Sweet Slave
10 Capítulo 9
Capítulo 9
A morena de pele azeitonada passava distraidamente rímel nos cílios enquanto olhava-se no espelho do banheiro anexo ao quarto. Bella, sentada na beirada da cama, fitava a amiga com diversão.
–Leah Clearwater passando maquiagem? Apocalipse de São João está próximo? –Brincou a menina, recebendo um olhar reprovador da amiga.
–Há há há! Eu não ri de você quando quis entrar naquele sexy shop e comprar algo para o tão esperado dia, que não veio, da perda da sua virtude. –Correu até Isabella, jogando-se na cama. –Vamos?
Isabella levantou-se, ajeitando a blusa de ilhós branca que comprara para usar na festa que as amigas iriam. Saíram da casa, despedindo-se do irmão mais novo de Leah, Seth, que jogava vídeo game na sala.
Bella estava ansiosa. Há muito tempo não sabia o que era diversão e a ideia de ir se divertir com a melhor amiga e o namorado era como um bálsamo para os seus problemas. As meninas caminharam lado a lado despreocupadas, cruzando os jardins das casas em direção ao local escolhido para a festa. Os planos da Swan, todavia, foram arruinados assim que ela viu Charlie sentado na escadaria de sua casa, sendo amparado por vizinhos, com um enorme corte na testa. Suspirou.
–Não vou poder ir. –Disse sem desviar os olhos da figura lastimável do pai. Leah olhou para a amiga com descrença.
–Como assim não vai poder...?! –Exasperou-se a morena, até ver para onde Isabella olhava. Suspirou. Ela sabia o que aconteceria agora – Você não vai. –Não foi uma pergunta. Leah simplesmente sabia.
–Sinto muito. Avise ao Jake que não poderei ir. Eu ligarei para ele mais tarde. –Entristecida, Bella deixou a amiga seguir o seu caminho, voltando a triste realidade de uma garota que já não sabia o que era curtir a adolescência. A gata borralheira havia conseguido ter uma noite de glória com a ajuda da fada madrinha e Isabella rezava para que o seu dia também chegasse.
–Alô? –Uma voz sonolenta ciciou do outro lado da linha, arrancando a Swan da lembrança. E, embora a voz parecesse mais e mais irritada enquanto tentava obter uma resposta da pessoa do outro lado da linha, Bella ficou calada.
O telefone foi desligado.
O que diria? Como explicaria o seu desaparecimento por tantos dias? E como dizer que nunca mais poderia voltar à antiga vida? Sentiu a garganta travada, o peito apertado e os olhos úmidos. Bella não queria ter que dizer meias verdades a melhor amiga ou se despedir, queria dizer que estava bem e logo voltaria a sua antiga vida.
Nada disso aconteceria.
Discou novamente o número com as mãos trêmulas. Uma voz irritada a recebeu com insultos, mas calou-se quando a menina disse:
–Leah... –Murmurou constrangida. Apesar de não ver ou falar com a amiga há pouco tempo, sentiu uma distância de anos pesar sobre as duas. Um mês fora o suficiente para mudanças significativas acontecerem na vida da menina, modificando-a rapidamente.
–Bella? Bella é você? –A voz pareceu mais alerta, espantada com quem falava do outro lado da linha. Não poderia mais fugir daquele momento, reunindo toda a bravata da antiga Bella para fazer o que devia ser feito.
–Sim Leah. Sou eu.
–ONDE VOCE ESTÁ? TEM IDEIA DO QUANTO PROCURAMOS VOCE E SEU PAI? –Esbravejou audivelmente a jovem, fazendo Isabella afastar o celular do ouvido. Respirou fundo, ainda desorientada com a situação. Não havia de fato se preparado para aquela conversa, inventando uma desculpa perfeita. Agora precisava encarar uma situação onde não conseguiria sequer dizer meias verdades. Precisava mentir.
–Sinto muito Leah. Coisas aconteceram e... Bem... Eu...
–Conte-me o que aconteceu. E não esconda nada de mim! –A voz de Leah era severa, tal qual uma mãe que exige a verdade do filho. Mas Bella já havia decidido que o melhor era não dizer o que havia acontecido a ela e ao pai.
–Eu precisei interná-lo Leah. Meu pai não estava bem. –Sentiu a voz ficar mais e mais fraca. Os batimentos cardíacos erráticos, instável tal qual a sua respiração.
–E o que isso tem haver com o seu desaparecimento? Internou o Charlie, ótimo, mas não havia motivos para desaparecer sem deixar rastro! Eu cheguei a pensar que havia acontecido algo grave com você, pelo amor de Deus! –A exasperação de Leah era quase tangível e Bella sentiu um esgotamento mental atingi-la. Precisava encerrar a ligação já!
–Eu sei Leah. Eu sinto muito! Tudo fugiu horrivelmente do meu controle e fiquei sem alternativas. Fiz o que tinha de fazer e não mensurei as consequências.
Um silêncio sepulcral caiu sobre as amigas, deixando-as desconfortáveis. Por fim a mais velha se manifestou do outro lado da linha.
–Não importa. Onde está o seu pai?
–Internado em uma clinica. Ficará um tempo por lá. –Sentiu uma pressão nos olhos, indicando que logo lágrimas se derramariam.
–Bom. Ele precisava de ajuda. E você, onde está?
Havia chegado o momento, e Bella se sentiu péssima por isso.
–Eu vim com ele. O médico recomendou que eu me mantivesse por perto. Ele precisa saber que eu estou por perto.
–E COMO FICA A SUA VIDA? FODA-SE CHARLIE! VOLTE PARA CASA! VIVA A PORRA DA SUA VIDA DEIXADA PARA TRÁS! –A declaração irritada da amiga chocou a Swan pela agressividade exacerbada. Leah sempre foi estourada, mas raramente seu temperamento forte era dirigido a Swan. A raiva da amiga não era o que deveria preocupa-la.
–Eu não posso... –Murmurou fracamente, dando vazão as lágrimas. Leah perceptiva como era logo percebeu que a amiga chorava.
–Você pode. –Falou num tom mais brando. –Pode e deve voltar. Ainda há tempo para os seus planos, seus sonhos. Sei o quanto ama o seu pai, mas não pode se destruir por causa dele. Sei que Charlie, no fundo, não aprovaria essa ideia. Volte Bella! –Clamou a amiga, levando a menina a soluços descontroláveis. Ela não poderia voltar e tal pensamento enchia o coração de pesar.
–Não posso. Sinto muito. –Desligou o celular, segurando-o fortemente entre as mãos. Desabou na cama, entregando-se a dor que a engolia, ameaçando enterra-la no fundo do poço.
