–Nossa... Que bela casa. –Jessica entrou, olhando a tudo, cada canto, com curiosidade. Tateou alguns moveis, sentindo a textura da superfície sem nenhuma grama de poeira. Apesar do exame minucioso, não aparentava deslumbre. Edward, que entrou logo depois no seu apartamento, admirava a menina, ainda perturbado com a decisão que tão imprudentemente tomara. Relacionamentos casuais, como os que tinha com Tania Denali, era uma coisa, mas adquirir uma mulher no evento beneficente do patrão...

–Funcionários de Aro Volturi costumam ser bem recompensados. O suficiente para adquirir imóveis como este.

–Eu conheço alguns funcionários, mas quase nenhum deles tem esse cacife. Se tem uma casa dessas é por conta da sua posição. O braço direito do todo poderoso! –Jessica parecia satisfeita e até admirada ao falar. Não era para menos: o braço direito era considerado um homem temido e admirado, que gozava de muitos privilégios e para ela, uma mercadoria dos mafiosi, estar com um homem poderoso e belo como ele era um achado.

–Se você diz... –Disse, afrouxando a gravata.

–Você parece ser modesto demais. Bem... Só estou dizendo o que eu ouço. Você, Edward Cullen, é aquele pro quem o Aro faria muita coisa. Mais até do que faria pelos irmãos. –Jessica virou-se, olhando para o rapaz de um jeito sedutor. –Mas vamos deixar essa conversa de lado. Eu tenho coisas mais interessantes em vista... –A menina largou a bolsa, jogando-a no chão.

–Vamos para o meu quarto então. –Sugeriu Edward enquanto a menina retirava os sapatos de salto quinze dos pés, para logo mais empurra-lo em direção a um dos sofás.

–Um segredo sobre mim: gosto de transar em lugares não convencionais. –Sorriu enquanto capturava os lábios do rapaz com os seus; uma mão já o tocando intimamente na genitália. Edward se espantou, de uma forma boa, com a ousadia de Jessica. Bem... Talvez adquirir uma mulher, ainda mais uma mulher que conhecia o seu lado obscuro, poderia ser bom.

Ele não queria ter que falar sobre Jessica. Bella não precisava saber com detalhes no que ele se transformou após passar por difíceis provações. Não que Isabella não tivesse tido nenhum contato com esse Edward sombrio, claro que teve! Foi esse mesmo Edward que a maltratou física e psicologicamente por meses a fio, chegando a estupra-la. Mas ainda sim não achava saudável reviver aquela época, antes e pouco tempo depois de comprar Isabella. Ainda sim...

–Jessica Stanley foi comprada por mim em um evento “beneficente” promovido por Aro Volturi. Ele costumava fazer eventos assim, a fim de vender homens, mulheres e crianças traficadas, um dos negócios mais lucrativos da organização criminosa dele, a meu ver. Aquela altura, após trabalhar algum tempo sendo o administrador dos seus bens, eu havia mudado. Não era mais o garoto que o procurara, apavorado, querendo ajuda para resgatar a mãe. Esme havia se suicidado na clinica psiquiátrica que eu a havia internado, uma vez que não tinha condições de cuidar dela.

–Eu sinto muito por Esme. –Murmurou Isabella, aproximando-se e beijando-o no queixo. A tensão do rapaz, todavia, não amainou com o seu gesto.

–A perda dela, após acompanhar a sua condição deplorável por conta dos muitos abusos, apenas piorou o meu estado psicológico abalado. Entenda Bella, eu fui uma vitima, mas paulatinamente eu me tornei um monstro. Via todo o tipo de coisas, sabia de coisas e não me importava. Eu simplesmente me tornei uma criatura insensível.

Mas a presença dela, de alguma forma, trouxe um pouco de leveza na minha vida. A presença de Jessica...

–Aonde vai vestido assim? -Jessica perguntou, largando a revista que estava folheando. Edward encarou o próprio reflexo no espelho com azedume. Odiava ter que ir às reuniões de Aro com membros do submundo, e como o braço direito do chefe, ela era obrigado.

–Uma audiência com Aro. Tive um dia cheio no escritório. Preferiria ficar aqui, mas ele... –Sentiu as mãos pequenas da menina rodearem o eu tronco, alcançando a gravata cinza chumbo. Ao invés de terminar o nó, ela começou a desfazê-lo. –O que está fazendo?

–Se não quer ir, não vá. Garanto que ficar aqui comigo será muito mais lucrativo. –E antes que Edward pudesse contradizê-la, falando pela milésima vez das obrigações que tinha para com Aro, a intrépida Stanley colou os seus lábios aos do rapaz, sem dar espaço para discussão. Verdade seja dita, ela não deu espaço durante toda a noite.

Ela era divertida. Para ela, a vida precisava ser vivida intensamente. E eu, de alguma forma, procurei incorporar isso. Até então me dedicava apenas ao trabalho que eu forçadamente estava. Após a compra de Jessica, pude me divertir um pouco mais, fazendo algo que até então eu não fazia: sorrir.

–Ela parecia... A vontade com a função dela. –Comentou Bella, encabulada. Estava estarrecida, sem entender como alguém, que fora leiloada, poderia ter aceitado tão pacificamente a sua condição.

–A vida que ela tinha antes de ser adotada pela máfia era pior. Fora abusada sexualmente pelo padrasto por anos a fio após a morte da mãe biológica. Acabou matando o desgraçado em legitima defesa, mas temeu a prisão. Trocou a própria liberdade, com a ocultação do cadáver do maldito, para ser uma mercadoria. Dizia que, antes de mim, apenas homens desinteressantes ou horríveis foram as suas companhias. Então para ela, ter sido adquirida por mim era motivo de comemoração. De fato, todos os dias para Jessica pareciam uma festa.

–Você a amava? –A pergunta veio sem querer. Isabella, embora não quisesse admitir para si mesma, sentiu certo ciúme de Jessica. Edward falava dela com um brilho no olhar... Poderia indicar, quem sabe, um amor pela falecida. Ela precisava saber o que havia se passado no coração do maior enquanto tinha Jessica, e não ela, ao lado.

–Jessica irradiava energia e alegria. Foi fácil me contagiar. Fiz, em contrapartida, todas as suas vontades, procurando alimentar ainda mais esse espírito. Desenvolvemos um relacionamento agradável, mas... Embora eu gostasse de estar com ela, nunca gostei dela. No entanto, eu não acreditada que isso nos traria algum problema, a minha incapacidade de amar o outro. Depois de amar e ver as pessoas que eu amava serem destruídas, fiquei com medo de sofrer novamente. Eu me tranquei em mim mesmo. Então, após relacionamentos rápidos, encontrei alguém que sabia quem eu era e não se importava. Isso nos aproximou.

