Sweet Slave
24 Capítulo 23
Isabella sentiu a desorientação na medida em que recuperava a consciência. Uma dor de cabeça forte a acometeu, assim como em outras partes do corpo. Relutou em despertar, sabendo que se o fizesse as dores apenas aumentariam, mas também sabia que não poderia passar o dia inteiro na cama. Precisava trabalhar, embora não soubesse como o faria, exausta como estava.
Ainda com os olhos parcialmente fechados, tentou se levantar, mas uma mão gentilmente a conteve. Soube quem era antes mesmo de vê-lo.
-Nada de movimentos bruscos. É melhor continuar deitada. –Edward estava arrumado, usando um bem cortado terno cinza grafite por cima de uma camisa preta. Os cabelos acobreados encontravam-se bagunçados, como se ele os tivesse despenteado bastante. Ainda sim continuava lindo. Isabella observou o rapaz diante dela com adoração.
-O que aconteceu? Que horas são?
-Três da tarde. Você dormiu por tempo demais.
-Meu Deus! Como pude dormir tanto? Perdoe-me Edward, eu perdi a hora e perdi o expediente. –Os olhos castanhos olhavam suplicantes para o rapaz. Edward sorriu, sentando na beirada da cama. Apesar do aparente cansaço, os cabelos em completo desalinho e a maquiagem da noite anterior borrada, Isabella continuava linda.
-Você precisava de um bom descanso. Está tudo bem. –Tocou o rosto da morena, acariciando-o. –De todo modo, eu não fui ao escritório.
-Não sei como pude dormir tanto! E essa maldita dor de cabeça...! Alias, como chegamos em casa? Sequer lembro disso. –Desejava respostas de Edward e as teria, ela bem sabia, mas estranhou quando notou um sorriso travesso nos lábios do rapaz.
-Imaginei que não se lembraria. Uma pena, significa que não teremos a oportunidade de repetir a dose tal qual aconteceu. Felizmente, para você, tenho boa memória. –Tocou a própria têmpora.
-Do que você está falando? –A falta de lembranças da noite anterior estava deixando Isabella aterrorizada. Não era normal alguém simplesmente esquecer o que se passara nas últimas dose horas, era?
-Do que se lembra de ontem?
-Bem... –Tentou se concentrar o quanto pôde, juntando as peças do quebra-cabeça. Algumas imagens vieram a mente, espaçadas. –Fomos para uma boate depois do trabalho e...
-Eu a deixei sozinha por alguns instantes. O que aconteceu durante a minha ausência?
-Não lembro direito. Estava bebendo e, acho que... Algumas pessoas entraram na nossa cabine. Não me lembro de mais nada depois disso. –Isabella parecia aflita, por isso Edward se aproximou ainda mais, tentando conter toda aquela aflição com caricias no rosto da menina.
-Você é filha de um policial e não soube como se comportar em uma balada. Ele nunca explicou a você os cuidados necessários? Provavelmente se descuidou da sua bebida e alguém colocou comprimidos de algum estimulante.
-Deus! Eu ingeri drogas? Eu... O que eu fiz durante o tempo em que estava sob o efeito da droga?
-Felizmente eu a encontrei antes que pudesse fazer algo do qual se arrependeria no dia seguinte. Você estava apenas dançando efusivamente na pista de dança. Sua energia era tanta que precisei gastá-la de um jeito bem especial. –Não suportou olhar para a face atemorizada de Isabella, soltando uma ruidosa gargalhada, atípica dele. Isabella irritou-se com a troça, dando tapinhas no ombro do rapaz.
-O que quer dizer com isso hein?!-Nada que precise se preocupar baby. –Depositou um delicado beijo nos lábios crispados da menor. –Não fiz nada que não quiséssemos e, se quer saber, você fez um desempenho e tanto na cama.
Quis saber o que exatamente haviam feito, mas o recato a impediu de perguntar. Apesar do tempo juntos, alguma coisa, como uma parede invisível, parecia impedi-la de ser completamente aberta com ele. Queria ser mais próxima de Edward e esperava que a convivência trouxesse essa liberdade.
-Onde esteve? –Isabella perguntou casualmente, por querer fugir do assunto, e estranhou quando a tensão pareceu tomar o Cullen.
-Resolvendo alguns assuntos tolos. Nada demais. Ganhou um dia na cama Isabella, com direito a todas as mordomias possíveis, proporcionadas por mim. –Sorriu. Contudo, embora sorrisse e conversasse tranquilamente com ela, a mente de Edward etsava nos últimos acontecimentos...
-Como isso aconteceu? –Ele perguntou a Aro. Havia, tão logo recebera a noticia, ido a mansão do mafioso para uma conversa. Queria entender o que diabos tinha acontecido com Charlie Swan.
-O Swan deixou a clinica de reabilitação e tão logo estava frequentando a minha casa de jogos. Simples, meu caro. –O Volturi bebericou a taça de vinho, muito embora não fosse um horário adequado para tal.
-Por que não o proibiu, Aro?
