Era um fim de tarde naquele paraíso grego de encher os olhos. O iate atracado a alguns metros da pousada em que o casal estava a dois dias era jogado suavemente contra o cais de pedra. Isabella, encantada com o belo fim de tarde, em tons laranja, rosa e azul, que fazia. E, diante de tanta beleza natural cercando-a, tudo parecia estranhamente se eclipsar diante do rosto angelical de Edward, seu namorado sancionado, deitado em uma rede na grande varanda do quarto deles.

Contemplou o rosto bonito, banhado pelo brilho dourado do Sol poente. Ela o amava e queria ficar naquele paraíso com ele até o fim dos seus dias. Em pensar que houve um tempo em que ela o odiava tanto...!

–Venha deitar comigo. –Edward murmurou na rede, abrindo os orbes esmeraldinos e olhando para a Swan, em pé a poucos metros dele. Como ela continuou parada, olhando-o com surpresa, ele continuou. –Venha. Gosto do seu corpo me aquecendo.

Isabella pareceu acordar da letargia e se aproximou a passos trôpegos da rede onde o rapaz estava deitado. Com a ajuda do Cullen, a menina se deitou, aconchegando-se nos braços musculosos do rapaz como uma criancinha quando está no colo da mãe. Aspirou sofregamente o perfume no pescoço masculino, fechando os olhos. Não havia nada melhor do que estar nos braços de Edward, sentindo-se amada e protegida de uma forma que nunca experimentou nos braços de familiares, amigos e do ex-namorado.

–É o paraíso. –Murmurou a morena na pele do maior.

–O que? –Edward perguntou, mesmo sabendo qual era a resposta.

–Estar aqui, desse jeito, nesse paraíso com você. Eu morri e fui ao céu. –Aconchegou-se melhor nele, sorrindo belamente quando sentiu os lábios de Edward na testa enquanto as mãos despreocupadas do rapaz enrolava nos dedos uma mecha de cabelo.

–Então somos dois. –Edward se deixou levar pela macies, perfume e calor daquele corpo diminuto tão adorado por ele. Era exatamente como Bella descrevera, morrer e ir ao céu. Certamente ter Isabella sobre ele, aconchegada nele, deveria ser o equivalente a estar deitado em uma nuvem, cercado por anjos. Não, não deveria ser igual. Nenhum anjo, ele poderia apostar, poderia ser tão formoso como a criatura ali ao seu lado. Pegou a pequenina mão que repousava no seu peito e beijou a ponta dos dedos dela.

–Quando iremos ao Brasil?

–Partiremos amanha a tarde. Gostaria de permanecer mais alguns dias com você aqui, mas há negócios que exigem a minha atenção.

–Então... Tem haver com aqueles roubos que afetaram Aro Volturi? –Isabella perguntou genuinamente curiosa.

–Sim, Bella. Alexandrina tem me ajudado. Estamos em uma busca implacável desde que os roubos começaram. Tenho valiosos contatos lá que estão me ajudando. Alguém já se apoderou dos negócios de Aro levianamente no Brasil. Precisarei ir para lá. Você irá comigo, é verdade, mas não me acompanhará. Os lugares que eu irei e as pessoas que eu encontrarei não são de boa índole.

Ergueu o rosto, a centímetros do rosto dele, e encarou os orbes verdes. Uma mão foi para o rosto do rapaz, acariciando-o.

–Quero acompanha-lo. –Confessou.

–E vai, Bella. Apenas não a levarei a lugares que poderiam representar perigo. Não quero que corra nenhum risco, ou eu não me responsabilizaria pelos meus atos. Entenda... –E pegou o rosto da pequena entre as mãos grandes, fazendo com que ela pudesse olhá-lo.

Bella viu naqueles olhos verdes uma carga de sentimentos sem igual e desejou ler os pensamentos do rapaz. Ele nunca disse que a ama e, por algum motivo, a morena queria ouvir essa frase dos lábios do rapaz. Tolice, ela sabia. Depois de tudo o que ele fizera por ela, claro que Edward sentia alguma coisa. Ainda sim...

–Me beija. –Ela pediu por ser incapaz de pedir outra coisa. Edward, mesmo espantado com o simples pedido, aproximou o rosto dela até estarem a milímetros de distancia, as respirações mescladas em uma só combinação.

Isabella mergulhou naquele beijo tímido com o furor de uma vitima de afogamento encontrando o ar. Edward logo captou que a menina não queria apenas um leve encostar de lábios, como o que ele pretendia dar. Ele se deixou levar, virando-a na rede e cobrindo o corpo dele com o dela. As línguas se chocavam em uma dança sensual que logo acendeu os corpos.

Isabella envolveu o pescoço do rapaz com os seus braços, puxando-o para si, querendo estreitar os corpos até que não houvesse mais espaço. Edward, após um beijo intenso em que explorou com a língua cada parte da pequenina boca, migrou os lábios para o pescoço enquanto as mãos tateavam o corpo de Isabella por cima do vestido, afastando depois a alça para o lado. Maravilhou-se com a textura da pele daquela fêmea, tão sedosa e convidativa ao toque!

E não era apenas a pele que se encontrava convidativa, toda ela, Isabella Swan, estava assim. Pertencia a ele como ela nunca pertenceu a ninguém, como Edward nunca pertencera. Nada, nem ninguém, poderia mudar essa realidade, ele decidiu. Eles ficariam juntos e por isso, por querer tanto que as coisas dessem certo, ele não contou a Isabella. Não contou o que acontecera a Charlie Swan, o suicídio motivado pela conversa que tiveram certa vez.

