Sweet Slave
4 Capítulo 3
-Senhorita Swan? –Angela chamou novamente, tentando a todo custo despertar Bella e fazê-la abrir a porta do quarto. Precisava ser rápida, antes do café da manhã. Não queria experimentar a ira do seu patrão por não cumprir com suas obrigações que agora eram, além dos afazeres domésticos, cuidar da recém chegada.
-Está aberta. –A voz dentro do quarto disse num sussurro quase inaudível, mas foi o suficiente para Angela ouvir.
O que a empregada encontrou no interior do quarto foi deveras perturbador. Bella estava sentada no chão, descabelada, com os olhos fixos no piso e tinha o rosto inchado, pela falta de sono ou por ter chorado demais Angela não saberia dizer.
-O que houve? Está com um rosto péssimo! –Ariscou perguntar enquanto abria as cortinas que cobriam as persianas.
-Eu não dormi. –Confessou. E qualquer um constataria tal coisa devido aos olhos vidrados e olheiras.
-Isso não é bom. Não dormir prejudica a saúde. Terá que repor esta noite insone, senhorita Swan. Deixemos isso para depois. Venha, vamos arrumá-la para o café da manhã. Acredito que um pouco de maquiagem possa esconder parcialmente as olheiras. O dia promete ser um pouco frio então escolherei algo que possa aquecê-la. –Foi até o closet de Bella, escolhendo para a menina uma calça jeans e um moletom rosa.
E Isabella foi até a sala de jantar, após preparar-se com a ajuda da empregada, não por Edward Masen, definitivamente não queria ver o homem após a noite que tiveram, mas fazia por Angela. A gentil moça poderia se encrencar com as faltas de Bella e a Swan não desejava prejudicá-la. Não foi fácil, de qualquer forma. Embelezar-se para os olhos de Masen e fingir que tudo estava bem, quando o que mais ela queria era se gritar.
...
Tudo ia bem, com uma notável exceção. O relacionamento com Aro estava tranqüilo, graças ao trabalho impecável de Edward e de Alexandrina. Nenhuma falha em vista, tampouco agressões decorrentes destas mesmas falhas. As coisas iam bem... Iam? Lembrou-se da noite anterior, quando quase levou Isabella para a cama. Suspirou. A primeira noite foi péssima. Nada conseguiu com a infeliz Swan e ela, naquela postura típica de vitima, gerou certo desconforto em Edward. O relacionamento com Isabella não estava bom e ele sinceramente não queria mudar o seu jeito de ser apenas para agradá-la e tentar melhorar o que eles tinham. A errada era ela, tentava se convencer. A menina não tinha a mais remota ideia da benevolência com que era tratada por ele. Se não fosse pela sua ajuda, Bella estaria presa a paredes imundas, sendo torturada física e psicologicamente por Caius. Por que ela não conseguia enxergar os benefícios de ter sido adquirida por ele? Ou talvez, só talvez, ela precisasse de um pouco de ajuda para enxergar. Edward poderia, claro, ser o professor a passar essa lição, mas como não era da sua natureza ser bom, não mais, provavelmente Bella se arrependeria com as lições recebidas.
“Não me custa ser um pouco agradável. Não acho que sendo bruto demais, e desnecessariamente, conseguirei algo com ela. Além disso, é perigoso deixá-la com raiva sendo que ela é moradora da minha casa. Não preciso de mais inimigos.” –Deixando a gravata de lado, usou apenas um paletó preto sobre a camisa de botões vermelha e apressou-se em sair, mesmo sabendo que não tinha tantos compromissos no trabalho. Encontrou os empregados reunidos na sala de jantar, com Isabella sentada na mesa, esperando-o. A menina sequer ergueu o rosto quando ele se aproximou, sendo cumprimentado pelos demais. Olhava para o próprio prato e o Cullen ouviu audivelmente o barulho que ela produzia ao bater com os pés no chão. Isabella era a materialização do nervosismo. E, ao contrário do que imaginava, sentiu uma vontade imensa de provocá-la. Agora podia confessar para si mesmo que o jeito raivoso com que ela o tratava desde que chegou a casa, tentando mascarar o nervosismo e vulnerabilidade com grosseria, era até gracioso.
-Ora, olha quem me dá o prazer da sua companhia? Pensei que ficaria trancada no quarto, sem comer, dando trabalho as empregadas. –Disse num tom sarcástico, sentado próximo a Isabella. A garota crispou os lábios em irritação e este sentimento afastou sua mente da sensatez que sempre tivera. Tinha que ser prudente com o Cullen, fora informada, mas não conseguia aceitar aquele jeito irritadiço dele sem revidar. Não era da sua natureza ser passiva quando era intimidada.
-Por que diabos eu daria trabalho a elas? Nunca fui de dar trabalho a ninguém, nem mesmo aos meus pais. –Comentou com azedume.
-É mesmo? Aposto que você era aquele tipo de filha recatada que todo o pai deseja ter. Um verdadeiro tédio! Não deve ter aproveitado sua vida até agora, posso apostar. –Recusou o jornal ofertado por Erick, desejando manter Bella falando. Estava achando a conversa divertida, embora no fundo soubesse que aquilo estava mais para uma discussão do que uma conversa. E suas palavras, como desejava, aumentaram a ira da Swan a tal ponto que a menina ousou olhá-lo com desgosto.
-Se está falando de uma vida promiscua regada a álcool e outras substâncias lícitas e ilícitas então não, eu não aproveitei a minha vida. Não preciso desse tipo de divertimento.
-Não estou falando de bancar a adolescente problemática. Há diversões mais saudáveis. Você já foi, por exemplo, em uma danceteria? –Olhou com satisfação a menina enrubescer, abaixando os olhos para a comida posta por Angela diante dela.
-Não. Eu não sei dançar então...
-Não sabe dançar? Nem mesmo uma musica lenta, dois passos para lá e para cá? –Instigou mais a Swan, querendo conhecê-la um pouco melhor, tentando saciar a curiosidade que Aro despertara quando falaram sobre a menina.
-Não faz parte da minha gama de habilidades e não me importo em não saber dançar. Há coisas mais importantes do que saber dançar o break ou uma valsa.
