Notas iniciais
Música: https://www.youtube.com/watch?v=yXuXRPMs_Sg (Dear God)

A mente de Edward se desprendeu do corpo e tentou focar-se em lembranças felizes. Esme e o seu carinho incondicional, sempre ao seu lado nos momentos fáceis e difíceis. Certa vez ela fez uma festa surpresa para o filho, reunindo todos os amigos e preparando as coisas mais gostosas de se comer; Edward comeu tanto que poderia ter passado dois dias sem ingerir mais nada. Houve uma vez, quando ele achou que não conseguiria ter um bom desempenho na escola por conta da doença que o acometera, mas ele não só foi o melhor aluno da classe, como o melhor aluno da escola, recebendo um prêmio dos funcionários da instituição quando ainda estava no hospital.

Um golpe veio forte o suficiente para quebrar o antebraço. Tentou conter o grito e se permitir mergulhar ainda mais nas lembranças...

Bella.

A primeira vez em que a viu. A confiança que ela depositou nele sem merecer. Os beijos, abraços e... Ah, como ele queria mergulhar naquelas lembranças! A inconsciência veio antes e ele não conseguiu se agarrar as felizes memórias que tinha com Isabella.

...

—Bella parecia sem palavras quando reconheceu o lugar aonde Edward poderia estar. Ela também conhecia, infelizmente, aquela mansão.

—Foi para cá que Caius me trouxe quando... –Calou-se, engolindo a bile. Alexandrina se apiedou da garota que parecia estar com os nervos em frangalhos, segurando nervosamente a arma que ela havia dado.

—Bem... O fato de você conhecer o lugar pode nos ajudar em algo. Agora nós precisamos...

—Fique aqui, Alexandrina. –Isabella pediu, surpreendendo a loira. A morena olhava para a frente, segurando firmemente a arma.

—Você só pode estar brincando. Ficar aqui? E você? Para onde vai?

—Preciso resolver isso. Edward me salvou mais vezes do que posso contar. Agora é a minha vez de salvá-lo. –Havia algo agora nos olhos castanhos, um brilho estranho e poderoso que poucas vezes a secretária viu em olhos que fitou.

—O que acha que pode fazer pelo senhor Cullen afinal? Sua expressão não foi nada animadora quando viu aqueles documentos que entreguei a você. –Alexandrina era uma pessoa excessivamente racional que facilmente captava as coisas após atenta observação. Na situação em que estava, contudo, ela não conseguia adivinhar para onde estavam indo os pensamentos da garota sentada ao seu lado no carro. Isabella parecia concentrada em algo e nada nela indicava que iria revelar qualquer coisa.

—Confie em mim quando digo que é melhor guardar o plano. Agora eu preciso ir. Cada minuto é precioso. –Isabella fez menção de sair do carro, mas foi impedida por Alexandrina, que a puxou com brusquidão para o banco do carona.

—Aonde pensa que vai sem mim? Eu irei com você! –Esbravejou. A Swan tentou novamente sair do veículo, mas não pôde.

—Alexandrina, confie em mim quando digo que sou a única que pode impedir a morte de Edward. Posso inclusive impedir a minha, mas não posso garantir a sua vida. Aro a mataria sem pensar duas vezes. Não quero que nada aconteça a você e certamente Edward não quereria o mesmo. Deixe-me aqui e vá para algum lugar seguro.

—Não pode estar falando sério, Isabella. Deixar você ir sozinha para aquele ninho de cobras? Isso é suicídio! Edward queria que eu cuidasse de você e...

—Eu não sou uma criança! Já passei por muita coisa e sei como cuidar de mim. Se você for comigo, morrerá. Confie em mim, Alexandrina. –Havia algo naqueles olhos castanhos que deixou a loira paralisada. Tanta certeza em um ser tão diminuto! Ela, por mais que não quisesse, acreditou nas palavras proferidas com energia pela Swan. Alexandrina, portanto, nada fez quando a menina saiu do carro, escondendo a arma nas roupas e seguiu em direção ao portão principal.

Hesitou alguns minutos, vendo a figura pequena desaparecer em uma esquina. Seria certo deixa-la desse jeito? Edward jamais permitiria. Porém...

—Que Deus a abençoe menina. –Murmurou enquanto dava partida no carro em direção a qualquer lugar.

...

Aro vestia a sobrecasaca dada por um de seus capangas, preparando-se para deixar a mansão enquanto Edward era mantido em cativeiro.

—Cuidem disso. Tenho coisas importantes para fazer. Preciso encontrar alguém que o substitua o mais rápido possível. –Disse enquanto era acompanhado em direção a saída, aonde seus seguranças haviam estacionado o veículo em que chegou.

Quão surpreso ele ficou ao se deparar com Isabella em frente ao carro, ladeada por dois seguranças que até então estavam no portão principal vigiando.

—Ora, se não é a fabulosa Isabella Swan diante dos meus olhos! –Aro sorriu largamente, abrindo os braços como um pai zeloso que recebe a filha depois de anos separados. A Swan encolheu-se com a possibilidade de um abraço e, mantendo um rosto rijo, exigiu:

—Onde está Edward? –Apesar das mãos trêmulas e a sensação de que iria desmaiar, a voz que questionou o mafioso foi firme. O mafioso a encarou com olhos especulativos.

