Sweet Slave
20 Capítulo 19
Notas iniciais
Bella não sabia o que fazer. Parecia até ter se esquecido de como se respirava. Diane dela, com um olhar preocupado, estava Jasper Withlock, seu antigo empregador. Avaliando o médico com rapidez, notou que havia manchas roxas ao redor dos olhos, indicando privação de sono, além dos machucados que Edward causara.
-Jasper... –Murmurou Isabella, atordoada. Ela queria, era verdade, encontrar com o loiro e pedir perdão pela confusão em que ela o meteu, mas as palavras simplesmente morreram nos lábios e tudo o que ela conseguiu fazer foi olha-lo.
Os olhos castanhos do médico a avaliaram da cabeça aos pés, procurando alguma coisa, talvez possíveis ferimentos. Suspirou aliviado quando percebeu que a Swan estava perfeitamente bem. Lembrando-se da forma como Edward foi agressivo para com ela, temeu que o rapaz houvesse se excedido e machucado ela.
-Bella, fico feliz em... –Murmurou, fazendo menção de tocá-la, mas uma voz gutural o interrompeu.
-Desculpe-me pela indelicadeza, Jasper, mas o assunto que o levou a vir até a minha casa certamente não envolve Isabella. –Pegou a menina pelo braço com delicadeza e disse num tom de voz imperativo: Espere-me no quarto.
-Mas Edward... –Bella tentou ponderar, pois sabia que precisava falar com o médico. Edward lançou a ela um olhar enviesado, calando-a. Sabia que ele não mudaria de opinião e se resignou, afinal de contas ela mesma não se sentia preparada para uma conversa.
Enquanto a menina se dirigia a passos lentos para um dos muitos aposentos da majestosa casa, Edward agora encarava com indiferença Jasper. Deu passagem para o rapaz entrar, o que ele fez com relutância. Os empregados, notando certa tensão no ambiente, recolheram-se para a cozinha.
Lauren, como sempre, foi a única a se manter por perto, curiosa para saber o que estava acontecendo. Angela balançou a cabeça, desaprovando as ações da loira, mas não tentou intervir.
Os dois rapazes caminharam até a espaçosa sacada e Jasper prontamente se acomodou em um sofá. Edward ficou de pé, em frente ao rapaz, amparado pela mureta da sacada.
-Por que veio aqui? –Perguntou o Cullen.
-Queria saber se ela estava bem. Espero que não tenha feito mal algum a ela. –Os olhos castanhos se fixaram em Edward, raivosos.
-O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta! –Esbravejou o jovem Cullen, olhando de forma desafiadora para Jasper.
-Pode não ser da minha conta, mas é da conta das autoridades competentes. Se fizer algo contra Bella, eu tomarei as providências cabíveis! –Apesar da voz calma, havia um ódio em cada olhar e na pronuncia forte de casa palavra proferida pelo loiro.
Edward não era burro, sabia que o médico cumpriria o que dizia e o envolvimento da policia na sua vida estava fora de cogitação. Procurou sufocar a raiva pelos acontecimentos que envolviam Jasper e Isabella para poder resolver a situação pacificamente.
-Ela está bem. Se veio para isso, acho que não precisa mais ficar aqui.
-O que vocês dois tem? Achei que ela fosse apenas uma prima sob sua tutela.
-Estamos juntos. É só do que você precisa saber. Então agora deve entender por que não fiquei nada contente quando vi vocês dois se beijando. –Edward cruzou os braços em frente ao corpo, enquanto os olhos perscrutavam cada movimento do rapaz a frente dele.
-Eu não sabia, caso o contrário não teria tocado nela. Provavelmente Bella não trabalhará para mim, não é? –Jasper se levantou das almofadas onde estivera sentado.
-Pode ter certeza. Ela está trabalhando como minha assistente. Deveria ter feito isso há mais tempo, assim evitaria situações constrangedoras e estressantes. –Suspirou. Edward sabia que precisava se livrar do ressentimento e ser um pouco mais comedido com as palavras. –Olhe, eu sei que voce não sabia de nada. Lamento pela agressão. Eu não agi racionalmente. Diga o valor que deseja para o custeamento do tratamento para os ferimentos que fiz.
-Não necessito do seu dinheiro. Como eu disse, eu vim apenas para me certificar se Bella estava bem e entender um pouco do que aconteceu. Uma vez os dois objetivos cumpridos, eu posso ir. –Fez menção de sair da sacada, mas parou. –Aliás, tem uma cosia que eu gostaria, em troca do dinheiro.
-E o que seria? –Edward perguntou. Jasper virou e sorria.
-Quero falar a sós com a Bella.
Um silêncio sepulcral tomou contado espaço e a expressão de Edward, antes surpresa, foi paulatinamente se transformando em uma expressão zombeteira.
-Vamos, diga o valor absurdo que deseja que eu pague, mas não me peça absurdos.
-Por que esse temor todo em me deixar a sós com a Bella? Tem medo de perdê-la? –Rebateu Jasper com um sarcasmo impar fazendo Edward estreitar os olhos. Mas, bem como o loiro previa, o Cullen se recuperou rápido.
-Não tenho medo de nada. Eu farei o que me pede. Irei chama-la para vir conversar aqui com voce. –Edward afastou-se da sacada, caminhando a passos firmes. Parou próximo a Jasper. –Só mais uma coisa... –Murmurou. –Pare de chama-la de Bella.
Edward se dirigiu até o aposento de Isabella, tentando conter o máximo a ira que sentia graças ao ciúme. Ficou surpresa quando não a encontrou lá. Isabella estava no seu quarto, ele notou, quando foi procura-la imediatamente no cômodo ao lado.
Isabella estava sentada na cama, pensativa. Espantou-se ao notar Edward no aposento.
-Ele quer falar com voce. Está na sacada. Seja rápida. Eu esperarei na sala. –Os braços estavam cruzados e a expressão séria. Bella sabia que ele, no fundo, não queria permitir o contato dela com o médico. Por algum motivo estava abrindo uma exceção. A pergunta do momento era: essa exceção era pelo pedido que Isabella havia feito?
-Ok. Obrigada. –Agradeceu, seguindo para o local indicado. Ainda estava confusa com toda a situação e não sabia se conseguiria pedir perdão para o médico, mas se obrigou a chegar até o local indicado pelo Cullen e, de fato, encontrou Jasper ali, sentado em uma das muitas poltronas. Quando notou a menina ali, a pouco mais de um metro de distancia, o loiro se levantou. No entanto, antes que loiro proferisse alguma coisa, foi Bella quem se manifestou.
-Sinto muito pelo que aconteceu. Eu não queria que as coisas terminassem do jeito que terminaram. Peço desculpas, por tudo. –Isabella falou apressadamente, sem jeito, evitando olhar para o homem a sua frente. Jasper sorriu, pois o que aconteceu foi exatamente o que imaginara. Isabella era esse tipo de pessoa, bondosa o suficiente para pedir desculpas por algo que não fez.
-Não precisa se desculpar. Sou eu quem devo pedir desculpas. Agi impulsivamente e ignorei o que voce achava sobre isso. Em momento algum perguntei se era correspondido.
