Um sorriso cruel nos lábios cheios que apreciavam um cigarro de maconha. Caius sentia-se vitorioso, pois tinha nas mãos um pertence que cobiçara desde o dia em que pôs os olhos em Isabella. A menina podia não ser mais virgem, fato este que o enraivecia, mas sádico como era já bastaria o fato dela ter tido apenas um homem em sua vida.

–Eu me pergunto com que cara ficará o idiota quando souber que o bichinho dele está em minhas mãos. –Riu após o comentário jocoso, soltando no interior do Mercedes preto a fumaça do baseado.

...

Caminhava apressadamente para lá e para cá, contendo a vontade de quebrar coisas e socar a parede com os punhos. Aro olhava passivamente para Edward, sem aparentar preocupação com a situação que se desenrolava. Com a idade, Aro desenvolvera uma paciência sem igual, invejada por muitos que o cercavam.

–Acalme-se rapaz. Isabella pode estar em algum lugar do imenso jardim, contemplando a noite estrelada. –Falou num tom brando, algo que Edward ignorou.

–Ela não sairia sem avisar. Eu havia dito para ela ficar sentada, esperando por mim.

–A menina sempre me pareceu arredia. Não acredito que ela o obedeceria cegamente. Você verá que se preocupou a toa. –Continuou a dizer palavras tranquilizadoras ao Cullen, sem efeito. O rapaz sentia que algo não estava bem e estava a um passo de deixar o evento e procurar ele mesmo pela menina em seu carro quando duas batidas quebraram o silencio do escritório do Volturi.

–Senhor Volturi... –Murmurou um homenzarrão, adentrando a sala instantes depois a pedido do chefe. Segredou algumas poucas palavras que Edward não pôde ouvir e saiu. Aro suspirou, levantando-se da poltrona onde estivera sentado. Ajeitou metodicamente o smoking negro enquanto virava-se para um Edward apreensivo.

–Infelizmente os meus seguranças não encontraram a senhorita Swan na propriedade, tampouco a viram sair pelos portões. Se ela fugiu, deve ter aproveitado o descuido de algum convidado e, quem sabe, entrado no interior de algum carro.

–Estamos perdendo o nosso maldito tempo aqui! Já se passou uma hora e meia desde o desaparecimento dela! E eu não acho que Isabella tenha invadido um carro e simplesmente escapado! O seu irmão... –Aro sacudiu os braços, parecendo aborrecido por Edward mencionar o mais novo dos Volturi, claramente culpando-o pelo ocorrido.

–Não culpe o meu irmão sem provas rapaz. Caius deve ter deixado a festa muito antes de a sua garota desaparecer. Além disso, uma fêmea emanando feromônios como aquela chama a atenção de qualquer um que tenha apresso a mulheres requintadas. –O sorriso sarcástico do Volturi conseguiu irritar verdadeiramente o rapaz e foi com um esforço hercúleo que Edward se conteve. Desconfiara das atitudes de Aro desde o inicio, quando fazia questão da presença da menina em eventos, muitos dos quais feitos para um seleto grupo. Em sua mente via o mafioso tramando contra ele pelo irmão predileto, pouco ligando para o que poderia acontecer a Swan nas mãos de alguém psicologicamente perturbado.

–Aro, não importa o que você diz a respeito daquele doente, eu irei procurar por Isabella e começarei pelos locais onde Caius provavelmente está. Pode me ajudar e tornar a minha vida mais fácil, ou não colaborar, mas terá de arcar com as consequências pela sua omissão. –Lançando um olhar enviesado para o patrão, Edward não tardou a se retirar. Para a sua surpresa não somente Aro, como alguns de seus capangas, como o tão odiado Feliz, Demetri e outros, seguiram o jovem.

–Irei auxilia-lo meu jovem. Não quero que me taxe de injusto. Iremos você e eu em meu automóvel. –Acenando para os convidados que o abordavam, Aro Volturi foi se dirigindo a saída. Convocou Alec, seu assessor, e pediu a ele que controlasse a situação enquanto ele resolveria uma pendência sem importância. Edward procurou não se aborrecer com as palavras do homem, caminhando apressadamente até a garagem privativa onde a coleção de estupendos carros importados de Aro estava guardada. Preferiu ir à companhia do homem, não por aprecia-la, mas por que estava com tanta raiva que temia dirigir alterado como estava.

No interior da limusine do Volturi, sendo guiados por um motorista e um segurança que os acompanhava, os dois permaneceram silenciosos. Edward tentava conter a irritação e tensão, sabendo que estava expondo coisas demais ao patrão. Não poderia demonstrar o quanto estava apegado à menina, surpreendendo a todos e a ele mesmo, mas nada pôde fazer para conter a explosão de sentimentos que o tomava.

–Precisamos começar por um lugar Alfred. –Disse em alto e bom som para o motorista ouvir. Edward resolveu se manifestar.

–Por mais que não acredite no envolvimento do seu irmão, recomendo começarmos pelos locais frequentados por ele. Enquanto isso, Aro, me dê o número de Caius e dos seguranças dele. Tentarei falar com algum deles.

–Ele não o atenderá rapaz. Deixe isso comigo. –Sacou o smartphone preto do bolso interno do paletó e discou para o irmão. Procurou manter a expressão neutra ao constatar que o celular de Caius estava fora de área, algo atípico dele. O irmão estava aprontando algo e, levando em consideração as atitudes estranhas nas ultimas semanas em que ele pediu a Aro para convidar a “companheira de Edward”, sendo prontamente atendido pelo irmão anos mais velho, Aro intuitivamente sabia que o loiro estava de fato envolvido com o desaparecimento da Swan. Nem mesmo os seguranças do rapaz, acostumados a atender no primeiro toque o líder da máfia Volturi, respondiam a chamada.

Edward acompanhava a cena, curioso. Apesar da postura impecavelmente neutra de Aro, podia sentir que algo estava fugindo ao controle do homem, deixando uma ruga quase imperceptível na tez lisa, apesar da idade. Tinha certeza que as noticias não eram boas e, para Aro não ter conseguido localizar o irmão, algo ruim estava acontecendo.

