Em um dado momento, Isabella não saberia precisar, ela despertou. Sentou-se na cama, deixando o cobertor escorregar até a cintura enquanto a visão tentava se acostumar com o local precariamente iluminado pelo abajur. Espantou-se ao perceber que ainda estava no quarto e Edward dormia a seu lado com uma mão causalmente descansando na barriga dela. Não era natural ele aceitá-la em sua cama, parecia nutrir uma fobia em dividir o leito com outras pessoas. Por isso, mesmo que ele estivesse dormindo e muito provavelmente não ligasse para a sua permanência ali, Bella levantou, caminhando tropegamente até o banheiro. Sentia cada fibra do corpo miúdo protestar e fez uma nota mental para, após deixar o quarto, procurar por algum remédio para a dor.

Mal reconheceu o rosto que a encarou no espelho. Isabella, apesar de pálida e com os olhos emoldurados por olheiras, tinha um brilho ofuscante nos olhos castanhos. A Swan sentia vida dentro dela após meses de apatia sob o domínio de Edward. Em pensar que foi o próprio rapaz a despertar tais coisas...

Não queria pensar muito no assunto, não era saudável. Achou por bem repousar mais, independente da hora que poderia ser. Era difícil especular se já havia amanhecido, uma vez que as pesadas cortinas de algodão egípcio cobriam completamente as persianas com vista para a grande metrópole. Pegou um roupão azul marinho de um dos armários do banheiro, vestindo-o. Bem silenciosamente, pegou as suas roupas que estavam espalhadas no chão quando voltou ao quarto. Uma ultima olhada no Cullen, só para se certificar que ele continuava dormindo.

Pensava em sair do quarto e retornar ao seu, mas algo a deteve. Quando a mão estava sobre a maçaneta, fazendo menção de abrir a porta, escutou uma voz chama-la.

-Bella?

A Swan sentiu a surpresa toma-la. Poucas pessoas se referiam a ela pelo apelido nessa nova vida, com exceção de Jasper. Mas não era o loiro a chama-la de uma forma tão intima e sim o rapaz que a tomara de forma quase animalesca por horas a fio. Quando o olhou novamente Edward já estava sentado, as cobertas afastadas do corpo nu.

Uma das mãos estava no rosto, esfregando-o, como se Edward quisesse despertar por completo. Com a outra mão ele a chamava pelo indicador. Isabella se aproximou cautelosamente, sem saber o que esperar do ambíguo rapaz. Quando ela se postou em frente a ele, sentiu em ambos os lados as mãos másculas que se apressaram em desfazer o nó do roupão que ela trajava. Encarou o rapaz diante dela, esperando por alguma luz sobre o que ele estava fazendo, mas ele continuou calado, despindo-a.

Após o roupão escorregar do corpo feminino, o rapaz inclinou-se, depositando um cálido beijo na barriga de Isabella. Os olhos pareciam opacos, sonolentos, como se ele estivesse tendo uma crise de sonambulismo. Não reclamou. Aquela versão sonolenta de um jovem naturalmente rude a estava encantando e, com prazer, Isabella se deixou guiar até a cama.

Prontamente o Cullen se aninhou nos braços dela, suspirando de contentamento. E Isabella, maravilhada por aquele pequeno gesto, se deixou ser vencida pelo cansaço mais uma vez.

...

Ajeitava a gravata cor cinza chumbo sem pressa no grande espelho do seu closet. Um meio sorriso parecia estar talhado nos lábios desde a hora em que despertou, sorriso este que se ampliou quando viu uma figura encolhida ao seu lado na cama, aconchegada a ele. Isabella ressonava tranquila ainda na cama enquanto Edward se preparava para mais um dia de trabalho.

Sinceramente, o rapaz não queria ir. Ele queria permanecer ao lado da Swan e aproveitar o dia com ela, mas não poderia negligenciar as suas obrigações.

Ouviu um ruído na cama e se apressou em ir até lá. Isabella estava sentada na cama, as mãos cobrindo o rosto. Fez menção de se levantar, mas o rapaz a conteve, pousando uma mão no ombro nu e fazendo-a recuar suavemente de volta para a cama. Ele notou que os olhos da menina pareciam opacos, como se ainda estivesse dormindo.

-Preciso me levantar. Não quero chegar atrasada ao trabalho. –Murmurou. Edward não disse nada. Apenas ficou encarando a menor com seriedade, esperando pelo momento em que ela perceberia.

