O corpo estava estranhamente leve.

Bella sonhou com uma casa num subúrbio pobre. A casa era simples, com varias fotografias bem emolduradas em cima de um mezanino de madeira na sala. Poltronas gastas onde repousava uma manta verde feita pela sua avó paterna que não chegou a conhecer. Armários de madeira onde adesivos alegres com temais florais e pássaros foram colados aleatoriamente. Uma geladeira repleta de comidas congeladas. Ela estava sentada em uma das cadeiras da pequena mesa de madeira no centro da cozinha, mexendo nas frutas de plástico dentro de uma cesta. Esperava alguma coisa que não vinha e, intuitivamente, soube o que era.

A casa estava vazia. Nada do barulho vindo da televisão velha onde o pai acompanhava os jogos de beisebol. Nada dos passos apressados da mãe pela cozinha enquanto tentava salvar um jantar arruinado, a julgar pelo cheiro de queimado. Nada do entrar e sair das amigas barulhentas da mãe, que vinham lhe empurrar cosméticos de baixa qualidade por preços exorbitantes.

O vento soprava fuligem da cidade para dentro daquele local graças às persianas abertas e Bella nunca se sentiu tão sozinha em toda a sua vida.

Ela despertou.

Estava em um quarto branco, tão branco que fechou os olhos diante da claridade. Algo estava sobre a sua face, borrifando um ar tão puro como nunca sentiu naquela cidade com mais alguma coisa, provavelmente um medicamento. Um bipe soava próximo, monitorando seus batimentos cardíacos. Sentia-se suada, com uma camisola hospitalar colada ao corpo. A fome e a sede a atacaram instantes depois, mas nada que a fizesse implorar a alguém um prato de comida como alguém oriundo da Etiópia.

Sentia o corpo pesado, cansaço, castigado. Lembrou-se do que passara nos últimos tempos e compreendeu a situação rapidamente. A doença que a acometera foi tão grave a ponto de ela parar num hospital? E quem poderia ter levado ela até ali?

O coração palpitou audivelmente com a possibilidade de Edward tê-la trazido para lá. Olhou envolta, vendo um pequenino buque de flores do campo dentro de um copo com água. Sorriu diante daquele pequeno, porem encantador, presente. Seria uma forma do rapaz se desculpar pelo modo como a havia tratado?

Esticou o braço que não estava preso com a agulha do soro e pegou o punhado de flores amarrados por um arame. Olhou aquela beleza efêmera, enternecida. Ele estava de volta, o estoico senhor Cullen, e havia concedido a ela pequenas gentilezas que rapidamente aqueceram o seu coração. Queria vê-lo, precisando demais do calor daquele corpo masculino, sentir o cheiro de colônia cara e a frieza dos dedos compridos e magros...

A porta se abriu.

Isabella estacou, esperando ver Edward vestido num terno bem cortado, com os cabelos acobreados em perfeito desalinho, mas não foi isso o que encontrou.

Um jovem de cabelos ondulados loiros, olhos castanhos, alto, entrou no seu quarto. De jaleco banco por cima da camisa de botões azul clara, ela logo reconheceu um médico, mas não qualquer médico. Era o médico de Edward Cullen. Ela o vira certa vez, muito brevemente.

–Acordou! –Exclamou eufórico. –Fiquei preocupado. Enfim, bem vinda novamente. –O rapaz se aproximou lentamente da cama da menina, ficando a poucos passos de distancia. –Lembra-se de mim, Isabella? –Perguntou com um bonito sorriso tranquilo estampado nos lábios cheios. Ela tentou devolver aquele gesto com um sorriso, mas parecia sem forças para tal.

–Sim. –Murmurou, sentindo a garganta ferida. Não soube ao certo se o rapaz conseguiu ouvir já que a boca e nariz estavam cobertos por um respirador, mas ele concordou com a cabeça, satisfeito com a resposta. –Edward... Ele está aqui?

Diante da pergunta, Isabella viu o rosto de Jasper ficar sério demais. Ela teve a sua resposta no ato.

Uma dor a atingiu como um raio, sufocando-a. Os olhos castanhos se encheram de lágrimas que, silenciosas, escorreram pelo rosto alvo demais. Jasper viu a menina entrar em uma tristeza profunda em pouco tempo, até a voz sair em soluços incontroláveis. Não entendeu exatamente o que se passava ali, mas prontamente sentou na cama, acariciando os cabelos cor de mogno com meiguice, um pequeno atrevimento que nunca ousou praticar com nenhum paciente.

Mal ele sabia que a sua patética tentativa de consolo apenas aumentava a sensação de dor no peito da pequena. Como colocar algum remédio de composição propensa ao ardor em um corte.

Ele não sabia, mas Bella estava se sentindo o ser humano mais sozinho da face da Terra.

...

Os pés calçados batucaram, impacientes, o carpete de borracha do taxi. Olhou para o horário no relógio de pulso por mais vezes do que o normal, o que poderia fazer os outros pensarem que se tratava de TOC. Não ligava. Edward Cullen estava apreensivo demais para notar o caos ao qual voltara a se inserir horas antes quando desembargou de um avião que o trouxera das Ilhas Fiji.

Isabella. Saber da situação o deixou estranhamento tenso. As mãos, suadas, atritavam-se freneticamente a calça jeans preta enquanto ele olhava para a paisagem metropolitana do lado de fora da janela. Isabella estava em algum lugar, muito doente, sozinha. Repreendeu-se por não ter sido sensível o suficiente para adiar os planos e cuidar melhor dela uma vez que Angela o alertara da saúde da Swan antes de sua partida. A mente trabalhava a mil, rememorando as palavras ditas pela empregada horas antes quando, após dias com o celular desligado, notou as mensagens do telefone de sua residência, algumas até de Jasper Withlock, e, por fim, decidiu retornar a mais insistente delas.

–Residência de Edward Cullen. –Foi Lauren quem atendeu em sua voz desagradavelmente anasalada.

–Edward falando. Recebi ligações daí enquanto estava viajando. Está tudo bem? –Perguntou afoito. Alguma coisa dentro dele o alertava para as sete ligações feitas. Não era do feitio dos empregados ligar e se isso aconteceu eles tiveram um bom motivo.

–Isso depende, senhor Cullen. Se o senhor está perguntando se está tudo bem com o seu imóvel, sim ele está bem. Se o senhor está perguntando sobre os empregados, sim, todos estão bem.

Algo na fala da empregada chamou a atenção do Cullen.

–E Isabella? –Esperou a resposta, sentindo certa apreensão. Imaginou que Lauren só estava prolongando o silencio para atormentá-lo, algo que ela fazia muito bem.

–A princesinha não está na casa. –A resposta de Lauren foi como um soco na boca do seu estomago. Prendeu a respiração por alguns instantes, para logo mais a surpresa dar lugar a cólera. Isabella havia fugido? Como ela não poderia estar lá? Teria Caius, durante a sua ausência...

–COMO ASSIM NÃO ESTÁ NA CASA? ONDE ELA ESTÁ? –Exaltou-se o rapaz, chamando a atenção dos transeuntes que estavam ao seu redor no saguão do aeroporto. A mente ainda pensava em todas as possibilidades acerca da ausência da Swan. Fuga? Rapto? Caius? Uma vertigem atingiu Edward imediatamente, imaginando a garota nas mãos do psicopata Volturi. Como ele pôde se descuidar tanto, confiando a menina nas mãos de incapazes? –FALE LOGO ALGUMA COISA! –Grunhiu, exigindo que Lauren se manifestasse. Sua explosão, longe de assusta-la, parecia diverti-la.

