Notas iniciais
Ouvindo CHVRCHES - Bela Lugosi's Dead (Vampire Academy soundtrack) e The XX - Angels

O mundo girava, girava... Maldito vinho, Isabella pensou. Malditas doses de um bom vinho, música e o balanço do iate para lá e para cá. Lembrou-se da noite divertida que tivera com Edward, o jantar a luz de velas na proa, o vinho e os pratos, a música que dançaram, bêbados, o quase sexo na suíte principal antes de Bella apagar.

Claro que não dormiu o sono dos justos após deitar tarde da noite. Despertou e foi auxiliada por Edward quando passou mal. Após vomitar tudo o que havia comido, bebido um copo de água e um remédio contra enjoo, ela pôde dormir novamente.

Agora estava na suntuosa cama, olhando para o grande quarto de decoração náutica com os olhos embaçados. Espreguiçou-se na cama, mas não levantou. Ouviu então o barulho na porta e Edward passou por ela, vestido numa calça de algodão azul e uma camisa branca. Carregava uma bandeja nas mãos, que deixou em cima de uma mesa no quarto. Sorriu ao ver Bella desperta.

–Bom dia. Imagino que não esteja se sentindo bem.

–Você bebeu vinho tanto quanto eu. Por que sempre acorda tão... Legal? –Isabella perguntou, escondendo o rosto com o travesseiro quando Edward abriu as cortinas da persiana.

–Por que estou acostumado a beber. Você raramente o faz e quando faz não se controla. –Foi em direção a cama e se sentou. Inclinou-se o suficiente para beijar a menina docemente, deixando-a toda derretida. –Estamos ancorados. Receberemos uma pequena tripulação que nos acompanhará até a próxima parada.

–Tripulação? Então não ficaremos sozinhos?

–É só por dois dias. Assim alguém pode conduzir o barco enquanto nos divertimos e pode preparar as refeições. Eu não aguentaria velejar por muito tempo. –Para a surpresa de Isabella, Edward foi puxando as cobertas, deitando-se ao lado dela. Cobriu os dois com o edredom. Ao fundo o som do mar chocando-se lentamente contra a estrutura solida do iate.

–Edward, qual é o nosso destino e por quanto tempo?

–Importa? –Ele perguntou com uma calma surpreendente enquanto alisava o cabelo da morena. Isabella, apesar da dor de cabeça, foi relaxando diante daquele toque tão despreocupado.

Ela queria perguntar o porquê da decisão repentina de viajar. Queria saber o que poderia estar atormentando novamente o rapaz e, quem sabe, ajuda-lo. Mas tudo o que conseguiu dizer foi...

–Não. Não importa.

...

A pequena tripulação, composta por um comandante, uma cozinheira e uma copeira, embarcaram no iate pouco tempo depois. Eram simpáticos, vindos de algum país onde o idioma oficial era o espanhol, mas falavam fluentemente o inglês. Eficientes como eram, mal foram notados durante as horas que se seguiram, navegando pelo mar e contornando as ilhas gregas.

Fotos e pequenas filmagens foram feitos por Edward enquanto via a menina comer alguma coisa, apreciar a vista no deque ou até mesmo passar uma leve maquiagem diante do opulento espelho. Embora diante dele existisse uma paisagem espetacular, era ela o centro das atenções. Ele queria memorizar o rosto bonito maravilhado com as coisas bonitas do mundo. E era nesses momentos, enquanto ele, agora, após toda a tripulação se recolher, com exceção do comandante que guiava o iate, que ele a vida olhar para o céu absurdamente estrelado, que ele se perguntava se existia coisa mais bonita que Isabella Swan... E quanto tempo ele teria para observa-la. Não, ele não queria pensar no fim como algo que aconteceria assim que retornasse.

Atracaram em Aegina, uma das poucas ilhas habitadas. A tripulação desceu, prometendo o retorno após a partida que seria dali a dois dias. Edward e Isabella, sozinhos no deque, se entreolharam e sorriram. Ter pessoas para fazer o trabalho era bom, mas poder ficar sozinhos era muito melhor.

