minutos e ficou claro para Bella, pelo menos, que a raiva do rapaz havia amainado quando sentiu nos ombros o paletó do Cullen. Edward parecia ignorar a companhia ao seu lado enquanto entravam no carro, pretendendo ir para casa, ou porque estava aborrecido demais, ou porque estava cansado demais. E Bella agradeceu aquela tranquilidade, mesmo que o silencio do Cullen significasse uma séria discussão mais tarde.

Mas a quietude durou bem pouco. Um estranho barulho preencheu o sofisticado automóvel, sendo nitidamente ouvido pelos ocupantes do veiculo. Edward olhou para o lugar de onde vinha o barulho e entendeu.

-Está com fome? –Perguntou a Isabella, ainda com os olhos no estomago da menina. Não demorou a dar atenção ao trânsito.

Quis dizer que não e ficar amuada o restante do caminho, mas não pôde. Isabella não havia comido nada desde a hora do almoço, uma vez que a equipe da hair stylist não permitiu qualquer coisa que pudesse sujá-la. Assentiu, mantendo o olhar para as luzes ofuscantes da cidade, parcialmente ocultadas pela forte película do carro.

Poderia ir para casa e acordar os empregados, mobilizando-os para o preparo de duas refeições, mas desistiu. O Cullen desviou-se da rota que o levaria a sua casa, pretendendo ir até um restaurante que servia magníficos pratos da culinária francesa. E enquanto estacionava o carro em frente do Maison de La Fondue, ouviu um muxoxo ao seu lado.

-Não me leve a mal, mas com a fome que eu estou aqui um caracol nojento com uma fatia de limão não vai me satisfazer. –Não soube ao certo por que externou o seu descontentamento, sabendo que o Cullen não iria contra os desejos dele para atender a um capricho seu. Esperou por alguma reprimenda do rapaz, que não veio.

-Aonde quer comer então?

Virou-se para Edward, notando que ele voltava a ligar o carro, preparando-se para sair do estacionamento privativo. Apegado aos seus desejos como era, foi difícil para a Swan reconhecer em Edward uma atitude desprovida de egoísmo como aquela, por menor que fosse.

-E então? Se não falar um lugar, nós comeremos aqui. –Apontou para o restaurante chique diante deles, onde um manobrista aguardava ansioso para cuidar do luxuoso carro do Cullen.

A menina queria sair daquele lugar cheio de esnobes, tão superficiais quanto aqueles que a cercaram na festa de Aro Volturi. Lembrou-se que há muito tempo não fora mais no Burger’s king, onde serviam a melhor batata frita do mundo.

-Burger’s king... Sinto falta da comida de lá. –Murmurou, constrangida, enquanto os orbes castanhos voltavam a fitar para além da sua janela. Edward deu ré, saindo do estacionamento e entrando novamente na avenida principal. A escolha de Bella quanto ao local para os dois comerem não agradou, porém queria aplacar a tensão que se instalara instantes atrás entre os dois. Acabou estacionando em frente aquele local, preferindo fazer os pedidos no Drive Tru. Perguntou o que a menina queria e Bella não perdeu tempo, pedindo uma coca, um X-burguer, um Milk Shake de morango e fritas. Para ele, nada.

-Não está com fome? –Isabella perguntou curiosa, vendo-o pagar a conta enquanto ela se servia das primeiras fritas. Sabia que o Cullen comera tanto quanto ela e devia estar faminto.

-Não costumo comer esse tipo de comida. –Pelo tom de voz e o modo desdenhoso que Edward olhou para a comida no colo de Bella, parecia detestar comer besteiras, algo inaceitável para alguém tão jovem. –E tome cuidado com o seu vestido. –Olhou com desaprovação para a comida, toscamente equilibrada no colo da menina, ameaçando arruinar o vestido com um simples descuido.