–Pergunte a Angela. Foi ela quem, afinal, autorizou a saída da garota.

–ENTÃO PASSE A MERDA DO TELEFONE PARA ELA! –Esbravejou o rapaz, controlando a força das mãos para não esmagar o aparelho celular. Não ouviu ruído algum do outro lado da linha e concluiu que Lauren finalmente fizera algo que prestasse. Andou de um lado para o outro, impaciente, desejando saber o que havia acontecido durante os sete dias em que estivera longe de casa na companhia da Denali.

Após minutos que pareceram horas, ouviu uma voz hesitante do outro lado da linha.

–Senhor Cullen. –Cumprimentou Angela e Edward pôde sentir do outro lado da linha o quão na defensiva ela estava, esperando pela torrente de xingamentos, imaginou.

–Você tem cinco minutos para explicar o que diabos está acontecendo e, talvez, eu não a demita no ato. –Apesar de falar mais baixo, a ameaça era premente e o rapaz ouviu o arfar da empregada. Ignorava o fato de sua atitude estar sendo hostil demais. Estava furioso por Isabella não estar em casa, esperando por ele, como deveria.

–O que Lauren disse ao senhor? –Ela perguntou após, aparentemente, se recompor. Sem paciência, ele não quis dar explicação alguma e adiar a informação de que tanto necessitava.

–Onde está Isabella? –Perguntou. A resposta veio num átimo.

–Não tive escolha! Nenhum de nós teve! A senhorita Swan estava muito mal e eu temia que a enfermidade piorasse!

–Enfermidade? Do que está falando?

–A senhorita Swan estava gravemente doente e, se eu não tivesse ligado para o doutor Withlock e ele não tivesse levado ela ao hospital, sequer saberia responder-lhe se ela estaria viva. -As palavras apressadamente ditas deixavam evidente o desespero da jovem empregada.

Sem saber como devia proceder, demitindo no ato Angela ou simplesmente desculpando-a, uma vez que a situação que ela descrevera só tinha como saída o que se sucedeu, Edward achou melhor deixar o assunto para outro momento.

Estou indo ao encontro de Isabella. Cullen desligando.

Então ela estava com Jasper, seu leal médico? Parou e refletiu, deixando a razão penetrar a consciência e apaziguar os nervos em frangalhos. A situação não estava tão ruim, afinal. Isabella estava nas mãos de alguém razoavelmente confiável que provavelmente estava cuidando dela como ninguém cuidaria. Ainda sim a ansiedade fazia os batimentos cardíacos de o jovem Cullen ficarem erráticos, ameaçando mantê-lo instável durante um bom tempo.

Caminhou para frente do aeroporto e, ao avistar um taxi esperando por algum passageiro, entrou sem pestanejar.

Agora lá estava Edward, a alguns metros do hospital onde o medico clinicava e fazia plantão. Tinha a certeza de que Isabella estava internada ali. Agora compreendeu parcialmente por que havia uma mensagem de voz do seu médico e, enquanto caminhava para a recepção do hospital, levando a bagagem à tira colo, ligou para Jasper.

–Edward. –O nome fora pronunciado do outro lado da linha como uma saudação, mas o Cullen, perceptivo como era às vezes, notou um leve aborrecimento.

–Soube do que aconteceu a minha... A minha prima. Eu estou no hospital aonde você clinica. Imagino que Isabella está internada aqui. Eu gostaria de saber se ela...

–Venha até o apartamento 503. Aguardarei você aqui. Explico tudo pessoalmente. –Desligou.

Sem saber como proceder após a impulsividade de seguir até o hospital sem ao menos passar em casa, pagou uma boa gorjeta a uma senhora responsável pela limpeza que ali passava pedindo que ela olhasse a sua bagagem e prometendo dar mais algum dinheiro assim que retornasse. Usou o elevador, rapidamente chegando ao quinto andar. E quando abriu a porta do apartamento 503...

Uma risada ecoou pelo ambiente, preenchendo a antessala em que ele estava. Embora o barulho fosse estranho aos seus ouvidos, identificou como sendo de Isabella. A mente rememorou os meses que se seguiram com ela sob sua custodia e constatou, petrificado, que nunca a ouvira rir daquele jeito. Estupidamente se perguntou se a televisão estava ligada em algum canal onde passava naquele momento algum programa de comédia. De que outra forma ela riria tão gostosamente assim? Ouviu então uma voz masculina que reconheceu como sendo de Jasper Withlock, seu médico há alguns anos.

O que diabos estava acontecendo no quarto onde Isabella estava?

Precipitou-se, dando passos largos até a entrada no outro cômodo. A conversa que acontecia parecia ter acabado, mas Isabella, mais linda e saudável do que nunca, ainda sorria e olhava com genuína adoração para o jovem medico sentado ao seu lado na cama. Edward sentiu que naquele momento era um intruso, perturbando um momento de felicidade e tranquilidade de ambos, que pareciam tão íntimos! Tão rápido quanto a sua entrada teatral e a percepção da cena, ele foi percebendo mais e mais do que acontecia; seus olhos como os olhos de uma harpia.

Encarou a cena, estupefato. O modo como Isabella se comportava era mais amistoso do que jamais testemunhara e não ajudava em nada o fato da menina sorrir para o jovem médico, que retribuía com igual doçura aquele sorriso. Apertou os dedos no interior das mãos e constatou, horrorizado, que sentia ciúmes. Sim, ciúmes. Ele, a essa altura, era maduro o suficiente para compreender o que se passava em seu espírito e rapidamente nomear o que sentia, fosse amor, ódio, inveja, indiferença ou... ciúme.

Tarde demais, os dois jovens que ali se encontravam perceberam a presença do Cullen. Jasper levantou-se da cama, tentando distraidamente desamassar o jaleco branco com as mãos. Sorriu de uma forma profissional, um sorriso que não alcançava os seus olhos.

–É bom vê-lo, senhor Cullen. –Cumprimentou cordialmente. Não parecia agora o Jasper que arrancou uma gostosa risada de Isabella, e a encarou com tanta intimidade que qualquer um se sentiria constrangido.

–Vim assim que soube por intermédio de meus empregados. –Olhou para o ambiente, captando o quarto branco asséptico de boa aparência, com moveis brancos de boa qualidade. A janela fechada, uma vez que o ar da cidade não era mais puro como antigamente. Por fim pousou os olhos em Isabella, recostada na cama e olhando distraidamente para um pequeno buque de flores do campo recém-cortadas. Ela vestia uma camisa azul claro e, apesar de estar coberta pelo lençol de linho do hospital, ele pôde ver uma pequena fresta da calça moletom cinza que ela vestia. Estava com uma aparência melhor, as bochechas coradas, os olhos castanhos brilhantes, o cabelo, preso num rabo de cavalo, com um viço encantador. Tinha saúde, enfim.

–Tentei contatá-lo também, avisar o que se passava, mas você estava incomunicável. Bem, ao menos está aqui agora. –Jasper, apesar das palavras delicadas, deixou certa repreensão no ar, captada apenas por Edward.