Enquanto a consciência foi alcançando Isabella, ela percebeu a mensagem silenciosa que Edward estava tentando transmitir pelo olhar. O desespero foi tomando a menor e logo ela parecia alguém prestes a ter uma crise histérica.

-Edward, por favor... Eu não posso... Não vou conseguir voltar àquela antiga vida enclausurada aqui. Eu sei que eu cometi um erro, mas não vai se repetir, eu prometo! E o Jasper, ele não tem culpa! Fui eu quem... –Edward a silenciou com um olhar raivoso de gelar a espinha. A simples menção do nome do medico o irritava e saber que fora Isabella a responsável não estava melhorando em nada o humor do rapaz.

-Não achou que eu a deixaria trabalhar com ele após o que eu presenciei, não é? Esqueça Bella, isso não vai acontecer. –Quando ele viu os orbes castanhos se encherem de lágrimas e um choro copioso começarem na menina, Edward se apressou em consolá-la. Não queria vê-la tão deprimida nunca mais.

-Ei... –Achou a menina, erguendo o rosto dela para que Isabella pudesse encara-lo. –Eu disse que não trabalhará mais com ele. Não falei sobre não trabalhar mais. Sei que ficar ocupada com algo, fora de casa, é um bem necessário para deixa-la feliz. E eu manterei isso. –Os olhos que agora a encaravam, Bella percebeu, eram muito mais ternos. As palavras do rapaz deixaram a Swan surpresa.

-Está dizendo que poderei trabalhar? –As palavras do rapaz deixaram a Swan surpresa.

-Sim. Com uma condição.

-E que condição seria essa? –Perguntou Isabella. Em momento algum Edward desviou o olhar dela.

-Eu serei o seu empregador.

...

-Algo bom parece ter acontecido. –Comentou Alexandrina enquanto olhava para o patrão. Edward, apesar de estar trabalhando nas planilhas de lucro de Aro Volturi, estava com a cabeça longe.

-O que disse? –Perguntou o Cullen, sem ter de fato ouvido o que a loira havia dito. Mas Alexandrina preferiu não comentar.

-O horário de almoço começou há quinze minutos. Deveria comer algo, senhor Cullen.

-Não há tempo. Tenho um compromisso e aproveitarei esse horário. –Levantou-se da poltrona onde estivera sentado, pegando o paletó cinza chumbo e vestindo-o. Deixou com Alexandrina a organização de sua mesa enquanto seguia para fora do prédio onde era sede do seu escritório. Desde que acordara, e refletira sobre os últimos acontecimentos, concluiu que Jasper, seu médico, não tinha culpa no que acontecera. Ele não sabia da relação ente Edward e Isabella afinal. Agora sabia que fora brutal com o loiro e pretendia se desculpar. Também pretendia deixar claro que Isabella era dele.

Outras lembranças vieram na mente de Edward enquanto ele trafegava em seu carro pela avenida principal em direção ao hospital. O sorriso perpetuo em seus lábios se ampliou. Isabella o amava, apesar dele não ter sido digno em nenhum momento desse amor. A confissão da menina havia deixado o rapaz nas nuvens desde ontem e ele não entendia muito bem por que estava tão feliz assim. O amor, ele aprendera, apenas causava sofrimento. Fora o amor de Esme que condenaram os dois a esse mundo caótico de crimes, mortes, drogas e outras coisas mais. Ele costumava pensar dessa forma, afastando a Swan tempos atrás, mas agora...

Por que estava tão feliz por ela ama-lo? Por que sentia que as nuvens escuras antes posicionadas acima de sua cabeça estavam sendo paulatinamente afastadas, dando lugar aos brilhantes raios de Sol? Ele não saberia ainda responder, mas estava adorando essa nova fase da sua vida. E era só o começo.

Não foi surpresa para Edward saber que o doutor Jasper Withlock não estava fazendo plantão ou atendendo consultas. Depois da surra que levara, o loiro provavelmente passaria alguns dias afastado, cuidando dos ferimentos. Edward decidiu que o procuraria em outro momento. Por hora, deixaria preocupações como Jasper de lado, pois havia outras preocupações pendentes.

No fim de semana um evento beneficente de Aro aconteceria e o Volturi, claro, exigiria de uma forma bem sutil a presença de Edward. O rapaz não desejava ir, mas não poderia simplesmente negar, ainda mais quando acordos comerciais aconteceriam e ele, como administrador das finanças do mafioso, precisaria estar presente. Deveria ele levar Isabella ou não? A própria Swan aceitaria ir, tendo que ficar cara a cara com um ser desprezível como Aro?