Ela era desapegada. Não exigia nada de mim. Sabia o seu lugar. Os empregados se davam bem com ela, especialmente Lauren. O apego delas deixou Lauren relaxada, mas quando u reclamava com Jessica, pedindo para que não desse regalias a empregada, ela sorria, me beijava e eu esquecia todo o resto.

As coisas transcorriam com normalidade e Jessica, alem de minha amante, tornou-se minha confidente, meu porto seguro. Apesar disso, eu me permitia ficar com outras mulheres, mas a pratica não me trazia nenhum prazer... Ficar com Jessica era melhor.

–Mas alguma cosia aconteceu, não e? Ouço coisas, coisas que não deveria ouvir... –Bella tentou ler a expressão do rapaz, mas não soube o que ele sentiu ao saber sobre os boatos que ela ouvira. Continuou ali, colada a ele, com os olhos fixos nos dele.

As coisas começaram a mudar. Jessica passou a me exigir coisas... Como uma mulher faria para com o seu marido. Já não era a figura alegre de outrora e se entregou a vícios...

–PRA MIM JÁ CHEGA! SE QUER TRAZER AS ESCONDIDAS ESSE MALDITO PÓ E CHEIRAR ATÉ MORRER, EU TO POUCO ME LIXANDO! –Edward gritou, projetando-se para sair do seu quarto. Foi impedido por Jessica, que, desvairada, tentava puxa-lo pelo braço.

–VOCÊ É MEU! NÃO VAI SAIR! NÃO VAI ME DEIXAR POR NINGUEM! –Gritava a menina, com os olhos vidrados pela droga. Edward a puxou para si.

–Você não tem o direito de me dar ordens. Por um acaso se esqueceu da sua posição? –Sussurrou, intenso. Empurrou a jovem, saindo o mais rápido que pôde do apartamento.

Não queria realmente sair, mas o comportamento de Jessica estava ficando insustentável. Proibi-la de sair de casa de nada adiantou, pois de alguma forma ela conseguia trazer todo o tipo de coisas ilícitas para lá. Já não era a menina alegre e bonita que conhecera. Cuidava pouco da aparência, isso quando cuidava, e passava a maior parte do tempo com o rosto crispado de raiva, ou aérea, sob o efeito de alguma coisa. Não saberia dizer o que a fez mudar tanto em tão pouco tempo, talvez a sua história de vida, trágica como a dele...

Quando voltou durante a madrugada, tomou uma rápida chuveirada e foi se deitar ao lado de Jessica. Cansado como estava, logo pegou no sono... E acordou minutos depois, com uma Jessica insana em cima dele, segurando uma faca de cozinha.

Jessica estava tão desequilibrada que tentou tirar a minha vida, e a dela também. Precisei interna-la em uma clinica de reabilitação, para logo depois de alguns meses passar uma temporada em uma clinica de repouso. Não a visitei um único dia, achando que, o melhor, era manter distancia. De faro comecei a vê-la como um estorvo e planejei me livrar dela assim que chegasse.

–Jessica voltara e parecia melhor, mas o fato de ter tentado me matar enquanto eu dormia ficou tão enraizado em mim que eu não me permiti dividir a cama com ela ou outra pessoa.

–Então por isso você... –E então Bella entendeu o porquê Edward parecia tão incomodado, sempre querendo que ela deixasse o quarto. Ele ainda recordava do atentado contra a vida que sofreu. O fato de aceitá-la em seu quarto era uma prova incontestável de confiança. Edward pareceu não ouvi-la.

–Mas o fato é que a nossa relação havia ficado abalada. Queria me livrar dela e pedi ajuda a Aro. Até então eu não conhecia os hábitos sórdidos de Caius, irmão mais novo, por isso não me opus quando Aro cogitou uma possível compra.

As palavras de Edward chocaram Isabella. Ela compreendeu, antes mesmo do rapaz entrar em detalhes, o que ele havia feito, por que ele se julgava um monstro. A morena passara algumas horas com o odioso rapaz e sabia que jamais se esqueceria do ocorrido, em como fora torturada por Caius. Edward a salvou e condenou o ato do loiro, mas saber que certa vez ele tenha compactuado com um sofrimento desses...

Ele viu nos olhos dela o choque e a reprovação e pensou em parar, mas continuou. Se ela iria odiá-lo, que o odiasse não por meias verdades.

–Eu mesmo me encarreguei de leva-la, após fazê-la ingerir remédios para dormir. Uma semana se passou depois disso. Não cheguei a me importar. Eu apenas soube do inferno que ela passou quando a própria, cheia de feridas e com uma arma na mão. Não sei bem quem a ajudou a entrar, provavelmente Lauren, que sempre nutriu uma amizade por ela.

Eu só tive ideia da gravidade do que eu havia feito naquele momento. Tanto condenei Eleazar pelo que fizera a minha mãe e acabei colaborando para que Jessica tivesse o mesmo fim.

–Passei pelo inferno... Teria sido melhor ter me matado, mas você... –Jessica, com as mãos trêmulas e ensanguentadas, apontava o revolver para Edward. Ele olhou atentamente para a menina, sentia uma ânsia de enjoo toma-lo. Ela não estava bem, coberta de ferimentos, dos mais profundos aos mais superficiais, mas alguma coisa dizia que aquele seu estado não fora provocado por ela própria, apesar do desequilíbrio em que se encontrava quando Edward abdicou dela, mas por aquele que a adquirira: Caius Volturi.

–Jessica, largue essa arma. Vamos conversar. –Ele dizia enquanto se aproximava cautelosamente da menina. Jessica não o obedeceu. –Faça o que eu estou mandando! –Retorquiu.

–Vai me mandar para lá! Para aquele inferno! –Gritava a menina, balançando a arma, mas mantendo a mira no rapaz. Estava completamente desequilibrada, ainda mais fragilizada de que quando saiu de lá.

–Não a mandarei se abaixar a arma. –Manteve as mãos levantadas, para que elas ficassem visíveis. Edward continuava a se aproximar, pensando em como neutralizaria a menina. Sempre foi adepto de exercícios físicos e fez cursos de defesa pessoal e tiro, por isso seria fácil submetê-la a ele, desde que tivesse uma chance. Ainda sim seria arriscado. Jessica, com os olhos insanos fixos nele, poderia fazer qualquer coisa.

–Promete? –Ela perguntou, parecendo subitamente vulnerável. –Vai ficar comigo? –Perguntou novamente, sorrindo. O espelho de um sorriso que outrora o encantou, incitando-o a adquiri-la.