–Sei exatamente o que está pensando, senhorita Swan, e não pense que não quero o mesmo, mas está na hora do almoço. –Ele se aproximou, envolvendo a delgada cintura com os braços. Os lábios percorreram o pescoço, causando arrepios na menina. Sussurrou em seu ouvido. –Mas depois do prato principal, vem a sobremesa. Nunca se esqueça disso. –Lambeu lascivamente a orelha dela, causando espasmos de prazer. Bella fechou os olhos, entregue a caricia e desejando mais daquele homem tão sedutor.

–Não estou com fome. –Afirmou numa voz fraca, mas o ronco do seu estomago entregou a mentira. Edward riu, afastando-se minimamente dela.

–Não se preocupe. Vou satisfazer as suas duas fomes. Essa ilha é conhecida pelos pequenos restaurantes e pelas iguarias feitas com frutos do mar.

Enquanto passeavam pelas ruas estreitas e subiam e desciam ladeiras, Edward segurou delicadamente a mão de Isabella. Por vezes ela olhou para aquela mão, uma mão que tempos atrás a agrediu, mas que agora a afagava mais do que todos os afagos que um dia recebeu. Pararam em uma lojinha e Edward comprou uma pulseira de conchas que Isabella adorou. Seguiram para o porto, pedindo o peixe a moda da casa. Comeram e conversaram sobre as suas impressões das belas paisagens que presenciaram.

Isabella olhou de canto de olho para Edward em alguns momentos. A forma como o vento soprava e bagunçava os cabelos acobreados de Edward, mais o rosto tranquilo, davam a ele um aspecto adorável. E o pequeno sorriso despontando nos lábios que ela tanto beijou indicavam que ele estava feliz. Olhou para a pulseira de conchas no pulso e uma ideia passou pela sua cabeça. Riu.

–O que foi? –Ele perguntou a Isabella, que continuava rindo.

–Nós parecemos namorados.

–E o que há de engraçado nisso?

–Podemos ser tudo, menos algo tão convencional como namorados, Edward.

–Pois para mim você é a minha namorada. Não importa como esse relacionamento começou Isabella, importa o agora. –Ele esticou a mão, segurando a mão da morena. Isabella, chocada com a declaração, que era o mais próximo de uma declaração de amor que recebera do Cullen, não se conteve. Uma lágrima passeou livremente pelo rosto pouco maquiado, mas bonito. Edward, surpreso, levantou-se da cadeira onde estava sentado e se ajoelhou ao lado de Isabella, ainda mantendo a pequenina mão entre as suas.

–Pensei que ficaria feliz com minhas palavras. –Ele disse com pesar, interpretando as lágrimas da Swan de outra forma. Ela deu um pequeno sorriso.

–Nem sempre lágrimas são de tristeza, Edward. Eu... Eu não esperava que as coisas dessem certo pra mim no final. Depois do que fiz pelo meu pai, achei que estava acabado pra mim, para sempre. E então você... –Ela sacudiu a cabeça, pegando o rosto dele entre as mãos. –O que mais eu podia querer?

–Poderia querer qualquer um. Qualquer pessoa seria melhor para você. Mas me escolheu. Escolheu a pessoa menos indicada... Talvez algum dia você se arrependa, mas enquanto isso eu vou aproveitar cada momento enquanto posso. –Nos olhos esmeraldinos existia um furor quase insustentável. Foi com muito esforço que a Swan manteve os olhos nos de Edward.

–Você fala como se o fim fosse inevitável. –A voz tremula da menina denunciava o seu nervosismo.

Edward nada respondeu. Levantou-se do chão onde estivera ajoelhado, oferecendo a mão para ela.

–Vamos voltar. Quero ficar com você. –E sorriu um sorriso que não alcançava os seus olhos. Isabella notou, mas preferiu não comentar nada. Ela não poderia imaginar o quão preocupado o rapaz estava, muito embora o seu plano de afastá-la de tudo e, assim, descobrir o que acontecera ao pai tivesse sido bem sucedido. Se há uma coisa que o jovem Cullen aprendeu nesses anos conturbados de convivência com a criminalidade e a violência é que o que queremos na maior parte do tempo não acontece. Ele só esperava que Bella não descobrisse até ele estar suficientemente preparado para contar.

Deveriam ter ido ao iate, mas a caminhada era deveras longa e a urgência de Edward não ajudou. Ele avistou um pequeno hotel e puxou Isabella para dentro do estabelecimento junto a ele. Após pagar um quarto por toda a noite, se dirigiram para lá, com ele notando assim que passou pela porta que, apesar da simplicidade do quarto pequeno com banheiro, o lugar era estranhamente aconchegante.

