Eram três e vinte da madrugada quando Isabella despertou. Tateou involuntariamente o lado oposto da cama em que estava deitada, só para constatar, sem surpresa, que Edward não estava lá. Provavelmente foi dormir no quarto dele, concluiu.

Afastando o edredom que cobria o seu corpo nu, ligou o abajur ao lado da cama e, frustrada, bagunçou os próprios cabelos. O que havia dado nela para se entregar tão completamente ao rapaz que a abandonara sem piedade para ficar com outra mulher? Deveria ter lutado contra os seus sentimentos, ser fria. Não conseguiu.

“Estou fodida! Tem como a situação piorar?” –Pensou.

Sentiu um incomodo entre as pernas e levantou-se, desorientada. Suspirou aliviada ao constatar o que estava acontecendo. Após sair do banheiro, a Swan voltou para a cama.

...

-Sim, adie as reuniões que aconteceriam pela manhã. Acredito que estarei ocupado.

-Tudo bem senhor Cullen. Mais alguma coisa? –Perguntou Alexandrina a seu patrão do outro lado da linha.

-Nada. Irei ao escritório mais tarde. –Desligou o celular, colocando-o no bolso da calça social cinza. Enquanto vestia o paletó cinza por coma da camisa preta de botões.

A decisão havia sido tomada. Precisava dar algum alento a Isabella e optou pelo menos nocivo: deixa-la trabalhar. Hoje sairia junto a ela para resolver o que precisava ser resolvido antes de mergulhar no trabalho. Sorriu ao imaginar o quão feliz a menina ficaria com a sua resolução.

O fato veio tão subitamente que ele sentiu o corpo cambalear. Como ele pôde ser tão descuidado?

-CACETE! –Saiu apressado do próprio quarto, pronto para adentrar o quarto da Swan quando ela, de banho tomado e roupas trocadas, estava saindo do quarto. Edward não perdeu tempo, empurrando-a suavemente para dentro. Isabella o encarou com espanto.

-Você ainda estava tomando os remédios receitados por Jasper, não é?

-Eu ainda ESTOU tomando, se quer saber. Qual é o problema? –Esbravejou a Swan, mantendo certa distancia do rapaz, tentando não olhar para ele mais do que a cortesia permitia.

-Você está tomando antibióticos. Eles cortam o efeito dos anticoncepcionais. E ontem nós... –Engasgou ante a possibilidade de engravidar a Swan. Não, aquilo não poderia acontecer em hipótese alguma!

As mãos de Edward suavam e ele, num gesto nervoso, passou-as na sua cabeça deixando ainda mais caóticos os cabelos acobreados. O coração batia descompassado enquanto a respiração parecia minguar. Bella o encarava impassível, indo se sentar na beirada da cama.

-Eu não sabia disso. De todo modo, nós não precisamos nos preocupar com uma possível gravidez. –Ela se dignou a olha-lo, ignorando a expressão atordoada e, agora, furiosa.

-COMO NÃO? VOCE OUVIU ALGO QUE EU TENHA DITO NOS ULTIMOS CINCO MINUTOS?! –Gritou, exasperado. Isabella pareceu não ser afetada pela explosão, embora o coração estivesse a mil.

-A minha menstruação veio essa madrugada. Feliz agora? –Encarou com azedume o rapaz parado a sua frente, desejando ficar sozinha em casa. Não gostava daquela versão sisuda de Edward.

O rapaz em contrapartida suspirou aliviado. Foi por pouco.

-Ainda bem. –Suspirou. –Ainda bem... –Ergueu a mão, oferecendo-a a Isabella. –Vamos. Tomaremos café juntos. Depois disso precisarei falar com você sobre um assunto.

Não pegou a mão ofertada. Estava chateada demais e, agora com a razão apoderando-se dela, poderia trata-lo com rudeza tal qual ele fazia. Edward quis puxa-la de volta para o quarto e obriga-la a segurar a sua mão, mas sabia que merecia um pouco daquela frieza. Só esperava que, ao anunciar a sua decisão, Isabella fosse mais receptiva a ele.

Comeram em silencio, ouvindo, a pedido do Cullen, música clássica nas caixas de som acima deles, na sala de jantar. Quando terminou de comer, Isabella levantou-se, murmurou um pedido para se retirar e foi em direção aos quartos. Edward permaneceu na sala de jantar por alguns minutos, empurrando o café da manhã goela abaixo enquanto se preparava para tentar estabelecer uma conversa tranquila com uma garota aparentemente arredia.

O primeiro cômodo em que a procurou foi o quarto, só para constatar que a Swan não se encontrava lá. Intrigado, caminhou pro entre os outros cômodos a procura da menina, só encontrando-a vários minutos depois no jardim de inverno.

Isabella estava deitada em uma espreguiçadeira de madeira a qual o estofamento verde oliva de tecido náutico brilhava levemente com a luz do Sol que pouco incidia no espaço. Serena, não lia nada, algo atípico dela. Apenas parecia apreciar o bom clima; o vento brincando com as suas madeixas escuras.

-Disse que queria conversar com você quando terminasse de comer. –Não exprimiu o costumeiro azedume por ser contrariado, apenas o cansaço de alguém que parecia estar vivendo tudo outra vez, de novo e de novo. Queria sossego, por mais que não o merecesse.

-Você é um homem ocupado. Não quero atrapalha-lo. Tenho certeza que o assunto entre nós pode esperar até você chegar do escritório. –Não abriu os olhos. Continuou na posição despreocupada, por mais que o coração, quando ouviu a voz de Edward, tivesse disparado.

-Adiei meus compromissos justamente para falar com você. –Sentou-se na beirada da espreguiçadeira, ao lado da menina, e admirou por alguns instantes o rosto de pele lindíssima, apesar de estar desprovida de maquiagem. Quis toca-la, tal qual havia feito na noite anterior, mas se conteve.

-O que quer falar? –Apesar da postura indiferente, o rapaz notou um tom levemente curioso na pergunta. Ela não abriu os olhos.

-Você está bem? –Ele começou, fazendo a Swan abrir os olhos e sentar, tamanha a surpresa por uma pergunta tão persistente.

-Já disse mais de mil vezes que eu estou bem! Se não acredita em mim por que não pergunta aos seus empregados? Eles dirão a você o quanto eu estou me alimentando bem e tomando os meus remédios! –A racionalidade parecia se esvair, e não era a Bella submissa que vinha a tona. Edward tratou de corrigir o engano.

-Não estou perguntando fisicamente. Eu estou perguntando se você está bem... Aqui. –Ele sabia qual seria a resposta, mas estava disposto a ouvi-la mesmo assim. Isabella inspirou profundamente antes de falar para então as palavras virem numa torrente.

-Imagine se você, tendo o dia a dia atribulado por tarefas e adorando isso, tivesse que ficar trancado em uma casa, no mais profundo tédio, sem fazer nada. Saber exatamente o que você fará na manhã seguinte, e na manhã seguinte. Diante disso, acha que eu estou feliz? Estou vivendo aqui contra a minha vontade!

-Eu proporciono uma vida confortável. Há pessoas nesse mundo que matariam para ter o que você tem. –Rebateu Edward. Isabella sorriu.

