Ele observou o modo como Isabella estava vestida naquela manhã – usava um tailleur Chanel cinza, com os cabelos presos em uma trança embutida. De fato ela parecia se enfeitar mais do que o normal com o passar dos dias, as bochechas coradas sem nenhum motivo aparente enquanto o ânimo parecia melhorar assim que saia do apartamento.

Já havia uma semana que ele estava assim: observando Isabella e percebendo nuances de uma felicidade em que ele não estava incluído.

Ela sentou o mais casual possível próxima a ele, cumprimentando-o com polidez enquanto servia-se de um iogurte de mitigo. A menina acabou por engatar uma conversa sobre assuntos triviais com Angela, enquanto beliscava os quitutes da mesa. Ele percebeu algo que até então parecia ter ignorado: Isabella era graciosa. Os sorrisos contidos, o modo como gesticulava, o modo como falava... tudo parecia envolto de uma graciosidade que nem mesmo a mais fina dama aristocrata possuía. Havia também um cheiro bom vindo dela, que de tão afrodisíaco ele queria se aproximar a inspirar aquele cheiro.

Isabella parecia estar sendo vista pela primeira vez, em toda a sua gloria, fazendo com que o rapaz ansiasse por ela toda. Mas ele não se permitia. Por esse motivo não voltou a toca-la, pois acreditava que algumas medidas e decisões precisavam ser tomadas. Ou talvez ele só estivesse protelando, como sempre, com medo do futuro.

-Preciso ir. –Anunciou a Swan, levantando a mesa. Edward apressou-se em levantar também.

-Eu irei deixa-la no hospital. –Disse carrancudo, recebendo um olhar surpreso da menina.

-Não quero dar trabalho. Erick pode me levar.

-Não será problema. Irei leva-la Isabella.

Mal a menina sabia que Edward iria leva-la não para prestar um favor, mas por que desejava ver de perto nos minutos em que podia o relacionamento entre patrão e empregada.

Seguiram silenciosos pela avenida em direção ao hospital. O clima entre eles, Edward percebeu, era de uma calmaria irritante. Bella não falava nada, não reagia a nada. O pior de tudo era que ele havia provocado isso e internamente se bateu por colocar concreto em cima do pouco que eles tinham.

-Vou acompanha-la até o consultório. –Anunciou enquanto estacionava o carro no meio fio.

-Não precisa me levar até lá. –Isabella o encarava surpresa.

-Preciso falar com Jasper. Não estou necessariamente indo por você. –O rapaz abriu a porta do carro para Isabella e novamente os dois seguiram silenciosos até o consultório do doutor Withlock.

Enquanto via o médico e o cumprimentava, Edward percebeu que os olhos do médico, volta e meia, vagarem na direção de Isabella. Ele tinha um sorriso cravado no rosto, diferente da expressão com que atendia os pacientes. Parecia fascinado com ela, como todos que a cercavam, como Angela e Aro, ficavam. Ainda sim aquela postura irritava Edward.

-Bella marcará uma consulta para você. Precisa fazer um check-up. –Disse o médico em uma determinada hora. Edward pareceu finalmente despertar do torpor.

-Ah, sim. Deve ter razão. Faça isso e me avise o dia para que Alexandrina possa me lembrar. –Isabella entrou no consultório, depositando para Edward uma xícara de café. Os olhos castanhos de Jasper a seguiram e, quando Bella o olhou, trocaram um sorriso cúmplice. Edward comprimiu os dedos na palma da mão, furioso.

O pior não era sentir o que estava sentindo, mas sim não saber lidar com aquele sentimento opressor de ciúme. Edward, afinal, nunca havia experimentado nada igual, nem mesmo quando achou estar apaixonado por Jessica. O que estava acontecendo com ele afinal? Edward Cullen teria deixado as suas defesas naturais ruírem para a Swan entrar?

-Preciso ir. –Disse subitamente, ansioso para deixar o consultório e não presenciar mais a intimidade dos dois e fazer algo precipitado. –Tenho alguns compromissos a cumprir. –Complementou. Após mais alguns cumprimentos, Edward deixou o hospital, seguindo em direção ao seu escritório.

Passou a tarde imerso em trabalho, tendo que, forçadamente, se reunir com Aro. Nem mesmo a presença ameaçadora do patrão conseguiu afasta-lo de pensamentos mais tenebrosos do que desaponta-lo e acabar cheio de marcas pelo corpo.