Madura, deduziu. Isabella possuía uma maturidade anormal. Esta foi a primeira observação feita. Desejava conhecê-la mais, pois ela era de fato um artigo raro. Em toda a sua vivencia, jamais encontrou alguém remotamente parecido com ela. Também pudera, no ambiente em que viveu nos últimos anos a maioria das mulheres que o cercavam eram verdadeiras serpentes ávidas por dinheiro, capazes de tudo. Capazes de se vender para conseguir o que desejavam...
-... E por que eu deveria comprar você? Posso ter a mulher que eu quiser sem gastar um misero centavo. –Edward disse, dando uma longa tragada em seu cigarro. A menina lhe sorriu sapeca, pegando lentamente o cigarro da boca do rapaz e dando ela uma tragada ainda mais longa.
-Por que você está cansado da superficialidade. Mulheres que fingem amá-lo, mas que no fundo querem algo material em troca. –A estranha garota olhou para as estrelas cujo brilho estava ofuscado devido às luzes da cidade. Edward admirou aquela face, parecendo não de uma garota de seus vinte e poucos anos, mas de alguém mais vivida do que aparentava.
-E o que você tem a me oferecer que seja diferente das mulheres que está criticando? –O Cullen perguntou com sarcasmo, cruzando os braços em frente ao corpo. A garota riu, deixando o cigarro cair no chão e esmagando-o com o salto fino preto. Os olhos castanhos, num tom levemente esverdeado, encararam os orbes esmeraldinos.
-Sinceridade. Deixo claro que, embora você seja muito gostoso e não me importaria de uns momentos de prazer com você, o seu dinheiro é o que me importa. –A fumaça da ultima tragada no cigarro carro saia pelos lábios pintados de vermelho enquanto proferia estas palavras.
Ela era interessante. Percebera isso antes daquele momento, quando a viu toda cheia de vida, espalhando piadas sujas e vocabulário chulo por entre os convidados esnobes. E agora, após a pequena conversa, Edward teve a certeza. Ofereceu a mão para um cumprimento.
-Jessica Stanley. –Disse a jovem enquanto apertava a mão de Edward. –Escrava sexual para todas as horas e não conheço nenhuma desculpa que as mulheres normalmente usam para não transar.
-Sou Edward Cullen... Seu mais novo dono.
Enquanto o aperto tornava-se mais forte do que deveria, os dois jovens sorriram de uma forma cúmplice.
-Senhor Cullen, a senhorita Spencer ao telefone. –A voz anasalada de Lauren soou pelas paredes, despertando Edward da lembrança. Olhou para o telefone sem fio estendido na sua direção e apressou-se em pega-lo.
-Quando quiser falar comigo, ligue para o meu celular Alexandrina. –Disse o Cullen com azedume. Levantou-se da mesa e caminhou para o mais longe possível.
-Não é minha culpa senhor. Eu liguei, mas ninguém me atende. –Retorquiu a secretária. Edward tateou os bolsos internos do paletó, lembrando-se que esquecera o celular no quarto. Foi em direção do aposento.
-Agora que ligou para o meu numero residencial, fale o motivo dessa ligação.
-Senhor Cullen, nós temos problemas. –E as palavras de Alexandrina, mesmo sem os detalhes do que seria o “problema”, paralisaram Edward. Ele conhecia aquele tom de voz. E ele sabia o que aconteceria por causa desses “problemas”.
-Eu já estou a caminho. –Desligou o telefone no mesmo instante que pegou o celular e o colocou no bolso da calça. Caminhou mais apressadamente do que o normal, ignorando o café que mal tocara, o jornal não lido e as pessoas curiosas pela sua rápida saída.
-Nem terminou o café... Esse menino acabará doente se negligenciar a sua saúde. –Betha olhava para a comida intocada de Edward com desaprovação.
E enquanto todos os empregados moviam-se de um lado para o outro, tratando de limpar a mesa e retirar a comida, Bella suspirava de alivio. Quanto mais evitasse algum contato com Edward, melhor.
...
-E então, o que faremos? –Alexandrina olhava para Edward e a papelada entre eles, em cima da mesa de seu patrão. O Cullen apenas ficou parado, com as mãos na cabeça, parecendo não saber como proceder.
-Temos que encobrir isso até que eu possa averiguar e saber quem está roubando dinheiro de Aro Volturi no Brasil. E eu precisarei de sua ajuda.
-Claro. Eu irei ajudá-la como sempre faço. Devo cancelar seus outros compromissos do dia? Assim o senhor se focará apenas nesse problema.
-Sim, faça isso. Acredito que conseguirei esclarecer o mal entendido antes da historia cair nos ouvidos de Aro. Preciso de um dia, alguns telefonemas e da internet. –Saiu da letargia como que por encanto, e o Cullen logo estava na ativa, caminhando de um lado para o outro na gigantesca sala que era o seu escritório. Alexandrina o deixou enquanto seguia para a sua mesa, adiando para outras datas os compromissos daquele dia e resolvendo, ela mesma, alguns deles. Ainda sim ela sabia, assim como o próprio Edward sabia, que nada escapava dos olhos de Aro, nem o mais bobo dos erros. Era só uma questão de tempo até ele descobrir e culpar Edward pelo prejuízo. Era só uma questão de tempo até Edward pagar caro demais pela falha alheia.
...
Era enlouquecedor! Caminhava pela casa e raramente ficava só, Angela a seguia boa parte do tempo. Encontrou na televisão em seu quarto e algumas revistas de moda algum entretenimento, mas sabia que não conseguiria agüentar aquela situação por muito tempo. Para alguém sempre ativa, especialmente após a morte da mãe, ficar parada era algo impossível. E para piorar os empregados faziam o possível para Bella não ajudar nos afazeres domésticos, alegando que era função deles tal coisa. Desse jeito, a Swan pensou, ela teria uma sincope.
Como se não bastasse, ela estava terrivelmente preocupada com o pai. Aro havia prometido interná-lo assim que Charlie saísse do hospital, mas que garantias ela tinha do cumprimento dessa promessa? Seu pai poderia estar ainda no hospital, sendo ignorado por todos, ou poderia estar morto. Ela não conseguiria tocar sua vida, que já não era das mais fáceis, sem antes saber do paradeiro do pai.