-Meu jovem, eu não posso impedir um homem de praticar o que lhe faz feliz! E, bem, sabe que não tenho os olhos em tudo como gostaria.
-Qual a divida dele? Quanto Charlie já está devendo? –Edward perguntou.
-Pouco mais de cinquenta mil dólares. Acredito que o foco dele tenha sido o gasto com bebidas ao invés de jogos, por isso deve tão pouco. A maior parte do tempo, pelo que sei, chega tão alcoolizado que não consegue sequer usar uma máquina caça-níquel.
Edward se viu em uma situação difícil. Como lidar com o problema Charlie Swan? Bem, ele tinha que fazer algo, e garantir que o sacrifício de Isabella não fosse em vão. Mesmo que para isso arcasse com mais um peso nos seus ombros cansados.
-Pagarei a divida dele.
-Pagar a divida dele? Edward, amado, seja prudente. Charlie não parará com a prática após a sua atitude.
-Sei que não vai parar. Aquele filho da puta não. Eu... Eu tentarei fazer alguma coisa para pará-lo. Por hora, apenas quite a divida dele. –Levantou-se da cadeira em que estava sentado, ignorando completamente a xícara de chá ofertada pelo homem. –Preciso do endereço antigo de Isabella. Imagino que ele esteja lá.
Aro, como toda a calma do mundo, sacou um pequeno bloco com capa de couro do bolso interno do paletó azul marinho e anotou o endereço, utilizando uma caneta de ouro com as suas iniciais gravadas.
-Aqui está o endereço. Pretende ir até lá colocar juízo naquela cabecinha desequilibrada?
-Não sei exatamente o que farei, mas farei algo. Sobre o assunto envolvendo Charlie, prefiro que fique entre nós.
-Ah, não quer que Isabella saiba. Entendo... Altruísta como é, a menina seria capaz de mais uma sandice para salvar o bastardo. E ela, agora, é querida demais por você, não é? –Os olhos rapinos avaliavam Edward, que não gostava nada daquela conversa. Temia que Aro percebesse o quão ligado ele era a Swan e usasse isso contra ele em algum momento.
-Eu preciso ir. –Caminhou apressadamente, mas não sem antes ouvir Aro falar novamente.
-Ah, Edward! Essa sua nova faceta de anjo salvador é admirável... Admirável e perigosa. Não pode salvar a todos que erguem as mãos em sua direção em busca de socorro. Não pode salvar, principalmente, aqueles que não desejam ser salvos.
Não rebateu a fala de Aro por que o rapaz sabia que ele estava coberto de razão.
-Edward? –Isabella chamou para o presente, o que ele agradeceu.
-Vamos garota. Antes de ingerir algo, é melhor tomar um banho. –Brincou, pegando Isabella pelos braços e, ignorando os protestos da menina, ele a conduziu até o banheiro. Procurou se divertir com ela, provocando-a, revelando uma ou outra coisa que fizeram na noite anterior. Enquanto isso a mente divagava, rememorando acontecimentos daquela manhã, antes de ver Charlie Swan, quando conversou com Aro, e depois. Depois...
Charlie atendeu a porta vários minutos depois de a campainha ser tocada Por Edward. Estava um lixo, sujo e a barba por fazer. O cheiro de álcool denunciava que começara cedo a beber.
-Quem diabos é você? –Perguntou com azedume. Edward tentou conter o asco que sentia perante uma figura tão decadente e entrou na casa. Lixo, garrafas vazias e restos de comida congelada estavam em cada canto da casa.
-Senhor Charlie Swan, presumo. Vim até a sua... casa para falar com o senhor em particular.
-Não estou a fim de papo! Cai fora! –Urrava como um animal, a mente nublada demais por conta da bebida para agir como um ser humano.
-Terá de falar comigo por bem ou por mal. É o mínimo que pode fazer, já que eu paguei a sua divida com Aro Volturi.
Quando o nome do mafioso foi tocado, Charlie se calou. Olhou mais atentamente para o rapaz, mas não o reconheceu como alguém que andasse ao lado do homem com quem tinha dividas. De fato ele não se parecia com os homens corpulentos e mal encarados que trabalhavam para a máfia. Era alguém mais sofisticado, como Aro.
-Pagou a minha divida? Por quê? O que quer de mim?
Edward pensou em se sentar no sofá, mas o móvel estava nojento demais para sentar. Fiou em pé, diante de Charlie, não querendo se prolongar.
-Quero que pare com os jogos de azar. Aro vai mata-lo se acumular dividas das quais não pode pagar.
-Aro? E acha que eu tenho medo daquele merdinha! –Gargalhou a valer enquanto caminhava cambaleante até a geladeira, de onde tirou uma garrafa de vodka pela metade. Bebeu o liquido como alguém beberia água para conter a sede.
-Pois deveria. Foi um policial. Tenho certeza que sabe que tipo de pessoa Aro é. Ele quase o matou antes, mas a sua antiga divida foi paga. Ou por um acaso se esqueceu?
