Notas iniciais
Trading Yesterday - Come back to me (https://www.youtube.com/watch?v=3LubQp3fpgo) - Mais uma música queridinha minha dessa banda! :3

Sentados em lados opostos, Edward e Isabela encaravam as respectivas xícaras de porcelana cheias de chá fumegante. Bebericavam pacientemente, embora a paciência fosse apenas uma fachada. Estavam nervosos com a presença um do outro, sem saber como interagir apos todos os episódios que se sucederam nos últimos meses. Era como se, apos tanto tempo vivendo, forçadamente ou não, como um casal, agora eles fossem completamente estranhos.

Isabella se permitiu olhar para o rapaz diante dela disfarçadamente, apos notar que ele encarava a paisagem branca oferecida pela persiana com as cortinas afastadas. Constatou, com tristeza, que a aparência dele era de um homem adoentado. Embora fosse o homem mais lindo e bem vestido que já conheceu, no seu terno preto bem cortado, estava mais magro e pálido. Então Alexandrina, a secretária de Edward, não havia mentido no que dissera: Edward não estava se cuidando. A ausência dela na vida do Cullen foi mesmo tão ruim assim?

Ela queria saber como Edward estava, o que fazia e se resolveu o problema que tinha com Aro Volturi. As palavras, todavia, pareciam travadas na língua e a boca só abria para sorver mais chá. Ela tinha que se policiar para o fato de que a vida de Edward não mais era de seu interesse ou, pelo menos, se convencer disso. Em um dado momento, após a segunda xícara de café, criou coragem para quebrar o gelo, mas tudo o que Isabella conseguiu dizer foi:

–Sabe… -E viu o rapaz dar toda a atenção para ela. –…Eu jantei em um restaurante antes de vir para cá, mas ainda estou com fome. Prepararei algo para mim. No entanto, acho que ficarei desconfortável em comer sozinha. Você comeria comigo?

Edward a olhava com um fascínio desconcertante, como um cego que enxerga a mais bela paisagem apos voltar a enxergar. Era difícil, quando Edward a olhava desse jeito, manter os olhos nele. Ele ainda a amava tanto e parecia tão frágil e perdido!

–Sim. –Ele murmurou, levantando-se junto a Isabella, ao que ela respondeu o gesto pedindo para que ele voltasse a sentar.

–Eu poderia ajudá-la a cozinhar. Ele se ofereceu, deixando a xícara que antes estava nas mãos na mesa de centro e olhando a menina com expectativa.

–Você é o meu convidado, por isso quero que fique sentado e relaxe. Farei algo simples e rápido que não exija muito de mim, por isso não precisarei de ajuda. –E pôs-se a trabalhar na cozinha, tentando não transparecer o nervosismo que ainda a acometia diante da presença de Edward. Ainda sim foi impossível impedir que uma ou outra coisa caísse no chão, por que ela se pegava olhando distraída para Edward, que olhava para a janela mais para dar privacidade a ela do que outra coisa.

Em um dado momento, no entanto, Edward levantou-se do sofá, sentando em um dos bancos do balcão que dividia a cozinha da sala. A súbita aproximação do rapaz surpreendeu a Swan, deixando-a embasbacada. Tentou se concentrar em preparar o risoto e o frango grelhado (o risoto apenas esquentou no microondas e o frango ela temperou e grelhou no fogão), mas volta e meia se distraia com a presença do rapaz.

Embora tenha pedido para Edward não ajudá-la, foi impossível mantê-lo afastado quando este decidiu organizar a mesa, sendo instruído pela morena sobre os lugares da cozinha onde ele poderia encontrar pratos, copos, talheres e guardanapos. Enquanto isso, a menina colocava a comida quente e convidativa no balcão onde jantariam, hermeticamente arrumada em louças de porcelana branca que pertenceram a Renée.