–Bella... Preciso contar algo.

–Conte-me Edward. Eu vou ouvir. –Ela estudou a postura tensa e olhos que demonstravam desespero. Doía ver Edward tão atormentado assim e não saber o que se passava e não poder ajudar. Agora ela sentia que ele finalmente contaria o que se passou nos poucos dias em que esteve estranho.

Ela viu os lábios do rapaz murmurarem algo, começarem a dizer algo. Alguma coisa importante e forte o suficiente para fazê-la estremecer antes de alguma coisa ser pronunciada.

O celular de Edward toca e tudo fica em suspensão. Eles continuam se olhando, esperando. Foi Bella quem pegou o celular e, ao reconhecer Alexandrina do outro lado da linha, passou para Edward. Ele conversou com a secretária por alguns instantes. Tensão em cada músculo se tornou ainda mais evidente e por vezes ele olhou para Isabella enquanto conversava baixinho. Após a ligação, surpreendendo a morena, Edward falou do que se tratava.

–Alexandrina quer que eu vá para o Brasil. Ela alega que o meu informante tem pistas de quem está roubando Aro, tentando assumir os negócios na América do Sul.

E ele não falou o que disse que falaria.

Depois da tempestade veio a calmaria, antes da partida deles para o Brasil. Isabella aquiesceu o espírito, uma vez que Edward voltara a ser o homem de antes. O episódio com o rapaz do bar, cujo nome a menina nem mesmo lembrava mais, estava esquecido. E tudo era um mar de flores, onde apenas reinava o amor entre os dois amantes, que pareciam aproveitar todos os minutos juntos como se fosse o último.

E ela não queria que acabasse. Pois Isabella sempre quis, em seu intimo, ser a princesa do conto de fadas. Agora, por mais torta que fosse o inicio a história dos dois, ela estava realizando esse desejo.

Após vários minutos, nus, deitados ainda na rede e mal cobertos, respiravam os dois aos arquejos, absolutamente cansados. Edward beijou castamente a testa da morena, enlaçando-a ainda mais em seus braços rijos. As mãos de ambos iam e viam no corpo do outro numa caricia despreocupada.

–Partiremos para o Brasil amanhã. E você, Bella, irá comigo aonde quer que eu vá. –Anunciou o rapaz, entregando-se a Morfeu minutos depois com Bella acompanhando-o.

...

Isabella nunca esteve em um lugar tão quente. O vestido longo azul marinho que usava parecia cobrir partes do corpo demais, principalmente em um lugar que, na alta estação, fervia de pessoas de biquíni. Colocou óculos escuros a fim de não permitir que a claridade incomodasse seus olhos e um chapéu branco grande. Edward estava mais esportivo do que nunca, usando uma pólo branca, calça caqui e sandálias. O óculos RayBan também impedia que alguém visse os olhos verdes esplendorosos.

–Os funcionários contratados antes da nossa chegada se encarregarão de cuidar dos nossos pertences. –Anunciou o Cullen enquanto os dois desciam do jato particular. O iate, a muito deixado para trás, deixou também lembranças doces de uma época tranquila e cheia de amor. Edward bem sabia que, embora fosse um pais de muita beleza, o Brasil não traria o mesmo clima de outrora.

Ele não queria ter ido até o país. Queria se perder nas águas tranquilas a bordo do iate, na companhia de Isabella. Para sempre. Na companhia da mulher que ele, embora não verbalizado, am...

–Aonde vamos agora? –Perguntou a morena, arrancando-o do devaneio.

–Copacabana Palace. Você precisa descansar da exaustiva viagem. –Acariciou o rosto de Isabella com uma mão. A menina fechou os olhos em contentamento, se deixando levar pela simples, porém significativa carícia.

–E você? Vai descansar comigo?

–Tenho coisas a resolver Isabella.

–Pode resolver depois. Temos muitos dias Edward. –Implorou, mas soube, pelo olhar do rapaz, que ele não cederia.

–Não quero me demorar. Não aqui. Não em um lugar corrompido pelos Volturi. Tão logo resolva minhas pendências, nós partiremos. Até por que Aro entrou em contato comigo. Está impaciente. Precisaremos voltar. –Foi com pesar que proferiu esse discurso e Bella percebeu. Edward claramente não queria voltar. Poderia ela culpá-lo de tal comportamento?

Havia algo no olhar esverdeado que parecia clamar por um alivio das preocupações. Por esse motivo, após a chegada até a melhor suíte do luxuoso hotel, referencia no Brasil, Isabella impetuosamente puxou Edward para o quarto. O contato firme dos corpos, assim como o beijo que se seguiu, conseguiu convencer o braço direito de Aro Volturi a permanecer por algumas horas com a sua amada, até que ambos estivessem satisfeitos. E embora o corpo e a mente clamassem por algumas horas de sono ao lado do corpo quente, macio e perfumado de Isabella, foi com pesar que Edward se levantou. Serviu uma dose de uísque, que deixou em uma mesinha de centro ali próximo, optando por tomar uma rápida chuveirada antes de sair.

