Sweet Slave
32 Capítulo 31
—Desarmem a garota. –Aro ordenou. Um capanga o fez, dando a arma para o mafioso. –Agora saiam daqui. Creio que a pirralha não representa mais nenhum perigo.
Um por um os capangas bem armados foram saindo do salão, deixando então Isabella a mercê de Aro Volturi. A menina procurou não se intimidar com a presença imponente daquele perigoso homem e continuou a repetir o pedido de outrora.
—Quero ver Edward. Onde ele está? –As pernas tremiam e o nervosismo ameaçava derrubá-la, mas a sua força de vontade em salvar o homem da sua vida garantia que Isabella permanecesse de pé. Aro a encarava inexpressivo e a menina não soube como interpretar aquele olhar. Deu um passo para trás como se fosse correr, pois alguma coisa dizia que havia intento assassino naquela postura excessivamente formal. Aro continuou impassível, parecendo estudar cada movimento de Isabella como se tentasse ver mentira ali. Subitamente ele avançou, agarrando os longos cabelos cor de mogno com violência enquanto trazia a jovem para perto dele.
—Se estiver mentindo para mim, piranha, vai me implorar para você e ele terem uma morte rápida ao invés do que tenho planejado. Está me entendendo?
Bella não gritou ou qualquer coisa que demonstrasse o medo avassalador que ela estava sentindo naquele momento. Um pânico muito maior do que sentia na presença de Caius, outro sádico da família criminosa Volturi. Em pensar que os bons modos sempre mascararam o demônio que Aro na verdade era...
—Eu provarei assim que puder com um teste de DNA se desejar, mas por hora quero garantias de que vai poupá-lo!
Num ínfimo tempo os dois se encararam com estranheza para logo mais, surpreendentemente, Aro dar sinais de que iria cooperar.
—Siga-me. –Ordenou, seguindo para um caminho que parecia familiar. Isabella já esteve naquele lugar quando foi raptada por Caius e sentiu a espinha gelar enquanto ia para uma parte remota da casa, no subsolo; Caius a havia trancafiado em uma cela para cometer atrocidades com ela.
Por que Edward estava lá? O que teriam feito com ele durante o tempo em que esteve em poder do mafioso? Foram algumas das tenebrosas perguntas que se passaram pela cabeça da Swan enquanto os dois penetravam nas sombras até ficarem diante de uma porta onde um capanga estava de guarda. Ele se mostrou surpreso ao ver o líder ladeado por uma garota.
—Senhor?
—Peça o que parem o que estão fazendo. –Ordenou. O funcionário prontamente atendeu. Logo os capangas que lá estavam saíram e ficaram lado a lado em frente a porta, todos sujos de sangue. Bella sentiu o pânico dominá-la. Adentrou o quarto as pressas e logo seus gritos eram ouvidos em todo o lugar tamanho o desespero que sentiu com a cena presenciada.
—Chamem uma ambulância. –Foi a última ordem dada pelo mafioso enquanto Isabella gritava mostro a plenos pulmões; um Edward desacordado e absurdamente ferido repousava em seus braços.
...
Tudo era escuridão, por tempo demais. Felizmente a dor que parecia ser a sua fiel companheira sumiu, dando um lugar a um torpor que retirava a sua dor, mas o deixava angustiado. Estaria Edward morrendo? Não, ele não podia partir agora que finalmente sabia o que era amar alguém e Isabella estava disposta a dar uma segunda chance! Ele precisava desesperadamente escapar daquela prisão em que o seu espírito parecia enclausurado, mas tudo o que podia fazer era gritar e saber que ninguém o ouviria.
Por quanto tempo ele ficaria ali, sozinho? O que aconteceu a mulher que ele amava? Isabella estaria bem e segura? Ela pensaria que foi novamente abandonada quando Edward não apareceu novamente na casa dela? Ah, tudo o que ele queria agora é...
—Edward? Pode me ouvir?