–O que aconteceu? Ela está bem? –Ainda mantinha os olhos em Isabella, que parecia ignora-lo enquanto distraia-se acariciando um pequeno girassol do buque que ganhara. A postura dela, mais indiferente que o normal, afetou o jovem Cullen de um jeito que ele jamais admitiria ser possível.

–Ela estava com sérios problemas desde que deu entrada nesse hospital, mas agora está bem. Amanha receberá alta. –Jasper voltou o seu olhar para Isabella e sorriu. Ela imediatamente deixou de lado a indiferença que a envolvia e correspondeu aquele gesto. Edward, inconscientemente, apertou ainda mais as unhas bem feitas na palma de cada mão.

“O que é isso? Por que estou tão aborrecido com uma ninharia dessas?!” –Repreendeu-se Edward, já conhecedor da resposta. Ele nunca testemunhou aquelas reações tão doces da pequena Isabella. Também pudera, ele nunca fez jus aquele comportamento.

–Bom... Fico feliz que esteja praticamente sarada Isabella. –Queria que ela o olhasse, quem sabe com o mesmo calor com que olhava o médico. Mas ela apenas assentiu, perscrutando o ambiente com os olhos cor de chocolate, distraída ou fingindo estar. Ela claramente o ignorava.

–Gostaria de conversar com você Edward na minha sala. –Jasper virou e encarou Isabella com afeição. Edward estudou cautelosamente aquela aparente intimidade entre eles. –Eu vou chamar a enfermeira para trazer o seu almoço e remédios.

–Não pode contrabandear alguma coisa calórica para vir junto com a sopa como ontem? –Isabella perguntou, implorativa. Jasper riu de sua suplica.

–Milk shake, hambúrguer e fritas como ontem?

–Sim! –Isabella parecia extasiada.

–Ok.

Jasper foi o primeiro a sair, abordando uma enfermeira que circulava no corredor. Caminhou para o sexto andar onde ficava a sua sala. Edward o acompanhou em silencio.

Após pedir a secretaria que fizesse um pedido especial na MC Donalds, os dois entraram no consultório do médico.

–Não estou interado do que aconteceu. Não tive a oportunidade de falar com os meus empregados. Diga-me o que aconteceu.

–Isabella esteve com principio de pneumonia, um quadro leve de desnutrição e desidratação.

–Desnutrição? Desidratação? –O jovem mostrou surpresa, pois Isabella devia ser uma das jovens americanas que mais tinham condições de se empanturrar com o bom e o melhor da gastronomia. Jasper parecia estar falando de outra pessoa. –Ela teve tudo do bom e do melhor desde que ficou sob minha guarda! –Defendeu-se o rapaz.

–Eu não duvido disso. Mas você é um homem ocupado e provavelmente não notou que ela pouco se alimentava. Os seus empregados, todavia, notaram. Conversei com Angela após a internação de Isabella quando esta veio até aqui trazer alguns pertences da menina e souber como ela estava. Angela confirmou minhas suspeitas. Isabella pouco se alimentou ou ingeriu líquidos. Conversei com Isabella sobre isso. Ela me falou que tem sido difícil desde que deixou a sua cidade e veio tentar a vida na cidade grande.

Ouvindo atentamente o que Jasper dizia, Edward logo percebeu que a Swan sustentou a farsa de que ela era a sua prima, vindo de uma cidade interiorana para tentar a vida na cidade. Sentiu alivio pela menina não ter aberto o jogo com Jasper, pois o que cometia, Edward estava ciente, era crime. Apesar da confiança que sentia, ele conhecia bem o medico para saber que Jasper Withlock jamais deixaria a situação como está caso soubesse que Isabella vive em cárcere privado em sua casa.

–Eu não imaginava que estava sendo tão difícil para ela essa transição. –Falou com verdadeiro pesar. Rememorando os últimos acontecimentos, ele tinha uma noção do que poderia ter motivado a Swan a ser tão descuidada com a sua saúde. Para piorar Angela o havia alertado antes da viagem de sua condição, mas Edward ignorou o aviso e viajou por sete dias com uma loira oxigenada de coração vazio.

–Bem, Isabella não parece ser o tipo de pessoa que conversa abertamente sobre os seus problemas. Desde que ela acordou eu tenho tentando me aproximar, fazer com que ela diga alguma coisa, mas ela é bem reticente.

–Ela é bem fechada. Eu tenho certa... Dificuldade de comunicação com ela. –Mexia-se desconfortável. Edward não queria prolongar a conversa. Queria voltar para casa, comer algo e descansar. E queria que Isabella fosse com ele, evitando preocupações desnecessárias.

–Ela me parece ser uma boa pessoa, precisando de um pouco de atenção. Tenho conversado com ela. –Jasper sorria tranquilamente, como se lembrando de algo bem agradável. A sua postura terna de algum modo incomodou Edward.

–Então ela está melhor... Poderei busca-la amanha? –Encarou o Rolex no pulso, fingindo pressa. Jasper analisou o rapaz diante de si e se apiedou da Swan. Ela estava realmente sozinha, tendo ao lado um primo tão relapso.

–Sim. Amanha pela manhã. Anotarei para você os remédios que ela precisará tomar. Recomendo que ela volte para alguns exames de rotina. Precisamos monitorar a sua saúde. –O médico Caminhou até a mesa, preparando rapidamente uma receita. Entregou a Edward.

–Obrigado. Falarei rapidamente com ela e amanha pedirei a um dos meus empregados para busca-la. –Fez menção de sair, mas a mão do medico o deteve, segurando-o pelo ombro.

–Eu soube que ela está à procura de um emprego então eu estive pensando... A minha secretária sairá de licença maternidade daqui a duas semanas. Já que ela não encontrou nada até agora, ela poderia trabalhar para mim. O que você acha?

As palavras do loiro surpreenderam Edward. Permaneceu parado, olhando para o médico, por mais tempo do que o necessário. Não sabia como responder aquelas palavras sem se complicar. Isabella havia inventado uma mentira, inspirada pela primeira vez em que ela encontrou Jasper. Agora ele precisava dar prosseguimento a mentira.

–Dependerá de Isabella. Eu falarei com ela sobre isso. Obrigado pela ajuda. –Saiu da sala indo em direção ao elevador, encaminhando-se rapidamente para o quarto 503 a fim de ver, novamente, se a menina de fato estava bem. Ele encontrou ela debruçada sobre uma bandeja branca onde a pouco devia estar o seu almoço. Mastigava as últimas batatinhas, cortesia do médico. Ela encarou ele instantes depois da sua entrada, parecendo desconcertada em tê-lo diante dela sem a companhia de Jasper.

–Eu irei para casa. Cheguei a pouco da minha viagem. Amanha Benjamin ou Erick virá busca-la. Precisa de alguma coisa? –Deu alguns passos até estar em pé diante da Swan. Examinou o rosto que parecia de fato mais saudável.

–Angela veio aqui certo dia e trouxe tudo o que eu poderia precisar. Obrigada pela oferta. –Ela voltou a olhar com interesse redobrado a bandeja no seu colo, evitando o olhar de Edward. Isabella não queria voltar a ter os pensamentos obscuros que a atormentaram antes mesmo de Edward viajar. Graças ao tratamento e companhia de Jasper, ela havia recuperado um pouco a saúde e bom humor. Mas a menina bem sabia que a estabilidade sumiria de sua mente assim que retornasse a sua prisão dourada.

