Remexeu distraidamente o iogurte de mitigo com a colher, sem vê-lo, embora os olhos castanhos estivessem fixos nele. Isabella estava distraída. A mente da menor vagava para os últimos acontecimentos daquela semana e sentia o peito se encher de um sentimento desagradável.

Há exatos sete dias Edward praticamente não lhe dirigia a palavra.

Não sabia explicar o que havia desencadeado tamanho comportamento, uma vez que ela tentava a todo custo ser agradável. Talvez ele estivesse com problemas sérios no trabalho e isso causou uma onda de estresse, mas algo dentro dela a advertia que a situação poderia ser mais complicada do que imaginava.

“O que foi que eu fiz? Semana passada tudo estava indo bem. Ele estava tão vulnerável e receptivo! Achei que nos entenderíamos, mas no outro dia ele simplesmente...” –Um toque no braço a despertou dos pensamentos. Encarou Angela ao seu lado, que aparentava preocupação.

-Senhorita Swan, está tudo bem? Quase não tocou na comida. –E, de fato, Isabella passou mais tempo remexendo nos itens da mesa de café da manhã posta pelos empregados do que comendo algo. –Por um acaso os pratos escolhidos não a estão agradando?

-Claro que não Angela! Eles são deliciosos! Eu apenas... Apenas estou sem fome. –Tentou sorrir, mas tudo o que conseguiu reproduzir foi uma careta. –E a propósito acho que acordei cedo demais, talvez por isso o meu apetite praticamente desapareceu. Voltarei para a cama. –Deixou de lado a comida e uma Angela preocupada e, sem demora, foi para o seu quarto. Pelo menos essa foi a ideia inicial.

Chegou a segurar a maçaneta, mas desistiu. Antes de se refugiar em seu pequeno palácio dourado, decidiu entrar no quarto de Edward Cullen, aproveitando-se do fato de que ele já se encontrava no escritório.

O quarto de decoração fria e moderna estava silencioso e iluminado pelo brilho do Sol que penetrava as persianas de vidro abertas. Tão impessoal, Isabella pensou. Nada de fotografias ou alguma evidencia de humanidade do seu dono. Aquele aposento poderia ser mais uma suíte requintada de um excelente hotel, nada mais.

Caminhou em direção a cama king-size, tocando o edredom macio cor de chumbo antes de simplesmente se jogar na superfície macia. Aspirou sofregamente o perfume de amaciante de lavanda e uma colônia masculina cara que impregnava o local, reconhecendo o cheiro característico de Edward.

Ele não a tocava e sequer lhe dirigia a palavra como deveria há uma semana, algo que a estava atormentando. No inicio sentiu a surpresa pelo comportamento estranho...

-Bom dia. –Ele disse naquela manhã seguinte ao brutal espancamento sofrido pelos homens de Aro Volturi. Sentou-se na cadeira de sempre, olhando sem ver os empregados que o cercavam e uma Isabella sorridente. Ah, ela estava apaixonada e queria, naquela manhã, demonstrar!

-Como está se sentindo? –Perguntou ansiosamente ao rapaz, vendo que os machucados estavam um pouco camuflados por base na mesma tonalidade branca da cor da pele dele. Tocou o braço do rapaz que se afastou do seu toque como se ela o tivesse queimado. Edward encarava a xícara de café fumegante nas mãos quando respondeu.

-Bem. –E foi tudo o que disse durante vários minutos, retirando-se para o trabalho ao final do desjejum.

Naquela noite, lembrou-se com amargura a menina, Edward chegou cedo, jantou e se trancou no próprio quarto.

A sua surpresa durou dois dias.

Após dois dias de surpresa, ainda sendo vitima da indiferença de Edward que a evitava como uma praga, a Swan experimentou uma tristeza opressora. A tristeza perdurou pelos dias que se seguiram, mas ela só a demonstrou no terceiro dia, enquanto caminhava desanimada pelo luxuoso apartamento e lançava olhares desanimados para o Cullen quando o encontrava pela casa antes ou depois do expediente de trabalho. No quarto dia optou por mostrar indiferença a situação, esperando que, assim, ele se sensibilizasse; nada adiantou.

Suspirou sofregamente, levantando-se da grande cama. Contemplou por um par de segundos o quarto, até se sentir ridícula por estar ali. Saiu em direção ao seu próprio quarto onde uma pilha de livros, lidas recentemente, duelava contra uma pilha de livros que pegara na biblioteca de Edward. Ler tem sido uma forma interessante de passar o tempo e não remoer a rejeição sofrida.

Enquanto folheava o livro do dia, Isabella pensou em quão patética ela poderia parecer tentando fingir que tudo aquilo não a machucava. Ela já enfrentara tantas coisas na vida e julgou ser uma mulher forte, mas ela reconhecia as rachaduras no muro que ela criara em volta de si.

"Eu não sabia que poderia ser tão forte assim. E estou achando tudo isso uma merda." – Refletiu, encontrando a página em que parara no dia anterior. Recomeçou silenciosamente a leitura.

...

-Tenham uma boa tarde senhores. –Cumprimentou novamente os homens engravatados diante dele com um aperto firme em cada mão. Alexandrina os acompanhou até a saída, retornando instantes depois.

-Deseja almoçar agora, senhor Cullen? –Perguntou, sabendo qual seria a resposta antes dele verbaliza-la. Edward recostou-se o mais confortavelmente que pôde na poltrona de couro e contemplou o teto.

-Estou sem fome. Um café cairia bem agora. –Suspirou, como se aqueles ombros estivessem carregando um fardo colossal invisível aos olhos da loira. Alexandrina apressou o passo, seguindo para a copa a fim de preparar o café desejado pelo chefe. Edward permaneceu alheio a tudo, apreciando o silencio, perturbado unicamente pelo tiquetaquear de um grande relógio de aço pendurado na parede da sua sala em frente a sua mesa.

Há sete dias passava a maior parte do tempo em seu escritório, ocupando a mente o tanto quanto podia com as suas atividades de contador das finanças alheias. Queria evitar pensar demais nas medidas que tomara dias atrás, a fim de não repetir o mesmo erro que cometera com a sua antiga escrava. Afastou-se de Isabella Swan como se a mesma fosse uma doença, falando o mínimo que podia e não procurando a sua companhia ao chegar da noite. Ele viu nos olhos castanhos a confusão nos primeiros dias pelo modo como a estava tratando, algo que se tornou decepção no terceiro dia. Agora, passados sete dias de estranheza, a menina agia com aparente indiferença.

