Sweet Slave
13 Capítulo 12
Um ruído soava, ao longe, mas o cansaço o impedia de investigar o que acontecia ao seu redor. Estava deveras confortável, sentindo sobre si um calor reconfortante. Ele bem sabia tratar-se de um corpo feminino, mas a letargia o impedia de pensar em quem poderia estar aconchegada ao corpo dele.
Logo o toque polifônico do seu celular, ainda no bolso interno do casaco que se encontrava pendurado no banheiro, tornou-se insuportável. Edward despertou por conta disso, encontrando primeiramente o teto de gesso, para logo mais ver uma menina com a cabeça recostada em seu peito, ressonando tranquila.
Não queria que ela acordasse com o barulho insistente, uma vez que a menina pouco dormiu. Mesmo estando cansado e confortável, procurou retira-la de cima dele, a contragosto, tentando não mexê-la mais do que o necessário. Após deita-la na cama, Edward foi até o banheiro, fechando a porta assim que passou por ela. Atendeu ao celular sem verificar quem ligava àquela hora.
–Cullen falando. –Murmurou com a voz refletindo o cansaço físico e mental ao qual estava mergulhado.
–Imagino que algo deva ter acontecido para o senhor não estar ainda aqui no escritório. Não é do seu feitio atrasos e, quando estes ocorrem, prontamente me avisa. –Era Alexandrina, sua secretaria. Com um suspiro audível, sentou-se no vaso, afrouxando a gravata que usava e retirando-a.
–Você, com a mente brilhante que possui, já deve ter uma teoria a respeito do meu atraso, Alexandrina.
–Algo aconteceu ontem no aniversario do senhor Volturi, eu presumo. Espero que o senhor esteja bem. –Apesar das palavras que incitavam preocupação por parte da loira, ainda conservava o bom e velho tom profissional na voz. E Edward, após refletir sobre o que dissera a secretaria, concluiu que, embora estivesse intacto, não se sentia bem. Isabella fora a única prejudicada nos acontecimentos da noite anterior e, estranhamente, ela se sentia tão lesado quando ela. Lembrava-se com amargura do desespero ao perceber o seu desaparecimento, o esgotamento físico e mental ao qual foi submetido a noite inteira, principalmente quando encontrou sua menina presa pelos pulsos, seminua, em um lugar imundo.
–Eu preferiria estar machucado por culpa de alguma agressão física. Preferiria ter sido eu a sofrer por conta do meu envolvimento com a máfia. Já estou acostumado, afinal. –Confessou com amargura a sua secretaria, que ouvia aos lamentos do patrão em silencio. Passados alguns instantes sem que nenhum dos dois pronunciasse uma única palavra, Alexandrina resolveu se manifestar.
–Imagino que o senhor não virá ao escritório hoje. –Concluiu a secretaria.
–Como está a minha agenda hoje? Quais compromissos eu terei?
–Apenas com o senhor Volturi. Ele, inclusive, viria até aqui e...
–Adie. Ligue para o assessor dele e adie. Não quero olhar para a cara de ninguém daquela corja pelos próximos dias, ou farei besteira! –Esbravejou, irado. Sentia a pressão arterial alcançar níveis nada saudáveis ao pensar nos Volturi.
–Como quiser. Enquanto as outras atividades não relacionadas ao senhor Volturi?
–Prepare tudo o que precisarei. Trabalharei hoje em casa. Eu vou me arrumar e darei uma passada ai daqui a... –Olhou o Rolex em seu pulso, constatando que pouco dormira. –Daqui a quarenta minutos.
–Tudo bem. Prepararei o que o senhor precisará. –Desligou em seguida.
Pegando o casaco pendurado em um cabide, o Cullen saiu lentamente do banheiro. Voltou para a cama king-size, onde Isabella dormia. Olhando para a menina, percebeu as olheiras profundas, indicando que pouco dormira, além de manchas arroxeadas e um leve inchaço em uma das bochechas, onde muito provavelmente fora agredida por Caius.
Seu corpo inclinou-se em direção a ela para acariciar aquela região lesada com suavidade. E sentia que muito provavelmente aquelas marcas não eram preocupantes se comparadas às lesões psicológicas.
Alguém definitivamente pagaria por tudo aquilo, prometeu.
Deixou o quarto pouco depois, encontrando-se com Angela no corredor, que levava junto a ela um carrinho cheio de quitutes do café da manhã. AA menina mostrou-se surpresa por ver o patrão saindo àquela hora do quarto da Swan, indicando que dormira com a menina.
–Senhor Cullen, eu estava agora mesmo indo até o senhor e a senhorita Swan para levar o café da manhã.
–Leve para Isabella. Sairei assim que estiver decente. Voltarei antes do horário do almoço. –Após dizer isso, foi diretamente ao seu aposento. Tomou um rápido banho, tentando livrar assim o corpo do cansaço. Vestiu roupas casuais, jeans e uma camisa preta, uma vez que apenas pegaria algumas coisas no escritório. Não queria permanecer lá mais tempo do que o necessário, pois sabia que Isabella precisaria dele ao acordar.
Após a saída do patrão, Angela adentrou o quarto de Isabella, colocando o carrinho com a comida o mais próximo possível da cama. Observou a menina adormecida graças ao medicamento tomado horas atrás, apiedando-se dela. Não sabia exatamente o que tinha acontecido, mas deveria ser algo extremamente grave ao ponto de fazer a Swan ter tão violenta crise de choro.
“Pobrezinha. Esta menina não merece todas as atrocidades que lhe acontecem com frequência.” –Pensou Angela pouco antes de deixar o quarto.
...
O seu patrão estava muito estressado, concluiu Alexandrina vendo Edward recolher com rapidez o que viera buscar. A aparência abatida do rapaz indicava que não dormira e os cabelos desgrenhados, mais pela falta de pentear do que pela casual desordem, que ele não se dera ao trabalho de cuidar da aparência como costumava fazer. Não queria pressiona-lo, perguntando o que exatamente havia acontecido. Ela era apenas uma subordinada e como tal devia ficar no seu lugar.
–É tudo o que tenho para hoje? –Perguntou enquanto guardava o material novamente na pasta de couro onde até então estavam armazenados.
–Sim senhor. Não há muito a ser feito, uma vez que adiantou boa parte de seus afazeres. Ouso dizer que poderia deixa-los de lado por hoje e descansar.
–Talvez eu faça isso. Dormi apenas uma hora. –Massageou a nuca, fechando os olhos em seguida. O cansaço parecia esmaga-lo mais e mais desde que saíra de seu apartamento e, a cada minuto, desejava retornar para enfim ter umas boas horas de sono.
–Então é melhor ir senhor Cullen. Já liguei para o assessor de Aro Volturi, avisando que o senhor não estaria disponível por motivos pessoais. Ao que parece Aro foi avisado imediatamente sobre a sua indisponibilidade e ligou minutos atrás, convidando ao senhor e a senhorita Swan para um jantar.
Diante das palavras de Alexandrina, Edward riu a valer. Um riso sem humor algum, tingido de ironia. Como Aro ousava convidar a ele e a Isabella depois do que acontecera, Edward se perguntou. Se houvesse nele alguma sensatez, deveria manter distancia por alguns dias. Ele concluiu que todos da corja Volturiana eram ilógicos, até mesmo Aro, o mais racional dos irmãos.
–Mande o convite padrão para a assessoria de Aro, informando que não poderei comparecer ao jantar. Deixo isso em suas mãos, Alexandrina, para que eu não acabe fazendo uma idiotice. Eu preciso ir. Já passei tempo demais fora de casa. Tenho assuntos pendentes lá. –E esses assuntos pendentes, ele lembrou, se referiam a certa menina arredia de cabelos cor de mogno. Todo parecia estar abaixo, fazendo a Swan ter prioridade.
Antes de ir a sua casa, parou em uma cafeteria onde degustou de algo para comer e beber. A comida colocada dentro do seu organismo pareceu dar algum ânimo a Edward, o que ele agradeceu. Ele permaneceu por mais tempo do que o necessário naquele local, observando os transeuntes irem e virem no calçadão. Todos pareciam estar com algum compromisso que exigia rapidez em suas pernas, aparentando preocupação. Nada do que os atormentavam poderia se comparar aos tormentos do jovem rapaz. Ele desejou por alguns instantes ser uma dessas pessoas preocupadas com ninharias, que ao final do dia poderiam dormir tranquilas com a sensação de dever cumprido. Ele poderia trabalhar o dia inteiro e cumprir com tudo o que o trabalho exigia dele, mas nunca deitaria a cabeça no travesseiro e relaxaria. Como se não bastasse o julgo que ele carregava, agora tinha o de Isabella, que pesava cada vez mais.