–Tudo bem. –Edward permaneceu por um par de segundos encarando a Swan. Percebeu então como sentira falta dela nos últimos sete dias em que esteve fora do país. Intimamente se perguntou como teria sido a viagem, ladeado por Isabella, ao invés de Tânia? Teria sido prazerosa? Ele não duvidava. Havia algo em Isabella cheio de vida onde até o ódio que ela sentia era preferível à frieza receptiva e afável de Tânia. O ódio era, afinal, um sentimento. Então se lembrou tardiamente da conversa com Jasper e da tensão que sentira ao imaginar que o médico poderia saber da real situação de Isabella.

–Conversei com Jasper agora a pouco. Ele me disse que você... –Sua fala foi interrompida por um suspiro alto da menina.

–Antes que diga algo, saiba que eu não contei a verdade a ele. Quando o doutor Withlock fez perguntas ao meu respeito, inventei uma historia. Sou uma prima sua que veio de uma cidade interiorana para tentar a vida na cidade. Como eu não conheço ninguém por aqui e nem tenho onde morar, o meu bom primo ofereceu ajuda. –Isabella riu com desdém, lembrando-se da dificuldade em mentir, embora a historia estivesse bem costurada. Ela sempre se julgou uma péssima mentirosa, uma vez que odiava fazer tal coisa. Felizmente o jovem Withlock pareceu acreditar.

O alivio de Edward era palpável. E vê-lo parecendo menos tenso do que estava fez Isabella concluir que ele só tinha ido até lá para saber que estragos a menina poderia ter feito com a sua boca grande, nada mais.

Ele não estava remotamente preocupado com ela.

–Bom. É melhor não o envolve-lo. Sustente a historia e não dê mais detalhes caso ele peça ou poderá cair em contradição.

–Eu sei, não sou nenhuma estúpida. –Rebateu a menina com rudeza, deixando Edward contrariado. Dada a situação física dela, o rapaz preferiu não discutir.

Era hora de ir, pensou, mas antes precisava esclarecer algo com Isabella.

–Você e Jasper estão muito próximos. –Os olhos cor de esmeralda fixaram-se na Swan.

–Apenas um relacionamento entre medico e paciente. –Deu de ombros a menina, despreocupada.

–Eu sou paciente de Jasper há anos e nunca fui tratado com tanta atenção. –Rememorando os anos sob os cuidados dele, Edward não se lembrava de alguma vez Jasper questioná-lo sobre as agressões que marcavam o seu corpo quando este vinha procurá-lo. Agora com Isabella, Edward achava que uma atenção desnecessária estava sendo dada e isso o incomodava.

–Você é homem. Não espere o mesmo tratamento. –O aborrecimento da Swan era palpável agora e Edward se viu pisando em ovos. Não, não era o momento para causar mal estar a ela. Isabella já havia passado por muita coisa e, um pouco mais, ela poderia se partir. O Cullen, apesar de tudo, não queria isso. Levando em consideração tudo o que aconteceu a eles e que o Cullen tinha participação na doença da menina, ele devia a ela; precisava fazer algo para acalentar o coração machucado da jovem Swan. Foi surpreendido pelas palavras dela enquanto o devaneio seguia firme na sua mente instantes atrás.

–Você é um homem ocupado. Imagino o quanto está custando ficar aqui comigo. Pode ir. Eu não contarei nada para ele. –A dispensa o incomodou o suficiente para ele crispar os lábios em irritação.

–Você está realmente bem para dizer coisas ásperas com uma língua tão ferina. Mesmo depois da minha gentileza em vir até aqui saber como você está... Que seja. Nos vemos amanha. –Bateu ruidosamente a porta, deixando Isabella estarrecida com a declaração de que ele havia ido até o hospital por preocupação.

Após ligar para a sua residência, Edward deixou o hospital. Antes, ele pediu a Ben, que dirigia o veiculo, para que comprasse os remédios recomendados por Jasper a Isabella. Assim feito, chegou ao seu luxuoso apartamento na zona de Tribeca, em Manhattan, sendo recebido pelos empregados. Deixou nas mãos de Angela os cuidados para com a sua bagagem enquanto tomava um demorado banho. E em todos os minutos entre a visita ao hospital e um descanso na sua cama, a mente do jovem Cullen se lembrava do rosto bonito e distante que vira no apartamento de um hospital.

...

Trançava os longos cabelos castanhos quando Jasper apareceu. Já sem o jaleco, o médico sorriu quando viu Isabella sentada na cama.

–Doutor Withlock? Pensei que já havia ido embora. – Olhando melhor para o rosto bonito de Jasper, a Swan notou as olheiras, sinais claros de cansaço.

–Um plantonista chegou atrasado e resolvi cobri-lo até que estivesse aqui, mas já estou de saída. Vim ver, antes de ir, se precisava de alguma coisa. –Os olhos de Jasper esquadrinharam Isabella, aprovando a roupa simples que usava, uma calça moletom cinza e uma camisa branca. Ela era uma jovem realmente bonita, ainda mais encantadora sem os costumeiros adornos que as mulheres usavam para mascarem seus defeitos físicos e parecerem mais belas.

–Eu estou bem. E obrigada pelo complemento na hora do almoço. Estava uma delicia. Terei que pagá-lo de algum modo pelo gasto que fez comigo.

–Se quer me pagar Isabella, eu recomendo que aceite aquela minha oferta de emprego. –Os olhos do bom doutor brilharam, esperando por uma resposta positiva da menina. Mas Isabella não poderia fazê-lo, pois não era mais dona da sua vida e tudo dependia da aprovação de Edward, que não viria. Era a segunda vez que Jasper comentava sobre o assunto desde a sua internação, lembrou ela. Ele não a pressionava, perguntando coisas ocasionais e se contendo com a pouca informação dada, porém ela se perguntou até quando ele deixaria as perguntas sem resposta.

–Doutor, eu... Eu havia recebido outra proposta e aceitado. Não posso voltar atrás. –E nos olhos castanhos Jasper viu um pesar sem igual e se perguntou se isso era só por que ela tinha que recusar.

–Está bem. Eu compreendo. Peço desculpas por insistir. Não deveria tê-la pressionado desse jeito. –Jasper pareceu encabulado e os olhos dele encararam a porta, como se estivesse ávido para sair do quarto e escapar daquela situação embaraçosa. Isabella, percebendo isso, tratou de apaziguar a situação.

–Está tudo bem. Não está sendo inconveniente de forma alguma. Aprecio a sua ajuda sinceramente. –Ergueu a pequena mão, tocando o antebraço do rapaz. Um choque percorreu ambos diante do despreocupado toque e Isabella apressou-se em quebrar o contato.

–Bom. Assim me dá esperanças de que aceitará a minha proposta de substituir a minha secretária. –Um sorriso bonito preencheu o rosto do jovem médico, deixando Bella deslumbrada. Havia algo bom naquele rapaz de rosto angelical que chamava a atenção da menina.

Jasper se foi, deixando Isabella sob os cuidados do médico plantonista e das enfermeiras responsáveis por aquela ala. E Isabella se pegou pensando na repentina aparição de Edward e em como a presença do rapaz fez o seu coração adormecido disparar, para o bem ou para o mal.

“Eu estava em relativa paz, mas sinto que perderei isso com o Edward de volta.” –Suspirou a menina, lembrando-se amargamente da conversa que tivera com Angela quando a empregada foi visita-la e levar alguns pertences pessoais.