-Ainda sim eu nunca esclareci o tipo de relacionamento que Edward e eu tínhamos e... –Sentiu uma mão no seu rosto. Era Jasper, tentando acalma-la, pois ele sabia pela forma como ela falava tão apressadamente que Isabella estava uma pilha de nervos.
-Não tem importância. Voce não era nada minha para precisar se justificar. Em vim até aqui para me desculpar e para me certificar de que voce estava bem. Ele não foi mau com voce, não é? –Os olhos castanhos do loiro se fixaram nos de Isabella, sondando-a. Ela sabia que não poderia falhar na mentira, ou poderia encrencar Edward. Não contaria a ele todas as agressões que sofrera, físicas e mentais. Tudo fora deixado para trás quando se permitiu dar a ele uma segunda chance.
-Eu estou bem. Edward entendeu que nenhum de nós teve culpa no incidente. Sinto muito pelo que ele fez.
-Ele já se desculpou. Apenas ele tem esse direito Bella. Voce não, pois não fez nada. Preciso ir agora. Não pretendo me afastar das minhas obrigações por conta de problemas pessoais, seria uma atitude leviana.
-Como sempre priorizando os seus pacientes. –Isabella comentou com um sorriso nos lábios. Jasper era esse tipo de pessoa afinal, e esse era um dos muitos motivos para ela admira-lo tanto. Agora, com a mente mais anuviada, ela sabia que nunca sentiu nada por ele que pudesse ser comparado a amor, mas também sabia que acreditar que amava Edward era burrice. Talvez estivesse sofrendo da síndrome de Estocolmo.
-A essa altura voce já me conhece bem. Eu lamento que tudo isso tenha feito com que deixasse de ser a minha secretária. –Jasper suspirou e tinha uma expressão triste de dar dó. Isabella também lamentava. Ele era uma pessoa agradável com quem ela se identificou logo. Trabalhando com Edward, embora ela o amasse, não era certeza de que teria dias tranquilos e felizes como tivera com o loiro.
-Eu também Jasper. Obrigada por tudo e, mesmo que voce diga que não preciso pedir desculpas, eu peço mesmo assim. –Ofereceu a mão para um cumprimento, mas Jasper não o aceitou. Ao invés disso, puxou a Swan para um abraço.
-Nos encontraremos. –Ele disse, afastando-se. Encontrou com Edward sentado em uma cadeira próxima a porta que dava acesso a sacada, quase escondido. Olhou com indiferença para o outro rapaz.
-Sua consulta está marcada para a próxima semana. Nove horas. Entre em contato com a minha nova secretária. –Disse, indo em direção à porta. Angela a abriu, cumprimentando o médico com um aceno de cabeça. E Edward tentou esconder o máximo que pôde a surpresa em saber que, apesar de tudo, Jasper estava disposto a continuar sendo o seu médico.
Isabella saiu logo depois, sendo acompanhada por Edward. Ela nada comentou sobre a conversa que tivera com Jasper e Edward não perguntou qualquer cosia a respeito. Após entrarem no carro do rapaz, seguiram silenciosos pela avenida movimentada, sem pressa, para chegar ao escritório.
No entanto, ao estacionar o seu carro na vaga de sempre, Edward quis saber o que os dois haviam conversado de fato. Teria Jasper tentado convencê-lo a voltar para os seus braços? Ele não duvidava. Mas o que o incomodava não era a proposta e sim o que Bella poderia estar achando disso tudo. Ele era tão melhor do que Edward, afinal. Um homem perfeito, sem traumas, capaz de dar a ela uma segurança que ele mesmo carecia. E sem Isabella, ele voltaria a ficar só. A ideia era dolorosa, incômoda, muito mais do que em qualquer dia.
...
Alexandrina enviou um olhar surpreso ao casal.
Lá estava seu patrão, Edward Cullen, homem eternamente sisudo e vestindo em roupas de excelente marca, apresentando a ela uma menina recatada, risonha, bem vestida e dizendo que esta seria a sua assistente.
-Bella começará a partir de hoje. Quero que a instrua sobre tudo o que faz.
-Senhor Cullen, por um acaso o meu trabalho o está desagradando? –Perguntou a loira com uma sobrancelha erguida. Alexandrina nunca solicitou ajuda para o patrão, incumbindo-se de todas as suas atividades em tempo hábil. Para ela, a ideia de ter que dividir o seu trabalho com outra pessoa, sendo que nunca fez tal solicitação, só poderia indica uma coisa: o seu trabalho estava desagradando Edward Cullen.
-Você é impecável Alexandrina. Jamais poderei reclamar de você. E por ser tão impecável no seu trabalho, tornou-se indispensável. Por isso tenho mantido você comigo, comprando as suas férias e não deixando você ter o devido descanso. Acredito que agora eu posso fazer algo a respeito, para que possa aproveitar as suas férias como se deve. Isabella será a sua assistente. Ensine-a muito bem e ela a substituirá enquanto estiver de férias. Receberá, claro, o seu salário e mais um adicional, para que possa gozar de um bom descanso em qualquer lugar do mundo que queira.
Uma proposta tentadora sob a ótica de Edward. Mal ele sabia que para Alexandrina, trabalhar incansavelmente como a sua secretária era algo deveras prazeroso. Enfim, revelar esse aspecto do seu não era adequado. O rosto da loira voltou à boa e velha inexpressividade antes de dizer algo sobre a proposta lançada.
-Como queira senhor, mas devo adverti-lo, caso tenha alguma afeição a ela. Eu não vou aliviar em meu treinamento espartano para que a senhorita possa de fato me substituir. Está de acordo? –Perguntou Alexandrina ao que Edward respondeu com um meio sorriso e um leve aceno de cabeça.
-Ela é toda sua. E começará agora mesmo, certo, Isabella? –Olhou para a morena ao seu lado, que assentiu. Alexandrina, com os seus olhos perspicazes, percebeu o modo carinhoso com que o jovem Cullen olhou para a Swan. Ora, então a menina não era apenas alguém a procura de emprego que ele resolveu ajudar? Bem, com aquele olhar, essa conclusão saia do campo da especulação para algo mais concreto.
-Sim, é claro. –Isabella sorriu genuinamente e cumprimentou Alexandrina com um aceno de cabeça. Quando Edward entrou em sua sala, deixando as duas sozinhas na antessala do escritório Cullen, a loira resolveu se manifestar.
-Não espere a minha amizade. Não espera que eu seja razoável. Terei que transforma-la de um carvão a um diamante em pouco tempo e isso não é tarefa para qualquer um, a não ser que esse qualquer um seja eu. Acompanhe-me. –Caminhou a passos decididos a secretária, conduzindo a franzina menina até uma portinhola onde havia alguns documentos a serem analisados.
...