Protelou por mais tempo do que o necessário, preparando-se para o que iria encontrar. Certamente Isabella não estaria bem após os ocorridos da noite anterior. Precisava consola-la ao mesmo tempo mostrar firmeza, ou a menina desabaria, levando com ela quem estivesse ao alcance das pequenas mãos.
...
Os olhos fitavam o nada e nem mesmo a brisa fresca e perfumada de uma manhã perfeita, e atípica para uma cidade metropolitana, parecia comovê-la. Isabella estava vazia, como um balão prestes a se esvaziar por completo. E, mesmo plácida como estava, a mente estava a mil, recordando-se do pior momento vivido por ela horas atrás.
Sangue, gritos, dor, horror, escuridão. Palavras que pareciam estar tatuadas em sua mente, para sempre. E as tristes lembranças, além de atormenta-la enquanto estava acordada, conseguiram encontra-la no decorrer da noite. Os remédios, que a ajudaram a dormir, tornaram-se o seu tormento. Como fazer para acordar de um pesadelo grotesco se o seu corpo está devidamente amordaçado por medicamentos?
Coisas aconteciam ao seu redor enquanto a mente estava ausente. Registrou poucas delas, como o cheiro de café e uma voz feminina que implorava algo. Não se importou. Estava bom daquele jeito, Isabella concluiu.
...
Pegando as vias menos movimentadas, Edward chegou por volta do meio dia no seu apartamento, dando de cara com Lauren na sala de visitas.
–Lauren, onde está Angela? –Perguntou, sabendo que muito provavelmente a menina havia ficado de olho em Isabella.
–Boa tarde, senhor Cullen! –Falou a loira num tom claramente irônico. –Angela está vigiando a princesinha da casa.
Não perdeu tempo com a infeliz, seguindo para o aposento da Swan. Encontrou Angela saindo do quarto, carregando o carrinho com um café da manhã intocado. Não se surpreendeu. Diante de tudo o que ocorrera, era obvio que Isabella se privaria de comer. A empregada, ao notar o patrão, forçou um sorriso.
–Bem vindo, senhor Cullen.
–Ela não comeu uma grama sequer do café da manhã, eu presumo. –E viu, ante as suas palavras, Angela suspirar.
–Tentei persuadi-la a comer, mas a senhorita Swan está irredutível. Na verdade ela ignorou a minha presença. –A aparente preocupação de Angela deu a certeza de que a moça nutria certa afeição por Isabella. Edward sentiu certo alivio em saber desse detalhe, pois acima de tudo a Swan precisava de alguma pessoa ao seu redor, quando ele não estivesse por perto, que pudesse ajuda-la de alguma forma sem esperar nada em troca.
Edward refletiu. Deveria fazer Isabella comer, mas o que poderia fazer ou dizer a fim de dissuadir a menina de não se alimentar? Provavelmente ela o ignoraria, muito embora tenha suplicado por ele a noite inteira. Ele precisava fazer algo, uma coisa especial, para que Isabella cooperasse.
Roupas? Não, ela não era ligada a essas coisas, como a maioria das mulheres. Nada do universo feminino a atraia. Seria muito mais fácil agradá-la dando peças de roupas do exército da salvação do que peças exclusivas de Stella Mccartney.
A ideia veio fugaz e foi impossível para o Cullen não se apropriar dela. Como não havia pensado nisso antes? Aquele presente seria, para Isabella, o melhor dos melhores, ele poderia apostar.
–Angela, leve o café para o jardim de inverno. Isabella comerá lá. Deve ser o lugar mais agradável da casa.
–Sim senhor.
Após a saída da empregada, Edward foi ao escritório anexo ao seu quarto e pegou em uma das gavetas da mesa de mogno certo objeto. Voltou instantes depois ao quarto de Isabella e entrou sem pestanejar.
As cortinas das persianas estavam abertas, iluminando bem o local. Um vento fresco entrava no aposento pela sacada, cuja porta havia sido aberta.
Isabella estava sentada na cama, o tronco sustentado por uma pilha de travesseiros. Olhava sem ver um canto qualquer do quarto, sem se dar ao trabalho de averiguar quem entrava lá, ela já sabia.
–Angela ligou para você, falando sobre a garota problemática aqui. –Falou num tom irônico. Edward contemplou a menina, mais frágil do que o habitual. Estava anormalmente pálida, com um lado do rosto inchado por conta das agressões, assim como o ombro mordido por Caius. Parecia uma pálida flor que desfalecia pela falta dos nutrientes necessários. O presente que Edward daria a ela, guardado no bolso da calça, ele se perguntou, seria o suficiente para reanima-la?
–Ela não precisou fazê-lo. Eu não pretendia trabalhar hoje, de todo modo. –Procurou ser cauteloso ao se aproximar, pegando uma cadeira no canto do quarto e se aproximando da Swan. Sentou-se em frente a menina, sentindo um frio atravessar a espinha quando os orbes opacos a encararam. Ficaram daquele jeito por alguns instantes até Isabella se manifestar.
–Não estou com fome agora. Não é algo para se preocupar. –Deu de ombros.
–E até quando durará o seu discurso “Não estou com fome agora”? Até você definhar? –Mostrou em sua fala toda a sua irritação pela situação difícil ao qual Bella passava e que ele, infelizmente, não poderia intervir como bem entendesse. A incapacidade que ele sofria era atormentadora.
–Me desculpe por eu estar agindo de tal forma que há a possibilidade de você perder muito dinheiro. –Desdenhou a menina, lembrando-se das vezes em que Edward deixou claro que só tinha apreço pela vida dela em detrimento dos gastos feitos com a sua compra. Para a sua surpresa, o comentário jocoso não ganhou a aceitação esperada. Viu o Cullen se curvar, embrenhando os dedos nos cabelos revoltos cor de cobre e bufar, exasperado.
–A minha preocupação não tem nada a ver com a merda do dinheiro que eu gastei! Eu... –Tentou conter a ira que irradiava de cada poro de sua pele. Precisava manter a calma e utilizar de estratégia para fazer a menina comer. Voltando ao plano número um, e único que conseguiu pensar, ele a mirou.
–Eu proponho uma troca. Você cuidando de si, a começar pelo café da manhã que Betha preparou, e eu darei a você um presente. –E viu a Swan rir a valer com a proposta, embora fosse um riso desprovido de vida.
–Não estou interessada em mais roupas estonteantes ou algo assim. Apenas me deixe em paz. –Olhou para o outro lado, ignorando a presença do rapaz. Olhar para Edward só tornava mais vivo as lembranças desagradáveis. Embora sentisse uma gratidão sem precedentes por ele, não desejava vê-lo.
–Eu já aprendi algumas lições com o tempo de convivência que temos. Acha que eu ofereceria bens materiais desse tipo? Eu tenho algo que você certamente vai querer. –O modo como falou, cheio de certeza, chamou a atenção da menor. Isabella o encarou cm incredulidade.
–E o que poderia ser isso?
–Eu só mostrarei se você comer. –O Cullen farejou vitória, mas não comemorou antes do tempo. Iria cercar a sua presa e seduzi-la antes de dar o bote, pois este, afinal, sempre fora o seu modo de operar.
–Está blefando. –A cética menina disse, tentando não se ludibriar com as palavras do Cullen, mas falhando. Era deveras curiosa e Edward sabia como ninguém incitar a curiosidade quando queria.
Diante das desconfianças da menina, o Cullen meneou a cabeça.
–Não sou do tipo que blefa. Não é do meu feitio. Garanto que não se arrependerá. Não estou pedindo que se mantenha a mais saudável das criaturas. Coma bem pelo menos por hoje e darei o que prometi. –A seriedade e preocupação de Edward deixou Bella embasbacada. Em outras circunstancias ele faria pouco caso de sua condição, mas agora parecia alguém que a via mais do que uma simples mercadoria cara demais. E ela sentia-se... Estranha. Refletindo sobre eles dois nos últimos dias até agora, ela concluiu que s coisas haviam mudado vertiginosamente. Estava ficando acostumada àquele homem e, após o salvamento, sentia certa afeição.