-Parece distraído hoje, meu jovem. –Aro comentou enquanto entregava o relatório oferecido para Edward.

-Estou um pouco cansado.

-Imagino que este cansaço não é algo relacionado apenas ao trabalho, não é verdade? A menina Isabella deve ser um entretenimento e tanto para justificar a sua aparência tão abatida. –Um sorriso sarcástico emoldurou os lábios do mais velho, deixando Edward furioso. Não gostava quando Aro dizia qualquer coisa sobre a Swan.

-E eu imagino que deva ter mais compromissos importantes e, portanto, não possa mais perder o seu tempo com um simples contador, não é? –O jeito rude com que tratou o seu contratante, como sempre, não abalou Aro. Risonho, se despediu de Edward com a mesma simpatia de sempre, convidando-o para um evento de caridade dali a dois dias, onde mais um leilão de mulheres seria feito as escondidas. Edward não poderia recusar, claro, mas também não mostrava um lindo sorriso no rosto ao confirmar a sua presença no evento.

Quando a presença ameaçadora do Volturi passou pela porta e Edward se viu sozinho em seu escritório, o Cullen pôde sentar mais confortavelmente em sua poltrona, afrouxando a gravata no processo. Sentia-se esgotado.

-Está tudo bem, senhor Cullen? –Perguntou Alexandrina, que entrava na sala do rapaz.

-Sim. Tudo sob controle. Sairei mais cedo hoje. –Levantou-se.

-Como quiser senhor Cullen. Trabalharei um pouco mais antes de ir para casa. Tenha uma boa tarde. –Disse a secretária, recebendo um aceno do patrão antes de Edward desapareceu pela porta.

...

-Doutor Withlock? –Chamou Isabella enquanto entrava sem cerimônias no consultório do médico, vasculhando o local de paredes brancas e assépticas com os olhos. Ela o encontrou deitado em uma poltrona de couro afastada da mesa onde clinicava, ressonando tranquilo. Estava exausto, ela bem sabia, após assumir tantos plantões e ainda manter a rotina de consultas. As olheiras debaixo dos olhos estavam tão proeminentes que poderia se passar por morto, tamanha a imobilidade em que se encontrava.

Ao invés de deixa-lo em paz como deveria, mesmo que a ligação que a motivou a entrar ali parecesse importante, Isabella se aproximou mais. Sentou-se na beirada na poltrona, os olhos castanhos perscrutando o rosto bonito. Jasper era um homem realmente encantador, de uma beleza digna de atores de filmes. Não resistindo ao impulso que a tomava, Isabella tocou a face alva com a ponta dos dedos, deliciada com a macies da pele masculina. A pele de Edward era assim também, mas ela preferiu não fazer comparações com o jovem Cullen. Era melhor mante-lo distante dos pensamentos.

Um suspiro profundo arrancou a Swan de seus pensamentos e ela se viu observada pelos orbes igualmente castanhos de Jasper. Aturdida, afastou-se bruscamente.

-Eu... Eu vim... Bom, tem uma ligação para o senhor. A propósito o meu horário se encerrou. –Apressou-se em sair do consultório, voltando para a sua mesa. Pegou apressadamente a bolsa e, sem olhar para trás, saiu da sala. Ela certamente não viu o olhar fascinado que o loiro lançava para ela enquanto ele tocava o ponto onde Isabella havia acariciado com a ponta dos dedos.

Ao sair do hospital, encontrou um carro importado familiar. Edward estava encostado no veiculo, olhando para a Swan de forma impassível. Naqueles olhos rapinos ele pôde detectar que a menina estava um caos, perturbada por algo. Ela respirou fundo, desejando se recompor, e entrou no veiculo. Não abriu a boca durante o trajeto, nem mesmo no jantar que se seguiu. E o rapaz, que a observava, sentiu um pressentimento ruim com aquilo tudo.

Edward queria voltar atrás na sua palavra. Impedir a Swan de trabalhar, ter contato com outras pessoas, em especial homens. Mas Isabella estava radiante, diferente da menina frágil que encontrou após a sua viagem com Tânia. Restava a ele observar de longe, desejando que nada de drástico acontecesse e planejando de antemão uma intervenção caso fosse necessário.