Aquela voz era tão linda! Ah, ele queria responder, mas não conseguia encontrar a própria voz. Permaneceu assim por um tempo até encontrar primeiro a audição, ouvindo a voz segredar coisas do passado, confissões de amor e medo de perde-lo; depois o tato para saber que alguém costumava tocá-lo delicadamente em várias ocasiões, especialmente as mãos; por fim ele pôde abrir os olhos após tanto tempo na escuridão, reconhecendo o quarto de um hospital. O medo de estar lá sozinho desapareceu instantaneamente assim que ele notou uma figura adormecida em uma poltrona ao lado da cama dele.
—Bella... –Murmurou o nome com dificuldade e doçura. Ela ostentava olheiras enormes, fruto de privação de sono, e ainda sim era a mulher mais linda que Edward tivera a honra de conhecer. Ele queria tanto erguer-se da cama e tocá-la, mas o seu corpo estava fraco demais para fazer algo que exigia força. Por isso apenas a observou por vários minutos, praguejando quando uma enfermeira, a fim de verificar o seu estado, despertou Isabella do que poderia ser uma das poucas horas em que dormiu.
Quando a Swan constatou que Edward estava consciente, ela ficou parada enquanto os olhos castanhos iam se enchendo de água. Ficaram assim por um temo, imóveis, olhando-se.
—Bem vindo. –Ela murmurou com a voz embargada. Edward quis sorrir.
—Obrigado por me esperar. –E sorriu. Conseguiu arrancar um riso da morena.
—Eu te esperaria por toda a vida. Sabe disso. -Ergueu o corpo cansado até a cama em que Edward estava deitado, deitando-se ao lado dele. Isabella sentiu um prazer indescritível em apenas estar ao lado dele, observando-o, apesar das ataduras que cobriam os inúmeros machucados que ele sofreu pelas mãos de Aro.
—Quanto sofrimento eu te expus? –A pergunta do Cullen veio pesarosa. Ele passou por coisas terríveis, mas sabia que não havia passado sozinho/ não se Isabella estava ali com ele.
—Menos do que o sofrimento em que Aro o submeteu. –Bella ergueu a mão, tocando suavemente o rosto parcialmente coberto de ataduras. O simples toque causou desconforto para Edward e a menina, percebendo isso, fez menção de retirar a m]ao; Edward não permitiu. Colocou a mão machucada sobre a dela e suspirou de contentamento com o prazer sentido em um toque tão pequeno.
—Ah, achei que não voltaria a sentir você assim... –Ele murmurou, beijando a palma da mão da Swan. Isabella sentiu o peito explodir diante de tanta ternura.
—Achei que não conseguiria salvá-lo. Achei que perderia você. –Aconchegou-se com cuidado no peito dele, chorando baixinho. Edward a abraçou com o braço que não estava quebrado.
—Senti você lá. Então não era uma ilusão. Você realmente foi ao meu encontro. Sua boba, como pôde se arriscar tanto? –Ele sentiu a menina erguer o corpo para encará-lo.
—Eu te amo. –Foi tudo o que disse, esperando que aquela confissão fosse o suficiente para explicar o porquê das ações impensadas dela – e justificava. Edward, emocionado, lentamente se aproximou de Isabella, colando os lábios dele aos dela num beijo casto e cheio do amor que ele nunca sentiu ou sentirá por outra mulher.
—Como você conseguiu? Não achei que sairia vivo disso.
—Perdoe-me Edward. Eu traí a sua confiança. Sei que prometi que não contaria para ninguém, mas... –E ele sabia do que se tratava. De que outro modo ele sobreviveria a ira do mafioso apesar da inocência dele?
—Fez o que precisava ser feito. Se estivesse no seu lugar, eu faria a mesma coisa. Do contrário não teria saído vivo daquela cela. Você deve ter feito isso como último recurso, suponho. Então viu os documentos que escondi e confidenciei para Alexandrina. –Ela não respondeu ao questionamento e nem precisou. Os olhos refletiam o pânico que ela sentiu quando viu quem era o culpado por todos os crimes que atacaram a família Volturi nos últimos tempos.