Ela não sabia ao certo o que Edward tinha a oferecer em troca da sua obediência, pouco se importou. O que diria a seguir não foi motivado por recompensas que pudessem eventualmente interessa-la, mas sim uma força silenciosa de agradecê-lo por tudo o que fizera por ela. Naquele momento Isabella estava consciente do quanto Edward fez ao salvá-la de Caius.
–Tudo bem. –Concordou, fazendo menção de se levantar. Fraca como estava teria ido ao chão se a cama não tivesse servido de anteparo. Edward se apressou em acudi-la, muito embora fosse desnecessária aquela altura. Viu a mão feminina no ar, impedindo que ele chegasse até ela, pedindo tempo para se recompor. Acatou, mantendo-se de pé ao lado dela.
–Eu estou bem. Posso ir até o local onde está o café da manhã sozinha. –Disse, tentando a muito custo ficar de pé. Edward, todavia, não acreditou em suas palavras.Num movimento rápido e, sem duvida alguma, nauseante para a menor, ele a pegou no colo, carregando-a nos braços, Passado o choque, Bella protestou.
–SOLTE-ME! –Exigiu, sacudindo-se nos braços do maior. Sua força, porém, não foi o suficiente para libertá-la.
–Pare com essa tolice! Você não consegue nem ficar de pé!
–Não é uma caminha longa. Eu posso chegar à sala de jantar. –Rebateu a menina, aborrecida. Olhando para a expressão facial da pequena nos seus braços, Edward sorriu. Depois de toda a melancolia sofrida, aquele rosto perpetuadamente crispado era bem vindo.
–O seu café não está no local de sempre. Pedi a Angela para leva-lo em outro lugar da casa, pouco frequentado por nós dois. –Começou a caminhar, tentando não olhar para a Swan mais do que era conveniente. Ver a menina implicava em lembranças atormentadoras, como ela pendurada pelos pulsos, seminua, gritando desvairada. Entretida como estava em ignorar o rapaz que a carregava, e o desconforto por tê-lo tão perto de si, não notou quando o ar a sua volta mudou drasticamente.
Um borrão verde chamou a sua atenção e finalmente captou o ambiente ao seu redor. Era exótico, para dizer o minino, e maravilhoso. Um pequeno paraíso verde dentro de uma sala de médio porte, descoberta para que os raios de Sol e chuva chegassem a uma variedade incrível de plantas. A decoração lembrava os jardins de casas tradicionais japonesas que Bella vira em algum site na internet certa vez, com direito a uma pequena ponte de madeira cortando uma porção de água onde carpas coloridas nadavam.
–Sensacional... –Murmurou. Edward sentiu certa satisfação por Isabella ter se encantado com o lugar, como ele havia planejado. Em uma mesa de madeira jazia o café da manhã. Foi para lá que o Cullen foi, levando a menina nos braços. Sentou Isabella em uma das cadeiras, arrastando a cadeira ao lado para sentar-se também. Não estava com fome por isso limitou-se a observar a menina timidamente beliscar o croissant de queijo, tomando volta e meia um gole do suco de laranja.
Durante alguns minutos nenhuma palavra foi trocada. Isabella forçou a comida o quanto pôde, sendo observada de esguelha por Edward. Ele sentiu certo alivio por vê-la comer, recuperando paulatinamente a vitalidade. Mas ele sabia que a recuperação da menina seria um processo lento, pois as feridas psicológicas causadas pelos atos transloucados de Caius ainda estavam expostas.
Ao final da refeição, Bella contemplou melhor o lindo jardim que a cercava. Parecia mais um paraíso dentro de uma sala, com paredes de vidro e sem um teto para cobrir o local. Um vento fresco penetrava naquele ambiente, balançando as plantas e fazendo lindos exemplares de flores caírem no chão forrado de pedras de seixo. A menina fechou os olhos, inclinando o corpo o suficiente para repousar melhor na cadeira de madeira onde estava sentada. Respirou fundo o ar estranhamente fresco que havia no lugar e relaxou.
Não percebeu Isabella que Edward levantava-se, ficando atrás dela. Retirou do bolso da calça o presente que prometera a Swan e o estendeu ate ficar diante dela. Esperou por alguns instantes até Isabella abrir os olhos e ver, o que não demorou a acontecer. Quando aconteceu, Edward ouviu a respiração da menina cessar. Ela provavelmente estava olhando para o objeto ofertado.
Ao pegar o que Edward lhe oferecia, Isabella estacou. Quando o Cullen falara em um presente, pensou em roupas caras, joias fabulosas, bolsas, perfumes, sapatos, um carro, – quem sabe uma visita ao pai na clinica de reabilitação? – mas nunca imaginou AQUILO.
–Não pode ser... –Murmurou, já com a voz levemente embargada, enquanto sentia a textura do objeto em suas mãos. Olhou para as figuras que apareciam estampadas com uma adoração gigantesca, rememorando o dia em que a mãe posara para aquela foto ao seu lado. Um dia feliz, com um dia bonito e ensolarado. Um dia em que o mundo conspirava ao seu favor, dando a ela pais maravilhosos, uma confortável casa, uma vida tranquila, amigos legais e um namorado amoroso. Tudo estava muito longe das suas mãos agora e, voltando à fita da sua vida e observando ela novamente, concluiu que não poderia ser mais patética.
Sozinha, ferida em todos os sentidos possíveis. Isabella sempre fora forte, mas ultimamente parecia uma garotinha indefesa que apenas chorava pelos cantos. Ela odiava isso, essa fraqueza que tomava conta de si. Queria voltar a ser a Bella que enfrentara corajosamente os capangas de Aro e encarara um destino terrível. Agora ela não sentia a força de outrora, pois precisava de um apoio para os momentos de queda, um apoio que a ajudaria a se reerguer. Quem poderia prestar tal ajuda, ela se perguntou.
Uma mão tocou delicadamente uma lagrima que passeava por uma bochecha. Ela encarou o homem que estava diante dela com um olhar apiedado sobre si.
–Se eu soubesse que se debulharia em lágrimas eu não teria dado a foto.
–Disse que havia jogado fora a fotografia. –Falou a Swan numa voz embargada. Viu o Cullen sorrir.
–Eu estava um pouco aborrecido com a sua conduta por isso eu menti. Eu nunca jogaria algo assim. Eu não sou um mostro insensível. E vou lhe dizer uma coisa, portanto ouça-me com atenção... –Deu uma pausa enquanto o corpo continuava inclinado na direção da menina. A intensidade dos orbes esmeralda deixou Isabella embasbacada. –Caius teve os seus planos frustrados e o que ele mais quer é que você sofra. É uma forma de autossatisfação doentia a meu ver. Se continuar deprimida desse jeito vai deixa-lo feliz. É isso o que você quer?
Não, não era o que Isabella queria. Ela não queria estar mergulhada na lama enquanto Caius ignorava os fatos que ocorreram na noite passada. O querer infelizmente não era o poder, por isso demoraria até a Swan entrar nos eixos e ter uma vida normal. Para que isso acontecesse mais rapidamente a Swan precisaria de um esteio que pudesse, ao menos, abraça-la e dizer q tudo ficaria bem.
Encarou Edward com uma intensidade desconcertante e viu, finalmente, aquele que poderia ser o seu anteparo. Pensando bem, era isso o que ele tinha se tornado nos últimos dias.
Sem pensar em como seria interpretada lançou os braços envolta da cintura masculina, apertando o seu diminuto corpo ao corpo másculo de Edward. Enterrou o rosto no peito do maior, chorando copiosamente. Edward, passado o susto, envolveu a menina em seus braços, acariciando com gentileza as madeixas achocolatadas. Sentiu algo quente e gostoso brotar no peito, a sensação de piedade para com ela, assim como a satisfação em poder cuidar de Isabella e orgulho por que muito provavelmente seria ele a reerguê-la.
–Vai ficar tudo bem. Eu posso não ser a melhor opção para conforto, mas ao menos você tem alguém. Poderia não ter como aconteceu comigo em muitas ocasiões. E eu prometi a mim mesmo que, diante das circunstancias, está fora de cogitação toca-la sem que verdadeiramente queira. De traumas sofridos já basta os que eu e Caius causamos. Eu poderei fazer apenas isso por você o que, a meu ver, é algo grande. –Afastou-se minimamente, querendo ver o rosto branco como porcelana. –Agora chega de chorar. Eu não resolvi deixar o trabalho de lado para vê-la chorar o dia inteiro.