Não tocou na Swan ou fez qualquer aproximação, permitindo que ela se recolhesse assim que terminasse o jantar, mas grasnava nele a vontade de um contato, ainda que forçado, e sentir que talvez, só talvez, eles ainda pudessem ter alguma intimidade. A sua chance aconteceu quando se aproximava da meia noite.

Isabella estava sentada na poltrona da sala de vídeo, assistindo a uma comedia dos três patetas. Ria a valer enquanto comia um pacote de salgadinhos. Trajava uma camisola de seda verde que ia até os pés, um hobby de um tom mais escuro por cima, aberto.

Ao notar a presença do rapaz, a menina fez menção de se levantar, largando o pacote de salgadinhos em cima do sofá, parecia aturdida.

-Não precisa se levantar. –Edward disse, caminhando em direção a ela. –Posso assistir com você? –Pediu, achando-se de fato um tolo por ter que solicitar algo assim, quando simplesmente poderia ficar ali sem dar explicações.

-Hmmm... Sim. –Bella o encarava confusa. Aquele não era o modo operantis tradicional do rapaz. Geralmente, quando queria algo, o Cullen impunha a sua vontade sem maiores explicações. Afastou-se desnecessariamente, uma vez que o lugar era espaçoso demais, para dar espaço a ele.

Por vários minutos os dois encararam a tela, inexpressivos, cada um no seu mundo. Mas as sucessivas piadas, clássicas e impossíveis de serem ignoradas acabaram por quebrar o gelo e causar o riso dos dois.

Quando o DVD acabou, ambos estavam deitados lado a lado, rindo a valer.

-Eu já vi isso uma centena de vezes, mas sempre acabo na gargalhada. Nem é pelas piadas, mas por que a minha mãe dizia coisas hilárias enquanto assistíamos a isso na TV. –Confessou a Swan enquanto enxugava uma lágrima provocada pelo riso excessivo. Edward ficou surpreso e profundamente deliciado por ela falar de algo tão intimo, reservado possivelmente a pessoas do seu circulo de confiança.

-Eu também assistia as reprises com a minha mãe. Esme adorava Os três patetas. –Moveu a cabeça e sorriu, os olhos fixos na Swan.

-Esse era o nome da sua mãe? Esme?

-Elizabeth era minha mãe biológica, na verdade. Era irmã mais nova de Esme. Quando ela me abandonou, ainda recém-nascido, Esme cuidou de mim.

-Voltou a ver a sua mãe? –Bella virou-se para o rapaz, apoiando a cabeça na mão.

-Não. Ela desapareceu completamente. Imagino que tenha morrido. Esme me contou que ela era viciada em drogas e bebidas. –Havia algo nos olhos esmeraldinos do rapaz, algo tão bonito e vulnerável que Isabella não conseguiu desviar os olhos. Uma vez que ele parecia estar se abrindo, sem pressões, ela decidiu instiga-lo ainda mais a falar.

-E o seu pai? Chegou a conhecê-lo?

Um silencio tomou conta do ambiente e Isabella viu o rapaz crispar os lábios. Pensou que ele daria o assunto por encerrado.

-Eu não o conheci. Minha mãe esteve perdida por ai antes de voltar para a casa de Esme. Teve uma vida de abusos. Não acredito que ela sabia quem era o meu pai. Poderia ser qualquer um com quem tenha se envolvido. Ninguém sabe. –Ele olhou para o teto escuro da sala de vídeo.

-Mas ela deve ter amado você pelos dois. Esme, quero dizer.

-Sim. Ela me amou mais do que a própria vida. E esse, talvez, tenha sido o seu maior erro. Preferiria que ela apenas me tolerasse, mas me amar do jeito que amou... –Ele sacudiu a cabeça, parecendo querer fugir dos pensamentos que o tomavam.

-Por que ama-lo foi tão ruim para ela? –Bella quis saber, mortalmente curiosa.

-Por que, por culpa do seu amor, acabamos ligados a Aro. –Ele voltou a olha-la e algo passou por eles. Havia mais coisas que Edward tinha a dizer, mas ela soube que não seria naquele momento que diria.

-Sinto muito. Por tudo. –Foi tudo o que ela disse, sem saber se deveria perguntar mais coisas ou não. E Edward e encarou surpreso por tamanha carga de sentimentos naquelas duas pequenas frases dirigidas a ele.

-Você também não teve uma vida exatamente fácil, não é? Sua mãe, até onde eu sei, morreu. Seu pai está imerso na dor para se importar com qualquer outra cosia e... –Notando que as palavras poderiam ser rudes, tratou de se desculpar. –Perdão.