“Não tenho sequer algum contato com o tal Aro, nem autorização para usar um telefone.” –E cada vez que pensava em tais coisas, olhando para as paredes cor salmão do bonito quarto que a cercavam, sentia-se mais e mais claustrofóbica.
-Senhorita Swan? –Não percebeu que a porta do quarto havia sido aberta e Angela entrara.
-O que houve?
-Logo o senhor Cullen virá para cá jantar. É melhor a senhorita se arrumar. Vamos escolher algo mais bonito, um pouco mais sofisticado dessa vez. –A empregada tratou de seguir até o closet, e logo saiu de lá com um tubinho preto rendado. Um vestido absolutamente caro e bonito, deveras sofisticado.
-Não é o tipo de coisa que se usa para vestir num jantar em casa. –A Swan resmungou. Pegou o tecido fino, sentindo a textura macia e de qualidade, coisa que o seu corpo não estava acostumado a vestir.
-O senhor Cullen não comprou estas roupas bonitas esperando por uma ocasião. Como sairá pouco, acredito que o senhor Cullen espera que a senhorita use aqui. –E as palavras de Angela despertaram a curiosidade de Bella. Precisava saber exatamente que tipo de vida teria pelos próximos anos.
-Eu vou ficar presa nessa casa o tempo todo, sempre? Sem me comunicar com ninguém, sem fazer algo além de sentar e esperar por Edward Cullen? –O desespero estampado na face e nas palavras da moça comoveu Angela. Queria tranqüilizar Bella, mas sabia que a mentira não era o caminho.
-Eu sinceramente não sei senhorita Swan, mas confrontar o senhor Cullen não é o caminho para ganhar alguma concessão. Como eu havia dito anteriormente, ele se torna uma pessoa agradável se obedecê-lo.
-Eu não nasci para obedecer cegamente a um homem! –Protestou a Swan, visivelmente irritada. E Angela viu, naquela postura ameaçadora que Isabella emanava, problemas futuros.
“Ao menos Angela não causou problemas nos primeiros tempos de sua estadia.” –Pensou. Claro que a empregada preferiria lidar com um tipo como Bella, que mostra certa agressividade sadia, do que com uma transloucada como Angela foi.
-Betha está preparando um verdadeiro banquete para esta noite a fim de acalmar os ânimos por aqui. E a senhorita deve ficar bonita. –Olhou mais atentamente os pertences de Bella, querendo escolher os itens certos. Isabella continuou olhando as tentativas frustradas de Angela animá-la acerca do jantar, pensando no que faria naquela noite para se esquivar de quaisquer tentativas do Cullen de uma intimidade forçada.
Durante os vários minutos que se seguiram para a sua preparação, a mente da menina parecia estar em combustão. Tantas preocupações na cabeça jovial! A mais importante, no entanto, merecia atenção imediata. Após estar vestida e maquiada, ao agrado do senhor Cullen como Angela disse, rumou para a sala de jantar que estava sendo arrumada pelos demais empregados.
-Ora, mas a senhorita Swan está muito bonita! –Elogiou Erick, olhando a jovem Isabella dos pés a cabeça. Bella corou, murmurando um agradecimento. Lauren olhou de forma enviesada para Bella, despertando na menina certa confusão. Por que, de todos os empregados, aquela loira parecia não gostar dela? Ela nem sequer conhecia a Swan ainda!
A mesa estava elegantemente arrumada e a cheia de boa comida podia ser sentido naquele local, vindo da cozinha. Sentiu o estomago protestar, precisando demais de comida. Mas foi ao ver uma garrafa de vinho tinto sobre a mesa que a ideia veio.
-Angela, eu poderia tomar um taça de vinho antes da refeição? –Perguntou a empregada. Angela olhou para ela confusa.
-A senhorita bebe? Me pareceu ser o tipo de pessoa que não gosta de bebidas alcoólicas.
-Bebo socialmente, na verdade. Acho que uma taça me ajudaria a relaxar. –E parecendo de fato necessitada pela bebida, Angela não lhe pôde negar. Serviu uma taça cheia a Bella, que virou a bebida sem dó quando ninguém estava olhando. O gosto lhe pareceu ruim, já que o seu paladar não estava acostumado a nada que continha álcool. Disfarçadamente, enquanto os empregados estavam ocupados demais com as atividades corriqueiras naquele apartamento, Bella encheu sua taça sempre que esvaziava, virando a bebida a fim de sorver sem sentir a ânsia de vomito pelo gosto.
Bella se perguntou, enquanto a mente parecia se perder no torpor provocado pelo álcool, se ao menos toda aquela bebida faria com que ela esquecesse o que porventura pudesse acontecer entre ela e o Cullen aquela noite.
...
Nada. O dia inteiro dedicado a uma vasta investigação, a fim de saber quem havia roubado de Aro no Brasil. Alexandrina o ajudou enquanto pôde, assim como algumas pessoas que Edward contactou, mas nada foi descoberto. Não recebeu nenhuma ligação de Aro, pelo menos. Um indicio de que o mafioso não sabia o que havia acontecido. Mas ele sabia que não poderia ficar feliz por isso. Como a ave de rapina que era, nada escapava daqueles olhos treinados para captar traidores. O único problema era que, na falta de um traidor, o responsável pelas falhas era o Cullen.
“E como se não bastasse os problemas no trabalho, ainda tenho que ver a carranca daquela garota.” –Encostou a cabeça no volante quando o sinal fechou, respirando pausadamente. Embora tivesse apenas vinte e cinco anos, Edward sentia-se como um homem velho, cansado demais, precisando desaparecer e relaxar.
Não encontrou conforto nenhum em voltar para casa. Naquele local existiam os empregados robóticos, tratando-o como um verdadeiro senhor feudal, e uma virgem temerosa, e raivosa, pelo possível sacrifício. Sua mente vagou longe, para os poucos momentos de conforto que sentira naquele lar, antes da ruína se instalar em sua morada.