–Não vai voltar para o escritório? –Perguntou a Swan enquanto tentava se recompor, afastando-se do rapaz a contragosto. O calor daquele abraço a envolveu como u manto e sentiu uma necessidade urgente de mais daquela sensação. Não poderia se entregar aos seus anseios, contudo.
–Não. Ficarei aqui para me certificar de que será uma boa menina e não causará transtorno aos subalternos. –Subitamente pegou a menor nos braços sem receber protestos por parte dela. Isabella manteve os olhos fixos no rosto bonito de Edward, sentindo-se protegida como um filhote aconchegado à mãe.
–Então ficará de olho em mim como se eu fosse um rato de laboratório ou algo assim? –Perguntou Isabella fingindo azedume. A ideia de ser vigiada por Edward parecia quase... Aceitável agora.
–Algo assim. –Deu um meio sorriso que conseguiu desconcertar Isabella, para logo mais leva-la ao quarto. Deu privacidade suficiente para a menor tomar um demorado banho e vestir algo confortável, melhorando assim a sua aparência abatida de outrora.
Sozinha em seu aposento, Bella sentia-se caustica. Estranhou. Ao olhar o espaçoso cômodo, decorado com requinte, sentia certo incomodo, como se alguém a estivesse espreitando. Procurou sufocar o máximo que pôde essa sensação inquietante, mas se pegou, enquanto tomava banho ou escolhia o que vestir no closet, olhando ao redor. Parecia que os olhos avermelhados de Caius, aquele que tanto a prejudicou noite passada, a observavam, esperando pelo momento ideal em que a capturaria novamente. E sentir esse medo era tão ruim quanto o que sofrera naquela sala assustadora. Por esse motivo não se preocupou em estar um pouco mais apresentável, querendo encontrar alguém pela casa o mais rápido possível. Ela não se decepcionou ao abrir a porta.
De pé, em frente ao quarto da menina, estava o Cullen, esperando-a. Ele a olhou dos pés a cabeça, tomada banho e com os cabelos úmidos presos num rabo de cavalo frouxo. Vestia um casaco de cashmere azul bebê e uma calça jeans desbotada. Aprovou a melhora na aparência, embora ela não estivesse em seu melhor dia.
–Bem melhor agora. –Congratulou. Isabella, para a sua surpresa, ruborizou com o comentário, desviando o olhar.
–Não precisa me fazer companhia. Sério. Eu estou bem agora. –Tentou ser forte, mas aos olhos astutos daquele homem ela não conseguiu. Edward sabia, pelo brilho no olhar agora apagado, que a menina estava um caos. Deixa-la sozinha com lembranças desagradáveis era cruel até para um homem frio como ele.
–Eu já adiei o que tinha para adiar. Está fora de cogitação voltar ao escritório. Terá a minha desagradável companhia querendo ou não. –Sorriu matreiro, provocando a menina e forçando-a a reagir de algum modo. Ela não decepcionou. Olhou com azedume para o rapaz, bufando audivelmente.
–Então o que a desagradável companhia tem de desagradável para fazermos? –Perguntou incerta. Anteriormente estar na companhia de Edward era algo fugaz resumido em vários minutos de sexo. Pouquíssimas vezes a Swan experimentou estar na companhia do Cullen sem que a prática libidinosa estivesse no meio. Não sabia o que esperar desse Edward gentil demais.
–Admito não ser muito bom com programas simples, mas darei o meu melhor. –Pegou delicadamente a mão da Swan. Guiando-a mais um dos aposentos que ela não tivera o trabalho de investigar. Acabaram entrando em uma sala de vídeo soberba, mais parecida com um cinema do que com uma sala.
Enquanto encarava bestificada a suntuosidade do espaço, forrado com um material próprio para melhorar a acústica e com uma tela enorme, Edward entrou por uma pequena porta ao lado da grande tela e, após alguns instantes, saiu de lá, chamando Bella com o indicador. A menina foi, ainda olhando de esguelha para aquele lugar, até chegar a pequena porta.
–Nada mais justo você escolher os filmes da nossa sessão particular. –O Cullen deu espaço e Isabella contemplou um acervo impressionante de Dvds organizados em prateleiras de metal. Num canto havia fitas VHS e rolos de filmes, aparentemente antigos, e ela soube que Edward não só colecionava livros como também filmes.
–Impressionante... –Murmurou, abismada, enquanto os olhos esquadrinhavam as prateleiras, lendo os títulos dos filmes. –Você os organiza por data de aquisição como faz com os livros?
–Não. Eu os organizo pelo que mais me agradou ao que menos gostei. As prateleiras do fundo são onde encontro minhas relíquias. Não mais seguiremos o seu gosto e não o meu. Dê uma olhada por ai e escolha aqueles que deseja ver.
Eram muitos, dos mais diferentes gêneros. Isabella se viu perdida, sem saber qual filme era o melhor. Caminhou por entre as estantes enquanto os olhos perscrutavam tudo. Constatou, pelos títulos, que Edward era alguém de gosto sofisticado, tal qual se mostrava nos livros. Não foi fácil para a menina escolher uns poucos títulos para aquele dia, mas haveria tempo para ver mais filmes.
De lá Isabella saiu com dois filmes: O Jardim Secreto, dirigido por Agnieszka Holland, e A Princesinha, dirigido por Alfonso Cuarón. Edward não procurou intervir, embora os filmes escolhidos fossem melancólicos demais para o seu gosto. Colocou a primeira opção, O jardim secreto, e o assistiu junto a Swan, sentado em uma das muitas poltronas do lugar, sentando a uma distancia de uma cadeira dela.
A primeira sessão do filme foi silenciosa. Edward estudou a sua companhia volta e meia, tentando observa-la sem ser pego. Isabella parecia tranquila, apenas apreciando o filme. O que ele sequer imaginava era que aquela historia da menina cercada pela riqueza que vivia como uma prisioneira do próprio tio mexia com a Swan. A menininha encontrara refugio em um bonito jardim, trancado há tempos pelo tio. Não era muito diferente da vida que Isabella levava, sendo cativa em uma bonita mansão e tendo como a biblioteca o seu jardim secreto. Ainda sim havia algo que a Swan não tinha: um amigo. Ou será que ela tinha? Angela era uma aliada e tanto, que a auxiliava com frequência. Edward era... O que Edward era afinal? Um amigo? Um protetor ou um... Amante?
Sentiu uma exaustão toma-la, algo que não atrapalhou o momento do filme, uma vez que ele havia acabado. Viu Edward levantar-se e ir até a cabine multimídia, retirando assim o DVD do filme. Voltou minutos depois.
–Melhor darmos uma pausa. Precisamos comer algo. Pedirei para a próxima sessão pipoca e outras guloseimas.
Almoçaram juntos. Assistiram o outro filme, escolhido por Bella, juntos. Ficaram alguns minutos na biblioteca, lendo silenciosamente. Alguns poderiam dizer que o dia fora tedioso pela quase imobilidade das atividades e pouca troca de falas entre os dois, mas nenhum dos envolvidos reclamava. Os dois experimentaram juntos algo que parecia carecer na vida de ambos: tranquilidade.
Foram dormir satisfeitos após isso, cada um em seu aposento.
...
Não soube exatamente o que o acordou, talvez a sede que sentia naquele momento. Permaneceu por mais alguns instantes deitado, esperando os sentidos paulatinamente despertarem. Constatou, ao levantar e acender a luz de um abajur, que ainda eram duas da manhã.
Saiu do seu aposento a fim de ir a cozinha aplacar a sua sede, mas deteve-se ao notar que a luz do aposento ao lado estava acesa. Curioso, empurrou vagarosamente a porta e numa rápida avaliação do local constatou que Isabella não estava na cama. Edward a encontrou sentada no chão, a cabeça descansando nos joelhos, no canto mais afastado do quarto.
Com a preocupação como combustível, Edward logo estava em frente à Isabella, ajoelhando-se ao seu lado. Embora não emitisse nenhum ruído, tinha a certeza de que a menina chorava.
–O que houve? –Perguntou. A mão masculina levantou-se, pretendendo toca-la, mas se deteve. Talvez ela estivesse avessa ao toque alheio, refletiu.