Toda a situação estava incomodando o Cullen, mas ele sabia que isso era melhor do que ficar apreensivo, vigiando as inconstâncias da menina e comparando-as a Jessica. Ele também sabia que não poderia ficar dessa forma por muito tempo.

“Eu não poderia devolvê-la a Aro, pois certamente ela cairia em mãos nada gentis. Também não posso libertá-la, não enquanto a obsessão de Caius paira no ar. O melhor é Isabella continuar em meu poder, mas preciso encontrar uma forma de manter distancia sem machuca-la.” –Refletiu Edward, vendo então a secretária entrar novamente em sua sala com uma xícara de café fumegante nas mãos.

A secretária dá chefe o café preparado, avisando-o que logo haveria mais um encontro com clientes. Ao sair da vista do jovem Cullen, Alexandrina, perceptiva como é, sabia que o patrão parecia abalado por algum motivo. Estranhou. O que poderia abalar a muralha que era Edward Cullen se nem os abusos sofridos por Aro Volturi o abalavam tanto?

Enquanto a loira especulava, um rapaz, ainda sentado na grande poltrona de couro preto, desejava e repudiava uma única mulher.

...

Um silêncio sepulcral se instalou naquela casa assim que Edward chegou. Agora estavam os dois sentados na grande mesa onde as refeições eram feitas, com Isabella na cadeira mais distante. Olhando para a menina, que parecia não fazer questão de se sentar próxima a ele como antes, ele soube que algo estava muito errado.

Isabella estava calada, desmantelada na aparência, vestida num jeans comum, suéter salmão, tênis branco, sem maquiagem e com os cabelos presos num coque improvisado. Não parecia comer e os olhos vagavam distraídos por todo o espaço, menos nele. Indiferente ao extremo, concluiu. Notou também que ela parecia mais pálida, doentia. Talvez nem estivesse dormindo direito, além de não comer direito como acontecia.

Edward merecia o comportamento indiferente, mas algo dentro dele ainda repudiava tal coisa. Quis exigir a Swan um tratamento melhor, mas se conteve. Ele não tinha esse direito. Suspirou em descontentamento, vendo no seu quarto a única opção para refugio. Se ele iria continuar evitando-a, precisava simplesmente aceitar a situação toda e seguir em frente. Ser dúbio para com a Swan estava fora de cogitação.

-Boa noite. –Disse subitamente, pegando o paletó cinza que repousava no encosto da cadeira onde estivera sentado e levantando-se, deixando para trás um prato quase intocado. Isabella passou a encarar o prato, murmurando alguma coisa semelhante a um “boa noite”, ou talvez estivesse apenas mastigando uma porção do risoto, ele não sabia.

Sentiu no corpo o peso do cansaço, mais opressor do que em qualquer outro dia, e quis apenas dormir. Edward experimentou a banheira, coisa que pouco utilizou, apreciando enormemente ficar imerso na água morna com sais de banho enquanto ouvia os noturnos de Chopin nas caixas de som pequenas acopladas ao seu IPOD. Embrulhou-se no roupão azul marinho pendurado em um cabide no banheiro quando acabou, sentando na cama enquanto secava os cabelos cor de cobre com uma toalha de rosto da mesma cor do roupão que o cobria. Lembrou-se do olhar vazio da Swan, como se ele tivesse voltado a ser uma pessoa insignificante aos olhos castanhos e algo dentro do seu peito doeu. Ele não queria voltar a ser o homem que não tinha amor para onde quer que olhasse. Intimamente queria o apreço da menina novamente, mas como ter isso sem correr os riscos?

Tocou um ponto dolorido no rosto enquanto secava o mesmo e lembrou-se imediatamente do dia em que fora agredido por Felix. Os machucados estavam quase sarados e ele sabia que muito disso se devia a Isabella. Ela o olhou e cuidou de seus machucados, permanecendo com ele naquela noite semana passada. Ela, alias, foi tão amável com ele que Edward não só se surpreendeu como desejou ter aquele zelo todo por ele mais e mais vezes.

Ele agora não tinha nada.

Irritado, pegou o primeiro pijama que as suas mãos alcançaram no closet, uma calça moletom preta e uma camisa de algodão verde musgo, e foi se deitar.

Enquanto isso Isabella ainda permaneceu vários minutos alheia a tudo, mordiscando o jantar enquanto olhava para a cadeira a sua frente. Edward estava mudado e não dava indícios de que voltaria a ser o rapaz um pouco menos descomplicado e até carinhoso dos dias anteriores. Resignou-se, sabendo que protestar não adiantaria. Já havia passado por situações piores e sobreviveu, portanto passaria por essa nova fase.

A Swan deixou a sala de jantar antes da sobremesa, seguindo para o quarto. Trocou as roupas por uma calça moletom e uma blusa cinza. Não foi diretamente para a cama, preferindo sentar em uma poltrona que ela arredara para frente de uma persiana, constantemente aberta até no período da noite nos últimos três dias. Mesmo sendo uma atitude imprudente, uma vez que poderia ficar resfriada, Isabella gostava da sensação do vento frio da noite tocando o seu rosto, bagunçando os cabelos, enquanto ela lia. E foi assim que se posicionou, passando varias horas até o cansaço reivindicar uma cama. Deixou a janela aberta, sem se incomodar com a temperatura invernal graças ao ato imprudente.

Suspirou audivelmente, lastimando-se ao lembrar que o dia seguinte seria tão horrível quando o dia de hoje.

...

Após algumas doses de vodca pura, Edward finalizou sua quinta dose de uísque com uma golada, ignorando a sensação quente garganta adentro. Deixou o copo sobre a mesa enquanto girava a cadeira onde estava sentado em círculos. Não conseguira dormir apesar do cansaço e decidiu, portanto, se refugiar no escritório anexo ao quarto. Tentou se ocupar com o trabalho, por esse motivo tendo o notebook ligado a sua frente, mas inexplicavelmente não produzir nada.