-Tudo bem. Não está falando nada que não seja verdade. Mas há mais do que você disse. A verdade é que o meu pai nunca ligou para mim, nem mesmo antes da morte dela.

-Isso é impossível. Pais amam os seus filhos e... Eu sei, eu sou um exemplo de que as coisas não são necessariamente assim, mas no seu caso...

-Bem Edward, o meu pai não me amava. Eu não o culpo por isso. –Isabella encantou o teto, perdida em pensamentos. –Quando ele descobriu que tinha uma filha, eu tinha quinze anos. Já era crescida, entende? Claro que, para ficar com a minha mãe, a única mulher que ele amou e que nunca esqueceu no caso de verão rápido que tiveram, ele me aceitou e fingiu me amar. Assim que ela morreu, ele não precisou mais fingir. Simplesmente me deixou de lado, como sempre desejou. Mas eu o amei. Eu o amo. Aprendi a ama-lo pelos poucos anos de convivência.

-Por isso você fez o que fez. –Ele continuou a olha-la, percebendo que Isabella era, de fato, idêntica a mãe. Era altruísta e fazia qualquer coisa por amor, até se sacrificar.

-Sim. Alguém precisava fazê-lo. Só havia eu. Mesmo que esse amor seja unilateral, não mudará nada. A sua tia fez coisas por você, não é? Se algo assim acontecesse, por mais que você soubesse que ela não o ama, você não faria a mesma coisa?

Aquela pergunta fez com que Edward, por alguns instantes, imaginasse a cena toda. E ele percebeu, rápido demais, que ele não era muito diferente da Swan. Faria sacrifícios pela tia, sim. E ele também entendeu um pouco mais a tia.

-Faria. Faria sim. –Os dois, deitados lado a lado, se olharam. Apenas o brilho da grande tela, com os creditos do DVD passando, iluminava o local. Aquele clima de silencio e aconchego embalou os dois jovens e uma paz sem precedentes se instalou. Edward sempre se sentiria atraído pela morena, mas naquele momento ele quis compartilhar unicamente da presença terna que ela emitia. Ele se aproximou tanto quanto podia, virando-se para ela. Pegou uma das mãos branca e colocou sobre a bochecha direita, ignorando o ar surpreso da menor.

-Mesmo que seja só um pouco... Me deixa ficar assim com você. –Pediu. E Isabella, que até então pensava tanto no que havia acontecido entre ela e Jasper a ponto de não dormir direito, não conseguiu pensar em mais nada que não fosse Edward.

Cada um seguiu o seu caminho quando o cansaço se abateu sobre os dois. E Edward não permitiu nenhum contato mais intimo, mas depositou um delicado beijo nos lábios da Swan quando desejou boa noite.

...

Isabella estava nervosa. Mal dormira pensando no pequeno toque que ela havia feito no rosto de Jasper. Ele havia acordado e percebido a caricia e ela, envergonhada, fugiu sem dar maiores explicações. Foi por isso que não conseguiu dormir e acabou na sala de vídeo vendo alguma comedia. Queria por as ideias no lugar, esquecer. No entanto, a Swan não pôde. A presença de Jasper era imponente demais para ser ignorada. Havia, porém, uma presença que conseguia eclipsar tudo o mais: Edward Cullen.

Eles haviam compartilhado algo na noite anterior. Algumas pessoas poderiam achar irrisório uma pequena conversa, mas para Isabella o fato de Edward dizer algo sobre o seu passado havia sido algo muito significativo, levando em consideração o quão calado o rapaz era. É claro que o ocorrido só servia para deixa-la ainda mais confusa sobre os sentimentos que nutria por Edward e os sentimentos que imaginava ter por Jasper.

Em contrapartida, o que havia acontecido com eles deixou Edward mais relaxado quanto às desconfianças acerca da aproximação entre Isabella e o doutor Withlock. Tanto que, embora ele estivesse levando a Swan para o trabalho agora, já se sentia suficientemente seguro de deixar Erick busca-la.

-Erick irá busca-la hoje. Ficarei ocupado o dia inteiro. –Comentou enquanto estacionava o carro no meio fio. De imediato notou que Isabella estava alheia ao que ele dizia. –Está me ouvindo? –Perguntou, enérgico. Após despertar da letargia, causada pela mente que trabalhava, a Swan respondeu:

-Sim. Entendi. –Suspirou e, pela primeira vez desde que ela começou a trabalhar, não esboçou nenhum sorriso enquanto saia do carro.