Parecendo perceber o perigo de comer sem uma proteção adequada, a menor logo teve uma idéia. Retirou o paletó de Edward, colocado por ele em seu ombro a fim de aquecê-la. Cobriu o colo com a peça, colocando cuidadosamente os alimentos entre as pernas. Voltou a atacar as fritas.

-Este paletó é mais caro do que o seu vestido! –Esbravejou, mas Bella o ignorou. Bufando, o maior seguiu para a casa, tomando cuidado com a velocidade do automóvel e fazer a Swan derramar algo no paletó. Acabou se precipitando, pegando uma avenida que viva engarrafada, não importando a hora do dia.

-Droga. –Não tendo como sair daquele caos, afrouxou o colarinho do smoking que vestia, recostando-se mais confortavelmente no banco do carro. Bella o olhava de esguelha, notando o evidente cansaço do rapaz.

-Hei, tem certeza que não quer comer? –Perguntou novamente, colocando uma batata frita na boca sem, todavia, come-la de imediato.

Edward virou-se e, num movimento rápido como o de um felino, desafivelou o cinto de segurança, inclinando-se e capturou a batata frita na boca da Swan. Mastigou despreocupadamente, olhando alguns carros a sua frente avançarem centímetros para frente.

-Hmmm... Gostoso. Fazia muito tempo que eu não comia algo calórico. –Roubou as batatinhas restantes das mãos de Isabella, voltando a comer o petisco. A menina olhou a cena atônita, ainda com os batimentos cardíacos acelerados desde que Edward pegou o alimento de sua boca, roçando os lábios dele aos dela.

O restante do trajeto foi silencioso. Edward comeu o que sobrara das batatas fritas, tomou dos goles de coca e deu duas mordidas no X-burguer de Isabella. A menina tentou engolir a comida, afinal de contas estava com fome, mas a sensação de desconforto pela intimidade entre os dois foi suficiente para fazê-la perder completamente o apetite.

...

-Aqui está o seu paletó. –Entregou a peça ao rapaz assim que entraram no silencioso apartamento. Como imaginaram os empregados já haviam se recolhido. No relógio de pulso do Cullen marcava duas da manhã.

Edward o pegou, dobrando-o no braço. Se incumbiu ele mesmo de ligar o sistema sofisticado de segurança enquanto a Swan retirava os sapatos, agradecida por sentir nos pés nada mais do que a macies do carpete felpudo que cobria boa parte do piso. Isabella sentia urgência em se desfazer da roupa, maquiagem, jóias e tudo o mais, entregando-se a um sono pesado. Caminhou a frente de Edward, pretendendo entrar em seu aposento, mas foi brecada pelas palavras do maior.

-Aonde vai? –Ele perguntou. Virando-se, Bella o encarou sem entender o porquê da pergunta.

-Para o quarto é claro. Já está tarde e... –Calou-se ao sentir o olhar predatório do Cullen, percorrendo novamente cada porção do seu corpo, tal como fizera no início da noite.

-Não. Vamos para o meu quarto agora. Depois você poderá voltar para cá. –Pegou a pequenina mão, guiando-a ao interior do seu quarto.

Algumas luzes do local foram ligadas, iluminando precariamente o ambiente. Edward fechou a porta atrás de si e não perdeu tempo. Ainda segurando a mão de Isabella, puxou a menina para os seus braços, beijando-a ardentemente. Bella não correspondeu a principio, atordoada pela rapidez com que os fatos aconteciam. Os braços da menina pendiam para os lados e ela manteve os olhos arregalados enquanto Edward guiava o seu diminuto corpo até a parede, prensando-a lá.

Um clique. A mente pareceu acordar e perceber a arriscada situação em que se encontrava. Esquecera que Caius havia lhe dado um celular e Isabella o escondeu no decote. Se Edward o encontrasse...

Afastou com brusquidão o rapaz de si, desvencilhando-se com facilidade. Arfava, olhando para ele com medo. Edward irritou-se por ser interrompido, mas não brigou com Isabella. Encontrou um medo sem precedentes nos orbes castanhos, o mesmo medo que acometeu a menina do dia em que ele a estuprou.