Isabella ainda passou uns bons minutos olhando o espaço, tocando a mobília antiga, gasta, porém bonita, indo até a sacada em seguida para contemplar uma bonita vista do oceano e de uma pequena rua que os separava, iluminada por luzes amarelas de postes de aparência antiga.

–Bonito... –Ela murmurou sonhadora. E a postura e olhar predatórios que até então Edward dirigia para ela foi dando espaço para algo mais doce, uma natureza cálida até então desconhecida para Edward, que espelhava o que Isabella era em essência.

–Sim, é bonito. –Ele se aproximou até estar ao lado dela e ria. A morena o encarou com curiosidade.

–O que foi? –Ela perguntou.

–Trouxe você aqui para fazer amor com toda a força do meu ser e agora, soará estranho, eu sei, apenas quero dormir com você. –Brindou a menina com o seu meio sorriso característico, deixando-a com as pernas bambas, tamanho o fascínio que o simples gesto do rapaz exercia.

–Então vamos dormir. –Ela esticou a mão em direção a mão dele, puxando-o para a cama de casal ao lado da sacada. Retiraram os sapatos enquanto se olhavam, trocando sorrisos cúmplices enquanto afastavam o edredom e se deitada, um ao lado do outro, ainda trocando olhares enquanto se aconchegavam o mais próximo que podiam.

–Tanta urgência para nada! Está decepcionada? –Acariciou as madeixas, enrolando-as no dedo indicador.

–Tem algum tempo que você não me decepciona. –Beijou os lábios macios do rapaz, distribuindo caricias com as mãos no peito rijo. Pretendia parar e descansar, cumprindo o acordo tacito entre eles formulado, mas uma coisa levou a outra e acabaram fazendo amor na aconchegante cama.

Após Isabella adormecer, exausta, ao seu lado, Edward saiu do quarto. Edward saiu do pequeno hotel, cruzando a rua de indo em direção a um pequeno bar. Comprou uma garrafa de uísque e bebeu dela já no quarto, olhando a menina adormecida na cama.

Contaria no dia seguinte, decidiu. Ele a levaria em um lugar bonito, afastado de tudo. Explicaria como a vida de Charlie Swan, a única família que Bella tinha, foi abreviada. Ficaria triste, claro, talvez quisesse até se isolar. Nada que o amor e paciência não resolvessem a situação... Mas a medida que foi bebendo mais e mais, deixando o efeito do álcool barato nublar a sua mente, algo aconteceu. A bebida nos deixa mais corajosos, foi o que disseram, com Edward não foi desse jeito.

Na manha seguinte, Bella assustou-se ao se deparar com um Edward desperto, cheirando a álcool e que a observava sentado em uma cadeira.

–O que houve? –Bella perguntou, preocupada com a expressão nula do rapaz. Edward estava estranho, o tipo de estranheza que extrapolava o efeito do álcool.

–Nada. –Ele respondeu, levantando-se. Precisou de ajuda para ficar de pé.

–Por que bebeu tanto? Ao menos dormiu um pouco ou ficou sentado nessa cadeira?

–Vamos voltar Bella. Vamos voltar. –E não disse mais nada. Por algum motivo ela não quis insistir nas perguntas.

E eles voltaram.

...

Os dias que se seguiram foram constrangedores. Edward, pela manhã, agia como um perfeito gentleman, sendo atencioso e carinhoso, mas a noite ele bebia, muito. Não fizeram amor por quatro dias enquanto o álcool parecia ser a única companhia que o rapaz desejava. Isabella não gostou daquele comportamento, mas não sabia muito bem como proceder, pois quando perguntava se havia algo incomodando ele, Edward dizia estar apenas se divertindo.

Mas ele não estava.

Enquanto seguiam viagem novamente com o iate, sozinhos, era obvio que algo se operava na mente do rapaz. Edward estava atormentado com alguma coisa que o compelia a beber. Isabella tentou sonda-lo e, quem sabe depois, ajuda-lo, mas o Cullen continuava introspectivo. E como ele parecida resoluto em dar mais atenção a bebida do que nela, a menina sentiu a necessidade de sair, respirar e pensar. Estavam ancorados em uma cidade grande o suficiente para ter muitos lugares para entretenimento, mas não foi a diversão que Isabella procurava. Ela procurava um lugar para respirar e não pensar nos problemas que pareciam ir ao seu encalço sem serem convidados.