Por fim desistiu de tentar adiantar algo, desligando o laptop e seguindo, meio cambaleante pelo excesso de álcool,para a cama. Comer pouco e beber tantas doses deixara Edward embriagado o suficiente para fazer o que bem entendesse, sem a intervenção da sensatez. Por esse motivo, ao contemplar a cama onde estivera deitado, preferiu sair do seu aposento e seguir pelo corredor até a frente do quarto de Isabella. Não estava raciocinando, uma parte dele sabia, mas entorpecido como estava pelo álcool, não ligou.

Usando a parede como amparo e dando passos trôpegos, adentrou o quarto, sentindo um frio invernal, que ignorou. Também pudera, a janela estava aberta. Ao invés de fechar a persiana e impedir que o frio continuasse, procurou unicamente o calor que a menina deitada na cama poderia proporcionar, inconsciente do fato que ele estivera ignorando ela sem dar explicações.

Bella dormia placidamente, mas um toque no ombro exposto pelo cobertor a despertou. Uma mão fria e estranhamente familiar a reivindicava e ela, que até então estava deitada de lado de costas para a parede, virou-se, encostando as costas no colchão. Encarou surpresa Edward, que a olhava com os olhos esmeraldinos estranhamente opacos. Cheirava a álcool e, sentado na cama e inclinado para ele, estava muito perto.

Ela viu as intenções naquele olhar espaçado que queimava, sabia que Edward a desejava e a queria para si naquele momento. Lembrou-se então do modo como ele a tratara nos últimos dias, sabendo que, se tivesse algum amor próprio, deveria afastá-lo. O seu corpo, todavia, ansiava pelo toque ao qual fora negado a ela por sete dias. Enquanto decidia como procederia aquela aproximação, muito provavelmente movida ao fato do Cullen estar embriagado, Edward foi mais rápido. Ele tocava o rosto alvo com a ponta dos dedos, numa caricia continua.

-Tão quente... –Murmurou tropegamente. –E minha a hora que eu quiser. –Sorriu perverso, sentindo a excitação toma-lo com mais força ante a imagem deles dois juntos. E Bella, mesmo sabendo onde tudo isso terminaria, principalmente ao sentir as mãos de Edward tateando o corpo dela por cima do edredom, perguntou:

-Por que você é assim? Depois de tudo o que fez comigo essa semana?

- A maravilha de decair, Isabella, é que eu posso ser o vilão a hora que quiser. –E com essas palavras, ele se inclinou ainda mais, colando os lábios dele aos dela.

E Isabella, que colocara as mãos espalmadas no peito na tentativa de impedi-lo, se viu fraca demais. Ela não poderia, nem quereria, afastar Edward e impedi-lo de agir, uma vez que estava apaixonada por ele. Por isso envolveu o pescoço do rapaz com os seus pequeninos braços, puxando-o para si. Adorou o modo como os lábios se encaixaram e as mãos do rapaz infiltraram-se em sua camisa, acariciando a pele lá.

Era melhor tê-lo uma vez do que nunca, pensou.

...

Algo chamou a sua atenção, não soube dizer o que. Um corpo muito quente cobria o seu. Edward abriu os olhos e viu, graças ao brilho emitido pelos primeiros raios de Sol que penetravam o quarto através da janela, que Isabella dormia no seu peito e o corpo dela estava anormalmente quente. Preocupado, Edward colocou a mão em sua testa, constatando que estava febril.

Instintivamente o rapaz tentou cobri-la melhor para diminuir os pequenos tremores que assaltavam o corpo dela, atritando as mãos na pele da menina numa tentativa vã de aquecê-la. Olhou com atenção para o rosto sonolento e notou que Bella estava mais magra, algo que só agora parecia ridiculamente visível, e pálida como anteriormente notou. Talvez estivesse constipada, nada com o que se preocupar.

Tardiamente, Edward percebeu a situação em que estava. Havia se comprometido a ficar a certa distância de Isabella, conseguira por sete dias, mas havia fraquejado por culpa de algumas doses de bebida. Praguejou silenciosamente, afastando-se de Isabella. Vacilos como esse não poderiam acontecer, mas como ele se privaria de Isabella se o corpo parecia clamar por ela?

Precisava se afastar de Isabella com maior eficácia e, para isso, teria que passar algum tempo longe de casa. Alias, já havia algum tempo que o rapaz sentia a necessidade de tirar umas boas férias em algum lugar onde o nome Aro Volturi não fosse pronunciado.

A mente do jovem Cullen trabalhava furiosamente, planejando o quanto antes uma escapada de vários dias para alguma parte do mundo. Talvez levasse alguma companhia, talvez não. O mais importante era livrar-se da tentação que Isabella representava, a fim de não repetir erros do passado e ressuscitar fantasmas por intermédio de outras pessoas.

Levantou-se, pegando as roupas no chão. Logo Edward estava vestido, saindo do quarto da Swan sem olhar para trás.

...

Quando os olhos cor de chocolate se abriram, a luz tratou de fecha-los novamente. Espreguiçou-se, manhosa, tateando a cama em busca de um corpo que claramente não estava mais lá. Quando a vista se acostumou com o excesso de luminosidade, Isabella constatou que estava sozinha.

“Acho que isso vai se tornar rotina.” –Suspirou, sentindo a garganta arranhar. Notou também que o corpo tremia levemente, fazendo com que voltasse a se cobrir com o edredom. Estava febril, constatou, mas isso não a preocupou. Levantou, indo diretamente ao banheiro. Isabella notou certa melhora em sua condição após um banho quente, vestindo roupas para o frio a fim de aplacar os tremores.

Angela e Erick estavam na sala de jantar, conversando coisas amenas. Cumprimentaram a Swan quando esta entrou no campo de visão de ambos. Bella sorriu fracamente, dando bom dia, sentando-se na cadeira de sempre. Contemplou a mesa cheia de quitutes dos mais variados tipos. Naquela manhã a menina não sentia vontade alguma de comer.

-Senhorita Swan, está se sentindo bem? –Perguntou Angela, olhando-a com preocupação. A empregada via uma Isabella pálida, com as bochechas vermelhas. Definitivamente aquilo não era indicio de um simples rubor, concluiu a mais velha. Tocou a testa da Swan e estremeceu. –Meu Deus! Está queimando!

-Eu estou bem. Isso não é nada. –Disse a menor com descaso, servindo-se de suco de laranja.

-Febre é indicio de algum problema com o seu organismo. –Insistiu Angela, ao que Isabella respondeu com um dar de ombros.