Olhou o copo de uísque nas mãos, já quente. Não bebeu uma gota sequer, temendo que o Edward Cullen bárbaro de outrora resurgisse e fizesse alguma besteira. Ele já havia machucado Isabella incontáveis vezes para repetir o feito. A Swan dormia profundamente na grande cama do Copacabana Palace. Enquanto isso ele olhava a linda vista da praia que os seus olhos poderiam ver, estavam no Rio de Janeiro há dois dias.

Precisava sair e resolver o que o trouxera aquele pais exótico. Aproveitaria que Bella estava exausta demais e muito provavelmente não acordaria pelas próximas horas. O caminho que ele seguiria não era exatamente o mais seguro. Por que por detrás da beleza da cidade maravilhosa, havia também um lado escuro.

Vestiu uma roupa excessivamente casual, com um casaco com capuz que lhe permitiria esconder o rosto. Pegou um boné recentemente comprado e óculos escuros. Não queria ser reconhecido como o braço direito do poderoso Aro Volturi, posição esta que poderia ser denunciada caso se vestisse com esmero como muitas vezes o fez. Saiu levando apenas dinheiro, deixando celular e documentos pessoais na luxuosa suíte presidencial.

Um taxi o esperava. Munido de óculos, chapéu e o capuz levantado, procurou ser o mais discreto possível. Entregou o endereço anotado em um papel com uma caligrafia que não era sequer dele e sim de um atendente do hotel que anotou a seu pedido.

Dirigia-se a uma área isolada, nem perto das favelas, nem perto da concentração elitista. Mais parecia um bosque abandonado e por isso pouco frequentado pelos moradores da área. Mal sabiam que, após uma caminhada de vinte minutos, encontrava-se naquele matagal uma luxuosa casa cheia de parafernálias de segurança.

Uma câmera de segurança parecia acompanhar cada passou relutante dado por Edward. Ele não precisou tocar a campainha para anunciar a sua chegada. Tão logo se aproximou da porta de entrada, ouviu-se um clique e ele pôde entrar. E então o jovem Cullen desapareceu para dentro da casa, envolto na escuridão.

...

Não sabia por quanto tempo dormiu, mas já devia estar tarde a julgar pela escuridão do quarto. Tateou o lado da cama em que Edward deveria estar, agora frio pela ausência de horas. Isabella sentiu o desconforto abdominal causado pela fome e já ia procurando o telefone para solicitar serviço de quarto quando notou que a luz da sala em anexo ao quarto estava ligada. Embrulhou o corpo nu com um dos lençóis da cama e caminhou com os pés descalços para lá, antevendo a pessoa que provavelmente estaria naquele cômodo. Não se enganou.

Edward estava sentado em uma poltrona e couro preto confortável. Olhava para o teto, vago, e tinha nas mãos um envelope pardo aparentemente cheio. Os cabelos despenteados e a jaqueta caída do chão, ao lado dele, denunciavam que esteve fora, provavelmente enquanto a morena dormia.

Quando os orbes esmeraldinos se fixaram na morena, precariamente embrulhada por um lençol de seda. Por alguns instantes Isabella teve a impressão que ele não a via, embora os olhos estivessem na sua direção.

–Edward? –Chamou pelo rapaz, parecendo assim acordá-lo do torpor que o envolvia.

–Venha cá querida. –Chamou e estava absurdamente esgotado, pensamento este que Isabella verbalizou.

Quando as mãos puderam alcançar a jovem, Edward a pegou, puxando-a para o seu logo. Tão logo estavam frente a frente, tomou os lábios num beijo que começou calmo, pra findar-se em algo mais selvagem, afastando sem cerimônia o lençol e prendendo o delicado corpo nu ao dele enquanto iam em direção ao quarto.

Deitou a menina delicadamente na cama enquanto os lábios se ocupavam agora de beijar cada centímetro de pelo. Bella gemeu ante aquela caricia e uma parte dela queria aproveitar as diferentes e excitantes sensações proporcionadas pelo rapaz, mas ao mesmo tempo sentia estranheza em tudo aquilo. Edward não estava normal, concluiu. Aconchegou a cabeça do Cullen entre as mãos e o forçou a encara-la. Os olhos estavam sem o brilho de outrora, quase opacos. Assustou-se com aquilo.

Ela não sabia que a mente do rapaz estava a alguma distancia dali, em um evento passado poucas horas depois.

–Está tudo aqui?

–Sim senhor. Cada documento.

–Alguém mais viu isso?

–Não senhor. Acha que eu mostraria isso para mais alguém além do senhor? Não quero parar em uma cova!

–Tudo bem. Deixe-me a sós com isso. Preciso olhar com mais cuidado e creio este ser o local mais adequado.

–Pode ser, mas não demore. Quanto mais tempo passar aqui, mas problemas eu terei. –E saiu o homem, deixando Edward sozinho com o envelope pardo. Prontamente o Cullen despejou os papeis coletados pelo informante no chão, organizando-os de forma tal que pudesse olhar cada um deles. Não se preocupou em organizá-los por data ou o que fosse, afinal de contas tinha pouco tempo para estar naquela casa no meio do nada.

Uma hora se passou enquanto, caminhando pelo aposento no entorno do carpete de papeis, Edward tentava montar o quebra-cabeça. Não era algo difícil para ele, realmente. Aprendera com o oficio de administrador dos bens de Aro Volturi a ter a mente afiada para todo o tipo de coisas.

Olhou para todas aquelas provas diante dele, espalhadas no chão. Uma ideia lhe ocorreu e, à medida que essa ideia ganhava corpo, um rosto foi se formando, deixando-o estarrecido.