Sem sonhos. Sem esperanças. Como uma boneca barbie para sempre esquecida em uma prateleira, impedida de crescer, ter sonhos e um fim; apenas para ser contemplada enquanto o brinquedo chamasse atenção.
Enquanto a chama da beleza queimasse.
...
Domingo.
Alexandrina estava de folga e mesmo assim Edward estava disposto a ir para o seu escritório. Não que tivesse muito trabalho acumulado, absolutamente. Mas também nunca foi de ficar em sua casa aproveitando o ócio. O rapaz gostava de estar na ativa, tentando encontrar soluções para problemas de seus clientes. Ele também gostava de manter a cabeça ocupada com o que realmente importava, deixando de lado insignificâncias como as atitudes estranhas de Isabella, ou o pesar pela morte da mãe.
Ou a culpa pelas mortes que manchavam as suas mãos.
Trajando uma camisa preta colada ao peitoril definido, cobrindo a peça com uma jaqueta de couro marrom, deixou o aposento portando nas mãos apenas o seu celular e o por de óculos Ray Ban. E, como em todos os dias, encontrou os empregados o aguardando na sala de jantar, e uma Isabella encolhida na cadeira mais distante.
–Bom dia senhor Cullen. –As vozes se fizeram ouvir no amplo espaço, mas Edward não deu importância a elas. Seus olhos estavam fixados na menina que, para a sua irritação, não havia se sentado onde ele queria.
–Levante-se e venha se sentar bem aqui. –Indicou a cadeira mais próxima a ele com uma mão enquanto sentava. Isabella o obedeceu calada, mantendo os cabelos soltos e rebeldes, cobrindo boa parte do rosto oval.
Enquanto o café era servido por Angela, Edward se permitiu olhar mais para a estranha figura ao seu lado. Bella estava estranhamente calada, com a cabeça baixa e os cabelos rebeldes ocultando tudo o mais. Sempre fora fechada, mas toda aquela postura beirava o ridículo, concluiu.
–Qual o problema? –Perguntou enquanto bebericava a sua xícara de café. Teve a impressão de ouvir um “nada” ser pronunciado pela menina, nada mais.
Por alguns minutos ignorou a pequena, dando atenção ao jornal ofertado por Erick e a comida. Lá pelas tantas percebeu que Isabella tomou unicamente um gole do suco de manga ofertado por Angela, olhando para o prato servido com guloseimas doces com aparente desinteresse.
–O que há? Por que não está comendo? –Perguntou com rudeza, impaciente com todo aquele silencio da Swan. Desejava olhar os orbes castanhos e entender um pouco mais a moça, coisa impossível com todo aquele cabeço cobrindo a face.
–Estou sem fome. –A voz chorosa de Isabella chamou a atenção do Cullen, fazendo o rapaz perceber que algo grave estava acontecendo e não apenas mais um dia de caprichos da menina.
Toda a cena era observada por Angela na extremidade mais distante da sala e Erick que regava orquídeas na grande sacada. A empregada desejava que Edward assumisse uma postura mais afável, pois, perceptiva como era, notou a fragilidade emocional em que se encontrava Isabella ao encontra-la pela manhã.
Num gesto inesperado, Edward ergueu a mão, afastando os cabelos cor de mogno da pequena, que se encolheu o quanto pôde do toque. Antes da cascata cor de mogno encobrir novamente o bonito rosto, Edward viu o suficiente.
Os olhos vidrados e olheiras proeminentes, indicando privação de sono e algo mais. Ele já vira pessoas naquele estado, entregues a uma tristeza incapacitante que as impedia de sorrir, dizer algo e tantas outras coisas. Vê-la tão vulnerável instigou o aparecimento de um Edward humano demais, a muito esquecido e enterrado pela poeira do tempo.
–O que houve? –Perguntou com suavidade nada característica da personalidade dele, surpreendendo a todos que acompanhavam a cena. Bella, absorva em sua própria dor, não pareceu notar os olhos gentis e preocupados sobre si do Cullen, ou a mão que agora acariciava o seu rosto.
Todo o pesar sentindo desde a madrugada foi demais, e transbordou. Não demorou aos olhos cor de chocolate verterem lágrimas infinitas, na tentativa desesperada de aliviar a dor que comprimia o coração feminino. A dor dos sonhos esmagados e desesperança que ninguém deveria sentir.
O descontrole durou uma fração de segundos e logo a Bella racional assumiu. Respirou fundo, ignorando a pergunta feita pelo Cullen. Com uma voz um pouco mais composta ela pediu:
–Posso ir para o meu quarto? –O pedido implorativo desarmou ainda mais o taciturno rapaz e ele apenas assentiu. Bella levantou-se, murmurando um obrigado antes de desaparecer pelo corredor.
Ele queria saber o que havia ocorrido para a Swan agir de forma tão estranha e recorreu a Angela, a mais próxima da casa a menina.
–Angela. –Chamou, sendo prontamente atendido. –O que aconteceu? –Perguntou sem rodeios, olhando para a empregada. A menina suspirou, sabendo que o patrão não ficaria satisfeito com a sua resposta.
–Eu não sei senhor. Ela está assim desde essa manhã. Tentei persuadi-la a me contar, mas a senhorita Swan nada fala. Acho que a pobrezinha não dormiu.
Lembrando-se da noite anterior, não encontrou nenhuma atitude sua que poderia ter causado aquele comportamento. Ele fora gentil e sequer compeliu a menina a dormir com ele. Mas, ao pensar na noite anterior, percebeu que Bella agia de forma estranha desde o evento, agitada demais.
O que poderia estar causando aquele comportamento na menina?
O jovem saiu de seu apartamento em direção ao escritório sem encontrar uma resposta para a sua dúvida.
...
Olhou no Rolex prateado em seu pulso o horário, constatando que gastara apenas três horas em sua sala. Adiantou o que pôde, entrando em contato com os outros clientes que solicitavam seus serviços como contador. No entanto a mente de Edward parecia se rebelar, pensando em coisas que nada tinham haver com a papelada a ser analisada.
Bella não estava bem e ele não sabia como proceder. A melancolia que envolvia a menina era impenetrável para ele, uma vez que o Cullen era o principal agente daquele comportamento. Poderia ignorar a situação, mas algo dentro dele clamava para que o jovem tomasse alguma atitude, ou teria que ver em Bella o que vira em Esme e Jessica.
Ignorou o trabalho espalhado em sua mesa por ele e pensou em suas opções a fim de melhorar o humor de Isabella. Ela era uma mulher difícil, fugia do convencional, ignorando coisas supérfluas como roupas caras, joias, festas e o que fosse. O único interesse genuíno descoberto por Edward sobre a menina era o seu gosto por livros, mas algo dizia que nem mesmo entregando a sua biblioteca particular ele conseguiria animar a pequena. Então... O que fazer?