–Aro, você sabe melhor do que ninguém os possíveis locais onde Caius costuma ficar. –Sugeriu Edward, alarmado ao constatar que a duas horas Isabella estava desaparecida. Se ela estivesse realmente nas mãos de Caius, que tipo de atrocidades ele já teria cometido?

–Sim, eu conheço alguns dos locais onde o meu irmão costuma ficar. Infelizmente ele poderia estar em qualquer um deles agora, sendo assim teremos que averiguar um por um.

...

Sentia um gosto amargo na boca que não conseguiu identificar. Desorientada como estava, não sentiu as dores nos pulsos e em algumas partes do corpo imediatamente. Pouco a pouco os olhos foram se acostumando a soturnez do lugar e o cheiro de sangue, urina, fezes e mofo a atingiu com o poder de um soco. Imediatamente Isabella vomitou, sujando o lindo vestido, peça exclusiva que Edward conseguira para ela.

O pequeno foco de luz vinha de uma luz fosforescente próxima a porta de metal enferrujada, que iluminava precariamente o pequeno cômodo de paredes sujas e sem piso no chão. Sentiu uma ardência nos pulsos, constatando que estavam amarrados acima da cabeça, presos em uma corrente de aço que ia até o teto. Estava ereta, por isso logo sentiu a dor causada pelos pulsos serem os únicos a sustentar o seu corpo.

–Merda... –Resmungou, tentando clarear as ideias. Os pés, descalços, não conseguiam pisar no chão, o que aumentava ainda mais a dor por estar sendo erguida. A letargia ia se amainando aos poucos, mas quando Isabella pôde olhar mais atentamente para o local desejou que estivesse dopada demais para perceber.

Num canto mais afastado estava uma mulher esquálida, nua, tal qual um etiopiano na época da estiagem. Anormalmente branca, a figura destacava-se contra as paredes negras atrás dela. Os cabelos ralos e a pele marcada por hematomas, alguns em processo de cicatrização enquanto outros jaziam recentes na pele, dava a ela uma aparência doentia. O mais repugnante não era a aparência em si, mas o que ela fazia. Encolhida num canto, mexendo freneticamente as mãos tremulas em direção a boca, a mulher devorava avidamente as próprias fezes.

Percebendo o que acontecia, Isabella não conseguiu segurar o vomito. O corpo pendeu pesadamente nas amarras enquanto a menina sujava-se novamente. Tentou desesperada livrar-se das amarras, mas com as mãos e pés atados nada pôde fazer. Os olhos verteram lágrimas num choro mudo, deixando intacta a maquiagem à prova d’água. A boca, tapada por fita adesiva, soltou pouco a pouco soluços incontroláveis, coisa que a menina não conseguiu conter. Estava tendo um pesadelo terrível, tão ruim quando lembrar-se do dia em que a mãe morreu. Queria acordar, como queria!

Como fora parar naquele inferno, perguntou-se. Sua mente vasculhou fragmentos de lembranças e não demorou a associa-las a uma pessoa: Caius. Ele havia se transformado em uma pessoa completamente diferente quando a menina recusou a sua ajuda e, antes de perder a consciência, sentiu alguém atrás de si, forçando-a a inalar uma substancia que umedecia o pano que lhe cobriu a fronte.

Passos puderam ser ouvidos do outro lado da porta. Isabella arfou, contraindo todo o corpo em uma imobilidade cadavérica. Os olhos achocolatados, dilatados pela semiescuridão da pequena saleta, fixaram-se na porta e com horror viu Caius entrar, ladeado por um brutamontes.

–Ah, acordou! Já estava ficando preocupado, uma vez que clorofórmio não costuma abater uma de minhas caças durante tanto tempo. –Uma outra lâmpada foi acessa e a Swan, após alguns instantes atordoada, pôde ver melhor no quarto. Preferiria ter continuado no escuro, concluiu. O lugar era sujo em cada canto, até o teto. Marcas de sangue, fezes e pequenos animais mortos cobriam o chão enegrecido pela poeira e detritos. A menor teria vomitado novamente se ainda lhe restasse algo no estomago.

Lá estava ele, Caius, ainda impecável no seu traje de gala, com os cabelos loiros em desalinho. Ele a olhava não mais com ternura e solicitude, mas como um leopardo apreciando um antílope. E Isabella encolheu-se, ignorando a sujeira das paredes, temerosa com o que poderia acontecer.

–Bradley, livre-se desse lixo. –Disse ao afrodescendente que o acompanhava, sem desviar os olhos da Swan. O homenzarrão olhou com nojo para a criatura no canto, sacando uma pistola de dentro da jaqueta de couro preta que usava. Sem pestanejar acertou a mulher na cabeça, espalhando parte da massa encefálica pelo piso. Diante de uma cena tão grotesca quanto um assassinato a sangue frio, Bella perdeu a calma, pondo-se a gritar e a se debater enquanto o cadáver era recolhido por Bradley.

Caius acompanhou com prazer estampado na face e no sexo a explosão da Swan. Essa era a parte preferida, concluiu, enquanto via a menina debater-se mais e mais, tentando se libertar. Excitava-se com o desespero das vitimas, seus rostos tomados pelo horror ou pela dor, tanto faz. Desde pequeno fora assim, quando Maldonato Volturi, o patriarca, levava-o para presenciar execuções dos mais variados tipos. Assim o fazia para mostrar aos filhos como a máfia deveria agir com aqueles que causavam algum desconforto aos negócios, mas a verdade é que assistir as sessões de tortura tornou-se um prazer para o menino, que passou de passivo a ativo a partir dos quinze anos.

Josefina era o nome de guerra da primeira de suas vitimas, uma prostituta comprada pelo o pai para servi-lo. Durou apenas uma semana, sendo brutalmente estuprada e torturada no processo. O patriarca não se abalou com o acontecimento, livrando-se do corpo com descaso e dando após alguns meses outra boneca para o filho brincar. Muitas foram as vitimas que pereceram pelas mãos do Volturi mais novo e, agora, ele via Isabella como o mais novo brinquedo, um que ele certamente faria durar apenas para ter o prazer de fazê-la implorar pela morte, como uma espécie de alivio ao que passaria no decorrer dos dias.