–Sim, eu ficarei com você, Jessica. –Edward prometeu, mas a garota percebeu naqueles olhos cor de esmeralda a mentira. O rosto da menina se crispou, destacando assim algumas cicatrizes que lhe cobriam o rosto.

–MENTIRA! ESTÁ MENTINDO! VAI ME ABANDONAR! EU O MATO! VOCÊ É MEU! VOCÊ É...

Edward avançou, tentando desarmar Jessica. A arma ficou entre os dois e ambos tentaram arrancar da mão do outro. Um barulho soou na porta e Jessica, distraída, acabou por perder a arma. Edward a segurou próximo da menina, mas o dedo resvalou no gatilho...

Lauren, que estava à porta, tapou a boca com as mãos, contendo sem sucesso um grito horrorizado.

Aos pés de Edward estava o corpo sem vida de Jessica Stanley, assassinada com um tiro certeiro no coração.

–Eu a matei, Isabella. Matei Jessica.

–Foi um acidente... –Murmurou Isabella, querendo acreditar que aquele rapaz era melhor do que o quadro pintado por ele, mas falhando miseravelmente. A verdade daquilo, saber que ele havia vendido Jessica para um psicopata como Caius, a assustou. Ela, sem perceber, se afastou de Edward na cama. O rapaz, todavia, percebeu.

–Eu a matei de diferentes formas. Não apenas puxando o gatilho.

–E Lauren viu? Disse que ela estava na porta.

–Viu. Por isso eu a mantenho aqui. Ela poderia me denunciar. E eu precisaria me livrar dela. Não quero mais um assassinato nas minhas costas. Prefiro pagá-la e aguentar o seu gênio difícil, do que ter que... Ter que pedir ajuda de Aro para me livrar dela, como pedi por Jessica antes dela ser entregue a Caius e depois. Ele se livrou do cadáver, fazendo parecer um assassinato banal por conta de dividas com drogas. Jessica foi enterrada, inclusive, como indigente. Esse também foi um dos motivos para eu tê-la comprado. Como se evitar que você caísse nas mãos daquele monstro fosse me redimir pelo que eu fiz, mas no fundo sei que isso não acontecerá.

Isabella ficou parada, os olhos fixos naquela figura que lhe inspirava piedade. Toda a verdade estava ali, diante dos seus olhos. O quebra-cabeça que era Edward Anthony Masen Cullen finalmente montado. E a cabeça da morena girando, girando, girando...

Edward suspirou, sentindo como se um peso opressor tivesse sido retirado dele. Se ele soubesse o quanto se sentiria melhor contato toda a verdade a Isabella, talvez tivesse dito tudo muito tempo antes. Mas também olhou para aqueles olhos castanhos de estranha profundidade, encarando-o com horror. Ah, claro que tudo não poderia ficar lindo quando ele chegasse à parte de Jessica Stanley e todo o descaso com que tratara. Isabella sentiria empatia, e com a empatia viria sentimentos que iam do desagrado ao nojo pela pessoa de Edward. E é por isso que ele deveria ir, agora.

–Você precisa de um tempo, eu bem sei disso. Apenas... Por favor, coma alguma coisa. Pedi aos empregados para providenciar o seu almoço e logo Angela estará aqui. –Edward se levantou da cama, relutante. Temia deixa-la sozinha e Isabella concluir que era melhor odia-lo, mas não queria permanecer lá e receber aquele olhar chocado, próximo do desagrado.

Ao chegar ao seu quarto, Edward desabou na cama. Estava esgotado, física e emocionalmente. Contar a verdade para ela havia sido difícil e agora ele não sabia o que esperar da menina. Ela poderia passar o resto da vida desprezando-o e a pergunta era: o que ele faria caso isso acontecesse? Ele não conseguiria viver sendo desprezado por ela dia após dia.

Sem fome, Edward pulou a refeição, tomando um demorado banho. Ansiou encontrar no seu quarto Isabella quando saiu do banheiro, mas o cômodo continuava vazio, contando apenas com a sua presença. Tentou trabalhar no escritório anexo ao quarto, mas constantemente desviava o olhar para dentro do aposento principal, esperando Isabella entrar por ele, vestida num hobby de seda e sorrindo docemente. E a cada minuto que passava, e ele continuava sozinho no quarto, um sentimento opressor o invadia. Deveria permanecer ali até o dia seguinte ou ir ao encontro de Isabella? O que ela estaria fazendo agora?

Por fim, atordoado por uma gama de sentimentos ruins, tomou dois comprimidos para dormir que encontrou no armário no banheiro e foi se deitar. Enquanto o corpo padecia do dia cansativo e substancias no organismo que auxiliavam o sono, Edward se perguntou se era possível Bella ainda vê-lo com amor quando ninguém mais conseguia, nem ele mesmo.

Em um dado Edward despertou, não completamente, pois a medicação ainda fazia efeito. Os olhos demoraram mais do que o normal para se ajustarem a pouca iluminação do quarto. E quando ele notou uma figura deitada ao seu lado, olhando-o, sentiu a surpresa toma-lo. Minutos se passaram sem que nenhuma palavra fosse proferida. Edward não pretendia quebrar o silencio, ainda incerto se falar seria uma boa ideia, mas a mão de Isabella pousou no rosto dele, acariciando-o, e ele sentiu tudo o mais dentro dele relaxar.

–Isso é um sonho? –Ele perguntou incerto.

–Por que acharia isso?

–Por que eu disse o meu passado a você. Estava esperando que nunca mais quisesse me ver.

–Eu já o perdoei por coisas piores, Edward. Não estou sequer chateada. Eu fiquei feliz por você depositar tamanha confiança em mim.

–Não foi isso o que eu pensei... –Edward falava ainda com a voz grogue.

–Era muita coisa para processar. Achei que os dois precisavam de tempo. Pretendia vê-lo apenas amanha de manha, mas... –Isabella desviou o olhar apenas por uma fração de segundos, e o que Edward viu naqueles olhos quando novamente direcionados para ele foi arrebatador. -... Não consegui ficar longe de você, Edward.

Um sorriso preguiçoso surgiu nos lábios do rapaz e ele estreitou o espaço dos corpos, puxando Isabella pela cintura em sua direção. Ficaram os dois, um de frente para o outro, tão próximos que sentiam no rosto a respiração quente do outro.

–Que bom que não conseguiu ficar longe de mim. –Ele a abraçou e voltou ao mundo dos sonhos, embora desejasse ardentemente permanecer acordado e, assim, ficar com Isabella.