-Eu não sou essas pessoas. Preferiria star vivendo em um barraco ou no meio da rua, mas sendo livre, do que cercada por tudo o que o seu dinheiro sujo pode oferecer.

Ela não era Jessica Stanley.

Não, não era. Edward nunca teve certeza maior do que agora, encarando os orbes castanhos que brilhavam por conta da fúria sentida. Jessica amou a sua gaiola dourada, a riqueza proporcionada. Não se importou em viver sem nenhuma atividade, desde que tivesse sexo com Edward e alguns mimos que só o bom dinheiro pode comprar. Isabella era diferente. Ela nunca se importou com as roupas, joias... Com nada. Ela amou a vida simples que levava por que era dela, fruto do seu esforço. O alivio pela descoberta foi tão grande que Edward quase a beijou em comemoração, mas se conteve.

-Gostaria de trabalhar? –Perguntou. Isabella o encarou, apática.

-O que?

-Poderia trabalhar com Jasper. O emprego não exigirá muito de você e ele certamente pagará bem. Isso com certeza a livraria do ócio que parece desagradá-la. –Ele viu a expressão desnorteada da menina, como se não estivesse acreditando no que dizia ele. Nem mesmo Edward acreditava. Dar liberdade a ela poderia custar muito caro caso a menina abrisse a boca e contasse a alguém o que ela é. Bem... Ele se preocuparia com isso mais tarde.

-Não pode estar falando sério. Por que você me deixaria trabalhar? –As palavras saiam apressadas dos lábios cheios da Swan.

-Por que eu não quero que adoeça novamente. Estou fazendo o que posso para cuidar do seu corpo, mas também preciso cuidar da sua mente. Ficar aqui, presa em casa, não vai ajuda-la. Imagino que, se você tivesse uma ocupação, isso certamente... –Não concluiu o discurso, pois os braços quentes de Isabella o envolveram.

Ficou embasbacado com o ato, sem saber como agir. Paulatinamente relaxou naquele abraço, envolvendo a cintura fina com os braços e puxando a menina um pouco mais para perto. Fechou os olhos e suspirou, detectando o tão conhecido cheiro de morango que vinha dos cabelos dela.

E Isabella, ainda atordoada com o comunicado, sentia uma alegria tão imensa por saber que um pouco de liberdade seria concedida! Ah, pouco se importou se estava agindo de uma maneira imprópria, abraçando o rapaz daquele jeito. Apenas quis demonstrar o quanto estava grata enquanto as lagrimas começavam a rolar pelo rosto.

-Está falando sério? –Perguntou em uma voz sem firmeza enquanto enterrava o rosto no pescoço do Cullen. A cena toda, vivida não como um espectador, mas como um participante, estava enchendo o peito do rapaz de um sentimento bom. Ah, se ele soubesse que ganharia um abraço tão significativo como aquele, ele teria feito isso a mais tempo.

-Acha que eu brincaria com uma coisa dessas? –Perguntou com divertimento na voz. Isabella se afastou cedo demais, enxugando as lágrimas com as mangas do suéter amarelo.

-Não. Não brincaria. Por que está fazendo isso por mim? –Ela encarou Edward, tremendamente curiosa. Ele, todavia, não revelava nada.

-Eu apenas quero... –Pensou em dizer que apenas a queria disciplinada, mas a verdade saiu antes de qualquer coisa. –Eu quero vê-la mais feliz. –Um sorriso raro apareceu nos lábios do rapaz e Bella espelhou esse sorriso.

-Obrigada. –Agradeceu a menina com sinceridade. E toda aquela comoção que a envolvia enterneceu o coração normalmente frio do rapaz.

O modo como os olhos castanhos pareciam brilhar e as bochechas estavam coradas fez com que ele quisesse beijá-la. Mais do que beija-la, Edward queria abraça-la e conforta-la, garantir a ela um mundo bonito que a cercaria, livrando a menina de todos os problemas – inclusive dele mesmo. Todavia ele ficou onde estava, sentado de frente para ela, contemplando, abobalhado, a centelha de vida que a encheu com o comunicado. Pegou o celular do bolso e, após discar para o seu médico, o doutor Witchlock, entregou o aparelho para a Swan.

-Avise a ele que você deseja o emprego. Depois nós sairemos.

-Sairemos? Aonde iremos? –Ela perguntou enquanto posicionava o celular na orelha.

-Comprar roupas. Tenho certeza que não existe nada adequado no seu guarda roupas que uma secretária possa usar. –Um meio sorriso foi esboçado pelos lábios vermelhos de Edward e Isabella se viu encantada por aquela nova faceta apresentada. Ela se perguntou onde esse rapaz esteve o tempo todo?

...

Tailleurs de todos os modelos e tamanhos, das mais diferentes marcas. Dolce e Garbana, Gucci, Chanel e outras marcas internacionais apareciam nas etiquetas, tão pomposas quanto a boutique onde estavam.

Isabella era assessorada por uma linda ruiva chamada Donatella, que a seguia feito um cão pelos vários metros quadrados da loja. Ela não precisava de mais nada, a assegurou, mas a simpática vendedora continuava empurrando mais e mais roupas, na tentativa de ganhar uma boa comissão com as vendas. Em um dado momento, enfadada, a Swan bateu o pé e se recusou a fazer morada no provador. Por fim ela e Edward partiram, cheio de sacolas que não caberiam no carro do rapaz. Coube à loja levar as compras até o apartamento, algo que eles ficaram mais do que felizes em fazer.

-Está tarde. Devemos almoçar. –Disse o Cullen após conferir as horas no seu Rolex de platina.

-Você não vai para o escritório? –Perguntou a Swan após afivelar o cinto.

-Louca para se desfazer de mim, não é? Não se preocupe. O martírio da minha companhia só durará até o almoço. Avisei a minha secretária para transferir minhas reuniões para mais tarde. –Ligou o carro, dando atenção a sua frente. Não se surpreendeu por Isabella, apesar da gentileza com que a estava tratando, querer distancia dele. Mas também, admitiu para si mesmo, aquilo tudo o aborrecia profundamente. Procurou, porém, não demonstrar.

-Você não é uma companhia ruim quando não está sendo grosseiro. –A menina murmurou, ganhando um olhar surpreso na sua direção. O resto do trajeto foi feito no mais absoluto silencio.

...

Contemplou as varias roupas em cima da cama. Com uma mão tateou o fino tecido. Não acreditava que na manhã seguinte ela iria trabalhar. Bom... Não trabalhar exatamente, mas observar a atual secretária do doutor Witchlock e receber instruções dela. Ainda se lembrava da voz extasiada do médico quando ouviu a noticia.

-Estou muito feliz por você ter aceitado a minha oferta de emprego. Acho que nos daremos muito bem. Espero você amanhã às oito horas no meu consultório.

Sim, Jasper parecia radiante ao telefone. Verdade seja dita Isabella também estava. Ganhar um pouco de liberdade, podendo se livrar do tédio que a deprimia, e estar na companhia agradável do loiro era algo digno de sorrisos esporádicos na direção de Angela, que a ajudava a organizar o closet.