-Tomarei um antitérmico mais tarde, se a febre persistir. Não se preocupe. –Apesar do mal estar, Bella tentou passar a imagem mais saudável que conseguiu, não querendo tanta preocupação e atenção sobre si. Crescera preocupando-se com os outros e cuidando do bem estar alheio, por isso dispensava a atenção da empregada o tanto que podia.

Com um suspiro Angela se resignou, entregando ao final do café da manhã, que Isabella mal tocara, um antitérmico para ela. Bella agradeceu, pegando o comprimido enquanto seguia para o seu aposento. Ela se entreteceu na leitura como em todos os outros dias, em frente a janela aberta, esquecendo-se por completo do remédio.

Mais um capítulo de O morro dos ventos uivantes a esperava.

...

Balançava distraidamente a caneta de aço com entalhes em ouro entre os dedos. Os olhos em frente ao lap top, vasculhando localidades amenas onde poderia passar alguns dias sem ser importunado. Já havia decidido viajar sozinho e, se fosse preciso, encontraria alguma companhia agradável na própria localidade. Quem sabe assim ele não colocaria a cabeça no lugar e decidiria o rumo da própria vida?

Em um canto, Alexandrina guardava em uma estante de mogno com maçanetas de aço alguns arquivos, parecendo absorva em seu trabalho. Edward olhou compenetrado para a secretária, pensando se ela não poderia ser uma boa companhia para ele. Descartou rapidamente a hipótese, sabendo que nada conseguiria com a loira. Tentou certa vez, mais como um teste para saber se ela seria qualificada para trabalhar com ele do que um genuíno interesse.

-... Um currículo impressionante, devo dizer. –Olhou para as papeladas e mais papeladas que a loira bem vestida em um tailleur preto, os cabelos presos num coque elegante. Ela havia sido impecável até agora, desde a entrega do currículo até o modo discreto como se sentou em frente a ele. Comparando-a como as outras, Alexandrina era diametralmente oposta. As outras candidatas costumavam vir com roupas mais ousadas e se insinuavam na primeira olhada.

Edward não queria uma mulher que fingisse trabalhar enquanto planejava meios de assedia-lo. Ele queria alguém que pudesse ajuda-lo, algo que não aconteceu efetivamente com as outras trinta e cinco secretarias que tivera desde que abriu o seu escritório. Bom de fato as secretarias o ajudaram com outras pendências... Não que isso fosse complementar o currículo de alguma delas no futuro, a não ser que almejassem o cargo de prostitutas de luxo.

Embora Alexandrina estivesse sendo absolutamente formal, tudo poderia ser um ardil. Decidiu testa-la a fim de evitar problemas futuros. Levantou-se da poltrona onde estivera sentado, contornando a mesa e postando-se em frente a loira. Tinha um meio sorriso nos lábios enquanto os olhos verdes olhavam de cima a baixo a pretensa candidata.

-O seu currículo é incrível, mas já encontrei currículos tão bons quanto os seus desde que coloquei o anuncio online. O que poderia diferencia-la das demais candidatas que entrevistei essa semana é algo que terá de me mostrar. –Sentou-se na mesa em frente a mulher.

-E que habilidades deseja ver além daquelas mostradas e comprovadas por meio de documentação? –Perguntou Alexandrina em uma voz impassível.

-Não serei eu a falar, mas você que deverá mostrar. Venha aqui. –Chamou a loira com o dedo indicador, deixando clara as suas intenções. Alexandrina levantou e, enquanto se aproximava, Edward sentiu a decepção por ela ter se deixado levar tão facilmente. Outras candidatas resistiram um pouco mais, ele lembrou.

Ficaram a centímetros graças a aproximação da loira e, antes que Edward pudesse fazer quaisquer movimentos, foi fortemente esbofeteado.

-Eu poderia processa-lo por assedio, mas costumo resolver pendências como esta com as minhas próprias mãos. –Pegou a bolsa de couro preta na cadeira onde estivera sentada e caminhou a passos firmes para a porta. Uma voz a deteve.

-Está contratada. –Edward anunciou, vendo com diversão o espanto da loira com o aviso. Certamente ela não esperava conseguir o emprego após tê-lo agredido.

A lembrança causou um riso involuntário que Edward tentou sem sucesso sufocar. Alexandrina encarou o chefe com confusão antes de se retirar da sala.

Após refletir sobre o que faria um pouco mais, depois de uma dose despretensiosa de Martini, Edward se decidiu. Ligou para o ramal da secretária e disse:

-Alexandrina, ligue para a companhia aérea que costumo requisitar, resevando uma passagem de ida para as ilhas Fiji. Faça uma reserva no melhor hotel de lá, o Poseidon Undersea Hotel, para sete dias. Tirarei férias a partir de amanhã. –Desligou o telefone em cima da mesa.

...

Agasalhou-se o melhor que pôde, mas o frio parecia penetrar o casaco de lã e a manta que a cobria, fazendo os dentes baterem.

-Deveria ter tomado o remédio ofertado por Angela, mas esqueci. Talvez com um bom descanso eu... –Uma onda de tosse a atacou e ela se viu obrigada a sair da sala de cinema, desligando os aparelhos eletrônicos de lá com pressa. Foi para o quarto, sentindo a cabeça latejar. Não queria que nenhum empregado a visse daquela forma, apiedando-se dela. Entrou no quarto o mais apressadamente possível, jogando-se na cama. Calafrios percorriam o pequeno corpo e ela teve a certeza, mais uma vez, de que estava doente.

Enquanto isso Edward estacionava o seu carro na vaga de sempre. Permaneceu por mais alguns minutos dentro do veiculo, refletindo. Alexandrina fizera o que ele havia pedido e, assim, Edward estaria na Ilha Fiji dali a um dia, sozinho, desfrutando de um lugar encantador. Os problemas continuariam perseguindo-o como uma sombra, todavia ele poderia fingir que era um cara normal. Sorriu ante aquele pensamento ingênuo e idiota. Edward nunca poderia ser uma pessoa normal, não tendo o envolvimento ilícito que o ligava ao maior mafioso dos Estados Unidos, Aro Volturi, e não por ter nas mãos dois assassinatos: do algoz que maltratou a sua mãe e de Jessica Stanley.