Ligou para a sua residência, a fim de saber como Isabella estava. Angela atendeu e, sem mais delongas, Edward perguntou:
–E Isabella? Onde está?
–Está em seu quarto. Não saiu de lá até agora. Levei comida para a senhorita, mas ela não comeu praticamente nada. –A voz de Angela estava carregada de preocupação e Edward se perguntou o quão íntimas elas haviam se tornado em tão pouco tempo. Sabia que não poderia exigir mais nada da menina, pois até a competente Weber tinha as suas limitações.
–Continue tentando alimenta-la. Se algo acontecer, ligue-me. –Ordenou pronto para encerrar a ligação.
–Senhor Cullen? –Chamou a empregada, retendo-o na linha. –Talvez a senhorita Swan precise sair um pouco. Tem passado muito tempo presa aqui e isso não e nada bom. Seria bom para ela respirar um ar puro, não acha? –Sugeriu Angela o mais gentil que a sua voz poderia ser ao telefone. Tentando convencer o difícil patrão a concordar com sai ideia.
–Estou ocupado agora. Cuide dela. –Foi tudo o que disse, encerrando a ligação e deixando a pobre empregada sem uma resposta. O que Angela não sabia era que a sua sugestão martelou automaticamente na mente do Cullen.
Recostando-se em sua poltrona de couro o mais confortavelmente que pôde, fitou o teto de gesso esculpido e refletiu sobre as inúmeras possibilidades de alegrar a mais frigida das mulheres, sem que abrisse mão dela. A ideia do Angela era boa, mas não conseguia pensar em algum lugar que Bella fosse gostar de ir. Os bares da moda, boates, casas de espetáculo que Edward frequentara e até apreciava não comportavam muito bem menininhas interioranas como Bella. A Swan, pelo pouco de convivência entre os dois, Edward percebeu, era simples e gostava de coisas ligadas ao cotidiano como...
A ideia veio e foi impossível pensar em outra coisa. Era algo tão bobo, simples, e o Cullen quis se bater por não ter pensado nela antes. Levantou-se, ignorando a bagunça deixada em cima de sua mesa; Alexandrina cuidaria de tudo na manhã seguinte. Pegou o casaco de couro, vestindo-o. Retirou os óculos presos no colarinho da camisa preta e colocou-o, fechando a porta do escritório ao passar por ela.
Enquanto diria para a sua casa, algo atípico em um domingo, ele pensou em qual lugar deveria leva-la. O local provavelmente estaria lotado de pessoas, coisa que Edward era avesso, mas não conhecia um cinema onde apenas um grupo seleto de pessoas, que não agiam como símios, frequentaria. Deixou para depois tais decisões, tentando se concentrar em como tiraria Bella de casa. Não que fosse algo impossível, ela ainda acatava as suas ordens, mas abatida como estava poderia oferecer mais resistência do que oferecera no evento promovido por Aro Volturi noite passada. Noite passada... Noite passada Isabella agiu de forma estranha, parecendo ansiosa demais. Agora estava depressiva sem que Edward tivesse feito alguma coisa. O que poderia ter acontecido e desencadeado tais sentimentos na menina?
Os empregados estavam agitados na casa, cuidando de todo o tipo possível de coisas domésticas num dia de domingo. Todos, com exceção de Lauren, claro. A empregada fingia espanar uma mesinha com um pano enquanto folheava um exemplar da Elle. Erick olhava com desaprovação para a loira enquanto ajudava Ben a arrastar os moveis para que Angela varresse debaixo deles. A menina estava concentrada no seu trabalho, mas em alguns momentos, Ben constatou, parecia estar com a cabeça em outro lugar.
–O que há Ang? –Perguntou o rapaz a Weber, aproximando-se. Angela fitou o rapaz centímetros mais altos do que ela aborrecida.
–Estou um pouco preocupada com a senhorita Swan. Ela parece tão triste! Não comeu praticamente nada no café da manhã. Eu sinceramente não sei o que posso fazer por ela.
–Não se preocupe Ang. Logo ela voltará a ficar bem. Tem sido assim desde que ela chegou aqui, afinal. –Tentou tranquilizar a moça, acariciando os cabelos castanhos claros, presos num coque firme no alto da cabeça. Angela assentiu descrente de que as coisas melhorariam para a Swan. O tipo de dor que Isabella experimentava parecia ser algo crescente temeu o futuro da menina.
Todos na sala foram surpreendidos quando a porta se abriu. Edward Cullen tinha por habito passar o domingo inteiro no escritório, tal qual uma segunda feira. Ignorava a palavra “descansar”, preferindo trabalho e diversões forçadas por Aro Volturi quando este o compelia a participar de algum evento. E agora lá estava o patrão, vestido como um modelo de algum famoso jeans de marca, com os olhos esmeraldinos ocultos pelos óculos modelo aviador da Ray Ban. Ele não se deu ao trabalho de cumprimentar a trupe, seguindo para o corredor que logo o levaria ao aposento de Isabella. Entrou sem rodeios, encontrando a menina sentada de qualquer jeito em uma cadeira de gente para a pequena sacada aberta. Estava como pela manhã: cabelos desgrenhados, vestida com uma calça jeans e um suéter cor marfim e descalça. O rosto parecia ainda mais inchado e pálido do que pela manhã, indicando que havia chorado um pouco mais. De fato Bella passara as ultimas horas após o café da manhã naquele quarto, chorando enquanto lembrava-se do pedido desesperado de Leah para que a menina voltasse a sua antiga vida, mas sabendo que jamais poderia fazê-lo. Estava condenada a ser nada mais do que um divertimento para um homem rico.
Não se deu conta que Edward a observava com olhos clínicos, anestesiada demais pelo sofrimento ao qual fora exposta desde a madrugada. Só percebeu a presença de uma terceira pessoa quando os passos no interior do quarto se tornaram mais audíveis. Ainda sim, Bella não se moveu, fitando o nada com os seus grandes olhos cor de chocolate, opacos.
–Não comeu nada e nem se deu ao trabalho de tomar banho. Por um acaso seria assim que me recepcionaria quando eu chegasse em casa? –O comentário mordaz não surpreendeu a Swan, por isso sua atitude manteve-se indiferente.
–Eu não me lembro de você ter exigido que eu ficasse como uma boneca barbie, impecável, todo o dia. –Sua voz, cheia de sarcasmo, também transparecia um cansaço estranho para uma jovem de dezoito anos. Bella, naquele momento, mais parecia uma idosa ranzinza com problemas de locomoção do que a sua atual condição. O caso dela era mais grave do que o Cullen previra.
–Não importa. Levante-se e se recomponha. Nós vamos sair. –As palavras do Cullen despertaram Isabella, que se levantou num salto. O rosto confuso deixava claro que ela não sabia aonde Edward queria chegar.