-Fico feliz em saber que o senhor Cullen permitiu essa concessão. Certamente isso melhorará exponencialmente o seu humor. –Angela também estava feliz com a noticia. Isso significava uma melhora no clima da casa para todos.

-Sim. Agora me ajude a escolher o tailleur que usarei amanhã. Estou indecisa entre este e este. –Apontou para dois tailleurs em cima da sua cama, um preto e a outra cinza. Angela apontou discretamente para o preto, recomendando que ela usasse os cabelos soltos e se prontificou a ajuda-la pela manhã.

-Quem irá levá-la para o hospital? O senhor Cullen?

-Não. Edward designou Erick para cuidar do meu translado de ida e volta. –Lembrou-se da conversa que tivera com Edward. Embora Isabella fosse trabalhar, não poderia ir a nenhum outro lugar que não o hospital.

Duas batidas interromperam a conversa das meninas. Lauren entrou, olhando com desdém para Isabella.

-O senhor Cullen chegou. Precisamos de ajuda para montar a mesa do jantar.

-Não precisariam se você colaborasse mais. –Rebateu Angela, mordaz.

-Ande logo e venha ajudar! A princesinha aqui sabe se virar!

-Ficará bem sem mim? – Perguntou a Isabella que aquiesceu. –Ok. Volto para chama-la para o jantar. –Saiu, olhando com desconfiança para Lauren, que continuava na porta do quarto. Quando a loira não se moveu para seguir a outra empregada, Isabella imaginou que elas teriam um novo confronto.

-É melhor você ir com ela. Se estiverem precisando tanto de ajuda você provavelmente será necessária na cozinha.

-Provavelmente... –Murmurou a loira, adentrando ainda mais o quarto. Assoviou quando viu as novas roupas de Isabella, compradas por Edward. –Ele está sendo bem bonzinho com você, mesmo você não merecendo.

-Edward tem um histórico de ser bonzinho. Por exemplo: manter uma empregada que não faz absolutamente nada. –Encarou a loira crispar os lábios diante da resposta acida. Sorriu internamente por conta da pequena vitória.

-Como está espertinha! Mas aí vai um conselho...

-Sempre há um conselho e quer saber Lauren? Não estou nem ai!

-Então vai acabar como ela. Sendo morta por...

-O que está fazendo aqui? –Edward perguntou, encarando com azedume Lauren. A empregada deu de ombros, se retirando.

-Ajudando a princesa, mais do que ela imagina. –Os dois trocaram um olhar cheio de significados antes da loira desaparecer pelo corredor. Edward suspirou, cansado, e acabou por entrar no quarto, fechando a porta atrás de si.

-Ela a estava incomodando?

-Não. Ela não é nada. Não me abala. –Deu de ombros, bem blazê.

-Que bom. Não ligue para as asneiras que porventura ela diga. –Encarou as roupas colocadas na cama. –Escolhendo o que vestirá amanhã?

-Sim. Estou indecisa entre o cinza e...

-Escolha o preto. Sempre escolha o preto no primeiro dia de trabalho. –Sentou-se na cama, aparentando um cansaço colossal. Aliás, Edward sempre parecia cansado.

-Está tudo bem?

-Nada que eu não possa administrar. –Parecia até sem forças, prova disso é que estava tendo dificuldades em retirar o paletó. Bella caminhou até o lado oposto da cama, engatinhando na direção dele.

-Deixe-me ajuda-lo. –Pediu enquanto se prontificava a retirar ela mesma o paletó. Pôde sentir os ombros rijos de tensão do Cullen enquanto as pontas dos dedos roçaram no lugar.

-Obrigado. –O rapaz pareceu relaxar visivelmente após aquele pequeno contato, dando a Swan uma ideia. Colocou ambas as mãos nos ombros do rapaz, massageando-os lentamente. –O que está fazendo?

-Uma massagem. Você definitivamente está precisando. Considere isso uma forma de agradecer pelo que está fazendo por mim. –Pouco a pouco foi retirando os nós na musculatura do rapaz com os dedos, tal qual a sua mãe havia lhe ensinado quando Renée fez um curso de massagem. Ficou satisfeita em ver que Edward parecia melhorar sob o seu toque, como se pudesse até rejuvenescer. Olhando para um espelho preso a parede, de frente para os dois, percebeu o quão relaxado ele estava e o quão jovem ele era quando mostrava uma expressão serena no rosto.

-Você é só um menino... –Murmurou surpresa com a imagem que o espelho apresentava a ela. Viu o esboço de um sorriso.

-Ninguém nunca me acusou disso. –Abriu os orbes esmeraldinos e encarou Isabella através do espelho. –Eu não sou um menino desde a época em que eu deveria ser um. Você, melhor do que ninguém, pode me compreender. Você, que precisou crescer para cuidar das pessoas que amava.

-É, eu sei como é isso. E você? Não tem ninguém mais que queira proteger? Alguém querido? –Perguntou curiosa. Edward era uma incógnita que ela queria resolver. Ela o encarou pelo espelho e algo no modo como ele a olhava a deixou constrangida. Parecia que ele dava a resposta esperada com apenas um olhar.

-Deve estar com fome. Pode ir jantar se quiser. Tomarei um banho antes de ir até a sala de jantar. –Levantou da cama, pegando no processo o paletó. –Obrigado pela massagem. Eu realmente estava precisando. –Trocou mais um olhar cheio de significados com a Swan, desta vez sem o intermédio do espelho. Saiu logo depois.

Que homem complicado, Isabella pensou. Alguém fechado, que não se permitia a aproximação de ninguém. Como um animal silvestre que nunca tivera o contato com outro humano... Ou como se tivesse sido ferido o suficiente por humanos que não confiava em mais ninguém.

Ela poderia ser essa pessoa? Poderia ser alguém em quem Edward confiaria o suficiente para se abrir? Ela duvidava. Isso não significa, contudo, que Isabella não poderia tentar. Antes pensou em despreza-lo e uma parte dela ainda ansiava por isso, mas a Bella altruísta que sempre cuidou dos pais dizia não a essa resolução.

Não soube o que realmente a motivou, se a compaixão ou apenas a busca natural que o ser humano tem pelo prazer, mas foi em direção ao quarto do rapaz, tentando não produzir nenhum barulho enquanto entrava no local. As roupas estavam cuidadosamente dobradas em cima da cama king size e apenas a luz do banheiro iluminava o local. Antes de seguir para lá retirou as suas vestes, ficando apenas de calcinha e sutiã. Não poderia se despir completamente, como gostaria, uma vez que as regras haviam chegado, mas achou que mostrar um pouco de pele agradaria o rapaz.

Ele estava inclinado, deixando a água potente de o chuveiro tocar a sua nuca. Edward Cullen era realmente bonito, Isabella pensou. Sentiu a ponta dos dedos formigando, ansiosos para toca-lo. A passos lentos ela seguiu em direção ao Box transparente, mas antes de sequer tocar na maçaneta que abriria...

-Eu tenho olhos nas costas, só para você ficar sabendo. –Ele se virou, nem um pouco tímido por estar nu. –O que está fazendo aqui?