Saiu do automóvel, indo para casa. Lembrou-se de Isabella e desejou que ela estivesse no quarto, longe da vista dele. Teria que aturar a presença dela por mais um dia, muito embora fosse passar boa parte do tempo fora de casa. Edward, ao entrar pelas portas duplas, deparou-se com Angela que segurava uma bandeja onde havia um copo com água e mais alguma coisa pequena.

-Angela, o que está fazendo? –Perguntou Edward a empregada. A expressão da garota denunciava a sua crescente preocupação.

-Acho que a senhorita Swan está ficando doente. Mal tem comido e hoje pareceu febril. Levarei um antitérmico para ela. –Ia fazendo novamente o percurso, mas foi interrompida por uma mão que segurou fortemente o seu ombro. Ao virar, Angela viu nos olhos esmeraldinos uma preocupação vaga, severamente refreada pelo seu patrão.

-Eu vou dar uma olhada nela. Me dê o remédio. –Pegou a bandeja das mãos da empregada sem cerimônia e seguiu em direção ao aposento da Swan. O silencio dos corredores, ao contrário das outras vezes, não o deixou aliviado. Isabella doente? Como isso aconteceu? Ah, claro, como ele poderia saber se ignorou a menina por mais de sete dias?

O quarto tinha como único ponto de iluminação uma luz amarelada que vinha de um abajur. Isabella estava deitada na cama, exageradamente agasalhada, e segurava um livro nas mãos que parecia não ler. Ao ouvir o barulho da porta e Edward em pé diante dela, ficou evidente em seu olhar o quão surpresa estava. Deixou o livro de lado e tentou com algum esforço se sentar, não querendo mostrar a ele o quanto estava mal. Claro que não enganou o rapaz, que a encarava especulativo.

Sentindo uma pontada de preocupação pela menina, Edward se aproximou o suficiente para perceber o quanto ela estava pálida e a tez brilhava por uma camada espessa de suor.

-Angela mandou este remédio para você. Ela me falou que está febril e possivelmente adoecendo. –Deixou a bandeja em cima do criado mudo, sentando-se na cama. Isabella evitou olha-lo, voltando a deitar e mantendo certa distancia do rapaz. Ela estava ressabiada graças ao comportamento indiferente que Edward exercia sobre ela há dias.

-Obrigada. -Murmurou. Pegou o copo com dificuldade, assim como o comprimido, e o engoliu. Esperou pela saída do rapaz, mas, para a sua surpresa, Edward permaneceu lá, fitando a pequena com uma intensidade desconcertante.

-O que foi? –Perguntou incapaz de tirar os olhos dele. O Cullen ergueu a mão e tocou a testa de Isabella com delicadeza, verificando a sua temperatura.

-Está com muita febre. Acredito que o remédio irá ajudar. –Recolheu a mão e ajudou a Swan a se deitar mais confortavelmente que ela pôde, ajudando a menina a se embrulhar com o edredom.

-Descanse. Amanhã provavelmente estará melhor. –Olhando para a menor, o rapaz lembrou que viajaria depois de amanhã. Não precisava dizer nada para ela, mas sentiu a necessidade de justificar a sua ausência mesmo assim.

-Viajarei depois de amanha. Ficarei ausente durante sete dias. –Edward falou, vendo os olhos castanhos se arregalarem minimamente. Isabella, ele não poderia saber, sentiu um impacto grande ao saber que seria privada de vê-lo. Ocultou o melhor que pôde os sentimentos negativos acerca da viagem, tentando aparentar indiferença.

-Ta. –Murmurou a menina, que intimamente desejava algum toque mais significativo do rapaz, incapaz de fazer o pedido. Edward saiu pouco depois, controlando a preocupação para com Isabella, assim como o desejo de afundar-se nela e saciar os anseios mais primitivos.

Na manhã seguinte Edward acordou mais tarde que o habitual. Utilizaria o dia unicamente para cuidar dos preparativos para a viagem as ilhas Fiji no dia seguinte. Pediu ajuda a Angela e Erick, que o auxiliaram com as malas e demais pertences, enquanto os demais empregados se ocupavam das atividades domesticas corriqueiras.

Em um dado momento, sem ter visto Isabella sair do quarto, o rapaz ordenou a Angela que cuidasse da Swan, uma vez que as malas já estavam feitas. A empregada prontamente aceitou, entrando sem cerimônia no quarto de Isabella. A menina já estava acordada, constatou, e havia tomado um banho. Sentada em uma poltrona em frente a janela aberta, lia um livro.

-Bom dia senhorita Swan. Como está se sentindo hoje? –Caminhou sorridente até Isabella, constatando de imediato a palidez excessiva dela. Mais do que pálida, estava claro para a maior que a Swan se esforçava para segurar um acesso de tosse. Não conseguiu por muito tempo. Tossiu ruidosamente, quase engasgando, e coube a Angela trazer um copo de água à menina.

-A senhorita parece não ter melhorado. Irei avisar ao senhor Cullen.

-Não se dê ao trabalho Angela. Eu vou ficar bem. –Sorriu fracamente, entregando o copo a empregada. Voltou a sua atenção ao livro que lia e o prazer que estava estampado nos olhos castanhos deu alguma tranquilidade a Angela. Saiu do aposento, prometendo trazer o café da manhã juntamente com mais um comprimido para dor e febre. Ao passar pela porta, o sorriso de Isabella se desfez e ela contemplou por longos minutos a paisagem artificial da janela aberta diante dela.

Isabella estava se sentindo a mais solitária das mulheres e longe de sentir depressão por isso ela parecia estranhamente amortecida, como se a sua vida fosse um filme e ela uma mera espectadora.

...

Com as malas prontas e tendo resolvido como o escritório ficaria sem a sua presença, Edward encarou o cartão que Tania Denali lhe dera certa vez. A princípio achou melhor viajar sozinho, mas algo lhe dizia que, se realmente queria deixar a Swan de lado, deveria levar uma companhia agradável para distraído.

Tania provavelmente estava furiosa com ele por Edward ter faltado ao encontro que marcara semanas atrás. Mas também ela era conhecida por não guardar rancor, e por perdoar qualquer falta se o pretenso cavalheiro, ou dama, trouxesse algum mimo da Tiffany’s. Por antever o perdão da loira, ligou para Alexandrina, pedindo a ela que adquirisse uma passagem para a Denali na primeira classe junto a ele.