Edward sabia agora quem passava a perna em Aro Volturi.

–Edward, esteja aqui comigo! –Implorou a Swan ao que o rapaz pareceu acordar.

–Eu estou aqui para você Bella. –Murmurou, aproximando-se do rosto dela o suficiente para beijá-la. –E estarei sempre. –Completou. Suas palavras foram o suficiente para ela esquecer as preocupações acerca do estado de espírito de Edward e se entregar a ele com presteza.

...

–Foram dias incríveis. –Isabella murmurou em tom sonhador. Edward Apertou a mão dela em sinal de concordância.

–Repetiremos essa façanha em breve. Eu prometo. –Edward dizia em tom apaziguador, demonstrando uma tranquilidade que não existia. Ele estava tenso. Tenso com a descoberta acerca da pessoa que descaradamente prejudicava Aro Volturi e atribuía a culpa a ele. Tenso ante a possibilidade de descoberta da morte de Charlie, muito embora Alexandrina, em uma conversa que Bella não testemunhou, tivesse garantido que a noticia não era mais divulgada.

Estavam os dois junto a Erick, sendo levados para o apartamento do rapaz. Os empregados sabiam da chegada e aguardavam ansiosos a chegadas do patrão e sua mulher, menos Lauren que, como sempre, desprezava o trabalho doméstico e lançava olhares cheios de ira para qualquer um que falasse de Isabella com carinho.

A loira estava descontente. A ida repentina do patrão para longe com Isabella, num clima de lua de mel, a deixou surpresa e irritada. Ela bem poderia imaginar que, com toda essa aproximação, longe dos problemas e do trabalho, os pombinhos viriam mais unidos do que nunca; Não se enganou.

Segurou a bile quando viu com que grau de intimidade o casal estava após a chegada deles na casa. Edward não parava de tocar em Isabella, como se a falta de contato dos corpos causasse agonia. Além disso, a forma como olhava para a Swan era de invejar qualquer pessoa, especialmente alguém como ela, obsecada por Edward desde o primeiro dia em que pisara no local.

Algo precisava ser feito ou, se continuasse testemunhando tantas provas de adoração, ela enlouqueceria! E havia algo, algo que somente com a sua capacidade de observação e intuição poderia acabar com aquela momentânea paz. Ela esperaria pacientemente, como um grande felino diante da presa, pelo momento mais oportuno. E então seria o fim.

Não passou despercebida pela menina que Edward saiu em viagem com Isabella, ficando incomunicável, no dia em que a imprensa noticiou o suicídio de um tal Charlie Swan. Um pouco de pesquisa foi o suficiente para ligar aquele homem de histórico problemático com Isabella. Ele era o querido pai que ela ajudou a salvar, sacrificando tudo.

Teria Edward contado a verdade ou fugido para que Isabella não soubesse como Lauren supunha? Só havia uma forma de descobrir. Precisaria apenas ser cautelosa, embora essa não fosse uma palavra em que estivesse habituada. Uma hora Edward sairia a fim de cumprir com as suas obrigações, deixando Isabella, como sempre sozinha. Ou ela ainda seria a secretária dele, acompanhando-o como um cão? Ela esperava que por apiedar-se dela, pelo fato de terem chegado de uma viagem exaustiva, Edward deixasse a morena na casa.

Para o seu azar Edward não saiu como previu. Permaneceu por lá, sempre no encalço de Isabella, não por temer a sua fuga como outrora, mas por que parecia sentir genuíno em estar perto da morena o tempo todo e Isabella, longe de parecer incomodada, compartilhava esse prazer. Era nojento. Aguentou o melhor que pôde, amaldiçoando a menina por ter tanta atenção e carinho que nunca vira o patrão dar a ninguém, nem mesmo a Jessica.

Estaria Edward Cullen, braço direito de um dos maiores criminosos do mundo, amando Isabella Swan?

Seja qual fosse o sentimento nutrido pelo rapaz, Lauren faria o possível para acabar com aquilo e, a julgar pelas observações feitas, sabia exatamente o que fazer. Ninguém pareceu notar o sorriso nos lábios e o brilho demoníaco no olhar que ela sustentava.

...

Posso ir ao escritório com você amanhã? –Perguntou a morena com a cabeça repousada no peito de Edward. Acariciava o peito alvo e musculoso com uma delicada mão. Edward encostou a cabeça nas madeixas dela, aspirando o perfume que existia ali.

–Alexandrina voltou ao trabalho. Não há necessidade de voltar. –Falou num tom brando, mas independente disso viu a menina se enrijecer nos seus braços. Tratou de se corrigir. –Sei que não quer ficar tranada aqui como antes e não quero isso para você também. Mas confesso que não me sinto confortável tendo você no escritório. Lá é um lugar que nem sempre oferece segurança, você sabe. Ainda não consigo apagar da mente aquele dia em que você foi agredida por um dos capangas do Aro.

–Mas o que eu faria? –Ela se ergueu o suficiente para olhá-lo. Edward sorriu, acariciando em seguida o rosto de Bella.

–Você tinha planos antes das coisas desandarem na sua casa. Como a aluna aplicada que foi na escola, certamente queria ir para uma faculdade. Acho que já adiou esse sonho por tempo demais. –E viu a menina arregalar os olhos, incrédula. –Apenas escolha o que deseja fazer e terá todo o meu apoio. Sequer precisará se preocupar com uma bolsa para custear os gastos.