Isabella olhou para o horário no relógio de aço em frente a ela e suspirou. Finalmente chegara a hora do almoço, Alexandrina saiu para providenciar a refeição de Edward e a dela, e ela já se sentia exausta. Com algumas horas, Alexandrina passara quase todas as suas incumbências, que eram mais do que atender telefonemas e dar recados para o patrão. Alexandrina era, sem duvida alguma, o braço direito do jovem Cullen, cuidando inclusive da alimentação dele, uma vez que Edward era descuidado demais quando estava concentrado no trabalho.
Lembrou-se tardiamente que não vira Edward desde que ficara aos cuidados de Alexandrina.
Acanhada, sem saber se a sua presença seria bem quista, uma vez que eles estavam em território desconhecido para ela, Isabella entrou timidamente no recinto, batendo a porta em sons quase inaudíveis. Edward estava sentado à mesa, imponente, olhando uma papelada que a secretária havia deixado minutos antes. Não pareceu surpreso quando levantou a cabeça ornada por belos cabelos acobreados em desalinho e encontrou a morena de pé, com os olhos castanhos brilhantes, fixos no jovem Cullen, encantada.
-Estava me perguntando quando Alexandrina a deixaria respirar e você viria até aqui me checar. –Disse Edward numa voz aveludada o rapaz com um meio sorriso nos lábios.
-Ela me falou que faz parte do trabalho dela verificar o seu bem estar. Então eu estou aqui. –Algo no olhar esverdeado de Edward deixou Isabella vermelha e encabulada o suficiente para desviar o olhar. Não esperava, naquele ambiente onde reinava a seriedade, que o seu jeito recatado e, por vezes, considerado por ela sem graça fosse causar alguma reação no maior.
Mal ela sabia que qualquer atitude, a mais singela, era considerada erótica aos olhos do rapaz. Edward se acostumara à vulgaridade mais do que deveria, por isso sentia-se estimulado por aquela postura recatada de uma menina que estava sendo paulatinamente despertada para o sexo. Um artefato novo, exótico, belo. Ah, muito belo!
Venha cá. –Chamou o jovem Cullen e Isabella, sentindo-se hipnotizada pelo timbre poderoso da voz masculina, caminhou até ele sem hesitar. Edward afastou a poltrona de couro em que estava sentado da mesa de mogno e sorriu enquanto a Swan vinha em sua direção, parecendo atordoada a cada centímetro que avançava. Arfou quando teve a cintura entrelaçada pelos braços másculos.
-Há outras atribuições destinadas a você no seu novo emprego. Destinações que Alexandrina não pode realizar. –Ele tinha um meio sorriso nos lábios e os olhos, mais verdes do que o normal, percorriam cada centímetro do corpo da menor, deixando-a ruborizada.
-Que atribuições seriam essas? –Bella perguntou, ofegante. O sorriso do rapaz se ampliou enquanto ele puxava a menina para o seu colo, mantendo-a firme naquela posição.
-Mais do que dizer, eu posso mostrar... E mostrar muito bem. –Sussurrou, diminuindo o espaço entre os lábios até que, por fim, colou a boca dele na boca dela.
O beijo foi calmo, mas havia uma nota erótica irresistível naquela lentidão com que os lábios se moviam, as línguas entrelaçadas como que desejando formar uma cruz de auroboros. As mãos másculas apenas prendiam num aperto excitante Isabella no colo de Edward, mas não demorou as mãos atrevidas desejarem mais do que prende-la junto a si. Edward queria toca-la em todos os locais cobertos pelas vestes bem cortadas ou locais fáceis de serem alcançados. Por isso, enquanto explorava o fino pescoço com os lábios, arrancando gemidos sutis da Swan, uma das mãos se infiltrou discretamente no interior das pernas da morena, querendo toca-la mais intimamente...
Um barulho na porta, denunciando a chegada de alguém, interrompeu o casal. Bella, num salto, ficou de pé, ajeitando-se rapidamente. Edward cruzou os braços atrás da cabeça, rindo do comportamento desajeitado da menina a sua frente.
-Não se preocupe se formos pegos. Alexandrina é discreta.
-Pode estar à vontade com isso, mas eu não. –Falou Isabella emburrada, saindo para encontrar Alexandrina. A loira pareceu não perceber que havia interrompido algo, convocando a Swan a comparecer a copa e ajudar a servir o almoço do patrão, o que ela fez ressabiada.
Edward adorava brincar com ela afinal.
...
-Não aguento esses sapatos. –Reclamou a Swan, deitando-se na grande cama que ocupava o centro do quarto de Edward. Deveria tirar os sapatos, claro, assim como deveria ter seguido para o quarto dela e não para o quarto do maior, mas não pensou muito na conduta que deveria seguir. Apenas fez o que queria fazer, com a razão nublada graças ao cansaço do dia.
-Tire-os. E relaxe um pouco antes do banho. –Sugeriu Edward. Isabella concordou com a cabeça, mas antes que fizesse menção de fazê-lo, Edward se precipitou, abaixando o suficiente para alcançar os saltos. Retirou um a um, segurando-os com uma mão e massageou os pés de Isabella, sendo prontamente observado pela mesma.
-Dia difícil, imagino. Deveria ter alertado sobre Alexandrina. Ela é perfeccionista ao extremo. –Continuou massageando os pés da morena, satisfeito em poder dar a ela algum prazer. E a Swan parecia realmente apreciar a massagem, fechando os olhos e suspirando de contentamento. Sentia uma excitação crescente, que não fora apagada na sala do escritório por conta da interrupção da secretaria loira, vendo aquele homem de joelhos, massageando-a nos pés e, agora, passeando suas mãos pela panturrilha bem torneada da moça.
-Bem, gosto de pessoas dedicadas assim. Aprendi muita coisa em tão pouco tempo. Ela realmente sabe como ensinar alguém. A partir de amanha ela quer que eu já comece a fazer uma ou outra coisa ao invés de apenas observar. –Disse num fio de voz, concentrando os seus sentidos no toque despreocupado que Edward agora dirigia para as duas coxas. E o Cullen sorriu, satisfeito por afeta-la tanto. Não precisava conferir, ele bem sabia, que Isabella estava excitada, pronta para ele, por conta daqueles toques aparentemente despreocupados.
-Bom. Isso quer dizer que, você estando apta a assumir as funções, poderemos trabalhar apenas os dois. Não seremos mais interrompidos como aconteceu hoje à tarde. –E no olhar verde esmeralda havia algo perigoso, familiar e que causava uma séria tensão sexual entre os dois.
-Não estamos sendo interrompidos agora. –Murmurou Isabella, mostrando um brilho predatório nos olhos castanhos que poucas vezes Edward testemunhou. Aquela postura de tigresa faminta pelo calor do seu macho, poucas vezes observada por ele, foi o tanque de combustível que faltava para as faíscas ciadas no escritório à tarde explodirem.
Edward esqueceu o bom senso e a massagem que pretendia fazer, cobrindo o diminuto corpo ainda vestido com o seu corpanzil musculoso. Uma mão estava prestes a se infiltrar entre as pernas, afastando a saia, quando...
-Senhor Cullen? –Uma voz anasalada, bem conhecida pelo casal, bateu a porta com força, chamando pelo patrão. Edward bufou e parecia reprimir uma raiva animalesca por, novamente, ser interrompido. Claro que no caso de Lauren a clemência era bem menor se comparado a Alexandrina.