—Como chegou até esse lugar, senhorita Swan? –Ele esperou por uma resposta diante do seu questionamento ao que Isabella respondeu após minutos ponderando sobre a resposta mais adequada.

—Estive aqui em poder de Caius. Não é algo que eu esqueceria facilmente. –Replicou a morena.

—Estranho. Quando chegou aqui estava desacordada e quando saiu com Edward não estava alerta, ainda sob o efeito de alguma droga. Como poderia saber exatamente o local aonde a mantiveram? –Aro era perceptivo demais; farejava mentiras com facilidade. Talvez percebesse de imediato a mentira se estivesse falando com a antiga Bella, que não sabia mentir tempos atrás. A nova Bella, porém...

—Edward me mostrou o caminho para que eu não passasse pelo que passei. Mas não vim falar de mim e sim de Edward. Eu quero vê-lo. –A tensão que Isabella sentia pelo corpo todo parecia capaz de quebra-la ao meio e talvez fosse esse o caso se ela não tivesse, de alguma forma, se fortalecido com todos os infortúnios que a vida proporcionou a ela nos últimos anos.

—E por que acha que eu estou com ele, senhorita Swan? É verdade que o jovem Edward trabalha para mim, mas eu não o controle tanto assim. –O ar despreocupado de Aro poderia ter enganado a menina se a própria Isabella não tivesse visto Edward sendo levado.

—Eu os vi em frente ao meu prédio. Levaram ele a força. Não me trate como uma idiota, Aro. –Os dois trocaram um longo olhar enquanto a aparente calma de Aro Volturi ia se desfazendo e se transformando em uma carranca furiosa.

—Eu pretendia matar apenas um, mas você me deu uma segunda opção, não é? –O mafioso fez menção de avançar, mas Isabella sacou o revólver que havia escondido e apontou para ele. Aro mostrou surpresa e desapontamento ao perceber que a guarda falhou para com ele. Era padrão revistar qualquer um que quisesse uma audiência privada com ele. Talvez fosse aquela aparência serena e assustada da menina que faziam todos se compadecer dela e acreditar que nenhum mal poderia sair daquela patética criatura.

Os demais seguranças sacaram as suas armas e se posicionaram para ataca-la ao menor sinal de perigo. Aro pediu que relaxassem e abaixassem as armas, o que fizeram relutantes.

—Está cometendo um terrível erro, senhorita Swan.

—Você está cometendo um erro punindo alguém que não é culpado. –Os olhos castanhos emitiam um brilho sem igual. Poucas vezes Aro observou alguém de aparência tão frágil emitir tamanha força interior.

—Sabe de mais coisas do que deveria, Isabella. Edward deveria ter tomado cuidado com você. Não fará nenhum bem aos dois o fato de terem dividido segredos. –A mente assassina do mafioso pensava em quais formas ele iria exterminar também com a garota. Talvez ligasse para o seu irmão Caius, dando a menina para que o loiro terminasse o que começou tempos atrás. Isso certamente acalmaria o irmão mais novo que recentemente vinha tendo atitudes pouco louváveis devido a frustração de ter deixado uma presa escapar.

—Não fará nada a nós dois. Não poderia. Não é tão degenerado assim. –Isabella disse. A frase capturou a atenção do Volturi.

—Degenerado? Por que eu seria um ser descrito como desprezível matando as pessoas que estão sistematicamente me importunando? –O mais velho riu gostosamente da situação. Isabella manteve-se firme com a arma apontada e os olhos em brasas.

—Não mataria a única descendência que possui. –A menina baixou a arma, sabendo que quando a compreensão atingisse Aro, ele seria incapaz de machucar a ela ou a Edward. Pelo menos era o que a morena rezava para acontecer.

—Descendência? Do que está... –Aro estacou. –Impossível. Nunca tive nada com Esme. Ela foi apenas uma funcionária.

—Edward não é filho de Esme, embora ela o tenha criado. Ele era filho da irmã mais nova dela. Você a conheceu muito bem, pelo que eu soube.

—Elizabeth... –Murmurou o Volturi verdadeiramente chocado. Ele bem que havia notado certa semelhança do menino com a antiga companheira, mas como Esme afirmava sempre que Edward era o seu filho, não procurou investigar a história. Sequer sabia da possibilidade de Elizabeth estar grávida quando ela o abandonou. –Está mentindo.

—Não mentiria sobre algo assim. É a verdade. Se dúvida pode exigir um exame de DNA embora eu acho que Edward não fosse concordar. –A respiração diante do nervosismo aumentava audivelmente. Toda aquela tensão estava sendo uma sobrecarga emocional para a menina. Precisava se manter firme por mais alguns instantes, decidiu. Até que ela tirasse Edward daquele terrível lugar.

—E por que eu deveria poupá-la, menina? Se Edward é o que diz, ele pode sair vivo daqui. Quanto a você, embora seja a escrava dele, não tenho motivos para manter a sua vida. –Viu Isabella levar a mão protetoramente até a barriga e entendeu. –Está grávida dele? –Perguntou aparentando algo que extrapolava a surpresa.

—Sim. Estou grávida de um neto seu. –E guardou a arma nas roupas. Ela sentia que não precisaria mais daquele artefato, pois só havia duas escolas alí: sair com vida ou não. Não importava desde que, no fim, ela estivesse junto de Edward.