–Sair? –Perguntou incerta do que fazer. Viu o rapaz ir até o closet, abrindo-o.
–Vamos sair. Escolherei algo para você vestir. Vá para o banheiro e tome um banho. –Foi categórico, olhando as peças de roupa com olhos clínicos. Queria escolher algo bonito, provocante, que instigasse o lado mulher a muito enterrado pela própria Bella.
Atordoada, a menina acatou as palavras do Cullen, seguindo para o banheiro. Não entendeu a atitude do rapaz, uma vez que ele não era de ficar em casa aos domingos, quanto mais sair para algum lugar.
Tomada banho, Bella apareceu de roupão e usando uma touca nos cabelos molhados. Olhou para a cama, onde jazia uma blusa de algodão branca, um blazer estampado com um tema floral, calça jeans e sapatinhas vermelhas. Um look bem básico, diferente da preferência do Cullen, Bella poderia apostar. E Edward estava sentado em uma poltrona, olhando para a Swan.
–Eu vou me vestir. Pode... Sair do quarto? –Pediu, amuada. Não queria sair. Edward a olhou entediado.
–Não há nada aí que eu já não tenha visto, tocado, beijado, lambido, mordido, etc. Vista-se logo! –Impacientou-se, olhando as horas. Acreditou que Bella faria o determinado, mas para a sua decepção a menina recolheu as roupas e trancou-se no banheiro, saindo de lá apenas quando estava arrumada, cabelos secos e escovados e, quem diria, com um pouco de maquiagem. Bonita, com simplicidade, Edward rotulou. O tipo de beleza clássica que ele nunca experimentou, até agora. E ela seria mais bonita se apagasse aquele vestígio de tristeza que ofuscava o brilho natural dos seus olhos castanhos.
–Está pronta. Vamos então. Comeremos em algum lugar. –Saiu do aposento, sendo seguido por uma relutante Isabella. Os empregados acompanharam a saída dos dois com estranheza, perguntando-se para onde poderiam ir. Até Bella desejava saber o que o Cullen tramava.
Nada perguntou a ele enquanto seguiam para a garagem do condomínio, esperando pelo momento em que o Cullen verbalizaria o plano. Ele continuou calado e só se manifestou quando estacionaram em frente a um restaurante italiano.
–Vamos almoçar. Escolhi este, diferente dos que eu frequento por ser mais simples. Imagino que este agrade você. –Declarou, saindo do carro e abrindo a porta para Isabella. Sem convite, Edward segurou a pequenina mão, deixando a Swan ruborizada. Aquela mão que segurava a sua era grande, quente e anormalmente macia para uma mão masculina. O contato foi breve, uma vez que Edward separou-se dela quando sentaram, mas o calor daquela mão permaneceu por algum tempo e Bella se pegou fitando aquela mão, sentindo algo estranho brotar no peito por um gesto não pequeno de Edward.
–Você é uma incógnita. –Murmurou, mais para si do que para um ouvinte em especial. Edward ouviu, todavia. Olhou interrogativo para a garota enquanto bebericava de um vinho tinto pedido por ele. Bella aquiesceu, dando atenção ao prato escolhido por ela naquele restaurante.
...
Domingo.
Algumas pessoas se aventuravam a percorrer as estradas e comer algo nos restaurantes nada higiênicos. Outras visitavam parentes, levando sobremesas deliciosas para que degustassem ao final do almoço. E havia algumas que escolhiam as salas de cinema como entretenimento no final de semana.
O local escolhido por Edward para que os dois assistissem a um filme estava repleto de pessoas das mais diferentes idades, muito embora o público jovem fosse maioria. Risadas, conversas, gritos... Tudo era claramente ouvido por quem estava no recinto, e o cheiro de pipoca misturava-se aos muitos odores corporais emitidos em meio aquela multidão.
Edward se arrependeu de imediato da ida ao cinema.
O rapaz estava acostumado a lugares requintados, com pessoas requintadas, onde as conversas silenciosas e boa música soavam. Tornara-se avesso a multidões, preferindo a reclusão em seu apartamento a confrontar um exercito de pessoas excitadas ávidas por aproveitar suas vidas medíocres.
–Foi uma péssima escolha, afinal. –Disse enquanto olhava, aborrecido, para a multidão que se aglomerava na fila dos ingressos e no balcão a espera de pipoca, refrigerante e outras guloseimas vendidas no local.
–Por que uma péssima escolha? –Bella o fitou, vendo o Cullen olha-la com descrença.
–Esse lugar parece Sodoma e Gomorra renascidas! Está lotado! –E para a sua surpresa, ante a declaração irritada, Bella riu.
–Nunca foi em um cinema no final de semana? Eles são sempre assim, lotados. Mas hoje está até tranquilo. –Bella afastou-se, admirando o cartaz de um filme que ela havia planejado ver com Jacob. O filme já não estava de cartaz e a pequena entristeceu-se por não ter tido a chance de vê-lo. Suspirou.
Edward postou-se ao seu lado, observando com curiosidade a Swan. Não foi preciso pensar muito a respeito para entender o que acontecia a pequena.
–Queria ver esse? –Perguntou, olhando para o cartaz que ela olhava. O titulo do filme: Albert Nobbs. Nada descobriu sobre o filme ao ver um homem ladeado por outro mais jovem e uma mulher.
–Sim. Havia planejado vê-lo, mas... Coisas aconteceram. –Foi vaga, mas pelas entrelinhas deixou claro o que havia acontecido a ela: a ameaça ao pai, a sua liberdade sendo ceifada por um bem maior, Edward Cullen...
Olhando para o painel onde o cinema mostrava os filmes exibidos, nenhum parecia chamar a atenção de Isabella, tampouco de Edward. Filmes com muitos efeitos especiais, sem historia ou nexo, puramente comerciais. Esse tipo de entretenimento o Cullen dispensava.
Uma ideia lhe ocorreu, tão fugaz que tratou de executá-la antes de não se lembrar do que lhe ocorrera.
–Vá até aquela fila e compre o que desejar. –Retirou uma nota de cem dólares da carteira, entregando a menina.
–Mas aquela é a fila da comida. Não deveríamos ir para a fila dos ingressos?
–Eu providenciarei o resto. Vá agora. –Não era uma ordem, mas Isabella interpretou como tal. Edward não era o melhor em entoar a sua voz e fazer-se entender, acostumado demais a agir com rudeza e imposição de suas vontades.
Enquanto Isabella esperava no balcão de comidas e bebidas, Edward dirigiu-se a administração, guiado por um dos lanterninhas. Encontrou no local um senhor magro, anormalmente alto, com um sotaque russo ao inglês. Depois dos devidos cumprimentos, Edward foi direto ao assunto.