-O que acha que eu estou fazendo? –Ela o encarou com azedume, apontando para a pouca roupa que a cobria. As suas intenções eram claras.

-Você não se ofereceria assim tão espontaneamente. Por que está fazendo isso agora? Está tão grata pela concessão? –As palavras afiadas a desestabilizaram e ela se sentiu ridícula ali. –Estou tentando decidir o que é melhor para você, mas não será de muita ajuda tendo você diante de mim, seminua. –Continuou.

-Decidindo o que é melhor para mim? O que você quer dizer com isso? –Ela estava desnorteada com as palavras do jovem Cullen e esperava que ele não a deixasse na escuridão novamente.

-Eu não sou bom, Isabella. Não sou bom para você e nem para ninguém. Eu destruo tudo o que eu toco, amando ou não. Você deveria ser uma boa menina e simplesmente aceitar o meu afastamento com um sorriso nos lábios ao invés de me lançar olhares enviesados. Depois de todo o mal que eu fiz a você, eu não merecia menos do que o seu desprezo, embora no fundo eu não queira isso.

-Você disse o que você quer. É sempre o que você quer... Mas e o que eu quero? –Murmurou a menina, mas para si do que para Edward.

-O que você quer então? O que quer de mim? VOCÊ TEM TUDO, CACETE! –Gritou, causando espanto na menina.

“Quero que sinta algo por mim. Quero me lembrar da sensação de me sentir amada. Eu já não sei o que é isso há muito tempo.” –Ela pensou. Até aquele momento, não imaginou o quanto estava carente, precisando de alguém que cuidasse dela e a amasse.

Não disse nada. Não era necessário. Se Edward não poderia oferecer amor então queria, pelo menos, que ele oferecesse um pouco de contato humano, ainda que envolto unicamente em luxuria. Entrou no Box, caminhando lentamente em direção ao rapaz. Ele estava assustado, um animal acuado, e ela precisava ser cuidadosa. Por isso demorou vários minutos até estar colada ao corpo masculino, debaixo do chuveiro, e passou com cuidado os braços ao redor da cintura do Cullen. Descansou a cabeça no peito largo e, fechando os olhos, se deixou estar ali, mesmo que ele não correspondesse o abraço.

Edward ficou realmente atordoado com aquele gesto. Depois do que disse, esperava que a menina se afastasse. No entanto, ali estava ela, totalmente entregue em seus braços. Ele não sabia exatamente como e sentir com relação a isso. Estava tão confuso! Tão assustado! Isabella havia dito que ele era apenas um menino e Edward negou. Pensando agora, talvez fosse exatamente isso; Edward era um menininho assustado clamando pela mãe, fosse ela a falecida tia Esme, ou Elizabeth, a mãe biológica que o abandonara assim que ele deixou o ventre dela.

Os braços masculinos circularam o miúdo corpo e a abraçaram. Não era um contato capaz de excitar os dois e leva-los a esquecer de anticoncepcionais que falharam ou as regras que desciam. O abraço era meramente o contato de duas pessoas que se confortavam sem nada quererem em troca.

-Você é uma garota estranha. Imprevisível. –Sussurrou o rapaz para a menor. Pôde ouvir um riso.

-Você também. –Afastou-se um pouco e viu a coisa mais linda que a sua mente podia conjurar, caso não passasse de uma ilusão: Edward sorria. Era um sorriso tão genuíno que sentiu a respiração pausar, incapaz de desviar o olhar. E ela soube que, por debaixo daquela carapaça, havia um homem com um coração.

Ela queria ser beijada.

Ele queria beija-la.

Olhos que se olhavam.

Bocas que queriam se tocar.

Edward ergueu as mãos e colocou o rosto de Isabella entre as suas mãos. Ela adorou ser aprisionada daquele jeito. Pensou que seria beijada nos lábios e, consequentemente, acabaria na cama do rapaz, mas para a sua surpresa Edward deu um beijo casto na sua testa.

-Fiquei assustado com a possibilidade de tê-la engravidado essa manhã. Não quero passar por isso de novo. É melhor você sair desse chuveiro, ou acabará doente, de novo.

-Ah, sim. –Encabulada pela recusa do rapaz, Isabella deixou o banheiro, pegando um roupão no processo. Não virou e encarou o maior, envergonhada demais pela sua ousadia. E Edward a assistiu sair do local, ansiando toca-la, mas esperando ser forte o suficiente para não fazê-lo, pelo menos não enquanto estivesse tão desnorteado, ou esse simples ato os destruiria.

...

Quando Isabella entrou na sala de jantar, naquela manhã, Edward segurou a respiração. Trajando uma camisa social colada ao corpo, saia preta estampada até os joelhos, de salto alto cinza e um casaco combinando com os sapatos, Isabella estava adorável. Os cabelos muito bem penteados caiam como ondas pelos ombros e as joias simples que usava, brincos e um colar de contas preto, realçavam o ar sofisticado e simples que ela tentava impor. O único erro para o rapaz era a maquiagem: um rosto de pele tão adorável como a dela não precisava de nenhum desses artifícios. Pelo menos não exagerou: apenas um pouco de batom, blush e delineador.

-Bom dia. –Sorriu, sentando-se na cadeira mais próxima a dele. Angela saiu do correndo logo em seguida e Edward concluiu que a empregada estava ajudando a Swan a se vestir.

-Pensei que usaria o tailleur preto.

-Usarei em outra oportunidade. –A menina se serviu de alguns pedaços de frutas, tendo iogurte como acompanhamento.

-Seus documentos. –Pegou um envelope pardo, dando-o a menina. –Estavam naquela bolsa surrada. Precisará deles.

-Obrigada. –Deixou o envelope no colo enquanto olhava a mesa farta, tentando escolher o que mais comeria.

Ela estava linda, apagando a imagem da garota opaca de dias atrás. E Edward não ficou exatamente feliz em saber que todo aquele esplendor que a envolvia seria dirigido a outro homem.

Enquanto tentava suprimir o incomodo, procurou mostrar desinteresse. Precisava encontrar um ponto de equilíbrio e não sujeitar a pobre menina as suas trocas rápidas de humor. Saiu após dar ordens explicitas a Erick para leva-la e busca-la, assegurando-se que ela entraria no hospital.

Isabella suspirou. Às vezes era cansativo lidar com alguém como Edward.

...

Quando Jasper Witchlock chegou ao seu consultório, Isabella já estava sentada ao lado da secretária, recebendo instruções. Ele sorriu ao vê-la, ainda mais linda do que se lembrava.

-Bella. –Lembrou-se, chamando-a da forma que ela gostaria de ser chamada. –Fico feliz que já esteja se interando das coisas.

-Ah, bom dia senhor. –A menina apressou-se em ficar de pé.

-Ela já está se mostrando bem empenhada. Chegou antes de mim. –Disse a secretária de Jasper.

-Fico feliz em saber disso. É preciso uma pessoa empenhada para ser a minha secretária. Vamos, eu vou mostrar as instalações a você e podemos tomar um café antes do inicio das minhas consultas. –Um sorriso gentil brotava dos lábios cheios do loiro. Isabella não conseguiu resistir. Segurou a mão ofertada e saiu do consultório em direção aos corredores do hospital.