-Foda-se! Eu faço o que eu quiser! E nenhum merdinha engomado como você vai me dar ordens!
A postura despreocupada, agressiva e teimosa de Charlie estava dando nos nervos. Era um homem destruído, que não se importava em continuar vivendo. Poderia até agradecer a Aro se este se propusesse a dar um fim a sua vida patética. O problema era que Isabella o amava, embora Charlie nunca tenha sido um bom pai. Ela o amava e sofreria se ele morresse. Manter vivo era a missão de Isabella, o motivo para ela ainda está na casa de Edward, vivendo como uma escrava, muito embora a sua condição tivesse mudado significativamente.
-Você é um egoísta de merda mesmo! Por mim já estaria a sete palmos debaixo da terra, mas há pessoas que se importam com você. –Charlie gargalhou, desdenhando do discurso do Cullen. Edward prosseguiu. –Sua filha.
-Minha filha? Fala daquela ingrata que me abandonou na primeira oportunidade? Quem é você exatamente? Conhece a vadiazinha que me deixou em uma clinica e sumiu?
-Vadiazinha? –Não conseguindo mais conter a raiva, Edward avançou em cima de Charlie, dando um golpe certeiro no rosto do homem. Bêbado, o Swan despencou no chão. O soco foi forte o suficiente para arrancar sangue do mesmo.
-SEU FILHO DA PUTA! –Desferiu um chute certeiro no estomago do ex-policial, que levantou atordoado, praticamente engatinhando para longe do rapaz enfurecido. Edward tentou se conter, ou poderia mata-lo.
-DESGRAÇADO! VOCÊ NÃO TEM A MAIS REMOTA IDEIA DO QUE A SUA FILHA FEZ POR VOCÊ! –Gritou a plenos ouvidos, pouco se importando com os vizinhos que certamente ouviriam a discussão.
-E QUEM É VOCÊ PARA FALAR COM TANTA PROPRIEDADE? QUEM VOCÊ PENSA QUE É?
A verdade era perigosa. Se expor, significava ter problemas futuros com a policia e Edward não queria atenção das autoridades. Mas aquele homem detestável merecia saber, pois, não importa o quão insensível parecesse agora, alguma cosia dizia a Edward que a verdade poderia mexer com ele.
-Eu sou o sacrifício de Isabella. Sou aquele que a comprou e que a está usando a meu bel prazer. Por que foi a isso que a sua filha se sujeitou, ser um mero objeto para satisfação de quem a comprasse, para salvar a vida de um filho da puta como você! –E com satisfação viu o maior se encolher.
-O que?
-Você deveria estar morto, mas ela negociou a própria liberdade com Aro. Foi vendida como escrava e sou eu o seu comprador. Tem passado o inferno para manter a sobrevida de certo parasita, que sequer consegue pensar nela com o amor de um pai. E aqui está você, jogando fora todo o esforço dela. Teria sido melhor para Isabella ter deixado Aro mata-lo, seu inútil de merda, do que sofrer tudo o que vem sofrendo.
Com satisfação, Edward viu Charlie arregalar os olhos, chocado. Permaneceu mudo por vários minutos e Edward, que já havia dito tudo o que precisava, achou melhor se retirar. Antes, porem, precisava dizer mais uma coisa.
-Está por conta própria Charlie, por que não tem mais nenhum filho para se sacrificar. Eu passei a mão na sua cabeça dessa vez, mas não o ajudarei novamente.
Retirou os óculos Victor Hugo do bolso interno do casaco e saiu pela porta da frente. Ligou a ignição do carro e partiu.
Olhando para Isabella, que aparentava estar melhor e comia animadamente, sorrindo esporadicamente para ele, Edward teve a certeza que fez o melhor que pôde para preserva-la.
-Por que está me olhando tanto?
-Por que você é algo bonito de se ver Bella. –E sorriu.
Charlie não seria mais lembrado, Edward decidiu. E com o passar de alguns dias, de fato o Swan era noticia velha demais para ser lembrada. O que importava era Isabella e o relacionamento deles, mais forte a cada dia. Bella florescia como uma pequena rosa que desabrochava com a chegada da primavera. Sorria com mais frequência, repreendia o Cullen quando julgava necessário e volta e meia dizia algo sobre ela, sobre o passado, como agora.
-... E então ela queimou o peru do dia de ação de graças! Devia ser a única coisa comestível que a minha mãe conseguiu fazer, já que era pré-pronto. Acabamos comendo hambúrguer e torta de maçã em uma lanchonete próxima a nossa casa. A torta era fantástica. –Dizia Bella, encarando o céu de um entardecer fantástico. Edward e ela estavam deitados em uma esteira colocada por ele, no jardim de inverno do apartamento.
-Nunca tive problemas nesse sentido. Esme era uma cozinheira de mão cheia.
-Sabe cozinhar? –Ela se virou um pouco para olhar o rapaz deitado ao lado dela.
-Um pouco de nada. Não tive muito tempo para praticar. Mas acho que conseguiria fazer algo descente se precisasse.