-Bem vindo! –Jessica cumprimentou esfuziante, pulando nos braços de Edward e cobrindo-o com beijos. Foi prefiro alguma força para afastá-la de si, apenas para poder respirar.
-Jess, quer me matar sufocado? –Perguntou com divertimento. Olhou para a menina só então notando que estava vestida apenas por um hobby vermelho, como se estivesse a caminho da cama para dormir, mas o rosto estava muito bem maquiado.
-Tenho uma surpresa para você! –Capturou a mão masculina entre a sua, puxando Edward apartamento adentro. O Cullen estranhou a ausência dos empregados, que sempre o recepcionam ao chegar.
-Onde estão os empregados? –Perguntou.
-Eu dei folga a todos eles. Queria privacidade com você.
-E por quê? –Edward mostrou-se interessado, antecipando uma surpresa deliciosa da menina. Jess sorriu marota, parando em frente ao quarto do Cullen. Fez menção para que ele abrisse as portas e Edward assim o fez. Apesar da precária iluminação, advinda de abajures, ele pôde ver com nitidez o que o aguardava: duas mulheres, lindas, trajando lingeries vermelhas pequenas, exalando feromônios. Elas olharam para ele com um desejo quase animalesco e caminharam até a cama, deitando-se e se espreguiçando languidamente, convidando-o para momentos de muito prazer.
Sentindo a menos abraçá-lo por trás, Edward se arrepiou ao sentir o hálito quente sussurrar ao pé do seu ouvido:
-Feliz dia dos namorados.
Não havia mais aquela felicidade torta que encontrava nos braços de Jessica, pois a menina estava morta e o grande culpado, pensou Edward, seria para sempre ele. Ele não queria passar aquela noite pensando no passado tenebroso que sempre se seguia dos momentos de alegria que a companhia de Jess proporcionou. Tinha preocupações maiores, refletiu, como os problemas nas finanças de Aro. Perguntou quem poderia estar furtando dinheiro do italiano, sem que ninguém soubesse. Era alguém esperto, constatou, alguém que conhecia o funcionamento dos negócios e localizou as falhas.
Qualquer outro pensamento sobre os problemas enfrentados evaporou ao passar pela porta do apartamento. Não encontrou os empregados esperando-o para o costumeiro “boa noite senhor Cullen”, o que estranhou. Não demorou a localizá-los, todos estavam concentrados na sala de visitas, de rente para um pequeno sofá para as visitas.
-Eu to bem! É sério! –A voz de Bella quebrou o silencio e só então Edward notou que a pequena estava sentada no sofá, sendo rodeada pelos empregados. A situação toda o deixou curioso.
-O que está havendo? -Perguntou enquanto retirava o casaco, assustando a todos que não haviam percebido sua presença.
-Boa noite senhor Cullen! –Angela gritou, atarantada. Sem cerimônias, Edward abriu espaço por entre os empregados a fim de ver o que se passava. Bella estava sentada, parecendo aérea demais. Não precisou se aproximar demais para sentir o cheiro de bebida.
-Ela está bêbada? –Pegou o rosto de Bella com uma mão, aproximando-se a fim de sentir mais de perto o hálito da Swan. Bella o afastou com um safanão desajeitado.
-Eu to bem... Quero jantar. –Falava pausadamente, enquanto piscava com uma lentidão exagerada. Levantou-se cambaleante, seguindo com a ajuda de Ben até a mesa. Edward olhou a cena toda, para depois encarar Angela com azedume. A moça, preocupada com a ira que Edward emanava, tratou de se desculpar.
-Perdão senhor Cullen. Eu me descuidei e quando vi, a senhorita Swan havia bebido quase uma garrafa inteira de vinho.
-Desculpas não farão com que ela se recupere. Vamos, apresse esse jantar e diga ao Ben que desejo ouvir uma música que me acalme do dia tenso que tive. –Retirou o paletó, dando-o a Angela. A empregada apressou-se, não querendo mais aborrecer o seu patrão.
Edward olhou com desaprovação para Bella durante o jantar. Bella pouco comeu, olhando fixamente para a garrafa de vinho colocada na mesa. Provavelmente queria beber mais, porém o Cullen advertiu aos empregados para não mais servi-la de bebida, uma vez que ela já estava embriagada o suficiente.
Não contente por não poder degustar mais do vinho, a Swan fez menção de levantar-se e ela mesma se servir, mas Edward levantou-se, impedindo-a de beber ainda mais.
-Hei! –Ela protestou enquanto ele a fazia se sentar novamente. –Eu preciso beber! Estou engasgada!
-Tem água bem aqui. Beba. –Pegou a taça com água, oferecendo-a a Isabella. A menina crispou os lábios em irritação.
-Não foi você que me questionava sobre o não-aproveitamento da minha juventude? Eu estou querendo aproveitar agora com um pouco de bebida. –Resmungou, encarando Edward com presunção e ganhando do rapaz um meio-sorriso afetado.
-Não foi você quem criticou os jovens que vêem na bebida um divertimento? –Só então observou melhor a Swan. Estava bem maquiada, usando um provocante vestido preto, colado ao corpo, deixando visíveis as curvas graciosas que carregava. O cheiro do perfume cítrico penetrou as narinas masculinas com violência, deixando claro que o corpo feminino devia estar muito perfumado. Naquele momento Edward ficou ciente demais de que aquela era uma fêmea desejável que poderia satisfazer seus desejos mais animalescos. Ele precisava, afinal, de sexo.
-Deixo beber o quanto quiser se dançar comigo. –Ao fundo soavam as músicas selecionadas por Ben para embalar aquele jantar. Bella encarou os orbes esmeraldinos com confusão.
-Dançar? Agora? No meio da refeição? –Os olhos castanhos mais pareciam pratos de tão pequenos que estavam. Fraca como a Swan parecia para beber, logo se entregaria ao cansaço.