-O que há? Não vou machucá-la. –Tentou acalmá-la, mantendo certa distancia entre eles.

-Eu sei. Desculpe-me por empurrá-lo. Eu... –Respirou fundo a Swan, tentando se acalmar. –Eu preciso me preparar antes. Tirar essa roupa e a maquiagem. Irei ao meu quarto e quando estiver pronta...

-Não há necessidade de fazer isso em seu quarto. –Aproximou-se, colocando as mãos atrás da Swan, mantendo a cabeça de Isabella entre elas. –Quero ter o prazer de desembrulhar minha comida. –Brincou o rapaz, lançando um sorriso travesso para a Swan. Mas Bella estava nervosa demais para levar a situação na esportiva como ele gostaria.

-Analogia com comida não é o seu forte. –Murmurou, sentindo no ombro esquerdo o passeio de um dedo, que lentamente abaixou a alça do vestido. Edward aproximou seu rosto o suficiente para sentir nos lábios entreabertos a respiração quente de Isabella. Enquanto seus lábios roçavam os lábios femininos, uma mão se precipitou e acariciou um seio por cima do vestido.

-Edward... Quero realmente tomar um banho! –Protestou, sendo completamente ignorada. O passeio dos lábios do rapaz continuou, percorrendo a face da menor até chegar ao pescoço. A mão que a acariciava ameaçava puxar o vestido para baixo, o que poderia expor o corpo feminino e, infelizmente, o aparelho celular ainda escondido.

Uma idéia.

Não soube como ela veio, mas a abraçou mesmo assim. Rezou para que funcionasse antes de pôr o plano em prática.

-Tem uma banheira no seu quarto, não é? Sabe, desde que cheguei aqui ainda não experimentei um relaxante banho nela. Que tal? –Edward afastou-se, surpreso com a oferta. Olhou para Bella com desconfiança. Ela o olhava com uma expressão tranqüila, atípica dela.

-Quer tomar banho na banheira comigo? –Perguntou com incredulidade, vendo a menina assentir ante ao seu questionamento. Ainda estranhando aquele comportamento, aceitou-o de bom grado.

-Ok. Eu irei preparar a banheira. Não se mova. –Falou com um ar de divertimento, entrando no banheiro. Assim que o Cullen desapareceu da vista de Bella, a menor retirou o celular, colocando-o no silencioso e escondendo-o debaixo da almofada de uma poltrona. Retirou com dificuldade o vestido, dobrando-o e colocando sobre a mesma poltrona onde escondera o aparelho.

Ainda que tivesse saído da difícil situação com maestria, a menina sentia o coração bater dolorosamente rápido enquanto o ar escapava com violência dos seus pulmões.

Foi por pouco, pensou a Swan enquanto ela se sentava nua na beirada da cama.

...

Já havia ligado na jacuzzi e colocado sais de banho com um aroma adocicado de sândalo quando sentiu uma segunda presença no banheiro. Virou-se, vendo Isabella na porta, enrolada em um dos lençóis de seda preta da cama. Levantou-se da beirada da banheira até onde ela estava.

-Retirou o vestido? Disse para não fazê-lo, pois eu mesmo faria isso. –Aproximou-se da menina, cauteloso. Isabella estava muito estranha e Edward não tinha idéia do porque disso. Teria sido por ele tratá-la rudemente na festa? Ele já havia agido dessa forma outras vezes, mas nunca despertou na Swan a apreensão que via agora.

Estendeu as mãos até os ombros da menor, fazendo o tecido que cobria Isabella deslizar até o chão. Tomada por uma forte timidez, cobriu os seios e a feminilidade o máximo que pôde com as mãos, fechando firmemente os olhos.