Levantou-se de subido, abrindo apenas uma pequena fresta da porta, de modo que a loira não conseguiria ver Isabella deitada na cama. Louco como um touro, pretendia gritar insultos para a moça, mas calou-se ao notar o telefone residencial em uma das mãos.
-Senhor Volturi na linha. –Entregou o aparelho em mãos, com um sorriso afetado no rosto, sabedora de que havia interrompido algo. Seguiu para longe da vista de Edward enquanto o mesmo, tendo esquecido a raiva, suspirava cansado. Até a mais amena das conversas com o seu patrão sempre o deixava a flor da pele.
-Imagino que deva ser algo importante. –Disse o jovem Cullen para o patrão. Ouviu a gargalhada sonora dele do outro lado da linha. Bella olhava a cena apática.
-Querendo apenas confirmar a sua presença em um evento promovido por mim nesse final de semana. E a presença de sua menina.
-Não a levarei em um lugar onde Caius estará! –Esbravejou Edward, causando nada mais que o divertimento do mais velho.
-Acalme-se meu jovem! Meu irmãozinho não está no país. E, de todo modo, não é do feitio dele se envolver em meus negócios. Você já deveria saber. As únicas vezes em que o vi em meus eventos foram quando ele pôs os olhos em sua garota.
-E espero que isso não ocorra novamente, ou não responderei por mim. –Disse Edward ameaçadoramente.
Isabella olhou a expressão mortífera de Edward e quis saber o que exatamente ele conversava com Aro. Mas algo a alertou que era melhor não saber, uma vez que o nome de Caius, irmão mais novo de Aro Volturi que a torturou no passado, fora citado. Seu diminuto corpo estremeceu.
-Não se preocupe com isso meu jovem. Apenas traga a pequena Isabella. Acredite quando eu digo que ela estará mais segura conosco do que sozinha em seu apartamento. Nunca se sabe o que poderá acontecer a ela estando sozinha... –Respondeu Aro a Edward, num tom descontraído, mas que carregava certa ameaça, deixando Edward em estado de alerta. Desligou pouco depois o mais velho e Edward permanecei por alguns instantes com o telefone no ouvido, sem saber o que pensar dessa situação. Teria sido uma ameaça do Volturi, ou Aro apenas dizia o obvio, pois uma vez envolvida no mundo do Cullen, Isabella corria constante perigo? Fosse o que fosse ele não se descuidaria como aconteceu quando Caius se aproximou da menina. Edward protegeria Isabella de todos, até dele mesmo.
Deixou o telefone em cima da cama king size e se sentou, afrouxando a gravata. Suspirou profundamente, mais exausto do que poderia imaginar. Isabella acompanhou cada movimento com o olhar, preocupada com a expressão austera que o jovem Cullen agora exibia.
-Aconteceu alguma coisa? –A morena perguntou, sentando ao lado de Edward. Quis esticar o braço e cobrir a mão dele com a sua, mas hesitou. Com uma expressão sombria nublando o rosto bonito, o rapaz não parecia desejoso de toque algum.
-Aro quer que você me acompanhe em um evento nesse final de semana. Não quero que você vá, claro que não, mas... O modo como ele falou...
-O que ele disse? –Isabella perguntou apreensiva. Edward, todavia, não respondeu. Pela expressão que o maior carregava algo dizia a ela para não pressioná-lo com perguntas.
-Me desculpe. Estou um pouco cansado. É melhor apenas dormirmos, tudo bem? –Olhou para Isabella, que assentiu. Retirou algumas peças de roupa depois e, enquanto caminhava para o banheiro, ouviu a voz feminina dizer com firmeza a seguinte frase:
-Vou ao evento com você.
E Isabella de fato cumpriu com a sua palavra.
Alguns dias se passaram, com Edward visivelmente preocupado. Não sabia o que esperar desse evento e não gostava da aparente fixação de Aro Volturi com Isabella. Lembrava-se bem das histórias da tia sobre como a sua mãe ficou após ter um relacionamento com o mafioso. Mal conseguiu toca-la, embora desejasse ardentemente o diminuto corpo, de curvas delicadas. Mas quando os dois tentavam se entregar e deixar o desejo conduzir os corpos, Edward imaginava outras mãos, como as de Aro ou Caius, tocando com brutalidade Isabella e marcando-a. A imagem conjurada a contragosto era o suficiente para fazê-lo desistir de qualquer prática sexual, contentando-se em apenas abraça-la quando iam para a cama.
Isabella sabia que Edward não estava bem. Algo na conversa com Aro o deixou tenso e, talvez, o próprio evento, que aconteceria naquele dia, também. Uma parte dela queria permanecer no apartamento e se esconder embaixo das cobertas, mas outra parte, aquela que se apiedava por Edward ter que conviver forçadamente com pessoas odiosas, queria...
-Não precisa ir. –Edward comentou enquanto olhava Isabella causar os sapatos carmim. Contemplou fascinado a Swan vestida em um vestido tomara-que-caia rubro, os cabelos presos num elegante coque. Estava linda, com um toque burlesco que o incitava a esquecer do compromisso e leva-la para a cama. Mais tarde, quem sabe, passado o evento, ele não faria isso?
-Disse que iria e irei. Não tem problema. Não é como se aquela corja fosse fazer algo contra mim, sem motivo algum, diante de tanta gente. Até monstros podem ser civilizados quando querem. –A morena riu sem nenhum humor. E Edward ouviu aquelas palavras pensando que ele também não deixava de ser um monstro coberto com camadas de civilidade.
Quando Isabella, completamente pronta, se levantou, foi inevitável para o rapaz admirar o conjunto todo. Tão linda, tão desejável...
-Já estou preocupado com a sua ida. Não ajuda nada você estar tão deslumbrante. –Deu um meio sorriso arrasador, do tipo que fazia a Swan suspirar. Edward estava lindo no seu terno Dolce & Garbana cinza, os cabelos cor de cobre meticulosamente organizados para trás, dando um ar sofisticado mais acentuado a ele.
-Não encontrei algo mais casual possível. Você não foi feliz nas escolhas que fez quanto as minhas roupas. –Segurou a mão ofertada por ele, pensando que Edward a conduziria para fora do quarto. O rapaz, no entanto, a puxou para os seus braços, prendendo a morena ali.
-A culpa não é exatamente minha e sim da personal shopper responsável por escolher as roupas. De todo modo eu dei o meu aval no final. Acho que só posso me lastimar. Contudo... É bom vê-la ainda mais linda. –Aproximou os seus lábios aos dela, mas não a beijou, deixando Isabella confusa. A sua justificativa foi de que, bem maquiada como estava, seria um crime ele borrar o batom carmim.
Saíram os dois rumo ao desconhecido, esperando, silenciosamente, que tudo transcorresse na mais perfeita paz. Mas que paz poderia existir no meio corrompido onde Edward e Isabella viviam?
...