Enquanto comiam, com os olhos quase sempre na comida servida nos respectivos pratos, Isabella sentia uma satisfação imensa em ver Edward comer tão bem. Vê-lo magro como estava e sabendo que tudo era por causa da separação deles, ela se viu na obrigação de tentar fazer algo a respeito. Queria que ele comesse com mais frequência, a fim de recuperar o peso e as forças, mas sequer poderia fazer algo enquanto estivessem separados… Ou será que poderia? Se ao menos Angela ainda trabalhasse com Edward, a Swan poderia alertá-la a ter um olhar mais atento para a alimentação dele. Talvez Angela conhecesse uma das novas empregadas e pudesse fornecer o número de telefone e assim Isabella…

–Seria bom se tivéssemos um vinho para acompanhar o jantar. –O comentário aparentemente despreocupado de Edward tirou Bella da letargia causada pelos sucessivos pensamentos.

–Desculpe, eu não tenho algo assim em casa. Se eu soubesse que teria um convidado, compraria uma garrafa.

–Não precisa se desculpar. Sou eu quem deveria fazer isso, Bel… -Parou. Olhou para a Swan e voltou ao diálogo. – Isabella.

Bella notou que ele evitou chamá-la pelo apelido carinhoso que a mãe deu a ela desde pequena. Sentiu o coração se despedaçar no peito por essa ação tão simples do rapaz.

–Se desculpar pelo que? – Ela questionou.

–Por estar incomodando você. Eu sei que se forçou a comer e teve o trabalho de preparar o jantar por minha causa. Desculpe-me. De verdade. Sei que o melhor para você é que eu me mantenha afastado, mas… -Ele travou, parecendo emocionado demais para dizer qualquer outra coisa.

Talvez aquele fosse o momento ideal para os dois discutirem a relação, ou o que sobrou dela, mas Isabella estava temerosa demais por tocar no assunto. Não se sentia preparada para abrir velhas feridas e reviver os últimos meses de tristeza e angústia que viveu.

–A tempestade de neve amainou. Acho que não terá problemas em voltar até o seu carro. –Disparou, como um mecanismo de defesa contra possíveis decepções. As suas palavras pareceram causar dor no rapaz, uma vez que Edward, que antes tinha uma expressão relaxada no rosto, a olhava com pesar.

–Ah, sim, tem razão. Eu não havia percebido. – Levantou-se, recolhendo a louça e levando-a a pia, apesar dos protestos da morena para deixar a tarefa com ela. Ele retirou o paletó, dobrando a camisa de linho branca até os cotovelos e lavando cuidadosamente a pequena louça. Isabella guardou o resto da comida na geladeira, evitando olhar para Edward e testemunhar novamente aquela expressão de decepção nos olhos esmeraldinos.

Edward terminou com toda a louça, lavada a mão pois o lava-louças havia quebrado, endireitando as mangas e colocando novamente o paletó, fazendo a simples tarefa tão lentamente que parecia postergar a saída. Verdade seja dita, por mais que a presença do rapaz a intimidasse, Bella não queria que ele fosse embora. Por esse motivo, quando Edward perguntou se poderia voltar para fazer uma visita outra hora, ela aceitou sem hesitar, esquecendo-se de pensar nas consequências para os dois, caso a visita dele se tornasse algo freqüente.

Após a partida dele, num gesto impensado, Bella deitou-se no sofá onde ele estivera sentado, pegou a xícara de chá que Edward usou e levou a boca, sentindo como se de fato estivesse beijando os lábios do rapaz. Um pouco da saudade que sentia deve pareceu se amainar com isso. Adormeceu naquele mesmo sofá, a xícara usada por ele nas mãos, e teve bons sonhos como há muito tempo não se permitiu ter.