Longe de se atormentar com o acanhamento exacerbado da menor, Edward achou até adorável toda aquela reserva após ela mesma dar a sugestão de um banho juntos. Deu um meio sorriso que Bella não pôde ver, pegando as mãos da menina e afastando-as, tendo assim uma bela visão do corpo diante de si. Isabella era dona de um corpo proporcional, pele da alvura do leite e curvas capazes de deixar Afrodite com uma inveja doentia. Envolvera-se com muitas mulheres desde que os hormônios o despertaram para a sexualidade, mas nunca encontrou até então alguém naturalmente bonita como a Swan era, sem precisar de intervenções cirúrgicas.

-Você é tão bonita... –Murmurou o Cullen, soltando os braços e segurando o rosto da menor entre as suas mãos. Beijou a tez lisa, migrando os seus lábios para a ponta do nariz de Isabella. As bochechas, o queixo e os lábios foram igualmente acariciados. Acariciou os compridos cabelos com uma mão, enroscando os dedos nos cabelos da nuca. Com a outra mão enlaçou a cintura, colando o diminuto corpo ao seu corpanzil.

Atacou os lábios femininos, exigindo de Bella um beijo ardente, que beirava a agressão. A menina correspondeu, sem saber por que fazia isso com tanto ímpeto. As mãos masculinas, ansiosas, acariciaram cada porção de pele enquanto os lábios beijavam a boca de Bella e a língua atrevida de Edward explorava o interior da cavidade bucal da menina, arrancando suspiros involuntários.

Sentir a pele quente e macia de Isabella com as mãos era bom, mas o Cullen queria mais. Ele queria sentir a pele da menina colada a sua, em toda a sua extensão. Afastou-se minimamente, deixando um pequeno espaço entre os corpos. Guiou as mãos de Bella até o seu peito.

-Tire minha roupa. –Exigiu, ficando parado e esperando que ela cumprisse a ordem. A menina assim o fez, começando pela camisa. Tateou o peitoral musculoso do rapaz, a procura dos botões da camisa. Assim que os encontrou, foi desabotoando-os de cima a baixo, lentamente.

O jovem Cullen bufou ao notar que a menina fazia a tudo de olhos fechados, o que dificultava a ação de despi-lo. Com um sorriso diabólico nos lábios, abotoou os primeiros botões, sem que a Swan percebesse. Quando a menina fez menção de retirar a camisa, não conseguiu.

-Parece que você esquecer alguns botões. –Explicou o rapaz para a confusa menina. –Conseguiria com mais eficácia se abrisse os olhos. –Sugeriu, farejando vitoria. Mas para a sua surpresa, Bella não agiu como ele esperava.

Desconfiando das atitudes do rapaz, a menina irritou-se, puxando com força a camisa e despregando os botões antes abotoados. Tateou o cinto do rapaz e tirou as calças dele, juntamente com a cueca boxer preta, com um forte puxão. Afastou-se, arfante, olhando para as roupas jogadas num canto do banheiro por ela. Edward retirou os sapatos, mantendo os olhos fixos em Isabella, e se aproximou, segurando a pequena mão e guiando-a até a borda da banheira.

-Escute, se continuar a manter os olhos fechados acabará se machucando. Esqueça dessa idiotice até estar em segurança. –Esbravejou o maior e se surpreendeu ao ver Bella obedecendo-o. Entrou na banheira com cautela, colocando-a no modo hidromassagem. Não demorou a Bella acompanhá-lo, sentando na ponta oposta da banheira, agradecida por poder submergir o seu corpo e, assim, oculta-lo do olhar cobiçoso do Cullen.

Tentou relaxar, encostando a cabeça na borda da banheira e fechando os olhos, mas não conseguiu.

Edward olhava para ela, sentindo o corpo protestar. Ele se sentia quente demais, necessitado demais daquele diminuto corpo de Isabella. Desejava a pequena desde que a vira belamente vestida e agora poderia tê-la. Agarrou os tornozelos de Isabella por debaixo da água, afastando suas pernas. Nadou bem próximo a ela, encaixando seu corpo entre as pernas da Swan. A menina ficou parada, olhos fechados, com o corpo severamente rígido. Edward notou a tensão que a envolvia e suspirou. Precisaria ser mito hábil para fazer a menor relaxar.