–Quero reservar uma de suas salas de cinema. E gostaria que o filme Albert Nobbs fosse o filme a ser exibido. –Foi categórico, causando espanto no administrador com todas as suas exigências tão bem colocadas.
–Senhor, nossas salas estão lotadas. É impossível tal pedido. Ainda mais quando solicita um filme já saído da nossa programação. –Murmurou nervosamente o senhor, enquanto via nos lábios do Cullen um sorriso projetar-se.
–Tenho certeza que conseguirá fazer algo por mim, ainda mais com a quantia que eu estou disposto a pagar. –E viu o senhor Nicolai suar frio.
...
Segurando uma pipoca média e dois refrigerantes em uma bandeja, Bella tentava procurar uma cabeça acobreada em meio à multidão. Nada. Não o localizou nem mesmo na extensa fila para a compra dos ingressos.
–Que ótimo! –Bufando, sentou-se em um dos poucos bancos vagos, colocando os itens comprados no colo. Tomou um gole de sua coca e esperou, batucando os pés no chão de tão impaciente que estava.
Ela poderia fugir.
Aquele pensamento veio e foi impossível ignorá-lo. Olhou para a entrada, as ruas e seus muitos transeuntes. Ela poderia deixar toda aquela comida ali e ir embora, desaparecer. Era capaz o suficiente para recomeçar em outro lugar, mesmo que não tivesse documentos, dinheiro ou uma casa. Nunca temeu o trabalho e seria capaz de trabalhar em qualquer função, ganhando pouco, e se dar bem em algum momento.
Deixou a comida no banco onde estivera sentada e olhou para a saída. Deu um passo a frente e estacou. Seu pai, Charlie. Não poderia simplesmente ir embora e deixá-lo a mercê de Edward ou Aro. Eles o tirariam da clinica, deixando-o a própria sorte e Charlie, sozinho, não duraria muito.
–Foi isto o que comprou? –Uma voz masculina soou perto demais. Virando-se, a Swan viu Edward pegar a bandeja com a comida comprada. –O que estava fazendo? –Perguntou.
–Nada demais. Pensei ter visto um conhecido. –Desconversou pouco a vontade. –Comprou os ingressos?
–Já está tudo providenciado. –Encarou a menina, estranhando o seu comportamento. Ela parecia agitada com algo. –Vamos. –Seguiu a frente e Bella foi logo atrás, sentindo uma pontada de arrependimento pela oportunidade perdida.
Os dois entraram em uma sala pequena e vazia, onde aparentemente estocavam alguma coisa. Um senhor irritantemente sorridente os acompanhou e o empregado que o acompanhava se apressou em ligar as luzes do local e a tela de projeção. Apesar da sala de cinema ser pequena, ainda mais com todas aquelas caixas aqui e ali, estava limpa, o que Edward agradeceu. Pagara por um espaço exclusivo, querendo evitar multidões, e viu na sala a muito desativada o único recurso do administrador. Aceitou.
–Espero que gostem do espaço. –Disse Nicolai. –Os ar condicionados estão bons. Logo a sala ficará bem fria. E exibiremos o filme solicitado pelo senhor. Sentem-se e fiquem a vontade!
Bella olhou o local sem perceber. Ficariam apenas os dois lá? Caminhou atrás de Edward, sentando ao seu lado nas poltronas no meio da sala. Colocou a pipoca e refrigerantes na poltrona ao lado e rapidamente pegou a sua coca, bebendo-a. Edward solicitou a sua bebida e Bella passou o conteúdo, vendo-o beber tranquilamente enquanto olhava para a tela. Quando Nicolai saiu por uma das portas de emergência e a sala voltou a ficar escura, o filme começou a ser exibido. E, para o espanto da Swan, era Albert Nobbs o filme escolhido por Edward. Não foi preciso se consumir em interrogações para entender o que o rapaz havia feito.
Boquiaberta, Bella desviou os olhos da grande tela do cinema e fitou o rapaz ao seu lado. Ficara surpresa quando ele havia deixado os compromissos de lado para levá-la ao cinema, mas comprar uma sala apenas para eles dois, compelindo o dono do espaço a exibir o filme que ela queria e que já havia saído de cartaz a semanas, foi demais. Aquele Edward, definitivamente, ela desconhecia. E por desconhecer aquela faceta, Bella sentiu um desconforto ainda maior. Claro que em algum momento o filme chamou a sua atenção e ela procurou ignorar tudo o mais que a atormentava.
Ficaram os dois a ver o filme, comendo a pipoca comprada e bebendo os refrigerantes comprados. Bella gostou daquele passeio e Edward, estranhamente, se sentiu bem rodeado com toda aquela simplicidade do programa escolhido, fazendo o Cullen sentir certa normalidade que há muito tempo carecia em sua vida.
...
Uma chuva pesada caia lá fora, deixando o transito ainda mais caótico do que o costume. Edward calculou mal, entrando em uma das avenidas mais apinhadas de carro. Praguejou pelo erro, descontando na buzina de seu carro importado a sua raiva. Bella, incomodada com o barulho da buzina, tratou de verbalizar o seu aborrecimento.
–Buzinar como um louco não fará o transito se mexer.
–Mas aplaca o meu stress. Isso basta para eu tocar a buzina como um lunático. –Rebateu o Cullen, tamborilando os dedos no volante enquanto a outra mão apertada à buzina. Ao ouvir o suspiro cansado de sua acompanhante, percebeu enfim que incomodava Isabella. Suspirando, recostou-se no banco de couro preto, olhando para o teto do carro.
–Assim está melhor senhorita Isabella Swan? –Perguntou com azedume. Ouviu uma risadinha ao seu lado e virou-se, vendo a Swan tentar esconder uma gargalhada.
–Sim, bem melhor. Obrigada. –Ela pareceu relaxar tal como ele fazia, recostando-se também no banco. Fechou os olhos e logo sua respiração ficou tão tranquila que poderia até parecer adormecida.
Vê-la tão serena encheu o peito do rapaz de contentamento. A Isabella sombria que encontrou pela manhã parecia não estar mais presente, o que Edward agradeceu. A Swan ficava muito mais bonita e agradável daquele jeito, tentando esconder o bom humor inato a ela por detrás de uma carranca e tiradas ríspidas. Não que esse fosse o caso. Sua postura tranquila causava sensações antes enterradas em Edward, fazendo-o experimentar da paz que a rodeava. Alem disso, tinha aquele rosto de porcelana, pouco maquiado, convidando as mãos do Cullen a traçá-lo e sentir a macies da pele. Ergueu a mão livre e tocou o rosto de Isabella, despertando-a da letargia que parecia envolvê-la. O ato de Edward capturou a atenção da Swan e logo seus grandes orbes castanhos, agora emitindo um brilho suave, pousaram na figura masculina sentada ao seu lado.