Isabella jamais admitiria, mas estava nervosa, nervosa a ponto de esquecer inclusive a sua bolsa no carro do Cullen. Não sabia como deveria se comportar com Jasper a partir de agora. Deveria conversar sobre o ocorrido e pedir perdão pela ousadia? Ou deixar as coisas quietas e rezar para o loiro não tocar no assunto? Chegou tensa ao consultório e respirou aliviada quando não encontrou o médico. Pôs-se a organizar o espaço, incluindo também a sala onde Jasper atende os seus clientes. Quando estava preparando um café na copa, ouviu o barulho da porta sendo aberta e soube que era o seu patrão.

Cauteloso como um gato, Jasper encontrou Isabella com uma caneca de café que ela mesma havia preparado na cafeteira. Sorria como todos os dias, mas o sorriso parecia não alcançar os olhos castanhos.

-Bom dia. Acabei de fazer café. –Caminhou até a sala do Withlock, depositando em cima da mesa o café ofertado. Jasper estudava a Swan, esperando pelo melhor momento para falar. Há dias queria dizer algumas coisas para a Swan e, após o ocorrido no dia anterior, teve a certeza de que confessar o eu estava sentindo por ela renderia bons frutos. Jasper sempre fora comedido, mas pela primeira vez quis arriscar.

-Espere Bella! –Chamou quando a Swan fez menção de voltar para a sala dela. Isabella, relutantemente, se virou para encara-lo, antevendo a conversa difícil que teriam.

-Deseja algo? –Perguntou. Para a sua surpresa, Jasper capturou as suas mãos, segurando-as com gentileza.

-Sim, eu quero que você escute o que eu tenho a dizer. –Respirou fundo, pretendendo despejar tudo o que tantas vezes formulou na cabeça. Teve, contudo, que aceitar a versão resumida do discurso, uma vez que encontrou dificuldades para falar. –Eu estou apaixonado por você. E eu sei, eu sinto, que você sente algo por mim. Percebi isso ontem e, por isso, criei coragem para dizer. Talvez eu esteja me precipitando, mas eu não me importo. Quero ariscar pelo menos uma vez na vida e fazer não o que a razão considera o melhor, mas guiado pelo coração.

Viu a Swan arregalar os olhos e abrir parcialmente a boca, como se quisesse dizer algo, mas sem fazê-lo.

Bella estava perdida! Comedido como o loiro era, ela foi pega desprevenida com aquela confissão. Mal tivera tempo para processar os últimos acontecimentos, incluindo também o que sentia pelo médico. Então não sabia o que deveria fazer naquela situação.

-Então... É nesse momento que você me dará um fora. –Brincou o maior, sorrindo. –Ou... Você me deixará fazer algo que estou com vontade desde que eu a vi pela primeira vez. –Ele se aproximou paulatinamente, dando espaço suficiente para Isabella se afastar se quisesse. A menina não fez isso. Ficou parada, encarando os olhos castanhos como os seus que a observavam com expectativa e adoração.

Bella não o amava. O que sentia pelo bom doutor Withlock era uma admiração cega, devido à bondade que ele emanava. Ela ainda tinha o seu coração ocupado por Edward, que era errado para ela de todas as formas possíveis. Ainda sim, racionalizando acerca do que ela sentia e definindo a tudo, Isabella não impediu Jasper de colar os lábios dele aos dela, ou o empurrou quando os braços fortes escondidos dentro do jaleco branco a envolveram.

Por que, mesmo amando outra pessoa, Bella se permitiu ser beijada? A resposta era muito simples e, até certo ponto, deprimente. Ela queria experimentar novamente a sensação de ter algum contato com alguém que gostava dela, se importava com ela. Por alguns minutos não correspondeu ao rapaz, mas foi relaxando, os braços o envolvendo, e quando iria corresponder o beijo...

Um barulho soou longe e tudo o que a Swan sentiu foi Jasper sendo arrancado de si. Cambaleou para trás e quando ergueu a cabeça viu o loiro ser agredido por socos na face, caindo no chão. A pessoa que o agredia sem piedade, não dando chance dele se defender, era um jovem de cabelos cor de cobre que aparentava uma fúria implacável.