-Não a trouxe aqui para um simples banho. Você já deveria saber disso. –Mordiscou o queixo de Isabella e toda a extensão do pescoço, enquanto as mãos acariciavam os seios por debaixo da água.

O prazer foi substituindo qualquer outra sensação que dominava a menina. Perdida no êxtase, principalmente quando sentiu os dedos hábeis de Edward estimulando seu clitóris, Bella se esqueceu temporariamente dos temores que a acometiam. Gemidos tímidos, arrancados contra a sua vontade, saiam dos lábios femininos; eles eram como música para Edward.

Enquanto a língua do rapaz penetrava a boca de Isabella, os dedos, após acariciar e estimular a feminilidade da Swan, penetraram a pequena cavidade. Com um braço livre, Edward colou os dois corpos, que deslizavam um no ouro devido à espuma do banho e o atrito dos corpos causou uma forte onda de prazer nos dois amantes.

Ao sentir o membro rígido em contato com a sua feminilidade, tentando forçar a entrada já lubrificada, a menina despertou para um grande problema.

-Edward... –Murmurou quando os lábios do rapaz migraram para a sua garganta. Era difícil para a menina, naquela situação, formular algum pensamento coerente. -... Não podemos. –Afastou o Cullen o máximo que pôde, quebrando o contato das mãos e lábios do rapaz. Bem como imaginou a interrupção o aborreceu profundamente.

-Claro que podemos! Podemos e faremos! –Atacou os lábios com ferocidade, envolvendo a fina cintura com os braços, mantendo o corpo da Swan fortemente atado ao seu. A menina não conseguiu afastá-lo de si como queria, mas pôde externar sua preocupação quando Edward migrou seus lábios para os mamilos intumescidos.

-Não estamos... Usando proteção. –E as palavras da moça foram como um balde de água gelada nas partes íntimas do Cullen, fazendo o rapaz afastar-se.

-A proteção. A maldita proteção. –Murmurou raivoso, enquanto sentava-se na outra ponta da jacuzzi. Recostando a cabeça para trás, Edward suspirou.

-Lembre-me de pedir a Alexandrina para marcar uma consulta com um ginecologista para você. Assim nos livraremos desse incomodo de interromper momentos como este por causa da falta de uma camisinha. –Fechou os olhos, esfregando-os com uma mão. Chamou Bella com a mão livre, mas a menina não arredou o pé do canto onde estava. –Não me faça ir até aí. –Ameaçou.

Timidamente a Swan estreitou o espaço entre eles, sem saber o que faria a seguir. Até agora não era de tomar a iniciativa para nada entre os dois e, com toda a sinceridade, não queria enveredar por esse caminho. Permaneceu perigosamente perto do corpanzil do Cullen sem, porém, encostar-se a ele. E, bem como calculou, a impaciência do rapaz fez o resto do trabalho.

Encontrou debaixo da água as pequeninas mãos, agarrando-as e puxando Isabella em sua direção. A menina acreditava que o rapaz a tomaria ali, ignorando a falta de preservativo, mas ele a surpreendeu. Logo Isabella estava com as costas pressionadas no peito másculo, o corpo inclinado de forma tal que sua cabeça pousava no ombro do rapaz. Ele a abraçava gentilmente pela cintura, sem fazer quaisquer movimentos eróticos.

Enquanto Isabella não sabia o que pensar da estranha gentileza proporcionada por Edward, o maior quis experimentar, ainda que por alguns instantes, um contato intimo com alguém que ia além do sexual. Ele queria experimentar o que tivera poucas vezes nos últimos anos, aquela sensação de calor humano, ainda mais intensificado por não existir nada que os cobrisse. Relaxou de imediato, sentindo, com satisfação, o corpo de Isabella relaxar. Fecharam os olhos, captando apenas o cheiro dos sais de banho que impregnava o amplo toalete, a água morna que era golpeada em seus corpos pelas válvulas da banheira e a pele macia e quente do outro.