Os dedos acariciaram a bochecha, a têmpora, o queixo e os lábios com uma suavidade atípica dele. E nos olhos esmeraldinos Bella viu uma doçura estranha, enquanto os dedos exploravam lentamente o rosto da pequena.
–Você fica muito mais bonita desse jeito. –Confessou o Cullen, vendo a surpresa aumentar mais e mais na Swan. –Não sei o que houve desde ontem para ficar tão sombria essa manhã e duvido que me contará. Provavelmente eu não a entenderia ou faria algo para ajudá-la. Não sou bom com essas coisas, não mais. Porém, se precisar conversar, pode conversar comigo, mesmo que eu não a escute de verdade. –Riu da própria declaração; impossível para ele construir um Edward solícito diante da menina quando não era da sua natureza.
–Obrigada. –Murmurou debilmente, não conseguindo deixar de olhar para aquele homem ao seu lado. Havia algo na postura do Cullen naquele dia que a fazia fixar os olhos nele, como se assim pudesse vislumbrar a alma do rapaz e entende-lo melhor.
–Então... –Os olhos verdes fixaram-se nos lábios rosados de Isabella enquanto ele os acariciava com um polegar. –Não mereço uma compensação por ter deixado de trabalhar e passeado com você, levando-a a um local lotado, o que eu detesto, e ter desembolsado uma quantia grande para que você pudesse assistir ao filme escolhido, em paz? –Ele não pediu permissão, embora tivesse feito à pergunta. Lentamente levou a mão que a acariciava a nuca da menina, puxando-a em sua direção.
O beijo foi delicado, diferente do habitual. Edward parecia querer explorar sem pressa àquela boca em toda a sua totalidade, deliciando-se com o sabor e macies da mesma. Bella, atordoada, arregalou os olhos enquanto ficava parada, deixando o Cullen agir livremente. Então, pouco a pouco, fechou os olhos, deixando-se ser embalada pelos braços que a rodeavam e correspondendo timidamente ao óculo.
Com surpresa Edward sentiu os braços de Isabella rodeando o seu pescoço, aproximando-os ainda mais. Puxou a menina mais para si, abraçando-a pela cintura, enquanto sua língua acariciava os lábios da menor. Sentiu o corpo ser atingido por um calor e excitação que exigiam uma resposta do corpo que tocava, mas inexplicavelmente não ousou tocá-la mais intimamente. Isabella era como um animal silvestre que ao menor sinal de perigo fugiria. Procurou ser o mais delicado que pôde, firmando-a em seus braços, beijando-a sem ser afoito, e nada mais. Ao afastar-se, beijou a testa da Swan. Empurrando-a suavemente para o banco onde até então ela estava sentada.
As buzinas dos carros atrás do seu exigiam sua atenção, querendo que Edward voltasse a guiar o carro para frente. Ele assim o fez, sentindo um sádico divertimento ao ver Bella ao seu lado, ruborizada e arfante.
...
Apesar do horário não ser tão tardio, os empregados já haviam se recolhido. Silenciosamente entraram no apartamento, com Edward fechando as portas atrás de si. Bella sentia um cansaço atingi-la, desacostumada como estava em sair e caminhar por ai. Queria uma boa noite de sono e nada mais, o que contrariava com os desejos do Cullen. Edward, afinal, tinha outra coisa em mente.
Bella só descobriu o que o Cullen pretendia quanto, após abrir a porta de seu quarto, ele a seguiu. Antes que pudesse formular uma pergunta, Edward a pegou pelo ombro, jogando-a na parede e prensando seu corpo ao dela. Capturou os lábios com demasiada força, exigindo tudo o que Bella tinha a oferecer. Assustada, a menina tentou empurrá-lo, mas suas mãos foram capturadas e presas à parede pelas mãos do maior.
–O que está fazendo? –Conseguiu perguntar quando Edward pausou para respirar. As respirações mesclavam-se devido à proximidade dos corpos.
–Achou mesmo que eu me contentaria com um simples beijo como recompensa pelo que fiz por você? Definitivamente não me conhece, Isabella. –Sorrindo, voltou a beijá-la, soltando os pulsos que prendia contra a parede e enlaçando a fina cintura com os braços. Cada parte do delicado corpo estava prensada contra o seu corpo e Edward deliciou-se com a sensação, querendo sentir a pele de Isabella contra a sua sem as roupas que a cobriam.
Atônita, a menina continuou parada, correspondendo precariamente aos anseios do maior. Ainda que estivesse um tanto acostumada ao jeito afoito do Cullen, sempre era pega de surpresa em situações como essa. Edward percebeu, claro, e sentiu certo incomodo. As coisas sempre eram melhores para ele quando Bella cedia. Afastou-se da menina, mantendo as mãos em sua cintura.
–Por que não ceder um pouquinho como você faz às vezes? Eu estou sendo gentil com você, não estou? Eu sei que, no fundo, você está cansada de manter as aparências... –Colou o corpo ao dela, distribuindo beijos no pescoço enquanto falava. -... Está cansada de negar algo que deseja. Pode negar o quanto quiser, mas eu sinto como o seu corpo responde ao meu a cada beijo, cada toque.
Aproximou seus lábios até a orelha da menina, sussurrando, provocando.
–Ceda. Submeta-se a mim e não se arrependerá. –E aquela promessa conseguiu mexer com as estruturas da menina. Edward havia acabado de desmascará-la ao dizer que a Swan queria entregar-se as delicias prometidas por ele e ela não sabia o que fazer diante disso. Fosse o que fosse Isabella fechou fortemente os olhos, querendo resguardar-se do poder exercido pelo rapaz, não mais para melhor pensar em Jacob enquanto estava com Edward.
Enlaçou o pescoço masculino com os braços, estreitando ainda mais o espaço entre os corpos. Seu ato causou o efeito que desejava e foi o Cullen a atacá-la com um beijo, enquanto segurava fortemente as nádegas da menor. Logo ergueu o diminuto corpo enquanto a beijava, levando-os a cama da menina.
Ávido como estava por satisfação, o rapaz apressou-se em retirar as roupas de Isabella, ignorando a brusquidão que muitas vezes usou. A menina, plácida, ajudava o quanto podia, facilitando para o rapaz. O óculo perdurou durante todo o momento de retirada das vestimentas e logo chegou o momento de reconhecimento onde Edward, nu, contemplava o corpo sem defeitos de Isabella.
Ateou a pele com a ponta dos dedos, sem pressa para nada. Ombros, a curva de um seio, barriga, coxa e virilha. Bella arfou com a carícia, tentando mascarar o máximo que podia o prazer sentido. Mordeu os lábios com força quando sentiu os dedos atrevidos entre suas coxas, explorando aquela região com habilidade.