-Então? Aceita ou não? –Ergueu a mão, oferecendo-a a Isabella. E ela, para a sua surpresa, pegou, levantando-se com dificuldade. O que para Edward era uma concessão bem vinda, para Bella era apenas um estratagema a fim de evitar o Cullen. A bebida ingerida não havia afundado a menina na inconsciência como desejava, mas sabia que se bebesse um pouco mais acabaria desmaiando, ou talvez entrando em coma alcoólico. Qualquer coisa era bem vinda, desde que pudesse se esquivar do Cullen.
-Beberei o quanto quiser, a começar por agora. –Pegou a garrafa sem aviso, servindo-se de uma taça cheia. Virou o liquido sem piedade, tentando agüentar o mal estar que aumentava a menina que bebia mais.
Sem aviso, Edward puxou o corpo feminino, colando-o ao dele. Bella pareceu não se importar, já que o torpor do álcool estava amortecendo todos os seus sentidos. O casal começou a dança “dois para lá e dois para cá”, seguindo a um ritmo diferente da musica que soava. Como não ouviu ou sentiu nenhuma recusa da Swan, Edward envolveu firmemente a cintura fina com um braço, mantendo o corpo feminino preso a ele. Pôde sentir o calor daquele corpo, a macies da pele quando a acariciou com a mão livre e o perfume doce quando afundou seu rosto na curvatura do pescoço de Bella. Toda aquela situação o excitava de um jeito como poucas mulheres o fizeram. Tinha certeza de que era pelas semanas de abstinência, uma vez que andava ocupado demais para marcar encontros com suas antigas amantes ou com prostitutas pagas. Ele queria esquecer-se dos problemas, ainda que por algumas horas, e nada melhor do que esquecê-los ao afundar-se em um corpo feminino.
Bella parecia quieta demais, ignorando a exploração que Edward fazia em seu corpo com uma mão, enquanto a outra continuava em sua cintura, mantendo-a de pé. A verdade era que uma náusea terrível estava atacando a pobre moça e o movimento que Edward a obrigava a fazer enquanto dançavam definitivamente não estava ajudando. Queria parar e sentar-se, talvez colocar a cabeça entre os joelhos e tentar fazer o mundo a sua volta parar de rodar. Como se não bastasse o movimento para lá e para cá, Edward subitamente rodou os dois, o que foi demais para a pequena Bella.
Ele a queria. Não, mais do que isso, Edward precisava de algum conforto. O corpo colado ao seu estava tão quente, perfumado (apesar do cheiro de bebida) e macio! Uma mão do Cullen foi parar em uma das nádegas de Bella, apertando-a com certa delicadeza. Como um predador faminto demais para brincar com a presa, a exploração com as mãos não mais bastou. Ele iria se afundar naquela menina sem piedade, deixando a mente vagar para lugar nenhum enquanto seria tomado por orgasmos.
Afastou-se um pouco de Bella, parando de dançar. Os dois braços envolveram a cintura, mantendo-a próxima. Primeiro experimentaria beijar aquela boca carnuda, planejou, para depois levá-la ao quarto. Havia muitos outros planejamentos tomando a mente de Edward, mas todos eles evaporaram quando Bella vomitou violentamente em cima dele.
A noite definitivamente havia sido perdida.
...
-Angela! –Ao ouvir o chamado urgente de seu patrão, Angela deixou o que estava fazendo na cozinha, dirigindo-se a sala de jantar. Encontrou Edward de pé em frente ao pequeno sofá para visitas, tentando limpar sua camisa com um guardanapo. Só depois percebeu que a camisa estava suja de vomito, assim como a jovem meio adormecida, sentada no sofá.
-Eu irei levá-la para o quarto dela. Limpe-a para mim. Ela vomitou nela toda. –Falou com raiva, pegando bruscamente Bella nos braços. A empregada seguiu silenciosa a frente do casal, abrindo a porta do aposento de Bella. Edward levou a jovem Swan diretamente para o banheiro, colocando-a sentada no vaso sanitário. Angela apressou-se em se juntar a Bella, impedindo-a de cair para o lado quando Edward se afastou. Sem nem olhar para trás, o Cullen refugiou-se no seu quarto, irritado por mais uma noite perdida, principalmente quando ele precisava tanto de algo para esquecer os problemas. Pensou em ligar para alguma acompanhante, mas sentiu-se subitamente cansado demais. Apenas tomou um demorado banho, desfazendo assim a excitação que Bella provocara nele, e foi dormir.
...
O barulho de um celular despertou Edward do sono. Preguiçosamente ele olhou para um dos criados mudos a fim de ver o horário. Eram seis e meia. Pegou o celular em cima do outro criado mudo, atendendo-o sem ver quem poderia ser.
-Cedo demais. Espero ser importante. –Murmurou numa voz trôpega, sentando-se na cama.
-Senhor Cullen... –A voz normalmente apática da secretária não parecia tão apática naquele momento. –Ele já sabe. Virá aqui assim que chegar de Portugal. Temos pouco tempo para encontrar uma solução. –Alexandrina disse apressada e todo o corpo de Edward se enrijeceu.
-O que eu posso fazer que não tenha tentado ontem? –A voz de Edward estava vazia. Ele sabia que se encontrava em estado de choque.
-Não importa senhor Cullen. Nós tentaremos. Estou esperando pelo senhor com aquele café batizado. Farei o possível para ajudá-lo. Até mais tarde. –E nisso a secretária desligou. E Edward, que até então sentia os membros de seu corpo entorpecidos pelo sono, movimentou-se, querendo estar o quanto antes em seu escritório. Vestiu um terno Armani preto, com uma camisa de botões azul marinho e gravata preta, pegou as chaves do carro e o celular e saiu, sem tomar o café ou perguntar se a sua hospede estava bem. Havia preocupações maiores do que os problemas que o cercavam.
...
Dor. A dor e o mal estar a atingiram como um soco. Gemeu. Tentou abrir os olhos, a fim de se orientar, mas foi uma péssima ideia. Havia luz demais no cômodo onde ela estava.
-Finalmente! Acorde senhorita Swan. –A voz de Angela soava desagradável, em uma altura maior do que o suportado por um ser humano. Claro que esse efeito calcinante era devido a forte ressaca que Bella enfrentava.
-Angela, feche as cortinas um pouco. Há muita luz aqui. –A luz continuou a incomodá-la, ao ponto de Bella mal abrir um olho. Seu pedido foi atendido, o que a jovem Swan agradeceu.