Risos e bebidas caras servidas por garçons, além da excessiva luz, foram às primeiras coisas notadas quando o casal, Edward e Isabella, chegou a alcova de Aro Volturi. O cheiro de charutos cubanos também permeava o ar, aumentando ainda mais o mal estar de Isabella. A sua bravata quando anunciou que acompanharia Edward estava reduzindo exponencialmente desde que chegara a mansão do Volturi. Edward, perceptivo como era, notou a expressão risonha da morena ser substituída por algo mais sombrio, fruto do medo que aquelas pessoas provocavam nela. Por isso segurou firma a pequenina mão, acariciando a costa da mão com o polegar, a fim de tranquiliza-la. Ele não teria como saber, mas, de fato, aquele pequeno contato conseguiu acalmar um pouco Isabella.
Aro estava majestoso, como sempre, cercado de uma corja de bajuladores. Sorriu ao notar quem chegava, desculpando-se e indo de encontro ao casal.
-Você a trouxe como eu sugeri! E que visão! –Deu dois beijos nas bochechas de Isabella, deixando a menina desconcertada e nervosa. –Como está Bella mia?
-Estou bem. –Murmurou a morena. Segurando com um pouco mais de força a mão de Edward. O rapaz, em contrapartida, puxou a menina lentamente para trás de si.
-Sim, eu a trouxe. Mas devo adverti-lo que não ficaremos muito tempo. Isabella está cansada.
-Ah sim. O trabalho como sua assistente no escritório, após meses parada, deve estar exigindo da pequena. Cuide bem de Isabella, Edward. –Repreendeu num tom paternal, causando nada mais que asco do jovem Cullen. Saiu pouco tempo depois para recepcionar mais convidados, deixando o casal à vontade.
-Não pretendo socializar e deixa-la sozinha. Vamos, deve haver um bom lugar para sentar. –Caminhou por alguns metros com Isabella, sempre atento aos seus arredores. Ele não era o único. Bella, temendo ver Caius, procurou pela multidão por um rosto de sorriso homicida que ainda assombrava as suas noites. Não encontrou. Pôde respirar melhor quando Edward e ela se sentaram-se à mesa mais afastada do tumulto da festa.
-E o que fazemos agora? –Isabella perguntou.
-Simples: Ficamos aqui sentados agindo como os antissociais que somos por uma hora. Após isso... –Colocou uma mão sobre a coxa da Swan, em caricias leves. –Eu a levarei para a cama. E como amanha é domingo e não pretendo trabalhar, deixaremos o descanso para depois. –Beijou a curvatura do pescoço de Isabella, deixando a pele completamente arrepiada. A promessa de uma noite intensa, após dias sem toca-la, fez com que as preocupações da menina momentaneamente fossem esquecidas.
Bem como o casal imaginou, o evento transcorreu no mais absoluto tédio. Volta e meia alguém reconhecia Edward, vindo até a mesa para cumprimenta-lo. Mas nada, nem a presença de pessoas de caráter duvidoso, conseguia romper a bolha que se formou entre os dois.
-Conheço muitas das pessoas presentes nesse evento. Jamais eu as associaria a Aro. –Comentou Isabella em um dado momento enquanto observava uma famosa atriz britânica cumprimentando efusivamente o líder do clã Volturi.
-São parasitas. Conhecidos pela mídia por serem pessoas ideais, quando na verdade fazem qualquer coisa pelos privilégios que ser um protegido de Aro Volturi proporciona. Cantores, cantoras, escritores, cineastas, políticos... Hipócritas. –Edward tomou um gole do seu Martini, deixando o copo em cima da mesa. A mão voltou a sua posição original, sobre a coxa de Isabella, e o toque despreocupado a afastou do antigo raciocínio.
Conversas sussurradas, mãos que se encontravam casualmente, uma intimidade que nunca Edward até então experimentara com alguém. Saiu tão natural que o jovem Cullen não percebeu, mas Isabella sim. Edward estava diferente e ela só conseguia atribuir a mudança de comportamento à declaração feita por ela dias atrás durante uma conturbada discussão. A morena não saberia dizer se isso significava que, até certo ponto, Edward correspondia os sentimentos dela, muito embora não os tenha verbalizado, mas já era o suficiente senti-lo mais próximo dela, tratando-a com mais delicadeza.
-Acho que já ficamos tempo suficiente. –Anunciou o rapaz, olhando o Rolex de titânio no pulso direito. Isabella sorriu ante a perspectiva de ficar a sós com Edward e saciar os desejos reprimidos por todos os dias em que dividiram o leito sem se tocarem. Ele foi o primeiro a se levantar, estendendo a mão para a morena.
-Hmmm... Preciso ir ao toalete antes. Prometo não demorar. –Sorriu, soltando a mão do Cullen lentamente enquanto se afastava. Edward manteve os olhos em sua amante até o momento que um conhecido seu o chamou, perguntando sobre algo relacionado com os seus serviços como administrador das finanças de Aro Volturi.
Caminhou apressadamente por entre os convidados, sentindo-se exposta após perder o contato com Edward. Isabella sentiu, de forma opressora, o medo que mascarou enquanto tinha o rapaz de cabelos acobreados ao seu lado. Respirou fundo e caminhou apressadamente, sem correr. Não demorou a localizar o toalete feminino, pois uma senhora saia de lá, além da placa de metal que, em outros idiomas além do inglês, estava escrito “toalete feminino”.
Entrou cautelosa, como a situação exigia a todo minuto, mas não havia ninguém que pudesse representar algum perigo. Apenas uma mulher de certa idade, retocando o batom, os olhos fixos no grande espelho oval. Entrou em um Box desocupado, ficando por poucos minutos. Quando saiu, a visão periférica notou mais alguém com ela, mas não ligou. Olhou-se no espelho, feliz pela maquiagem estar intocada, pois, na pressa de chegar ao evento, não trouxera o que era preciso para um retoque de emergência. Não que Edward fosse notar alguma falha no rimel ou no delineador...
-Ora ora... se não é a boneca de porcelana do Cullen.
Bella, com horror, reconheceu a voz de imediato. O corpo foi tomado por espasmos enquanto ela, atordoada e arfante, virava-se, encarando um loiro de olhar avermelhado.
Caius...
Sim, era ele. O mais novo dos Volturi, Caius, que a enganou, sequestrou e torturou tanto física quanto psicologicamente. Caius, que ainda a atormentava através dos sonhos, sempre lançando olhares sádicos e promessas violentas de gelar a espinha.
Enquanto a mente da menina parecia prestes a entrar em curto, Caius ainda estava parado, entre ela e a porta, olhando-a dos pés à cabeça de um jeito maníaco.
-Está linda... Gostosa... Edward tem muita sorte de fode-la quando ele quiser. Ah, se não fosse por ele ter nos interrompido...! Eu teria me divertido tanto com você, que a essa altura nada teria sobrado! –Enquanto falava num tom sonhador e baixo, o loiro deu um passo a frente, ao que Bella recuou dois passos, colando as costas na parede. Estava entrando em estado de choque, ela sabia, algo perigoso. Não, ela não poderia fraquejar agora, pois não sabia o que um lunático como o mais novo dos Volturi poderia fazer. Duvidava que as ameaças feitas por Edward tempos atrás fossem impedi-lo de agir agora. Se ele iria agir, machucando-a, ela também faria algo a respeito.