–Não foi nada. –Murmurou com a voz embargada, deixando Edward aborrecido por ela mentir tão descaradamente. Alguma coisa estava acontecendo com ela, ou não estaria naquela situação caustica.
–Não minta para mim. Algo aconteceu e eu EXIJO que me fale sobre isso! –Usando um tom imperativo, mais condizente com a sua natureza, acabou por tocar a Swan, segurando o rosto da menina e erguendo-o.
Isabella tentou esconder o rosto banhado em lágrimas, mas não pôde. Ainda sim evitou olhar para o rapaz diante de si, não querendo mostrar mais fraqueza do que já havia revelado. O silencio imperou por um curto espaço de tempo, mas logo ela desabafou compelida pelo olhar penetrante.
–Não consigo dormir. Sinto que ele me observa. Ele vai esperar eu dormir e vai me levar. –Levou as mãos aos cabelos, puxando-os. Tinha um olhar vidrado, insano. A menina definitivamente não estava bem.
–Ele? De quem você... –O rapaz estacou, compreendendo sobre quem Bella falava. –Caius não voltará a toca-la. Está tudo bem agora. –Acariciou levemente as madeixas achocolatados, mas o ato não pareceu ajudar em nada a menor.
–Eu sei, mas eu o sinto. Sinto os olhos dele sobre mim! Como se ele fosse algum demônio espreitando nas sombras! É insuportável! Não consigo dormir! Me dê alguma coisa para tomar! –Implorou a menina, segurando o tecido preto que cobria o peito másculo de Edward. Ele segurou as mãos entre as suas, sem tirá-las do lugar.
–Não darei remédios para você. Acabará ficando dependente se toma-los desnecessariamente e isso não é bom. Além do mais eu sequer tenho algum remédio para dormir e sim calmantes, que precisam ser administrados por um médico.
–Você me deu ontem. –Tentou argumentar, querendo convencer o rapaz a cooperar. Edward, todavia, não cedeu.
–Ontem foi uma exceção. Não espere que eu colabore com uma possível dependência sua a medicamentos.
–Eu não vou conseguir dormir sozinha! –A menina gritou, chorando copiosamente. Edward tocou-lhe o rosto, numa tentativa vã de acalma-la.
–Eu ficarei com você aqui até que durma, está bem? Acha que isso a ajudaria a dormir? –Perguntou, ansiando por uma resposta positiva que, para o seu alivio, veio. Isabella assentiu um pouco mais composta. –Ótimo. Vamos então.
Edward levantou do chão, ajudando a Swan a fazer o mesmo. Foi até o interruptor e o desligou, agradecido pelo quarto ficar precariamente iluminado pelo brilho mortiço da Lua. Puxou o cobre leito e o edredom para logo mais sentar na cama. Isabella se aproximou com cautela, primeiro sentando para depois deitar. A menina ficou o mais próxima que pôde do Cullen, deitada de lado, sentindo uma vontade irracional de abraça-lo. Conteve aquele impulso, estranhando tamanha reação do corpo.
Edward deitou-se e, ao ver a menina o encarando boquiaberta com algo, sorriu.
–O que está olhando?
–Hmmm... Nada. Nada mesmo. –Fechou os olhos e um sorriso brotou naturalmente nos seus lábios. Era impressionante o quão tranquila estava, como se a simples presença de Edward pudesse espantar os demônios que a atormentavam. Ainda sim ela queria sentir mais. Coisas que sentiu ao ser abraçado por ele durante todo o trajeto da casa de Caius até o apartamento dele.
Como se os pensamentos dos dois estivessem conectados, Edward puxou delicadamente a menina para os seus braços. Ela se manteve rígida por alguns segundos, surpresa com o ato. Ele acariciou as costas da menina a fim de fazê-la relaxar.
–Assim você saberá que eu estou aqui. Se me sentir desse jeito próximo a você. –Viu o Cullen fechar os olhos e relaxar. Ela o acompanhou, deliciada com o cheiro e o calor que vinha daquele homem. Acabou por abraça-lo com vontade, sentindo o medo que até então estava nela se evaporar. Ele era o seu herói, afinal. O homem que a salvara do perigo e cuidara dela a noite inteira.
–Obrigada. –Ela agradeceu já de olhos fechados.
–Pelo o que? –Ele perguntou, abrindo os olhos esmeraldinos e fitando a menina encolhida nos seus braços.
–Por tudo. Você me salvou do Caius. Você cuidou de mim e continua cuidando. Em primeiro lugar você me comprou. Se outra pessoa tivesse me adquirido, a coisa seria diferente.
–Eu sempre disse isso a você, não disse? Agora durma. Você precisa descansar para repor as energias. –Edward não pretendia dormir ali. Esperaria até a Swan pegar no sono, para depois ir ao seu próprio aposento. O problema era que ele sentia-se exausto e o sono o tentava tanto quanto tentava Isabella.
Enquanto Isabella mergulhava a fundo na inconsciência, Edward sentia-se enternecido por ela. A menina mostrava um lado que tentou a todo custo ocultar dele, um lado infinitamente meigo e frágil, o fazendo ansiar por cuidar dela.
–Tão frágil você é... –Murmurou, afastando alguns fios de cabelo do rosto feminino. –O que seria de você sem mim Isabella? –Perguntou. Não obteve resposta, uma vez que a Swan já havia mergulhado na inconsciência.
Ele poderia ter ido embora naquele instante, uma vez que a menina não voltaria a causar problemas, mas quis permanecer. Assisti-la dormir nos seus braços, completamente entregue e a vontade, estava se tornando algo mais interessante do que os filmes assistidos durante o dia.
Os dias que se seguiram foram repetitivos, quiçá tediosos, e... Tranquilos. Edward, no dia seguinte, voltou a ativa, saindo cedo demais e voltando no horário de sempre a sua casa. Bella cumpriu a sua promessa, comendo o melhor que podia, e dessa forma acompanhando-o durante o café da manhã e o jantar. À noite Edward ia checar a menina, constatando que ela, de fato, só dormiria se ele dividisse a cama com ela. O Cullen assim o fez, deixando o aposento quando Isabella já estava completamente entregue ao sono.
A situação entre os dois parecia estar bastante confortável para ambos, mas a realidade era bem diferente. Edward, com o passar dos dias, sentia a necessidade de aplacar os anseios primitivos típicos de um homem, não se atrevendo, porém, a fazê-los com Isabella. Os abusos sofridos pela menina eram recentes demais e o jovem temia tentar algo e causar-lhe mais dor do que as já sofridas. Isso não o impedia de deseja-la, absolutamente. Durante as noites em que a tinha nos braços, tão quente, macia e perfumada, o rapaz tinha que se controlar para não beijar, tocar e fazer tantas outras coisas com aquele corpo. Precisava aliviar a sua inerente vontade ou acabaria fazendo alguma estupidez, concluiu.
Mal ele sabia que a menina passava por uma situação similar à dele. Edward estava mudado e Isabella entendia o porquê de sua recente conduta, do seu distanciamento, mas, em seu intimo, não aceitava. Após o que ocorrera entre eles, quando o vilão transfigurou-se em mocinho e a resgatou das mãos de Caius, ela esperava por uma aproximação. O que ocorreu, todavia, afastou ainda mais os dois. Ela sabia que este afastamento entre eles havia sido obra do Cullen e ele agia dessa forma unicamente para o beneficio dela, mas algo dentro dela se incomodava com isso. O contato entre eles maior era durante a noite, quando dormiam juntos, isso até ela encontra-se sozinha na manhã seguinte. Com exceção dessas poucas horas, mal conversavam e Edward nunca mais tentara nada, nenhum toque mais ousado, ou beijo, ou o que fosse. E, embora ainda tivesse dificuldades para admitir, Bella sentia falta disso. Ela sentia falta daquele homem cheio de sentimentos que se mostrava infinitamente humano quando estava acima dela.
