Sweet Slave
5 Capítulo 4
Angela não sabia como proceder. Em sua mente ainda estavam vividas as cenas do encontro com Isabella, minutos atrás, após a confusão envolvendo a pequena com o patrão na noite anterior.
Ao passar pela porta do aposento, notou que a menina não se encontrava em parte alguma do espaçoso lugar. A luz do banheiro, anexo ao quarto, porém, chamou sua atenção. Pará lá Angela se dirigiu, vendo Isabella banhar-se, nada preocupada em trancar a porta, o que garantiria mais privacidade. Ao notar a presença da empregada a porta, Isabella mirou seus olhos castanhos escuros, estranhamente opacos, enquanto continuava a esfregar seu corpo com uma esponja, ao ponto de deixá-lo com marcas avermelhadas e ferimentos. Por um milésimo de segundo nenhuma das duas falou. Olhando mais atentamente para a menina, Angela notou o rosto de uma palidez preocupante e grandes olheiras envolvendo os pequenos olhos. Bella não havia dormido, constatou, e muito provavelmente chorou até o cansaço engoli-la. Por fim a Swan, movida por uma raiva irracional, se manifestou:
-Você sabe o que aconteceu, não sabe? Se veio aqui para impedi-lo, apareceu tarde demais. Vocês, que ficam encolhidos aceitando a tudo o que aquele monstro faz, não são diferentes dele. –Falou num tom áspero, com a voz estranhamente embargada. Angela reagiu às palavras duras como uma moça que recebe um tapa, deixando o quarto rapidamente.
Teria seu patrão, Edward Masen Cullen, estuprado a menina sob os olhares de seus empregados? Era uma possibilidade. Fosse o que fosse Angela não queria refletir muito sobre o assunto que agora a atormentava. No entanto, ela sabia que não poderia empurrar o ocorrido para o lado e seguir com a sua vida tranquilamente. Ela precisava fazer algo perante aquela injustiça, mesmo que não houvesse confirmação de nada. O problema residia aí. O que fazer quando o mal já foi praticado? Seu ato “heróico” compensaria um mal já presente, marcado?
-Você não vai chamar à senhorita Swan? O patrão logo estará aqui e não estou querendo testemunhar nenhuma briga. –Erick parecia alarmado, olhando para todos os lados como se temendo a possível aparição de Edward. Angela queria explicar a situação, a ele e a Betha, mas não encontrou sua voz. Talvez conseguisse desabafar com Benjamin, mas Ben tirara o dia para visitar seus pais no outro lado da cidade.
-Pensei que houvesse ido ao quarto para chamá-la. Por que não veio com ela? –Betha não olhava Angela diretamente nos olhos, mas sem tom de voz indicava que a senhora desconfiava de algo.
Ponderando sobre contar ou não contar e sem um lado definido ainda, Angela optou pela mentira, algo que não agradava a sua pessoa.
-Ela está no banho. Não achei prudente apressá-la. A senhorita Swan já passou por muito stress ontem, creio eu. Bem... De qualquer forma eu verei como ela está. –Levantou-se da cadeira onde estava sentada, saindo da cozinha e rumando para a ala dos aposentos. Seus passos foram ficando lentos à medida que se aproximava do quarto de Isabella, ainda ponderando se deveria voltar aquele lugar depois do que presenciara. Assustou-se ao se deparar com Edward Cullen, saído de lugar nenhum. Ele ajeitava o colarinho da camisa cinza, olhando fixamente para o chão. Notou a presença da empregada tarde demais para os seus padrões.
-Bom dia senhor Cullen. Vim chamar a senhorita Swan para acompanhá-lo no café da manhã como é o seu desejo. –Embora a fala tenha sido pausada e tranqüila, por dentro Angela sentia-se apreensiva. Edward, absorvo como estava nos últimos acontecimentos, não captou a estranheza do comportamento da menina diante de si.
-Não se dê ao trabalho. –Ele disse sem olhar para a empregada. –Deixe-a. Leve o café dela após a minha saída. –E caminhou a passos rápidos.
O que ninguém sabia era que Edward não estava ali em espírito. Os comprimidos para dormir conseguiram afastá-lo de pensar sobre o que fizera, mas agora que estava desperto não havia como correr. Ele era compelido a encarar o que fizera, o ato grotesco de estuprar uma menina indefesa, roubando-lhe a virgindade da pior forma possível. Agora, após o erro cometido, no que ele era diferente de Eleazar, que fizera o mesmo com Esme, sua mãe?
-IDIOTA! NÃO ESTÁ VENDO A MERDA DO SINAL VERMELHO? –Gritou o transeunte que passava pela faixa de pedestres no exato momento em que Edward cruzava a rua imprudentemente. Por muito pouco o Masen não o atropelou, freando em cima do rapaz. Mesmo após a abertura do sinal, ele não ousou prosseguir com o carro antes de colocar a cabeça no lugar, temendo que sua atitude desligada pudesse acarretar em um grave acidente de transito. Precisava pensar, tomar decisões, amaldiçoar-se pelo ocorrido... Qualquer coisa! Não pôde se concentrar com o barulho ensurdecedor das buzinas dos automóveis atrás do seu carro, alertando-o que o sinal abrira.
Seguiu para o seu escritório no The Trump Building, estacionando seu Maybach Exelero preto na vaga de sempre. Foi recebido pela sua secretária e, com Aro ainda viajando e envolvido em outras ocupações, as preocupações acerca do roubo do dinheiro das drogas quase podia ser ignorado. Contudo, quando boa parte de suas incumbências estavam resolvidas, graças a eficiência sem igual de Alexandrina, Edward não conseguiu evitar refletir sobre suas ações para com Isabella. Em que ele havia se transformado? Logo ele, tão controlado! Como pôde perder a cabeça e se sujeitar a condição de estuprador que ele tanto repudiava? Por mais que quisesse esquecer, estavam vivas as lembranças do que fizera com Isabella. E se ele não está bem com a situação, como estaria a menina de língua afiada? Nada poderia justificar o que Edward fizera a Swan, nem mesmo os problemas pelos quais passava ou as atitudes atrevidas da jovem.
“Como eu vou reparar o mal que eu fiz a ela? Não suportarei ver nela o rosto que vi em minha mãe após retirá-la das garras do Denali! Talvez eu devesse devolvê-la a Aro, não importando se conseguirei reembolsar o dinheiro gasto...” –A idéia que surgira em sua cabeça desapareceu tão logo formou-se, como éter no Sol. Não poderia entregar Isabella, sabendo que Caius seria o primeiro da lista a se apossar da moça. O que Bella passara com ele na noite anterior não se comparava ao que ela poderia passar caso o irmão mais novo de Aro Volturi fosse o seu dono. Ainda sim, precisava encontrar uma solução, um modo de reparar-se. O problema era que uma parte do antigo Edward desejava isso, outra parte queria deixar as coisas como estavam e esperar que o tempo fizesse o seu trabalho. O problema era que com Bella poderia acontecer o mesmo que acontecera a sua pobre mãe, Esme.