Edward estava em êxtase desde a noite anterior e mal dormira. Ver Isabella e conversar com ela foi um balsamo para as feridas da alma, apesar de, em um dado momento quando ela disparou que o clima estava bom o suficiente para ele ir embora, ele tenha sentido como se alguém tivesse triturado o seu coração. O fato de Bella ter aceitado uma nova visita era indicativo o suficiente de que talvez ela o quisesse por perto tanto quanto ele queria estar.

–Senhor Cullen, está me ouvindo? –Alexandrina chamou o seu chefe novamente, erguendo a mão para que ele pudesse pegar os documentos que ela oferecia. Edward, despertado dos pensamentos, atendeu a loira, parecendo aborrecido pelo trabalho. E mesmo com a má vontade do chefe em trabalhar, o que implicaria em mais trabalho para ela, a secretária se sentia bem. Podia notar pelo semblante sonhador que algo bom havia acontecido com o patrão e podia jurar que o nome Isabella estava envolvido. Teria o conselho alcançado Isabella? Alexandrina esperava que sim. Um sorriso lhe escapou dos lábios quando deixou a sala do chefe.

Edward estava impaciente. Queria ver Isabella mais do que quis qualquer coisa e mal conseguiu se concentrar nas atividades daquele dia. A noite de ontem ainda estava viva na mente o suficiente para ele quase sentir o perfume de lavanda do apartamento onde ela morava.

Quando todas as suas atividades do dia se encerraram, por volta das quatro horas da tarde, Edward saiu feito um furacão, esquecendo-se de levar o cachecol e as luvas. Apenas se tocou dos itens esquecidos quando o frio se intensificou e ele se viu obrigado a manter as mãos dentro dos bolsos da sobrecasaca quando saiu as ruas.

O coração batia acelerado enquanto ele entrava em um supermercado e fazia compras. Decidiu, poucos antes de encerrar os trabalhos do dia, que faria um jantar para Isabella como forma de agradecer os cuidados dela para com ele na noite anterior. Ele apenas se tocou de que poderia ser cedo demais vê-la quando já havia comprado tudo o que precisava, incluindo o melhor vinho que encontrou na adega do lugar.

Talvez ele devesse vê-la após alguns dias, dar espaço a ela, refletiu. Todavia, quando estacionou em frente a livraria para observar o seu objeto de desejo, qualquer pensamento coerente do Cullen caiu por terra.

Enquanto esperava pelo final do expediente da Swan, sem saber ainda se ele deveria aparecer para ela ou não, e ignorando solenemente o frio que sentia, embora o aquecedor no interior do carro estivesse ligado, ele planejou. Decisões importantes deveriam ser tomadas antes que fosse tarde demais e ambos saíssem novamente prejudicados. Edward deveria se manter afastado, claro, para que Isabella pudesse ter uma vida feliz, longe dos problemas que ele carregava. Embora estivesse sofrendo como nunca sofreu antes, estava disposto a cumprir com isso. Porém, depois do episódio da noite anterior, ficaria nas mãos de Isabella dar um fim ou um recomeço ao que eles tinham. E ele aceitaria a decisão dela, fosse o que fosse.

Quando vislumbrou Isabella na entrada da livraria, vestida em um casaco marrom grosso, cachecol branco envolta do pescoço e uma toca branca na cabeça, parecia que o seu coração iria sair do peito. As mãos tremiam, não mais pelo frio, uma vez que deixou as luvas de couro em uma gaveta na sua mesa no escritório. Fez menção de sair do carro para cumprimentá-la e, claro, oferecer uma carona até o apartamento, mas parou a ação ao ver o mesmo rapaz com quem Isabella jantou na noite anterior no encalço dela. Ele a deteve, puxando assunto e mantendo-a lá. Edward sentiu um impulso de levá-la para longe do rival tão avassalador, que precisou manter as mãos firmes no volante para não fazer nada precipitado.

Abalado com os sentimentos conflituosos que o atormentavam, somado ao medo de perder Isabella, Edward não saiu do veículo, preferindo seguir para casa.