–Acho que agora desenvolvemos intimidade o suficiente para eu dizer o que se passou na minha cabeça quando a vi hoje no evento... –Olhou de cima a baixo o diminuto corpo, lascivo. –Está deliciosa! Tive que me conter para não ataca-la ali mesmo, e submetê-la as mais diversas posições, putinha.

Olhou para a figura diante de si, encontrando dificuldades para acreditar que aquele era o rapaz solicito de dias atrás. Agora tudo o que via era alguém diabólico que provavelmente a deixaria em miséria, transformando-a em algo tão grotesco quando a menina com quem dividira o pequeno quarto minutos atrás.

–Então... Você está linda nesse vestido, mas quero muito saber o que se encontra por baixo dele. –Os olhos queimavam de tão intensos e Caius se aproximou, ignorando a menina que parecia querer fundir-se a parede. Sacou um canivete afiado, causando um temor ainda maior na Swan ante a possibilidade de ser ferida.

Encontrou dificuldades para manter a menina parada e fazer o que pretendia e, enraivecido, capturou o rosto com uma mão, apontando a faca diretamente em um dos olhos de Isabella.

–Escute aqui, sua vadia do caralho, se não ficar quieta vai perder esses lindos olhinhos! –E a ameaça paralisou a menina, deixando Caius extasiado com a concessão.

Olhando para os orbes castanhos enquanto um sorriso malicioso estampava os lábios, o loiro pegou o canivete, aproximando-se perigosamente da pele branca como alabastro. Com um movimento rápido, cortou o vestido de cima a baixo, deixando a menina apenas com o conjunto de lingerie tom pastel. Isabella gritava e tentava se esquivar das mãos que a tocavam, mas nada pôde fazer para impedi-lo.

Segurando a peça em ruínas na mão esquerda, Caius contemplou o corpo seminu que se apresentava a ele. Suspirou como um menino diante de um brinquedo a muito desejado.

–Nenhuma das mulheres com quem eu estive se comparara a você. Geralmente estavam deterioradas demais pelas drogas ou outros homens com quem estiveram, as vagabundas. Mas você... –Apesar de ser repelido, tocou com estranha gentileza o corpo alvo diante de si, acariciando-o com a ponta dos dedos.

Deliciado com a pele imaculada, Caius disse:

–Desta vez serei gentil, mas peço que não se acostume com isso. Sou inconstante demais para manter um padrão. Considere isso uma recompensa por ter, de certo modo, facilitado a minha aproximação. –Com um braço enlaçou a delgada cintura, colocando os dois corpos colados. Aspirou sem pudores o perfume oriundo daquela fêmea e sentiu-se salivar. Afastou o rosto da curvatura do pescoço, olhando diretamente para a menina que ainda derramava incontáveis lágrimas, embora não emitisse mais nenhum barulho. Viu o terror no mar cor de chocolate e congratulou-se.

–Eu vou beija-la. Peço para que não grite por que isso só causaria uma coisa: minha irritação. Não há ninguém para ouvi-la, pelo menos não alguém disposto a ajuda-la com o salário que recebem. – Segurou o rosto entre as suas mãos com aparente delicadeza, puxando o rosto feminino em direção ao seu. Desejava aquele óculo desde o dia em que pôs os olhos em Isabella no evento onde fora leiloada e estava extasiado por finalmente conseguir satisfazer os seus desejos.

Os lábios de Isabella eram como o loiro imaginava, macios e adocicados. Queria experimentar muito mais daquela boca, mas foi brecado pela menina ao receber uma forte mordida, machucando o lábio inferior e arrancando sangue.

–SUA MALDITA VADIA! –Gritou ao se afastar, dando a garota um forte soco no rosto. A menina, devido ao impacto, pendeu para baixo, sendo sustentada pelas amarras nos pulsos. Sentiu a letargia domina-la, indicio de um desmaio, mas não conseguiu perder a consciência por completo. Ainda pôde ver, mesmo que parcamente, o loiro levar a mão ao machucado, limpando o sangue que havia ali. Tomado pela fúria, Caius puxou os cabelos da Swan, fazendo a menina encara-lo.

–Eu tenho a seguinte política, como membro da família Volturi que sou. Eu devolvo em igual proporção o dano que me causam! –E, após dizer isso, desferiu uma violenta mordida no ombro esquerdo de Isabella, retirando-a da letargia e arrancando um grito agoniado da jovem.

Isabella, acuada, debateu o corpo com violência enquanto gritava audivelmente. Caius pegou o pedaço de fita, cobrindo com rudeza a boca da morena. Riu como um maníaco e Isabella, diante de situação tão terrível, urinou-se. Sentindo a umidade que manchava a calça social, Caius novamente perdeu o controle, desferindo um soco no estomago de Isabella. O impacto a deixou incapacitada, amortizando o pesadelo em que vivia naquele momento.

–Puta, manchou os meus sapatos! Isso é couro italiano, sua vagabunda! –Empurrou violentamente o corpo da menina contra a parede, arrancando um grunhido agoniado.

O Volturi mais novo fez menção de pegar o canivete que havia guardado no bolso da calça social, pois pretendia usá-lo para arrancar a lingerie que cobria Isabella e estupra-la horas a fio, mas algumas batidas na porta de metal o impediram. Enraivecido com as insistentes batidas, caminhou a passos pesados até a porta, abrindo apenas uma pequena fresta.

–Seu negro burro! Eu não disse para não me atrapalhar? –Inquiriu contra Bradley, recebendo do homenzarrão um olhar raivoso pelo tratamento hostil dispensado a ele. Ainda sim não rebateu o patrão, querendo poupar a sua cabeça. Trabalhava como serviçal de Caius Volturi a tempo demais para saber o que acontecia a pessoas que o desagradavam de algum modo.

–Desculpe chefe, mas o senhor Aro...

–Diga para ele que não sabe onde eu estou! Disse para não atender a merda do celular! –Gritava ensandecido o jovem, espremendo nos dedos magros o cabo de couro, talhado com pequenos rubis, do canivete.

–Ele não está ao celular chefe. O senhor Volturi está aqui diante da chácara.