Ela não sabia o que dizer. Simplesmente abraçou Edward o mais apertado que pôde, enquanto lágrimas escorriam pelos olhos. Um sonho. Bella havia enterrado o seu sonho de prosseguir com os estudos a fim de cuidar do pai mentalmente instável. Os braços do rapaz a apertaram mais contra o corpo nu, adorando a sensação do corpo e do calor que a sua mulher proporcionava. Era como estar no paraíso, mesmo para alguém condenado como ele.

Ouviu um “obrigada” precariamente murmurado contra o seu pescoço. Sentiu-se um tolo por ter negligenciado o querer da mulher com quem agora vivia por tanto tempo, mas bem sabia que o seu ciúme e egoísmo de outrora eclipsava quaisquer pensamentos coerentes. Agora que a paz reinava no relacionamento deles, Edward poderia fazer os sonhos daquela pobre menina se realizar, para sempre.

Pouco antes de adormecer, sentiu algo acaricia-lo no rosto, uma mão cálida já familiar. Sorriu. O sorriso se ampliou quando ouviu um “eu te amo” murmurado ao pé do ouvido mais, cansado como estava, na pôde responder. Ele se perguntou se tudo estava obvio demais, até mesmo para ele, sobre os seus sentimentos. Talvez não estivesse pra Isabella, uma vez que ele não ousara pronunciar as palavras, mas era fato para ele. Edward amava Isabella como nunca amou nenhuma mulher, como nunca amou ele mesmo. E silenciosamente rezou para que um dia ele fosse capaz de proferir as palavras.

...

Ele havia saído.

Lauren mal dormira, esperando pelo momento em que Edward sairia para os seus compromissos de pras. Estava mais do que ansiosa para dar fim a felicidade do jovem casal. No entanto, não o fez assim que Edward cruzou a porta. Isabella, acordada, parecia sociável demais. Quis ficar na companhia dos empregados, perguntar como fora enquanto estava longe e até ajudar a preparar o almoço.

Maldição!

Os sapatos de Lauren batucavam o chão, impaciente. Sim, impaciente. Ela queria destruir corações, esfarelar almas até o osso. Até a existência do nada. Ela queria, enfim, vingar a querida amiga Jessica, que certamente não descansava. Queria maltratar Isabella, que ela sempre odiou. Queria punir Edward pelo que fizera, criminoso, a amiga e a ela mesma, uma vez que nunca correspondeu ao seu amor tolo.

Esmagar corações!

Esfarelar almas!

Se ela, a pobre empregada, não poderia ter alguém como Edward, Isabela não teria. Ninguém teria.

–Parece cansada da viagem Bella. Já ajudou no que pode com o almoço, por que não descansa um pouco? –Sugeriu Angela, parecendo preocupada com Isabella.

–Acho que vou seguir a sua recomendação. Edward quer sair para jantar hoje. Preciso estar descansada para aproveitar. –Levantou-se da cadeira em que estava sentada e caminhou em direção ao corredor que dava acesso aos quartos principais.

Lauren acompanhou cada movimento com os olhos fixos na menina, saindo pela tangente assim que teve a primeira oportunidade, com a desculpa de que descansaria em um dos quartos de hospedes. Como era rotineiro a loira negligenciar o seu trabalho, ninguém suspeitou. Se esgueirou pelos corredores até chegar ao quarto, onde Isabella havia entrado.

–Angela, você... –Interrompeu o que falaria quando notou Lauren, e não Angela, no quarto. –O que faz aqui? –Perguntou num tom ríspido, atípico da sua personalidade doce e comedida.

–Serviço de utilidade pública eu diria. Passou tanto tempo isolada que provavelmente não sabe das novidades, — Jogou-se na cama da morena, espreguiçando-se.

–Não desejo ouvir nada que vem de você. Suas palavras são como veneno e não pretendo me contaminar. Saia!

–Podem ser carregadas de veneno as minhas palavras, mas nunca menti para você. Ou menti? Tudo o que eu disse sobre o Cullen e o passado tenebroso dele se confirmou.

E era verdade. Lauren podia ser peçonhenta, mas nunca mentiu. Todavia, ao contrário das outras vezes, Isabella sentia-se tranquila. Não havia mais muros que a separavam de Edward. Ela sabia de tudo graças ao rapaz que se disponibilizou a contar a história trágica da vida dele. Isabella estava em um forte impasse. Uma parte dela, que odiava ser aborrecida e confiava em Edward, queria mandar Lauren para o inferno. A outra, mais cautelosa, desejava ouvir o que a loira tinha a dizer, fosse o que fosse. Foi então que Isabella, num momento de distração, pegou a outra olhando para ela e sentiu o corpo inteiro sofrer com um espasmo.

Havia algo maligno nos olhos de Lauren. Mais do que algo maligno, havia também um segredo que Lauren queria compartilhar e Bella precisava saber. A morena sabia que não devia confiar na loira, mas, parando para pensar, Lauren, apesar do antagonismo que nutria para com Isabella, nunca mentiu.

–O que tem para me dizer que Edward supostamente me esconde? Diga de uma vez!

Lauren sorriu ante a sua vitoria. Sempre soube que conseguiria desestabilizar a Swan, afinal de contas a morena era fraca. Ela era a mais quebradiça das bonecas de Edward Cullen.