-Acredito que está sentindo um forte mal estar pela bebida ingerida ontem. Trouxe o seu café da manhã e um remédio.
Pouco a pouco Bella foi sentando na cama, abrindo os olhos para aquela manhã absurdamente ensolarada e percebendo o ambiente ao seu redor. Angela colocava diante dela na cama uma mesinha de madeira cheia de guloseimas para Bella comer, além de um comprimido para dor de cabeça.
-Pensei que você viria aqui me chamar para tomar café com o senhor Cullen.
-O senhor Cullen já saiu, sem nem tocar a comida. Deve ter tido alguma emergência no trabalho. Sendo assim não vi necessidade da senhorita levantar-se e ir tomar o café na sala de jantar. Alimente-se bem. –Angela fez menção de sair, mas Bella tinha algo a perguntar. Como sua mente estava nublada demais pelos acontecimentos da noite anterior, ela queria ter certeza de que Edward não se aproveitara dela.
-Angela, o que aconteceu ontem? Não consigo me lembrar de muita coisa. –Olhando para si, notou que vestia uma camisola. Alguém certamente havia trocado suas roupas pela peça para dormir. Estremeceu ao pensar em Edward vendo-a nua e tocando o seu corpo.
-Ontem a senhorita bebeu alem da conta e acabou vomitando. Tivemos que lhe dar um banho e trocar suas roupas, pois tinha vomitado em tudo, até nas roupas do senhor Cullen. –Ao lembrar-se do ocorrido, e da cara feita pelo seu patrão, Angela riu suavemente.
-Wow! Ele deve estar muito irritado comigo! –Mesmo que estivesse feliz por ter driblado mais uma noite Edward Cullen, Bella preocupava-se com as conseqüências do seu ato. Já experimentara a antipatia e rudeza de Edward Cullen, não queria experimentar genuína ira.
-Difícil dizer. O senhor Cullen está sempre preocupado ou aborrecido com alguma coisa. De qualquer forma, procure não fazer mais aquela tolice. A senhorita poderia ter entrado em coma alcoólico ou algo assim. –Duas batidas soam no amplo aposento. Timidamente a porta se abre e Ben aparece.
-Bom dia senhorita Swan. Desculpe-me incomodá-la...
-Tudo bem. –Bella sorriu, cobrindo-se melhor com o edredom. Ben prosseguiu.
-Ang, eu estou indo comprar algumas coisas para Betha. Quer vir comigo?
-Hmmm... Eu preciso ficar aqui e cuidar da senhorita Swan. –E Bella pôde ver, nos olhos daquela gentil moça, que ela queria demais sair com Ben. E o rapaz parecia querer demais a companhia da garota. Apaixonados eles estavam e era ridiculamente obvio. A Swan se perguntou se eles já tinham alguma coisa, e se tinham por que escondiam?
Ou talvez não pareciam perceber o sentimento um do outro.
Ou talvez quisessem esperar o momento certo.
Eles estavam errados, pensou. Você deve aproveitar, não pode perder tempo. Hoje o seu amado está diante de si, sorrindo para você e contando piadas idiotas, mas amanhã...
-Não Jake... Não me sinto preparada. –Ela empurrou gentilmente o namorado de cima dela e Jacob afastou-se rapidamente.
-Desculpe! Não quis forçar a barra nem nada! –Repreendeu-se, abotoando a camisa preta que usava.
-Preciso ir. Meu pai deve estar esperando por mim. –Bella sentou-se na estreita cama, desamassando a camisa de flanela que usava. Ainda sentia o seu corpo quente e sensível nas partes em que o rapaz tocou e tal constatação deixou o seu rosto vermelho vivo.
-Seu pai não está esperando por ninguém. Ele nem sabe mais que tem uma filha! –Disse maldosamente o rapaz a Bella, frustrado por não ter dormido com a menina novamente. Namoravam há vários meses, antes de Renée, mãe de Bella, morrer. Não havia conseguido nada durante todo esse tempo e toda essa abstinência o estava perturbando.
Quando encarou os orbes achocolatados, encontrou mágoa. Ela estava ciente de que pouco significava para o pai após a morte da mãe, mas ouvir alguém dizer isso em alto e bom som foi demais.
-Desculpe Bella, eu não quis... –Estendeu a mão a fim de tocá-la no rosto, mas a Swan afastou-se de seu alcance.
-Vou para casa. –Foram suas ultimas palavras antes de sair.
Ela não poderia saber que aquela tinha sido a ultima vez que veria seu namorado.
-Vá Angela. Eu ficarei bem. Tomarei um banho e vestirei alguma coisa confortável. Acho que assistirei a um filme. –Sorriu forçadamente. Por fim Angela se decidiu, querendo demais ficar a sós com Ben e longe de toda aquela loucura que cercava a casa e o seu patrão.
-Eu não vou demorar. Se precisar de algo apenas fale com Betha ou Erick. –Bella assentiu e logo Angela saia do quarto, seguindo ao lado de Ben. Encontrou Lauren no corredor e estranhou a empregada segurando os produtos de limpeza. Ela não era do tipo que viria até o serviço sem antes receber varias chamadas de atenção.
-Aonde vai Lauren? –Perguntou Angela desconfiada. A loira deu de ombros, casual demais.
-Vou limpar os quartos. Eu sou paga para isso, sabia? –Passou pelos dois sem olhar para trás. Angela não gostou nada daquela atitude.
-Limpe os demais quartos. Deixe o da senhorita Swan comigo. Sairei com Ben e volto daqui a alguns minutos. –Lauren continuou a caminhada pelo corredor, erguendo uma das mãos em sinal de que havia entendido. Angela seguiu lentamente com Ben, sentindo aquela estranha intuição que dizia para ficar. Ao olhar para Benjamin ao seu lado, porém, acabou cedendo à vontade de ficar com o rapaz a sós.
Não chegou a entrar no aposento do patrão, como Angela sugeriu. Foi diretamente ao quarto de Bella, encontrando a menina ainda na cama, comendo o café da manhã preparado por Angela. A Swan sobressaltou-se ao ver Lauren, que passou pela porta sem sequer pedir licença, fechando-a em seguida.