–INFERNO! –Sacou o pequeno celular prateado, diferente do celular que entregara certa vez a Bella, discando o número do irmão. Desorientada como estava, pouco captou da conversa, principalmente por que o rapaz falava italiano do outro lado da linha. Olhou para a pequena fresta que daria acesso a saída daquele inferno e quis ter forças para sair. Não a encontrou. Sentia-se fraca, tomada por um esgotamento físico e mental. Mal conseguia mexer-se após o soco desferido pelo menor no seu estomago.

Após uma calorosa discussão com o irmão mais velho, Caius suspirou derrotado. Abriu completamente a porta do quarto, fechando-a em seguida.

–Resolverei eu mesmo a situação. Fique aqui. –Caminhou a passos firmes até o final do corredor, usando a escada de acesso aquele espaço. Subiu vários degraus em direção à casa principal, uma luxuosa choupana que adquirira ilegalmente de uma divida de drogas. Logo estava na porta dupla de mogno e encontrou o irmão, mais alguns homens de confiança esperando-o na entrada da casa.

Edward mantinha-se afastado, sentindo os punhos queimarem em ódio. Tinha certeza, após uma breve conversa com Aro enquanto procuravam por Isabella e Caius, que fora aquele jovem o responsável pelo desaparecimento. Não somente isso, como também Aro parecia ter sido conivente com o ato. Lembrou-se da conversa que tiveram quarenta minutos atrás, quando haviam fracassado em encontrar Caius em uma boate muito frequentada pelo mesmo.

–Ele não está aqui. –Anunciou Aro após conversar com alguns dos seguranças do local. Edward crispou os lábios em irritação.

–Disse que muito provavelmente Caius viria para essa boate. –Inquiriu ao mais velho.

–Meu irmão pode ter mudado de ideia. Ele é um ser bem inconstante. Monte Albano é a danceteria preferida dele, por isso decidi vir para cá após chegar o seu apartamento. Eu me equivoquei. –Falava num tom despreocupado, ignorando o fato de que os dois corriam contra o tempo. Quatro horas haviam se passado desde o desaparecimento de Isabella e a mente do rapaz trabalhava furiosamente, inevitavelmente pensando no que o sádico Volturi já poderia ter feito. Tremia, furioso, só de pensar nas mãos magras tocando Isabella, brincando com ela tal qual fizera com outras desafortunadas. Soubera da pratica masoquista do irmão mais novo de Aro por alto, mas fora o suficiente para causar asco. Agora, ante a possibilidade de a Swan sofrer pelas mãos dele, sentia uma fúria sem precedentes.

–Precisamos ir a algum outro lugar. Certa vez você comentou comigo sobre uma pequena choupana adquirida por ele fora da cidade. Talvez o seu irmão...

–Edward, meu caro, não há certeza de Caius estar com Isabella. Ela pode ter fugido, como sugeri.

–Não haveria meios de ela sair sem ser detectada e você sabe disso! –Esbravejou o rapaz, encarando com desconfiança o patrão. Aro passou os últimos dias com atitudes suspeitas, fazendo Edward acreditar que poderia estar do lado do irmão. Pensando melhor as coisas faziam algum sentido se analisadas com calma. Aro poderia até estar envolvido com o desaparecimento da Swan e tudo o que fazia agora era pura falácia.

–Sinto que deseja me dizer algo rapaz. –Especulou Aro, acenando para um dos seus subordinados. Demetri aproximou-se, sabendo o que o seu líder queria. Retirou um cigarro de dentro da sobrecasaca negra, colocando-o na boca do Volturi. Acendeu o cigarro com um isqueiro de prata, presente do “bondoso” chefe.

Pensou em dizer as suas suspeitas e acusar Aro de voltar-se contra ele, mas se conteve. Suspirando, virou-se de costas.

–Temos que ir. Há muitos lugares a serem vistos. –Começou a caminhar para a saidea sentindo a cabeça latejar pelas luzes e barulho ensurdecedor daquele local. As palavras de Aro, todavia, o brecaram.

–Espere Edward. Antes de tudo, peço que não considere as minhas próximas palavras como um atestado de que o meu irmão esteja envolvido com o desaparecimento da sua menina. –Aro se aproximou de uma gigantesca poltrona próxima a ele, sentando-se. –Mas eu estive pensando... O que acha de me devolver à menina? Eu pagaria o valor dado por você por ela, claro. Não, muito mais do que isso, eu daria o dobro a você! O que acha? É uma oferta generosa, levando em consideração que a menina não é mais virgem. –Sorria tranquilo enquanto propunha o acordo, parecendo esperançoso com a aceitação de Edward. Lego engano.

O rapaz sentiu o corpo todo tremer diante de tamanha afronta e confirmou, naquele instante, todas as suas suspeitas. Quis voar em Aro e exigir que lhe dissesse onde Caius estaria com Isabella, mas novamente a razão se sobressaiu, impedindo-o de fazer alguma loucura.

–Por que quer compra-la? –Perguntou desnecessariamente, antevendo o que o Volturi responderia. Aro, porém, preferiu ocultar o seu real desejo ao querer adquirir a Swan.

–Meu rapaz, eu prevejo uma grande dor de cabeça a você por culpa dessa garota. Ela precisa de alguém com um pulso mais firme para controlá-la.

–E de quem seria esse pulso firme? Do seu irmão Caius? Nós dois sabemos como ele tentaria controla-la e usaria mais do que um pulso firme. Provavelmente o faria com o uso de armas brancas! Isabella é minha por direito! Eu a comprei legalmente! Exijo que o acordo seja mantido Aro! Ela deve retornar para as minhas mãos e deve ser antes que o maldito Caius a toque! –A obstinação de Edward conseguiu provocar algo no intimo do Volturi. Ele não iria aceitar quaisquer propostas feitas naquela noite e parecia mais sensato a Aro simplesmente leva-lo até onde a Swan estava com o irmão. Assim o Volturi fez, tendo ao lado um Edward muito mais sombrio que outrora. Edward desconfiava do patrão e, agora, Aro sabia disso.

–Fratello (irmão), o que faz aqui? Não deveria estar em sua festa? –Sorriu para Aro, aparentando tranquilidade. Aquela postura, todavia, não convencia Edward.