-Devo me preocupar com toda essa gentileza? –Perguntou Bella com ironia. Edward sorriu, sem abrir os olhos.

-Você conseguiu esfriar o clima. Se eu sair desta banheira será apenas para dormir. Deve estar em júbilo com isso, não é? –Abriu parcialmente os olhos cor de esmeralda, observando a menina em seus braços. Ouviu um bufar e quase podia vê-la revirar os olhos, muito embora ela estivesse de costas.

-A culpa é sua.

-Foi idéia sua virmos à banheira. Aposto que tramou isso, não é? Sua diabinha! –Falou num tom ameno e levemente divertido, atípico dele, surpreendendo ainda mais a menina. Isabella afastou-se, ficando novamente de frente para Edward. Estudou o rosto masculino por alguns instantes, tentando ver nele o assassino que Caius descrevera. Mesmo sabendo que o maior era instável e violento, não conseguia ver na face bonita um assassino. É claro que a Swan poderia estar completamente enganada.

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-O que foi? –Perguntou o Cullen a menor, estranhando o modo como ela o observava, especulativa. Viu os lábios se entreabrirem, como se fosse dizer algo, mas a menia pareceu desistir, negando com a cabeça.

-Nada. Eu preciso tirar essa maquiagem. Ela é a prova d’água e não sairá se eu simplesmente lavar o rosto. Precisarei de um removedor. –Fez menção de levantar-se, mas Edward a deteve, colocando a mão em seu ombro.

-Fique ai. Devo ter algum produto para remover maquiagem aqui, em algum lugar. –Levantou-se, exibindo o corpo musculoso de alvura invejável enquanto seguia aos armários onde ficavam estocados os produtos de higiene pessoal.

Tomada por uma súbita vergonha, a menina desviou o olhar enquanto os batimentos cardíacos e a respiração aceleravam. Todo aquele clima de intimidade consentida e troca de gentilezas estava mexendo com as suas estruturas, deixando-a embasbacada. Sabia como reagir a Edward quando o mesmo era frio, rude, violento... Mas o que dizer desde homem de tranquilidade similar a Gandi e afetuoso?

Pegou um frasco de removedor de maquiagem no interior do armário e lenços umedecidos, voltando à banheira. Sentou-se de frente para a Swan, despejado o liquido em dois lenços. Como Isabella ainda estava longe de seu alcance, pegou os tornozelos debaixo da água, fazendo a Swan sentar-se em seu colo, ainda de frente para ele, com as pernas esticadas. Ao notar o incomodo sentido pela menor, tratou de explicar o que faria.

-Vamos, eu não vou atacá-la. Relaxe. Apenas a ajudarei com a retirada dessa maquiagem. –Munido dos lenços embebidos no removedor de maquiagem, Edward, lentamente, passou nos locais maquiados. A menina fechou os olhos, facilitando a ação do maior.

Enquanto fazia uma tarefa tão simples, lembrou-se das outras vezes em que executara aquele ato. Primeiro com a mãe, cujo corpo estava desgastado demais para retirar a maquiagem sozinha. Havia também Jessica que, por culpa do abuso de drogas, nem sempre estava lúcida o suficiente para fazer alguma coisa. Era a primeira vez que Edward fazia aquela tarefa em uma situação calma, diante de uma pessoa que, por enquanto, era equilibrada mentalmente.

Maravilhou-se com a beleza da Swan, que se revelava a cada camada retirada de maquiagem. Como o rosto diante de si era bonito quando nada o manchava! Fazendo uma lista mental das pessoas com quem se envolveu, o Cullen jamais encontrou alguém que ficasse bem sem maquiagem.

“Genuinamente bonita...” –Concluiu, deslizando outro lenço embebido em removedor nas pálpebras da menor. Estranhou a passividade da Swan, parecendo agora completamente confortável. Imaginou que isso se devia aos olhos fechados e os pensamentos dela longe.