...

Quando despertou novamente, já passava da hora do almoço. Bella comera antes de qualquer coisa, tomando em seguida um remédio deixado pelo próprio Edward para dor. Após o banho, vestiu roupas casuais, uma camiseta cinza e uma calça moletom preta, e permaneceu no quarto do Cullen.

Bella estava zonza. Tanta coisa havia acontecido em tão pouco tempo e ela não tivera tempo para digerir tudo. Agora, sozinha no quarto após ter a companhia de Angela, ela poderia lembrar e refletir.

O beijo, a briga e a consequência de seu ato imprudente fizeram algo com o seu relacionamento com Edward. Ela só não sabia o que. Havia melhorado? Havia piorado? Era difícil prever dada a instabilidade do rapaz. Era bem verdade que ele foi um amante vigoroso no dia anterior, parecendo tê-la perdoado. Mas já houve outros momentos em que Edward mostrou toda a amabilidade que um ser humano poderia ter, para depois destrata-la. Por mais que Isabella quisesse acreditar que as coisas melhorariam, ela procurou manter na mente que deveria esperar sempre o pior do rapaz.

...

Angela, com os seus olhos perspicazes demais, percebeu que algo estava acontecendo. Lembrava-se do modo como o patrão entrou no apartamento no dia anterior, carregando Isabella pelo braço. Ele estava furioso. Mas naquela manhã, enquanto degustava do café e ordenava a ela cuidados para com Isabella, ele mais parecia outra pessoa, um homem tranquilo e com um brilho no olhar. Como se estivesse tendo os mesmos pensamentos, Erick disse:

-Repararam como o senhor Cullen esteve calmo hoje? Ele nem reclamou do fato que o jornal estava um pouco amassado.

-Com tantas preocupações que o menino têm, algo como o jornal poderia passar batido, Erick. –Rebateu Betha, que lia um livro de culinária enquanto esperava o bolo assar.

-Acho que ele está diferente. E tudo se atribui à senhorita Isabella. –Ben sentou-se ao lado de Angela na mesa da cozinha, olhando com ternura para a menina. Angela corou visivelmente ante aquele olhar.

-Vai ver ele está assim transpirando felicidade por que deu uma coça naquela garota. Afinal de contas ele parecia irado com ela ontem. –Lauren riu com prazer enquanto procurava algo para comer na geladeira de aço. Recebeu olhares desaprovadores de todos, que ignorou.

-Eu a vi minutos atrás e ela está perfeita, para a sua infelicidade. –Retorquiu Angela com azedume. No entanto, ela se lembrara, notou marcas roxas que Isabella tentou esconder. Apesar do indicio de algum tipo de abuso sofrido, a Swan estava serena e, de alguma forma, feliz.

...

Ele queria chegar mais cedo para poder vê-la. Matar um pouco a saudade que sentia desde o momento em que a deixou em sua cama. Como ela estaria hoje? Ainda muito machucada pela brutalidade com que foi tratada? Teria Isabella se alimentado? Comido direito? Descansado um pouco mais? Estaria ela emocionalmente bem após saber que não trabalharia mais para o médico? E o que achara da sugestão de trabalhar para ele como assistente de Alexandrina? A menina não comentou nada, apenas o encarou surpresa. Ele não perguntara mais nada, contudo a questionaria novamente.

Queria agrada-la e fazê-lo sorrir. Começaria no dia seguinte, tentando descobrir quais eram as suas necessidades e suprindo a cada uma delas. E, enquanto planejava o que faria por Isabella, refletiu também sobre os estranhos sentimentos que o estavam tomando, intensificados com a confissão da Swan.

Estaria apaixonado por ela? Era difícil dizer. Preferiria não se precipitar, tentando nominar o que sentia. Deixaria isso para outro momento. Agora, tudo o que o jovem Cullen queria, era aproveitar a boa fase, se é que ela havia chegado.

Por isso acelerou o carro na avenida, tamborilando os dedos no volante. Praticamente correu ao chegar ao estacionamento do seu prédio, bufando audivelmente quando algumas pessoas entraram junto com ele e teve que esperar todos seguirem para os seus respectivos andares.