-E por que não tenta agora? Acho que quero provar alguma coisa preparada por você para saber se é um bom cozinheiro ou não, se tem tino para a cozinha. –Desafiou Isabella. Como Edward queria agrada-la, aceitou o desafio. Acabaram comendo macarrão com queijo naquela noite. Para a felicidade do rapaz, Bella adorou o prato. Adorou tanto que o recompensou com uma noite de sexo intensa, incluindo tudo aquilo que ele gostaria de repetir desde o episodio em que ela ficara acidentalmente drogada.
Na manhã seguinte tudo parecia correr tranquilamente. Isso até Edward ligar o laptop a fim de verificar a sua caixa de e-mails. Como de pras, entrava no site MSN antes de ir para a sua conta. Lia rapidamente as matérias apenas por ler, sabendo que não encontraria nada que o agradasse. Uma pequena matéria, todavia, chamou a sua atenção. Clicou no link e os olhos rapidamente perscrutaram o texto. Um nome familiar fez com que mais atenção do que a exigida fosse dada.
-Mais que merda... –A ultima palavra foi pronunciada demoradamente. Não havia duvidas. E o pior de tudo: Isabella poderia estar lendo a mesma coisa que ele neste exato momento. Felizmente o rapaz pensou rápido, saindo da sala que ocupava e indo até a sala de recepção. Com horror notou que Isabella usava o computador. Ela o notou no mesmo instante que ele saiu da sala.
-Edward, precisa de alguma... –Ele praticamente correu até o computador, desligando-o da tomada.
-Não, eu... Eu... –A ideia veio; ele a executou. –Não estou me sentindo bem. Vamos para casa.
-O que está sentindo? Precisa de algum médico? –Isabella levantou da cadeira a fim de olhar o rapaz mais de perto. Tocou a testa dele, sentindo o suor frio. Edward não estava bem.
-Não, eu... Apenas vamos embora, tudo bem? –Os olhos verdes suplicavam. Ela queria saber o que estava acontecendo, pois o seu sexto sentindo dizia que não se tratava de um simples mal estar.
-Tudo bem.
Pouco mais de quarenta minutos depois, os dois estavam no apartamento. Após conversar brevemente com Angela e os demais empregados, ignorando Lauren, foi ao quarto de Edward para encontra-lo embrulhado em um roupão.
-Está se sentindo melhor? –O olhar do maior, contudo, revelava que ele não havia melhorado. Não se adiantou, perguntando exatamente o que havia acontecido. Se Edward quisesse falar, ele falaria. Sem pressões. Sem exigências.
-Sim, um pouco. Devo tê-la assustado. Desculpe-me. –Sentou-se na cama e estava prestes a enxugar os cabelos com uma toalha menor quando Bella se adiantou.
-Eu faço isso. –Com cuidado, enxugou os cabelos acobreados. Edward se permitiu relaxar, mas os ombros ainda tinham resquícios de certa tensão.
-É bom ser cuidado por você, sabia?
-Se eu soubesse que gostava de ser cuidado por mim, teria feito isso mais vezes. Eu posso? –Ela perguntou, tentando olha-lo.
-Pode sim. Tudo o que quiser. –Ele a olhou de um jeito que deixou as pernas da morena feito gelatina. Edward, quando tinha atitudes doces, era tão encantador que lhe ofuscava os olhos. Ela sentia o coração inflar no peito e o sentimento por ele crescer exponencialmente. Era algo maravilhoso, que nunca experimentou nem com o antigo namorado. Maravilhoso e perigoso. Viviam como um casal e Edward nunca dissera nada que fizesse a morena acreditar que ele a amava. Era carinhoso ao seu modo, mas ainda sim...
Enquanto a mente feminina diante de si era tomada por pensamentos tolos, Edward maquinava. Não poderia submetê-la como antes, impedindo Isabella de conviver com outras pessoas ou ter acesso aos meios de comunicação. Precisava apenas mante-la longe de tudo por um tempo, tempo o suficiente para o ocorrido ser noticia velha. Tão logo a solução veio, ele a verbalizou.
-Bella, vamos fazer uma viagem. Ficar fora por um tempo de tudo! –Edward mantinha as mãos nos ombros dela, pressionando-os. Isabella sentiu certo desconforto.
-Mas não podemos simplesmente ir e deixar o trabalho... –O seu discurso foi interrompido pelo rapaz.
-O trabalho pode esperar. Tudo pode esperar. Você e eu em algum lugar, é só disso que eu preciso!
Diante da veemência com que esse discurso foi dito, Isabella concordou. Alguma coisa, ela pensou, muito grave parecia ter ocorrido e abalado Edward. Talvez mais um roubo dos bens de Aro, o que resultaria em mais uma sessão de espancamento...
-Tem razão. Ninguém se importará em sumirmos por uns tempos. –Sorriu, tocando o rosto do maior na tentativa de acalma-lo. Deu certo. Edward suspirou de alivio, beijando a palma da mão da morena.
-Vamos para algum lugar. Há muito a ser providenciado.