...

-Então você quis ser advogado? Por que optou por medicina no final?

-Minha irmã mais nova ficou doente, leucemia. Eu tinha treze anos na época. Acompanhei o sofrimento dela e dos meus pais por uma cura que não vinha. Os médicos tentaram de tudo, mas o corpo dela simplesmente não respondeu ao tratamento. Ela morreu com dez anos.

-Sinto muito. –Murmurou a Swan, envolvendo uma das mãos do rapaz por cima da mesa do refeitório. Subitamente envergonhada, retirou a mão, colocando-a sobre o colo. –Então foi ai que você decidiu ser médico.

Sim. Eu pertenço a uma família de advogados. Meus pais esperavam que eu seguisse a carreira. Eu tentei, por um ano, mas não deu certo. A minha vocação já estava traçada e o falecimento da minha irmã só fez com que eu decidisse cedo. –Pelo sorriso fixado no perfil masculino diante de si, Isabella concluiu o obvio.

-E você ama o que faz.

-Sim, amo. Apesar do trabalho intenso, eu durmo e acordo contente, todos os dias. Mas me fale sobre você. Acho que já falamos demais de mim.

Ok, esse era o momento para Isabella se utilizar de algum subterfúgio e evitar a guisa de perguntas. Mentir nunca foi uma habilidade para ela e ela bem sabia que contar repetidamente uma mentira diria alguma coisa errada.

-Sabe... Acho que o horário de almoço acabou. Você disse que, após atender pacientes no seu consultório como fez essa manhã, o próximo passo após o almoço seria visitar alguns pacientes no hospital.

-Ah, tem razão! A hora passa rápido quando eu estou com você. –Olhou o horário no relógio de pulso e suspirou como quem está descontente com a passagem abrupta do tempo. –Preciso ir. Nos vemos ao final do dia, as seis horas, está bem?

-Claro. Vou ter mais lições com a sua secretária sobre o funcionamento da sua agenda. –Os dois se levantaram e cada um seguiu para a sua atividade, mas as duas mentes operavam em sintonia, rememorando a tranquila conversa que tiveram pela manhã, enquanto tomavam café, e agora a pouco, enquanto almoçavam.

...

Isabella mantinha-se silenciosa durante todo o trajeto com Erick até o apartamento, mas não era um silencio desconcertante ou tristonho. Estava em paz, como há muito tempo não se sentia, e só precisou passar um dia ao lado do médico para se sentir assim. Ele, Jasper, tinha esse efeito sobre as pessoas, concluiu, enquanto lembrava-se do sorriso involuntário lançado pelos pacientes quando o encontravam.

-Chegamos senhora. –Erick disse, despertando Isabella dos seus pensamentos. Foram imediatamente ao apartamento, sendo recebidos por Angela. A empregada acompanhou Isabella, sabendo de primeira mão o dia divertido que a menina tivera. Angela ficou feliz por Isabella, era perceptível o quanto um dia fora de casa fizera bem a ela. A menina parecia mais viva, corada, olhos brilhando e falante.

-Então vai assumir o lugar da secretária atual, que vai entrar de licença maternidade, por quinze dias a partir de amanha?

-Na verdade ficarei mais tempo. Jasper, para que ela possa ficar mais tempo com o filho, adiantará as férias dela. Ficarei por um mês e quinze dias, talvez mais. Dependerá dele. É um emprego temporário, mas já é alguma coisa.

-Sim. Talvez, após esse emprego, se tudo der certo, o senhor Cullen permita que você continue trabalhando.

-É com isso que estou contando Angela. Por isso seguirei a risca as ordens dele. –Os lábios se comprimiram numa linha rígida. Ser obediente ao jovem Cullen não era algo com o qual Isabella estava acostumada.

-O humor do senhor Cullen agradece essa medida. Bem... Preciso fazer algumas coisas antes do jantar. Ficará bem sozinha?

-Vou tomar um banho e trocar de roupa.

E após a saída de Angela do quarto, Isabella ficou em pé, olhando para cada canto do cômodo. Era bonito e confortável, mas... Voltar para aquele quarto, aquela casa, após passar o dia em um ambiente novo ladeada por pessoas agradáveis foi estranho. Mais do que estranho, ela se sentia sufocar, como se as paredes estivessem se fechando ao redor dela.

...

Os dias se passaram com lentidão... Para Edward, pelo menos. O tédio incomodava mais do que o normal e nada parecia ter o poder de distraí-lo. Havia, porém, alguém que até pouco tempo tinha esse poder: Isabella. A menina tinha algo, e ele não saberia dizer o que, capaz de acalma-lo. Isso quando ele conseguia vê-la.

Talvez abrir algumas concessões para ela não tenha sido uma boa ideia afinal. Isabella já estava trabalhando como secretária de Jasper há três semanas e a cada dia parecia mais e mais distante. Não que ele tivesse sido rude, absolutamente. Edward estava trabalhando para ser agradável e, assim, conquistar a antiga confiança depositada nele. A menina, contudo, parecia mais e mais distraída e o sorriso com que chegava minguava assim que passava pela porta.

O que estaria acontecendo com a Swan afinal?

-Senhor Cullen... –Interrompeu Alexandrina, na porta do escritório de Edward. –Um telefonema para o senhor.

Tratou de ocupar a mente com o trabalho, pesando no que faria. Visto que Isabella não tomava mais os antibióticos e já estava propensa a atividades sexuais sem o risco de uma possível gravidez, garantiu a ginecologista que a vira, ele poderia voltar a toma-la.

A ideia parecia estranha. Com o distanciamento existente entre os dois, fazer sexo com Isabella, por melhor que fosse, não lhe parecia algo que geraria conforto para os dois. Mas sem essa medida, de que outra forma poderia reconstruir o frágil laço antes existente?

...

-Deus, estou exausto! –Jasper se espreguiçou em sua poltrona. De fato ele parecia esgotado, com grandes olheiras marcando os olhos parcialmente fechados. O bom doutor Withlock era incansável em ajudar o próximo, Isabella constatou, se sacrificando mais do que o normal.

-Talvez isso ajude. –Entregou a ele um copo branco comprado em uma lanchonete do outro lado da rua. O sorriso do rapaz em direção a ele diminuiu consideravelmente quando ele percebeu o que havia no copo.

-Pensei que me traria café.

-Muita cafeína faz mal ao seu corpo, por isso eu trouxe uma vitamina. –o sorriso tranquilo da menina chamou a atenção do rapaz, como sempre. Ele a admirou por mais tempo do que a cortesia permitia. Ah, ela era linda! Linda por dentro e por fora, o convívio constatou. Isabella o encantara desde o primeiro encontro e agora, após semanas tendo a menina ao seu lado, Jasper sentia muito mais do que fascínio. E ele sabia, pelo trabalho que realizava diariamente, o quão breve a vida de uma pessoa poderia ser.

-Bella, eu estive pensando... Depois do expediente você gostaria de jantar comigo? Conheço um restaurante excelente. Sei que vai gostar. –Sorriu, esperançoso. Para sua total decepção, Isabella o encarou primeiro surpresa e depois entristecida.