–Poderíamos sair hoje... –Isabella sugeriu no final da tarde enquanto Edward, parecendo alheio a tudo, bebericava o que parecia ser uísque no deque.

–Para que exatamente? A noite vista aqui no iate é a mesma na cidade. –Disse com desinteresse, sequer virando para olhar a menina, que trajava um bonito vestido longo branco, os cabelos com uma trança elaborada que ela fizera. Fez de tudo para melhorar a aparência na tentativa de ter a atenção do jovem Cullen, mas ao julgar pela postura dele, que permanecia com os olhos fixos no porto enquanto segurava distraidamente a bebida, não havia conseguido.

–A cidade é linda. Deveríamos conhecê-la. Além disso, à noite...

–Hoje ficarei aqui. –Decidiu o rapaz, servindo-se de mais uma generosa dose de uísque.

Ela já esperava por esse comportamento, que vinha se repetindo há alguns dias, mas sempre era um choque ser tratada com tamanha negligencia, como se Isabella tivesse voltado a época em que era uma simples escrava que deveria atender as ordens de Edward sem questionar. Segurou a vontade de chorar e novamente quis sair dali. Saiu sem ser notada em direção ao primeiro restaurante que encontrou, metros afastado do porto onde estava ancorado o iate. Pequeno e acolhedor, o cheiro no lugar indicava uma boa culinária e aquela sensação de lar. Sentou-se em um mesa no deque que dava para o litoral, precariamente iluminado por luzes pisca pisca amarelas. O aroma de flores era intenso, pois nas mesas de vime e em outros pontos do restaurante existiam arranjos florais. Pediu ao garçom que falava inglês um coquetel com frutas com álcool.

O ar frio da noite era revigorante o suficiente. Por alguns instantes Isabella fechou os olhos, sentindo aquele frio tocar a sua pele e esfria-la. Esqueceu-se dos constantes problemas que norteavam a mente e se concentrou em algo tão simples e prazeroso que era o vento. Pediu mais uma dose e mais uma. Quando o paladar pareceu não tolerar mais coquetéis de frutas, Bella decidiu que pediria algo diferente, com um maior teor de álcool. Talvez beber fosse uma maneira para esquecer. Antes de pedir, um dos garçons trouxe outro coquetel.

–Não pedi esse. –Comentou.

–Eu sei senhorita, foi o cavalheiro ali que ofereceu esta bebida. –O garçom apontou para uma mesa próxima a dela, onde estava sentado um rapaz. Isabella estava prestes a recusar a cortesia, mas o garçom se afastou para atender outro cliente e o rapaz que havia dado a bebida se aproximou.

–Escolhi o coquetel por ter bebido isso boa parte da noite. Mas caso queira outra coisa, posso providenciar.

–Não há necessidade senhor. –Disse polidamente a menina, arrancando do rapaz uma risada.

–Senhor? Ok, acho que estou inclusive sentindo minhas articulações depois de ser chamado dessa forma. –E com a piada, Isabella riu. –Ora, fica mais linda sorrindo. Parecia tão aborrecida com algo, que resolvi ofertar uma bebida e a minha companhia... Se desejar.

Ela deveria recusar. Não seria de bom tom ser vista na companhia de um rapaz desconhecido, mas... Quem a criticaria? Edward? Ele sequer parecia nota-la nos últimos dias. E aquele rapaz de olhos e cabelos negros como a noite, bem trajado em suas roupas esportivas de turista rico, não parecia oferecer nenhum perigo.

–Sim, pode sentar. –Ela disse. Ele sentou.

...

Não sabia ao certo de quantos assuntos conversaram em quase duas horas de conversa. Foram tantas as coisas, impressões do mundo e das pessoas que nele habitam compartilhados com aquele estranho, que agora ao era mais estranho. Seu nome era Gabriel e estava nas ilhas gregas para visitas alguns parentes. Saíra de sua casa na Califórnia, deixando para trás um relacionamento fracassado com a ex-namorada, para tentar respirar. Fez perguntas para Isabella, mas a menina pouco falou. Percebendo que ela não queria partilhar a sua vida com ele, passou para perguntas mais amenas, o que ela agradeceu.