–Vim resolver uma pendência que exigiu a minha presença, caro fratello. Mas tão logo eu resolva este “mal entendido”... –Procurou frisar a palavra, dando a certeza de que desacreditava na acusação de Edward. –Voltarei ao baile.

–ONDE ELA ESTÁ? –Bradou irado o Cullen, interrompendo o dialogo dos irmãos. Caius o olhou com indiferença.

–Do que está falando Cullen?

–Sabe muito bem de quem eu estou falando! Isabella está aqui e eu não sairei sem ela! –Queria correr até o loiro e esmurra-lo a valer, mas ele ainda era o irmão predileto de Aro, portanto não poderia tomar atitudes precipitadas que poderiam prejudica-lo. Claro que não ajudava ver um sorriso malicioso em Caius, parecendo divertido com a situação.

–Eu não sei de absolutamente nada a respeito dessa tal de... Como é o nome da principessa (princesa)? –E vendo aquela postura tão arrogante, achando graça no desespero alheio, o Cullen estourou.

Correu como um touro enfurecido de Madri, segurando num átimo o Volturi mais novo pelo paletó. Praticamente o ergueu, encarando os olhos castanhos num tom estranhamente rubro, algo característico da família Volturi. Ainda que estivesse sendo coagido por alguém indiscutivelmente ameaçador, Caius parecia zombar do Cullen e tinha motivos para tanto. Ele bem sabia o quanto Edward temia o irmão mais velho e líder da máfia italiana.

–Ora ora como está nervosinho! O que vi fazer, pezzo di merda (monte de bosta)? Presto, il più vile degli uomini che lavorano per mio fratello (Logo você, o mais covarde dos homens que trabalham para o meu irmão).

–Caius, meu fratello, entregue a menina Swan a Edward. Ela pertence a ele por direito. –Anunciou Aro calmamente. O loiro, todavia, mostrou-se completamente irado. Pouquíssimas foram as vezes que não teve seus desejos atendidos pelo irmão e não entendia por que lhe era negado a menina que tanto desejava. O que ampliava a sua irritação deveras era o fato de Edward, o queridinho de Aro Volturi com quem sempre disputou atenção, ser aquele que levaria o grande prêmio.

–Aro, você disse que... –Murmurou o loiro com a voz esganiçada.

–Edward não deseja revende-la, mesmo eu oferecendo uma grande soma de dinheiro. Apenas devolva a menina a ele, pois não desejo que esta situação se estenda mais do que o necessário. –O tom de voz do Volturi mais velho do local ainda era suave, mas em seus olhos podia-se ver certa severidade.

Sabendo que nada dissuadiria o irmão a tomar uma posição ao seu favor, Caius entregou os pontos. Com um safanão afastou as mãos de Edward e, caminhando em direção ao seu carro, disse:

–Pode levar a vadiazinha. Prefiro mulheres com mais experiência e não uma imprestável que sabe apenas chorar como uma idiota. –Caius ouviu passos apressados em sua direção, mas, mesmo assim, não esperaria o que veio a seguir. Edward o golpeou na face com força o suficiente para quase derruba-lo e continuou a agredi-lo após o primeiro soco, necessitando arduamente descarregar em Caius a raiva que sentia pela situação ao qual Isabella fora submetida. Ainda sim, o Cullen sentia que nem toda a violência com que empregava nos golpes poderia aplacar a fúria de ter a sua preciosa boneca suja pelas mãos do Volturi mais novo.

Em um dado momento, quando já havia arrancado demasiado sangue do rapaz, foi afastado por um dos seguranças de Aro com certa brusquidão.

–Chega Edward. –Aro se manifestou, olhando impassível para o irmão caio do chão. –Vá pegar o que é seu. Demorei demais resolvendo esta situação. –E viu o empregado adentrar rapidamente a pequena chácara.

Caius, atordoado pelos inúmeros socos levados em sua face, fitou o irmão a poucos metros. Incredulidade era o que sentia por ter sido agredido pelo o que ele intitulava “cachorrinho dos Volturi” e por Aro ter permitido tal coisa.

–Aro... Por que deixou que ele me batesse? –Falou sofregamente, sentindo um gosto amargo de sangue na boca.

–Por que eu o amo demais para aplicar um corretivo em você, fratello. Que fosse Edward, e não eu, a fazê-lo.

...

Podia ouvir os passos do segurança fora do cômodo onde estava. Isabella tremia violentamente, pelo frio e pelo medo. Morreria, ela bem sabia, mas não desejava sofrer no processo. Sentiu, inclusive, arrependimento por não ter deixado os subordinados de Aro Volturi acabar com a sua vida de forma rápida e indolor quando teve a chance.

Sentia frio, cansaço, dor nos locais onde foi agredida e, principalmente, uma dor emocional excruciante. Os pulsos, mais e mais machucados por sustentar o corpo, pareciam querer romper. Os olhos, turvos pela quantidade abundante de lágrimas, pareciam ainda mais cegos, apesar da pequena lâmpada incandescente do local. Apesar da situação trágica, sentia-se melhor por Caius não está ali, mas até quando ele ficaria longe?

Passos foram ouvidos do outro lado da porta entreaberta e mais de uma voz se manifestou. A Swan encolheu-se, imaginando ser Caius e, por alguns instantes, todo o seu corpo se paralisou. Até a sua respiração cessou, para logo mais voltar num ofegar louco. O coração batia descompassado e o corpo, tomado por espasmos nervosos, debatia-se violentamente, na tentativa de se livrar das amarras dos pulsos e pés. Fechou os olhos, não querendo ver as madeixas loiras e olhar frio do seu algoz. A voz, engasgada, soltou murmúrios roucos, abafados pela fita adesiva que cobria a sua boca. Queria desmaiar e achou que, mais cedo ou mais tarde isso aconteceria, mas tudo estava suspenso. O seu corpo não agia como ela queria e não poder contar com essa proteção a sua mente a desesperou ainda mais.

Mãos quentes a tocaram e ela tentou lutar contra o seu captor. Uma voz soava ao longe, mas ela, desesperada como estava, parecia não ouvir. Debateu-se violentamente, querendo agredi-lo. Se fosse para morrer, Caius Volturi pagaria de algum modo pelos abusos sofridos e que iria sofrer.