-Lamento Jasper, mas não poderei ir. O meu primo... Bem, ele precisara da minha ajuda hoje. Prometi que ajudaria.

Ah, uma desculpa! Sempre uma desculpa! Quando a convidou pela primeira vez Bella tocou no nome do primo. Após várias tentativas sutis, novamente o primo era colocado na jogada. Deveria desistir, ela claramente o estava rejeitando, mas ele sentia que havia alguma coisa errada na recusa da menina.

-Sem problemas. –Tentou sorriso e conseguiu, enquanto a mente especulava. Alguma coisa estava errada ali. Toda vez que Edward era mencionado ou Jasper tentava saber de algo sobre a menina, Isabella mudava a expressão fácil, parecendo triste, aborrecida, preocupada.

Quando o expediente encerrou, Isabella foi embora, mas Jasper permaneceu em seu consultório, especulando.

A Swan saiu apressada, sentindo um aperto no peito. Ela não queria dizer não ao loiro, mas não tinha alternativa. Não era mais dona de si e, portanto, não poderia fazer o que bem entendesse. Fez uma retrospectiva de tudo o que passara nos últimos dias, em especial os dias ao lado do doutor Withlock.

O mundo da pequena parecia ter mudado radicalmente. Não parecia mais a jovem deprimida e excessivamente magra de outrora. Tinha o viço de uma menina na flor da idade, gozando de momentos felizes que somente ao lado de quem gostava ela poderia ter. O grande problema era que Isabella não estava experimentando isso ao lado de Edward, o homem por quem ainda era apaixonada, mas por outra figura de cabelos loiros que, em pouco tempo, invadiu e dominou o seu mundo.

...

Mais um jantar onde o silencio predominava. Edward não aguentava mais. Deixou de lado o delicioso pato preparado por Betha e encarou a Swan.

-Como foi o seu dia? –Insistiu, cravando um sorriso ameno, algo incomum para ele, nos lábios. Bella, distraída como estava, não percebeu.

-Foi legal. –Deu uma garfada no seu aspargo, olhando para uma das obras de arte que decoravam a sala de jantar.

Ela claramente o ignorava, ou não se importava com ele o suficiente para dar-lhe um pouco de atenção. E Edward sabia que a culpa desse comportamento era sua. Mas ele estava disposto a recuperar a Swan com quem teve contato antes de resolver ignorá-la, temendo que ela acabasse como Jessica. Precisava fazê-lo, pois a menina, embora não admitisse, era a única coisa a dar centeio de vida a ele.

-Legal? Só isso o que tem a dizer? Imagino que tenha mais alguma coisa para falar. –Rebateu seco.

-Não tenho. –Levantou-se. –Terminei. Vou para o quarto agora. Estou cansada.

Edward olhou enquanto Isabella lhe dava as costas e concluiu que só havia um meio dela dar alguma atenção a ele. Levantou-se da mesa, deixando o paletó no encosto da mesma, e a seguiu.

Isabella se refugiou no quarto, querendo deixar do lado de fora também às sensações que a assaltavam quando estava perto de Edward. Embora estivesse desenvolvendo um carinho saudável pelo médico, a paixão sentida pelo rapaz não havia desaparecido. Ela era como um vicio em alguma droga pesada, a necessidade dele sempre vinha quando via o objeto do vicio estava diante dela. Por isso estava mais do que agradecida por poder passar algum tempo longe de tudo ligado a Edward Cullen quando estava trabalhando como secretária, mas não poderia evita-lo em casa.

Retirou o blazer marrom, deixando-o em cima de uma poltrona. Quando descalçou os pés dos sapatos de vinil marrom, a porta do quarto se abriu. Um Edward sem o paletó, ainda de colete e gravata pretos apareceu. A mente do rapaz pareceu finalmente acompanhar os movimentos feitos pelo próprio corpo, quase que involuntariamente, e sentiu-se envergonhado, sem saber o que dizer a menina. Enquanto isso Isabella estava estática, tentando descobrir o porquê de Edward ter ido até o seu quarto, para logo mais concluir o motivo. É claro, só havia um motivo para ele estar ali. Uma parte de Bella queria desesperadamente o conforto negado por dias, mas outra desejava um afastamento ainda maior. Ainda sim...

Bella observou o rapaz a sua frente. Os cabelos acobreados em desalinho estavam mais bagunçados do que o normal, provavelmente ele passara a mão nos fios enquanto vinha para o quarto. Os olhos esmeraldinos emitiam agora uma vulnerabilidade quase palpável que deixou a menor desconcertada. Como poderia manda-lo para fora do quarto se ele a olhava daquele jeito suplicante?

Deu alguns passos para frente enquanto os olhos castanhos perscrutavam o Cullen. Ele tinha olheiras, indicando privação de sono, e parecia cansado, quase doente. Pensando bem ela nunca o vira de outro jeito. Estava tão vulnerável! Mais parecia alguém precisando de proteção, pois claramente algo o atormentava.

-O que quer de mim? –Perguntou suavemente, acariciando o rosto de ângulos perfeitos do Cullen. Edward fechou os olhos, suspirando audivelmente.

-Estou tão... Cansado. –Murmurou. E era verdade, Edward estava cansado de um bocado de coisas, mas nada o exauria mais do que a sensação de que ninguém se importava com ele.

-Todos nós estamos. Foi um dia cheio de atividades para ambos. Venha, vamos tirar essa roupa e providenciar um banho. –Pegou a mão do rapaz, guiando-o para o quarto ao lado, o quarto dele.

Ao chegar lá, apontou para a cama, pois queria que ele sentasse. O Cullen assim o fez, vendo Isabella ir até o banheiro. Saiu de lá minutos depois com as mangas da camisa social cor vinho dobradas até os cotovelos.

-A banheira está enchendo. Talvez fosse melhor você relaxar um pouco lá. –Ele a encarava. –O que foi?

Isabella se aproximou, querendo saber o que havia de errado com Edward. O rapaz continuou com a cabeça abaixada, olhos fechados, sentado na cama. Quando sentiu uma mão leve como o pousar de uma mariposa no ombro, capturou aquela mão e beijou a palma, fazendo com que esta ficasse no seu rosto.

Deitou pouco depois, puxando Isabella consigo. A menina, surpresa, se acomodou o melhor que pôde, com o corpo parcialmente sobre o de Edward. Não sabia exatamente o que o rapaz pretendia, queria perguntar, mas o modo como ele a olhava e como a mão livre tocava o rosto dela fez com que Isabella perdesse a capacidade de raciocinar. Mas havia algo naqueles olhos tristes, algo que causava comoção na Swan.

-O que foi? –Perguntou, verdadeiramente preocupada.

-Eu só tenho você. Para o bem ou para o mal.

Às vezes Edward dizia coisas profundas como aquela. Isabella não se atrevia a criar esperanças. Não seria a primeira vez que ele dizia coisas bonitas, como se ela fosse tudo para ele. Ainda sim ela sentia o corpo reagir as palavras do rapaz.