Edward estava louco! Entrara no consultório para devolver a bolsa que a Swan havia esquecido, e a encontrou aos beijos com o seu médico de confiança. Apenas uma frase tomava conta da mente do jovem enquanto tentava desferir mais e mais golpes em Jasper.

ELA É MINHA!

Sim, Isabella era dele. Ela era a sua propriedade, por isso, justificou-se, ele poderia agir como um selvagem, enlouquecido pelo ciúme.

Jasper se ergueu, cambaleante e sentindo o sangue na boca. Quando Edward tentou golpea-lo novamente, o loiro conseguiu desviar, empurrando o Cullen para a direção da porta. Bella, atordoada, se meteu entre os dois, o que causou o aumento da fúria de Edward. Para ele ela claramente tentava ajudar Jasper.

Deixou de lado o rapaz ferido e resolveu que, para se sentir satisfeito, deveria antes de tudo punir a pessoa que verdadeiramente errou. Pegando Isabella pelo braço, arrastou a menina junto a ele para fora do consultório, chegando rápido ao elevador que tinha as portas paradas naquele andar. Jasper tentou alcança-los, sem sucesso. A porta se fechou antes que o médico pudesse chegar ao corredor.

Isabella sentiu o aperto no braço e protestou de dor, mas Edward a ignorou. Ele não deixou de segurá-la daquele jeito bruto nem mesmo quando os resmungos tornaram-se choramingos de dor.

-Edward, você está machucando o meu braço. –Murmurou a menina aos soluços.

-Tem sorte por eu estar machucando apenas o braço. –Grunhiu o Cullen, tentando controlar a ira já que havia outras pessoas dentro do elevador.

Voltou a arrasta-la quando saíram do elevador, indo em direção a calçada onde o carro de dele estava estacionado. Edward abriu a porta, atirando Isabella para dentro. Ela tentou sair, desesperada. Toda aquela agressividade a estava assustando e, após temer por Jasper, Bella, agora, temia pela própria vida.

Apesar de calado enquanto dirigia, a postura de Edward, somada ao olhar e os dedos comprimindo o volante, indicavam que ele estava tomado por uma raiva homicida. A Swan estremeceu, sentindo o braço latejar onde ele havia apertado. Queria sair do veiculo, fugir, mas como poderia fazer isso se Edward era o único com o poder de destravar as portas?

A respiração estava rápida e o coração batia acelerado. Isabella estava com os nervos em frangalhos. Mal ela sabia que Edward passava pela mesma situação. Ele estava vivendo um jorro de emoções conflitantes enquanto a mente repassava a cena que vira dentro do consultório minutos atrás. Havia voltado para devolver a bolsa que a menor esquecera no carro para se deparar com a sua Isabella (sim, ela era dele da forma mais legitima possível) nos braços de um homem que até então, apesar da escassa intimidade, o Cullen considerava de confiança. A traição dera um gosto acre nos lábios e ele não sabia como lidar com tanta raiva. Queria socar alguém, quebrar coisas, gritar, mas sabia que deveria ser paciente para estourar longe da vista dos outros. Por isso esperou até estar no seu andar para fazer despencar a mascara de indiferença e deixar transparecer todo o ressentimento sentido pela situação. Bella, que estava sentindo o braço como se o próprio tivesse sido arrancado, estremeceu quando viu o rosto dele, em frente a porta do luxuoso apartamento. Quis correr, e foi o que fez quando Angela abriu a porta, mas Edward foi mais rápido.

Agarrou a menina pelos cabelos antes que ela se refugiasse em um dos quartos, arrancando de Isabella um grito agoniado. Arrastou a pequena para dentro do quarto dele, jogando-a na cama. Bella se encolheu toda, esperando por mais agressões. Quando ergueu a cabeça, os olhos embaçados pelas lágrimas, viu Edward andando para lá e para cá, nernoso.

-Como pôde fazer isso... Você. Logo você. Logo depois do que eu fiz por você. POR UM ACASO SE ESQUECEU O QUE É? –Começou a gritar, levando as mãos à cabeça e bagunçando ainda mais ou cabelos acobreados. –VOCE É MINHA! MINHA PROPRIEDADE! PORRA! POR QUE FEZ ISSO? POR QUE DIABOS BEIJOU JASPER?

Bella o encarava assustada. Ele voltou os seus olhos esverdeados para a menina, esperando por uma resposta. O choro se tornou mais pronunciado e ela murmurou palavras incompreensíveis, incapaz de rebater todo aquele ódio dirigido a ela.