Na manhã seguinte, Edward não saberia descrever o alivio e alegria que sentiu quando se deparou com uma Isabella adormecida no seu peito, aconchegada nele todo como um girassol em direção ao Sol. Decidiu então que não trabalharia, e, assim, desfrutaria mais da companhia da morena. Por isso, mesmo suficientemente descansado, permaneceu deitado, acariciando as madeixas cor de mogno com delicadeza enquanto o quarto ia ficando mais e mais iluminado graças aos raios de Sol que penetravam o ambiente pelas frestas das cortinas que cobriam as persianas.

Paulatinamente Isabella foi acordando, as pequeninas mãos acariciando o peito do rapaz sob a camisa de algodão. Murmúrios incompreensíveis saiam de seus lábios até que Edward pôde ouvir o seu nome e, assim, ter a certeza de que Isabella estava completamente desperta.

–Precisamos nos levantar. O trabalho... –A menina dizia enquanto se afastava, o suficiente para se espreguiçar. Edward a conteve em seus braços.

–Hoje não. –Disse, observando atentamente a menina. Isabella também o observava e, ao notar o ferimento que Felix fizera na testa de Edward quando o chutou, tocou o ferimento com leveza.

–Dói? –Perguntou a ele ainda tateando o ferimento.

–Se você continuar apertando assim, doerá. –Ele sorriu. Isabella prontamente parou, fazendo menção de retirar a mão, mas Edward a deteve. –Tudo bem. Não está doendo tanto assim. –Colocou a sua mão sobre a de Isabella, mantendo-a no lugar. A expressão imperturbável da menina deu lugar a evidente angustia que sentia.

–O que será de nós agora, Edward?

–Eu não sei. Mas sinto que, pela primeira vez, o poder de decisão não está em minhas mãos. Não deixe o poder de decisão nas minhas mãos, pois, como você soube, eu faço tudo errado.

O olhar que Edward lançou a ela foi tão intenso, tão significativo, que Isabella se viu incapaz de dizer alguma coisa.

...

Após um dia de descanso, na manha seguinte, enquanto trabalhava no escritório, Edward teve uma ideia. Quase nunca saíra com Isabella e queria agrada-la de algum modo. Imaginou que convida-la para ir a algum lugar ao anoitecer seria uma boa opção, como um encontro entre dois namorados. Namorados... Era isso o que eram agora? Não oficializaram a relação, mas seria ingenuidade pensar que ela ainda era apenas uma propriedade, principalmente após a conversa esclarecedora que tiveram. Mas a sua decisão só se formou quando, em uma breve conversa com Emmett, o primo exclamou:

–Tem que levar a mina para sair às vezes. Dançar, manter o corpo em forma... A gatinha ficará tão grata que provavelmente fará o melhor sexo da vida de vocês!

–Não penso em levar Bella para sair com o intuito de ganhar algo! –Esbravejou.

–Isso por que você é gay! Um gay enrustido vestindo Aumani.

–É Armani, Emmett.

–Aumani, Armani ou o terno de um defunto que comprou na porta do cemitério eu nãosei! E que história é essa de chama-la de Bella? Depois afirma que não é viadinho, dando apelidos carinhosos para ela. –As gargalhadas do homenzarrão foram tão ruidosas que Edward precisou afastar o telefone da orelha.

–Até onde eu sei você faz isso com Rose. –Desdenhou o Cullen.

–-Ora seu...!

–Edward... –Isabella o chamou. –Reuniao com um cliente. –Avisou.

–Deixemos a troca de farpas para depois. –Avisou a Emmett, desligando antes que o primo dissesse algo impróprio. –Pode deixa-lo entrar, Bella.

...

–Sair?

–Sim. Não fizemos muito isso. Na verdade, sequer lembro quando o fizemos. Estamos trabalhando bastante, negligenciando a diversão. Então hoje de manhã eu pensei na possibilidade de sairmos. –Edward explicava para Isabella enquanto esta retirava os sapatos.

–Por isso saímos mais cedo do escritório?

–Sim. Imaginei que gostaria de mais tempo para se arrumar. –Edward olhou atentamente para a Swan, ansioso. Queria saber se a proposta para sair a faria feliz e ficou decepcionado pela menina não ter demonstrado nenhuma reação que indicasse alegria.

–Tudo bem. –Pegou os sapatos que havia tirado e se dirigiu para a porta, saindo do quarto. Quarenta minutos depois Isabella estava pronta, quando um vestido preto, com a saia vermelha esvoaçante, e sapatos altos demais até para o patrão dela, pretos. A maquiagem fosca realçava os olhos enquanto os lábios estavam tingidos pro um provocante vermelho.

–Sinto que terei trabalho com você esta noite. –Brincou, arrancando um sorriso da Swan.

–Você também está bonito. –Admirou o rapaz, que escolhera um look sofisticado, mas com um quê de casualidade que deixava a morena sem fôlego. O colete sobre a camisa e a gravata, presos com um corente, davam um ar sensual a Edward.

–Vamos a uma boate, Delirium. Sei que não tem habilidade nenhuma para dançar, mas as bebidas e aperitivos servidos lá são excelentes. –Pegou a mão da morena, conduzindo-a para a porta.

–Já foi lá?

–Sim, algumas vezes. É um lugar... Seguro.

–O que quer dizer com seguro? –Isabella perguntou quando pararam em frente aos elevadores sociais.

–Aro... Possui muitos negócios, para encobrir as atividades ilícitas, fonte de sua riqueza. Uma delas é...

–A boate pertence a ele? Então por que iremos para lá? Não quero encontrar com nenhum deles, a não ser que seja necessário! –Edward colocou as mãos nos ombros de Isabella, afagando-os.

–Bella, eu sou alguém notório, tanto no mundo a qual estava inserida quanto no submundo. Inimigos de Aro adorariam por as mãos em mim... E em quem estiver ao meu lado. Preciso me cuidar e cuidar dos meus. Por isso vou a lugares seguros, lugares supervisionados pelos capangas de Aro. Entende o que estou dizendo?

–Sim, eu entendo. Bem, é melhor irmos então. –A menina tentou esconder o desconforto em saber que estaria em um lugar gerenciado por Aro, pois sabia que a sua atitude deixaria Edward satisfeito. Seguiram então para a boate mais badalada da cidade, Delirium, chegando ao momento de maior transito de pedestres e veículos. Felizmente, sendo quem era, Edward não precisou lutar por uma vaga para o seu automóvel, tampouco esperar na quilométrica fila do lado de fora.

Isabella parecia uma criança que saiu de casa na época do natal, fascinada com as luzes da cidade, os sons, os cheiros... Parecia que há tempos não saia. Edward a observou atentamente, feliz por ela ter deixado de lado as desconfianças quanto ao lugar e parecer realmente estar aproveitando o passeio. Sentiu-se bem quando pegou a mão da morena enquanto entravam no lugar badalado, sendo alvo de olhares tanto por homens quanto por mulheres.