O seu apartamento estava silencioso, os empregados reunidos na cozinha. Mostraram surpresa em ver o rapaz aquele horário lá, uma vez que ele chegava sempre no final do dia. Perguntou a Angela onde Isabella se encontrava e, com a ajuda da empregada, ele a localizou no quarto. Quis entrar no aposento dela, mas uma súbita timidez o tomou. Ele não sabia como se portar diante dela após todos os acontecimentos do dia anterior. Embora tenha sido natural acordar com ela ao seu lado, o que proporcionou uma alegria sem precedentes, e conversar, agora ele não saberia o que dizer. Ela estranharia se ele perguntasse como o foi o seu dia? Provavelmente sim.

Ao invés de entrar no quarto de Isabella, como era o seu desejo, Edward foi direto para o aposento dele.

...

Meia noite. Edward já havia chegado, informara Erick quando Isabella foi jantar, mas havia ficado esse tempo todo no quarto dele. Poderia estar evitando ela? A Swan não duvidava.

Andou de um lado para o outro. Queria vê-lo e ter a certeza de que as coisas entre eles, após a discussão de ontem, estariam bem. Queria ver se ele estava bem, se ainda estava chateado por ela ter beijado outro homem. Após minutos de reflexão, decidiu arriscar e ver como ele estava. Trocou a camisola simples de algodão por uma camisola de seda azul anil, vestindo um robe de mesma cor por cima da peça, e caminhou em direção à porta. Qual foi a sua surpresa quando, abrindo a porta, se deparou com Edward em pé, com uma mão erguida indicando que estava prestes a bater a sua porta?

Os dois ficaram desnorteados por alguns instantes, sem saber como proceder. Edward foi o primeiro a se manifestar.

-Para onde estava indo? –Perguntou. Isabella pensou em mentir, mas a verdade saiu de seus lábios antes que pudesse detê-la.

-Estava indo para o seu quarto. –Murmurou, os olhos castanhos fixos no perfil bonito do Cullen. E Edward, que tinha um semblante nulo até então, fez brotar nos lábios um sorriso genuíno.

-E eu vim para busca-la. Sinto que só terei uma boa noite de sono, como hoje de madrugada, se você estiver do meu lado na cama. –Pegou a mão de Isabella com gentileza, conduzindo-a até o aposento dele, metros à frente.

Ela o viu afastar o edredom que cobria a cama, o quarto iluminado apenas por um abajur. Quando terminou a tarefa, fitou Isabella com ansiedade e ela deduziu que aquele ato era um convite para se juntar a ele. Ainda sim se viu relutante, estancada próxima a porta.

-Não vem? Sabe que não há nada a temer. –E, após esse novo convite, Isabella caminhou até a cama, deitando em uma ponta. Edward logo se juntou a ela, deixando a luz indireta do abajur ligada para poder ver o rosto da menina.

Os dois deitaram de lado, olhando para o outro. Sentiam-se presos, sem conseguir ver qualquer outra coisa. Estavam confortáveis daquele jeito e poderiam ter passado a noite assim, sem se tocarem, apenas olhando o outro.

-Soará estranho, mas... Como foi o seu dia? –Perguntou Edward, com um meio sorriso cravado nos lábios. Isabella espelhou o sorriso dele.

-Muito descanso. E o seu?

-Trabalho e... Eu fui a clinica. Fui me desculpar com Jasper.

-Você o viu? –Isabella se mostrou surpresa, pois realmente não acreditava, após a selvageria com que Edward atacou o loiro, que o Cullen se arrependeria e iria até o médico pedir desculpas.

-Não. Ele está de licença. Depois do que aconteceu, era esperado algo assim.

-Preciso pedir perdão a ele. –Murmurou Isabella, vendo o rosto masculino crispar em irritação. Ela previu o que o Cullen diria antes mesmo dele se manifestar. –Edward, por favor...

-Não há necessidade de pedir perdão. Você não fez nada a ele. Eu devo fazer algo, uma vez que o agredi. Tomarei as providencias cabíveis o quanto antes.

-Ainda assim eu... –Sentiu o dedo indicador de Edward nos lábios, num pedido mudo para ela não prosseguir com o falatório. Sabia que ele não permitiria, após a cena de ciúmes, que ela tivesse contato com Jasper. Ainda sim Isabella sentia a necessidade de insistir, pois o médico muito fizera por ela e o mínimo que poderia fazer era pedir desculpas.