Isabella esperou pela visita de Edward no dia seguinte e nos seis dias posteriores ao encontro, mas nada aconteceu. No segundo dia ela ficou atenta a presença do carro dele, mas não viu sequer algum veículo parecido ao do rapaz. Preocupada, pensou em tentar contatá-lo de alguma forma para saber se algo havia acontecido, mas desistia sempre que a mão ia ao telefone ou os pés iam em direção a um táxi, que poderia levá-la ao apartamento ou ao escritório do Cullen.

A menina estava inquieta e isso se refletiu nas poucas horas de sono, perda de apetite e desconcentração no trabalho. Os dias estavam, inexplicavelmente, menos frios ao ponto de após três dias de neve, as chuvas virem com alguma força, não que Isabella tivesse notado. Ela se perguntou, enquanto atendia a uma cliente na livraria e evitava propositalmente Adrian, se veria Edward de novo.

–Espero que tenha trazido o guarda-chuva, pois está caindo uma chuva daquelas! –Comentou Samantha ao se aproximar de Isabella. As duas olharam para a chuva torrencial que caía.

–Acho que trouxe apenas minha capa de chuva. Espero que seja o suficiente para me manter seca até chegar em casa.

–Você poderia pedir para o Adrian levá-la. Soube que ele está com um carro novo. Ele não iria se importar. –Samantha sorriu para a colega de trabalho num gesto cúmplice que Isabella não acompanhou.

–Não quero incomodá-lo. Além disso, minha casa fica aqui perto. Estarei lá em uma curta caminhada. –Isabella manteve os olhos na paisagem fora da vitrine de vidro, procurando inconscientemente o carro do jovem Cullen.

–Me parece que você está o evitando. Pensei que estavam bem. Adrian estava super empolgado semana passada por ter jantado com você. Ele achou que as coisas entre vocês estariam melhores, mas…

–Sam, o Adrian é um rapaz maravilhoso. Percebo e admiro as qualidades dele. É só que… Eu não posso dar o que ele quer.

–Bella, Adrian aceitará o que você puder oferecer. Ele gosta de você a esse ponto.

–Esse é o problema, Sam.

–Por que diz isso? –E Isabella virou para a menina; os olhos castanhos sem brilho, como se estivessem mortos.

–Eu não tenho nada para oferecer a ele. –Isabella voltou a olhar a paisagem ofertada pela vitrine.

A fim de evitar Adrian, que a olhava como se esperasse algo dela, embora a Swan nada tenha prometido, e a insistente Samantha, Bella saiu sem que ninguém notasse, dez minutos antes do final do expediente. Dedicada como ela era a sua função, ninguém se importaria, uma vez que fizera todas as atividades do dia. Queria ficar um pouco sozinha, longe da pressão de tomar importantes decisões agora.

Talvez Edward tivesse desistido de voltar, mas teria tomado essa decisão por conta própria ou algo que Bella disse ou fez foi o que ele precisava para se afastar? E como Bella deveria se sentir após a suposta decisão? Aliviada ou deprimida? A única resposta que tinha era para a última pergunta: Bella estava muito infeliz.

O choro veio enquanto ainda caminhava para casa. Ah, fazia algum tempo que Isabella não se permitia chorar, sempre ocupando a mente e deixando o corpo exausto o suficiente para dormir rápido. Ela estava se sentindo tão perdida! Queria estar com Edward, mas tinha medo de sofrer de novo. Isabella, afinal, não criou resistência contra o sofrimento, mesmo após tudo o que passou desde a morte da mãe. Era esse odioso medo que a incapacitava o suficiente para não dar o próximo passado em direção ao desconhecido, em direção a Edward. E algo dentro dela dizia que dependia unicamente da Swan, como Alexandrina deu a entender, para que os dois estivessem juntos.