-Em quem você pensa quando fecha os olhos e está comigo? –Perguntou a menor. A menina apenas franziu os lábios.

-Por que quer saber? –Sentiu os lábios o removedor ser passado com a suavidade de uma pluma.

-Curiosidade mórbida. Vamos, não custará nada a você responder! –Tentou persuadi-la, e conseguiu.

-Penso no meu namorado.

Edward parou, finalizando a sua tarefa. Isabella continuou parada, olhos fechados, acreditando que logo ele recomeçaria a retirar o que sobrara de maquiagem. Contudo o Cullen ficou a observá-la, tomado por uma forte curiosidade.

-Qual era o nome dele? Vocês eram vizinhos? Conheceram-se na escola ou algo assim?

-O nome dele é... –Estranhando o súbito interesse do Cullen, revelou unicamente o apelido dado por ela a Jacob. -... Jake. Nos conhecemos ao acaso. Não éramos visinhos nem estudávamos na mesma escola.

-Você o amava? –A pergunta, feita num tom delicado por Edward, fez a Swan abrir os olhos em choque. Viu a costumeira curiosidade nos orbes cor de esmeralda, mas havia algo mais lá. Seria... Tristeza?

-Eu... –Não sabia como responder ao questionamento. Permaneceu em silencio, tentando entender o que aquela pergunta, mesclada ao olhar pesaroso do Cullen, queria dizer. Não obteve resposta.

-É melhor você ir dormir. Deve estar cansada. –Aproximou-se, colando seus lábios na testa da menor. Levantou-se da banheira, pegando um roupão azul marinho pendurado m um cabide de aço. Levou o roupão branco ao lado do seu para Isabella, ajudando a jovem a vesti-lo. Desligou o dispositivo de hidromassagem, esvaziando a banheira.

Bella ficou por mais alguns minutos vendo-o guardar algumas coisas nos armários de produtos de higiene pessoal, e tirar de lá alguns itens que usaria antes de dormir. Quando Edward a olhou interrogativo, questionando mentalmente o porquê dela ainda estar ali, a menina foi embora, levando o vestido, os sapatos e, escondido, o celular.

Enquanto um Edward esgotado deitava-se na cama king size após escovar os dentes e vestir uma calça moletom cinza grafite, Bella refugiou-se no seu quarto. Largou os seus pertences no chão, como se nada valessem e pegou o celular.

Ignorou o horário, que agora chegava às quatro da manhã, discando o único número que certamente iria atendê-la àquela hora.

Ela tinha nas mãos a chance de saber o que acontecida fora das paredes daquele luxuoso apartamento e só havia uma pessoa que poderia lhe contar tudo:

LEAH.

Notas finais
Olá pessoas! Primeiramente gostaria de pedir desculpas pela demora. Como alguns leitores sabem, eu estou com sérios problemas pessoais. Minha mãe estava muito doente e precisei ajudar ainda mais os meus pais. Uma série de problemas, além do problema citado, fez com que eu ficasse sem cabeça para escrever. Finalizei o capítulo com um pouco de pressa, confesso, e temo que não tenha ficado muito bom.
Agradeço a paciência e carinho de vocês, em especial da miga Larauine que têm sido um bálsamo para mim.
A promoção continua! Capriche no seu comentário e receba uma prévia estendida do próximo capítulo ou capítulo inteiro! Fiquem ligados no meu twitter (@jacksampaio), no meu blog (http://escritosdejacksampaio.blogspot.com/) e agora no meu grupo Escritos de Jack Sampaio (https://www.facebook.com/groups/escritosdejacksampaio/) e na página Escritos de Jack Sampaio (https://www.facebook.com/pages/Escritos-de-jack-sampaio/226860347406147) onde estou disponibilizando prévias, informando sobre as postagens e divulgando imagens-prévias e músicas da playlist da fanfic e de outras fics minhas.
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Beijos!