Quando o gerente do local, um homem baixinho e de sexualidade duvidosa, chamado Gastón, percebeu a presença do braço direito de Aro Volturi, prontamente veio ao seu encontro.

–Que bela surpresa! E depois de tanto tempo...! Senhor Cullen, é um prazer recebê-lo junto a... –olhou para Isabella de cima a baixo. -... Acompanhante. Vamos, deixe-me guia-lo até a área vip, a melhor da boate! Vamos! Vamos! –Excessivamente cortês, Gastón os conduziu até a área mais nobre da boate, área esta reservada apenas a Aro, mas que frequentemente outros integrantes da máfia usavam na ausência do seu chefe.

–Esse é Gastón, administrador da boate. –Edward sussurrou para Isabella enquanto a conduzia, mantendo uma mão na base da coluna.

–Ele parece conhecê-lo bem.

–Costumava vir aqui com frequência. Os drinks são muito bons.

–Trouxe Jessica com você em alguma ocasião? –Isabella manteve os olhos nele, soando-o. Edward sempre parecia confortável em falar da menina, mas agora, independente do nível de desconforto, ele contava.

–Sim. Antes de ela me trazer problemas. Bem... Não é o momento para recordações indesejadas. Ele a puxou para mais perto e sorrateiramente, aproveitando-se da pouca iluminação do local, acariciou o traseiro de Isabella. A Swan, surpresa, só conseguia olha-lo enquanto Edward lançava um olhar intenso para ela.

–Está muito gostosa... –Sussurrou no ouvido da menina após se inclinar. –Tão gostosa que talvez eu não consiga esperar até chegarmos em casa para conferi-la de cima a baixo.

–Parece uma boa ideia. –Disse Isabella, provocante. Não era do feitio dela tais comentários, e talvez não conseguisse se soltar devidamente, mas diante de uma promessa tão erótica feita pelo homem que amava, não pôde deixar de revidar com um comentário espertinho.

–Aqui! –Apontou o homenzinho. Isabella prontamente sentou em uma das poltronas, sendo acompanhada por Edward. –Trarei o que desejarem.

–Um Platinun Passion para a senhorita e um Uísque doze anos para mim. –Pediu. Gastón praticamente correu em direção ao bar, guiando, minutos depois, um garçom que segurava uma bandeja com os dois drinks.

–Apenas para deixa-la mais a vontade. –Sorriu para a menina, transbordando segundas intenções.

–Mais a vontade para que? –Retorquiu.

–Você verá. Apenas seja uma boa menina e beba tudo o que eu oferecer. –Edward olhou o ambiente. Aquela sala vip era conjugada com outros espaços, separados por vidro. Podia ver perfeitamente todos os outros ocupantes daquela área, a maioria pessoas importantes do cenário musical e artístico. Enquanto bebericava da sua bebida, vendo pelo canto de olho Isabella fazer o mesmo, pousou a mão na coxa da morena, acariciando aquele ponto.

Ansiosa pelas promessas do rapaz, Isabella obedientemente bebeu tudo o que lhe foi ofertado, o primeiro drink e o segundo chamado The Daiquiri 1981. Por não ter o habito de beber, sentiu certa tontura e foi preciso consumir água e uma sobremesa doce para recuperar o ânimo. Após se recompor, arriscou tomar outra dose do Platinun Passion, mas se policiando para não bebê-lo todo.

Edward, que já estava na sua terceira dose de Uisque, levantou-se.

–Preciso ir ao toalete. Não saia daqui, está bem?

–Sim. –Encorajou-o. Edward saiu relutante, pois a ideia de deixar Isabella sozinha nunca lhe agradava. Isabella suspirou, sentindo-se vulnerável, como sempre se sentia, em ambientes com alguma ligação com os Volturi.

Assustou-se quando um pequeno grupo de mulheres, rindo demais, invadiu o cubículo. Elas se aglomeraram envolta de Isabella, sentando-se no espaço vazio das poltronas de couro que contornavam a mesa.

–Hei! Tem uma menina aqui! –Avisou uma delas.

–Olááááá... Podemos ficar aqui com você? –Uma perguntou, olhando Isabella com interesse.

–Nossa, que vestido lindo! –Uma comentou, a mais próxima de Isabella, acariciando o tecido. A Swan, atordoada, não sabia para onde olhar.

–É melhor saírem. Essa área é reservada e estou acompanhada. –Intimou as meninas, sendo facilmente ignorada.

–Mas tem tanto espaço aqui! A área vip está cheia! –Reclamou uma loira e as outras concordaram.

–O QUE FAZEM AQUI? SAIAM! –Gastón, que entrou no espaço ao ouvir barulhos, gritou. Praticamente enxotou as meninas para fora, murmurando desculpas o tempo todo pelo inconveniente. Isabella lhe sorriu agradecida.

Isabella, a fim de conter o nervosismo, deu um grande gole no seu coquetel, sem perceber que uma das meninas havia deixado um presentinho na bebida.

...

Edward, que minutos atrás estava em um dos toaletes da boate, encarava o sujeito a sua frente. Felix estava parado no corredor, olhando para Edward com ódio. Claro, da ultima vez que os dois estavam cara a cara, Edward atirou em Felix, pegando-o de raspão.

–Felix... Se está aqui, imagino que algum Volturi também esteja. –Enquanto falava com casualidade, sentiu os batimentos cardíacos acelerados ante a possibilidade de Caius ser o Volturi a quem Felix acompanhava.

–Até mesmo pessoas como eu procuram diversão, embora o meu maior divertimento seja bater em certos caras. –Ele estalou ameaçadoramente as articulações das mãos.

–Nervosinho por que da ultima vez eu fui o vencedor da disputa? –provocou Edward para a irritação do maior.

–Fácil vencer com uma arma na mão, garoto. Quero ver me vencer sem isso. Acho uma boa hora agora. –Ele não estava para brincadeira, Edward concluiu. Claro, fora humilhado por Edward no ultimo encontro, sendo obrigado a recuar, pois não poderia fazer nada contra alguém armado. Agora queria uma revanche e tentar ignora-lo não era uma opção.