Às vezes é preciso dar um passo, se arriscar e lutar pela própria felicidade; Bella sentia a necessidade de fazer algo a respeito para mudar a sua vida. Outras vezes alguém toma o passo por você, mostrando o quanto é mais corajoso nesse aspecto. Devia ser por isso que Edward estava lá, novamente sentado nas escadarias do prédio dela, olhando para o chão e deixando-se ensopar pela chuva.

Quando viu Edward ali, esperando por ela como aconteceu sete dias atrás, uma mudança dentro de Isabella se operou. Toda e qualquer coragem que ela precisava para poder se mover em direção ao desconhecido que a sua alma sofrida almejava veio com uma força estrondosa. Ela correu em direção a ele ao mesmo tempo em que Edward finalmente percebia o quão perto Isabella estava. Os dois se moveram como poderosos imãs na direção do outro e se agarraram ao outro com desespero, deixando transparecer os meses de sofrida separação.

Permaneceram abraçados por tanto tempo que não saberiam dizer. Bella chorava copiosamente nos braços de Edward enquanto ele, emocionado, tentava consolá-la, murmurando que tudo ficaria bem enquanto a mantinha nos braços dele.

Edward, embora mostrasse calma com a atitude desesperada de Isabella, sentia-se apreensivo. Por que ela estaria tão abalada desse jeito? Teria acontecido algo a ela? Alguém teria feito algo contra ela? E viu, ante a possibilidade de alguém tê-la machucado, o Edward de intento assassino emergir fácil.

Bella tremia nos seus braços e se agarrava a ele como um náufrago agarrando-se a uma tábua. Ele murmurou palavras de consolo, mantendo-a aí e ignorando, assim como ela fazia, a chuva que caia. Condenou-se por se acovardar e passar dias sem aparecer, deixando Isabella sozinha e desprotegida. Talvez ele tivesse evitado algo se tivese ficado por perto.

–Bella, me diga o que houve. Alguém fez algo contra você? –Afagou as costas da outra com gentileza, ouvindo o choro silencioso tornar-se mais audível.

–Por que não voltou? –Ela perguntou, após alguns instantes de silêncio. –Achei que não voltaria mais.

Edward entendeu. Toda aquela tristeza era para ele. Ele, que se ausentou por novamente questionar se era bom para Isabella a presença dele na vida da garota. Ele, que ao se afastar, pensou unicamente nela. Agora ele via com espanto e alegria que o efeito do seu afastamento não causou nenhuma felicidade para ela. E no peito acendeu uma fagulha de esperança de que ainda houvesse resquícios do que Bella sentia por ele o suficiente para que ele pudesse ficar ao lado dela, para sempre.

Afastou minimamente a Swan, quebrando o abraço, e colocando o delicado rosto entre as mãos dele. Encarou com seriedade os olhos castanhos lacrimejantes.

–Eu não irei embora nunca mais, se você me aceitar de volta. –Deu para ela a escolha, pois não queria obrigá-la de nada como muitas vezes fez. O silêncio sepulcral dela o deixou temeroso de ouvir uma recusa, mas logo Isabella o respondeu a altura, beijando-o.

Quando os lábios dos dois amantes se encontraram, uma fome avassaladora os tomou. Presos num poderoso abraço e os lábios fortemente colados, foi difícil sair da chuva e ir para um lugar seco. Foram aos tropeços até o apartamento de Isabella, retirando as roupas molhadas com pressa, ansiosos por estar novamente com o outro. Os lábios jamais se deixavam e as mãos estavam sempre trabalhando, seja despindo o outro, seja tocando na pele fria e úmida. E quando as mãos não desempenhavam esse papel, coube os lábios fazê-lo.