-Ok, mas por enquanto você precisa descansar. Amanha iniciamos os preparativos. –Ela deixou a toalha pequena ao lado do rapaz, afastando-se. Sentiu a sua mão ser capturada por ele.
-Aonde vai?
-Preciso de um banho. Venho aqui com você assim que terminar. –Sorriu. Havia em Edward uma agonia palpável e Isabella sentiu a curiosidade queimar.
-Quer companhia? Não me importaria de tomar outro banho. –Lançou a ela um meio sorriso sedutor. Não conseguiria resistir.
-Vem. –Ela o chamou com o indicador já se dirigindo para a porta.
-Em um minuto. Vá em frente. –Edward a assistiu sair do quarto e o sorriso que procurou manter com muito custo desapareceu.
A notícia ia e vinha na sua cabeça. Decorara, não sabendo como, linha por linha, frase por frase, letra por letra. E ele sabia, sem ter certeza como, que ele era o culpado daquela desgraça.
Quando olhou atentamente aquela noticia pela manhã ele soube que havia cometido um grande erro. O pior de todos os erros. O tipo de erro que compromete irreversivelmente a sua felicidade. O tipo de erro que poderia afastar Isabella dele, para sempre. E era por isso que Edward precisava preserva-la da verdade.
Pegou o celular em cima do criado mudo, ligando para a secretária. Alexandrina atendeu no segundo toque.
-Senhor Cullen?
-Alexandrina, eu sei que está de férias e eu não deveria incomodá-la, mas preciso dos seus serviços. Duas passagens, primeira classe, para amanha à tarde. Escolha como destino as ilhas gregas. Providencie hospedagem também no melhor hotel que encontrar, próximo a uma marina. De lá alugarei um Iate. Para amanhã Alexandrina. Não posso esperar!
-Considere feito o pedido, senhor Cullen. Passarei as informações para o seu e-mail. –E desligou. Edward não se preocupou. Como sempre, Alexandrina seria eficiente.
...
Isabella observou a tudo confusa. Para que tanta pressa? O que havia acontecido? Eles estavam viajando para aproveitar um pouco, já que Edward trabalhava demais, ou seria por outro motivo? Ele não dizia nada e a menina evitava perguntar. Talvez não quisesse saber.
Precisou fazer uma pequena mala, pois ele garantiu que comprariam o que fosse necessário em outro lugar. Não falou o destino, mas afirmou que Isabella apreciaria. Ela concordou com toda a loucura sem questionar. Ao final da manha os dois, sendo levados por Erick, foram conduzidos até o aeroporto. Durante o trajeto, Edward segurou o tempo todo a mão da morena, fazendo caricias com os dedos. Bella apreciou aquele contato, maravilhando-se com os olhares lançados para ela. Parecia até que ele a amava.
-Aonde vamos? Pode me contar agora ou só saberei se perguntar a algum nativo? –Ela perguntou quando os dois já estavam sentados em seus acentos na primeira classe. Edward fora cuidadoso até na hora de fazer o check-in.
-Grécia. Será a nossa primeira parada. Pegaremos um iate e contornaremos as ilhas gregas.
-Nossa... Mas... Sabe pilotar um barco?
-Isabella, eu sei até pilotar uma nave espacial, se quer saber. Fique tranquila meu bem, por que está em boas mãos. –Beijou o topo da cabeça dela, sentindo um aperto no peito por não ter contado a verdade. Mas ele sabia que ela ficaria destruída e, talvez, não visse mais motivos para ficar com ele.
Ela não precisava saber, concluiu, que Charlie Swan se suicidou, enforcamento, na noite em que ele apareceu na casa da família e contou a ele a verdade. Como foi um policial famoso antes dos problemas com álcool e jogos, tinha certa reputação e ajudou a solucionar casos notórios. Só por isso a imprensa fez uma pequena matéria para lembrar-se do homem.
-Edward, vai me contar o porquê da decisão repentina?
-Talvez, mas não hoje. Não se preocupe, não é nada sério. Não estou correndo nenhum risco. –Apenas de perdê-la, pensou.
-Certeza? Sabe que pode me contar qualquer coisa. –A preocupação de Isabella para com ele era fofa. Sorriu.
-Eu sei. –Ele pegou a mão da menina.
-E por que escolheu esse lugar?
-É bonito. Já vi em fotografias e sempre quis conhecer, mas nunca encontrei tempo. Agora tenho tempo e uma boa companhia. Não preciso de mais nada. Gostou da escolha ou prefere outra? Podemos mudar a rota se quiser.
-Confio no seu gosto Edward. Eu ficaria feliz em ir a qualquer lugar. –E era verdade. Bella, agora que estava pra valer com Edward, poderia ficar enclausurada no luxuoso apartamento do rapaz e não sentir qualquer desconforto.