Tentava espantar pensamentos desse tipo durante o dia, lendo livros, vendo os filmes da coleção particular recém-descoberta e até ajudando Angela na limpeza e organização da casa. Conseguia em certos momentos, mas ao cair da noite, enquanto esperava por Edward para jantar com ela e fazer companhia à noite, as vontades vinham com força total. Outras lembranças tomavam a sua mente como o rosto do rapaz, o corpo nu, que ela vira uma vez para nunca mais esquecer, o som da sua voz máscula, o calor, o cheiro de colônia cara, entre outras coisas. Coisas que antes passavam despercebidas por ela, graças à irritação que nutria por seu algoz. Agora ela se questionava, principalmente quando estava diante do Cullen e contemplava a sua beleza, como nunca o viu? Por que nunca notara que os olhos de Edward possuíam uma estranha cor esmeraldina, mesclados a uma pequena tonalidade de cinza? Por que nunca notara que a cor dos seus cabelos era de um tom incomum de cobre, sendo que ele sequer poderia ser considerado ruivo? Como era possível ele ter um corpo tão saudável se mal tinha tempo para exercícios físicos? Seria o cuidado com a alimentação que o deixava com tão boa aparência?
O que acontecera a esse jovem para se tornar uma pessoa tão amarga?
O ponto, todavia, que realmente estava ocupando a sua mente era algo muito mais importante: como ela poderia recompensa-lo por tudo o que Edward fizera por ela? Agora, mais do que nunca, Bella sabia que poderia estar morta se não fosse à atuação do rapaz. Ele a ajudara mais do que deveria e ela, sinceramente, nunca reconheceu isso. Talvez esse fosse o momento ideal para alguma concessão dela e, após alguns minutos refletindo, ela soube o que deveria fazer.
–Hoje a princesinha resolveu ficar de pernas para o ar? –Uma voz nasalada soou no aposento, fazendo Bella sair de suas divagações. Olhou para a porta, vendo a desagradável Lauren encostada na parede, olhando-a com um sorriso cínico nos lábios. Endireitando-se melhor na cama, Isabella devolveu o olhar.
–Esse é um luxo que eu posso fazer quando bem quiser. –Disse ríspida. Lauren não se abalou com a acidez das palavras.
–É claro. Eu só vim avisar que o almoço está pronto. Quer comer conosco na cozinha, como sempre faz, ou hoje dispensará a companhia da plebe?
–Eu vou almoçar com os outros. Não me importo. A única companhia que eu realmente dispenso é a sua. –Retorquiu, levantando-se da cama e saindo do aposento, deixando uma Lauren irritada para trás.
...
Enquanto bebericava de seu drink, preparado cuidadosamente por Alexandrina, Edward planejava o que faria naquela noite. Não queria acaba-la do mesmo jeito dos outros dias, ansiando tocar um corpo que não poderia tocar. Pegou o celular em cima de sua mesa e olhou rapidamente a agenda telefônica. Como imaginou não havia mais os contatos de nenhuma mulher com quem se relacionou, apagados por ele mesmo após o termino. Recriminou-se por isso agora que tanto precisava de uma companhia feminina. Não estava muito disposto a recorrer a prostitutas, mas não havia outra alternativa.
–Senhor Cullen, devo pedir o seu almoço agora? –Perguntou Alexandrina, adentrando a sala. Edward pensou por alguns instantes até se decidir.
–Eu vou comer fora. Voltarei em quarenta minutos. –Anunciou, saindo do escritório rumo ao estacionamento.
Enquanto seguia para o estacionamento privativo, Edward refletiu sobre a inesperada mudança no seu relacionamento com Isabella. Antes a menina não o suportava, mas agora via nos olhos cor de chocolate certo alivio quando ele entrava no campo de visão dela. E o modo como Isabella se aconchegava nele quando iam dormir juntos... Mas que ele não se enganasse. O fato de ela estar bem mais receptiva não significava que nutria algo especial pelo rapaz. Depois do que ele fizera, livrando-a de Caius, Isabella se sentiria tão grata que seria capaz até de se tornar mais dócil. Ela não o fazia por querer, refletiu, e sim para quitar uma divida.
Afrouxou a gravata de seda cor de chumbo e entrou no carro, seguindo para fora do prédio luxuoso. Escolheu um antigo restaurante, frequentado por ele, há várias quadras do seu local de trabalho onde era servida uma lagosta sensacional.
O restaurante era requintado e, para a felicidade do rapaz, não estava movimentada aquela tarde. Sentou-se em uma mesa próxima a janela com vista para a rua, sendo prontamente abordado pelo gerente do lugar. Não estava faminto por isso dispensou a entrada e pediu como prato principal Camarão à Francesa, junto a um bom vinho chileno.
Enquanto esperava pela iguaria, pensou em ligar para a sua casa e, como fazia todos os dias desde o ocorrido com Caius, verificar se Isabella estava bem, se ela estava comendo direito. Também aproveitaria para fazer uma reserva em um hotel cinco estrelas, pois estava fora de cogitação passar a noite com alguma companhia em um bordel, por mais luxuoso que este fosse. E naquele momento de abstração que ele a notou.
Estava sentada em uma mesa do lado de fora do estabelecimento, reservada aos fumantes. Com um Martini quase seco nas mãos e fumando o seu segundo cigarro estava uma de suas antigas conquistas: Tânia Denali.
Edward não se deu ao trabalho de ir até ela. Relacionamentos eram complicados demais e, naquele momento, ele preferia a companhia de uma desconhecida. No entanto, a sua resolução mudou quando a loira arruivada o viu e, sorrindo deslumbrantemente, levantou-se de onde estava sentada, indo até a mesa do Cullen.
–Os bons ventos trouxeram algo especial nesta tarde. –Falou em sua voz de veludo típica de cantoras Hollywoodianas. Edward sorriu, não conseguindo ficar em sua típica postura sisuda diante de tanto viço e carisma.
–A mais bela flor russa diante de mim. –Levantou-se e, após beijar a mão da mulher, convidou-a a sentar. –O que faz por aqui?
–Sabe que adoro a comida deste local. Esqueceu quem foi à pessoa a trazê-lo aqui pela primeira vez? –Os olhos azuis cor de gelo eram penetrantes, intimidadores, mas não para o jovem Cullen. Ele sabia por aquele olhar o que a moça ansiava: indecências. Ela ainda o desejava e queria saciar a sede que ele deixara meses atrás quando se afastou dela.
–Sim, eu lembro. Mas esta lembrança é opaca perto das outras lembranças que tenho junto a você. –Falou o rapaz em uma voz rouca, provocativa, olhando o decote que o vestido branco da mulher mostrava. Lembrar-se de colo tão grande e macio foi o frenesi e Edward sentiu a excitação toma-lo. Talvez não fosse uma má ideia um encontro casual com alguém com quem já se envolvera.
–Se as lembranças são boas eu me pergunto por que fugiu de mim. –Apesar do sorriso tranquilo, Edward podia ver naqueles orbes azuis certa acusação.
–Tânia, minha querida, você, mais do que ninguém, sabe que eu não posso me envolver seriamente. Não com a vida que eu levo. –E Tânia sabia. A loira era a queridinha de algumas das famílias mafiosas ligadas à família Volturi e conhecia superficialmente no que Edward Cullen estava envolvido.
–Sim, eu entendo. Todavia você sabe o quanto o perigo me atrai. –Enquanto sorria libidinosamente, Edward sentiu os pés da Denali acariciarem a sua panturrilha. Edward interpretou isso como um passe para estar entre as pernas torneadas da mulher, o que ele agradeceu.
–O perigo a atrai tanto a ponto de você se arriscar a um encontro comigo novamente? –Perguntou o Cullen.
–Por certo que sim. –Tânia se levantou, sacando da pequena bolsa vermelha de mão um cartão preto com os seus contatos, sabedora que o Cullen não mais tinha o seu número. –Às nove horas no hotel de sempre. Providenciarei champanhe e morangos. –Saiu, andando sensualmente até a porta de entrada. Os olhos esmeraldinos do rapaz acompanharam os quadris movendo-se, graciosos, enquanto a loira desaparecia no interior de um Audi conversível.
Finalmente ele poderia fazer algo realmente divertido e extravasar, coisa que há algum tempo não fazia. Enquanto a Swan, que se apegara a ele a tal ponto que não mais conseguia dormir sozinha... Naquela noite ela teria que se virar.
...
Sentia-se fatigado, mas nada o faria desistir de seus planos para aquela noite. Após deixar o escritório, ligou para Tânia enquanto seguia até o estacionamento, confirmando o local e o horário aonde iriam se encontrar. A Denali esperaria no hotel Hilton em uma suíte presidencial. Edward apenas passaria em seu apartamento para deixar alguns pertences e, quem sabe, trocar de roupa.