-O que foi? Não vai me dizer nada? Se acha que ficar calada, chorosa, vai adiantar alguma coisa está muito enganada, por que não vai! –Edward se aproximou, os punhos cerrados, e Isabella sabia que não teria muito tempo.

A menina se sentou na cama e, sem encará-lo, disse baixinho:

-Eu precisava sentir novamente...

-Sentir o que? Emoção por enganar alguém? O QUE, PORRA? –O rapaz veio veloz, agarrando-a em cima da cama pelo braço, sem piedade. O nervosismo da Swan aumentou exponencialmente.

-Sentir como é ser amada. Minha vida se transformou no mais puro inferno e, agora, só o que eu recebo de você, da única pessoa que eu amo além do meu pai, são migalhas. Migalhas para mim não bastam. Estou cansada de ser uma boneca que você usa como bem entende. Você não tem a mais remota ideia de como eu me sinto, sendo tão maltratada e desprezada todos os dias. Estou tão cansada disso! De tudo! Cansada de ama-lo e só receber o pior em troca, como se eu tivesse feito algo muito errado. Tem ideia do inferno que eu passo? E fico admirada de você me culpar como se eu tivesse feito um crime hediondo. Você, logo você... Você que infecta tudo o que toca. Você, o responsável por tudo o que passo de ruim... E o pior de tudo, o pior, é que mesmo você me maltratando tanto, eu amo você! EU AMO VOCE, PORCARIA! E ME ODEIO TODOS OS DIAS POR ISSO!

O choro da menina se tornou algo ruidoso, desesperado, como uma garoa que rapidamente se transforma em uma tempestade de proporções catastróficas. E Edward, que até então estava sendo tomado pela fúria irracional, simplesmente parou. De todas as coisas ditas pela menina de forma desesperada, apenas uma se destacava das demais, enchendo o peito do rapaz de um sentimento que a muito tempo deixara de experimentar: ser amado. Sim, Isabella Marie Swan, a menina de dezoito anos que ele comprara no mercado negro e maltratara desde então, estava apaixonada por ele. Não, não era uma simples paixão. Ela o amava e havia dito isso em alto e bom som. Apesar de tudo o que ele havia feito...

Enquanto a via chorar copiosamente, escondendo o rosto de traços delicados nas mãos, Edward sentiu o contentamento apossá-lo. Toda a raiva sentida se dissipou ao constatar que a infidelidade de Isabella, segundo ela, se devia apenas ao fato dela desejar sentir-se amada, nada mais.

Ajoelhou-se na cama king size e esticou uma mão para toca-la, mas foi severamente repelido por ela.

-NÃO ME TOCA! –Gritou, afastando-se quando viu Edward projetar-se na direção dela, ignorando os seus protestos.

Edward a tomou nos braços, segurando-a fortemente. Isabella o empurrou com,o pôde, querendo quebrar o contato, mas se viu prisioneira daqueles braços fortes que enlaçavam o seu diminuto corpo. Logo a menor estava tão cansada que se deixou repousar naquele abraço forçado, o choro diminuindo gradativamente, assim como os espasmos do corpo.

Por alguns minutos, os dois ficaram completamente parados, ouvindo o silencio quase sepulcral tomar conta do amplo quarto. E então Edward estava agindo, intempestivamente como só ele sabia agir, tateando o corpo de Isabella por cima das roupas enquanto seus lábios atacavam os lábios dela. Isabella permaneceu imóvel e alheia às caricias do rapaz por um par de minutos, mas logo cedeu, abrindo timidamente a boca para que a língua de Edward pudesse tomá-la. Entrego-se com uma paixão sem precedentes, ignorando tudo o que o Cullen lhe fizera minutos atrás, machucando-a e gritando palavras ásperas.

As mãos de ambos, impacientes, repiraram com certa aspereza as roupas. Edward, impaciente, acabou por rasgar a lingerie cinza usada por Isabella, o que também aconteceu à camisa de botões que ele usava quando a menina quis despi-lo. Edward, que até então a beijava, resolveu usar os lábios para acaricia-la em outras partes do corpo, alternando o uso com a língua.