–Isabella! –Edward bradou mais alto, tentando imobiliza-la e evitando assim que a menina se machucasse ensandecida como estava. A cena em si, vê-la dependurada, nua e machucada já havia causado choque demais. Ser atacado por ela, todavia, conseguiu deixa-lo mais abalado. Mesmo contra a vontade da menina, Edward a enlaçou com um braço, tentando conte-la. Notou que estava amarrada e ele, despreparado, não tinha nada que pudesse liberta-la. Sabia que o segurança de Caius estava na porta, temeroso como um cãozinho.

–VENHA CÁ SEU LIXO! –Gritou, sendo prontamente atendido. Ainda tentava conter o susto de Isabella sem muito sucesso. Provavelmente ele, e principalmente ela, ficariam machucados no dia posterior. Contudo o Cullen não se importava. Enternecido como estava ante a presença da menina e aflito pela sua triste condição da Swan, ele só se importava com ela. Quantas feridas, físicas e mentais, o psicopata loiro havia infligido durante o tempo em que a Swan esteve em seu poder?

O segurança, temeroso por toda aquela explosão apesar do tamanho avantajado, retirou um canivete do bolso de sua calça jeans. Como Edward estava ocupado tentando conter Isabella, coube a ele retirar as amarras de Isabella e, ao fazer isso, vê-la despencar nos braços do rapaz, convulsa.

–Isabella! Isabella! Sou eu! Sou eu! –Tentou fazê-la olhar para ele e, após uma árdua luta, conseguiu.

A Swan estacou, parecendo finalmente perceber que a pessoa ali era Edward e não Caius. Ainda tremula e com a respiração e batimentos cardíacos erráticos, sentiu uma segurança sem precedentes. Contemplou o rapaz e viu nele um porto seguro que nunca vira desde que passou a conviver forçadamente com o Cullen. Ela o viu, apesar de ainda estar atordoada, como o seu salvador.

–Edward! –Gritou, abraçando-o. Voltou a chorar copiosamente enquanto as mãos, agora no pescoço do rapaz, tentavam fundir os corpos ao aproxima-los mais e mais. E o jovem Cullen, sentindo o desespero tangível dela. Naquele momento, a Swan de língua ferina e olhar desafiador que conhecia cedia espaço para uma menininha desamparada, se prendendo ao primeiro adulto que via. Ela precisava chorar nos braços de alguém enquanto tentava afugentar um pesadelo e o rapaz sentiu certa... Ternura. Sim, ternura por ele ser aquele que proporcionaria segurança a ela.

Envolveu os braços ao redor dela toda, mantendo a menina colada a ele. Deixou que ela escondesse o rosto na curvatura do seu pescoço, arruinando assim o seu colarinho com as infindáveis lágrimas.

–Está tudo bem. Vai ficar tudo bem. Estou aqui com você agora. –Ele entoou enquanto acariciava as costas da menor num movimento ritmado. Sentindo o corpo que abraçava tremer também pelo frio, uma vez que estava apenas de lingerie, o rapaz retirou com certe dificuldade o casaco preto, cobrindo a menina o melhor que pôde. Isabella continuou presa nele, sentindo um medo sem igual em cada fibra do seu corpo. Estranhamente o calor que a envolvia, acompanhada de braços fortes, e o cheiro de perfume caro, masculino, pôde acalma-la um poupo, dar uma certeza de que agora Caius não voltaria a feri-la.

Após alguns instantes longos demais, ele se permitiu estudar, ainda que precariamente, a condição da moça. Seminua, tinha uma marca de mordina em um dos ombros, provavelmente feita pelo Volturi mais novo. Estava suja, de vomito e urina, e ele não quis pensar muito no que o maníaco poderia ter feito para o corpo dela reagir desse jeito. Levantou-se, com Isabella nos braços, ainda entoando palavras de conforto.

–Vai ficar tudo bem. –Ele dizia enquanto se movia para longe. Tentou não olhar para o segurança de Caius, ou o cadáver de uma mulher que muito provavelmente fora torturada até enlouquecer, que estava na porta do imundo quarto. Ele, ainda que acostumado à violência, não conseguia absorver com racionalidade situações como aquela. Para a Swan, ele refletiu, era bem pior.

Caminhou apressadamente para a saída, tentando manter Isabella naquele casulo formado pelo pesado casaco que vestira nela e os seus braços. Ele não queria, de forma alguma, que Isabella voltasse a ver Caius, ainda atordoado pelos golpes recebidos e sendo tratado por um dos homens de Aro no gramado da casa.

Lançou um olhar enviesado para o rapaz e, em seu intimo, Edward queria voltar a ataca-lo até deformar completamente o rosto alvo do loiro. Ainda sim, ele admitiu, não conseguiria aplacar toda a raiva que estava sentindo. Raiva pelos atos cruéis de Caius para com uma criatura tão indefesa como Isabella e raiva pela suposta conivência do irmão. Os Volturi eram, sem a menor sombra de duvidas, cobras peçonhentas que mereciam queimar no inferno.

Aproximou-se de Aro o suficiente para se fazer ouvir, tentando expor o mínimo de pele da menina em seus braços.

–Quero um carro com motorista para nos levar aonde eu desejar. –Inquiriu. Aro continuou na sua velha passividade.

–Sim, pequeno Edward. Vá com o meu carro. Alfred o levará aonde desejar. Vemo-nos amanha. –Sorriu. O Cullen não ficou lá para ver o sorriso de gesso do seu patrão e sentir a já conhecida ânsia de vomitar pela falsidade sentida.

Já dentro da limusine, com Bella sentada no seu colo e aninhada em seus braços, ele perguntou:

–Isabella, diga-me: ele a tocou? Tocou intimamente em você? –Não quis usar o termo “estuprar”, embora fosse o que realmente queria dizer. A bile subiu até próxima da garganta só de imaginar a menina sendo violada com brutalidade por Caius. Como a menina continuava a chorar baixinho, ainda encolhida contra o corpo do maior, Edward se viu compelido a retirar com delicadeza o rosto enterrado no seu pescoço para fazê-la olhar para ele.