Edward sempre se cuidou. Embora, nos últimos tempos, pouco praticasse exercícios. Aprendeu com perfeição as mais variadas técnicas de defesa pessoal e se achava capaz o suficiente de coloca-las em prática mesmo sem muita prática. E foi exatamente o que fez. Quando Felix, com os seus mais de dois metros, avançou, o rapaz respirou fundo, desviou-se do grandalhão graciosamente e lhe passou uma rasteira, usando o seu próprio corpo para imobiliza-lo. Com uma chave de braço, mostrando o quão forte ele poderia ser apesar do tamanho, falou:

–Não estou para brincadeiras. Você, se comparado a minha posição, é um item descartável. Já me livrei de dois corpos com a ajuda de Aro, não me custaria me livrar do seu. –Sussurrou ameaçadoramente, soltando Felix, que grunhiu ainda no chão. Tratou de ir logo embora, pois poderia não ter muito mais sorte com ele. Procurou sufocar a tensão, pois não queria que Bella percebesse e acabasse sabendo do encontro dele com Felix.

O problema era que não encontrou Bella na área VIP.

–Merda! –Esbravejou, descendo as escadas e retornando ao grande salão.

Edward procurou Isabella, estranhando o fato de ela não estar sentada na mesa na área vip como ele havia pedido. Talvez tivesse ido ao toalete, como ela, mas... Não era seguro Bella estar transitando naquele lugar. Aquela boate, frequentada apenas pela nata da sociedade, era muito mais perigosa do que uma festa promovida pelos mais baixos traficantes. Pessoas da mais alta estirpe, que sentem um prazer insano em prejudicar o outro. Uma verdadeira fogueira de vaidades e política do pão e circo.

Os olhos esmeraldinos perscrutaram o ambiente e o rapaz foi ficando mais e mais ansioso à medida que não localizava a Swan. Como pudera ser tão burro, deixando-a sozinha, ainda que por pouco tempo? Não deveria ter ido ao toalete, tão pouco dado margem as provocações de Felix, que se encontrava no recinto, e que apenas o atrasara.

Após vinte minutos de intensa busca, ele a localizou em uma das pistas mais abarrotadas de pessoas, o alivio sendo logo substituído por choque quando observou a forma como Isabella se movia, completamente entregue a musica que agora tocava. A cena lhe era familiar.

Uma música conhecida por ele tocava. Uma música que, em verdade, ele não gostaria de ouvir.

EU AMO ESSA MÚSICA! –Era o que Jessica dizia toda vez que eles a ouviam em algum lugar. A menina o deixava de lado e ia dançar e dançar...

A música Sexy boy da banda Air.

Por alguns instantes, Edward não viu Isabella. Por alguns instantes ele voltou àquela mesma boate, tempos atrás, vendo Jessica Stanley bela em um vestido de couro, repleta de acessórios nos braços e orelhas, dançando freneticamente ao som da sua música preferida. O modo como dançava na época, geralmente influenciado por alguma droga, nunca havia deixado de ser gracioso para o rapaz. E ela dançava, e dançava, chamando a atenção de todos na boate, convidando Edward com o indicador para se juntar a ela, o que ele geralmente fazia sem hesitar, inebriado pela sensualidade que a Stanley emanava naturalmente. Todavia, aquelas lembranças eram apenas isso: lembranças. Paulatinamente a memória foi posta de lado, pois nunca era saudável para ele se lembrar da menina, não importa se a lembrança era boa.

Ele olhou mais atentamente para a cena, tentando esquecer as lembranças envolvendo Jessica Stanley. Os olhos voltaram à atenção para a pista de dança onde Bella dançava efusivamente, de uma forma sensual nunca vista, longe das inibições que sempre a acometeram, sendo cercada por um grupo de homens que tentavam se aproveitar da sua distração. O cheiro de testosterona era forte e, apesar da iluminação precária do espaço, graças aos jogos de luzes, Edward quase podia ver nos olhos daqueles desconhecidos o brilho predatório de homens cheios de tesão.

Aquilo foi demais para o rapaz.

Praticamente correu em direção ao centro da pista de dança, empurrando quem estivesse no seu caminho. Empurrou com mais violência um homem que enlaçava a cintura de Isabella. O homenzarrão fez menção de revidar o ataque, assim como alguns poucos amigos dele, que também tentaram se aproveitar de Isabella, mas ao reconhecer aquele que o empurrava, Edward Cullen, braço direito do maior mafioso da América do norte e proprietário da danceteria, recuou. Bem... Havia vantagens em ser um homem conhecido pela criminalidade e para aquele cara ter reconhecido, ele não devia ser boa coisa.

Pegou Isabella pelo braço, puxando-a em direção à área reservada da boate. A menina tentou se desvencilhar, o que causou o estranhamento do rapaz. Ela gritava algo para ele, mas o som alto o impedia de ouvir. Por isso a ignorou o melhor que pode, ainda tentando retira-la do meio da multidão. Quando a tarefa se mostrou mais difícil do que desejava, uma vez que a própria Swan não estava colaborando, ele a ergueu, jogando o diminuto corpo sobre o ombro e a carregou em segurança para uma das mesas vazias na área vip. Isabella continuou com os seus protestos, tentando se desvencilhar dele, mas parecia sem forças.

Quando Edward encontrou na área vip um lugar iluminado o suficiente e sem pessoas por perto, desceu Isabella, rapidamente segurando a menina pelo braço.

–O QUE DIABOS ESTAVA FAZENDO? –Perguntou com uma voz ríspida. Sacudiu Isabella um pouco, mal podendo conter a raiva e o ciúme que sentira ao testemunhar a entrega dela para com aquela situação constrangedora. Quaisquer perguntas morreram nos seus lábios ao olhar mais atentamente para a Swan. Ele já tinha a resposta.

–Eu estava me divertindo, seu estraga prazeres! E eu quero continuar me divertindo! –Bella dizia, movendo o corpo quase inconscientemente, não pelo ritmo da musica que ainda tocava, mas por outro motivo.

Edward firmou o rosto da morena entre as mãos, analisando os olhos. As pupilas estavam bem dilatadas e Bella sequer conseguia fixar os olhos nele, agitada como estava. Ela havia consumido alguma coisa, disso ele tinha certeza.

Isabella estava drogada.

–Merda! O que você tomou? –Perguntou a ela, tentando mante-la parada, mas Isabela parecia impossível, tal qual uma criança pequena que não conseguia ficar parada. Analisou o comportamento dela, a agitação exacerbada e concluiu: êxtase. Ela jamais tomaria alguma coisa, ponderou. Estava bebericando um drink quando Edward precisou se ausentar e encontrou ao acaso Felix, um dos capangas de Aro, que acabou por atrasa-lo. Alguém deve ter colocado os comprimidos na bebida dela e Isabella, não acostumada a ambientes como aquele, não tomou o devido cuidado.

–Vamos dançar! Quero muito dançar! –Ela gritava, tentando puxa-lo pela mão. Edward não se moveu um milímetro.

–Vamos para casa. Você já dançou até demais. –Não adiantaria dar-lhe um sermão sobre os cuidados em uma festa. Isabella não estava em condições, afinal. Só restava para o rapaz administrar da melhor forma possível a situação.