–Por que dizer e estragar a surpresa? Eu a conheço Swan. Sei que vai desacreditar as minhas palavras tão logo eu pronuncie. Pois bem, aproveite a sua pseudoliberdade que Edward concedeu a você e veja com os seus próprios olhos. Volta para a casa que um dia você chamou de lar e veja o seu querido papai.

Bella jamais esqueceria o sorriso diabólico estampado nos lábios da empregada. Viu aquele sorriso mesmo quando Lauren, satisfeita com o impacto de suas palavras, deixou o quarto.

Sentou-se na cama, sentindo um mau pressentimento. O seu pai? Mas Charlie estava em algum lugar em segurança, não é? O que teria acontecido com ele? E Edward? Ele sabia de algo? Foi isso o que Lauren insinuou, que o motivo para Edward retirá-la tão depressa da cidade seria para que ela não descobrisse algo.

Isabella poderia ligar para Edward, que estava no escritório, e exigir explicações. O celular estava na sua bolsa, perto dela. Precisaria apenas esticar uma mão, pegar a bolsa, retirar o celular e procurar o telefone do namorado na agenda. Todavia...

...

–Erick, preciso das chaves do carro. –Isabella anunciou ao entrar na cozinha, satisfeita por, pelo menos, não ver Lauren.

–Bem, elas estão comigo. A senhorita vai sair? –Perguntou o adolescente.

–Sim. Edward me ligou, ele quer que eu vá à empresa para levar uns documentos que ele esqueceu comigo. –Mostrou um envelope pardo nas mãos que pegara no escritório de Edward; não havia nada no envelope.

–Eu posso fazer isso para a senhorita. Não precisa dirigir até lá.

–Gostaria de eu mesma fazer isso. Não estou cansada da viagem como pensei que estivesse. Quero gastar a energia que tenho. –Tentou parecer tranquila para não despertar a desconfiança. Conseguiu. Os funcionários parecia estarem confusos por ela querer ir à empresa.

–Então eu posso levá-la senhorita. –Erick retorquiu.

–Vamos. Me de algum crédito. Sei dirigir muito bem, mas preciso fazer isso as vezes para não enferrujar. –Sorriu. Nunca sorrir fora tão difícil para Isabella. –E Edward não vê nenhum problema em eu ir. É um trajeto curto, afinal.

Com relutância, Erick entregou a chave do carro. A menina não foi de imediato. Queria que os funcionários acreditassem na sua historia e não alertassem Edward ou qualquer outra pessoa que poderia impedi-la de sair. Após vinte minutos de conversa, Bella saiu, praticamente correndo quando ficou fora da vista dos empregados.

Não foi difícil localizar o carro, pois já estava familiarizada com o lugar destinado aos carros do Cullen. Foi difícil, contudo, a simples tarefa de ligar o carro. As delicadas mãos estavam tremulas demais, impedindo que executasse com precisão uma simples tarefa.

“Você não tem tempo a perder!” –Pensou, conseguindo ligar o carro.

...

–Essa é uma situação complicada senhor.

–Eu sei Alexandrina. Preciso pensar com calma como resolverei essa situação. Nada está ao meu favor. –Edward suspirou, afrouxado a gravata. Desde a descoberta no Brasil da pessoa responsável pelo roubo, ele não estava tranquilo. Nem mesmo Bella, que sempre o acalmava, foi o suficiente. Bella...

Diante dos problemas presentes e futuros, de repente Edward quis ouvir a voz dela. Quem sabe assim poderia se tranquilizar, ainda que pouco, da situação caótica em que se encontrava. E foi exatamente o que fez. Após a saída de Alexandrina de sua sala, ligou para Isabella, esperando que a mesma não estivesse dormindo. Ela não atendeu o celular, provavelmente por que estava dormindo. Edward enviou uma mensagem, dizendo que estava louco para vê-la logo e deixou o celular em cima da mesa, ao seu lado.

A angústia que sentia parecia apenas aumentar. Estava diante de um problema tão grande e, pela primeira vez, não sabia como resolver. Logo Edward Cullen, braço direito de Aro Volturi, que sempre se gabou de ter uma solução antes mesmo de se familiarizar com o problema. Agora ele parecia um menino perdido, que não conseguia ver nenhuma solução além de se lastimar.

Esfregou os olhos. Sentia-se exausto. De fato ele pouco dormiu nas últimas noites e, agora, admitia que não fora uma boa ideia vir direto para o escritório. Deveria ter ficado em casa com Bella, descansando e recuperando as formas de todo estresse físico e emocional que passou nas últimas semanas.

Levantou-se da poltrona em que estivera sentado, vestindo o terno que ali descansava. Pegou o celular, colocando-o no bolso. Iria para casa descansar e, quem sabe, clarear a mente.

–Alexandrina, eu estou encerrando por hoje. Irei para casa. Você pode ir também.

–Tenho coisas para resolver ainda senhor. Ficarei por mais uma hora.

–Tudo bem. Nos vemos amanhã. –E saiu, deixando a eficiente secretária e, quem sabe, os problemas para trás. E por querer tanto vê-la, acelerou como nunca enquanto dirigia, grato pela distância da sua casa até o edifício onde estava o seu escritório não ser tão grande.

Esperava encontrá-la assim que pisasse no apartamento, mas não a viu nos cômodos que teve acesso de primeira. Encontrou os empregados reunidos na cozinha, aparentemente ocupados; com exceção, claro, de Lauren, que não gostava de fazer nada.