-Onde ela está Aro? –Perguntou novamente o Cullen, transbordando impaciência. Aro colocou gentilmente uma mão no ombro de Edward na tentativa vá de acalmá-lo.
-Está a caminho meu jovem. Paciência. –Mas as palavras de gentil superficialidade do Volturi não tocaram o coração do Cullen. Ele continuou agitado, andando para lá e para cá, batucando os móveis ao seu redor, mexendo nos fios acobreados que cobriam sua cabeça. Logo a porta daquele pequeno, porém luxuoso cômodo, abriu, dando espaço para duas pessoas passarem por ela.
Edward, por alguns instantes, sentiu o coração perder uma batida com a possibilidade de uma daquelas pessoas serem a sua querida mãe, mas suas esperanças, sonhos e alegrias morreram ao olhar mais atentamente para a figura que adentrava a passos lentos o aposento.
Lembrara-se de Esme antes dos eventos catastróficos ocorrerem. Era uma linda mulher, de longos cabelos castanhos, olhos brilhantes demais e pele perfeita feito porcelana. A figura diante de si estava longe de ser a mulher que o criara no lugar da mãe biológica. O viço dos cabelos castanhos claros se fora, dando lugar a um cabelo ralo, com uma cor industrializada opaca. A pele antes de uma brancura invejável estava fantasmagoricamente branca, deixando visíveis veias, ossos e ferimentos arroxeados. Estava mais magra, quase desnutrida, tinha olheiras que indicavam privação de sono e saúde.
E aquela era sua mãe Esme.
Os olhos castanhos, que antes emitiam um brilho caloroso, estavam nublados. Não viam nada, não reconheciam nada, nem mesmo o filho que fora afastado de si quando aceitou barganhar com Denali para salvar Edward. Era agora uma pálida figura, diametralmente oposta a Esme Cullen. E vê-la novamente, ao invés de deixar Edward em êxtase, mergulhou o jovem rapaz na mais perturbadora depressão.
-Senhor Cullen? –Alexandrina tentou, pela quarta vez, chamar a atenção de seu patrão para si. Acordando da estranha letargia que o envolveu instantes atrás, Edward olha para a figura feminina prostrada diante de si. –Algo errado? –Continua a secretária.
-Nada que eu não possa lidar. –Informa o jovem rapaz, indiferente. Ajeita-se melhor na poltrona preta de couro, olhando a maçaroca de papéis diante de si, trazidos pela moça.
-Parece perturbado com alguma coisa. Seria por causa de Aro Volturi?
-Aro sempre me preocupa. Sua imprevisibilidade é assustadora. No entanto, não estou desligado por causa dele. –Assinou os documentos com sua caneta de prata, mantendo os olhos verdes fixos nos papeis.
Alexandrina não perguntou mais nada e Edward, ao invés de se sentir aliviado, intimamente desejou que ela o instigasse a falar. Talvez, se falasse do que se passava, pudesse melhorar o seu humor.
-Já fez alguma coisa que magoou alguém demais, Alexandrina? –Perguntou, tentando empregar casualidade na conversa. A mente afiada da secretária, porém, logo captou que o assunto tinha relevância para o patrão.
-Sim. Ninguém passa por esta terra sem causar decepção em pelo menos um individuo.
-E o que fez para reparar o erro? –Não que a situação com Alexandrina pudesse ser aplicada a sua, ponderou o Cullen. Contudo ouvir a solução de outra pessoa não era de todo ruim.
-Todas as pessoas que eu magoei mereceram. Jamais reparei quaisquer faltas cometidas a elas. –O tom frio e profissional fez o Masen estremecer. Seria Alexandrina uma versão feminina de Aro?
-Fiz uma coisa terrível. –Confessou, encostando-se melhor em sua poltrona. –Não sei como reparar o que eu fiz. –Olhou o teto de gesso esculpido.
-Homem ou mulher? –Alexandrina afastou-se da mesa do patrão, indo em direção a pequena copa anexa a sala. Poderia, no entanto, ouvir e ser ouvida daquela distancia.
-Mulher. –Respondeu enquanto via a secretária servir uma xícara de café para ele.
-Flores, jóias, chocolates, um crédito em alguma boutique... –Sugeriu a mulher, depositando a xícara em frente a Edward. Pegou a xícara rapidamente, bebericando o conteúdo como um degustador de vinho diante de uma rara safra.
-Ela não é apegada a nada disso. Seria capaz de atirar tudo em cima de mim. –Sorriu, sarcástico.
-Deve haver algo que ela goste, ou queira. –E as palavras de Alexandrina despertaram algo no intimo daquele sisudo homem. Ele sabia, claro, o que a pequena Isabella queria.
-Talvez eu saiba... –Refletiu, colocando a xícara vazia em cima da mesa. –Quero que você faça uma ligação para mim. –Ordenou, antevendo a reação de Isabella após a concretização do seu plano.
...
Às vezes ouvia vozes chamá-la, mas pareciam estar tão distantes! Vozes que se confundiam com os chamados insistentes da mãe, quando esta não conseguia preparar eficientemente algum prato para o jantar. Infelizmente os delírios de Isabella não eram tão poderosos ao ponto de fugir daquela louca realidade que a envolvia como uma mortalha.
-... E ela não comeu nada desde ontem à tarde, sendo que já está se aproximando do horário do jantar. Isso não é nada bom. Estou preocupada. –Bella reconheceu, rapidamente, a voz de Angela, do outro lado da porta.
-Talvez devêssemos comunicar ao senhor Cullen... –Era Erick que conversava com ela, a voz alarmada.
-Não. Não é uma boa ideia. –A voz firme de Angela confirmava as suspeitas de Bella. Ela, de alguma forma, sabia o que acontecera e parecia não querer dividir com os demais empregados. Mas por quê? Se havia alguma humanidade naquela empregada, ela deveria contar suas suspeitas e tentar algo a fim de sanar com aquele problema, ajudando assim a Swan. O ressentimento que ela nutria pelo Cullen começava a se espraiar, atingindo assim a todos os empregados daquela mansão. Bella os odiava, mas não odiava tanto quanto a si mesma graças a sua incapacidade de fazer algo que não fosse chorar e se lastimar.
“Nunca fui de fazer isso, mesmo após a morte da minha mãe. Parece que agora estou chorando e sendo fraca para compensar toda a minha vida.” –Refletiu sofregamente, encolhendo-se em posição fetal na cama onde estava deitada. Respirou fundo e se deixou levar pela estranha e ineficaz letargia que a envolvia desde ontem à tarde, fazendo com que o seu diminuto corpo ignorasse a sede, a fome, o cansaço e tantas outras coisas meramente físicas.
...
Graças à eficiência de sua secretária tudo estava preparado. Agora bastava decidir se faria algo ou não. Embora a consciência de Edward gritasse para fazê-lo, seu gênio tendia a desestimulá-lo a atitudes gentis. Não queria ser fraco perante ninguém, nunca mais. Contudo havia a memória de sua mãe, Esme, parecendo atormentá-lo a tentar reparar o erro cometido.