Edward observou, divertido, as reações da menor, o modo como tentava não permitir que os espasmos de um orgasmo iminente tomassem o seu corpo. Intensificou os movimentos e Bella tentou breca-lo, colocando a sua mão sobre a dele a fim de quebrar o contato, mas não teve força ou motivação para impedi-lo. Satisfeito com as reações que despertava na Swan, cobriu o corpo feminino de beijos, e caricias com as mãos, estimulando-a sem deixá-la chegar ao ápice do prazer; uma forma interessante de torturá-la, ele pensou.
Isabella esperava, e desejava, que o Cullen cobrisse o seu corpo e penetrasse o quanto antes, mas para a sua surpresa ele parecia disposto a inovar. Por uma fenda nos olhos, viu quando ele se afastou, um sorriso matreiro nos lábios, primeiro saindo da cama e pegando algo no bolso da calça, um preservativo. Após colocar o preservativo no pênis ereto, Edward sentou-se, encostando-se ao dossel da cama. Puxou a mão da menina, guiando-a em sua direção. Acomodou Isabella em seu colo e contemplou a face corada e olhos fechados de uma jovem que arfava. Havia uma beleza peculiar lá e ele contemplou a imagem por mais tempo do que deveria.
O corpo de Isabella foi baixado e logo os dois estavam conectados. Em movimentos vagarosos, o prazer foi se tornando a sensação predominante, ofuscando um pouco as inibições que a Swan impunha. E logo o vagaroso foi dando lugar a algo mais forte e rápido, fazendo os corpos se moverem quase com violência. Edward conduzia toda aquela luxuria, mas Bella teve uma participação impossível de ser ignorada, arfando e fazendo os seus gemidos ecoarem pelas paredes do quarto.
Deliciosa tortura foi submetida à Swan, como punição por negligenciar os anseios do maior. Edward brincou com Isabella durante um tempo, variando em diferentes posições sem, todavia, deixá-la chegar ao ápice. Quando sentia que a menina iria gozar, ele parava, escolhia uma nova forma de acomodar o corpo dela ao dele e recomeçava as estocadas de quatro, de costas, de lado, com ela sentada em seu colo, deitado sobre ela...
A menor sentiu-se usada, abusada e explorada. O cansaço, o suor, a respiração entrecortada, os batimentos cardíacos erráticos, as dores aqui e ali. Isabella lembrou-se que já não tinham um contato tão poderoso assim há um tempo e concluiu que Edward estava recuperando o tempo perdido. Longe de sentir o bom e velho mal estar, Isabella se sentiu... Estranha? Não saberia definir, nem queria. Preferiu deixar a mente vaga, mas não pôde ignorar a voz que vinha do fundo de sua mente, sussurrando:
Você está acostumada a ele... A tudo dele. Até o modo como ele abusa de você.
...
Não saberia dizer que horas eram ou se a menina deitada ao seu lado de fato dormia, uma vez que Isabella estava de lado com o rosto voltado para a parede. Cansado como estava, o Cullen pensou em dormir por lá, mas sabia que só conseguiria descansar em sua cama, sozinho, muito embora tenha se lembrado de que dormira com a Swan na noite em que a comprou, semanas atrás.
Levantou-se da cama, nu, cobrindo melhor Isabella. Catou as roupas pelo chão vagarosamente e vestiu a cueca boxer preta, segurando o restante das roupas com um braço. Uma ultima olhada na menor que ressonava tranquila ao seu lado.
Ela parecia melhor, concluiu. Levar Isabella a um passeio havia sido um remédio e tanto para a depressão da menina e o Cullen decidiu que faria isso com mais frequência, talvez aos domingos ao invés de trabalhar. Caminhou até a porta, mas parou ao ouvir uma voz na direção da cama.
–Obrigada pelo passeio. –Agradeceu a Swan com os olhos bem abertos, fitando o papel de parede do quarto. Edward, claro, não tinha acesso aos seus olhos uma vez que ela estava de costas para ele.
–Obrigado por ter sido menos frigida essa noite. –Provocou, mas havia um que de ternura em sua voz. Até Isabella deu um pequeno sorriso pelas palavras, embora o seu lado racional a desprezasse por achar graça na piada de mau gosto.
Quando ouviu o barulho da porta sendo fechada, a menina sentou na cama. Graças a um abajur poderia ver o quarto com certa nitidez. Levantou-se, seguindo em direção ao closet. No interior de uma caixa de sapatos localizou o celular dado por Caius e arfou ao ver varias chamadas não atendidas.
“Deve ser de Leah.” –Concluiu, verificando que o número era desconhecido. Enquanto decidia se retornaria a ligação ou não, o telefone brilha, indicando uma ligação. Prontamente atendeu, esperando a voz raivosa da amiga que imploraria para ela voltar.
–Isabella? –Perguntou uma voz masculina que Bella reconheceu no ato.
–Caius? É você? –Procurou uma confirmação.
–Sim. Estive ligando para você o dia todo. Você está bem? –Parecia preocupado, o que a menina achou bonito da parte dele. Um sorriso brotou nos lábios de Isabella instantaneamente.
–Sim. Eu não estive em casa e o celular ficou aqui então...
–Ah, que bom! Achei que alguma cosia séria poderia ter acontecido a você.
Um silêncio tomou a conversa e Bella não soube o que dizer ao rapaz. Mal o conhecia e até agora não entendia o porquê dele ter dado o aparelho a ela.
–Eu soube de algumas coisas e agora entendo um pouco melhor você. –Disse o rapaz subitamente, despertando a curiosidade de Isabella.
–Coisas? Que tipo de coisas?
–O tal Edward disse a alguns poucos no evento que você foi adquirida por ele em um leilão. Quando soube disso eu fiquei chocado e preocupado. Claro que podem ter sido apenas boatos, mas... Isabella é verdade? O que Edward Cullen comentou?
A Swan ficou chocada. Edward havia mentido a todos que perguntavam que era ela, alegando serem namorados para não expor a menina. Mas o que aquele estranho dizia era incompatível com o comportamento do Cullen. Lembrou-se tardiamente que não estivera ao lado dele durante toda a festa e o Cullen poderia sim ter dito algo durante esse período.
–Isabella? Ainda está na linha? –Convocou Caius após alguns instantes do outro lado da linha.
–Sim. –Falou a menina numa voz indiferente.
–Sim, você está na linha, ou sim, é verdade o que ele disse? –Questionou o loiro para total aborrecimento da menor. Deveria mentir para ele e encerrar o assunto, mas algo no tom do rapaz indicava que ele já sabia da verdade e mentira nenhuma iria demovê-lo de seu pensamento. Com um suspiro profundo demais, a Swan se manifestou.