Encontrou o local tranquilo, uma vez que os empregados já terminaram os seus afazeres. Olhou para a cozinha, um dos locais mais iluminados, vendo os empregados se mobilizando para arrumarem aquele espaço. Não o notaram e Edward não fez questão de se manifestar. Foi diretamente para o seu quarto, parando poucos instantes em frente ao aposento da Swan. Pela fresta da porta notou que a menina estar ali e devia estar acordada, esperando ele chegar do trabalho, especulou. Considerou ficar e fazer companhia a ela, sabendo que só assim Isabella dormiria, mas logo desistiu da ideia. Estava resoluto em saciar seus desejos com a loira arruivada e não perderia um minuto sequer.
Ainda tinha tempo para um banho e decidiu que o faria em seu toalete, após deixar seus pertences acima de uma das muitas poltronas do recinto. Sentiu-se especialmente bem com a ducha morna que tomou, relaxando os músculos após um dia inteiro sentado em frente a um notebook enquanto trabalhava. Barbeou-se, usando de produtos caros para manter o rosto macio como se nunca tivesse nascido um único fio de barba. Após cuidar meticulosamente da higiene como fazia em todos os outros dias, foi ao closet, ao lado do toalete, escolher o que vestiria. Optou pelo casual chique: uma camisa de botões cinza, calça jeans preta, sapa tênis e um paletó por cima da camisa. O look não o agradava tanto, preferiria usar um terno e gravata de tão acostumado que estava, mas procurou levar em consideração as preferencias da Denali. Vestido num roupão azul marinho, com os cabelos acobreados molhados e em desalinho completo, Edward saiu do closet carregando os cabides com as roupas selecionadas. Estacou ao ver que, dessa vez, não estava sozinho em seu aposento.
Em pé próxima à porta, vestida num robe de seda cor salmão, estava Isabella. Ela o encarava plácida sem emitir um som e Edward, apesar de ser perceptivo, enquanto encarava os orbes cor de chocolate, não conseguia sequer especular o que poderia estar passando naquela cabecinha. Como ela não se manifestava, coube a ele dizer alguma coisa.
–Se veio até aqui me procurar para que eu lhe fizesse companhia enquanto dorme, lamento querida, mas hoje terá que se virar sozinha. –Não foi ríspido como era o costume, mas também não foi o mais delicado dos homens. Depositou as roupas em uma poltrona de couro próxima a porta, ignorando a presença feminina por acreditar que, após o aviso, a Swan voltaria para o quarto. Estranhou ao vê-la ainda em seu quarto, na mesma posição de antes.
–O que há com você? Por um acaso não me ouviu dizer que... –As palavras do Cullen morreram e o rosto, antes levemente aborrecido, mostrou todo o espanto do rapaz ao ver Isabella desfazer-se do nó do robe que usava e deixa-lo cair no chão, revelando o corpo desprovido de roupas.
As luzes baixas que irradiavam dos abajures ligados revelaram com beleza o corpo feminino da Swan. Pele branca e desprovida de marcas, com exceção da leve luxação no ombro onde Caius a mordera. Ele conhecia aquela pele macia, perfumada e quente e ansiou por toca-la novamente. Os olhos castanhos emitiam um brilho sem igual, como faróis acessos em uma praia deserta sem luz ou estrelas para iluminar. Impossível de não encarar aqueles olhos e se enfeitiçar por eles. Os cabelos, soltos e emoldurando o rosto em formato de coração, conseguiram a proeza de deixarem a menina mais encantadora.
Após todo aquele momento de reconhecimento e contemplação, que durou um par de segundos, Edward refletiu sobre o que poderia significar a atitude no mínimo ousada de Isabella. Olhando para ele daquele jeito, como se ansiasse por algo que somente o Cullen poderia proporcionar, só poderia significar um coisa e Edward agora sabia o que era. A situação havia mudado. Agora não era Edward que compelia Isabella a se entregar a ele, utilizando-se até de violência para conseguir o que queria. Era ela, e somente ela, que se oferecia, parecendo desejosa do que ele havia negado a ela por dias.
Ele poderia e deveria sair do seu aposento e ir ao encontro com Tânia, era um percurso seguro a se seguir, mas o rapaz, como ocorria nos últimos tempos, deixou-se levar pelo impulso.
Deixando de lado completamente o cabide com as roupas cuidadosamente escolhidas por ele em uma poltrona de couro preta, Edward caminhou até Isabella enquanto despia-se do próprio roupão.
Ela o queria e Edward definitivamente não iria recusá-la.
Temeroso por uma possível reação negativa da menina, o rapaz se aproximou com cautela, até estar a centímetro dela. Isabella não recuou, ou desviou o olhar, parecendo resoluta em se entregar sem reservas a Edward. Tal ato incentivou o maior e ele, não aguentando mais a excitação em tê-la nua próxima a si, resolveu agir. Aproximou o rosto do pescoço de Isabella, inalando o perfume ali. O aroma de lavanda penetrou as suas narinas, dando a ele uma vontade insana de lambê-la e saber se o gosto, que ele já provara antes, estaria tão bom quando o cheiro. Edward beijou a pele ali, começando por um ponto abaixo da orelha para logo mais, ofegante, engolir o lóbulo da orelha de Isabella.
A menina estremecia a cara roçar do rapaz, sentindo o corpo arder, principalmente entre as suas pernas. Queria estreitar ainda mais o espaço entre eles e se deixar levar pela sensação de ter pele contra pele, se nenhum vestígio de roupa. Ao invés disso Isabella continuou parada, a mercê das ações do Cullen, esperando ansiosa que ele ousasse mais no que fazia. Um murmúrio escapou involuntariamente de sua boca ao sentir os lábios de Edward beijar cada pequena porção do seu pescoço e sentiu uma alegria indescritível quando, enfim, os seus lábios encontraram com os de Edward num beijo que beirava a loucura. Só cessaram aquele óculo, com direito a uma dança entre as línguas quando ambos os corpos protestaram por ar.
Edward estava pronto, desejoso de estar dentro o mais rápido possível de Isabella, mas esperou. Embora ela estivesse reagindo bem as caricias, iria prepara-la adequadamente para recebê-lo sem que isso pudesse causar algum desconforto. Por isso atuou nas áreas erógenas que sempre arrancavam gemidos audíveis da menina, a começar pelos seios. As mãos do Cullen moldaram-se bem a eles, acariciando-os enquanto os olhos esmeraldinos estavam atentos às reações da Swan. Aprovou os ruídos emitidos por ela, alem da expressão facial que a menina apresentava. Desviou o olhar para os seios e decidiu acaricia-los com a boca, causando espasmos violentos em Isabella. A fim de conter a pequena, com uma mão envolveu a cintura delgada, colando os corpos o tanto quanto podia. Logo a mão que envolvia o quadril encontrou uma nádega, apreciando a macies daquela carne.
Não demorou as costas de Isabella encontrarem a parede do quarto, sendo prensada lá por Edward. Ele ainda estimulava o corpo através dos seios beijando-os, lambendo-os e mordiscando-os a vontade. Não contente com aquilo, querendo mais de Edward, Isabella moveu o seu corpo para frente e Edward respondeu novamente aos seus anseios, friccionando o seu corpo ao dela. Permaneceram naquela brincadeira por alguns minutos, entregues a um prazer quase irracional.
Os corpos, colados, andaram cambaleantes pelo quarto sem sequer verem o caminho por onde os pés pisavam, logo encontrando a macies do colchão. Edward, enquanto tomava os lábios de Isabella com sofreguidão, acariciou o corpo bonito com as mãos, as pontas dos dedos e o seu próprio corpo. Ambos adoraram a fricção de corpos, o calor que crescia e os envolvia como um manto além do gosto que a boca do outro tinha.
Enquanto Edward estava entregue ao prazer, Isabella experimentou algo maior. Não soube dizer o que era, mas estar com o Cullen daquela forma, após dias de privação, encheu o seu peito de um sentimento bom, como se o seu peito estivesse antes vazio e o momento com Edward, agora, o enchesse novamente. Talvez fosse apenas por que ela se sentia protegida naqueles braços que, agora, insistiam em abusar do seu corpo. Não importava.