-Fique longe de mim... –Murmurou enquanto olhava para o lado, evitando contato visual. Viu então um cinzeiro de cristal que enfeitava a imensa pia do toalete e soube que poderia usar aquele objeto como uma arma.
-Longe de você? Quando não há ninguém aqui que possa me impedir? Meu docinho, isso está fora de questão! –Soltou uma risada estranha, de arrepiar os pelos do corpo, enquanto caminhava lentamente em direção a Isabella, que parecia prestes a se fundir na parede.
A menina se recusou a encara-lo, sabendo que ver o rosto do loiro só pioraria o seu desequilíbrio emocional. Manteve os olhos no cinzeiro de cristal, pensando em como se livraria do seu algoz e sairia do toalete. Pensar nisso era bem melhor do que simplesmente se entregar e ficar suscetível a violência insana de Caius. Ela iria lutar, mesmo que não tivesse força alguma, e se livraria do Volturi.
-Como está solicita essa noite! Paradinha, entregue... Admita, você bem que queria ser comida por mim até não restar nada! Aposto que só dessa forma consegue sentir prazer e aquele filho da puta não a satisfaz, não é? Sim, eu posso ver... –Caius colocou finalmente o seu corpo ao da Swan, o halito quente tocando o pescoço delgado. –Posso ver a putinha desvairada que é. Para a sua sorte, nós temos um tempo até o babaca perceber que você está aqui comigo. Melhor aproveitar... –Fez menção de enlaça-la pela cintura e a morena sabia que, caso isso acontecesse, se livrar do rapaz seria mais difícil. Num milésimo de segundo, Isabella conseguiu se esquivar, pegando o cinzeiro em cima da pia. Antes que Caius pudesse se afastar e reagir, Bella certeiramente bateu com o objeto na lateral da cabeça de Caius com tanta força que ele cambaleou vários passos para trás. Atordoado, o loiro só se tocou o quão ferido estava quando o sangue começou a escorrer do corte.
-SUA VADIA! –Gritou, preparando-se para uma revanche, mas, para a sua infelicidade, Isabella foi mais rápida. Correu como nunca correra antes, desaparecendo pela porta do toalete e deixando o jovem ferido para trás.
...
Alguma coisa estava errada.
Levantou-se da cadeira onde estivera sentado e rumou em direção ao banheiro feminino. Enquanto olhava ao redor, só para ver se Isabella já não havia saído do toalete e estava nas proximidades. Não a encontrou.
Estranho... Isabella não era o tipo de mulher que ficaria mais tempo do que o necessário no banheiro retocando a maquiagem. Então por que ela demorava tanto? Edward se aproximou ainda mais do banheiro e estacou ao ver uma figura conhecida, e odiosa, sair de lá, tentando cobrindo sem nenhum sucesso o sangue que descia da cabeça e banhava o smoking.
O choque o deixou paralisado enquanto Caius, o Volturi mais temido e odiado, cambaleava pelos corredores, evitando propositalmente os convidados. Mesmo naquela distancia foi possível ver o sangue escorrendo pelo rosto e manchando a roupa fina.
Ele queria correr até o Volturi e espanca-lo, exigir que dissesse o que ele estava fazendo no evento, mais precisamente no toalete feminino onde Isabella havia ido, e o que diabos tinha feito a ela. Sim, por que Caius não deixaria passar a oportunidade de atormenta-la, mesmo com o alerta dado por ele e por Aro. Não o fez. Petrificado como estava diante da possibilidade de Isabella ter sido machucada, viu o Volturi desaparecer, muito provavelmente sairia por uma das saídas da bela mansão. Conseguiu se mover pouco tempo depois passado o torpor. Entrou no toalete, só para constatar que ele estava vazio.
-Maldição! –Caminhou apressadamente a esmo, olhando para todos os lados, mas não viu nem um vislumbre de alguém semelhante à Swan. Por fim decidiu abordar alguns convidados do evento, perguntando se algum deles havia visto uma jovem trajando um vestido vermelho até os joelhos. Foi na oitava tentativa que ele ganhou uma pista. Uma senhora alegou ter visto alguém com semelhante descrição correr escada acima.
Preocupado, Edward subiu o primeiro lance de escadas, perscrutando com o olhar qualquer coisa que indicasse a passagem de alguém. Estava prestes a ir para o terceiro andar quando uma porta semiaberta chamou a sua atenção.
Era um cômodo aparentemente amplo, imerso na escuridão, uma vez que as luzes estavam apagadas. Pela fresta da porta alguma cosia no interior do cômodo pôde ser vista. Edward entrou lentamente aquele espaço e só quando os olhos se acostumaram a escuridão ele notou que havia alguma coisa ali.
-Bella? –Chamou, mas não houve resposta. Ainda sim ele sentia que não poderia sair daquele lugar, pois algo dentro dele (intuição talvez?) lhe dizia que Isabella estava ali e precisava dele.
Ele a encontrou naquele cômodo qualquer, encolhida feito uma bola no canto mais afastado da porta. Apesar da distancia ele percebeu que a morena choramingava baixinho, tremia, estava visivelmente assustada. Felizmente não parecia machucada, concluiu ao examina-la mais de perto, pondo-se de joelhos em frente à Isabella.
Ela continuou parada mesmo quando Edward chamou o seu nome, alheia a tudo a sua volta. O rapaz suspirou, levantando-se com ela do chão. Pegou com cuidado a menina nos braços, que o agarrou pelo pescoço, escondendo-se naquela cálida curvatura. De alguma forma o contato com o rapaz a fez relaxar.
-Vamos para casa. –Murmurou no ouvido da menina, seguindo para a saída mais próxima, uma saída em que nenhum deles se encontrasse com a corja de lobos de mais um pomposo evento promovido por Aro Volturi. Por isso ao invés de descer o lance principal das escadas, utilizou uma destinada aos serviçais, mais simples, encontrando na saída próxima a cozinha a melhor maneira de deixar o lugar sem ser notado. Os empregados que lá estava acompanharam a cena, desconfiados, sem entender o que um dos convidados, com uma menina nos braços, poderia estar fazendo transitando por ali.
Quando chegaram no jardim lateral da mansão e Bella ouviu Edward conversar baixo com um dos manobristas, ela procurou se controlar o suficiente para não dar mais trabalho ainda para o rapaz.
-Posso caminhar. –Murmurou, afastando-se o quando pôde do rapaz. Edward a soltou, pousando com cuidado a menina no chão. As pernas não estavam firmes, ele notou, mas a morena estava disposta a não permanecer mais nos braços dele ou ter qualquer apoio que fosse.
-Não vejo problema em carrega-la se não está em condições de ficar de pé. –Resmungou o rapaz, vendo, aborrecido, o quanto Isabella, que sequer olhava para ele, parecia se esforçar para caminhar.