Após um dia exaustivo de trabalho, dividindo-se entre as incumbências diárias e a investigação acerca do desvio de dinheiro das finanças de Aro Volturi no Brasil, Edward saiu de seu escritório. Pretendia ir diretamente para a sua casa, mas uma epifania fez com que ele desviasse abruptamente do caminho a sua casa. Parando o carro no acostamento, Edward bateu fortemente a testa no volante, fechando fortemente os olhos.
-Merda! Como eu pude me esquecer disso!”–Ligou o carro, praticamente arrancando-o em uma direção oposta.
Edward nunca foi de comprar o que precisava naquela gigantesca cidade. Bastava pedir a Alexandrina ou, muito raramente, a algum empregado seu. Por isso procurar por uma farmácia foi mais demorado e desgastante do que imaginava. Acabou indo ao shopping Center, um dos muitos do local. Como imaginou, no interior do complexo de lojas havia muitas farmácias. Não demorou nada naquele local, pois o corpo clamava por uma noite bem dormida.
A moça detrás do balcão olhou hipnotizada para o belo rapaz, vestido com esmero, que se dirigiu até ela. O perfume forte, mas agradável, ficava cravado nas prateleiras muito bem limpas e organizadas da elegante farmácia. A cadência com que caminhava o diferenciava dos demais clientes, tornando-o uma presença impossível de ignorar.
Ajeitando o terno Dolce e Garbana, parcialmente amarrotado enquanto dirigia, Edward comunicou seu pedido sem rodeios, dizendo:
-Eu quero uma pílula do dia seguinte.
...
-Boa noite senhor Cullen. –Seus empregados assim o cumprimentaram quando entrou, mas havia uma voz que não se apresentou ao coro. E Edward sabia o porquê da ausência da Swan em meio aos empregados. Quanto dano ele havia causado a pequena Isabella? Finalmente ele descobriria.
-Boa noite. Onde Isabella está? –Perguntou, antevendo a resposta dada por um de seus subordinados.
-Ela não saiu do quarto o dia inteiro e também não se alimentou. –Angela falou e havia um tom acusatório em sua voz. Edward não se deu ao trabalho de olhá-la e ver a acusação em seus olhos. Não devia satisfação a empregados afinal.
-Angela, prepare uma bandeja para Isabella. Vamos ver se ela não comerá agora. –Seu tom de voz ameaçador alarmou todos os presentes e Angela tratou de obedecê-lo, embora quisesse, pela primeira vez, confrontar o patrão.
Edward estava calmo, mas seu jeito aparentemente tranqüilo definitivamente era sinal de mal pressagio. Por isso os empregados mantiveram distancia da ala dos aposentos.
Bella sentia um cansaço engoli-la. Queria dormir, dormir para sempre, mas algo gritava em sua mente para manter a consciência, uma vez que logo Edward estaria em casa. Ou talvez continuar como uma boneca quebrada em cima daquela cama fosse o melhor, dissuadindo o Cullen a um novo abuso. Por estar distraída demais arquitetando planos inacabados na mente cansada, ela notou tarde demais a presença de mais alguém no quarto.
-Então está dando trabalho aos empregados, hein? Eu já deveria imaginar! –Não houve resposta ao comentário jocoso de Edward, porém ele prosseguiu. Tentando não fixar os olhos naquela figura que inspirava piedade, sentou-se de costas para Isabella, na beira da cama.
-Talvez eu precise lembrá-la o porque de estar aqui comigo, cumprindo o encargo de me servir. Que seja. Amanhã iremos a clinica de reabilitação ver o seu papai. Geralmente alguém recentemente internado não recebe visitas, mas o diretor do instituto abrirá uma exceção. Você, todavia, não poderá conversar com o seu pai. Apenas o olhará de longe.
A promessa de Edward de unir novamente pai e filha foi demais. Bella despertou, deixando de lado tudo o mais que a atormentava. Sentou-se na cama, sentindo os efeitos da falta de alimentação por mais de 24 horas. Olhou Edward com espanto, como se esperando que ele anunciasse a brincadeira.
Edward levantou-se da cama, colocando uma mão no bolso da calça social preta. Pegou a pílula do dia seguinte no bolso interno do paletó preto, jogando em direção da Swan. Ela olhou com assombro o comprimido, sem entender o que significava aquele medicamento. Pegou com cuidado, deixando-o repousar na palma da pequenina mão.
-Angela trará comida para você. Trate de se alimentar e tomar esse comprimido. É uma pílula do dia seguinte. Ela evitará certos... –Olhou de esguelha para a Swan, que olhava o conteúdo nas mãos com o mesmo espanto de outrora. -... Certos acidentes. –Completou, referindo-se a uma possível gravidez. Isabella estremeceu ao pensar, pela primeira vez, nessa conseqüência. Como pôde se esquecer de algo tão crucial?
Edward saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Enquanto Isabella refletia sobre a sua proposta, mortificada pelas atitudes estranhamente gentis do Cullen, o jovem sentia-se sufocado com a cena que presenciou ao entrar no quarto. Ele fizera um mal tremendo a menina e soube, quando a viu jogada, em estado catatônico, em cima da cama, que jamais conseguiria consertar o seu erro. Ela estava fadada a ser exatamente como Esme fora.
...
As sete e quarenta e três da manhã Edward já estava de pé, arrumado e pronto para sair. Ligara para Alexandrina na noite anterior, confirmando a ida ao centro de recuperação pela manhã, adiando seus compromissos. Não sabia se a Swan havia se alimentado e tomado o comprimido como ordenara, ou se estava pronta para visitar Charlie Swan. Suas duvidas acabaram ao vê-la de pé, os cabelos úmidos ainda do banho, trajando o velho jeans, camisa branca e tênis sujos. Ainda parecia numa situação caustica, deixando claro que passara por um abuso e não se recuperara.
-Vamos. –Ordenou, ouvindo os passos sem jeito atrás de si. Sentou-se a mesa, comendo os quitutes preparados por Betha com aparente descaso enquanto lia as noticias no jornal. Os empregados estavam visivelmente animados, com exceção de Lauren, pela volta de Isabella. Angela era a mais animada, pois testemunhou, após a conversa que o patrão tivera com Isabella na noite anterior, mudanças significativas no comportamento da menina. A jovem Swan havia jantado ontem e tomado um estranho remédio por ordem de Edward e agora, após banhar-se, comia bastante, como se quisesse compensar as horas sem ingerir comida. A cor da pequena de fato estava melhor, embora um abatimento ainda preenchesse o rosto em formato de coração.
O café da manhã foi um evento silencioso, cercado por certa apreensão de Bella. As coisas ainda estavam caóticas na vida da garota, mas diante daquela concessão de Edward o desespero que grasnava nela estranhamente se acalmou. Como sempre o pai foi colocado antes de tudo, antes até do sofrimento que padecia o frágil corpo feminino.
Ainda que estivesse sendo impecavelmente controlada, seu corpo tremia levemente ante a presença de Edward. Lembrava-se do quanto fora agredida, física e mentalmente, e isso causava um grande temor quando Edward estava por perto. Queria voltar a agir como a antiga Bella, peitando-o em medo; não encontrava forças para tal atitude.