–O Edward foi avisado sobre o que aconteceu comigo? –Ela perguntou a Angela, que arrumava algumas roupas em uma cômoda de madeira branca. Angela estacou, para logo depois olha-la com uma expressão triste.

–Tentamos ligar para o senhor Cullen, mas não conseguimos. O celular está ou desligado ou fora da área de cobertura. Betha me recomendou deixar alguns recados na caixa postal e eu assim o fiz. Vamos ver se o senhor ouve e retorna o quanto antes.

–Você sabe aonde ele foi? Edward não entrou em detalhes sobre o destino comigo, nem se era uma viagem de negócios ou não.

–Eu não sei senhorita Swan, mas... Bem, Lauren andou falando umas bobagens. Disse que ele foi e na companhia de uma mulher. Não sei como ela conseguiria uma informação assim, mas... Deixe isso para lá. Ele logo saberá, pois certamente verificará a caixa de mensagens do celular. Quando souber, o senhor Cullen certamente virá aqui ver como a senhorita está. –A empregada sorriu de forma tranquilizadora para Isabella, querendo anima-la. As palavras dela, todavia, para Isabella, não possuíam credibilidade ante o comportamento de Edward nos últimos dias. A Swan duvidava que ele fosse se importar com ela como Angela sugeria. Provavelmente trataria o episodio todo com descaso, tal qual a havia tratado dias antes de viajar.

–Então... Como estão os outros? –Perguntou a Swan, a fim de evitar falar no assunto espinhoso chamado Edward Cullen. Angela suspirou, aliviada. Colocou a menina a par do que acontecera nas ultimas horas na mansão do Cullen.

Olhando as paredes brancas que a cercavam, Bella refletiu sobre a sua atual situação, e o que deveria ser feito agora.

...

Benjamin segurava a pequena bagagem da jovem Swan enquanto ela, ladeada de Jasper, seguia para o estacionamento do hospital. O bom médico havia deixado temporariamente os compromissos de lado para acompanha-la até a saída, algo que Isabella apreciou enormemente. Trataram de assuntos banais, como o clima na cidade e as preferências por livros.

–Então é hora de nos despedirmos em definitivo. Espero vê-la novamente, não querendo que a situação envolva alguma doença. –Jasper ofereceu a mão em um cumprimento, ao que Bella aceitou.

–Eu também espero. Obrigada por tudo. –E ela lhe era realmente grata. Jasper fizera mais do que estabelecer a doença do corpo, ele havia restaurado também um espírito enfermo.

–Não precisa agradecer Isabella. Fico feliz em vê-la com saúde. –E era verdade. Nem mesmo a Swan poderia imaginar o quão feliz o doutor Withlock estava. Ele havia criado, em pouco tempo, um forte vinculo com a menina, passando mais tempo no hospital do que em seu solitário apartamento a cem metros do centro médico.

–Pode me chamar de Bella. É assim que as pessoas mais próximas e queridas a mim costumavam me chamar. Prefiro ser chamada assim. –Lembrou-se do apelido dado pela mãe, que logo todos aqueles com quem ela se importava adotaram. Ela sempre preferiu o apelido a o nome. E o fato de permitir aquele rapaz que a tratasse tão intimamente o deixou ainda mais feliz.

–Pode deixar. Irei chama-la apenas assim agora. –E após dizer isso os dois se despediram e Isabella pediu silenciosamente que o bom doutor Withlock toda a sorte do mundo, coisa que para a Swan estava fora de alcance.

Na sala de espera do hospital, reconheceu Ben a aguardando. Suspirou. Claro que Edward não viria busca-la!

...

Ah, se não fosse por Aro! Edward batucava os dedos magros no tampo de sua mesa de mogno enquanto Aro Volturi, impecável em um terno Gucci, olhava com atenção ao relatório mensal de suas finanças. Parecia satisfeito com os resultados apresentados, ainda mais por que a onda de desvios bancários não acontecia há algum tempo.

–Nenhum incidente registrado. Ótimo. Começarei um novo negocio em Taiwan, envolvendo prostitutas de luxo. Quero que cuide das empresas de fachada que criarei para encobrir a atividade.

–Deixe-me a par de tudo e começarei a gerenciar as empresas. –Respondeu Edward mecanicamente, tentando esconder a apreensão.

–Ótimo Edward. Eficiente como sempre. –Fechou a pasta nas mãos e sorriu. –Preciso ir a um compromisso agora, ou eu me permitiria ficar aqui um pouco mais para saber o que o meu contador fez por sete dias.

–Provavelmente você sabe mais do que aquela que me acompanhou, Aro. Você é esse tipo de homem. –E Edward não duvidava. A declaração, longe de ser uma piada, pareceu divertir o Volturi.

–Ah, como o seu humor me diverte meu jovem! Ilhas Fiji com Tania Denali... E não precisei rastrea-lo. Ela é uma figura conhecida e foi fotografada por um paparazzo ao seu lado. Uma pequena, porém significativa, nota saiu em algumas revistas de fofoca. Não viu?

–Não costumo olhar essas revistas. Não fazem parte da minha leitura habitual.

–Certamente. Não fazem parte da minha leitura habitual, mas sim de minha senhora, que o reconheceu em uma nota e me informou. Até então eu sequer sabia que você havia decidido tirar férias de sete dias fora do país. –Aro falava num tom despreocupado, o que em nada tranquilizou Edward.

–Lamento não ter comunicado, mas, uma vez que não havia nenhuma pendência importante envolvendo a administração dos seus bens, achei por direito tirar alguns dias de folga. Eu sabia que isso não comprometeria minha função.

–E não comprometeu meu caro. Não me importo que descanse um pouco, se divirta. Desde que me avise com antecedência para onde vai, com quem vai e quanto tempo ficará fora. Eu preso pela segurança daqueles que trabalham para mim, mas para isso preciso saber o que eles fazem. –Levantou-se da poltrona onde estivera sentado, sendo imitado por Edward.

–Agradeço a preocupação. Eu me lembrarei disso na próxima vez.

–Ligue-me se tiver alguma novidade. Ah, e mande um cumprimenta a linda Isabella. –O sorriso do Volturi se alargou ao se lembrar da menina. Edward permaneceu impassível, mas por dentro sentia um profundo desconforto pela evidente fixação de Aro para com a Swan.

Relaxou com a saída do seu patrão e pôde desfrutar do café preparado por Alexandrina. Enquanto bebericava a bebida, lembrou-se novamente que a menina sairia essa manhã do hospital. Queria ele mesmo ter ido busca-la, mas a reunião com Aro não poderia ser adiada. Pediu então a Benjamin para fazer esse favor. Ligou para casa, imaginando que eles já estariam de volta. Angela, felizmente, foi aquela que atendeu a ligação.

–Residência do senhor Cullen.

–Angela, eu imagino que Benjamin já está em casa com Isabella.

–Sim senhor Cullen. Eles chegaram há alguns minutos. A senhorita Swan está tomando banho.

–Monitore-a para mim, como lhe pedi ontem. Certifique-se que ela está se alimentando adequadamente e tomando os remédios.

–Assim estou fazendo senhor. Não precisa se preocupar. –E ele não duvidava das palavras da empregada. Angela parecia estranhamente ligada a Swan.

–Ligue-me se acontecer qualquer emergência. Eu chegarei mais cedo em casa.

–Como desejar.