Coversaram sobre amenidades por horas, deixando a conversa de lado apenas quando o cansaço ou uma parada para se alimentar exigia cessar o dialogo. A cada instante, Isabella sentia as mãos e lábios de Edward nela e quem visse a cena poderia associa-los a um casal em lua de mel. Bem... A suposição não estava tão afastada assim da realidade. De fato tudo estava as mil maravilhas e Isabella, por conta disso, se perguntava o que exatamente o relacionamento dos dois significava para Edward.
Quando, enfim, após muito tempo de viagem, os dois chegaram as ilhas gregas, hospedando-se no hotel mais caro do lugar, de frente para o oceano, Bella se permitiu esquecer as preocupações acerca das atitudes estranhas de Edward. O lugar era fantástico, irreal, e ela se deixou levar pela beleza divina daquela paisagem.
-Isso é tão... –Isabella comentou quando, enfim, estavam no quarto escolhido por Edward. Encarava a paisagem proporcionada pela sacada.
-Eu sei. É lindo. –Edward comentou enquanto ficava lado a lado com Isabella, mas os seus olhos não estavam na paisagem afrodisíaca a frente e sim na morena, que ainda trajava jeans, uma camisa e uma jaqueta vermelha, roupa que a acompanhou parte da viagem.
-Então o plano é sairmos imediatamente em um iate? Não ficaremos em terra? –A Swan perguntava, com os olhos castanhos ainda fixos no oceano.
-Podemos ficar um pouco, se quiser. Não há pressa. Hoje, por exemplo, poderíamos descansar e, ao anoitecer, conhecer os arredores; jantar em algum restaurante nas proximidades.
-Um bom programa. Eu, por exemplo, estou louca para descansar! Mas primeiro, eu preciso de um banho. –Isabella retirou a jaqueta e as botas de couro marrom, colocando-as próximo a cama. Foi retirando as peças sem se importar com o espectador que a assistia, admirado. Pegou um roupão de dentro do closet e o vestiu. Pareceu perceber apenas depois que Edward continuava parado próximo a sacada, parecendo deslumbrado por ela. Isabella sorriu.
-Deixarei a porta, para o caso de desejar me acompanhar. –E desapareceu pela porta. Edward não esperou um minuto sequer. Arrancou as roupas que o cobriam (jeans, camiseta preta, jaqueta de couro) e entrou nu no cômodo que agora Bella ocupava.
...
Já haviam jantado no melhor restaurante de toda a Grécia. Agora lá estavam os dois, sentados em um banco contemplando a noite estrelada, salpicada pelas luzes dos iates atracados na marina em que desembarcariam dali a dois dias, Bella decidiu.
A menina, trajando um vestido azul Royal solto, preso a cintura por um fino cinto dourado, estremeceu. Edward retirou a jaqueta preta, colocando nela, para depois segurar a mão dela. Voltaram a olhar as estrelas.
-Costumava fazer isso com Esme.
-O que?-Perguntou a menina, olhando para o rapaz ao seu lado.
-Olhar as estrelas. Fazíamos isso às vezes, durante o verão. Esme me dizia que quando criança ela sonhava em trabalhar com astronomia.
-Eu fazia isso com Renee. Ela sempre foi fascinada pelas estrelas. Era uma das coisas que fazíamos juntas. Antes de ela voltar com Charlie, nós estendíamos um cobertor no gramado do nosso quintal e ficávamos olhando as estrelas. Depois que passamos a morar em uma casa sem quintal, fazíamos isso no terraço. Eu fiz isso algumas vezes sozinha, quando conseguia, depois que ela morreu.
Ao fundo, uma musica tocava em um dos restaurantes nas proximidades. Clair de lune, Isabella reconheceu. Uma de suas musicas preferidas, que ouvia junto a sua mãe. Estaria Renee observando o jovem casal e aumentando o clima de romance com aquela musica? Bella não duvidava. Para a sua surpresa, Edward se levantou e ofereceu a mão dele.
-Me concederia uma dança? –Pediu a menina, que estava embasbacada pelo seu ato. Ainda sim ela aceitou, sendo lentamente puxada para os braços do maior e envolvida por ele. Repousou a cabeça no peito de Edward, sendo embalada para lá e para cá.
Ah, como era bom estar naqueles braços! Nunca, nem mesmo quando vivia em paz na antiga casa, nos braços de Jacob, Bella se sentiu assim tão feliz. Era um retorno ao seu lar e ela se perguntou se seria assim até o fim dos seus dias. A Swan esperava que sim. Ligada como estava a Edward, não conseguia mais se imaginar sem o calor daqueles braços. Mas ela sabia que não deveria se apegar tanto, pois Edward, apesar de tratá-la tão bem, nunca, até agora, havia dito que a amava. Uma vez que não a amasse de fato, ela ainda corria o risco de ser descartada quando ele bem entendesse. De tão preocupada que estava, não notou quando a musica acabou e, agora, eles dançavam tendo como único ruído o barulho das ondas que quebravam nas rochas a alguns metros deles.
Mas Edward notou.
-Poderíamos passar a noite inteira aqui, dançando, mesmo sem o acompanhamento de uma música, mas eu tenho outras ideias...