Edward mantinha uma distancia segura. Permaneceu calado, sem ordenar mais nada a Swan. A garota era espeta o suficiente para entender o que ele queria dela antes do mesmo se manifestar. Ela o seguiu obedientemente até o carro na garagem do prédio, esforçando-se para não perguntar nada a respeito do pai. Preferiria não provocar a ira prematura do Cullen, pois agora sentia na pele o que poderia lhe acontecer caso o tirasse do sério.
Edward evitava olhar para a menina sentada no banco do carona. Preferiria ignorá-la e olhar para frente. A cada olhada de esguelha percebia, como se estivesse encarando a pequena com uma lupa. As agressões ainda presentes na pele branca como porcelana: marcas vermelhas no pescoço e muito provavelmente outras agressões invisíveis aos olhos esmeraldinos. Aquele seria um momento perfeito para tentar reparar os erros cometidos, mas nenhuma palavra saiu dos lábios do Cullen. O orgulho e instinto de sobrevivência haviam falado mais alto, impedindo-o de demonstrar fraqueza. Mas em sua cabeça o fato de levar Bella até o pai era suficiente para desculpar quaisquer faltas cometidas.
A clinica estava próxima, um lugar parecendo o jardim do Éden em meio a vida urbana. O tipo de clinica onde apenas estrelas do show bis freqüentam. Bella ficou surpresa por Aro ter escolhido um local tão requintado para a reabilitação de Charlie, ou talvez o velho mafiosi não tivesse muitas opções nas proximidades.
Ao passar pelos enormes portões dourados e atravessar os vários metros de um jardim impecável, Edward estaciona em um estacionamento privativo para clientes. Um grupo de funcionários o aguardava na porta, entre eles o diretor do local. Eles conheciam Aro como ninguém e sabiam de sua fama ruim. Não tratavam a nenhum dos homens com alguns vinculo com o Volturi como meros visitantes, para eles o tratamento era vip. Edward desceu do carro e Isabella o acompanhou, sem esperar o rapaz abrir a porta, se ele se dignasse a fazê-lo. Caminhou a alguns passos atrás dele em direção a porta dupla do prédio principal.
-Senhor Cullen, eu presumo. Sou o doutor Abelard Lautner, diretor administrativo do Centro de reabilitação Breakingdown. –Estendeu a mão ao Cullen que prontamente aceitou o cumprimento. Tardiamente Bella o cumprimentou, parecendo atordoada demais com o jorro de informações ao seu redor para notar a mão branca que exigia um cumprimento dela. Edward, sem mais delongas, foi direto ao assunto.
-Como a minha secretária conversou com o senhor, nós estamos aqui para visitar um paciente. Bom... Eu estou apenas acompanhando a pessoa que realmente deseja ver Charlie Swan. –Edward disse, sem esperar que Isabella se pronunciasse. A menina parecia alheia a tudo e provavelmente só despertaria quando o pai estivesse diante de si. Mal o Cullen sabia que suas conjecturas estavam corretas.
-Oh, sim! Eu fui informado da situação. Minha jovem... –Chamou Isabella, que o olhou com os olhos estranhamente enevoados. –Por um acaso é parente dele? –Perguntou.
-Eu sou a filha dele. A única filha. Isabella Swan. –Murmurou.
-Senhorita Swan, em nossa política neste centro de reabilitação, para melhor atender aos pacientes, não permitimos quaisquer contatos com amigos ou familiares. Nossa política tem mostrado resultados expressivos na recuperação de nossos clientes. –Falou o senhor de meia idade num tom profissional. Ante a perspectiva de não ver o pai, Isabella estremeceu.
-Mas... Mas eu poderei vê-lo, não é? Para isso estamos aqui. –Sua voz mal passava de um sussurro, precariamente ouvida pelos outros. Edward interveio a fim de acabar logo com tudo aquilo.
-Uma concessão foi aberta para você, mas não poderá falar com o seu pai. Expliquei isto a você ontem. Poderá apenas vê-lo de longe. Achei que isso bastaria. –Aproximou-se da Swan, que de tão sobressaltada que ficou, quase colidiu com a lataria do carro ao se afastar de Edward. Ainda sim o rapaz ficou diante da menina, separados por centímetros enquanto os lábios masculinos praticamente colavam na orelha feminina. Ele, afinal, tinha algo a dizer.
-Eu poderia conseguir burlar a política do local e você poderia falar com o seu pai, mas não se engane. A única coisa que Charlie faria seria implorar para retirá-lo daqui ou, com alguma sorte, pedir que trouxesse uma garrafa de vodca. Talvez, só talvez, algo paternal acordasse dentro dele e ele poderia perguntar como você está. O que diria a ele? Diria o que fez a fim de aguçar a sensibilidade daquele alcoólatra? De duas uma: ou ele bancaria o pai e contaria a Deus e o mundo em que a filhinha se meteu, perdendo assim seus privilégios e sendo morto pelo Volturi, ou ele a chutaria como um cão imundo, amaldiçoando você por ter feito algo tão baixo a fim de poupar a vida de ambos. Qualquer alternativa seria catastrófica para os dois, sendo assim eu recomendo apenas olhá-lo.
O discurso do Masen foi o suficiente para Bella aceitar a única coisa que poderia ser ofertada. Meneou a cabeça em sinal de concordância e logo ela, Edward e a pequena comitiva de funcionário do centro seguiam a passos firmes pelo interior do elegante prédio.
O espaço era agradável, decorado com simplicidade e elegância, lembrando algumas pousadas japonesas eu Isabella viu através de revistas. Havia mais funcionário do que clientes e isso era um forte indicativo de que não era qualquer um que poderia bancar o custo do tratamento. Isabella reconheceu até algumas celebridades transitando pelo recinto, sempre acompanhadas de um funcionário do local. Espantou-se novamente com a generosidade de Aro Volturi, que não só cumpriu com a sua promessa como escolheu o melhor lugar para o pai. Poderia tê-lo enfiado em um espaço qualquer e a Swan já estaria agradecida.
O coração feminino perdeu uma batida ao olhar para o jardim dos fundos, onde alguns pacientes se exercitavam. Não demorou a ver o pai sentado em uma mesa de madeira, acompanhado de um senhor, jogando xadrez. Charlie, apesar de ter crescido no subúrbio, aprendeu a arte do xadrez e ensinou a filha, jogando ocasionalmente com ela. Doces recordações apagadas no instante em que o policial vira a esposa morta. Vê-lo jogando xadrez como nos velhos tempos, sem um pingo de álcool no corpo, fez Bella se sentir em êxtase. Naquele instante, novamente, ela soube por eu sacrificou-se pelo pai e por que valeria a pena continuar a ter uma vida miserável por ele. Tudo valia enquanto Charlie estivesse respirando e sorrindo, como ele estava enquanto fazia um xeque-marte no seu oponente.