—Você disse para ele a verdade, Edward?
—Bella, se eu tivesse relevado a verdade, não estaria aqui com você. Tive de mentir, mas ele sabia que eu sabia. Só algo grande quanto a possibilidade de eu ser filho dele para Aro me poupar. –Mesmo perdoando-a por ter revelado o grande segredo, Isabella sabia, pelo olhar esmeraldino de Edward, que ele não estava feliz. Aro estar a par da verdade e não havia nenhuma garantia de que ele deixaria os dois em paz. Como o mafioso não tinha herdeiros, havia a possibilidade dele enredar ainda mais o jovem Edward em todos os crimes que a família Volturi praticava.
—Tenho medo que agora ele não nos deixe em paz. –Externou a preocupação para a morena, confirmando o que ela especulara.
—Não se preocupe, Edward. Aro não é tão apegado a tradições assim. A prova disso é que ele mesmo esteve roubando os bens da família, fingindo que os irmãos o faziam, a fim de ter um motivo para eliminá-los e ficar com o poder só para ele.
Ficaram se olhando por um tempo e, embora a beleza de Edward estivesse comprometida pelos abusos físicos sofridos dias atrás, Isabella ainda o achava o homem mais lindo e fascinante que ela já conheceu. Ah, ela o amava tanto!
—Obrigado por salvar a minha vida. –Edward disse com doçura.
—Você salvou a minha vida algumas vezes. Eu tinha que devolver o favor. –Disse, divertida.
—O que será de nós agora, Isabella? –Havia, apesar de tudo, dúvida nos olhos cor de esmeralda. Ele temia ser abandonado apesar de tudo o que aconteceu e da confissão que Isabella externou em mais de uma ocasião.
—Eu não sei, mas estou disposta a descobrir ao seu lado. –E então se beijaram delicadamente, selando o que esperavam ser o começo para uma nova e tranquila vida ao lado do outro, longe de tudo o que os atormentou.
...
-Então estou oficialmente demitida. –Colocou o vaso de flores do campo ao lado da cama de Edward. Isabella havia deixado o quarto para que os dois amigos pudessem conversar.
—Por que acha isso, Alexandrina?
—Por que falei com Isabella antes de vir ao seu encontro, senhor.
—Não há necessidade de me chamar de senhor. Como Bella adiantou, eu não pretendo continuar a trabalhar com Aro como contador, sendo assim não sou mais o seu patrão. Eu poderia recomendá-la para ele. –E ao ver a postura excessivamente rígida da antiga secretária, Edward emudeceu. Pelo que Isabella havia contato, Alexandrina provou lealdade a ele, o que implicaria desdenhar o tratamento que Aro dispensou ao antigo patrão.
—Já estou empregada senhor. Alguns contatos me garantiram um trabalho tão bom quanto o que eu tinha. Eu senti que eu não trabalharia como sua secretária por isso tomei providências. –Pegou a bolsa, parecendo apressada. –Alías a visita deveria ser rápida. Preciso voltar ao trabalho.
—Quer dizer que estava certa de que eu morreria e você não teria mais trabalho, Alexandrina? –O tom do Cullen era de brincadeira, mas ele já deveria supor como a loira reagiria; Alexandrina não brincava.
—Eu estava certa de que voltaria e não iria mais querer trabalhar na mesma função. Tenha uma boa vida, Edward. Seja feliz ao lado da sua Isabella. Ela é uma menina maravilhosa que o ama demais a ponto de arriscar a vida dela. –E ela se foi, sem olhar para trás. Após o episódio Edward e Isabella só voltaram a vê-la anos depois, quando se sentiam confortáveis o suficiente para viajar. Conheceram então a companheira de Alexandrina, uma linda mulher de nome Mary, e o filho que elas haviam adotado, Henry.
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