Pegou Isabella pela mão, praticamente arrastando-a até a saída. Encarou o interior da boate uma vez, vendo as câmeras de segurança. Ele solicitaria as filmagens no dia seguinte com o intuito de descobrir quem poderia ter feito isso com a menina e, se possível, encontraria um meio bem criativo de punição. Por hora o mais importante era resguarda-la, tirando a morena daquele tumulto.

O manobrista se encarregou de trazer o carro e Edward se apressou em enfia-la no veiculo. Mal entrou para logo ver Isabella abrindo o vidro do lado do carona, colocando metade do corpo para fora e rindo a valer.

–Bella, entre no carro! –Ordenou, mas ela de fato só o obedeceu quando Edward a puxou para dentro, afivelando o cinto.

–Por que você está tão ranzinza? Parece até que voltamos a estaca zero! –Ela o encarava divertida, mas constantemente a sua atenção era desviada para outra coisa.

–Só não quero que você se machuque. Agora me obedeça, como uma boa menina. –Suspirou cansado, dando partida no carro. Bella se mantinha quieta, mas lançava um olhar especulativo para o rapaz.

–Ser uma menina boazinha? Acho que essas não são do seu gosto, não é? Você gostava da... Jessica... E ela não era boazinha.

O comentário despreocupado despertou a atenção de Edward, Ah, claro, o êxtase eliminava certas inibições e Isabella provavelmente não mediria as suas palavras.

–Meus gostos mudaram. –Deu atenção ao trânsito, mas acompanhava cada movimento da morena ao seu lado com a visão periférica, temendo que ela fizesse algo precipitado.

–Mudaram é? E se eu fosse uma menina muito má agora?

O tom sedutor chamou a atenção de Edward, mas antes que ele pudesse entender o que aquelas palavras implicavam, Isabella se precipitou, desfazendo-se do cinto de segurança.

–O que...? –Sentiu as pequenas mãos por cima da calça social, tocando-o por cima do membro. As mãos dele agarraram com mais força o volante e Edward tentou, sem sucesso, voltar a sua atenção para a pista. Com uma mão tentou conter os avanços da Swan, em vão. Ela abriu o zíper da calça, infiltrando suas mãos lá, retirando a cueca boxer e expondo a masculinidade do maior.

–O que está fazendo? –Edward perguntou em um fio de voz.

–Sendo uma menina má. –Isabella agarrou o membro com as duas mãos, agachando-se. A língua foi a primeira a entrar em contato para logo mais a boca se apropriar daquela área como se fossem velhas conhecidas. Ela, que nunca fizera sexo oral com ninguém, empenhou-se em fazer de um jeito que agradasse o rapaz. A julgar pelos gemidos e vezes em que o carro pareceu acelerar, ele estava apreciando. Edward sabia que deveria afasta-la, mas qualquer racionalidade se esvaiu ao sentir aquela caricia tão ousada, que sempre quisera da menina, mas nunca encontrou coragem para pedir. Por isso não encontrou forças para afasta-la. Suas ultimas reservas de forças foram para impedi-lo de jogar o carro contra outro carro, ou contra um poste, enquanto estava prestes a gozar.

–Ah... –Uma mão, que não segurava o volante, foi para a cabeça de Isabella, empurrando-a para sentir ainda mais a boca da outra. Murmúrios incoerentes escaparam dos lábios do rapaz em meio aos gemidos, o que para Isabella soava como a mais erótica das musicas. Ele sempre apreciava o que acontecia na cama entre eles, mas o fato dela ter tido iniciativa para chupa-lo parecia estar enlouquecendo-o, o que ela aprovou com louvor.

O gozo veio violento, mal dando tempo de Isabella se afastar. Edward jogou o carro para o acostamento, freando bruscamente. A menina só não se machucou por que ele a segurou.

Os dois, arfantes, se afastaram. Isabella sorria satisfeita, como uma menina que fizera uma travessura e havia se divertido bastante.

–Ops! Acho que eu fui mais do que uma menina má! –Brincou, voltando ao seu lugar. Recebeu de Edward um sorriso perverso enquanto o mesmo tentada pro as roupas em ordem.

–Sim, você foi muito má, Isabella. Tão má que irei castiga-la apropriadamente quando chegarmos em casa. Então guarde essa disposição toda, por que hoje definitivamente não dormiremos. –E partiu com o carro, queimando de desejo pelo corpo feminino ao seu lado, desejo e expectativa. Bem... Quem diria que ele não ganharia algo tão bom em troca por conta do descuido da menina na boate?

Isabella não parou um segundo, dançando dentro do veiculo como se estivesse em uma pista de dança. Lançou olhares provocadores para o rapaz sentado ao seu lado, quando não o estava tocando com as mãos, estimulando-o por cima das roupas. Edward se sentiu maravilhado com aquela postura dominante, desejando ataca-la ali mesmo, no banco de trás do carro, mas conteve seus instintos mais animalescos, pois sabia que poderia se aproveitar melhor dela num ambiente mais propício.

Quando chegaram ao luxuoso prédio onde Edward residia, mal saíram do carro e Isabella o atacou, pulando-o e enroscando as suas pernas na cintura masculina. Edward a segurou, pressionando-a em seu peito, enquanto os dois se beijavam avidamente.

Isabella puxou os cabelos acobreados com forte e roçou o seu corpo ao do rapaz sem pudor antes mesmo deles chegarem aos elevadores. A libido da morena pareceu crescer exponencialmente quando as portas de metal se fecharam e foi preciso uma força hercúlea para coter a menina. No entanto, quando, enfim, conseguiram chegar ao quarto, após atravessar o apartamento aos beijos, tudo ruiu.

Isabella o jogou na cama e Edward nem resistiu, gostando da menina parecer ter o controle. Ela retirou os sapatos, jogando-se nele e sentando em seu colo. Impaciente, Isabella rasgou as roupas dele, ignorando as cifras que elas certamente custariam, e Edward fez o mesmo com ela, tão impaciente para sentir a pele nua da morena contra a sua.

–Se eu soubesse que era essa a reação que teria com um pouco de êxtase... Eu teria oferecido antes. –O rapaz comentou brincalhão. Isabella reagiu ao comentarão dando-lhe uma mordida no lábio inferior enquanto uma das mãos masturbava-o.

–Cala a boca e me chupa! –Gritou a ordem ao rapaz.

–E como vou fazer isso se você me mantém preso? –Ele questionou, desafiador. Recebeu em resposta um grunhido.