Edward olhou atentamente para a menina e surpreendeu-se ao ver um sorriso terno surgir dos lábios cheios. Foi como se toda a escuridão que até então rodeava Isabella tivesse sido tragada para algum lugar. O Mansen teve que admitir, embora somente para si, que a visão daquele rostinho iluminado por algum sentimento bom deixou ela tão bonita quanto qualquer modelo da Victoria secret, ainda que sem maquiagem e vestes bonitas. Não, a beleza de Bella não poderia ser comparada a beleza artificial daquelas modelos anoréxicas.
Como num passe de mágica o sorriso foi sumindo, restando apenas uma expressão vazia. Subitamente a Swan afastou-se, sem, porém, virar de costas para o pai. Edward a observou sair sem entender o que pretendia com aquela ação. Trocou mais algumas palavras com o diretor do local, agradecendo secamente a ajuda. Retirou-se após quinze minutos de conversa, refazendo o caminho para frente do prédio principal. Por alguns instantes sentiu-se tenso por não localizar a Swan, mas não demorou a vê-la sentada em um banco do jardim frontal, embaixo de uma árvore qualquer. Olhava para frente, parecendo apreciar a paisagem, o belo dia que fazia e a brisa agradável. Aproximou-se da pequena, sentando ao seu lado. Ela não o olhou quando se aproximou e Edward não fez questão de olhá-la ao sentar. Permaneceram calados, olhando para toda aquela beleza que eram as mais diferentes flores plantadas no extenso gramado. É claro que, apesar do espetáculo em cores, os olhos dos dois estavam turvos demais de preocupações e sofrimentos para verem a beleza do lugar.
-O que quer de mim? Deve querer algo em troca por este fazer. Você é esse tipo de pessoa. –Disse a Swan, recostando-se melhor no banco de madeira e encarando um céu sem nuvens.
-Está aprendendo rápido Isabella. –Congratulou o Cullen, olhando para a pequena com satisfação fingida. –Você deve imaginar o que eu quero. –Emendou frio.
-Se imaginasse com alguma certeza do que se passa na sua cabeça eu não perguntaria. –Deu um sorriso sarcástico. Sim, a pouca convivência com Edward estava fazendo a Swan adquirir alguns traços da personalidade acida do rapaz. Edward não sabia se isso era bom ou ruim.
-Quero sua completa submissão. –Falou sem rodeios. Isabella estremeceu ao ouvir aquela declaração.
-Quer que eu me transforme numa boneca de porcelana? –Não era uma pergunta a ser respondida, mas Edward se manifestou mesmo assim.
-Não. Por que bonecas de porcelana ficam paradas, sem fazer nada. Eu quero que você reaja a mim Isabella. Quando eu beijá-la, espero que me beije. Quando eu acariciá-la, eu espero que me acaricie. Eu espero que você corresponda aos meus anseios mais primitivos como se gostasse. Mais do que isso, quero que obedeça as regras que estipulei.
Edward deixou suas palavras ecoarem através dos ventos, chegando a Bella e fazendo o mundo da menina explodir. Ela ficou paralisada com aquelas palavras, é bem verdade, mas logo a racionalidade chegou até ela. Pouco a pouco Isabella percebia que não havia como fugir e, mesmo se houvesse essa possibilidade, ela não poderia escapar e deixar o pai ao leu. Precisava se lembrar daquela imagem do velho Charlie parecendo feliz ao derrotar um bom senhor no xadrez, pois aquele belo quadro pintado pelas mãos de Deus era sem duvida a motivação que ela precisava para continuar respirando, mesmo que em seu intimo desejasse ser sufocada.
-Você terá o que quer, mas não espere nada além de uma atriz representando toscamente o seu papel. –Retorquiu com azedume.
-Eu não quero veracidade nas suas ações. Não preciso de sentimentos verdadeiros. Pode me maldizer aos quatro cantos, desde que não seja diretamente para mim. O que eu quero é que saiba fingir que não sou repulsivo. Somente isso. –Aquele discurso poderia inspirar piedade em alguns, pois claramente era um indicio do quanto Masen precisava sentir-se desejado, amado. Contudo o coração da jovem Swan estava tão poluído por ressentimento que não se apiedava da condição de Edward. Levantou-se.
-Quero ir embora. –Anunciou, seguindo para o carro. Edward a seguiu, abrindo a porta do carona para a Swan e entrando em seguida. Antes de ligar o veiculo, porém, percebeu que passaram a manhã inteira. Tudo fora rápido e por isso esperava estar com alguma sobra de tempo.
-Já está tarde. Levamos mais tempo do que o esperado. Vamos a algum restaurante comer. Após isso levarei você para o meu apartamento.
...
Como Bella imaginou, o restaurante escolhido pelo Cullen era digno de receber a algum imperador, kzar ou rei. Não sentiu conforto, ainda mais estando tão precariamente vestida. Sentiu os olhares dos freqüentadores o elegante espaço e dos funcionários, como se questionando o que alguém tão desprovida de recursos estaria fazendo num local tão caro. Edward ignorou o desconforto da Swan, fazendo o pedido por eles dois e degustando de duas taças de vinho tinto, antes e depois do prato principal. Dispensou a sobremesa, já que não era um adorador de doces.
Após o almoço, levou a Swan como prometera para o apartamento, deixando-a na porta. Iria para o seu escritório trabalhar e Alexandrina provavelmente já o esperava com uma pilha de documentos a serem vistos e assinados. Antes de voltar ao carro, estacionado na sua vaga da garagem, porém, deixou um recado para Isabella.
-Provavelmente chegarei tarde, sendo assim você pode jantar sem mim. No entanto, eu não quero que durma. Fique de meu agrado e espere-me no meu quarto. –Não esperou para ver a reação da Swan aquela ordem. Saiu rapidamente, ciente de que não poderia perder nenhum minuto a mais, cheio de afazeres como estava. Ele não viu que a Swan demorou mais do que o necessário para entrar, ainda absorvendo a ordem e sabendo que desta vez teria que acatar.
-Eu odeio você. –Sussurrou sofregamente, entrando em seguida.
...
Como imaginou, Alexandrina encheu à tarde de Edward com incumbências a fim de compensar a manhã fora. O jovem Cullen protestou o quanto pôde, alegando que precisaria de um fisioterapeuta após assinar tantos papéis, mas Alexandrina o ignorou, dando atenção a assuntos mais importantes. Não passou despercebido para a moça, todavia, o bom humor que parecia envolver o chefe, mesmo diante de um problema grave como o roubo as finanças do Volturi. Não achou prudente perguntar, uma vez que era apenas uma subordinada, o que se passava na cabeça do Cullen.
Após as nove horas Edward conseguiu sair do escritório, parando em um restaurante e jantando sozinho. Protelou um pouco mais na rua, chegando ao seu apartamento às dez e quinze da noite.
O Cullen estava curioso para saber se Isabella acataria a sua determinação após o episódio com o pai da moça. A jovem Swan havia se comprometido a acatar suas ordens a fim de garantir a boa vida do pai, mas Edward adotara com desconfiança a placidez com que ela aceitou sua condição.