-Eu não o compreendo. Às vezes você diz coisas desse tipo, mas na maior parte do tempo me trata com descaso, como se não precisasse nenhum pouco de mim.

-Eu não preciso. Não posso precisar, Isabella. –Acariciou o rosto em formato de coração com as pontas dos dedos, apreciando a macies da pele branca como alabastro. –Finja que sou um cara legal e faça sexo comigo sem reclamar. Preciso de você hoje.

Um pedido feito sem muitas gentilezas, mas se tratando de Edward ela bem sabia que não poderia esperar muita coisa.

-Não era você quem não precisava de mim? Falou isso agora a pouco e... hmmm... -Sorriu, sarcástica, antes de se calar quando sentiu a mão do rapaz tatear o seu corpo, dando atenção as zonas erógenas de Isabella com a ponta dos dedos, por cima da roupa social. Rapidamente Edward abriu o botão da calça, colocando a mão dentro da calcinha da Swan para logo mais massagear o clitóris da menina.

-Eu só preciso de uma coisa sua e acho que sabe do que estou falando. –Atacou a boca de Isabella com um beijo lascivo enquanto com uma mão a masturbava. Bella gemia por entre os lábios do rapaz, segurando fortemente o colete que cobria o tórax rijo. Edward sorriu quando constatou o quanto a menina estava pronta para ele. Lambeu os próprios dedos com aquela doce seiva, adorando o saber único da Swan.

-Hmmm... Você é realmente deliciosa. –Sussurrou em seu ouvido, mordiscando o lóbulo da orelha. –Quero lambe-la todinha.

O corpo feminino foi atacado por beijos lascivos, caricias provocantes. Enquanto isso Edward despia a Swan ao mesmo tempo em que tirava as próprias roupas. Após os dois estarem completamente despidos, o rapaz cumpriu a sua palavra, experimentando cada porção de pele da menina com a sua língua, lábios e dedos.

Isabella arfava, gemia, incoerente. Queria mais daquele homem como nunca quis homem algum, algo que ela própria reconhecia como errado. Ela não deveria deseja-lo tanto... Era como pisar no amor próprio. Ainda sim...

-Hmmm... Edward... –Segurou os cabelos do rapaz, que estava com o rosto enterrado entre suas pernas. Os lábios subiram, deslizando pela pele branca e macia de Isabella, até voltarem a atacar os lábios femininos com uma ferocidade beirando o animalesco. E apesar de sentir um gosto acre na boca, indicando algum possível ferimento, a Swan não protestou.

Os momentos que se seguiram entre os lençóis de algodão egípcio alternaram entre caricias doces e apertos capazes de causar marcas na pele. Corpos que se entrelaçavam como videiras em uma grade, Edward e Isabella procuraram extrair o máximo de prazer do outro, sem reservas. Um momento fugaz a menina bem sabia em que o rapaz frio e lacônico agia tão apaixonadamente, mostrando a ela que possuía sangue nas veias afinal.

A cada investida dada, seja com Edward sobre o corpo frágil da jovem ou ela por cima, encarando-o, era algo fenomenal. Os dois se perderam no êxtase do prazer mais de uma vez, deixando de lado a indiferença, cansaço, mágoas e tudo o mais que até então os afastava; tudo o que os arrastava para o abismo.

Os ponteiros de um moderno despertador de aço apontavam para uma e vinte da manha quando os jovens, exaustos e satisfeitos, pararam para descansar. Bem como a Swan imaginou, Edward estava afastado dela, mãos repousando no peito nu, encarando o teto. O jeito frio de sempre havia voltado, para a total decepção de Isabella; pelo menos era isso o que aparentava. Cansada da instabilidade típica de Edward, achou melhor deixar o quarto.

Isabella levantou-se, pegando as peças de roupa espalhadas no chão e vestindo uma a uma. Edward acompanhou casa movimento, atordoado. Em situações como essa ele sabia que precisava dizer alguma coisa, mas nunca conseguia verbalizar algo. Apenas olhava Isabella partir com aquela expressão de magoa no olhar.

A menina voltou para o próprio quarto com a sensação nauseante de que era um objeto para ser usado e descartado, como em todos os dias. Suprimiu ao máximo as lágrimas que ameaçavam cair e, para a sua felicidade, dormiu rapidamente. Um sono sem sonhos.

...

Disposto a consertar o modo indiferente com que tratara Isabella, Edward decidiu que, naquele dia, iria buscar a menina no trabalho. Após o almoço, ligou para Erick, dispensando-o da função, e procurou cumprir o restante dos seus afazeres a fim de sair mais cedo. Alexandrina o ajudou no que pôde, estranhando a aparente ansiedade do patrão, mas, profissional como era, nada comentou.

Enquanto isso, Isabella olhava impassível para Jasper. O bom doutor Withlock realmente não desistia.

-O que disse? –Voltou a perguntar.

-Não tenho mais pacientes hoje então eu pensei em aproveitar a ultima hora do expediente para convida-la para um café. A cafeteria fica do outro lado da esquina. Ora vamos, por favor? –Olhou implorativo.

Isabella se viu em uma difícil situação. Geralmente era mais fácil inventar uma desculpa para não sair com Jasper, alegando que seria difícil após o expediente. Agora, durante o expediente, não tinha alternativa.

-Deve estar cansado. Eu não quero atrapalha-lo. –Sorriu nervosa. Mas a menina viu, no olhar do loiro, que ele não desistiria.

-Não vai me atrapalhar, muito pelo contrário. Só por uma hora. –Estendeu a mão e olhou para a Swan com expectativa. Acuada, Isabella sabia que os malefícios de recusar seriam bem maiores. Além do mais, no fundo a menina queria alguns poucos momentos de liberdade, tendo instantes de normalidade, ao lado do loiro. Jasper...

Enquanto caminhavam para fora do hospital, engatando em uma conversa animada sobre alguns pacientes divertidos do médico, Isabella fazia uma pequena retrospectiva dos dias em que esteve trabalhando como secretária do loiro. Jasper era um médico excessivamente dedicado, negligenciando até a sua saúde para tanto. Quantas vezes ele deixou o almoço de lado e o descanso para cuidar de algum paciente? Ele era um homem tão apaixonado pelo que fazia! Não avia mulher que não se encantasse com aquilo e a Swan descobriu ser uma delas. E havia algo nele... O modo como sorria, mesmo quando uma expressão serena toava o seu rosto, os olhos brilhantes e cativantes, os cabelos razoavelmente encaracolados, cor de ouro, caindo na testa...

-Terra para Bella! –Ouviu a voz do rapaz, em uma dada hora, chama-la. Sorriu ao nota-lo a sua frente, segurando uma garrafa de água Tonica.

-Estou aqui. –Sorriu, olhando Jasper. Não foi um olhar de reconhecimento como antes. Ela verdadeiramente o olhou, e gostou do que viu. Sentiu o coração turbulento aquecer e se estabilizar enquanto retornava a conversa. Os sentimentos caóticos foram se aquietando e um enternecimento a acometeu.