Isabella manteve a postura controladora, tocando, arranhando e apertando o corpo de Edward com as mãos enquanto o beijava ardentemente, usando lábios, língua e dentes. Mas Edward era perito em dominar, e parecia mais do que disposto a aceitar o desafio de doma-la. Virou a menina na cama, tentando subjuga-la. Arrancou o pouco de roupa que restava, pressionando o corpo dela contra o colchão enquanto a posicionava de quatro. Aproveitou-se como pôde, penetrando o corpo feminino abaixo de si com vigor, mas Isabella estava arredia. Tão logo encontrou brecha, ela conseguiu se livrar de Edward, deitando-o na cama e montando nele, cavalgando com prazer no corpo masculino abaixo de si, enquanto as mãos exploravam avidamente os músculos do abdômen definido.

–Eu mando hoje. Não ouse me contrariar! –Esbravejou em uma voz rouca, recebendo de Edward um olhar de admiração enquanto ele ignorava os arranhões feitos por ela no peito.

–Lamento benzinho, mas eu, braço direito da máfia italiana, não nasci para ser dominado! –E dizendo isso, virou Isabella, imobilizando-a novamente enquanto penetrava a pequena cavidade.

Gemidos audíveis podiam ser ouvidos inclusive fora do quarto, mas nenhum dos dois se importava. O ato sexual em si exigia um comportamento animalesco, em que os dois pareciam motivados unicamente pelo tesão. Mordidas, arranhões, palavras chulas e força foram os atores principais durante o sexo, Edward e Isabella deixando de lado o recato para viverem por alguns momentos em um sonho louco onde o prazer era o objetivo a ser alcançado.

Embora Edward já estivesse exausto após tantos orgasmos e performances que exigiram movimentação, Isabella não queria parar. A droga estava dando um novo gás a ela e, mesmo com os ferimentos e marcas, a Swan queria mais, beijando-o e tocando-o na tentativa de mante-lo aceso. Ele, claro, poderia tentar dissuadi-la da prática, alegando não estar em condições, mas não o fez. Queria agrada-la, fazer tudo o que Isabella quisesse e extrair no prazer dela o seu próprio prazer. O efeito da substancia acabaria e algo dentro dele dizia que ele só teria a oportunidade de aproveitar essa Isabella deliciosamente insana uma única vez.

–Eu odeio você. –Ela murmurou, exausta, no peito dele. Estavam nus, suados, fortemente entrelaçados. Edward riu. Isabella era mesmo um poço de contradições.

–Até pouco tempo você dizia que me amava.

–É... Por isso eu te odeio. Odeio você por que não me ama. –E adormeceu.

Embora soubesse que Isabella não o ouviria, Edward disse:

–Todas as pessoas que eu amei ou me abandonaram ou morreram. Se para mante-la comigo, para sempre, for preciso não ama-la... Eu não a amarei. Mas algumas coisas são inevitáveis, sabia disso, Bella? –Beijou calidamente a morena na testa e se entregou ao cansaço.

...

Edward acordou com o barulho ruidoso do celular. Murmurou palavras incompreensíveis, grogue de sono como estava, enquanto a visão tentava se acostumar com o pouco de luz solar que se infiltrava no quarto.

Apenas no quarto toque atendeu, pois não foi fácil afastar Isabella dele e levantar. As pernas pareciam ser firmeza, como se as poucas horas que dormiu não tivessem sido suficientes para o descanso do corpo, o que provavelmente era verdade.

–Alô? –Na voz refletia o mal humor. Embora fosse quase meio dia, não queria ter acordado ainda.

–Espero não estar ligando em um mau momento, garoto. –Era a voz de Aro. Edward endireitou a postura. Caminhou até o escritório anexo ao quarto, sem se preocupar em cobrir a sua nudez.

–Dependerá do assunto tratado. Imagino que deva ser algo importante pelo número de ligações.

–Não sei se é do seu interesse, mas pode ser do interesse da pequena Isabella. Na verdade, é com ela que desejo falar. –A voz aveludada falou o nome da menina com aparente intimidade, causando irritação no rapaz.

–Então diga para mim. Passarei o recado para ela se me convier. Bella não está em condições de atender. –Olhou para a cama, no quarto, onde Isabella estava nua, parcialmente coberta pelos lençóis.

–Diga a ela que Charlie Swan deixou a clinica de reabilitação a pouco mais de dois meses.

–Entendo. Bem... Não acho prudente que ela faça uma visita a ele. Mas passarei o recado apenas para que ela não se preocupe com o bastardo.

–Ah, mas ela deve se preocupar... Ainda.

–O que quer dizer com isso, Aro?

–Que Charlie Swan voltou a frequentar as minhas casas de jogos e está me devendo uma quantia alta, de novo. Quantia esta que não poderá pagar... Uma pena ele não ter outra filha para salvá-lo. O que Isabella tentou impedir através de um nobre sacrifício vai se realizar. –Embora falasse com uma voz polida, ele quase podia ver o sorriso do patrão, satisfeito pela desgraça alheia.

–O QUE? –Comprimiu o celular nas mãos, petrificado com a notícia.

A paz, ele constatou, não era algo tão facilmente conquistado como Edward chegou a acreditar. Não havia paz para homens como ele, corrompidos, ou mulheres como Isabella, dispostas aos mais belos e destrutivos sacrifícios em prol dos que amava.

Notas finais
No meu blog é possível ver as roupas que escolhi para o casal se divertir na boate Delirium:
http://escritosdejacksampaio.blogspot.com.br/
Aproveitem para seguir o blog, pois tenho poucos seguidores. :(

A música que Bella estará dançando na boate no momento em que Edward encontrá-la é essa:
http://www.youtube.com/watch?v=lC6vZOgYduk

Música que tocará na Boate Delirium assim que Edward e Isabella entrarem: http://www.youtube.com/watch?v=41_svUt5_e0

Obrigada pela paciência e carinho de todos. Espero que continuem acompanhando a fic, apesar dos atrasos. Não deixem de comentar e recomendar a fic. Fico muito feliz com que eu leio e isso, como sempre, me dá um gás para ler.
Minha mãe está se recuperando, mas como se trata de uma doença como o Lúpus, não é algo fácil. Eu estou bem, com uma saúde que exige cuidados de vez em quando, mas nada preocupante.
Terei que me ocupar de cosias da faculdade, mas prometo não demorar tanto a postar, e até deixar uma ou outra prévia no blog, página e no grupo o blog. Beijos a todos e a todas e deixem muitos comentários! Quero saber o que estão achando da história.

PS: Não fiz revisão como deveria. Me desculpem pelos erros. :(

PS2: Estou escrevendo uma fic com personagens da saga Instrumentos mortais da Casssandra Claire. Logo logo postarei o prólogo e o primeiro capítulo no meu blog. :)