Ouviam-se burburinhos na cozinha, indicando que os empregados muito provavelmente estavam limpando a cozinha após o jantar. Queria ir até lá e perguntara Angela se a Swan se comportara, mas preferiu seguir diretamente até o seu aposento. O corpo protestava por descanso e, caso Isabella não o estivesse aguardando lá, provavelmente não importunaria a menina. O que encontrou no quarto, porém, dissuadiu Edward com os planos feitos até então.
Isabella estava lá, para a surpresa do Cullen, de pé em frente a uma janela aberta. Vestia um hobby de seda preto, cobrindo assim a camisola de seda rendada preta que fazia conjunto com o hobby. Não olhou em momento algum para a porta, mesmo quando ouviu o barulho desta se abrindo. Preferiria continuar a contemplar a bela noite que fazia pela persiana, mesmo que a beleza de um céu ricamente estrelado não alcançasse seu espírito.
Como se estivesse diante de um animal acuado que correria ao menor movimento brusco do predador, Edward retirou lentamente o casaco, depositando-o em uma poltrona próxima, fechando a porta em seguida. Ousou retirar o colete e a gravata, sempre com os olhos esmeraldinos fixos em Isabella que ainda não se dignava a olhá-lo.
-Achei que teria de arrastá-la para cá. –Comentou, desabotoando os botões da camisa branca no pulso.
-O que eu prometo, eu cumpro. –A voz feminina parecia morta, sem nenhum traço de sentimento, ainda que negativo. Bom... Ao menos Isabella não estava sendo indelicada, o que era um progresso e tanto.
Por mais calma que quisesse aparentar, Bella sentia-se pestes a ter um colapso. O coração batia acelerado, as mãos suavam frio e tentava a todo custo não hiperventilar. Evitou a todo custo olhar para seu algoz, temendo sua reação caso visse a aproximação do Cullen. Sobressaltou-se quando sentiu uma mão fria envolver o seu pescoço por trás, com uma gentileza atípica de quem proporcionava a caricia. Deslizou a mão do pequeno queixo até a clavícula, fazendo a Swan estacar a respiração. Logo Isabella sentiu a respiração quente tocar sua nuca e um beijo sendo depositado naquele local. Instintivamente quis se afastar, mas a promessa feita pela manhã fez com que tivesse forças para ficar quieta, embora as mãos estivessem comprimidas com violência.
Edward sabia o quão difícil estava sendo para a menina, embora ela mantivesse uma atitude serena. Ele era, afinal, o homem que a estuprara. Não era o tipo que dizia palavras gentis ou de incentivo, mas também não poderia simplesmente tomá-la sem tentar acalmar os nervos em frangalhos da pequena. Contudo não conseguia pensar em algo para dizer que pudesse melhorar aquela situação, por isso achou melhor pensar em algo enquanto banhava-se.
-Tomarei um banho. Espere-me aqui. –Segredou no ouvido de Isabella, largando-a em seguida e indo em direção ao banheiro.
Enquanto Edward tomava um banho despreocupado, sentindo o cansaço do dia sumir pouco a pouco, como se levado pela água do chuveiro, Bella continuava estática, fazendo preces silenciosas. Não poderia escapar da situação, mas pediu mesmo assim algum alivio para a sua dor. Um alívio que não viria.
Perdida em devaneios como estava, os minutos pareceram correr e logo ouviu o barulho da porta do toalete sendo aberta. Não se afastou da janela, ainda evitando encarar Edward. O Cullen estranhou vê-la ainda no quarto, certo de que a menina correria assim que ele desaparecesse pelo banheiro. Ela estava de fato resoluta em obedecê-lo e isso encheu Edward de contentamento.
Edward se aproximou, ainda com o corpo úmido pelo banho recém tomado e vestindo unicamente um roupão azul marinho. Bella quando o calor do corpo de Edward chocou-se ao seu corpo, parecendo que ele não estivera tomando uma ducha minutos atrás. As mãos masculinas acariciaram levemente a nuca de Bella, causando arrepios em todo o corpo feminino. Os pequenos espasmos foram notados pelo Cullen, que encontrou as palavras perfeitas a fim de aquietar a agitação da Swan.
-Já esteve com alguém de quem gostou muito, Isabella? –Perguntou com brandura. Sua mão roçou o ombro, descobrindo-o. Beijou aquele local e sentiu o corpo de Isabella ficar duro como uma tábua.
-Sim. –Respondeu a Swan, sem saber o porquê daquela pergunta, ou o motivo de tê-la respondido.
-Pode utilizar a sua mente com o propósito e facilitar as coisas para nós dois. Feche os olhos, se isso ajuda, e pense estar com essa pessoa. –Despiu Isabella do hobby suavemente, deixando-o cair no chão. Virou a menina, a fim de vê-la melhor e ficou surpreso com a visão; Bella era realmente bonita. A camisola de seda colava-se ao seu corpo, revelando as curvas tentadoras dos quadris e os seios de um bom tamanho. Pelo comprimento da peça não pôde ver as pernas, mas logo veria tudo por isso relaxou.
Bella acatou aquele conselho, não por acreditar que as coisas seriam melhores ao imaginar outra pessoa no lugar do Cullen, mas unicamente para evitar olhá-lo. Tentou pensar em seu namorado Jacob, que sequer sabia do que estava ocorrendo na vida da menina. Enquanto sentia uma mão grande e fria acariciar seu rosto, descendo para o pescoço, clavícula e omoplata, tentou imaginar as mãos grandes e quentes do moreno com que estava dias atrás. Algo dentro de si pareceu se acalmar enquanto a mente trabalhava a mil, na tentativa de prender a jovem em uma ilusão.
Edward sentiu-se satisfeito por não olhar diretamente naqueles orbes achocolatados, que fazia com que as lembranças da mãe se evidenciassem em sua mente. Preferiria a moça daquele jeito, calada, submissa, de olhos fechados e entregues ao toque dele. Quase poderia fingir que Bella estava ali por querer e não por estar sendo obrigada.
Edward quase poderia fingir que alguém nesse mundo se importava com ele.
Acariciou o rosto alvo com a ponta dos dedos da mão esquerda, enquanto com a direita acariciava um braço de Isabella. Apreciou a textura da pele e o perfume de morango, proveniente dos produtos de higiene pessoal que comprara para a garota. Beijou levemente os lábios rosados e não perdeu tempo, migrando seus beijos para o queixo e o pescoço, mordiscando-os levemente, querendo marcar aquela fêmea como dele. Instintivamente Bella o afastou, espalmando as mãos no peito musculoso, ainda coberto pelo roupão. Agora a menina hiperventilava, o nervosismo estava evidente em cada um dos poros de sua acetinada pele. Edward não se aborreceu com o gesto, pelo contrário, até compreendeu que era impossível para a pequena simplesmente se entregar sem reservas a alguém que a prejudicava. Pensou em dispensá-la por hoje e dormir, mas fazer isso deixaria claro a fraqueza dele para com os outros, o que em seu mundo estava longe de ser uma qualidade. Bella precisava se acostumar à dura realidade e deveria ser Edward a ensiná-la que neste mundo há certos males que vem para o bem.