–Isabella está no quarto? –Perguntou com casualidade, chamando a atenção de todos. Ficaram espantados por ver o patrão tão cedo em casa.

–Senhor Cullen, bem vindo. Não sabíamos que viria mais cedo. –Disse Angela.

–Não estava nos meus planos. Pensei em ficar o dia todo no escritório resolvendo alguns problemas, mas estou cansado. Decidi descansar por mais um dia. E a Bella? Onde está?

–Hmmm ela devia estar com o senhor. Saiu daqui a três horas atrás e disse que levaria um documento que o senhor esqueceu aqui. Quis ir dirigindo sozinha e não aceitou que eu levasse o documento por ela ou, pelo menos, a levasse até a empresa. Como ela disse que o senhor não viu problema, eu entreguei a chave do carro e...

–DOCUMENTO? DO QUE DIABOS ESTÁ FALANDO? –Edward vociferou. Pela visão periférica captou algo em sua direção vindo de Lauren. A loira tentava esconder um riso. –Saiam todos daqui. Quero ficar a sós com Lauren. –Edward pediu com uma calma absoluta, o que era mil vezes pior do que vê-lo irritado. Os empregados obedeceram.

–Então quer ficar a sós comigo? Que excitante!

–Diga logo de uma vez o que você fez, sua vaca maldita! –Toda a raiva dos olhos esmeraldinos foi direcionada para a única empregada do recinto. Lauren não se abalou. Em verdade aquele olhar a deixava excitada. Adorava Edward de qualquer jeito, tamanho o sentimento que nutria, inclusive com ódio como estava.

–Por que acha que eu tenho haver com as mentiras que a sua escrava diz?

–Bella não é a minha escrava. E eu a conheço bem para saber que fez algo contra ela, que está envolvida de alguma forma. Posso ver isso nos seus olhos. Diga de uma vez, ou serei obrigado a arrancar as respostas as minhas perguntas à força!

–Você ouviu o que Erick disse. A senhorita foi até a sua empresa para levar uns... –Sentiu o corpo ser prensado na parede e uma mão grande fechar-se envolta do pescoço. A pressão exercida não parecia apenas para assustá-la. Edward tinha um intento assassino que parecia se manifestar mais e mais. Lauren o olhou assombrada.

–Não brinque comigo vadia. Fale de uma vez! –Edward estava irado. Queria partir o pescoço de Lauren por sequer pensar em incomodar alguém já tão atormentada como Isabella. Viu a empregada tentar se libertar das mãos, como se só agora acreditasse que ele poderia matá-la, olhando com espanto.

–Provavelmente foi para a casa do pai! –Falou rápido, entre um fôlego e outro. Edward a soltou de imediato e Lauren caiu de joelhos no chão, tossindo.

–Pegue as suas cosias e saia daqui imediatamente. Não quero mais encontrá-la quando eu voltar.

–Vai me expulsar mesmo sabendo que posso fode-lo, contando tudo o que eu sei? Contando que você é um assassino! –Voriferrou Lauren quando Edward saia da cozinha. De imediato o rapaz voltou e quando ela conseguiu vê-lo melhor após se levantar do chão, congelou.

Edward segurava uma faca de cozinha que pegara em cima do balcão. O olhar que lançava era de um ódio de gelar a espinha. Caminhou a passos lentos até uma mulher congelada com vestes de empregada e cravou a faca ao lado da cabeça dela, causando um arranhão na orelha direita.

–Isso mesmo, eu sou um assassino. Por isso deve me temer vadia, por que posso mandar você para o inferno como fiz com a sua amiguinha. Não me custaria nada e sequer eu seria acusado de alguma coisa. Com a influência de Aro, você seria mais uma usuária de drogas morrendo de overdose nas ruas. É isso o que quer? É ISSO O QUE QUER? –Gritou no ouvido de Lauren que estava estática de medo. O comportamento taciturno que sempre a excitou agora lhe causava um pânico sem precedentes. Temendo pela sua vida, Lauren correu em direção ao pequeno quarto em que dormia. Edward tinha agora a certeza que ela iria embora após as ameaças.

“Então o monstro se esconde na superfície... Não! Não é o momento para refletir sobre coisas que fogem do meu controle. Preciso encontrar Isabella antes que ela descubra algo!” –Seguiu para fora do luxuoso apartamento em que vivia a passos rápidos. Após sair do elevador, estava correndo até o carro. Quando chegou ao veiculo, saiu em disparada, sem se preocupar com a velocidade absurda que o carro chegara a poucos segundos.

Foi preciso um esforço hercúleo para conseguir se concentrar no tráfego intenso que encontrou quando foi para uma das principais avenidas. Em alguns momentos, quando a pressa superava o bom senso, o que aconteceu com frequência, dirigiu pela calçada, entre transeuntes assuntados. Edward poderia ter atropelado várias pessoas e, ainda sim, não teria se importado.

Como foi burro em pensar que viveria feliz, longe dos problemas! Como foi burro em pensar que esconderia para sempre a verdade de Isabella! Arrependeu-se por não ter contato, a sua maneira e com calma, o que acontecera a Charlie. Poderia ter poupado a Swan de saber de forma traumática, embora não soubesse o que exatamente Lauren contara a ela. Sequer sabia há quanto tempo Isabella estava desaparecida, o que poderia significar que talvez não estivesse mais na casa do pai.