Os gemidos da Swan ecoaram pelas paredes do quarto enquanto sentia a língua de Edward passear pelo seu corpo, concentrando-se nas regiões mais erógenas. O primeiro orgasmo aconteceu quando Edward levou a língua até o meio das coxas, explorando-a por vários minutos. Os dedos compridos e esguios também participaram daquela exploração, proporcionando assim o segundo orgasmo quando a penetrou ritmicamente. Ele bem sabia que a onda sucessiva de orgasmos a estava exaurindo, mas não quis parar. Continuou tocando-a, beijando-a, lambendo-a, extraindo o Maximo de prazer. Notando o quão satisfeita Isabella estava, decidiu buscar o próprio prazer, penetrando a cavidade úmida dela com o seu membro.

Os dois gemeram ante aquele contato e, por um par de segundos, Edward apenas a encarou, enquanto estava parado dentro dela. Começou os movimentos bem lentamente, apreciando o modo como ela se moldava a ele, apertando-o dentro dela. As pernas de Isabella logo o enlaçaram pela cintura, incentivando-o a movimentos mais rápidos. Ele assim o fez, arrancando gemidos dela que se misturavam aos seus próprios. O gozo quis vir depressa, mas o rapaz o retardou o máximo que pôde, alternando as posições com que os corpos se uniam na tentativa de prolongar o prazer dele e o dela.

As horas se passavam, mas o jovem casal parecia não se importar, ou se deixar entregar pelo cansaço. Edward manuseava o corpo de Isabella como uma criança faria com massa de modelar, posicionando-a nas mais diferentes formas (sentada, em pé, deitada, de costas, de quatro, de joelhos) através de pedidos que mais soavam como ordens. Bella, entregue ao prazer, obedecia a tudo, entorpecida pelos orgasmos alcançados e o cansaço que começava a envolvê-la. Ainda sim não protestava quando Edward, recuperado de mais um orgasmo, com o membro duro, já se posicionava entre as pernas delas, afastando-as com os joelhos, e penetrando-a num ritmo implacável que causava uma sensação de ardência e prazer no sexo da Swan.

-Eu sei que precisamos parar... Mas eu não consigo. Eu preciso... de mais. –Murmurou o rapaz no ouvido de Isabella, mordiscando aquele lugar. E Isabella abriu mais as pernas, num claro convite para ele prosseguir. Não se importava com o esgotamento físico, as dores que começava a sentir ou o fato de que ele não merecia toda aquela entrega. Ela só queria esquecer-se de tudo e obedecer aos anseios do corpo e do coração até não poder mais. E assim o fez até o começo da manhã.

...

Acariciou as madeixas cor de mogno, retirando-as do rosto alvo demais. Isabella dormia, esgotada, com a cabeça repousada no peito de Edward. O rapaz se permitiu ficar olhando-a um pouco mais, recriminando-se quando notou manchas avermelhadas, que provavelmente mudariam a coloração para o roxo depois de uns dias. Prometeu silenciosamente que a compensaria, por isso e por tudo o mais.

As palavras de amor da menina ainda estavam vividas em sua mente. Ele ficava rememorando o discurso apaixonado dito pela Swan de novo e de novo. Embora se julgasse um condenado por tantos motivos, havia alguém que o amava e isso era como um bote inflável no meio do oceano após um naufrágio.

Ele sentia em cada fibra do seu corpo que as coisas mudariam na manhã seguinte e de uma forma boa. Ansiou pelas melhoras, ignorando a postura que assumira anteriormente. Não se afastaria mais de Isabella, ou dos sentimentos conflitantes que o tomavam. Fosse o que fosse o sentimento que nutria pela morena, ele viveria intensamente, como a muito tempo não se permitia... Desde a morte de Jessica.

Ela não é Jessica. Eu não permitirei que ela se transforme nela! –Prometeu solenemente o jovem Cullen enquanto voltara a acariciar os cabelos da Swan e a aninhava mais contra o corpo.

Notas finais
olá pessoas! Sinto muito pelo atraso, mas estou com a agenda cheia. Estou melhor de saúde, mas a minha mãe não então preciso ajudar mais na loja dos meus pais.
Ah, eu sei que está atrasado, mas desejo um feliz início de ano a todos vocês, meus leitores. Espero permanecer com vocês por mais um ano, enquanto houver na minha cabeça histórias que precisam ser contadas.
Obrigada pelos comentários e recomendações. Não deixem de comentar, divulgar, etc, pois isso é um combustível e tanto para continuar escrevendo.
Beijos!
PS: Ouvi músicas da banda Halou para compor esse capítulo. :)