Após conversar com Alexandrina, o rapaz criou coragem e ligou. Não conseguiu nada na primeira tentativa, mas Tânia atendeu na terceira tentativa.

-Alo? –Disse em uma voz aveludada, quase como se estivesse cantando. Edward sorriu.

-Não abandona os seus trejeitos de cantora. –Comentou. Ouviu uma pequena lufada de ar do outro lado e imaginou que aquele era um indicio da surpresa, e irritação, da outra.

-Edward desaparecido Cullen. Da ultima vez que nos falamos, você prometeu uma noite quente. Acabei em um hotel cinco estrelas, vestida em uma peça exclusiva da Victoria secret comendo morangos e bebendo champanhe. –Falou com azedume.

-Mas não sozinha, presumo. Você não é o tipo de mulher que acaba a noite solitária.

-Não, eu não sou. Mas o fato de ter arranjado alguém que custeou os meus gastos com você aquela noite não significa que eu não esteja levemente aborrecida. –O tom de voz indiferente não enganava o rapaz. Ele sabia que Tânia era mestra na arte de eclipsar o que verdadeiramente sentia, tratando a tudo como um leve incomodo.

-Preciso me desculpar por tamanha falta. Viagem amanha para as Ilhas Fiji, tudo por minha conta. Sete dias naquele paraíso e uma joia a sua escolha. –Lançou a proposta, antevendo a resposta antes de a Denali expressá-la. A loira ficou muda por alguns instantes, ponderando.

-Só aceitarei se começarmos a festinha hoje a noite. Venha para o meu apartamento. –E desligou.

Edward sorriu para o aparelho em suas mãos, satisfeito pelas coisas estarem saindo de acordo com os seus planos. Com as malas prontas, ele não viu nenhum impedimento que o fizesse recuar. Passaria a noite na casa da Denali e, de lá, passaria agradáveis sete dias na companhia da voluptuosa loira, desfrutando de prazeres e enterrando as preocupações.

Pelo menos essa era a ideia inicial.

Com o passar do dia, tentou se abstrair de Isabella, mas o constante vai e vem de Angela no quarto da menina o fazia se perguntar como ela estaria. Não entrou no quarto, todavia. Não queria fraquejar de jeito nenhum, por isso ficou o resto do dia no escritório, adiantando o que pôde do trabalho.

Ao cair da noite, trajando jeans, camisa de botões preta e uma jaqueta de couro, o rapaz estava diante das portas do apartamento com a sua bagagem. Os empregados haviam sido reunidos e mostraram-se surpresos com o comunicado de que o patrão deles ficaria fora por uma semana. Coube a Edward dar as últimas instruções a todos enquanto Benjamin e Erick pegavam as malas.

-... E não deixem Isabella sair ou se comunicar com ninguém. –Advertiu desnecessariamente, vendo todos assentirem desconcertados.

Angela franziu os lábios e parecia querer dizer algo, mas só se manifestou quando todos se afastaram. Angela abordou o patrão antes que Edward desaparecesse pela porta.

-Senhor Cullen, a senhorita Swan não está muito bem. –Avisou, esperando arrancar alguma reação do rapaz, mas Edward continuou impassível.

-Ela ficará bem. –Deu de ombros, saindo pela porta com Erick e Ben em seu encalço ajudando-o com as malas. A menina suspirou entristecida, sabendo que a partida do patrão não deixaria Isabella feliz.

Seguiu para o quarto da jovem Swan minutos depois, encontrando-a quieta, fortemente agasalhada, com um livro na mão. Ela, apesar dos olhos fixos no livro, não parecia ler. Parecia absorva em alguma coisa.

-O senhor Cullen acabou de sair. –Anunciou, vendo a menina olha-la com surpresa.

-Pensei que ele iria só amanha de manha. –Ela murmurou, confusa.

-Eu também senhorita Swan.

Viu Isabella olhar para o canto mais afastado do quarto, parecendo atenta ao modo como as cortinas moviam-se graças a brisa de fim de tarde que penetrava a persiana aberta.

-Ele não veio falar comigo. Não veio se despedir nem nada do tipo. –E apesar do tom neutro com que essas palavras foram ditas, Angela pôde sentir uma dor descomunal em algum lugar.

-Logo logo ele estará de volta. –Disse a empregada na tentativa vã de gerar algum conforto em Isabella. A menina sorriu para a mais velha, um sorriso que não alcançava os seus olhos.

-Ele não vai voltar. Pode voltar de corpo, mas não voltará de alma. Nunca voltou. Eu nunca o conheci. Nunca conheci a sua alma. Ele ainda é alguém desprovido disso, acho.

E novamente os olhos estranhamente opacos da Swan fitaram o nada enquanto Angela a deixava sozinha no aposento.

Enquanto seguia de taxi até o apartamento da exuberante loira, Edward pensava em Isabella. Sentiu o peito levemente apertado. A culpa por ter ido embora sem sequer ver o rosto da menina novamente o estava corroendo. Ele sentia que havia cometido uma falha ainda mais grave a ela se comparado a tudo o que andava aprontando. Por mais que Isabella parecesse indiferente, havia algo nos olhos castanhos que denunciava a sua crescente tristeza.

“Talvez simplesmente fugir não tenha sido a melhor coisa. Eu deveria ter feito algo. Deve haver uma forma de resolver essa situação sem maltratá-la.” –Refletiu o rapaz, chegando ao luxuoso apartamento da cantora Denali.

Com a ajuda do próprio taxista, levou as bagagens até o vigésimo andar. Avisou por uma mensagem de texto a loira de que havia chegado e a encontrou em frente ao apartamento, um por andar, vestida num tomara que caia branco que ia até as coxas, realçando suas belas curvas. Com os cabelos loiros arruivados emoldurando o rosto fortemente maquiado, Tânia o olhava com luxuria, dos pés a cabeça. Parecia aprovar as roupas trajadas pelo rapaz.

-Não achei que viria. –A Denali confessou.

-Estava em débito com você. Precisava vir. –Seu meio sorriso desestabilizou visivelmente a moça e ela sentiu no jeito como o rapaz se movia toda a graça e sensualidade do poderoso Edward Cullen.

Quando o rapaz passou pela porta, Tânia fechou bem lentamente a porta atrás de si e o agarrou em um abraço com ele ainda de costas.