A ligação foi encerrada sem mais delongas e Edward retornou ao trabalho.

...

Olhava distraída para o fim de tarde. Pássaros, em algum lugar, gorjeavam. O livro no colo completamente ignorado, pois a mente estava perdida em algum lugar.

Isabella estava entediada. Mais do que entediada por voltar à rotina, sentia-se só. O espírito antes renovado parecia murchar e ela temia uma nova recaída da doença, embora tivesse se alimentado bem e tomado os remédios no horário.

Ouviu o barulho da porta e se sentou mais ereta na poltrona. Angela abriu espaço com uma bandeja e a Swan soube que se tratava de comida.

–Senhorita Swan, trouxe uma variedades de frutas para degustar antes do jantar. –Angela coloca uma bandeja em cima de uma mesa no canto mais afastado do quarto, onde havia nas proximidades uma cadeira. Isabella agradece com um sorriso que não chega aos seus olhos, voltando a atenção para o livro nas mãos.

A empregada, preocupada com o estado mental de Isabella, achou por bem fazer alguma coisa a respeito. Ela temia o isolamento que a menina sofria.

–Senhorita Swan, sei que sou apenas uma simples serviçal, mas... Olha, se precisar de alguém para desabafar, pode contar comigo. –E ganhou, com as suas palavras, um genuíno sorriso da Swan e nada mais. Pediu licença, iria se retirar, mas Isabella...

–Eu estou apaixonada pelo Edward. –A Swan disse numa voz pouco audível, mas foi o suficiente para Angela estacar a poucos metros da porta e olha-la com assombro.

Pouco a pouco a expressão assustada da Weber deu lugar a um rosto cauteloso. Sentou-se na beirada da cama e pensou no que dizer. Ela sabia o que Isabella era, exatamente o que Jessica foi, e lembrava o que havia acontecido a antiga escrava quando ela desenvolveu sentimentos pelo Cullen.

–Hmmm... Isso é... Bom. –Tentou sorrir, mas a sua atitude não enganou a morena.

–Está mentindo. Não acha isso bom e realmente não é. Ele é instável demais e eu não sou mais do que uma propriedade. Ele nunca me verá com outros olhos. Seria capaz de me abandonar se soubesse o que eu sinto.

–Eu... Bem... Não conheço o senhor Cullen profundamente para saber se ele faria isso de fato, mas... O senhor Cullen parece ter mudado graças a sua influência.

–Acha isso? Eu achei por um curto período de tempo que ele estava diferente, mas nos últimos dias eu vi novamente o cara frio que eu conheci. –Isabella sorriu com amargor. Como doeu ver o antigo Edward de volta, agora que ela nutria sentimentos para com ele.

–Não sei o que se passa com o meu patrão, mas de todo modo ele está bem melhor e sei que é graças à senhorita. Ele passou por situações difíceis e acho que está se adaptando a nossa condição dele. Apenas lhe dê um tempo. –Angela dizia com meiguice, mas Bella sabia que ela dizia aquelas palavras por não estar vivenciando o que a menina passou e passava ao lado do inconstante rapaz.

–Eu não darei um tempo por que não posso me dar ao luxo de esperar nada dele. Sinceramente não sei mais como agir. Estou desnorteada. –Ignorando o lixo em seu colo, colocou as mãos na cabeça, bagunçando os cabelos cor de mogno por conta da frustração sentida.

–Aja naturalmente e deixe que o senhor Cullen se aproxime.

–E se isso não acontecer Angela? E se as coisas permanecerem complicadas? –Isabella olhou a maior, esperando por uma resposta que lhe agradasse. Angela, todavia, não respondeu. Pelo menos não da forma esperada.

–Então a senhorita terá que tocar a vida. –Deu de ombros a empregada e suas palavras causaram uma diversão mórbida na Swan ao ponto dela rir.

–Esse é o problema Angela, eu não tenho mais vida! –Duas batidas interromperam a conversa. Era Erick.

–Angela, o senhor Cullen chegou. –E dizendo isso o japonês desapareceu, deixando as meninas novamente sozinhas.

–Preciso ir agora. Ver do que o senhor Cullen precisa. Eu virei chama-la quando o jantar for servido. –Sorriu e levantou-se da cama, indo em direção a porta.

–Angela? –Isabella chamou, conseguindo novamente a atenção da menina. –Obrigada.

E a menina sentiu, enquanto via Angela desaparecer para fora do quarto, que tinha uma amiga.

Enquanto isso Edward estava apenas sem o paletó, dobrado no braço, com as mangas da camisa social enroladas até o cotovelo. Observou a movimentação dos empregados enquanto estes se apressavam para organizar o jantar e viu Angela entrar em seu campo de visão, minutos depois. Deduziu que ela estava com Isabella.

–Angela, onde está Isabella?

–No quarto senhor. Quer que eu vá chama-la?

–Está tudo bem. Eu faço isso. –Caminhou com graça pelo corredor que levaria aos aposentos, mas estacou na metade do caminho.

Edward passou o dia pensando em como estaria Isabella e desejou muito vê-la. Aliás, ele estava desejando ver o rosto dela desde que decidira viajar. Lembrou-se de como se sentiu quando soube da doença que acometera a Swan e em como o seu peito foi preenchido por um sentimento bom ao vê-la bem. Também se lembrou do ciúme sentido ao ver a intimidade existente entre o doutor Withlock e a Swan...

Duas batidas na porta e ouviu um entre. Isabella estava deitada na cama, usando calça jeans e uma blusa de alça branca, com um livro nas mãos. Ela parecia surpresa em ver o rapaz entrar.

–Vim saber como você está. Não tive a oportunidade de falar com Jasper. –Olhava atentamente para a menina, vendo nos orbes castanhos uma indiferença que o incomodava. Ela estava na defensiva e ele sabia que era culpa dele.

–Estou bem. Não precisa se dar ao trabalho comigo. –Voltou à atenção para o livro. Atitude esta que aumentou exponencialmente a irritação de Edward. Ele, no entanto, não estava disposto a perder a cabeça e reivindicar a menina para si, embora fosse uma ideia tentadora.

–Eu só quero garantir que você não me trará problemas! –Esbravejou, irado.

–Eu estou me alimentando direito e tomando meus remédios. Se não acredita em mim pergunte a Angela. –Levantou-se da cama. –Vou jantar. –E saiu sem olhar para o rapaz parado a sua porta.

Suspirando, Edward a seguiu e bem como imaginou, o jantar foi um evento silencioso onde Isabella fazia o possível para não olha-lo.

Ele comeu bem pouco e, sem dizer uma palavra, foi para o quarto.

–Parece que o brinquedinho dele não está mais agradando como antes. Me pergunto se é por causa da loira peituda. –Era Lauren, entrando no campo de visão da Swan, usando ainda o uniforme preto de gola branca, destinado as empregadas. Lançou uma revista na mesa que pousou em frente à Isabella.

A Swan tentou evitar, mas os olhos acabaram posando na revista sensacionalista onde, na capa, no canto esquerdo, havia uma foto de uma loira desconhecida, usando um maio branco, beijando Edward, que vestia roupas informais brancas. Estavam em uma praia.

O peito de Isabella apertou.

–Não me interessa. Não sei por que se deu ao trabalho de trazer isso. –Comeu mais duas colheradas do seu salmão e levantou. Lauren olhou presunçosa para a menina, farejando vitoria.