Logo os dois estavam na cama, com Edward sobre o diminuto corpo de Isabella, abraçando-a apertado. Seus lábios e língua exploravam com habilidade a boca pequena e macia para logo mais estender o passeio de suas mãos e lábios para todas as partes do corpo da menina. A Swan arfava. O corpo serpenteando graças o prazer proporcionado por Edward. Perdia-se cada vez mais no prazer, deixando de lado toda e qualquer preocupação que outrora a atormentou. Edward passava pelo mesmo processo, sentindo o coração bater descompassado. Temia que toda aquela ansiedade que o assaltava fizesse com que ele tivesse atitudes imprudentes e assuntasse a morena naquele belo momento de entrega. Felizmente, Edward conseguiu conter seus instintos mais animalescos sedentos pela satisfação que só aquela fêmea poderia proporcionar para dar o prazer calma e romanticamente que Isabella precisava.

As pequenas mãos tateavam o corpo sobre o dela, tentando memorizar cada parte. Com tristeza ela constatou que Edward estava magro, era possível tocar cada uma das costelas e a espinha. Quis chorar, sentindo-se verdadeiramente culpada por ter sido o motivo daquele mal cuidado todo, mas a energia que Edward demonstrava agora, exigindo que estivesse atenta a ele e ao que estava acontecendo. Conseguiu se concentrar nele, o que não foi exatamente tarefa difícil; era fácil se concentrar naquele belo homem que ela continuava a amar desesperadamente.

Por isso deixou qualquer traço de hesitação e o abraçou com força, beijando-o com um ímpeto que poucas vezes se permitiu. As línguas dançavam enquanto os braços de envolviam em um abraço quase doloroso. Edward migrou então seus lábios para os seios, deglutindo-os com vontade, arrancando gemidos ainda mais audíveis da menina. As mãos dela foram para o cabelo do jovem Cullen, segurando-os com o claro intento de arrancá-los, mais por impulso do que por qualquer outra coisa. Deixou Edward agir livremente, deliciando-se com a sensação dos lábios e dedos dele descendo cada vez mais, até chegar a sua entrada úmida. Abriu ainda mais as pernas, dando total acesso ao seu corpo. Logo sentiu a língua do outro, assim como os seus longos dedos, tocar com vigor a sua feminilidade, brindando-lhe com o primeiro dos muitos orgasmos que teve naquela noite.

Embora o que Edward proporcionava era prazeroso demais, priorizando o prazer dela e não o dele, foi com muita satisfação que Bella o puxou, fazendo-o se encaixar nela. A união causou um espasmo intenso nos dois corpos que rapidamente se moveram em busca de satisfação, tentando reatar a conexão perdida de outrora.

Uniram as mãos e se olharam enquanto Edward penetrava fundo o corpo de Isabella. Apesar dos gemidos e da chuva torrencial com direito a trovoadas, tudo o mais parecia estranhamente silencioso.

O jovem casal sequer disse alguma coisa, deixando que os olhos comunicassem todas as palavras não ditas que era de conhecimento deles. Nada mais precisava ser dito, pois eles sabiam o que se passava no coração do outro.

Edward e Isabella se amavam.

Edward e Isabella queriam ficar juntos.

Para sempre.

...

Um barulho incômodo soava distante. Edward abriu precariamente os olhos, tentando se situar do local em que estava. Notou então o perfume dos abundantes cabelos próximos a ele e o peso do diminuto corpo. Não se levantou.

Isabella dormia como um anjo em seus braços, enroscada em Edward e um jeito adorável. Ele queria permanecer naquela posição pela eternidade, mas temia que o barulho do celular a acordasse. Levantou com muito custo, ajeitando a morena nas cobertas. Encontrou o celular embaixo da roupa úmida e viu na tela várias ligações perdidas e mensagens de Alexandrina.

Ele queria ignorar tudo aquilo e voltar para a cama, aproveitando ainda as primeiras horas da manhã e o frio do inverno com Isabella nos braços, mas não foi o que fez. A loira não iria ligar insistentemente à toa, disso Edward tinha certeza. Pensou em ligar de volta, mas acabou por ler a última mensagem enviada por ela, que dizia:

“Ele está a sua procura. Não venha para o escritório. Fique em um lugar seguro.”.