Em pouco tempo, Jasper Withlock havia se tornado o seu refugio sem perceber. Uma luz bonita no fim de um comprido e escuro túnel do que uma parte dela queria sair... Apenas uma parte. Outra parte insistentemente olhava para a escuridão atrás de si, procurando um par de olhos esverdeados que, como os de um gato, a fitavam brilhantes na escuridão. Ele não precisava chama-la para ela penetrar as trevas e se perder.

...

Batucava os dedos esguios com impaciência no volante do carro importado. Edward sentia uma raiva arder o seu âmago e ameaçar desestabiliza-lo. Quando chegou até o hospital onde Isabella agora trabalhava como secretária do seu médico, esperava encontra-la lá. Ela sabia das regras que ele estipulara antes de ser empregada, não sabia? Uma prestativa enfermeira informou que ela havia saído acompanhada do médico e que provavelmente não estariam longe, uma vez que Jasper ficaria no plantão noturno. Ainda sim...

Sua visão periférica captou algo verde caminhar pela calçada e rapidamente reconheceu Isabella, em um lindo vestido verde simples. Andava lado a lado com Jasper, conversando animadamente enquanto retornavam ao hospital. A cena foi como um soco na boca do estomago do rapaz. Comprimiu os dedos no volante e rapidamente desceu do carro, rumando, silencioso, para o hospital. Seguiu de perto o casal, perto o suficiente para ouvir murmúrios trocados pelos dois. Não eram definíveis, todavia, mas notou que o loiro chamava a Swan de Bella, e não Isabella como ele fazia.

Quando os dois usaram o elevador, muito provavelmente para voltar ao consultório, Edward os perdeu de vista. Pensou em usar o elevador ao lado, mas desistiu, voltando para o seu carro. Aguardou o momento em que Isabella sairia, algo que aconteceu minutos depois.

A menina olhava para todos os lados, procurando por Erick, Claro, ela não sabia da decisão repentina de Edward ir busca-la. O rapaz teve que sair do veiculo para que ela o notasse, o que ela fez com surpresa.

-Onde está Erick? –Isabella perguntou assim que ficou próxima o suficiente para Edward ouvi-la. Estranhou o olhar impassível do rapaz. Havia algo nos orbes verdes, raiva talvez, que fez todos os pelos do braço da Swan se enricarem.

-Eu o dispensei. Vamos. –Edward abriu a porta do carona e Isabella entrou logo em seguida. A porta foi fechada com brutalidade, assustando a garota. Havia um clima de tensão entre os dois, da qual Bella era ignorante. Por que o Cullen parecia tão irritado com ela? O que ela...

Quando a compreensão passou pela mente da Swan a respeito do motivo que deixava a pessoa ao seu lado tão sombria, Edward disse:

-Você desrespeitou a regra.

-Que regra? –Quis saber, antevendo o que ele falaria.

-Disse para não sair. Do trabalho para casa. Sabe disso.

-Jasper estava desconfiado, eu sei. Eu sempre recusava quaisquer convites para sair, inventando desculpas. Achei melhor aceitar dessa vez. Eu apenas fui à cafeteria próxima ao hospital. –Murmurava, temendo que, mesmo assim, a ira de Edward caísse sobre ela. –Não posso viver desse jeito que você impõe sem que isso gere desconfiança. Você precisa abrir exceções se quiser manter segredo sobre o tipo de relacionamento que nós temos.

-Esses convites para sair são frequentes? –Perguntou o rapaz, encarando o transito a frente. Isabella não soube o que responder sem que parecesse incriminar o loiro de assedio.

-Não são convites grandes. Apenas comer algo em algum lugar por perto. Nada demais. –Desdenhou a menor, querendo mascarar o nervosismo que estava sentindo pelo andamento das perguntas. Ela bem sabia que se o desagradasse corria o risco de não mais trabalhar.

O restante do trajeto foi silencioso. Isabella imaginou que as respostas coerentes haviam aplacado a raiva do rapaz e suspirou aliviada. Quando o carro entrou na garagem privativa do apartamento de Edward, ela prontamente projetou o corpo para sair do veiculo, mas foi brecada. Olhou para o maior, não entendendo o porquê daquilo e o porque daqueles olhos cor de esmeralda estarem tão injetados.

-O que...? –Calou-se quando foi puxada para os braços dele que atacou os lábios macios dela com os seus, num beijo sufocante. Assustada, tentou empurra-lo, mas a sua força era ínfima perto da força de Edward. Ele a forçou a se deitar no banco que recostou propositalmente, postando-se em cima dela. Isabella, percebendo que não conseguiria afasta-lo, ficou imóvel, sem corresponder a nada que lhe era ofertado. O rapaz percebeu a frigidez da menina, mas não parou cm as suas investidas. Subiu o vestido até a cintura, retirando sem demora a peça intima.

Quando Isabella sentiu os dedos hábeis dele acariciarem sua região mais erógena, não resistiu. Gemeu audivelmente, contorcendo-se. O quadril instintivamente procurou mais daquele contato intimo, desejando ser tocada em todas as partes até que estivesse saciada. Notando a mudança de comportamento, Edward sorriu, satisfeito por ela ainda reagir positivamente a ele, por mais que a razão o repudiasse.

-Você está tão pronta! –Murmurou no ouvido dela, penetrando-a com dois dedos. Sem demora ele abriu o zíper da calça social e a penetrou lentamente, encaixando-a em seu colo. Não demorou aos dois seguirem um ritmo constante, onde as estocadas eram mais fortes e os gemidos mais altos. Felizmente aquele não era um horário onde os outros moradores do prédio transitassem livremente pelo estacionamento, dando ao casal a liberdade para gozar intensamente naquele momento de prazer no interior do carro.

Quando ambos estavam saciados, Edward prontamente se ajeitou, sentando novamente no seu banco. Isabella abaixou o vestido e, envergonhada, desejou sair o quanto antes do carro. Como pudera ceder tão facilmente? Deveria ser fria, frigida, pois Edward não era nenhum pouco delicado com ela, mas as necessidades do corpo e do coração sempre falavam mais alto.

-Ele a chama de Bella. Um apelido criado por ele? –Perguntou Edward, surpreendendo a Swan. Após o choque com a pergunta, ela respondeu:

-Ele não o criou. As pessoas mais próximas a mim sempre me chamaram desse jeito. Eu prefiro assim. –Ela saiu do carro, deixando o rapaz abismado.

Naquele momento ele percebeu, com um estranho pesar, que todos pareciam próximos a ela, queridos para ela, até mesmo o médico que a conhecia a pouco tempo, por isso Jasper a chamava de Bella. Ele tinha uma posição privilegiada no coração da menor...

Uma posição que Edward não tinha.

Um ciúme avassalador tomou o peito do rapaz e ele prometeu que olharia mais de perto Isabella. Precisava entender que tipo de relação a menina tinha com o patrão, antes que fosse tarde demais.

Notas finais
Obrigada pela infinita paciência para comigo. Estou melhor de saúde. Busquem as músicas da banda Imagine Dragons, que me inspirou para escrever esse capítulo. Deixem muitos comentários, recomendações, compartilhem, etc. E espero que dia 21 não seja de fato o fim do mundo, se não eu levarei o final da fic para o meu túmulo! kkkkkkk