Embora Edward estivesse sendo infinitamente gentil se comparado a primeira vez deles, havia uma resistência na pequena Swan que começava a brotar. As mãos femininas empurravam levemente Edward a cada beijo ou caricia dada por ele. A atitude não o aborrecia, o que o Cullen estranhou. Dado a acessos como ele era, recusas costumavam deixá-lo irado, algo que ele mostrou aos quatro ventos. Agora ele parecia aceitar aquela relutância da Swan, tentando convencê-la através de seu corpo a ceder.
Por alguns minutos tudo o que fez foi beijá-la e tocá-la aqui e ali, sem ousar chegar às regiões erógenas da menina. Mas o sangue do rapaz começara a esquentar e o corpo queria mais do que já estava fazendo. Por isso aproximou seus lábios aos lábios de Bella, envolvendo com uma mão os seus cabelos e compelindo-a a um beijo ardente. A princípio Bella hesitou, não correspondendo ao beijo, mas Edward era um macho alfa eficiente e sabia como ninguém como conduzir uma fêmea. Logo Bella foi cedendo, tentando imaginar-se com Jacob a todo custo. Não correspondeu a Edward como o próprio queria, pois não tinha tanta experiência com homens na vida, mas ofereceu o suficiente, deixando o jovem Cullen satisfeito. As línguas dançavam num óculo sensual, provando cada parte da boca que era beijada e causando em ambos, embora Bella jamais admitisse, uma crescente excitação. Enquanto uma mão enlaçava os cabelos cor de mogno, Edward usou a mão livre para enlaçar a cintura da Swan, colando o macio corpo ao dele sem, contudo, deixar de beijá-la.
Por alguns instantes Bella se perdeu, não só correspondendo ao beijo de Edward como ousando deslizar suas mãos no peito do Cullen, deixando um ou dois dedos entrarem no roupão e tocarem a pele masculina. Subitamente a menina despertou, afastando-se bruscamente do Cullen e abrindo os olhos. Devia estar ficando louca ao ceder a ele! Tremendo como um rato diante de uma serpente, Bella ergueu uma mão, tentando manter uma distancia de Edward e sentiu os olhos se encherem de água.
-Por favor, faço o que você quiser amanhã, mas hoje não. Não estou bem. Foi muita coisa para um dia só. Por favor. –Pediu a meia voz, fazendo de tudo para não abrir o berreiro. Viu o rosto do Cullen se transformar em uma carranca apavorante e temeu sua ira. Para a sua surpresa, Edward replicou o gesto de recusa com aparente serenidade, falando tão calmo quanto conseguia.
-Não. –Foi tudo o que ele disse, pegando delicadamente a mão erguida da moça e aproximando de seus lábios, beijando dedo por dedo. Os olhos esmeraldinos estavam fixos em Bella enquanto os beijos na pequena mão tornavam-se mais ousados. Capturou o polegar na boca, introduzindo-o naquela cavidade e chupando lentamente. A atitude era ousada e erótica, deixando a Swan sem fala.
-Dessa vez você vai gostar. Amará e odiará cada minuto comigo. –Disse, enlaçando os cabelos da Swan com uma mão e voltando a beijá-la.
Bella fechou os olhos e novamente tentou imaginar Jacob ali com ela. Correspondeu o beijo com energia, enquanto as mãos, hesitantes, repousavam novamente no peito alvo de Edward. Impaciente e desejoso de afundar-se naquela mulher, tratou de apressar as coisas, pegando as mãos de Bella e guiando-as até o roupão, desfazendo o nó e retirando. Logo Bella tocava o peito agora despido, sentindo algumas gotículas de água devido ao banho recém tomado. Continuou a guiar as pequeninas mãos, fazendo com que uma segurasse a nuca masculina e a outra tocasse o membro ereto. Ao sentir aquela parte tão intima e quente, tentou afastar-se, mas Edward manteve Isabella próxima ao segurá-la pela nuca sem, porém, machucá-la.
Com um misto de horror e uma leve pontada de excitação, Bella sentiu sua mão sendo guiada de forma tal que logo masturbava Edward vagarosamente, sendo compelida a continuar a beijá-lo enquanto o ato ocorria. E Edward não pôde se conter, acabando por soltar pequenos gemidos nos lábios que beijava diante do prazer sentido. Em retribuição a caricia ousada, retribuiu o gesto com um beijo de tirar o fôlego, acariciando cada parte do interior da boca da Swan com sua língua na tentativa de lhe dar prazer. Ele sabia, contudo, que poderia estar enganado; na situação de Isabella, dificilmente alguma coisa daria a ela prazer. Por isso tomou uma medida atípica, que poucas parceiras com quem estivera receberam. Afastou-se de Bella, deitando-a lentamente na cama, e contemplando a moça ofegante, com os cabelos um pouco embaraçados e linda, deitada em sua cama.
Quase bateu com a cabeça na parede ao lembrar que não havia colocado proteção. Edward não poderia se esquecer de um detalhe como esse, ou acabaria sendo pai. Procurou por um preservativo no criado mudo, encontrando um perfeito e colocando-o com rapidez. Bella ficou parada, com os olhos fortemente fechados, imaginando que logo seria penetrada e teria de suportar a dor da penetração. Tentou não afastá-lo de si quando sentiu a camisola ser afastada e a calcinha de renda ser retirada e aguardou pelo o que viria a seguir.
Bella arfou ao sentir beijos sendo depositados na virilha e na parte interna das coxas, agora abertas, deixando à mostra sua feminilidade para quem quisesse ver. Sentiu os dedos grossos acariciarem os grandes lábios, entreabrindo-os e antes que pudesse esboçar alguma reação, algo molhado penetrou sua cavidade, roçando-o da entrada da vagina ao clitóris. Instintivamente abriu os olhos, vendo a cabeça de Edward afundada entre as suas coxas e tendo a certeza que era a língua do rapaz quem a acariciava. Voltou a fechar os olhos, tentando evitar, sem muito sucesso, gemidos saírem de sua garganta.
Estimulados pelos poucos murmúrios de Isabella, Edward continuou a acariciar a feminilidade da moça com a língua mais e mais. Bem como imaginou, a Swan não pôde se livrar de um orgasmo iminente, que só foi notado devido às contrações de seu corpo. Enquanto Bella espantava-se com a sensação que havia assaltado todo o seu corpo, com aquele prazer delicioso que nunca sentira até então, Edward estava mais do que satisfeito por ter conseguido dar algo para a menina. Tocando a pequena entrada, constatou que estava úmida o suficiente, deixando a exploração com a língua em segundo plano.
Edward desejava satisfação ao seu corpo e a obteria com ou sem o consentimento de Isabella.