Diante das palavras de Lauren, e do que percebera sobre o Cullen, Bella conteve a expressão desanimada. Ignorou o melhor que pôde a empregada, deixando de ir ao quarto e se refugiando no pequeno jardim de inverno do amplo apartamento. Não sabia exatamente o que mais doía: o descaso de Edward para com ela ou o fato do rapaz tê-la abandonado para ficar ao lado de outra mulher. Ficou lá por vários minutos, olhando a noite bonita que fazia. Lembrou-se que não poderia ficar naquele frio sem estar agasalhada e, por isso, tratou de entrar.

Apesar do banho quente que tomou e de vestir roupas bem confortáveis, a Swan não relaxou. A pequena imagem que vira por uma fração de segundos, Edward beijando outra mulher, não saia da sua cabeça. Sentiu-se pequena, não desejável e um item descartável. Aquele sentimento enegreceu o seu espírito e novamente ela sentiu a ameaça de uma depressão. Definitivamente não queria voltar à patética condição de antes da internação.

A menina, enquanto se aconchegava na cama e cobria-se com o edredom, fixou a sua mente o melhor que pôde em Jasper e nas suas palavras de conforto. Ele foi atencioso e tentou animá-la.

“Uma pequena que não o verei novamente.” –Lastimou-se, entregando-se ao cansaço.

...

Suor cobria-lhe a face quando despertou assustado. Um pesadelo constatou com alivio. A imagem de Jessica, ensanguentada, todavia, preenchia a sua mente.

Acendeu a luz de um abajur do lado direito da sua cama e os olhos esmeraldinos olharam o amplo quarto, temendo encontrar a Stanley, mas não havia nada.

“Os pesadelos estão mais recorrentes.” –Constatou com horror. Queria deixar o quarto e se refugiar em algum lugar, fazer alguma coisa para desanuviar a mente. E durante o tempo em que pensou nisso, um único nome vinha na sua mente: Isabella.

Precisava dela. Precisava sentir o conforto que somente ela poderia oferecer. Quem sabe assim ele não teria um pouco de paz por alguns instantes?

Ele havia se afastado da Swan e certamente a magoara. Sabia disso. Ainda sim seu comportamento inapropriado não o impediu de levantar-se da cama e seguir porta afora, rumo ao quarto de Isabella. Prometeu a si mesmo que não iria toma-la, apenas ter certeza de que ela não tinha mais febre, um sinal de uma recaída.

Isabella dormia, enrolada no edredom. As cortinas da persiana fechada estavam abertas e a luz do luar iluminava precariamente o espaço. Caminhou a passos diminutos, não querendo acorda-la. Em pé ao lado da cama, ele esticou o braço o suficiente para a sua mão tocar a testa.

Ela não tinha febre.

Um calafrio percorreu sua mão ao toca-la e lembrou-se, com nostalgia, das vezes em que as suas mãos tatearam livremente o corpo da pequena. Queria sentir a pele macia e quente sob os seus dedos novamente, se perder no calor dela, cheirar os seus cabelos enquanto a penetrava fundo. Ele queria ter Isabella sem restrições como antes.

Tania Denali era uma mulher fascinante, bonita, mas vazia. Ela nunca seria nem metade da mulher que a Swan era para Edward. Ele se perguntou, enquanto a olhava dormir, por que não percebera isso antes de causar uma grande confusão.

Ainda temia o destino da Swan. Não queria que a menina acabasse como Jessica Stanley, morta e o corpo jogado de qualquer jeito em um beco, sendo enterrada como indigente. Ele queria que ela fosse feliz, satisfeita, e nunca mais ver tristeza cruzar os orbes castanhos.

Lembrou-se do riso que ouvira antes e de como queria aquela ação mais frequentemente. Foi quando a ideia surgiu e ele não conseguiu ignora-la.

Por que não dar uma pouco de liberdade à menina? Por que não deixa-la trabalhando com Jasper por meio período, aquele que a fizera rir? Seria uma forma de compensar a horrível falta que cometera para com a Swan, deixando-a de lado, doente, enquanto viajava. Sua ação certamente a animaria e deixaria as coisas mais leves entre eles.

Um movimento captou sua atenção para a menina e viu, com espanto, que ela havia acordado e o olhava com igual espanto.

–O que está fazendo aqui? –Ligou a luz do abajur localizado no lado esquerdo da cama e o fitou ressabiada. Ele tratou de se justificar.

–Só queria saber se estava com febre.

–Eu já disse que estou bem. Não precisa se preocupar. –Evitou olha-lo, temendo que os seus olhos revelassem a mágoa sentida com o tratamento dispensado a ela nos últimos dias e a revelação de Lauren horas atrás.

–É fácil falar. –Murmurou o rapaz, enternecido. Isabella usava uma calça moletom cinza e uma camiseta branca, e nunca lhe pareceu mais linda. Os cabelos revoltos emolduravam o rosto em formato de coração, contrastando lindamente com a pele branca como marfim.

–Você deve estar cansado. É melhor ir para o seu quarto. –Levantou-se, deixando o edredom jogado de qualquer jeito no chão, e abriu a porta, incitando o rapaz a sair. Era isso o que ele deveria fazer se quisesse evitar um mal pior e reviver o que passara com Jessica. Ao invés disso...

Ele caminhou até a porta, mas não saiu. Segurou a maçaneta, cobrindo a mão da Swan, e fechou a porta. Ela o observou, estupefata, tirando com rapidez a mão, e caminhou até a cama, dando as costas para o Cullen. Ele a abraçou por trás, aspirando o perfume de morango dos cabelos. Ela tentou se soltar, mas tudo o que conseguiu foi dar espaço suficiente para ele virá-la e abraça-la de frente. Isabella não fez nenhum movimento para impedi-lo, mas também não correspondeu ao abraço. Permaneceu inerte, aparentemente indiferente, mas no peito um coração batia descompassado. E o coração da menina não era o único a bater forte. O rapaz podia sentir o peito num ritmo acelerado e sentiu que o vazio no peito parecia estar sendo preenchido.

Embora ela não o recebesse mais com o mesmo ardor de antes, Edward não parou. Apertou o diminuto corpo ainda mais em seus braços, respirando de novo, sofregamente, o perfume de morangos que os cabelos cor de mogno, úmidos pelo banho, emanavam.

–Eu preciso de você esta noite. E em todas as noites que virão. –Murmurou contra o ouvido da Swan, sentindo que as palavras causaram reação imediata na menina. Ou ela iria empurra-lo ou iria corresponder a ele. Felizmente ela não o decepcionou. Logo os braços finos enlaçavam a cintura do rapaz, empregando uma força maior do que a esperada de uma garota daquele porte tão frágil. Ela não hesitou como ele no fundo imaginara, sequer o repudiou, como qualquer outra mulher em sua posição faria. Ela o aceitou com uma naturalidade estranha, tal qual uma mulher diante do seu amante, que o perdoa apesar de toda a burrice feita.

Permaneceram abraçados, em pé, durante alguns minutos, absorvendo aquele contato intimo. As respirações se acalmaram, mas os corações batiam em sincronia, num ritmo acelerado. Naquele abraço Edward pedia silenciosamente perdão pelo modo idiota como havia se comportado e Isabella o perdoava por tudo, inclusive por ter procurado outra mulher. Era assim que deveria ser, ela refletiu, aceite-lo sem reservas e perdoar a tudo por que, afinal de contas, ele não era dela para reclamar.