–Eu só poderei ajuda-la se souber o que houve. Conte-me. –Sua voz soou implorativa, conseguindo fazer a Swan ceder aos seus apelos. Ela ergueu as pequenas mãos, tremulas, tentando enxugar os olhos e enxergar com mais clareza enquanto fungava.

–Ele não me estuprou. Ele... Ele me bateu. –Falou numa voz sôfrega, fazendo o possível para se controlar e falhando miseravelmente.

–Quer que eu a leve para um hospital? Ou talvez eu possa ligar para o meu médico particular e...

–Não. Quero ir para casa. –Voltou a achegar-se em Edward e ele, entendendo as necessidades da pequena sem que ela as verbalizasse, voltou a enlaça-la com força em seus braços. O rapaz sentiu alivio pela menina parecer estar mais calma, mas sabia que a situação era grave o bastante para deixa-la instável e, assim, fazer com que a qualquer momento ela surtasse. Por isso, mesmo que não fosse da sua atual natureza, ele voltou a ser o Edward doce de outrora, um Edward que fora sepultado junto à mãe anos atrás.

–Leve-me para casa. –Ordenou ao motorista, para logo mais salpicar os cabelos bagunçados de Isabella com beijos. Entoava um “vai ficar tudo bem” durante o trajeto e esperava que ela, de alguma forma, acreditasse nas suas mentiras açucaradas.

...

A urgência do patrão quando ligou para a casa fez Angela colocar-se de pé antes do horário. Vestiu um hobby por cima do pijama de listras e ficou prostrada na porta de entrada. E antes que pudesse formular alguma teoria acerca da voz tensa do Cullen ao telefone, o próprio passa pela porta de entrada, carregando nos braços uma tremula Isabella. Quis perguntar o que havia acontecido, mas Edward não lhe deu espaço.

–Acompanhe-me. Isabella precisará de cuidados. –Caminhou apressadamente até o aposento da menina, sendo ladeado pela empregada. Foi diretamente ao banheiro, uma vez que Isabella ainda estava suja, e tratou de deixar a Swan sentada enquanto ligava o chuveiro na água morna.

–Angela, ajude-a a tomar um banho. –Ordenou, fazendo menção de deixar o quarto. Isabella, todavia, o agarrou pela mão.

–Não me deixe sozinha! Fique aqui, por favor! –Implorou enquanto os olhos castanhos vertiam novas lágrimas.

–Você não ficará sozinha. –Disse o Cullen brandamente, afagando a mão que o segurava pela manga do paletó. –Angela irá auxilia-la. Pegarei algo para você tomar, assim não sentirá nenhuma dor e poderá dormir mais tranquila.

–Não! Fique aqui! –Implorou e Edward ficou desarmado diante de tamanha vulnerabilidade. Isabella o segurava com força, implorando com palavras e gestos o quanto queria Edward ali, para protegê-la de perigos que somente ela via. Ele simplesmente não se viu com forças para contrariá-la.

–Angela, traga um copo de água, um analgésico e um calmante para ela. –Pediu enquanto ajudava a menina a levantar. Isabella olhava para a água que caia abundante, ausente, enquanto o Cullen retirava o paletó, deixando-o em um cabide, e dobrava as mangas da camisa social branca.

–Vamos tirar esse casaco. –Evitou ao máximo tocá-la, sabedor de que, naquele momento, um toque masculino era o que menos Isabella iria querer. Pendurou a peça no cabide junto ao seu paletó e sentiu certo desconforto por não saber como proceder em seguida.

Isabella entrou no Box e coube a Edward ligar o chuveiro, colocando-o em uma temperatura morna. Ela retirou apressadamente as peças do lingerie e Edward evitou olhar para ela, sentindo-se desconfortável. Virou-se de costas, incerto se deveria permanecer ali ou não. Como ela havia suplicado para que permanecesse, Edward sentou no vaso sanitário e encarou o chão.

Na mente do Cullen lembranças do que presenciara vinham a todo o momento, atormentando-o. Uma porta que dava acesso ao porão escuro, úmido e fétido. O cheiro insuportável enquanto caminhava até um dos últimos cômodos. O corpo do que um dia poderia ter sido uma linda mulher, ensanguentado devido ao tiro na cabeça. E uma menina pendurada pelos pulsos, seminua, que tremia violentamente.

Mesmo que já tivessem se passado vários minutos, ele ainda sentia o corpo arder pela raiva sentida. Muitos foram os pecados e transgressões cometidos pelo Cullen e, por esse motivo, até aceitava as punições infringidas a ele. Isabella, todavia, apesar do gênio forte, era alguém essencialmente boa, não merecedora de nenhum tipo de abuso. E por pensar assim, naquele instante, se odiou por ter sido ele um dos primeiros a machuca-la.

Olhou para o lado, vendo Isabella ensaboar-se com violência na tentativa vã de limpar o corpo e retirar os vestígios do que sofrera. Achou melhor intervir, entrando novamente no pequeno espaço e retirando com delicadeza a esponja utilizada pela Swan.

–Vai ficar toda machucada desse jeito. Se for esfregar assim então eu mesmo farei isso, ou pedirei a outra pessoa. –Tentou empregar um tom de comando e Bella, vulnerável como estava, acatou sem titubear. Coube a ele então ajuda-la naquele ato tão simples e intimo, estranhamente não sentindo a excitação por tocar um corpo feminino desejável. Ele sentia-se apenas apiedado por ela, que parecia tão desnorteada e triste quanto a sua mãe estivera após sair das garras de Eleazar Denali. E ele sentia a mesma urgência em cuidar dela, garantindo que nada nem ninguém voltassem a perturba-la.

Por alguns minutos os dois permaneceram em silencio e Edward cuidou para que a pele diante de si estivesse a mais limpa e perfumada possível. Evitou esfregar o ferimento causado por uma mordida no ombro, passando levemente a esponja com sabonete liquido em toda a extensão do corpo. Ajudou a pequena a desfazer o penteado, lavando os cabelos com um shampoo disponível ali. Quando Isabella estava devidamente limpa, desligou o chuveiro e a embrulhou cuidadosamente com uma toalha.

Ainda fungava baixinho enquanto os olhos vertiam silenciosas lágrimas. Isabella não se recuperaria tão cedo e Edward lastimou-se por isso. Sentou a menina na cama e tratou de enxuga-la com a mesma paciência com que a ensaboou.