–Precisa conhecer o outro lado dessa ilha. É encantador! Vi o nascer do Sol ontem e fiquei sem fôlego!

–Todo por do Sol é de tirar o fôlego. Por que esse seria diferente? –Isabella disse enquanto bebericava o seu chá, já tendo esquecido as bebidas com álcool.

–Não sei dizer... Há algo do outro lado da ilha. Algo mágico. –E diante da risada mal disfarçada da menina, o rapaz interrompeu o que dizia. –Algo errado no que eu disse Isabella? Não acredita em mágica?

–Mágica é para crianças e tolos. Não acredito nessa baboseira. –Notando o quão rude soara, desculpou-se. O que recebeu do rapaz sentado a sua frente nada mais foi do que um olhar da mais pura compaixão.

–Seus olhos só estão um pouco nublados. Mas verá a mágica nas pequenas e grandes coisas. Como o por do Sol. Eu também estava assim enquanto estava ao lado da minha antiga companheira.

–Então... Depois que as coisas não deram certo e decidiu separar-se... Pode ver a mágica de que fala, Gabriel?

–Sim. Sempre que nos libertamos de algo ruim uma coisa maravilhosa se opera em nós mesmos. Nossos olhos, mentes e almas se elevam, se abrem para as diferentes belezas que nos rodeiam. Sei que estou parecendo filosófico demais...

–Não Gabriel. Eu compreendo. Desculpe-me se fui rude, mas como você mesmo disse os meus olhos estão nublados para o que você consegue ver. Não sei se, diante de tudo o que vivi até aqui, conseguirei enxergar a mágica de que fala.

–Apenas dê tempo ao tempo. Tudo se ajeitará. –A forma como disse aquelas palavras e um leve brilho no olhar do jovem rapaz fez Bella estremecer. Falou com tanta convicção, como se conhecesse os segredos dela e soubesse o que o futuro lhe reservava.

–Certo. Obrig... –A fala foi interrompida por uma mão que pegou abruptamente o seu pulso, forçando-a a se levantar. Olhou espantada para um par de olhos esmeraldinos que brilhavam com uma fúria homicida. Era Edward, ali, com as mesmas roupas que trajava antes dela sair do iate e cheirava a álcool.

–O que diabos está fazendo aqui com esse homem?

–Eu... Eu só estava conversando Edward. –Murmurou a menina para o rapaz. Ele pareceu não dar ouvidos. Soltou o braço dela e fez menção de atacar Gabriel, que já se levantava da mesa a fim de ajudar a Swan. Isabella, prevendo o que aconteceria, se interpôs entre eles.

–NÃO! –Isabella gritou. –Não o machuque! Ele não fez nada! Eu não fiz nada!

A defesa apaixonada para com o rapaz apenas enfureceu ainda mais o jovem Cullen. Colérico como ela pouco testemunhou, ele a agarrou pelo braço, arrastando-a para fora do bar. Os curiosos mantinham os olhos em todo o espetáculo sem, porém, intervir em momento algum a favor da morena.

Revoltada pelo tratamento dispensado a ela, após saírem do bar, Isabella conseguiu se desvencilhar da poderosa mão que segurava o seu braço. Empurrou Edward não uma, mas duas vezes, forte o suficiente para fazê-lo se afastar.

–Não ouse me tratar como antes! Não depois de tudo! Não depois de todas as promessas que me fez! Se fizer isso... –E não terminou o que dizia. Saiu correndo e, assim, para longe dele. Bem como imaginou, Edward a seguiu, não rápido o suficiente graças o efeito do álcool.

–BELLA! –Edward gritava, tentando alcançar a menina. Agora não corria motivado pela raiva e sim pelo arrependimento. O que deu nele para agir daquela forma? Estava tão empenhado em proteger Isabella e garantir um futuro com ela, que ridiculamente optou por afasta-la?

Isabella correu pelas vielas estreitas, apinhadas de turistas, sem saber para onde poderia ir. Estava com medo, medo da reação exagerada de Edward, medo de tudo. E muito embora o melhor fosse desaparecer pela multidão de turistas, foi para o iate que se refugiou, tendo Edward em seu encalço.

Desenfreada, Isabella só conseguiu parar quando chegou à segurança de um dos banheiros do camarote para empregados do iate. Trancou a porta e sentou no chão, tentando controlar a respiração. As batidas do coração pareciam soar alto demais e teve medo que esse ruído denunciasse a sua posição.