As mãos que antes a seguravam pela cintura agora migravam para diferentes partes do corpo feminino, acariciando delicadamente por cima da roupa de dormir. Os rostos se tocavam e, enquanto Edward se afastava, roçou a pele dele com a dela. Encarou os olhos castanhos, que brilhavam e pareciam desejosos de alguma ação dele. E ele agiu, inclinando-se e beijando os lábios dela, a princípio de um modo gentil, para logo mais toma-la com vigor, explorando a boca dela com a sua língua e mordiscando o lábio inferior com os dentes. Isabella se entregou com o mesmo ardor, envolvendo a nuca do rapaz com os braços e puxando-o para si, querendo mais daquele contato que lhe foi privado por dias.

Ela adorou sentira textura macia dos cabelos acobreados e a pele macia da nuca. Pôde captar a fragrância daquele corpo masculino quente e viril, um cheiro inebriante de sabonete de erva doce e suor. E adorou sentir cada parte do seu colo colada ao corpo dele, a excitação do rapaz espremida entre os dois. Ela o queria, queria muito, e deixaria tudo de lado, inclusive o seu orgulho, para poder desfrutar dele.

Abandonando a racionalidade de lado, Edward caminhou, guiando Isabella até a cama, deitando-a de súbito. Enquanto a olhava, retirou a camisa preta e a calça de moletom junto cueca samba canção preta. Gloriosamente nu, ele se ajoelhou na cama, não dando a Bella a oportunidade de aprecia-lo. Ainda sim ela não ficou parada, erguendo a mão na tentativa de toca-lo, ao que ele percebeu a intenção e se inclinou para frente. Os dedos da menina acariciaram o peito rijo e, desejando toca-lo com mais propriedade, subitamente o puxou para baixo e montou nele. Observou a face surpresa do Cullen e começou a toca-lo, querendo conhecê-lo melhor.

–O que está fazendo? –Ele perguntou na defensiva.

–Conhecendo você. –Acariciou o rosto masculino com a ponta dos dedos, o nariz arrebitado, o queixo quadrado, os lábios vermelhos, as bochechas, as pálpebras. Desceu para o pescoço, a clavícula, os ombros. Inclinou-se para beija-lo, passando os lábios pelo queixo e beijando o pescoço. As mãos da Swan não pararam, acariciando o peito e o abdômen definido. Encontrou a ereção do rapaz e acariciou aquele ponto com destreza enquanto voltava a beijar os lábios dele, arrancando gemidos de Edward. Ele se deixou ser conduzido pela menina, adorando o modo como as mãos dela o masturbavam enquanto os lábios da Swan chupavam o seu lábio superior, incitando a enlouquecer.

Quando sentiu o gozo se aproximar, Edward virou-se abruptamente, deitando Isabella na cama. Beijou-a enquanto as mãos puxavam a camiseta para cima, revelando os seios pequenos com os mamilos intumescidos. Edward os acariciou com as mãos e os lábios que antes beijavam Isabella foram parar naquele ponto, chupando com suavidade os mamilos, mordiscando-os, beliscando-os com o dedo indicador e o polegar. A julgar pelos gemidos da jovem, ela iria gozar assim. Ele a impediu, deixando de estimula-la para percorrer a boca no corpo feminino dotado de belas curvas, enquanto retirava a calça moletom, despindo-a completamente. Percorreu o abdômen da menina com a língua, distribuindo beijos e lambidas, até chegar ao ponto mais sensível, ao que ele desviou, beijando outras partes inferiores do corpo de Isabella.

–Ah! Edward! –Ela gemeu, tateando logo abaixo até encontrar os cabelos do rapaz, segurando-os e conduzindo-o para cima, até o ponto mais sensível dela. Ela queria sentir aquela boca habilidosa nela e o Cullen não a decepcionou. Beijou o clitóris e logo a língua percorreu toda a extensão abaixo, penetrando-a com a língua. Os gemidos cada vez mais audíveis da Swan foram um estimulo para Edward continuar, cada vez mais ousado nas caricias que fazia com a língua, querendo deixa-la louca.

Isabella gozou, puxando os cabelos em resposta ao prazer dado. Edward ficou satisfeito por ter dado prazer à parceira, mas ele queria mais. Penetrando-a com um dedo, sentiu que ela estava pronta para recebê-lo. Felizmente, graças ao contraceptivo que ela tomava, não precisara usar camisinha.

Pairou sobre ela, adorando a expressão pós-orgasmo que Isabella mostrava. Ele a penetrou lentamente, ouvindo com alegria os gemidos dela enquanto aproximava o quadril na direção dele, pedindo por mais. Quando a haste estava fundo no corpo da Swan, permaneceu lá por alguns instantes, beijando Isabella e acariciando os seios, até não poder mais se segurar e começar a se movimentar.

Os movimentos a principio foram lentos, mais logo ele intensificou as estocadas. Não querendo experimentar uma única posição, comandou o sexo e, pegando Isabella nos braços, a colocou como ele bem queria. Primeiro experimentou vê-la de quatro, segurando os lençóis ao redor deles. Antes de chegar ao orgasmo, saiu de dentro dela, puxando-a e incitando a menina a ficar de pé. Encostou o corpo dela na persiana e a penetrou por trás, de pé, fazendo movimentos rápidos e precisos. Quando sentiu as contrações uterinas de Isabella, interrompeu os movimentos, ao que ela respondeu com um resmungo frustrado. Voltou à deitada, colocando-a de lado, penetrando o corpo enquanto as mãos a acariciavam, dando grande atenção aos seios. Pouco antes de gozar ele voltou à posição inicial, deitando o seu corpo sobre o dela e movimentando-se com exagerada lentidão. Enquanto a beijava, aumentou os movimentos até ambos gozarem.

Ambos respiraram sofregamente. Os olhos verdes, embargados, admiraram o rosto corado de Isabella. Beijou a testa da menina com meiguice, mas a atitude carinhosa durou pouco para logo mais dar lugar a luxuria. Mesmo cansado, ele voltou a penetra-la e logo estava se movimentando, sendo acompanhado por uma Isabella cansada, mas disposta a acompanhar o ritmo dele.

Ela o fazia com tanta presteza por que ela estava apaixonada. Edward não sabia por que voltava com a sua palavra.

...

Acariciou a tez branca com a ponta dos dedos enquanto os olhos esquadrinhavam o bonito rosto adormecido a sua frente. Suspirou de contentamento, satisfeito em ter Isabella nos braços, nua, como antes. Intuitivamente comparou o modo como se sentia com Isabella e o modo como Tania Denali o fazia sentir, era como comparar um elefante a um rato, respectivamente. E era isso o que o deixava intrigado. Isabella não possuía nenhum dos valorosos atributos de Tania, mas era, de alguma forma, a mulher que despertava sensações intensas no Cullen. Lembrando-se agora do ciúme que sentira ao vê-la com o doutor Witchlock, Edward teve que admitir, por um breve momento, que sabia exatamente por que a jovem Swan era especial.

Ele estava nutrindo algo por ela.


Notas finais
Olá povo! Desculpe a demora, mas fim de semestre é terrível! Tenho andado muito ocupada. A saúde ainda não está boa e isso tem me impedido de permanecer durante muito tempo digitando. Desculpem a demora e obrigada pela paciência. Comentem, divulguem, etc.
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