-Eu preciso limpar aqui. –Falou num tom rude.
-Fique a vontade. –Foi tudo o que Bella pensou em dizer enquanto dava outra mordida em sua torrada com patê. Captou cada movimento feito pela empregada. A loira pegou um espanador e passou duas vezes por cima de uma mesa branca, sem de fato limpar. Ela encarou um quadro abstrato em frente a cama com aparente descaso.
Incomodada com a presença dela Bella estava, mas não se sentia a vontade em pedir para a empregada sair. Lauren era mais dona daquele espaço do que a própria Bella. Pegou o comprimido ofertado por Angela, tomando-o junto com um gole do suco de laranja.
-Ele não se importa realmente em quebrarem as regras. –A voz anasalada tomou conta do espaço, chamando a atenção da Swan. Lauren virou, vendo confusão na expressão facial de Bella. –Falo do Cullen. –Afirmou.
-Não foi o que Angela disse.
-Ela exagera. Ele tem toda aquela postura de machão alfa, mas é facilmente domado. Não precisa se forçar a nada. E se quer um conselho: é melhor não se rebaixar. Ele nu fundo odeia mulheres que acatam suas determinações como cachorrinhos. –O tom depreciativo com que Lauren falou, além do olhar enojado para cima de Bella, deixou a menina com a pulga atrás da orelha.
Notando o desconforto da hospede, Lauren se retirou sem dizer mais nada.
...
Objetos eram lançados em todas as direções. Alexandrina olhou pra a explosão do seu chefe tediosamente.
-Quebrar a mobília não trará a solução dos seus problemas.
-Não procuro soluções desse jeito Alexandrina e sim uma forma de desestressar! –Pegou um peso de papel de cristal, presente de uma de suas amantes, e o jogou sem dó no chão encarpetado. Olhando para aquele homem descabeçado, suado e com as roupas amassadas, a secretária apenas sentiu compaixão.
-O senhor Volturi não voltará imediatamente. Continue tentando, senhor Cullen.
-É fácil para você falar! Não será você que será espancada! –Jogou-se na poltrona de couro, afrouxando a grava verde musgo. Alexandrina apressou-se em pegar o bule de café e adicionar vodka a ele. Entregou ao seu chefe que engoliu o liquido numa golada.
-Eu preciso ir ao Brasil. Descobrir o que houve. –Planejava o Cullen aparentemente incoerente.
-Pense senhor Cullen. Houve situações semelhantes e ir ao local não adiantou. Alguém o está roubando quando o dinheiro chega até aqui onde se encontra a sede. Agora temos que descobrir quem. Encontrar um padrão nesse desvio absurdo de recursos. –Disse brilhantemente a secretária, fazendo Edward encará-la com admiração. Alexandrina era, sem duvida, a mais perfeita das secretárias.
-E conseguirei fazer isso antes do retorno de Aro? –Perguntou, com um olhar suplicante em direção a figura esbelta da loira. Travestida numa póstuma formal demais até para uma secretária, Alexandrina disse:
-Provavelmente não. É melhor deixar o doutor Jasper Hale a postos, como sempre.
...
Quando Angela chegou junto a Ben, feliz pelo pequeno passeio ao supermercado mais próximo, se deparou com o seu patrão em pé diante de Lauren e Betha.
-E por que ela não está aqui? –Perguntou com uma fúria mal contida na voz, olhando para as duas empregadas.
-A senhorita Swan não está a fim de vir. –Disse Lauren maldosamente, sabendo que contrariar as regras de Edward Cullen era pedir por um castigo severo.
-Ela não está muito bem desde ontem, senhor Cullen. –Rebateu Betha, olhando com raiva para a loira ao seu lado. Suas palavras, no entanto, não tiveram nenhum efeito se comparadas as palavras de Lauren.
-Senhor Cullen, eu irei chamá-la. Enquanto isso Betha e os outros terminarão de colocar a mesa para o almoço. –Angela sorria nervosamente, já caminhando na direção do corredor que dava acesso aos quartos, mas Edward a brecou, colocando uma mão em seu ombro.
-Cuide dos seus afazeres junto com os outros. Eu vou cuidar disso pessoalmente. –A passos largos ele se foi.
Edward estava estressado, furioso, cansado. Ele queria encontrar algum conforto no lar, mas a constante recusa de Bella o enfurecia. Por que ela o evitava como se ele fosse um leproso? Ele não estava, afinal, dando tudo o que aquela criança mimada queria? Um lugar para morar cheio de regalias que só o bom dinheiro poderia proporcionar, roupas e acessórios caros, empregados a sua disposição e nem sequer tocara nela até agora? O que ela queria afinal? Vê-lo se rastejar aos seus pés?
Encontrou a Swan sentada numa poltrona, olhando o teto de gesso belamente esculpido. Parecia alheia a tudo, até mesmo a sua presença. Nada preocupada em estar na sala de jantar e acompanhá-lo durante o almoço como era regra. Fechou a porta com aspereza, ganhando a atenção da moça. Ela se levantou lentamente, olhando-o não com temor como ele queria, mas com genuína surpresa, e depois com raiva.
-O que você... –Começou, mas foi interrompida quando Edward se aproximou e colocou uma mão na boca da jovem, impedindo-a de falar.
-Cala a boca! Cala essa maldita boca ingrata! Se eu mando, você me obedece, entendeu? Eu sou o seu dono e paguei caro para te-la. Eu mereço respeito, mereço sua submissão incondicional! –A mão que tapava a boca da menina exercia uma força desconfortável, machucando-a. Mesmo sentindo um medo descomunal pela postura excessivamente agressiva de Edward, ela não se intimidou. Afastou-se do seu agressor, olhando-o com fúria.
-Não pense que eu sou sua bonequinha de luxo! Eu não vou obedecer cegamente a você! –Gritou a Swan com todas as forças, exasperada. Teve o seu braço capturado por uma mão de Edward, num aperto insuportável.