-Está decidido. Eu resolverei tudo. Posso ser o seu porta-voz e dizer a ele que sente muito, embora eu ache desnecessário pedir desculpas. Mas não o quero perto de você e, levando em consideração o que aconteceu, você me deve isso. –O rapaz a sua frente estava furioso e, temendo ser tratada com frieza, na melhor das hipóteses, Isabella se calou.

Edward quebrou o contato visual e passou a fitar o teto, tentando conter a irritação que ameaçava fazer a racionalidade ir embora. Tudo isso por que as lembranças de Isabella nos braços do doutor Withlock vinham atormenta-lo, fazendo com que a fúria assassina sentida naquele dia viesse à tona, nublando a sua mente. Respirou fundo algumas vezes, procurando se acalmar. Fechou os olhos no processo, tentando adormecer e deixar o assunto de lado, mas não podia. Ele precisava, afinal, fazer uma pergunta que vinha o atormentando desde o ocorrido.

-Por que o beijou? –O rapaz perguntou com os olhos ainda fechados. Isabella o encarou perplexa. Deitou as costas no colchão e se preparou para uma conversa que certamente estragaria o humor do jovem Cullen.

-Você sabe o porque. Eu já disse.

-Estava cego demais aquele dia para absorver tudo o que foi dito por você. Agora vamos conversar sobre o assunto e enterra-lo de vez. –Retorquiu Edward, abrindo os olhos e virando a cabeça a fim de olha-la, pois ele sentia que, caso ela mentisse, poderia perceber. Isabella não o olhou, pois não queria ver mais aqueles orbes esmeraldinos encarando ela com raiva.

-Ele me encantou, admito, mas não nutro nada mais profundo. As coisas aconteceram rápido demais e eu não pude pensar com coerência.

-Poderia tê-lo empurrado, mas não vi nada disso. –Esbravejou o rapaz. Isabella suspirou.

-Vamos deixar isso pra lá. Acabou. Apenas tenha em mente que ele não é culpado de nada. Ele não sabia o tipo de relação que nós tínhamos.

-Não Isabella, Jasper não sabia. Quando eu me encontrar com ele, farei questão que ele saiba. –E o tom de voz imperativo chamou a atenção de Isabella, que se virou por completo para olha-lo.

-O que você vai dizer? –Ela perguntou, relutante. Ficou surpresa quando Edward deu um meio sorriso.

-Que você é minha e não aceito dividir. Agora é melhor dormirmos. Amanha teremos que sair cedo.

-Sair cedo? Para que?

-Não se lembra Isabella? A partir de amanha você trabalhará como assistente da minha secretária. –Edward fechou os olhos e procurou relaxar. Isabella ficou pasma, embora o assunto não fosse novidade. Do jeito que o Cullen era inconstante, ela estava esperando que o assunto fosse deixado de lado e ele ignorasse a proposta feita.

Isabella sorriu. A possibilidade de ter uma vida quase normal era deveras agradável. Não entendia como as coisas poderiam estar tão boas para ela após o deslize envolvendo Jasper.

Olhou a figura querida, que parecia ter adormecido. Quis toca-lo, dormir abraçada com ele, mas se conteve. Edward, afinal já estava abrindo uma grande exceção permitindo que ela dormisse e seu quarto, não significava que ela poderia ultrapassar essa linha.

Virou para o outro lado, pois temia não se segurar.

“Se ao menos pudéssemos ficar mais próximos do que isso...!” –Desejou Isabella, suspirando alto enquanto fechava os olhos.

-Esqueci-me de uma coisa... –Murmurou Edward que, para a surpresa da menor, se aproximou o suficiente para o seu peito colar as costas dela e, num gesto rápido, enlaçou a cintura dela. –Agora sim... –Colou os lábios nos cabelos cor de mogno da Swan e suspirou, satisfeito. –Boa noite Bella.

O apelido! Será que Edward percebia quando a chamava daquele jeito tão intimo? Não importava. Bela estava adorando estar no aconchego daqueles braços musculosos, sentindo a respiração quente e tranquila do amante nos cabelos. Ela estava adorando a sensação fugaz de se sentir amada de um jeito estranho, que superava inclusive os anos de namoro com Jacob, o seu antigo namorado antes da sua vida virar de cabeça para baixo.

Procurou relaxar o melhor que pôde, mas algo a manteve acordada por tempo suficiente para Edward dormir primeiro. Quando sentiu que a respiração do rapaz nas suas costas estava mais ritmada, virou-se com todo o cuidado, ainda envolvida nos braços do jovem, e passou a admirar o perfil bonito.