Edward sabia o que a loira queria por isso virou-se e a abraçou forte enquanto os lábios encontraram os dela. As mãos pequenas da Denali rumaram sem tempo para as nádegas de Edward e, em seguida, para o seu sexo, massageando o local com habilidade.

As línguas dançavam, explorando cada canto das bocas. Um calor intenso atingiu a loira e ela demonstrou, com os lábios e mãos, o quanto queria provar do seu amante uma vez mais. Edward, em contrapartida, embora sentisse a costumeira excitação, coisa comprovada pelo seu membro enrijecido, estava com a mente em outro lugar. Perguntava-se, contra a vontade, se a menina de cabelos cor de mogno e olhos cor de chocolate ainda estaria com aquela expressão desolada e o corpo tomado pela febre.

Do outro lado da cidade, no luxuoso apartamento cujo proprietário era Edward Anthony Masen Cullen, Isabella Marie Swan deixava os livros espalhados na cama enquanto, no banheiro, tossia violentamente.

...

Observa a paisagem acima de sua cabeça, de um mar azul repleto de vida. Esta em um dos hotéis mais luxuosos do mundo afinal. Naquele hotel a metros debaixo da agua, sente-se como um morador da lendária cidade Atlantis. Já estava nas Ilhas Fiji há quatro dias, desfrutando do melhor que o dinheiro poderia proporcionar. Bons restaurantes, compras, passeios e lancha, jet-ski, iate, helicópteros,...

Comtemplou Tânia Denali em sua cama, coberta por um grosso cobertor de algodão egípcio branco, deixando a mostra apenas os fartos seios, lindos graças as habilidosas mãos de um cirurgião plástico.

Tânia era exatamente como Edward se lembrava: uma mulher fogosa e divertida. Em outras épocas gozaria de tudo o que ela poderia proporcionar, mas estranhamente não estava se divertindo. Era bom, claro, livrar-se da presença constante de Aro Volturi e demais obrigações, mas faltava algo. Ele sabia exatamente o que.

Com um drinque na mão, caminhou pelo majestoso quarto, encarando os moveis brancos e caros, assim como a decoração simples, porém requintada. Sentia-se um estranho no ninho ali e intimamente desejou estar em seu apartamento de cores austeras, trocando palavras e farpas com uma menina de rosto em formato de coração e olhos estranhamente profundos. Como Isabella estaria?

Desligou o celular assim que embarcou e não voltou a liga-lo. Fez isso para não querer receber quaisquer ligações que causassem algum desconforto e perturbassem a sua paz. Sua paz...

Verdade seja dita, Edward teve que admitir, a paz nunca esteve tão longe das suas mãos. Agora mais do que nunca.

-O que está fazendo ai parado? –Perguntou a Denali, espreguiçando-se na cama. Edward virou-se, tentando esconder a todo custo a melancolia que o atingia.

-Contemplando a paisagem que esse quarto possui. –Deixou a bebida em uma pequena mesa de centro, retirando o roupão azul marinho que o cobria. Exibiu sem pudor o corpo nu, alvo como uma peônia branca e de musculosos impressionantes, como uma escultura grega. Tânia se embebeu daquela visão erótica, afastando o cobertor que a cobria. Edward, sem delongas, colocou-se entre as pernas bem torneadas, roçando a ponta dos dedos em toda aquela pele nua e macia. Tânia gemeu, apreciando o toque em toda a sua totalidade. Envolta como estava no prazer proporcionado pelo seu amante, não podia ver o quanto os olhos esmeraldinos que a encaravam pareciam vazios.

Edward Cullen nunca esteve tão ausente.

...

A febre parecia envolvê-la como um casulo e Isabella, delirante como estava, imaginou estar sendo acusada de bruxaria e queimada em uma fogueira por conta da inquisição. Retorcia-se, o corpo tomado por tosses violentas que feriam a garganta e as cordas vocais.

-Ela não está nada bem, Betha. –Murmurou Angela, trocando o adesivo antitérmico colado na tez da Swan.

-Sim, não está. Os remédios não surtiram efeito algum. –A mais velha se aproximou da adoentada o suficiente para acariciar os cabelos cor de mogno, colados no rosto por conta do suor frio.

Quatro dias desde que Edward viajou sem maiores justificativas, ficando incomunicável. A jovem empregada tentou cuidar da Swan e, assim, deixá-la saudável, mas viu, de mãos atadas, a piora do estado. Ela não era a única preocupada. Com exceção de Lauren, os demais empregados acompanhavam apreensivos a situação.

-Precisamos chamar por ajuda. –Angela disse a Betha. A empregada mais velha mostrou nos olhos castanhos a velha expressão de cautela que todos ali alimentavam ante a possibilidade de permitir a saída da Swan do lugar, ou a entrada de alguém que não soubesse da situação em que ela vivia. Apesar disso, ela assentiu.

-Tenho certeza que há no escritório do senhor Cullen o número daquele doutor que cuida dele. Talvez ele pudesse vir até aqui. Não sou diretamente responsável pela organização e limpeza da casa, sou mais envolvida com a preparação das refeições. –Confessou a Angela, que prontamente se afastou da adoentada.

-Tenho uma ideia de onde possa estar. Ligarei para ele, ou para alguém. Não posso deixar essa situação se arrastar por mais tempo. Mesmo que isso signifique perder o meu emprego por desobedecer uma ordem direta do senhor Cullen, eu não ficarei de braços cruzados diante dessa situação! –A voz e a bravata da menina fizeram Betha olha-la com admiração. Saiu a pés firmes do quarto da Swan, seguindo ao escritório anexo ao aposento do patrão, onde muito provavelmente encontraria o telefone de Jasper Withlock, o médico que a alguns anos cuidava de Edward, chegando inclusive a prestar atendimento domiciliar quando chamado. Rezava para que ele pudesse vir e ajudar a pobre menina que parecia definhar a cada dia.

Vasculhando alguns papeis na gaveta da grande mesa do escritório, Angela suspirou aliviada ao encontrar um pequeno cartão de visita branco com detalhes em verde com o nome Jasper Withlock impresso. Prontamente pegou o telefone sem fio em cima da mesa, discando diretamente o numero do celular. Àquela hora da noite seria evasiva, mas não ligava. O bem estar de Isabella estava acima do incomodo que poderia representar ao ligar tarde da noite para o homem.