-Você vai sim e vai gostar! Será uma putinha perfeita! –E diante das palavras atrevidas do Cullen, Bella não agüentou. Estapeou a face alva com toda a força que o seu diminuto corpo conseguiu.
Edward cambaleou, encostando-se a parede, chocado com a atitude da pequena. Não demorou a surpresa transformar-se em um ódio mortífero, nublando a mente do rapaz. Sem perder tempo empurrou Isabella violentamente na cama, jogando-se sobre ela e a imobilizando com o seu corpo.
-Eu falei para me obedecer, não é? Você esgotou toda a limitada paciência que eu tinha! –Com a força que naturalmente possuía, foi fácil mante-la quieta, mesmo que Bella estivesse tentando sair da cama. Conseguiu rasgar o vestido estampado da menina com facilidade, deixando-a apenas com a calcinha e o sutiã bege. Quando Bella finalmente percebeu o que ele pretendia, desesperou-se.
-NÃO! NÃOOO! –Gritou a menina com todas as forças enquanto tentava inutilmente tirar Edward de cima dela. Sentado na barriga da Swan, conseguiu segurar com uma mão as duas mãos acima da cabeça dela, enquanto que com a outra retirava a gravata.
Com uma habilidade sem igual, Edward prendeu os pulsos da Swan na cabeceira da cama com a gravata. Perdendo a mobilidade das mãos, Bella soube que seria difícil escapar daquela aterrorizante situação.
Não pôde conter as lágrimas e o tremor do corpo. Ela não queria aquilo. Não queria sua primeira vez com aquele desconhecido, no opulento quarto. Arrependeu-se por não ter dado a Jake, seu antigo namorado, o que ele queria. Mas era tarde. Muito tarde.
-Se continuar a me atacar com os pés na tentativa de se livrar de mim, eu amarrarei suas pernas. E farei de um jeito bem doloroso, está me ouvindo? –Sussurrou Edward no ouvido de Isabella quando se inclinou, beijando em seguida a curva do pescoço.
Bella ficou parada, acuada, com os olhos lacrimejantes fixos no teto. Sentiu a mão quente e impaciente de Edward acariciar cada centímetro do seu corpo com rudeza e teve a certeza de que ficaria com algumas manchas pelo corpo. Os lábios de Edward deslizavam do pescoço para o ombro, do ombro para a clavícula, voltando para o ombro. Numa atitude primitiva e predatória ele mordeu a jovem Swan naquele local, sem exercer muita força, mas foi o suficiente para deixar Isabella à beira de um colapso, tamanho o desespero sentido.
-Por favor... –Implorou, tentando ter coragem o suficiente para olhá-lo, mas o que encontrou naqueles orbes verdes ela não pôde identificar. Edward Cullen não estava ali, ninguém estava. Era apenas um corpo movido pelos instintos mais primitivos, sem quaisquer sentimentos que poderiam fazê-lo recuar.
Instintivamente tentou se livrar de seu algoz ao sentir a mão tocando nas zonas erógenas, fazendo menção de retirar as últimas peças que cobriam o diminuto corpo. Procurou sufocar seus gritos, temendo que Edward a machucasse. Não pôde, no entanto, conter as lágrimas que rolavam pelo rosto lívido.
As peças foram retiradas com brusquidão e Edward não se intimidou e segurou os seios enquanto tentava beijar Isabella, que sequer reagia a sua tentativa de fazê-la participar do ato. Com a recusa de Bella, muito embora ela não estivesse mais protestando, a raiva que guiava os seus atos sórdidos pareceu triplicar, enegrecendo o coração do rapaz. Após deixá-la nua, afastou-se apenas para abrir a calça social que usava, expondo unicamente o seu membro e penetrando o corpo da menina após abrir as pernas da moça.
Não havia prazer naquele ato, apenas a dor nos locais tocados, mordidos e até chupados, além de uma dor intensa entre as pernas. E havia uma dor maior, que sobrepujava a todas as outras: a humilhação. Bella estava sendo repetidamente invadida pro um estranho, contra a sua vontade, causando nada mais do que dor e sofrimento.
Numa tentativa inútil de proteger a mente do abuso, Bella tentou lembrar-se dos momentos felizes que tivera antes da morte da mãe. Não foi um processo fácil, uma vez que Edward investia com força, em alguns momentos fazendo a cabeça da Swan chocar-se contra a cabeceira da cama. Mas em um determinado momento, como se alguém lá em cima se apiedasse da triste situação, a mente de Bella pareceu evadir do corpo e ela experimentou estar em coma, ainda acordada.
O corpo acima de Bella afastou-se após alguns minutos e um Edward arfante sentou-se na cama. Ficou ciente então do que havia feito e esse despertar da mente, até então nublada por pobres sentimentos, foi como um tapa na cara. Um aperto opressor no peito tomou o corpo do Cullen e, por alguns instantes, não conseguiu respirar. Claro que não adiantou nada olhar para Bella, que tinha os olhos fixos, vidrados, no teto, úmidos pelas lágrimas que ainda escorriam. Nua e exposta Bella estava, de um jeito que ultrapassava o grotesco. Naquela boneca de porcelana Edward viu com absoluta clareza o rosto da mãe, coberto de escuridão, enquanto era seguidamente abusada pelo seu algoz. E Edward, que tanto desprezou o responsável por isso, chegando a manchar as mãos de sangue a fim de fazê-lo pagar, fazia exatamente o que Eleazar Denali fizera com Esme.
Ele estava a ponto de ter uma crise nervosa e achou melhor sair daquele quarto e dirigir-se ao seu aposento. Antes, porém, evitando a todo custo olhar para Isabella, desamarrou as mãos dela presas na cabeceira da cama, cobrindo-a com o edredom. Quis dizer alguma coisa para amenizar a situação, mas desistiu. Seria tolice da sua parte, afinal de contas os danos causados em Isabella eram profundos demais.
Naquela noite, Edward dormiu apenas por que tomou comprimidos para dormir. Enquanto que no outro quarto, após ficar acordada horas a fio, Bella entregou-se a inconsciência, desejando qualquer coisa... Até mesmo um pesadelo. Qualquer coisa era melhor do que a sua realidade.
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