Angela entrou pouco depois, trazendo agua e medicamentos. Bella os engoliu com voracidade, desejando entregar-se a letargia dos remédios. Edward enquanto isso pegava uma camisola de seda marrom, vestindo a menina logo em seguida e cuidando do ferimento causado por uma mordida de Caius no ombro. Congratulou-se por Isabella parecer mais calma, mas testemunhou a sua histeria novamente quando fez menção de sair do aposento.

–Eu a deixarei descansando. Tenho certeza que amanhã estará bem melhor. Se precisar de alguma coisa eu estarei no meu quarto e... –Ao se levantar enquanto proferia essas palavras, uma mão o deteve, puxando-o pelo punho da camisa social. Isabella não o encarava, mas, ao observa-la sentada com o rosto abaixado, pôde ver filetes de lágrimas cortando o seu rosto. Ela inspirava piedade e Edward se viu aceitando o pedido murmurado antes dela verbaliza-lo.

–Fique aqui esta noite. Eu... Eu não quero ficar sozinha. –Levantou o rosto, encarando os orbes esmeraldinos. Suplicava com o olhar, tocando profundamente o homem a sua frente. A menina, em seu intimo, sentia-se desconcertada por mostrar tamanha fraqueza aquele homem, porém não conseguiu ignorar suas necessidades maiores por culpa do orgulho. Ela sentia um medo terrível, acreditando que Caius, por mais impossível que fosse, poderia surgir de lugar nenhum e sequestra-la novamente. Talvez se Edward permanecesse, nada poderia acontecer a ela.

O rapaz estava esgotado, necessitando de uma chuveirada, mas ignorou o melhor que pôde as suas necessidades para atender a Swan. Ele devia isso a ela, afinal.

–Tudo bem. Ficarei aqui até que durma. –Viu a menina suspirar aliviada, como se a presença dele fosse ser um balsamo para as feridas, tanto físicas quanto psicológicas, que insistiam em doer. Isabella ajeitou-se na cama, dando espaço para o rapaz deitar também. Não pretendendo passar a noite ali, ele empilhou algumas almofadas e sentou-se, recostando-se na pilha feita, deixando o corpo parcialmente deitado.

Sem cerimônia, a Swan aconchegou-se nele todo, abraçando-o sem pudor. Enterrou o rosto no pescoço masculino e relaxou imediatamente. O rapaz conseguiu puxar o edredom, cobrindo-a, e a envolveu com os braços. Enquanto uma mão repousava nas costas da Swan, a outra tratou de acariciar-lhe as madeixas. Os orbes verdes observaram sorrateiramente a menina, demonstrando toda a tensão e preocupação ainda sentidas por aquela menina tão frágil e, agora, amedrontada. Foi por pouco, pensou. Se ele tivesse chegado um pouco mais tarde, Caius teria cometido mais atrocidades a Isabella poderia nunca mais ser ela mesma, transformando-se em uma figura apática muito parecida com o que Esme, mãe de criação do rapaz, se transformara.

Ele definitivamente não queria isso para a pequena.

–Sinto muito. Eu deveria ter cuidado melhor de você. –Disse enquanto continuava a acariciar os cabelos da menor. –Mas eu prometo que algo assim não voltará a acontecer, nem pelas mãos de Caius e... Nem pelas minhas mãos. –Prometeu. Não voltaria a tocar em Isabella, a não ser que tivesse o devido consentimento. Ele não seria, nunca mais, um algoz para ela.

Suas palavras provocaram o choro imediato de Isabella, que foi se intensificando mais e mais. Apertou ainda mais o corpo que ele envolvia, alternando entre caricias no couro cabeludo e pequenos beijos na testa e cabelos.

Logo os remédios tomados fizeram o seu efeito e, um pouco antes de amanhecer, Isabella adormeceu. Edward pretendia deixa-la ali e voltar para o seu quarto, mas uma força maior pareceu prendê-lo ali. Não queria mexer-se e despertar a menina; não queria deixa-la desamparada. Por isso permaneceu fielmente ao seu lado, ainda mantendo o corpo feminino colado ao seu, mesmo que a Swan não estivesse consciente para protestar caso ele a afastasse. Continuou a acariciar-lhe os cabelos até que, inesperadamente, o cansaço o atingiu em cheio.

Um sono pesado que prometia pesadelos, mas estava tudo bem. Tinham um ao outro para aquecer e consolar e, naquele momento, nada era mais forte do que essa certeza.


Notas finais
Oi gente! Peço desculpas pela demora, mas a minha vida tá uma loucura por culpa dos trabalhos acadêmicos e do meu trabalho. O Capítulo foi curto, mas espero que agrade.
Agradeço por ter leitores tão pacientes comigo. Eu sei que não mereço tamanha paciencia. :)
O capítulo é um presente para todos e todas, mas eu me darei o luxo de dedicá-los a algumas pessoinhas:
Dedico a lídia dinha que fez niver no dia doze e me ameaçou de morte caso eu não dedicasse. He he he! (Isso vale para todos os aniversariantes do mês de julho). PS: Brincadeira amiga, você sabe que amo você!
Dedico a minha amiga Eliana do Paraná com quem tenho falado pouco. Saudades de você> :(
Dedico a miga Lara Almeida com quem também tenho falado pouco, mas que a amo do fundo do meu coração.
Dedico ao meu sobrinho que daqui a nove meses nascerá. (Sim, a novidade do ano, eu serei tia. )
E dedico a miga Thaty Francelino que me mandou uma caixa linda cheia de presentes legais. Adorei os chocolates (que acabaram no mesmo dia), o marca-texto (que estou usando dentro do livro EANOC da Jane Herman), a caixa de presente (meu irmão implorou para que eu a desse para ele), o caderno personalizado onde anotarei meus poemas, os livros, a bolsa que eu usei hoje e o cartão escrito a mão. Adoro você amiga! Logo logo a sua caixa estará ai.
Beijos a todas. Comentem, divulguem, etc e etc. Fiquem atentos ao meu blog, twitter e facebook que poderei postar a qualquer momento uma prévia!