-Que tipo de ideias? –Isabella perguntou, já antevendo o que ele diria. Como resposta, recebeu um cálido beijo na curvatura do pescoço.
-Não é o que está pensando, acredite. Desejo ardentemente você e não me importaria de passar a noite em claro, mas não dormimos à tarde, ocupados com coisas mais urgentes. –E quando Edward dizia “coisas” se referia a tarde inteira de sexo quase ininterrupto. A Swan enrubesceu.
-Hmmm... Realmente precisamos dormir. –Ela concordou rouca. Fechou os olhos e sentiu o toque delicado dos dedos do maior na sua coluna, traçando-a, assim como os beijos direcionados ao seu pescoço e orelha.
-E é o que faremos agora. –Afastou-se dela, sorrindo ao notar o quão entregue Isabella estava. Ainda que estivesse cansada, se Edward sugerisse mais algumas horas de atividade sexual intensa, ela concordaria sem pestanejar, ele apostou.
Deixaram o restaurante pouco tempo depois, caminhando até o hotel, que ficava nas proximidades. Riam, como um casal apaixonado e despreocupado, encantados com a linda noite que fazia. Pararam em algumas lojinhas, comprando itens que precisariam para quando embarcassem no iate. Após duas horas estavam no quarto, beijando-se.
-Se continuarmos assim... –Edward dizia entre beijos. –Não dormiremos. –Esmagava o diminuto corpo de curvas sublimes no seu peitoral.
-Então me solte e vá tomar um banho frio. –Isabella dizia entre risinhos, afastando as mãos grandes e quentes do rapaz da sua cintura. –Vou espera-lo aqui e depois tomo banho. –Retirou os sapatos, sentando na cama.
-Ou podemos tomar banho juntos. –Sugeriu o maior.
-É melhor fugirmos da tentação. E... Acho que estou realmente cansada. –Deitou-se, exausta. Diante de tamanho cansaço presenciado, Edward achou melhor acatar o pedido da menina. Foi para o banheiro, tomando uma demorada chuveirada fria. Quando retornou ao quarto, Isabella estava sentada, olhando fizamente para o chão, embrulhada em um roupão do hotel. Não mais sorria, parecendo triste. Ele prontamente foi ao seu encontro.
-O que há? –Perguntou.
-Estava pensando no meu pai... –E a simples menção a Charlie fez o Cullen ficar tenso. –Nunca mais o visitei. Não sei como ele está.
A verdade. Sim, aquela era a hora. Contar o que Charlie fez assim que saiu da clinica de reabilitação e o que Edward fizera ao saber da nova divida do pai de Bella. A verdade...
-Ele está bem. –E com essa resposta, Isabella virou-se para olhar o rapaz de pé ao seu lado.
-Está? Você o viu? Falou com ele?
-Eu procuro me manter informado. Charlie está reagindo bem ao tratamento e, inclusive, trabalha como voluntario na clinica. –Edward era hábil na arte de mentir, dissimular. Aprendera o oficio desde cedo, convivendo com pessoas que detestava e tendo que fingir ser da mesma laia de Aro e seus subordinados.
-Ah, que bom! –O alivio era quase palpável. –Sabe se ele perguntou por mim? Deve estar preocupado, afinal de contas não entrei em contato.
Era de se apiedar! Charlie não parecia nada preocupado com a filha, xingando e amaldiçoando-a pouco antes de saber o que a Swan fizera por ele. Até mesmo o suicídio não parecia ser um sacrifício pela filha e sim fruto do egoísmo dele, fugindo covardemente dos problemas.
-Não sei muito mais sobre isso. –Ele refletiu brevemente se deveria prosseguir com a mentira, mas não havia muito a se fazer. Se Isabella soubesse, provavelmente ficaria triste pela morte do pai e irada pela intervenção de Edward, que provocou o suicídio.
-Eu estava pensando... Quando nós retornarmos, talvez eu pudesse... –Isabella não precisou concluir. Edward sabia o que ela pediria.
-Não. –Falou bruscamente, surpreendendo a menina.
-O que? –Ela o encarava com os olhos castanhos arregalados. Não imaginou que o rapaz a proibiria de algo, atuando como o seu dono, depois de tudo o que se passara entre eles.
Edward, adivinhando certeiramente o que se passava na cabeça dela, se ajoelhou em frente a Swan, segurando as suas mãos entre as dele. Mentira viria fácil, inquestionável. Bastava proferi-la e rezar para que nunca fosse descoberta.
-Não me importo que veja o seu pai, mas Aro se importa. Ele acha que isso poderia causar algum problema para ele.
-Que tipo de problema? Se ele está preocupado com a possibilidade de Charlie saber a verdade sobre o meu paradeiro, ele não precisa se preocupar. Não contarei nada e inventarei uma desculpa plausível e...
-Bella, ele não se arriscará. Apagará Charlie assim que souber do encontro entre vocês. Quer colocar a vida do seu pai em risco? Não é melhor não vê-lo mais, sabendo que ele está em segurança, do que vê-lo e perdê-lo em seguida? –Era jogo baixo, ele sabia, mas para não perder Isabella, Edward seria capaz de tudo. –Entende o que estou dizendo?