No segundo toque, alguém atendeu ao celular.

-Doutor Withlock falando. –Apresentou-se em uma voz comedida.

-Doutor, peço perdão pelo inconveniente de ligar a essa hora, mas não sabia a quem recorrer. –Desculpou-se Angela.

-Não há necessidade de se desculpar senhorita. Pode ligar a hora que quiser quando uma emergência surgir. Diga-me o motivo de sua ligação para que eu possa ajuda-la.

-Sou funcionaria de Edward Cullen. Há uma pessoa hospedada em sua casa que não está bem. Nenhum remédio parece fazer efeito. Ela precisa ser avaliada por um médico. –A voz frenética denunciou o quanto Angela estava tensa por conta de tudo o que estava ocorrendo. Jasper ouviu com paciência e, sem mais delongas, disse:

-Estou a caminho. Até daqui a pouco. –Desligou, deixando Angela num alivio sem tamanho.

A menina retornou ao quarto onde, agora, encontravam-se Erick e Benjamin, os dois desejando saber como ela estava. Betha relatou tudo enquanto Angela fazia a ligação e coube a ela contar a breve conversa que tivera com o doutor Withlock.

-Ele está a caminho. Graças a Deus! –Suspirou Betha, fazendo o sinal da cruz. Após saber das noticias, visivelmente mais calmos, os rapazes voltaram para a cozinha. Betha, após alguns minutos, foi para a sala, pronta para receber o médico assim que ele chegasse. Angela permaneceu fiel ao lado de Isabella, fazendo o possível pela menina, que estava excessivamente pálida e suada. Rezou aos seus pela melhora de Isabella e repreendeu mentalmente o patrão, Edward, que permanecia incomunicável e pouco se importara com a doença da menina quando partiu.

Vinte minutos depois o porteiro solicitou autorização para o doutor Jasper Witchlock. Em cinco minutos ele estava sendo recebido por Betha no hall de entrada da sala. Aparentava cansaço, como todo o médico dedicado demais a sua profissão, quase como se a ligação o tivesse tirado de um cochilo, algo denunciado pelas roupas amassadas e os cabelos dourados em desalinho.

-Onde ela está? –Perguntou o loiro, vasculhando o amplo apartamento com seus perspicazes olhos castanhos, mas apenas encontrou a face da empregada mais velha e de dois rapazes que entraram logo em seguida.

-Eu vou guia-lo até o aposento da senhorita Swan. –Betha se prontificou a auxilia-lo, caminhando apressada até o seu destino. Jasper a seguiu, desejando chegar até a paciente o mais rápido possível, mas contendo a pressa a fim de acompanhar a senhora.

Angela suspirou aliviada ao ver um jovem rapaz, aparentando ter vinte e tantos anos, adentrar o aposento junto a Betha. Já o vira algumas vezes quando Edward solicitou uma consulta domiciliar: aquele era o doutor Jasper Withlock. Levantou-se da poltrona onde estivera sentada e cumprimentou o loiro, mas os olhos de Jasper estavam atentos apenas a Isabella.

-O que aconteceu? –Perguntou enquanto se aproximava da enferma. Imediatamente verificou a temperatura, preocupando-se quando o termômetro indicou 39 graus. Isabella arfava, os olhos castanhos abriam-se em curtos intervalos, opacos, parecendo nada ver. Respirava com dificuldade, tosses em intervalos curtos.

-Começou com um leve resfriado. A senhorita Swan piorou e nem os remédios ministrados surtiram efeito. –Relatou Angela. Jasper assentiu, verificando os batimentos cardíacos com o estetoscópio retirado da maleta de couro preta.

-Isso não é um leve resfriado, tampouco uma gripe. Preciso leva-la ao hospital para avalia-la melhor e proceder da melhor forma. –Decidiu e viu, com espanto, os olhos dos empregados que ali estavam extremamente cautelosos.

-Precisamos ter a autorização do senhor Cullen para a remoção da senhorita Swan. Ele não ficaria feliz se ela saísse sem o seu consentimento e... –A fala apressada de Erick foi interrompida por um Jasper quase colérico.

-Eu vou garantir o melhor para essa menina, Edward gostando ou não! –Pegou a Swan nos braços, usando o cobertor que a cobria para aquecê-la. Angela o auxiliou, grata pela atitude ousada do médico em desafiar as regras da casa, quando os demais funcionários e até mesmo ela pareciam relutantes em burlar.

Comprimindo Isabella nos braços musculosos, o médico seguiu a toda até o estacionamento do prédio reservado a visitantes onde o seu Audi Q7 Tuning prata estava. Aconchegou a menina no banco do carona, afivelando o cinto. Quando fechou a porta, notou que Angela o havia acompanhado até ali, muito provavelmente se utilizou do elevador de serviços, uma vez que ele utilizou o elevador social apenas tendo como companhia a doente.

-Cuide dela, por favor. E mande noticias ou ficarei preocupada. –Falou num tom apreensivo. A empregada relaxou quando recebeu um caloroso sorriso dos lábios cheios de Jasper.

-Tem minha palavra de que ela ficará perfeita. –Disse antes de entrar no carro e desaparecer pelo portão eletrônico de saída.

Notas finais
Olá gente! Desculpe o desaparecimento, mas o trabalho intenso e cuidados com a saúde me exigiram ficar um pouco mais quieta. Como a greve acabou não sei bem se terei mais tempo livre ou menos tempo, mas estou otimista quando a ter mais tempo para escrever.
O capítulo não saiu como eu esperava, mas ainda sim eu espero que gostem. Ele, a meu ver, está monótono, mas é necessário um pouco de monotonia as vezes para que as coisas façam sentido.
Agradeço a imensa paciência de todos e espero que curtam e comentem. E para deixá-los atualizados eu estou melhor de saúde, em tratamento, para ficar perfeita daqui a algum tempo.
Para compor esse capítulo ouvi muitas músicas então fica confuso dar uma sugestão, mas ouvi principalmente Apocalyptica, que me lembra imensamente da fanfic Sacrifício (eu não a abandonei!) e uma música francesa que apareceu na timerline de um conhecido meu: Noir Désir - Le Vent Nous Portera.
Sem mais delongas até o próximo capítulo.
PS: Prévia logo mais no meu blog.