-Não preciso disso. Posso caminhar. –E, após dizer essas palavras, a menina viu, com alivio, o carro ser trazido por um dos manobristas. Sequer esperou que Edward abrisse a porta para ela, se incumbindo ela mesma dessa tarefa. Entrou e ficou calada, encolhida perto da porta. Edward notou ao entrar no veiculo que ela tremia, por isso ligou o aquecedor, mas não demorou a perceber que o tremor nada tinha a ver com a temperatura no interior do carro. Ele sabia que deveria perguntar o que exatamente aconteceu a ela, mas alguma coisa, o receio de ouvir algo desagradável e não saber como proceder, travou a sua língua. Por isso a viagem para casa foi silenciosa e constrangedora, com Edward lançando olhares de esguelha para a menina, tentando em vão adivinhar o que poderia estar passando na cabeça dela.
-Chegamos. –Anunciou o rapaz, vários minutos depois. Novamente Isabella não o esperou, abrindo a porta do carro e caminhando em direção a um dos elevadores sociais que tinha na garagem do prédio de Edward. Ele a alcançou rapidamente, graças a agilidade e pernas longas, tentando conter a irritação por ser deixado levianamente para trás. Não, não era o melhor momento para deixar aflorar o seu péssimo gênio.
Viu Isabella se desfazer dos sapatos antes mesmo de chegar ao elevador, mantendo-os nas mãos. Enquanto seguiam para a cobertura, olhou discretamente para a morena em busca de qualquer evidencia de machucado, mas nada encontrou. Talvez Caius não tivesse encostado nela, o que era um alivio, mas ainda sim...
-O que aconteceu naquele toalete? –Ele perguntou subitamente quando chegaram ao apartamento. Isabella estava a alguns passos à frente e, mesmo quando ouviu a pergunta, não se virou. –Vi Caius sair de lá ensanguentado e você não estava mais lá. Algo deve ter acontecido e eu quero saber o que...
-Preciso tirar essa roupa. Também preciso de um banho. Quero apenas descansar. –Murmurou a Swan, seguindo aos tropeços para o seu quarto de hospedes, onde pouco ficou desde que se entendeu com o rapaz. Edward não a impediu de entrar e fechar a porta, sabendo que, independente do que acontecera, Bella precisava de espaço, afastamento de todos aqueles que lhe fizeram mal: Caius e, eventualmente, ele próprio.
...
O banho morno não conseguiu acalmá-lo, assim como vestir um pijama de algodão limpo e macio. Deitou na grande cama, deixando apenas a luz indireta de um abajur iluminar precariamente o amplo quarto. Edward sabia que não conseguiria dormir. Embora o seu corpo estivesse ali e a sua expressão facial denotasse tranquilidade, por dentro ele estava tenso. Isabella entrara no quarto ao lado e não mais saiu, nem mesmo para comer, coisa que não fizeram boa parte do dia. Agora ela estava lá, isolada, e Edward não sabia se deveria invadir a privacidade da menina ou não.
“O que aquele maldito fez a ela? Não vi nenhum machucado, mas algo ele deve ter feito para abala-la tanto!” –Suspirou pesadamente, revirando-se na cama. Acabou deitado de lado, os olhos em um ponto qualquer do aposento. Fechou os olhos, frustrado, sabendo que isso não o ajudaria a dormir. Ele só conseguiria se entregar ao cansaço se soubesse algo sobre Isabella.
Um barulho baixo, mas ainda sim perceptível para a audição apurada de Edward, chamou a atenção dele. Alguém abria a porta, entrando sem ser convidado no quarto. O rapaz pensou em se mover e protestar, expulsando a pessoa inconveniente. Talvez fosse Lauren, não seria a primeira vez que ela tentava entrar no quarto às escondidas e seduzi-lo, mas...
Sentou-se na cama, mas qualquer imprecariação que estivesse prestes a dizer morreu nos lábios quando viu quem estava próximo a porta aberta.
Isabella tinha os cabelos em completo desalinho, os olhos vagueando pelo chão do quarto e parecia perturbada. O corpo estava embrulhado com o que parecia um grosso hobby de algodão, mas mesmo bem coberta ela ainda tremia.
O rapaz levantou subitamente, caminhando até ela.
-Estou com muito frio não sei por que. –Ele a ouviu dizer. Edward colocou as mãos em cada um dos braços dela, esfregando-os. O corpo de Isabella estava quente, embora tremia.
-Você está em choque, por isso sente frio. –Envolveu o diminuto corpo com um braço. –Venha, vamos para a cama. Você precisa descansar. –Ele guiou Isabella para a cama, afastando o pesado edredom. Logo se juntou a ela, puxando, com cuidado, ao que a menina para os seus braços, ao que a Swan se acomodou o melhor que pôde, parecendo satisfeita em estar sendo envolvida pelo rapaz.
Durante uma hora, Edward não disse nada. Mas ele precisava saber exatamente o que havia acontecido, ou não ficaria em paz.
-Ele machucou você? Tocou em você? –Perguntou, acariciando com uma mão os cabelos cor de mogno da menina. Não achou que ela responderia, mas...
-Não. Disse coisas. Coisas terríveis. Não me tocou. Eu... Eu o acertei com um cinzeiro de cristal na cabeça antes dele me tocar então não precisa se preocupar.
-Eu preciso. Eu tenho que me preocupar. Ele pode não ter tocado em você, mas disse coisas ásperas, agressivas. Por Deus até aquela cara insana faz mal! –Procurou controlar a altura da voz, ciente de que não deveria assusta-la. Edward respirou fundo e recomeçou. –Eu não deveria ter levado você ao evento.
-Não sabia que ele estaria lá, Edward. –Isabella murmurou no peito do rapaz, o corpo finalmente relaxando.
-Não importa. Ele não é o único a incomoda-la. Não a levarei mais. O que eu puder fazer para evitar o contato entre você e aquela corja... Eu farei. –Estreitou mais os braços, como que querendo fundir os dois corpos. Ou talvez dar uma certeza mais palpável de que cumpriria com a sua resolução.
As palavras dele, o modo como a segurava protetoramente contra o peito... Edward havia mudado desde que ela confessara o seu amor. Agora ele era alguém em quem ela tinha a certeza de se apoiar, sem medo, muito mais do que teve tal certeza com o pai. E apenas abraça-lo lhe pareceu pouco. Isabella queria mais, queria os toques, os beijos de Edward; Isabella queria se fundir com o rapaz de um jeito impossível de se livrar se pudesse, ou quisesse.
-Edward… -Murmurou, aproximando os lábios no pescoço do rapaz, depositando ali um cálido beijo. Edward se surpreendeu com o pequeno ato, ato este que tomou proporções maiores à medida que Isabella beijava mais ardentemente outros pontos do pescoço do rapaz enquanto as mãos passeavam pelo peitoral, por cima da camisa de algodão verde.
Edward se deixou levar pelas caricias cada vez mais urgentes, pelos beijos que migraram até os seus lábios, pela sensação de acariciar aquele corpo macio com as mãos, por cima do hobby. Ele poderia se deixar levar pelo momento e toma-la como sempre fizera, como havia prometido antes da noite ficar tão complicada, mas essa atitude estava mais condizente com o antigo Edward, que pouco se importava com Isabella. E ele não era mais assim.