-Isabella assentiu, tremula. Ela segurava o choro.
Edward a abraçou, na tentativa de aplacar a dor que a menina sentia. Não demorou o silencio dar lugar ao choro por um par de minutos. Quando, por fim, as lagrimas cessaram, ele teve a certeza que Isabella adormecera. Deitou a menina na cama, cobrindo-a.
O que ele faria agora? Bem, não havia nada além de sustentar a mentira, até que Isabella estivesse ocupada demais para se lembrar do pai ausente. Não seria fácil, mas nada o impedia de tentar. E, embora tudo parecesse fácil demais, ele não conseguiu dormir logo, preocupado. No entanto, à medida que os dias se passaram e Isabella voltou a sorrir, as preocupações do jovem Cullen foram sendo postas de lado. Compraram tudo de que necessitavam, uma vez que haviam levado pouca bagagem e conheciam aquele fantástico lugar, cheio de beleza e mistério nas ruínas de civilizações passadas anda preservadas.
Enquanto Isabella parecia feliz pela viagem, Edward refletia. Não exatamente sobre Charlie e a sua morte, embora isso ainda o preocupasse, mas sobre eles dois.
Como nominar o que agora eles tinham? Isabella não era mais a sua propriedade, absolutamente. Ela trabalhava com ele, dormia na sua cama, ouvia seus desabafos e ofertava o seu amor gratuito quando ele queria. Bella era como a namorada que sempre quisera ter, mas nunca ousou procurar. Antes não havia a menor possibilidade de ter um relacionamento com alguém que não poderia saber quem ele era e o que fazia, mas agora...
Olhando para ela, enquanto chegavam de taxi na marina onde subiriam a bordo do iate, Edward teve a certeza de que Isabella era sua e não sairia da sua vida. Poderia então expressar mais abertamente o que sentia, a fim de deixa-la satisfeita. Mas antes ele precisava admitir, lutando contra os seus medos, o que de fato sentia pela menina.
-Wow! –Isabella parecia embasbacada quando, enfim, os dois estavam diante do Iate chamado Poseidon. –É enorme e lindo!
-Na verdade esse é bem menor do que eu havia solicitado inicialmente. O outro precisaria de tripulação e, como quero você só para mim, optei por um modelo menor em que eu pudesse guiar.
-Vai ser o comandante então?
-Sim, eu serei comandante e a tripulação e não se preocupe, eu sei de todo o mecanismo. Não vamos naufragar ou ficar encalhados. –Disse perante o rosto chocado da Swan.
-E qual o nosso destino? –Ela perguntou, com os olhos fixos no iate.
-Qualquer lugar. Lugar nenhum. Aonde quisermos. Vamos? –Pegou a mão da menina, sendo ajudados pelos funcionários que haviam trazido o iate. Logo os pertences estavam arrumados na suíte e, sob os olhares dos funcionários que ficaram, Poseidon partia, soberano, ameaçando cortar as águas do oceano. A morena ficou na proa, sentindo o vento marítimo passar velozmente pelo seu rosto. Edward manejava com destreza o iate, lembrando-se das poucas horas de aula que teve e as muitas praticas as quais se submeteu no pouquíssimo tempo de folga que se impunha. Seria fácil, como dirigir um carro em uma avenida pouco movimentada. A paz que o tomava subitamente se uebrou ao recordar da noticia que leu, dias atrás, de um policial aposentado que se suicidara em casa.
Enquanto via o litoral mais e mais afastado à medida que o Iate se afastava da marina, Edward se perguntou se ele conseguiria sustentar essa grande mentira para proteger Isabella da dor.
...
Bebericava uma taça de vinho enquanto remexia nas camisas sociais do patrão. Toca-las era como tocar novamente no peito musculoso e livre de pelos que ela adorava.
Ah, bons tempos!
Se ela pudesse voltar, se aproveitado mais da benevolência de Jessica Stanley, que concedeu os seus sonhos, tal qual uma fada madrinha! Escolheu uma camisa preta Armani, arrumando-a meticulosamente em cima da grande cômoda. Foi na que se deitou com o rosto colado na camisa, aspirando sofregamente o cheiro. Não era mais o cheiro de Edward, bem lavada como estava, mas ela quase podia fingir que era ele ali, e não uma simples camisa.
Em uma das mãos o recorte do jornal de dias atrás, notificando a morte de um policial. Lauren sorriu. Logo, quando Edward voltasse junto a Isabella da lua de mel em algum lugar do mundo, ela agiria e acabaria com a felicidade do casal, para sempre.
Notas finais
Não se esqueçam de se inscrever lá! Eu estou melhorando da saúde e minha mãe também. :) Já estou escrevendo duas fics, uma de Cidade dos ossos e outra que promete ser a substituta dessa fanfic, e logo darei notícias sobre isso. Quando a fanfic Sacrifício, ela está sendo escrita.
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