Minutos depois, ouviu um barulho do lado de fora do quarto. Quase podia sentir Edward em pé em frente à porta, com um olhar pesaroso. Ela se aproximou, sentando próxima a saída sem, porém, abrir a porta. Mal Isabella sabia que Edward espelhou a sua postura, sentando em frente à porta também.

Todos os seus erros, catalogados de acordo com o grau de burrice, passaram pela sua mente ainda turva pelo álcool. Como pudera ser tão idiota? Tratar Isabella como tratou e para quê? Sua atitude estúpida não resolveria o grande problema envolvendo as cosias que escondia da menina a fim de evitar o sofrimento dela, e um possível rompimento.

Havia muito a dizer a morena, principalmente o que o atormentava. Ela tinha direito de saber sobre a morte do pai. Quanto mais rápido ele falasse, mais rápido poderia se livrar da sensação de estar se afogando, graças ao crescente medo de perdê-la. Bastaria dizer as palavras que o libertariam. Antes, porém, precisava preparar o terreno, a começar pelo comportamento indesculpável em um local público.

–Você sabe que eu não costumo fazer as coisas certas. O que eu fiz foi mais um erro, por causa do medo idiota de perdê-la... Perdê-la por que tenho apenas você agora e isso me basta. Sempre é esse medo que me atormenta. Não espero que me perdoe novamente, mas imploro pelo seu perdão. Bella, me desculpe por achar que força-la a ficar do meu lado é sempre a melhor forma de evitar a nossa separação, mas desconheço outras formas. Você precisará me ensinar. –A voz masculina suplicava. Não obteve resposta.

Bella estaria tão magoada a ponto de ignora-lo? Era uma possibilidade. No entanto, Edward não desistiria. Ignoraria o cansaço do corpo e da mente e permaneceria ali pelo tempo que fosse preciso. Queria se desculpar e o faria, olhando nos belos olhos castanhos da morena. Queria mostrar com ações todos os sentimentos nutridos pela garota que estranhamente ele não conseguia converter em palavras.

Bella não saiu do banheiro de imediato. Restou para o rapaz andar de um lado para o outro pelo quarto, dando, em alguns momentos, batidas na porta e chamando por ela. Sem resposta. Só restou sentar novamente no chão, exausto, agora ao lado da porta. Decidiu, Após incontáveis horas, que a deixaria ali, pois acreditava que o motivo de Isabella não sair do quarto era por que estava com medo dele.

Antes que pudesse sair, ainda sentado no chão, ouviu o clique de uma porta sendo aberta. Prontamente a Swan ajoelhou-se diante dele, segurando o rosto do Cullen entre as mãos. Tinha a feição angelical desfigurada pelas lágrimas ininterruptas que borraram a maquiagem, mas não deixava de ser a mulher mais linda que Edward conhecera.

–Não vou deixar você. –Ela disse numa voz fraca, estreitando os olhos marejados e aproximando o seu rosto do rosto dele. –Não vou. –Prometeu Isabella, com uma certeza que deixou Edward atordoado. Atordoado o suficiente para tomar a coragem que lhe faltava.

Segurou as mãos de Isabella no seu rosto. Encarou o chão. Podia sentir as lufadas de ar quente da respiração dela em seus lábios, mostrando quão próxima a morena estava.

–Bella... Preciso contar algo.

Notas finais
Desaparecida, eu sei. Como alguns leitores souberam através do facebook e twitter, estive doente, doente e ocupada. Final de curso é isso mesmo, muitos trabalhos e o famoso TCC. Consegui defender meu TCC em tempo hábil, utilizando a temática das fanfics e tendo auxílio de algumas leitoras que me ajudaram com a pesquisa. Minha saúde ainda inspira cuidados e me impede, infelizmente, de ficar tempo demais parada, ainda mais digitando. Minha mãe, que passou por momentos difíceis, está se recuperando. Lamento da demora, mas a vida fora do mundo virtual exigiu que eu me dedicasse a faculdade para me formar, a minha família e a mim mesma por conta da saúde. Capítulo curto, eu sei. Tentarei postar logo o próximo. Apesar dos atropelos, espero que gostem. Beijos a todas e obrigada pela compreensão.