Com as mãos, retirou por baixo a camisola da seda, aproveitando para acariciar a lateral de todo o corpo feminino por baixo das vestes. Contemplou por vários minutos o corpo nu, como antes não havia feito ao tomá-la forçadamente. Bella tinha uma beleza clássica, como pouco se via nos dias de hoje. Nada artificial em parte alguma do corpo, apenas os atributos dados a ela por Deus. Com a ponta dos dedos, Edward acariciou do ventre a bochecha esquerda, perdido na sensação de ter aquela pele branca e macia disponível para ele. Embora quisesse marcar aquela mulher como havia feito anteriormente, reprimiu tais desejos primitivos, querendo ao menos não ser bruto demais com Isabella. Contemplou os seios de mamilos rosados e, comparando-os duas pêras suculentas, abocanhou o seio direito, acariciando-o com a língua. Como um garotinho guloso diante da mãe, saboreou avidamente aquela carne, alternando entre um e outro. Uma das mãos escorregou lentamente de um seio ao quadril, alcançando o vão entre as pernas. Edward acariciou aquele ponto, arrancando novamente gemidos involuntários de Bella. Masturbou o corpo feminino até fazê-lo chegar ao limiar do prazer sem, entretanto, deixá-la gozar. Queria puni-la de alguma forma pelos inconvenientes causados desde a chegada dela e nada melhor do que privá-la dos prazeres da carne, algo que certamente, embora não fosse admitir, Bella queria.
Edward não perdeu tempo, afinal de contas ele precisava se aliviar o quanto antes. Abriu mais as pernas de Isabella com as suas e, enquanto voltava a beijá-la, penetrou lentamente o corpo feminino. Instintivamente Bella tentou empurrá-lo, mas Edward tratou e conte-la, segurando as mãos acima da cabeça. Ficou dentro da menina por alguns instantes, querendo acostumá-la com o tamanho deveras considerável de seu pênis.
Bella sentia-se invadida e as sensações da noite em que fora estuprada a assaltaram vertiginosamente. Queria sair dali, ir para algum quarto e se refugiar, mas a promessa de ceder aos anseios de seu “dono” a impediram. Tentou novamente pensar em Jacob como fizera boa parte do tempo, mas diante da dor no baixo ventre não pôde pensar em nada. Ainda que estivesse confusa, porém, não abriu os olhos. Se quisesse manter sua sanidade, a jovem sabia que deveria tentar a todo custo escapar para algum lugar, utilizando sua mente.
Edward arriscou movimentar-se, mais lentamente do que o normal. Não querendo ouvir nenhum protesto de Isabella, continuou a beijá-la, parando apenas quando os pulmões reclamavam por ar. Lubrificada como estava após os estímulos recebidos, não demoraria a dor transformar-se em prazer. E foi isso o que aconteceu. O rosto em formato de coração, antes crispado por dor, foi relaxando e logo tímidos gemidos podiam ser ouvidos de Bella. E foram aqueles pequenos gemidos, quase tirados a força da menina, que incentivaram Edward a prosseguir, fazendo movimentos ritmados dentro do corpo jovem, estocando com força mais e mais. Procurou concentrar-se, não querendo perder o controle e acabar machucando ainda mais o corpo abaixo de si. Se não poderia evitar as feridas na alma, que fosse humano o suficiente para evitar as feridas no corpo.
Uma onda de prazer atingiu Edward e ele sentiu que logo chegaria ao clímax. Tentou continuar o beijo enquanto de sua boca saiam sons incompreensíveis, mas foi impossível. Acabou por enterrar o seu rosto no pescoço da Swan, fechando fortemente os olhos e deixando-se entregar ao orgasmo. Sabia que acontecera o mesmo com Bella, uma vez que sentiu o corpo da menina comprimir-se ao redor dele.
Após o orgasmo, o corpo do Cullen desabou sobre Isabella. A respiração e os batimentos cardíacos estavam acelerados e um torpor invadiu o rapaz de forma avassaladora. Permitiu-se ficar ali um pouco mais, apreciando o calor, a macies e o perfume de morangos, agora mesclado ao cheiro de sexo, que impregnava o corpo de Isabella. Teria dormido daquele jeito, nu e deitado sobre alguém, mas sabia que para o bem de todos era imprescindível seguir as regras que ele mesmo criara. Afastou-se, deitando ao lado de Bella e encarando o teto.
Por alguns instantes ninguém falou nada. Bella continuou deitada na cama, agora com os olhos abertos, encarando o teto. Edward fez o mesmo, mas logo o corpo protestou por uma boa noite e sono, que ele só conseguiria com Isabella fora do quarto.
-Angela explicou as regras para você. Sabe o que deve fazer agora. –Foi tudo o que ele disse. Não olhou para a menina, mesmo quando esta se levantou, caminhando até o local onde estava o seu roupão. Vestiu a peça sobre o corpo nu e saiu do quato sem dizer nada, ou olhar para Edward, fechando a porta.
Enquanto o Cullen continuava na mesma posição, deixando o sono mergulhá-lo na escuridão, Bella estava no banheiro do seu quarto, esfregando fortemente uma esponja de banho com sabão liquido enquanto a água do chuveiro molhava seu corpo. Ela queria se livrar daquele homem mais do que qualquer coisa, mas sabia que isso era impossível. Por hora bastava para a menina livrar-se do cheiro e do suor do Cullen.
Isabella Swan estava arrasada naquela noite, mais do que na noite em que perdera a virgindade. O que a atormentava agora não era o fato de ter o corpo abusado por um desconhecido, mas por que naquela noite ela sentiu prazer e correspondeu aos anseios de Edward, ainda que precariamente, assumindo uma postura hedonista que nunca pensou ter. No que ela havia se transformado afinal? Como pudera corresponder a Edward e deixar o seu corpo ser embalado por aquelas sensações pecaminosas? Edward lhe dera prazer naquela noite e Isabella adorou, esse era seu novo tormento.
Notas finais
Talbém confesso que estava meio travada para escrever sem motivo algum, mas três coisas me ajudaram a escrever: as músicas enviaram para o meu e-mail pela minha amiga Larauina da Bahia, o livro Educação siberiana do Nicolai Lilin e a fanfic Entre a Nobreza e o Crime da Jane Herman. Tenho ouvido muita coisa boa, mas uma música chamou minha atenção nos últimos dias e ela certamente fará parte da playlist dessa fanfic: Ryan Bingham - The Weary Kind (música tema do filme Coração Louco). Ela é linda e me lembra o Edward da minha fanfic.
Sei que muitas pessoas ficaram chocadas com o final do capítulo três, em que Edward estupra Bella. Não foi nada fácil escrever aquela situação, uma vez que abomino essa prática. Por isso procurei resumir bastante essa parte, sem entrar em muitos detalhes. Como Edward vai ganhar a confiança de Bella após o ocorrido?, é a pergunta que os meus leitores têm feito para mim. Bem... Eu tentarei reverter a animosidade que existe entre eles da mesma forma que fiz em O contrato então fiquem tranquilos.
Agora aproveitem e capítulo e peço que comentem. Os comentários são o meu combustível, embora eu ainda não tenha parado para falar diretamente com os meus leitores enquanto comento o review dele. Beijos e obrigada pela paciência. Lembrem-se que sempre deixo prévias no meu blog.
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