Edward olhou para o celular com uma sensação estranha. Estava com um pressentimento de que algo ruim aconteceria a ele. Sentiu uma vontade súbita de olhar para fora do prédio pela janela do quarto e assim o fez.

Havia uma van preta de película escura na frente e pouco mais afastado o carro que ele reconheceu como de Aro Volturi.

Edward permaneceu em frente a janela, olhando para o seu infortúnio, por tempo demais. Viu com nitidez quando Aro saiu do carro, ladeado de capangas, aparentemente distribuindo ordens. Ele bem sabia qual era a ordem: invadir o apartamento.

Olhou com tristeza para Isabella, coberta apenas com uma manta, dormindo tranqüila. Tão linda! Ele jamais permitiria que algo acontecesse a ela, mesmo que isso significasse perder a vida. Ele não deixaria aqueles homens imundos invadir aquele templo sagrado, perturbando o sono dela e deixando-a possivelmente aterrorizada. O assunto era com ele, afinal.

Vestiu com cuidado as roupas úmidas, sem deixar nada para trás além de um beijo nos lábios de Isabella e um afago nos abundantes cabelos cor de mogno. Saiu com cuidado para não fazer algum barulho que pudesse acordá-la, indo em direção a saída. Aro estava lá, naturalmente, ladeado por alguns capangas já conhecidos de Edward, a exemplo de Felix e Alec.

–Querido Edward, fico feliz que tenha colaborado comigo nessa questão. Seria desagradável invadir a nova residência da menina Isabella. –Aro falava, como sempre com uma classe e amabilidade não condizentes com a sua verdadeira natureza. O Cullen temia mais pessoas assim, que agiam como se fosse amigo dos próprios inimigos, do que com alguém agressivo.

–Seria desagradável envolvê-la de qualquer forma. Espero que seja assim após nós sairmos, civilizadamente. –Reforçou a ultima palavra, vendo os capangas se aproximarem, bloqueando suas possíveis rotas de fuga. É, o assunto devia ser sério para o próprio Aro aparecer. O subconsciente de Edward gritava, alertando-o a tentar uma fuga, mas temia que se assim o fizesse eles poderiam fazer algo contra Isabella, que ainda dormia tranqüila no quarto.

–Civilidade faz parte da minha constituição... –Aro disse de forma singela, os olhos emitindo estranha gentileza. Edward teria acreditado nele se não tivesse recebido um violento soco de Felix, deixando-o inconsciente. -... Mas não faz parte da constituição dos meus homens, infelizmente. –Olhou o rapaz desacordado com pesar. –Tão bom funcionário! Uma pena. Coloquem-no na van.

Após a ordem dada, a comitiva macabra partiu rumo ao desconhecido. Mal ele sabia que uma telespectadora aflita observava a cena da sua janela, horrorizada.

Notas finais
Olá! Peço desculpas pela demora, mas como alguns sabem estou dando aula pela universidade em cidades no interior desde janeiro e fica difícil sentar e escrever quando tenho tanta coisa para fazer. Estou tentando ser produtiva com o tempo que tenho sobrando e espero terminar essa fic até julho. Quanto a Dália Negra, creio que eu vá atualizá-la até sábado, provavelmente antes. Obrigada por lerem, comentarem e indicarem minhas fanfics. Acredito que teremos mais 4 capítulos no máximo até o final, se eu decidir por um capítulo especial como fiz nas fanfics Não é mais um romance literário e O contrato. Para quem gosta dos personagens da trilogia As peças infernais da Cassandra Clare, em especial do casal James e Tessa, comunico que vou postar uma oneshot deles logo logo. Para mais informações tem a página e o grupo Escritos de Jack Sampaio, onde deixo informações, indicações de várias coisas que gosto e me servem de inspiração, etc. Beijos a todas e espero que tenham gostado!