-Bella... Espere... –Ele se afastou com delicadeza da menina, deitando ao lado dela. Isabella o encarou sem entender. –Não é o melhor momento.
-Eu... Por que não? –Isabella perguntou aturdida.
-O que você passou hoje... –Ele acariciou a bochecha dela com a costa de uma mão. –Não seria prudente eu toca-la. –E ele queria. Edward queria se perder naquela mulher, mas não poderia, por isso controlou o seu desejo animalesco pela Swan. Mas Isabella pareceu não ouvir, sentando-se primeiro na cama, depois montando em um rapaz atônico enquanto removia o hobby que a cobria. Revelou não uma camisola por debaixo das vestes, mas um corpo nu, de pele impoluta, macio e perfumado. Os olhos dela estranhamento brilhavam com uma chama impossível de ignorar.
-Você não entende... –Disse enquanto amassava com os dedos a camisa do Cullen. –Eu preciso disso, preciso de você. Faça-me esquecê-lo. –Pegou uma mão do rapaz, introduzindo ousadamente o dedo indicador nos lábios e beijando-os com furor. Edward gemeu ao sentir Isabella comprimindo a sua feminilidade no ponto mais quente dele, atiçando-o com movimento suaves.
Diante de um pedido daqueles, feito com tanto desespero e urgência, Edward não mais negou as necessidades dela e as suas. Pegou a menina pela cintura, virando-a. Deitou-se sobre ela, capturando os lábios dela com os seus num beijo ardente enquanto as mãos massageavam os seios.
Isabella, longe da passividade de outrora, acariciou o membro de Edward por cima da calça do pijama, massageando-o habilmente. Os gemidos, cada vez mais audíveis, mostravam o quanto o rapaz estava gostando daquela caricia, principalmente quando procurou manter a mão de Isabella ainda naquele lugar, fazendo a massagem.
-Ah, não pare... –Ele murmurou, voltando a beijar Isabella com ímpeto. E ela, deixando a timidez e recato de lado, praticamente arrancou as peças de roupa que cobriam o jovem rapaz, usando as mãos para acaricia-lo, ora com leveza e ora com força, deixando um ou outro arranhão aqui e ali. E Edward também abandonou a leveza de lado, pegando em certas partes do corpo de Isabella com tanta força que deixou algumas áreas avermelhadas; a menina sentiria tudo isso pela manhã.
Após beijos e caricias intermináveis por todo o corpo de Isabella, não poupando a pele de sentir seus lábios e língua, Edward a jogou com rapidez, colocando-se entre as pernas da morena. Os lábios encontraram os seus irmãos, dando um beijo naquela parte tão intima da menina com a mesma habilidade que beijara a boca da Swan. Isabella arfou, segurando os lençóis enquanto sentia aquele contato tão intimo e prazeroso, simplesmente avassalador. Palavras incompreensíveis eram ditas por ela, os olhos opacos e as mãos segurando os fios macios, rebeldes, de um cabelo estranhamento acobreado que se encontrava entre as suas torneadas pernas.
O primeiro orgasmo veio desse jeito, intenso como apenas uma boa noite nos braços de Edward Cullen poderia ser. Não teve tempo, porém, para se recuperar, pois logo Isabella foi arrebatada novamente. As compotas do desejo do rapaz haviam sido abertas e Edward estava disposto a toma-la quantas vezes fosse necessário, até o desejo animalesco que o possuía se esgotar por completo, se é que isso era possível quando se tratava da Swan.
Deu pequenas mordidas no pescoço da Swan até chegar ao queixo e disse não mais do que um sussurro:
-Vou fazê-la esquecer daquele homem, daquele toque imundo. Você, a partir de agora, não precisará temer nada, pois se lembrará apenas do meu toque e do quanto adora ser possuída por mim. –Mordiscou o queixo dela, ouvindo após isso um ruidoso gemido e dor quando as unhas pequenas da morena penetraram a pele das suas costas.
-Eu quero esquecer... Eu vou esquecer enquanto você me tocar... Me beijar... Me ter... –Murmurou Bella, abrindo as pernas e recebendo entre elas, no ventre, a conexão que Edward tinha a oferecer, a única conexão, na verdade. Ela não era tola, Bella sabia que a capacidade de sentir do rapaz era limitada, para não dizer nula. Acreditar que algum dia ele poderia ama-la era como esperar por um soldado americano que fora mandado para o front em uma guerra, não havia muita esperança de retorno.
Ela o abraçou mais fortemente que pôde enquanto se entregavam ao calor do sexo e Edward pareceu não se importar. De fato nada do que Isabella fez, os arranhões, os gemidos audíveis, a maneira como quis tomar o controle, cavalgando-o com deleite, o importou. Aquela Bella descontrolada pelos toques dele era um deleite tão grande quanto a Bella recatada que parecia conter o desejo que sentia por ele.
E quando as horas avançaram, indicando que pouco dormiriam, Isabella estava inerte, absurdamente exausta, no peito de Edward. Os dedos dele enrolavam mechas de um cabelo cor de mogno macio, brincando distraidamente.
-Você mudou. –A Swan murmurou. O sopro do halito tocando o peito do rapaz, produzindo cócegas.
-Não, eu não mudei. O que você vê é apenas um pálido reflexo do meu verdadeiro eu, enterrado em toneladas de lama. –Edward confessou, cansado demais para manter os muros que cercam o seu passado e os seus sentimentos. Fechou os olhos, ainda mantendo a menina contra o corpo enquanto lhe acariciava os cabelos.
-Eu gosto do seu eu verdadeiro. –Isabella murmurou. –Ele podia aparecer mais.
-No mundo em que eu vivo, Bella, não há lugar para alguém com alguma bondade. Pessoas assim são massacradas. Apenas você, e só você, verá o meu verdadeiro eu. –Ele se encolheu, mantendo os lábios próximos ao ouvido de Isabella. –Não conte a ninguém, ou seria a minha ruína. –Riu. Isabella o acompanhou no riso. Mal ela sabia que Edward dizia a verdade.
-Boa noite meu bem. –Ele entoou, beijando a sua testa e a acompanhando no sono.
Notas finais
Peço desculpas pela demora, mas estou em final de semestre na faculdade, cheia de cosias pra fazer, além do trabalho. O que mais complica além dos inúmeros afazeres, não são eles em si, mas os problemas pessoais que estou enfrentando a me sobrecarregando. Whaterever obrigada pelo apoio e logo logo, até por que o semestre na facu está acabando, posto o capítulo completo.
beijos a todas! Lembrem-se de sempre ficar de olho no meu blog, na página e no grupo do meu blog no face, pois quando faço alguma atualização sempre faço lá em primeiro lugar.
PS: Minha mãe está internada e estou tendo que ficar com ela, ou seja, ficarei ausente. Sei que por conta da demora corro o risco de perder leitores, mas com tantas preocupações que estou tendo no momento, confesso que isso já não me atormenta.
Fale com o autor