Edward tinha um rosto impossível de bonito e parecia muito mais jovem quando o perfil estava relaxado. Ele era mesmo de tirar o fôlego! Nunca a Swan conhecera alguém tão bonito e marcante quanto o homem que a abraçava. E os acontecimentos caóticos de outrora pareciam distantes e pálidos agora, quase impossíveis de serem alcançados. Bella não gostaria de refletir acerca de suas ações, ou poderia repensar a sua entrega para com Edward. Era melhor ficar naquele estado, totalmente entregue, tal como Edward parecia agora.

“Talvez possa existir um futuro para nós dois, afinal.” –Pensou a morena, entregando-se ao cansaço.

...

Primeiro dia de trabalho tendo como patrão o seu dono Edward Cullen. Bella não sabia o que esperar. Ajeitou a saia cinza chumbo com as mãos, a fim de deixa-la menos amarrotada. Ajeitou também o colarinho da camisa social preta, alisando-a com uma mão. Isabella estava pronta.

Embora a perspectiva de continuar trabalhando e não ficar a toa fosse boa, Isabella se preocupava com o que poderia acontecer. Edward, apesar da pequena melhora, ainda era o homem mais inconstante que conhecera e não se sentia segura em saber que, trabalhando para ele, poderia conhecer mais do mundo obscuro que o cercava e, até, voltar a se aproximar de Aro.

-Simplesmente terei que lidar com isso... –Murmurou, saindo do closet. Andou com certa dificuldade devido o salto agulha preto e decidiu levar um sapato mais confortável dentro da bolsa Victor Hugo de couro preta, que combinava com os sapatos usados. Encontrou com Edward pronto, trajando um paletó bem cortado da Gucci que o deixava mais alto e esbelto. Apesar de não ousar na cor do modelito, o bom e velho paletó e gravata pretos com camisa branca, Edward estava adorável tal qual um modelo de passarela.

Ele estava dando coordenadas para Ben e Angela sobre alguma coisa, mas parou tudo o que fazia quando sentiu a aproximação de Isabella. Virou-se e, deslumbrado, sorriu quando a viu. Isabella estava linda, com roupas recatadas e cores sóbrias, mas irresistível mesmo assim. Bem maquiada e com os cabelos escovados, presos num coque elegante, a Swan era uma figura delicada e ao mesmo tempo sedutora, que o incitava a esquecer das atividades do dia e leva-la para a cama para reviver a noite em que ela confessara os seus sentimentos. Ah, como foi maravilhoso aquela noite! Não apenas pelo sexo sem reservas, mas também por que a menina disse que o amava.

Ela o amava.

-Vamos, precisamos tomar café. –Caminhou até ela, pegando a pequena mão e guiando-a para se sentar ao lado dele. Isabella foi deliciada com a mão quente que segurou a sua e com os olhares que volta e meia Edward disparava para ela. Havia um que de cumplicidade e afeto inesperado, quase desconcertante, mas que a deixava com esperança de dias bons. Bella, afinal, sentia a necessidade de um pouco de descanso para os nervos após tantas provações em que os seus sentimentos pareciam estar passeando em uma montanha russa. E que montanha russa mais excitante essa!

Edward estava apresentando, aos poucos, uma faceta nova; faceta de um rapaz mais sereno e agradável. Ela queria muito mesmo conhecer mais esse Edward e, quem sabe, descobrir mais sobre a vida do atormentado rapaz, que pouco revelou sobre a sua história.

Após o café da manhã, os dois se prepararam para partir. Isabela caminhou até a porta do apartamento enquanto Edward instruía a Angela o que gostaria que fosse preparado no jantar. Não esperou o rapaz para abrir a porta.

Ela estacou violentamente quando um rosto familiar apareceu diante dela.

-Isabella... –A voz murmurou, encarando-a com seriedade.

Diane da menina estar o doutor Jasper Withlock.

Notas finais
Capítulo pequeno, mas escrito com muito carinho. Peço desculpas pela demora, mas estou ocupada demais com a faculdade e com problemas pessoais. Agradeço os comentários e as indicações. Vocês são os melhores leitores que alguém poderia querer!
Dedico esse capítulo em especial a amiga Thaty Francelino que está aniversariando. Parabéns! Parabéns também a todos os leitores desse mês que estão aniversariando. Também dedico para a minha amiga Larauine da Bahia.
Como eu disse antes, voltarei a escrever na fic Sacrifício. Aguardem...