–Sim. Sou exatamente o que ele disse. Eu sou uma simples mercadoria que ele adquiriu em um leilão. Sou uma propriedade dele. –Cuspiu as palavras com desprezo, sentindo toda a pseudoafeição adquirida por Edward naquele dia desaparecer. O coração antes aquecido por um estranho sentimento nutrido pelo Cullen dava lugar a frieza costumeira da menina.
–Eu esperava que fosse mentira. Desejava que fosse mentira. Não o conheço bem, mas sei do que ele é capaz. Edward Cullen é um homem perigoso Isabella. Você não tem a mais remota ideia do que ele pode fazer a você, tal qual fizera a Jessica.
–Jessica? –Bella já havia ouvido o nome pelos empregados, mas nada de muito significativo. Lembrou-se então de Lauren e, pelo que a loira dissera, as palavras de Caius faziam sentido. Sentiu um arrepio perpassar a sua espinha ao imaginar o perigo que corria estando ao lado de um homem que ela sabia ser instável.
–Não sei muito sobre o assunto, mas as evidencias em nosso círculo são fortes. Ele adquiriu há algum tempo uma menina de nome Jessica e a matou. –As palavras de Caius foram como um soco na boca do estomago de Isabella. Arfava enquanto processava as informações. Foi tomada por um pânico irracional que ameaçava a sua sanidade.
–Me desculpe. Acho que não foi uma boa ideia dizer a verdade, mas é que eu...
–Não, não foi uma boa ideia. Saber disso só causará pânico em mim toda vez que eu o vir. Eu não posso mudar o que eu sou! Eu estou presa a ele! –Alterou-se a pequena num claro sinal de desespero. Preferiria ficar ignorante a verdades muitas vezes sussurradas pelos corredores daquela mansão. Saber a verdade era terrível, deixando-a atemorizada.
–Talvez você não precise ficar presa a ele por mais tempo. –Disse Caius, sereno. O estranhamento de Isabella com a declaração do rapaz foi imediato.
–E como eu poderia me libertar? –Perguntou com ceticismo na voz. –Pagando o dinheiro que ele investiu em mim? Eu não consegui arranjar nem uma pequena parcela do valor para impedir que as coisas chegassem a esse ponto, quem dirá o valor exorbitante gasto por ele!
–Há outras formas de se livrar, mas isso precisa ser discutido pessoalmente. Não se preocupe Isabella, eu sei o que devo fazer para ajudá-la. –A convicção na voz de Caius era espantosa e quase fez a Swan acreditar que algo poderia ser feito... Quase.
–Mas como você...?
–Nos falaremos pessoalmente logo. –E desligou, sem mais explicações.
Bella encarou o aparelho celular em uma das mãos, notando tardiamente que a bateria iria descarregar. Não ligou para isso. O que manteve a sua atenção foi àquela convicção de Caius sobre ajuda-la a sair daquela situação e, o mais surpreendente ainda, era que uma parte dela acreditou nele.
Escondeu o aparelho dentro da caixa de sapatos, colocando-a no fundo do closet. Sentiu a necessidade de um demorado banho para limpar os vestígios de Edward em seu corpo, para relaxar e esquecer as palavras de Caius acerca do Cullen.
Ela bem sabia que não pensar no assunto seria uma causa perdida.
...
Ela estava diante dele.
Edward reconhecia nela a lingerie preta da Victoria Secret que comprara. Dançava sensualmente para ele, ameaçando retirar a calcinha e revelar o seu lindo corpo nu.
Ele esperou. Acompanhou os movimentos cadenciados feitos pela menina enquanto ela rebolava, andava pelo seu quarto, fechava os olhos e se entregava a um prazer só dela. A excitação pela cena veio logo e Edward queria afundar nela o mais rápido possível.
Algo aconteceu.
Jessica parou e arfou. Os olhos castanhos fitaram Edward com temor e as mãos pequenas tatearam o peito. O sangue jorrou de algum lugar e transformou a menina em uma poça de sangue humana.
O Cullen aterrorizou-se e quis ir para longe, mas parecia preso a sua cama, obrigado a acompanhar aquela cena macabra. Jessica veio banhada em sangue, em sua direção, subindo na cama e estreitando o espaço entre eles. Edward sentiu o coração bater forte no peito enquanto o ar parecia faltar em seus pulmões. Ele queria sair dali. Ele precisava sair dali!
Os olhos esmeraldinos se depararam com a escuridão ao abrirem. Desnorteado, Edward sentou abruptamente na cama, olhando ao redor.
Nada.
Jessica havia desaparecido e a sua mente demorou mais tempo do que o normal para entender que tudo fora um pesadelo... Ou teria sido uma lembrança? Fosse o que fosse o rapaz acendeu a luz de um abajur e sentiu um desconforto terrível em estar naquele quarto. O quarto onde a fatalidade com Jessica acontecera. Queria sair dali e descansar em algum lugar, mas nem mesmo o quarto de hospedes nunca usado traria algum conforto.
Jessica era uma figura que se fez presente em cada cômodo.
Levantou-se, seguindo sem destino para fora do quarto. Pensou em dormir em sua biblioteca particular, o lugar menos frequentado pela Stanley, mas sabia que ficar sozinho não era o melhor.
Parou em frente ao aposento antes de Jessica, agora ocupado pela Swan. Ainda tinha problemas em dividir o leito com alguém, mas não sabia como poderia encontrar paz de outro jeito. Entrou no quarto, tentando fazer o mínimo possível de barulho, e encontrou a menina enroscada no edredom, ressonando tranquila. Aproximou-se dela com cautela, não querendo despertá-la, sentando na larga cama. Mirou Isabella, de banho tomado, vestida numa camisola de algodão rosa. Deitada de costas na cama, o seu rosto estava levemente inclinado para Edward e ele pôde contemplar aquele rosto sem receio de ser pego.
Por um momento Edward não se lembrou de Jessica.
Por um momento ele não se lembrou do crime que cometera.
Por um momento só restava a beleza da menina adormecida ao seu lado, visualizada graças a luz fraca de um abajur no criado mudo da cama.
O momento fugaz passou como um cometa, a velha depressão que muito assombrou o Cullen o tomou como um vírus. Descansou a cabeça em um dos joelhos e continuou a olhar para Isabella. Uma mão tocou uma mecha do cabelo cor de mogno da menor e ele ficou daquele jeito, entregue a uma sensação de calor e vazio por mais tempo do que uma pessoa poderia suportar.
Naquela noite Edward Cullen não voltou a dormir.
Notas finais
Agradecimentos aos meus leitores que tem uma paciência de cão comigo!
Caprichem nos comentários e os melhores receberão prévias do próximo capítulo.
E desculpem pela demora em postar... As vezes minha cabeça está focada nos problemas do meu dia a dia.
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