Edward estacou momentaneamente ao sentir os braços de Isabella rodeando-o pelo pescoço, prendendo ele a ela. Afastou-se minimamente e viu os orbes castanhos abrirem-se e encararem ele solenemente. Ela nunca havia o olhado daquele jeito, principalmente durante o sexo. Isabella preferia evitar encara-lo, fechava os olhos e pensava no antigo namorado. Agora ela tinha os olhos fixos nele e o rapaz se encheu de contentamento com isso.
Ergueu uma mão e acariciou a face da menina, adorando vê-la enrubescer mais e mais sob sua mão. Isabella estava encantadora daquele jeito, tão entregue a ele como nunca esteve diante de um homem. Ele queria agradecê-la pelo momento que ela proporcionava e resolveu fazer isso com o seu corpo, dando prazer a ela.
Voltou a atacar o corpo abaixo de si com beijos em toda a sua extensão, começando pelo pescoço, demorando um pouco mais nos seios, seguindo para a barriga lisa. Evitou propositalmente a feminilidade de Isabella, preferindo distribuir beijos no interior das coxas.
Quando a Swan sentiu que os beijos voltavam para cima e sofregamente beijaram o seu ponto alto de prazer, quase soltou um grito. Agarrou os lençóis enquanto dizia palavras incompreensíveis. Edward beijou avidamente aquele local com a mesma destreza com que beijava os lábios de Isabella, usando a língua para acaricia-la toda e deixa-la ainda mais lubrificada. Adorou a seiva que sentiu em sua boca, tão doce quando o resto dela toda. Considerou uma bondade deixa-la chegar ao ápice, ao contrário de muitas vezes em que proporcionou sexo oral a ela e viu em Isabella a satisfação nos olhos que o fitavam incessantemente. Aproximou-se mais dela, querendo sentir aquele interior preparado por ele.
–Eu quero estar dentro de você sem proteção. –Falou subitamente numa voz rouca. Aquelas palavras foram o frenesi e a Swan estremeceu, emitindo um som gutural. Lembrou-se tardiamente das consequências caso os dois fizessem sexo sem camisinha, mas perdeu a linha de pensamento ao sentir as pernas serem abertas e algo tocar a sua feminilidade. Instintivamente tentou fechar as pernas.
–Não podemos... Sem proteção... –Murmurou a Swan. Ignorando os protestos sem vontade da menina, Edward afastou novamente as pernas torneadas, colocando-se entre elas. Não deitou sobre o corpo da menor, ainda não. Permaneceu de joelhos na cama e com o membro ereto acariciou os brandes lábios em toda a sua extensão, ouvindo os gritos de aprovação da Swan como uma doce melodia.
–Podemos... E iremos... Para isso existe a pílula do dia seguinte. Mas nada... Nada vai me impedir de estar dentro de você quando está tão pronta! –Penetrou de uma vez, gemendo junto à menina. Retirou o membro todo e penetrou novamente, olhando o modo como Isabella se contorcia, rebolando em seu falo e exigindo mais dele. Deu algumas estocadas, retirando-se completamente e aumentando o espaço de tempo entre elas, causando agonia na menina. A impaciência foi tanta que Isabella surpreendeu a ele e até a ela mesma quando, abruptamente, virou-se, jogando Edward na cama e guiando a sua entrada na ereção do rapaz. Houve, no momento de penetração, aquele momento de completude antes de Isabella movimentar-se, causando assim o prazer em ambos. Edward manteve os olhos na menor, maravilhado com toda aquela entrega sem reservas. Segurou as ancas, guiando o quadril para baixo quando Bella afastava-se. Moveu também o seu troco, aumentando assim o ritmo com que os corpos se moviam na busca incessante por prazer.
Quando os dois chegaram ao orgasmo, Edward afastou-se apenas para mudar a posição, desejoso por permanecer dentro da menina. Colocou-a de quatro, acariciando toda a pele que as mãos ávidas conseguiam tocar. Após respirar algumas vezes, tentando aplacar um pouco mais os batimentos arrítmicos do coração, voltou a penetrar Isabella, movendo-se com agressividade. Em contrapartida Isabella, longe da passividade dos dias anteriores, moveu o seu corpo junto ao corpo de Edward, querendo alcançar novamente o ápice junto a ele e senti-lo mais e mais dentro de si.
Sentiu os músculos do interior da Swan contraírem, indicando um novo orgasmo. Poderia Edward continuar naquela posição até ambos se satisfazerem, mas teve uma ideia melhor. Saiu de dentro dela e delicadamente deitou-a na cama com as costas no colchão. Edward voltou a penetrá-la, desta vez com os olhos filhos nos dela, querendo vê-la melhor enquanto chega ao orgasmo junto com ele. Moveu-se lentamente a principio enquanto tentava manter os olhos bem abertos, mas logo intensificou os movimentos, arrancando gritos e palavras desconexas da pequena. Em alguns momentos a Swan fez menção de fechar os olhos e em momentos como esse Edward parava de estimula-la.
–Não darei o que você quer se não mantiver os seus olhos abertos. –Sussurrou ao pé do ouvido de Isabella, mordiscando-o. –Quero que me veja enquanto gozamos juntos. -Afastou-se, deixando o rosto próximo ao da Swan. Ela não decepcionou, abrindo os olhos com muito custo. Como forma de agradecimento Edward investiu fortemente no interior da Swan, aumentando o ritmo na medida em que observava que ela de fato estava cumprindo com o pedido. A menina encarava fascinados os olhos esmeraldinos que emitiam um brilho intenso e adorou ver a expressão de Edward enquanto chegava ao ápice; ele era realmente um homem lindo. As mãos pequeninas seguraram o rosto do rapaz, surpreendendo-o. Com o ritmo acelerado com que agora empregada na penetração, logo os dois chegaram ao orgasmo, mantendo os olhos bastante abertos. Edward se manteve dentro do corpo de Isabella por mais tempo, esperando os espasmos diminuírem assim como a respiração ofegante. Beijou a Swan instintivamente, sentindo um cansaço opressor atingi-la. Isabella aproveitou aquele contato tão intimo, abraçando Edward contra si com força enquanto correspondia ao óculo, deliciando-se com a macies daquela boca e a habilidade que o rapaz tinha em deixa-la nas nuvens com um simples beijo.
As horas se passaram e logo o casal se desvencilhou. Cada um ficou em um lado da cama e toda a intimidade pareceu evaporar como éter no Sol. Isabella estava envergonhada pelo que fizera e Edward estava confuso pela entrega da menina. Nenhum dos dois verbalizou as suas inseguranças sobre o acontecimento.
Isabella não sabia se Edward já havia pegado no sono ou não, uma vez que ele estava deitado de lado e tudo o que ela via eram as suas costas bem torneadas. E Edward estava acordado, embora os olhos estivessem cerrados. Ele sentia-se incomodado, exposto, após entregar-se a Swan com tanta paixão. Ainda sim havia uma parte dele que simplesmente adorou cada momento passado nos braços de Isabella.
Sentiu o lugar onde Isabella estava deitada ficar mais leve. Abriu os olhos, vendo a menina pegar o robe cor salmão e vesti-lo. Ela pretendia deixar o quarto e Edward sentiu, enquanto a via rumar para a porta sem olha-lo, uma urgência em chama-la e pedir que passasse a noite com ele, embora ainda sentisse certo desconforto. Por isso ele reagiu a saída da menina, falando:
–Isabella? –Chamou, fazendo a Swan virar e encara-lo. Abriu a boca a fim de pronunciar o pedido, mas tudo o que conseguiu dizer nada tinha haver com a permanência dela ali. –Feche a porta ao sair.
A decepção da menina com as palavras do rapaz, quando esperava que ele pedisse pela sua permanência, não foi evidenciada. Com uma expressão plácida no rosto ela respondeu:
–Como quiser. Boa noite. –Disse, saindo e fechando a porta atrás de si. Ela não pôde ouvir o “boa noite” murmurado pelo rapaz, tampouco o viu afundar a cabeça em um travesseiro enquanto as narinas procuravam pelo perfume que a menina deixara em toda a cama.
Naquela noite Isabella, surpreendentemente, conseguiu dormir sem a companhia de seu salvador.
Notas finais
Agradeço a todos pelo apoio e dedico esse capítulo a todos os leitores. Agradeço pela ajuda da Lídia que colaborou enormemente para o lemon no final do capítulo. Obrigada amiga!
Comentem, divulguem, deixem uma recomendação, etc.
Fale com o autor