Edward conhecia o endereço. Foi lá para alertar Charlie do que ele estava fazendo, ainda que inconscientemente, a filha. Tinha conseguido o endereço com o seu chefe, Aro Volturi. Não teria problemas em achar o endereço no subúrbio, mas temia o que iria encontrar. Provavelmente uma Isabella colérica por ele não ter contado a verdade. Ele já havia se habituado demais a ser amado para ser novamente rechaçado por ela. O mero pensamento dos dias negro, quando eles se odiavam, era o suficiente para causar náuseas.

Dirigiu por cerca de meia hora, praticamente pulando do carro quando o estacionou de qualquer jeito quase em frente a casa de Charlie Swan. Viu estacionado o carro que Erick utilizava para as tarefas domesticas e teve a certeza que Isabella ainda estava lá.

Edward não entrou de imediato.

Após a adrenalina da chegada, agora ele precisava, ainda que em pouco tempo, pensar no que diria. A verdade, concluiu rapidamente. Dizer a verdade e esperar que o amor de Bella por ele fosse capaz de perdoá-lo pela grave falta cometida. Sim, não havia outra forma de lidar com o que fizera se não desse jeito. Bella cederia. Ela estaria arrasada pela morte do pai e precisaria de alguém para consolá-la. Seria arredia no começo, mas cederia a Edward, como sempre. Além disso, não havia como saber que Edward estava envolvido na morte do pai. Ninguém, nem mesmo Lauren, sabia desse fato. Charlie sabia, mas havia levado o segredo para o tumulo. Isabella ficaria com raiva por ele não ter falado sobe a morte do pai dela, mas entenderia que Edward fizera isso por querer proteger a menina do sofrimento.

Saiu do carro, caminhando lentamente pelo gramado. A porta estava entreaberta e tudo em seu interior estava escuro. Tentou acender um interruptor, sem sucesso. Claro, com as contas em atraso, o fornecimento de energia fora cortado.

–Bella? –Chamou, esperando ouvir algo, como um choro ininterrupto. Nada. A casa estava sinistramente silenciosa. Edward sentiu um aperto com isso. O normal seria ouvir algo, um lamento, o que fosse da menina.

Um brilho mortiço chamou a sua atenção no segundo andar. Foi para lá que se dirigiu, sentindo a pulsação aumentar e a respiração ficar ofegante. Edward estava apreensivo. A única coisa ouvida eram os seus passos nas escadas que rangiam.

–Bella, está aí? –Chamou novamente, sem resposta. Uma sensação estranha foi tomando conta do rapaz.

Seguiu para o único cômodo em que havia alguma iluminação. Como não havia energia, provavelmente o brilho vinha de alguma janela aberta. Não se enganou. No quarto evidentemente masculino, as cortinas abertas deram espaço para a luz da tarde entrar.

Caminhou para o interior do quarto, notando um porta-retratos em evidencia com uma foto de Charlie e Bella, abraçados e sorrindo, enquanto Charlie ostentava um peixe em uma das mãos que pescara. Edward pegou a fotografia e sentou-se na cama. O barulho de papel sendo amassado quando sentou chamou a sua atenção e ele pegou o papel.

Não pretendia ler, mas o nome “Bella” logo no inicio chamou a sua atenção. Os olhos foram captando as palavras-chave da mensagem endereçada a namorada e, quanto mais Edward captava o conteúdo da carta, mais desesperado ele ficava.

Maldito Charlie! Fodeu tanto a vida de Isabella! E antes de bater as botas, fez questão de contar o que de fato o motivou a cometer o suicídio, deixando claro que soubera do que a filha passava através de Edward. Como o Cullen o odiava! Se Charlie estivesse vivo, provavelmente Edward iria obliterá-lo com as próprias mãos.

–Desgraçado! –Amassou a carta, jogando-a no chão. Suspirou audivelmente. A casa ainda estava silenciosa, o que provavelmente indicava que Isabella teria ido embora sem levar o carro, facilmente rastreado por ele.

Edward estava desnorteado. Para onde Isabella teria ido agora? Como iria encontrá-la se não tinha a mínima ideia dos possíveis locais em que ela poderia ter se refugiado? Afinal de contas, ele pouco sabia sobre a antiga vida dela antes de se tornar sua propriedade. Os poucos detalhes fornecidos pela Swan não foram suficientemente claros.

Edward tentou suprimir o máximo que pôde a angustia de não saber onde estava a sua namorada, pois sabia que manter-se calmo era a chave para conseguir traçar um plano e encontrá-la.

Foi por uma fração de segundos que ele captou pela visão periférica. Num canto do banheiro anexo ao quarto ele pôde vê-la e o que viu o deixou completamente...

–Bella... –Correu até o corpo desfalecido da garota, deitado de qualquer jeito no chão do banheiro do quarto. Ao seu redor ele notou vários frascos de remédio, a maioria calmantes e remédios para dormir. Todos vazios. Vazios por que, provavelmente, Bella os tomou.

–BELLA! BELLA! BELLAAAAAA!

Notas finais
Peço desculpas pela demora, mas a minha vida está tumultuada demais. Problemas de saúde meus e da minha mãe à parte, além dos estudos e trabalho, obrigada pela espera. As coisas do lado de cá estão se resolvendo da melhor forma possível, por isso ainda não desisti da escrita. Obrigada por todo o apoio e mensagens de carinho que tenho recebido sempre. Vocês são os melhores leitores que alguém poderia querer. Um beijo em cada um de vocês e até o próximo capítulo.